A todos aqueles que sobre estas matérias, bem ou mal, por gosto ou a contragosto, me aturaram, dedico este trabalho...
Os textos que se seguem, são alguns dos textos que compõem a 2ª Parte da 4ª série de Globalização e Desindustrialização editada pelo blog A viagem dos Argonautas e, que terão como tema geral Comércio e Concorrência Internacional: algumas questões. Trata-se de textos que expressam uma profunda análise, uma profunda reflexão teórica sobre a teoria do comércio internacional e levam-nos a colocar várias questões sobre a realidade presente, sobre as deslocalizações, sobre a concorrência à escala planetária, sobre o que se deve pensar como fair trade ou como unfair trade, sobre o conceito de level playing field (um espaço de trocas sem distorção de concorrência, com concorrência não falseada), sobre a política ou ausência dela que serve de suporte à globalização, sobre o quadro teórico que esta tem estado a justificar. São textos sérios, diria mesmo muito sérios, que tomam como ponto de partida a velha teoria de Ricardo, a velha teoria das vantagens comparadas e a propósito vão-nos colocando sérias interrogações sobre os silêncios dos economistas ou sobre o vazio em que assentam as suas concepções de relações económicas internacionais de ontem e, sobretudo, as de hoje. E tudo isto porque um pequeno parágrafo do capítulo “Sobre o Comércio Externo” de Ricardo é sucessivamente ignorado pelo ensino dominante, pelos neoliberais, e onde se diz: “Sem dúvida que os capitalistas ingleses e os consumidores em ambos os países teriam vantagem em que, em tais circunstâncias, tanto o vinho como os tecidos fossem feitos em Portugal e que, portanto, tanto o capital como o trabalho empregados em Inglaterra na produção de tecidos fossem desviados [deslocalizados, diríamos agora] para Portugal com esse fim”. Falamos de deslocalizações ou ignoramos as deslocalizações, falamos de vantagens comparadas ou de vantagens absolutas, é simples. A opção até agora tem sido a de ignorar estas múltiplas questões, pelo menos do ponto de vista teórico e de as sofrer do ponto de vista prático.
Os textos em questão que iremos aqui apresentar fazem o trajecto inverso, questionam a realidade de hoje face aos pressupostos de Ricardo considerando que o mundo mudou muito e é incompatível hoje com as hipóteses então admitidas, pelo que se deve repensar tanto a teoria do comércio internacional como se deve igualmente repensar o que se deve entender por política comercial e quanto a esta, hoje devemos possivelmente ser levados a admitir que se “tradicionalmente, a política comercial tem sido pensada em termos de tarifas, quotas e subsídios à exportação, agora, a política comercial precisa de ser re-conceptualizada em termos de forças motrizes do desenvolvimento industrial e tecnológico dentro dos países, e deve levar em conta a possibilidade das políticas estratégicas rivais entre os próprios países”. E é para esses múltiplos trajectos possíveis de um objectivo comum e desejável que os textos a disponibilizar nos querem convidar e de entre todos estes textos não podemos deixar de referenciar as posições assumidas sobretudo por Roberts Craigs e Charles Schumer, na Brookings Institution em 2004, mas também por Paul Samuelson, por Baumol, por Ralph Gomory, entre tantos outros igualmente possíveis, num trajecto que é também um virar de costas ao mundo económico estilizado assente nas hipóteses de Ricardo.
Os textos agora apresentados são instrumento de trabalho de uma qualidade tal que eu se ainda hoje fosse docente os tomaria como textos obrigatórios em qualquer disciplina como Relações Económicas Internacionais, Economia Internacional e outras afins. Nestes textos as hipóteses fundamentais subjacentes ao teorema das vantagens comparadas de Ricardo são analisadas ao mínimo detalhe e dessa análise são tiradas fortes conclusões quando à validade do teorema que desde há décadas serve de base teórica para a globalização, sendo pois certo que é com ele que se tem validado o actual trajecto da globalização, da submissão das soberanias nacionais à dominação pelos mercados globais. Textos fundamentais em contra-corrente do ensino de hoje, mesmo no MIT como um dos intervenientes no debate o reconhece, textos que nos ensinam a ler criticamente um modelo, a ler criticamente uma realidade, também. Pedagogicamente importantes, portanto. Daí a nossa posição em tomá-los como textos de alta qualidade pedagógica, como textos bem-vindos a qualquer Universidade que se queira como tal ser reconhecida. Sabemos porém que com a reforma do Ensino Superior, dita reforma de Bolonha, e com as restantes reformas neoliberais de Mariano Gago e afins, as Faculdades terão espaço para tudo menos para um ensino a sério, porque agora materialmente impossível, pelos tempos disponíveis e pela ausência de boa matéria-prima que o sistema secundário já deixou de criar e portanto estarei ao nível da pura quimera quando esse desejo expresso. Talvez!
E agora que saí da Universidade e agora que me defronto, por um certo acaso, com estes textos, a propósito destes lembro aqui um pequeno incidente que me aconteceu na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, aquando da visita da Comissão de Avaliação das Universidades Portuguesas, que creio ter sido presidida por Simões Lopes. Se a memória visual não me falha estavam presentes 5 dos mais importantes responsáveis do ensino superior de Economia em Portugal e comentavam o plano de curso da nossa Faculdade. A mim tinham-me dito para não colocar no plano da Faculdade e no que diz respeito à disciplina de Economia Internacional mais do que dois textos como referência bibliográficas, o que naturalmente fiz, tendo optado então, de entre um leque enorme de manuais de que nos servíamos, de dois livros que reputávamos dos mais significativos, e de um deles ainda me lembro, era o de Miltiades Chacoliades, International Trade. Do segundo livro citado já não me lembro.
De repente e pela voz de Francisco Pereira de Moura é citada a disciplina de Economia Internacional e é também referenciado o tempo já antigo da edição dessa obra de Chacholiades como é sublinhado também e pelo mesmo professor, apenas sublinhado e sem mais nenhuma outra referência, o tempo no programa de Economia Internacional dado a David Ricardo, um autor que na opinião de Keynes: “Ricardo foi o maior [mais distinto] espírito que considerou a economia como estando à altura das capacidades que ela própria possui.” e com um teorema, com a descoberta de uma lei em que na opinião de Roy Ruffin “A descoberta, por Ricardo, da vantagem comparativa deve ser classificada como uma das estórias mais notáveis da história do pensamento económico. A sorte, o génio, um desejo de dar um contributo à economia política, assim como duas semanas de intenso labor intelectual, reunidos num super-rico intermediários bolsistas, para dar à economia uma das suas leis fundamentais. Nenhuma lei é mais subtil , e todavia mais óbvia, acerca da reflexão”. Face ao que estava a ouvir expresso pela Comissão, pedi a palavra. Ao meu lado, o meu amigo de há muitos anos Joaquim Romero de Magalhães só me pediu para que falasse devagar o que normalmente não sabia fazer, sobretudo naquela época, quanto mais naquela situação. E disse mais ou menos isto: como professor sou um produto de quase todos os membros daquela Comissão, como professores ensinaram-me a ler criticamente todos os textos, todas as teorias. Aprendi, creio que isso aprendi e é isso que quero também aos meus alunos fazer. Ricardo é um autor demasiado sério para com ele não se aprender a lição de pedagogia que me ensinaram a praticar e se ele não é analisado criticamente estaremos disponíveis para aceitar como verdades todas as mentiras que o neoliberalismo tem andado a impor. E isto exigia tempo, o tempo longo a que se referiam, o tempo de aprendizagem dos estudantes que não é nada imediato. A eles agradecia ali publicamente o facto de me terem ensinado a ser assim.
E foi assim esse incidente. Depois, recebi os cumprimentos dos referidos professores, professores que desde há muitos anos me tinha habituado a respeitar.
(Continua)
(Com a devida vénia, transcrevemos do Expresso de 25 de Fevereiro de 2012)
«A minha consciência obriga-me a tornar público um episódio que sempre mantive privado, porque não me ocorreu fazer diferente. Em 2004, Santana Lopes era primeiro-ministro e eu mantinha, há uns anos, uma crónica de opinião semanal na Antena 1, cujo director se chamava Luís Marinho. Desde a tomada de posse que fui crítico contundente do Governo Santana Lopes, até que um dia o Luís Marinho me chamou e começou com uma conversa circular acabando por confessar que achava que a minha crónica devia ser substituída por um outro tipo de intervenção qualquer, talvez enquadrada com outros, e na qual ele iria meditar. Disse-lhe que não valia a pena quebrar a cabeça a pensar na alternativa: eu conhecia as regras do jogo. E ali mesmo me despedi, sem mais nem um tostão, deixando-o, ao que me pareceu, visivelmente aliviado. Hoje, depois de ter lido o depoimento do ex-subdirector da Antena 1, Ricardo Alexandre, não tenho dúvidas de que Luís Marinho continua fiel ao seu roteiro, tendo assim servido o Governo Santana Lopes, o Governo Sócrates e agora o Governo Passos Coelho/Relvas — e sempre a subir. Acontece, porém, que Pedro Rosa Mendes é um grande jornalista e um grande escritor: o país deve-lhe. Quanto a Luís Marinho, sinceramente, não me recordo de qualquer coisa que o jornalismo lhe deva: um texto, uma reportagem, uma entrevista. É o meu testemunho, que ninguém me pediu: apenas para que conste.»
(Miguel Sousa Tavares, in "Expresso", 25.02.2012)

(Conclusão)
Com a morte de Eshkol, sucede-lhe no cargo Golda Meir, que foi a quarta primeira-ministra de Israel.
Tendo sido ministra dos Negócios Estrangeiros de Eshkol. Golda Meir formou um executivo de coligação, convidando inclusivamente partidos de direita a participar. Durante o seu governo, destacou-se pela negativa o ano de1972, um ano negro: um comando palestiniano sequestrou um avião da Sabena; o Exército Vermelho Japonês (grupo de inspiração marxista) massacrou 25 israelitas no aeroporto de Tóquio e militantes da Fatah assassinaram 11 atletas israelitas durante os Jogos Olímpicos de Munique.
Golda Meir ordenou à Mossad que empreendesse a "Operação Cólera Divina" que eliminou quase todos os responsáveis pelo massacre de Munique. Chamavam-lhe Idishe Mame (a mãe judia). Costumava realizar reuniões políticas enquanto cozinhava no seu pequeno apartamento. Porém, sectores mais à esquerda acusavam-na de não se empenhar na tentativa de fazer a paz com os árabes. Não conseguindo a paz, os israelitas foram surpreendidos pela guerra. A invasão de Israel, em 6 de Outubro de 1973, pelos exércitos sírio-egípcios em pleno dia de Yom Kippur evidenciou negligência do Governo.
Meses antes do ataque, Golda recebera a visita de Hussein da Jordânia, que a preveniu sobre as intenções de egípcios e sírios. Golda, entretanto, desprezou a informação. A guerra foi desastrosa para Israel nos primeiros dias. Depois, as forças armadas israelitas repeliram a invasão e contra-atacaram, chegando até aos arredores do Cairo e de Damasco. No dia 26 de Outubro, vinte dias após a invasão a vitória israelita era categórica.
Mas a impopularidade gerada pela guerra que colheu de surpresa o país, levou-a a demitir-se, pouco depois de sua reeleição. Foi substituída por Yitzhak Rabin que fora seu ministro do Trabalho. Governou Israel entre 1974 e 1977. Durante sua administração foram firmados acordos de separação de forças com o Egipto e teve início, em 1975, a construção de infra-estruturas para a colonização da Cisjordânia.
Em Julho de 1976 uma brigada do grupo radical alemão Baader-Meinhof, sequestrou um avião da Air France, num voo de Telavive para Paris com escala em Atenas. O avião foi desviado até Entebe, no Uganda. O grupo terrorista exigia a libertação de 53 presos políticos encarcerados em cadeias de vários países. Os reféns não-judeus foram libertados. Rabin convocou a Mossad para que planificasse uma operação de resgate. O Uganda, do ditador Idi Amin Dada, era um país hostil a Israel. Em 1972 Amin Dada expulsara todos os judeus. A operação secreta foi levada a cabo. em 3 de Julho: homens da Brigada Golani desembarcam em Entebe, invadiram a aeronave e executaram os terroristas.
Soldados ugandeses abriram fogo sobre os homens da Brigada Golani, o que provocou a resposta israelita. Onze jactos da aviação ugandesa foram destruídos durante a operação, que durou somente 90 minutos. O sucesso do resgate deu a Rabin grande popularidade, não só no país, como até mesmo internacionalmente.
Ainda durante 1976 uma profunda crise económica gerou inflação e insatisfação. Surgiram algumas denúncias de corrupção, levando o ministro das Obras Públicas Abraham Ófer a suicidar-se. No Knesset (parlamento) foi aprovada uma moção de desconfiança. Em 1977, a descoberta de uma conta secreta em nome de Leah, esposa do primeiro-ministro provocou a queda do Governo e subida ao poder de Menachem Beguin.
Vê-se por aqui, pela pouco mais do que sumarização dos primeiros trinta anos de vida, que a criação do Estado de Israel não foi coisa fácil. Foi feita sob a inspiração da Torah, mas implicou sacrifícios, lutas, heroísmos, canalhices… Foi tudo menos fácil.
Manuel António Pina “A vontade que tenho era pôr um cinturão de bombas e rebentar com essa malta toda”
publicado em iInformação em 18 Fev 2012
Tem um pensamento torrencial. É difícil não sucumbir ao encanto, ao humor, à inteligência e às histórias. Consegue defender o cepticismo da forma mais apaixonada, tornando-o quase o seu inverso. Não acredita em milagres, mas faz tudo para que eles aconteçam. A conversa começou pouco religiosa sobre a relação entre os intelectuais e os políticos. Já não me lembro da primeira pergunta, mas a primeira resposta foi a que se segue.
Um dia o Sócrates telefonou-me, eu tinha escrito uma crónica em que falava das declarações do então treinador do Benfica, Camacho, que garantia que o clube jogava bem mas não metia golos. Relembrei que o objectivo do futebol não era “jogar bem”, mas meter golos, nem que seja com a mão. Comparava a situação com a do governo, dizendo que estava tudo óptimo, com o pequeno problema de não funcionar. Estava em casa e o telefone tocou. Atendi – ainda bem que fui eu, a minha mulher teria decerto descomposto o tipo a pensar que era um brincalhão – e escutei uma voz: “Daqui José Sócrates.” Ainda na dúvida se não era alguém a gozar comigo, ouvi: “Venho protestar consigo na minha qualidade de benfiquista e já agora de socialista”, e convidou-me a ir almoçar a S. Bento. Vou-lhe dizer uma coisa, ele surpreendeu-me. Olhe que a certa altura até me citou o Ruy Belo, e apropriadamente, com uma citação certa. Estava acompanhado daquele tipo que vinha do SIS, o Almeida Ribeiro, a partir daí telefonava--me muitas vezes. Eu sei que ele fazia isso a várias pessoas, porque quando morreu o Eduardo Prado Coelho li uma declaração em que ele dizia: “Era uma grande pessoa, uma grande figura, e até tinha um almoço marcado com ele.” Garanto-lhe que aquilo funcionava. Continuei a dizer o que pensava, mas durante uns tempos não escrevia “José Sócrates”, mas “primeiro-ministro”, para desfulanizar, como dizia o António Sérgio. Começámos a afastar-nos quando ele, num discurso que fez no Norte, em 2008, no início da crise do subprime, garantiu que os portugueses deviam estar seguros de que a Segurança Social não especulava com o dinheiro das pessoas como as economias de casino. Eu com aquele péssimo hábito que tenho de jornalista, fui confirmar as coisas, consultei o site da Segurança Social e vi que 80% dos fundos estavam aplicados em acções. Ele tinha dito expressamente que não se aplicava dinheiro em acções e não era verdade.
Os políticos, além de tentarem seduzir os intelectuais como o Manuel António Pina, também os castigam?
Vou dizer-lhe uma coisa: é mais comum a sedução. O único político que me lembro de me mostrar algum desagrado foi o Sampaio. Senti isso depois de escrever uma crónica quando ele foi a Barrancos, durante a guerra sobre as touradas de morte. É preciso lembrar que foi a posição dele que ajudou muito a legalizar aquela excepção, dizendo, em Barrancos, que o povo quer as touradas de morte. E eu escrevi uma crónica citando o Mário Cesariny, dizendo: “Vem ver o povo que lindo é/ vem ver o povo dá cá o pé.” Passado uns tempos atribuíram-me uma condecoração. Fui lá recebê-la, em Guimarães, pensei em não aceitar delicadamente, mas a minha mulher disse-me que fosse. A minha mulher é fantástica, deve ser a única pessoa que nunca escreveu um poema na vida, nunca tentou escrever “alma” a rimar com “calma” e “água” com “mágoa” e apesar de não gostar de poesia faz-me uma espécie de edição. Às vezes escrevo um poema e ela diz-me o que acha, e normalmente tem razão. E sobre eu não querer aceitar a condecoração disse-me: “Lá estás tu a pôr-te em bicos dos pés.” E tinha razão. No dia aprazado, Sampaio pôs-me o penduricalho e eu agradeci. E ele disse-me assim, com aquela cara severa que o homem tem, “não me agradeça a mim, agradeça ao Estado”. E eu disse-lhe: “Ó senhor Presidente, mas como não tenho o Estado à mão, agradeço-lhe a si.”
Está um bocadinho desencantado?
Estou muito. Eu não tenho nenhuma fé. Mas escrevi recentemente uma crónica chamada “O que fica depois do que se perde”, sobre o filme “A Palavra”, do Dreyer. É uma história sobre a fé. Conta a vida de um luterano que tem três filhos, o mais velho é ateu, o segundo tem uma loucura mística, convence-se que é a reencarnação de Cristo, e o terceiro, o pai tenta casá-lo com uma rapariga de outra seita protestante. Todos consideram louco aquele que se julga Cristo, eu até escrevi na crónica loucura entre aspas, para acrescentar uma nota em que dizia que sou céptico, mas sou céptico em relação ao próprio cepticismo, mas depois acabei por tirar as aspas porque já não tinha espaço para as explicar. A certa altura do filme, a mulher do filho mais velho, ateu, morre, e as duas crianças pedem ao tio que ressuscite a mãe, porque têm aquela fé pura e sem limites acreditam nisso – é das cenas mais comoventes da história do cinema – e ele ressuscita-a. As únicas pessoas que não ficam surpreendidas são as duas crianças. É curioso que eu que não tenha fé nenhuma, mas quando vejo coisas daquelas sinto uma espécie de melancolia. É a sensação que têm os amputados que sentem a perna que já não têm.
Não acha que esse desencantamento é fruto de um sentimento de impotência? Muitos textos seus fazem esse contraponto entre as esperanças de uma geração dos anos 60 e o abastardamento da maioria dessas pessoas no presente...
Isso não gera naturalmente impotência, a não ser nos impotentes. Eu cito muitas vezes uns versos do João Cabral Neto, na “Morte e Vida Severina”, que dizem assim: “Muita diferença faz entre lutar com as mãos e abandoná-las para trás.” E eu sou uma pessoa que atira as mãos para a frente. O meu cepticismo é mais em relação ao ser humano e sobretudo em relação a todos os tipos de optimismo. Às vezes inverto aquela máxima e digo que o optimista é um pessimista mal informado. Eu sujo as mãos, mas faço-o descomprometidamente. Estávamos a falar da descrença, mas eu sinto-me completamente revoltado. Às vezes digo: a vontade que tenho era pôr um cinturão de bombas e explodir com essa malta toda. Quando vejo tratar mal alguém mais vulnerável, um velho, uma mulher, uma criança ou um animal, sou capaz de fazer mal…
Mas não acha que, como no filme, é preciso acreditar para que as coisas aconteçam?
Não acredito em milagres. Digo que aquilo é muito bonito, é belo. E senti a necessidade de pôr um parênteses: a beleza é o rosto mais jubiloso da verdade. Não da própria verdade, mas do seu rosto. Quanto à verdade, tenho dúvidas que exista. Isso da beleza não é uma constatação minha. No outro dia estava a ver uma entrevista do Prémio Nobel da Física Steven Weinberg, em que ele dizia que a teoria das cordas era tão bonita que tinha de ser verdadeira. É um físico que diz isto, não é o místico. Sei que a literatura e a arte são formas e não a confundo com a realidade prática. Já tenho dito que sou um pouco religioso, no sentido mais estritamente literal da palavra.
Escritora, pedagoga, dramaturga, Alice Gomes foi uma mulher de acção, que deixou publicados vários contos, poesias, traduções, ensaios e muita obra por publicar, que pode ser consultada no seu espólio, entregue pelo filho à Biblioteca Nacional.
Irmã de Soeiro Pereira Gomes e casada com o escritor Adolfo Casais Monteiro, foi pelo final dos anos vinte que se
estreou nas letras. Continuando com o “O Dicionário de Educadores Portugueses”(ASA, 2003) : “Desenvolve um tipo de escrita inspirado nas mais modernas correntes estrangeiras e sempre atenta às opiniões das crianças”…. “Como professora fomenta e põe em prática o “método dois projectos”, bem como experiências de organização de bibliotecas de permuta, museus e festas escolares. Dinamizadora da educação pela arte, estimula o teatro infantil, os fantoches, o desenho e todas as manifestações de criatividade como formas de tornar o ensino mais atractivo: para que como gosta de dizer ”qualquer criança possa aprender sorrindo”.
Organizou a Poesia Para a infância (1955), antologia de poesia portuguesa e brasileira, uma beleza de livro, com ilustrações de Costa Pinheiro. E, espanto meu – somos muito ingratos para com os tradutores! – foi ela que traduziu o Principezinho de Saint-Exupery!
Promoveu exposições de desenhos e outros trabalhos escolares infantis. Foi fundadora e dinamizadora da Associação Portuguesa para a Educação pela Arte, onde desenvolveu diversos projectos pedagógicos considerados pioneiros. Com muitos escritores, entre eles minha mãe, Maria Cecília Correia, trabalhou na Cooperativa Ludus — Círculo de Realizações para a Infância e a Juventude, nos anos 60, onde vários artistas, escritores e educadores debateram acerca de livros infantis, com o objectivo de “estimular todas as actividades que auxiliem a existência de uma literatura infantil e juvenil saudável” (Rocha, 1992).
Depois de 1967, dedicou-se exclusivamente à literatura infantil. As reflexões que deixou expressas em Aprender sorrindo e Literatura para a Infância, 1979, demonstram a sua contínua actividade de escritora e divulgadora de literatura infantil.
Professor diz-me porquê?
Por que voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?
……
Tu falas falas professor
daquilo que te interessa
e que a mim não interessa.
Tu obrigas-me a ouvir
quando eu quero falar.
Obrigas-me a dizer
quando eu quero escutar.
Se eu vou a descobrir
Fazes-me decorar.
É a luta professor
a luta em vez de amor.
Eu sou uma criança.
Tu és mais alto
mais forte
mais poderoso.
E a minha lança
quebra-se de encontro à tua muralha.
Mas
enquanto a tua voz zangada ralha
tu sabes professor
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada
e finjo
finjo que não penso em nada.
Mas penso.
Penso em como era engraçada
aquela rã
que esta manhã ouvi coaxar.
Que graça que tinha
aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar!...
…….
Alice Gomes
Um Café na Internet
Da Golegã a Tomar (continuação)
Digo “bom dia”, não respondem – duas vezes. Sinto que me olham com hostilidade. Terá ocorrido por aqui alguma selvajaria?
Já bebi litro e meio de água por isso, mais adiante, peço a um homem que me encha as garrafas. Este mostra-se acolhedor, diz que cada dia vê caminhantes, admira-se por eu ser portuguesa e andar sozinha; o que, pelos vistos, lhe parece antagónico. (E talvez suspeito.) Lembro-me de Álvaro de Campos: “À força de diferente, isto é monótono.”
Passo diante da bela igreja da Atalaia e, à saída da localidade, o Caminho vira à direita, entrando num pinhal. Poucos metros depois, deparo dois homens, um dentro, o outro fora de um carro. O que está do lado de fora exclama:
- Vimo-la passar, cortámos por além, para lhe vir falar!
Assusto-me um pouco. Mas o homem que se encontra no carro parece desinteressado e o que fala mostra-se simpático e respeitador. Quando avista um caminhante, vem sempre cumprimentá-lo, garante ele.
- É então de Lisboa? Talvez um dia, quando lá for, a encontre!
- Terei muito gosto.
Digo eu. Pensando na minha surpresa se, algum dia, por “Lisboa com suas casas/De várias cores”, isto é, para mim, ao subir a Almirante Reis, um homem me interpelar:
- Não se recorda? Falei consigo na Atalaia.
(Não será monótono: apenas diferente.)
(Continuação)
En las comunidades del Ecuador destacan las chalinas jaspeadas en la ciudad de Cuenca, las alfombras de puntos
anudados elaborados en la localidad de Guano, además de los tapices de algodón y los bordados de la provincia de Cañar. La zona de Otavalo tuvo una tradición textil anterior a los Incas con la civilización de los Caras. Las tradiciones textiles preincaicas fueron en base al algodón y con la llegada de los incas se introdujo la fibra animal. La tradición textil de Otavalo y la calidad de sus piezas textiles fue la causante del progreso de aquella zona durante el virreinato del Perú. Hacia los años sesentas del siglo XX se inicia una diversificación textil en cuanto a diseños, incluyendo incluso (por motivos turísticos), diseños de inspiración azteca y europeos; teniendo en cuenta que las comunidades kichwas de Otavalo prácticamente monopolizan la producción textil indígena del Ecuador además de ser parte obligada de los corredores turísticos de ese país .
Entre los quechuas del Perú, la tradición textil también tiene características particulares con variantes regionales muy marcadas. En sus libros, John Murra prueba que en el Perú el arte textil era como un sello de identificación entre las comunidades andinas. La comunidad quechua de la isla de Taquile es una de tantos grupos quechuas que destacan por su arte textil, el arte textil de Taquile fue proclamado por la UNESCO como Obra maestra del patrimonio oral e intangible de la Humanidad en el año 2005 y posteriormente inscrito en la Lista representativa del patrimonio inmaterial de la Humanidad. El arte textil taquileño destaca por el cinturón calendario, que es una pieza de arte textil en donde el tejedor marca los principales momentos de la vida agrícola y comunal de Taquile; El chullo taquileño también es un elemento de particular identificación étnica pues cada varón desde muy temprana edad aprende a tejer su propio chullo, a su vez los motivos del chullo taquileño indican el status dentro de su Comunidad corredores turísticos de ese país
La imagen de la página anterior, muestra varones taquileños tejiendo su chullo, con otro en la cabeza que indica el rango de cada uno.
La familia quechua no es apenas un grupo de padres e hijos, es una comunidad en que cada uno elige su pareja. La familia quechua pertenece a la rama quechuamarán del tronco andino-ecuatorial. El hogar original del pueblo quechua parece haber sido la región de Apurímac-Ayacucho, en el Perú actual. Aquí se fundó el Imperio Inca que fue conocido hasta la Conquista española como Tahuaninsuyu que en castellano es Las cuatro regiones (tahu 'cuatro', susyu 'región'). El quechua era la lengua predominante del Imperio y se hablaba en dos variantes: la casta gobernante hablaba inca simi, que algunos estudiosos creen fuera una lengua secreta, y el pueblo hablaba runa simi o 'lengua popular'. Desde el siglo XVI en adelante el nombre tribal quechua se usó para designar la runa simi. La pieza de teatro, El drama Ollantay es tal vez la obra mejor conocida de la literatura quechua; fue compuesto por un autor desconocido hacia el 1470.
Por varias razones, entre ellas la del proselitismo, los españoles difundieron el esparcimiento del quechua. La lengua fue enseñada en la Universidad de Lima (fundada en 1551) y para 1560 Domingo de Santo Tomás había producido la primera gramática quechua. Aun cuando los incas conquistaron Chile y, a la llegada de los españoles, era comprendida, por ejemplo, en los valles del norte, no logró entronizarse. Atestiguan su presencia los topónimos y algunos préstamos léxicos en el mapuche. La historia de la expansión territorial del quechua ha experimentado varias etapas.
(Continua)
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Análisis completa en: http://www.guiapuyo.com/kichwas.php El arte textil de Taquile es una de las manifestaciones culturales de la población que habita en la isla de Taquile en el lago Titicaca en el Perú. El arte textil de Taquile tiene sus orígenes en las antiguas civilizaciones que habitaron la isla, especialmente las culturas Pucará, Tiahuanaco, Colla e Inca. El aislamiento natural de la isla durante la colonia mantuvo la tradición en los diseños aunque el elemento español del tejido a pedal, también se integró en la elaboración de las prendas.1 El arte textil de Taquile fue proclamado el 2005 como "Obra maestra del patrimonio oral e intangible de la Humanidad",2 posteriormente en el año 2008 pasó a formar parte de la "Lista representativa del patrimonio cultural inmaterial de la Humanidad". La isla de Taquile (Intika en quechua), en el lago Titicaca, pertenece al distrito de Amantaní, Puno, Perú y está situada a 45 km de la capital regional. Cuenta con una población aproximada de 2.200 habitantes. La villa principal se encuentra a 3.950 msnm y el punto más alto de la isla llega a los 4.050 msnm. La isla pertenece al dominio lingüístico del idioma quechua y el gentilicio de sus habitantes es taquileño/a. Intika fue parte del Imperio Incaico por lo que hasta el día de hoy se pueden apreciar algunos restos arqueológicos. Esta isla fue una de las últimas localidades peruanas que capitularon frente a los españoles en el siglo XVI. Posteriormente fue tomada en nombre del emperador Carlos V y finalmente pasó a la corte de Pedro Gonzales de Taquila, de cuyo apellido se desprende hoy su nombre. Los españoles prohibieron la vestimenta tradicional incaica, por lo que los isleños tuvieron que adoptar la vestimenta campesina que hasta el día de hoy usan. Es estrecho y largo, fue utilizado como prisión durante la Colonia Española y en el siglo 20. En 1970 pasó a ser propiedad del pueblo de Taquile, que han habitado la isla desde entonces. La sociedad taquileña está basada en el trabajo colectivo y en el código moral Inca "Ama sua, ama llulla, ama qilla" (no robaras, no mentiras y no serás perezoso). Actualmente su economía tiene como base la pesca, la agricultura de la papa en los andenes y el turismo, recibe anualmente 40,000 turistas. Los taquileños son especialmente conocidos por sus tejidos, los que se encuentran dentro de la más fina artesanía no solo en Peru sino en el mundo. "Taquile y su arte textil" fueron honrados al ser proclamados "obras maestras del Patrimonio Oral e Inmaterial de la Humanidad” por la UNESCO. Cabe resaltar que el hilado y el tejido es hecho principalmente por hombres, comenzando a la edad de ocho años. Las mujeres hacen exclusivamente de hilados y tejidos. La vida en Taquile es todavía en gran parte sin cambios por la modernidad del continente. No hay coches y hoteles en la isla solo hay unas pequeñas tiendas que venden los productos básicos. La mayoría de las familias utilizan velas o linternas con baterías o manivelas. Pequeños paneles solares se han instalado recientemente en algunos hogares. Fuente: Elayne Zorn, 2004. "Weaving a Future: Tourism, Cloth and Culture on an Andean Island". Iowa City: University of Iowa Press. ISBN 0-87745-916-9 Guía Turística del Departamento de Puno editado por la Dirección Regional de Industria y Turismo de Puno.
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
TRATADO EUROPEU
Jean-Louis. Bianco, MP PS, antigo secretário-geral do Eliseu, conselheiro de François Hollande: "os tratados foram assinados, eles não foram ratificados." Não é um caminho fácil, há um número de países europeus onde isto levantará grandes problemas. Às vezes, eles devem fazer a escolha do referendo. E além disso não se esqueça que, semana após semana, o plano de austeridade infernal em que a Grécia está sujeita coloca as opiniões públicas contra esta visão excessivamente legalista e punitiva da Europa. Por conseguinte, mesmo se não houvesse nenhuma mudança eleitoral, considero que a ratificação do Tratado não seja dada por adquirida. (...) Pode-se mexer num certo número de coisas. E há uma parte que é evidente, é necessário solidariedade. É necessário fazer mais e fazer mais cedo. "Temos de conseguir juntar as obrigações europeias para que se mutualize a dívida Europeia."
Philippe Douste-Blazy, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros, apoio de François Bayrou: "Eu não creio que é por ir ver ou não ver Merkel que François Hollande pode resolver o problema de um Tratado." Pode tomar-se este Tratado, refazer um outro a seguir, então ele pode trabalhar para melhorar os textos, é possível. Mas fazer crer que uma vez indo a Berlim, poderá resolver o problema, isso não é verdade. No entanto, penso que a Europa sofreu muito nesta crise mas que ela se reforçou. O grande tema da eleição presidencial, para mim, a nível europeu, é passar do período de resposta urgente para uma nova governação. "Eu acho que deve haver um Presidente da zona euro, com um secretário-geral, um ministro das finanças e um Ministro da indústria da zona do euro"
AJUDA À GRÉCIA
J.L.B.: "Eu acho que nós estamos a matar o doente, e digo-o muito seriamente." O que é imposto sobre a Grécia é profundamente injusto - e é sempre mais, sempre mais. O poder de compra dos gregos foi reduzido em 25%, será ainda diminuído de mais 25%, e há muito tempo de atraso para se tomarem medidas para que toda gente pague o imposto, para se repatriar dinheiro, para se reduzir os orçamentos militares. A Europa errou no seu diagnóstico porque se está perante uma política ultra-repressiva , e de toda a maneira, digamos, que é mesmo uma política de desprezo, de um certo número de países do Norte da Europa sobre o tema "os países do Sul gerem mal". Isto vem, em especial, da Alemanha e deve ser conhecido."
P.D.B. Fez-se um enorme erro logo no início: o Banco Central Europeu deveria ter dito, logo, desde o primeiro dia, que era garante perante todos os bancos que tinham dívida grega." E os especuladores nunca teriam atacado. Agora estamos numa situação onde se corre sempre atrás e permanentemente. (...) Abandonar a Grécia seria um erro colossal. O que é necessário, é mostrar que países como a Grécia - amanhã, poderá ser Portugal, a Espanha ou a Itália - não podem ser abandonados aos mercados e não podem ser atacados pela especulação. Hoje, este é o grande tema da Europa. Se não se conseguir fazer isto, em seguida, é claro, será a confirmação de um falhanço. "Devemos ter, e imediatamente, uma governação económica, muito mais de uma Europa política, e vgeremos que assim a Europa será respeitada."
J.-L. B. : "As consequências (de uma falência da Grécia) seriam catastróficas." Primeiro, para os gregos, porque estes seriam apanhados numa situação de muito mais fragilidade ainda do que já estão hoje - simbólica, politica, psicologicamente, mas também virtualmente através da guerra que as agencias de rating fazem sobre os títulos de dívida soberana. A mecânica infernal da especulação financeira, da dívida pública, das agências de notação, faz com que , de seguida, a situação se estendesse a outros países. ."
Jean-Louis Bianco, antigo Ministro.
Philippe Douste-Blazy, antigo ministro, conselheiro do Secretario geral da ONU.
Afirmações recolhidas por Luc Bronner, Gilles Leclerc e Jacques Monin, Le Monde
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Another Irish referendum beckons
Ireland will hold a referendum on the European Stability Treaty, creating more uncertainty for the eurozone over months. The Irish Times reports that the cabinet decision had been taken following the advice of Attorney General Máire Whelan that, “as the treaty was outside the EU architecture, on balance a referendum should be held”. No date has been set for the referendum but it is expected to take place in May or June. Kenny said that he intended to sign the treaty at a meeting with the other EU heads of Government in Brussels on Friday.
A no vote would mean Ireland would not be eligible for funds from the ESM, writes the FT. The pact can enter into force with the support of 12 of the 17 countries that use the euro, effectively removing any single nation’s veto over the accord.
Ireland aims to resume issuing debt on bond markets later this year as a first step toward ending the bailout on schedule. However, with about €20bn of borrowing costs to cover in 2014, most analysts believe it will need more official funding to meet some of its commitments, Reuters reports.
A recent opinion poll found 40% of the 1,000 Irish people questioned said they would support the treaty, with 36% against and 24% undecided.
Ireland's main opposition party Fianna Fail has said it will join the governing Fine Gael and Labor parties in campaigning for a 'Yes' vote. Sinn Fein leader Gerry Adams, whose party forms the second largest opposition bloc in the lower house and has seen its popularity surge over its anti-austerity stance, said his deputies would campaign against the treaty.
German constitutional court rejects secret committee
The German constitutional court has given a ruling that is going to make the day-to-day operation of the European Stability Mechanism more difficult. In its original ruling on the EFSF, the court demanded that the parliament must be consulted for each discussion with a budgetary implication. In response, the parliamentary majority took a decision to set up a secret nine-person committee, drawn from the 41-MP strong budget committee, to would monitor and approve the government’s ESM-related activities. The court yesterday upheld most of the complaints against the setup of a secret committee. The case was brought by two SPD MPs.
Frankfurter Allgemeine quoted the parliament’s president as saying that the parliament will find a solution consistent with the court’s ruling shortly. The court said the committee could only be invoked for the purchase of government bonds through the ESM. The court says this was an exceptional circumstance, given the confidentially requirements. But the court said it any reduction in the ordinary rights of MPs would have to be well founded, and would have to be proportionate. It said the establishment of a permanent mini-committee for ESM affairs failed that test. The argument that it would be less bureaucratic and faster to convoke nine MPs is insufficient. If there is time pressure, the budget committee itself is suitable enough for that purpose. (That means even the argument of an emergency is not sufficient.) The court also accepted a number of procedural complaints, for example relating to the questions what if only a minority of the nine MPs turn up, as there is no system of deputies in place. Furthermore, the committee does not reflect the majority in the Bundestag.
Dutch Parliament approved new Greek bailout
The Dutch parliament gave grudging backing to Greece's second rescue package on Tuesday saying it was needed to stabilize the currency bloc. During a debate in The Hague, a parliamentary majority voiced its support for the package, making a formal vote--which could have taken place Wednesday—unnecessary, according to Dow Jones. As expected, the Dutch minority government secured a majority through the backing of the opposition Labor Party. The government relied on the Labor Party because its key ally in parliament, the populist Freedom Party, is staunchly opposed to bailing out fellow euro-zone member states.
Greek parliament approved cuts in defense, investment and pensions
Greece's parliament Tuesday approved a law implementing steep budget and pension cuts on the first day of a two-day legislative sprint ahead of the European Council meeting, the Greek portalCapital reports. The legislation aims for budget savings worth some €3.2bn, including a €400m reduction in defence spending along with a €400m cutback in the public investment program. Other cuts reduce the operating expenses of ministries by 15% and implement a 12% reduction in pensions over €1300 per month. The bill was approved by 202 lawmakers with 80 deputies opposing them.
Greek cabinet agreed cuts on minimum wage
Earlier on Tuesday the Greek cabinet also approved measures to lower labour costs, approving a steep reduction to the minimum wage, Reuters reports. This includes a 22% cut on the standard minimum monthly wage of €751. For those under the age of 25, the cut will be 32%. In addition, there will be wage freezes on certain categories until the unemployment rate, currently 21%, falls below 10%. The reduction was one of several measures included in a new debt deal for Greece that was voted through Parliament earlier this month.
Juncker want a reconstruction commissioner for Greece
In an interview with Die Welt, Jean-Claude Juncker revived the German idea of a Kommissar for Greece, but with some important modifications. He said the eurozone would have to strengthen the Greek infrastructure through a much better use of structural funds. The same applied to improvements in competitiveness. This job requires political coordination, and should be entrusted to a European Commissioner, with a specific responsibility for the reconstruction of the Greek economy. Juncker make clear he does not want a commissioner to enforce savings, but to aid in reconstruction. It was insufficient that finance ministers deal with this matter on a monthly basis.
Troika has positive report on Portugal
The FT reports from Lisbon that the troika has produced a positive report on Portugal’s reform efforts, saying it was on track to meet the conditions of the programme, while demanding further steps. The troika’s third quarterly review paves the way for the disbursement of the third tranche, of €14.9bn, of the country’s loan programme, due in April. That would bring the total of funds received to €48.8bn, 62% of total programme. The articles quotes finance minister Vítor Gaspar as saying that the country would not ask for any increase in bail-out funds, more time to meet fiscal targets or repay loans, or any other revision in the terms of the agreement. (though the cameras showed him and Wolfgang Schauble taking about a new programme at a recent Ecofin). Gaspar said the 2011 budget deficit would be close to 4% of GDP, below the official 5.9% target, but this was achieved through a partial transfer of bank pension funds to the state, which accounted for about 3.5pp of last year’s adjustment. Gaspar the structural adjustment last year was nevertheless still above the eurozone average, at about 4pp. This year’s target is 4.5%, which Gaspar said would be met without additional consolidation measures.
The very slow path towards adjusting the Spanish deficit
El Pais writes about the incredibly slow process of getting Spain’s insane 4.4% deficit target for this year adjusted. There are fierce negotiations under way, at the Ecofin level, and with the Commission. Mariano Rajoy will raise the issue over dinner with his EU colleagues on Thursday, in the hope that the negoatiations are settled by then. The government is current preparing a budget for this week, which still sticks to 4.4% deficit target, though El Pais writes, the decision will rest with Rajoy, and is as usual likely to be made at the last minute. If there is no deal with the EU by this week, the government could publish a budget, focusing solely on the macroeconomic forecast, with all the budgetary details postponed until next week. The article says the calendar of the Spanish administration does not match that of the Commission. Olli Rehn says it might takes weeks.
ECB says Greek bond no longer acceptable as collateral
The news is unsurprising given the equally unsurprising downgrade of Greek bonds to selective default. The ECB will no longer accept Greek bonds as collateral until the debt exchange offer is complete. But there is a twist. It was previously thought that the gap would be plugged through EFSF-collateral, but this is apparently not the case. The ECB said any ensuing liquidity needs would have to be met through emergency liquidity assistance by national central banks. The FT writes that this highlights “eurozone authorities’ slowness to put in place measures agreed to support the Greek debt exchange”, as the promised support through the EFSF is not yet in place.
Fitch gives an extremely sceptical assessment of the long-term effects of the ECB’s liquidity support operations
FT Deutschland has an article on Fitch’s analysis of the impact of the European Central Bank’s liquidity operations, which came to a rather downbeat assessment. The ECB can at most delay the collapse of weak banks, but it cannot change the situation fundamentally. The rating agency said that the life support operations for weak banks would only postpone their death. The agency said it did not expect a big push of credit flows into the economy, and it saw only limited effects on the prices of government bonds.
ESM agreement likely by March or April, say the Dutch
Reuters quotes the Dutch finance minister Jan Kees de Jager as saying that an agreement to extend the ESM would be in place by March or April. He said that Germany was the only country with reservations on this matter, but his understanding was that the Germans would be ready to make a decision by then.
Sarkozy makes modest gains in French opinion polls
We still consider this to be an open race, despite the consistent polling lead of Francois Hollande.France Soir reports on the latest Ifop poll for Paris-Match, published Tuesday night, showing that the wide polling gap is closing. François Hollande leads with 28% for the first round, followed by Nicolas Sarkozy at 27%, Marine Le Pen at 18%, François Bayrou at 12% and Jean-Luc Mélenchon at 9%. For a second round run-off Hollande still leads with a 10 point gap at 55% against Sarkozy 45% (though down from an 11 point in the previous poll.) Interestingly, the respondents are saying that Sarkozy is running the better campaign so far.
Wolfgang Munchau on Spain
In his FT Deutschland column, Wolfgang Munchau takes a closer look at Spain and concludes that the pursuit of the 4.4% deficit would be pure madness, pull the country into a depression, and would result in an inescapable debt trap for the private sector. Munchau says the problem for Spain is the relative lack of deleveraging in the private sector so far, a process that is only now beginning in earnest, and which will take several years to complete. During that time, the Spanish government can ill-afford to consolidate as well. The degree of consolidation required under the EU adjustment programmes is so extreme that it is bound to destabilise the Spanish economy. Munchau concludes that Spain, not Greece, was the biggest threat to the eurozone’s cohesion.
10-Y Spreads, Forex, ZC Swaps and Euribor-Ois
Euro-dollar stable though the e/r wobbled yesterday as the news of the Irish referendum gave out.
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Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008, professor em Princeton, colunista no New York Times, veio até Lisboa anteontem receber um doutoramento honoris causa. A seguir pôs-se a dar uma entrevista que passou na televisão. Como muitas vezes acontece com as celebridades falou sobre várias, algumas das quais ele não deve conhecer muito bem. E uma delas é Portugal. Quem nos conhece? Nem nós…
Paul Krugman falou contra a austeridade e, simultaneamente, preconizou que os salários portugueses devem continuar baixos face aos salários alemães. Isto para facilitar as nossas exportações. O problema é que para as nossas exportações crescerem os salários dos alemães teriam de aumentar. E de não irem comprar a outro lado. É por isso que se chama a tipos como o Krugman gurus. Estes são uns tipos meio sábios, meio bruxos, no falar do dia a dia das pessoas vulgares. Falham muitas previsões, mas depois têm um discurso e tanto para as justificar.
O senhor professor acha que o caso português é mais parecido com o irlandês do que com o grego. Mas vai avisando que Portugal não deve seguir as soluções irlandesas, que não estão a dar bons resultados. Fala é em aumentar as exportações. E lamenta que Portugal tenha aderido ao euro, mas agora não aconselha a saída da zona euro, porque iria causar grandes complicações. Refere a pouca margem de manobra do governo português, semelhante, diz ele, à de um governador de um estado americano. Tudo muito complicado.
Paul Krugman é especialista em geografia económica e comércio internacional. Deve ter uma certa dificuldade em compreender o caso português, apesar de já ter trabalhado cá. A certa altura, refere o agravamento do défice português nos últimos anos em termos que denotam surpresa. Deve conhecer pouco do caso BPN, dos problemas da banca portuguesa em geral, ou da epopeia dos submarinos. Não tem a percepção de que aquilo a que chama austeridade cá no burgo consiste quase exclusivamente em cortar salários e pensões, e em despedir pessoal. O volume de dinheiro que é posto em off-shores, a fuga aos impostos, a economia subterrânea, as despesas sumptuárias que persistem em ser consideráveis, as parcerias público-privadas, as empresas públicas com endividamentos brutais, que cresceram de modo pouco transparente, a corrupção, o que realmente está por detrás das privatizações, e outros casos semelhantes, escapam-lhe. Sabe que existem, mas o mais provável é que não conheça o peso na vida económica. E sobre os disparates como o excesso de auto-estradas e os estádios de futebol, as opções erradas como a Plataforma Logística da Castanheira do Ribatejo, também chamada de Lisboa Norte, pouco saberá. Por isso a conversa sobre os salários. É o que ele conhece… Não lhe ocorre que o aumento de exportações tem de ser acompanhado de um crescimento interno, incluindo de um aumento da produção agrícola e afins, para melhor alimentar a população. Se a população não tiver um mínimo de condições de vida, a produção não poderá aumentar. O próprio Krugman reconhece o perigo da deflação. Não se apercebe que Portugal já lá chegou.
Os americanos ainda andam a celebrar a queda do muro de Berlim, e o desmantelamento da União Soviética. Mesmo os que se identificam como progressistas (que lá auto-intitulam-se de liberais, palavra que lá tem contornos diferentes do que deste lado do Atlântico) têm dificuldade em escapar a estas fórmulas, que são corolários da ideologia capitalista. Como tal não passam muito tempo a pensar no estrago que a Alemanha tem feito no resto da Europa, após que lhe terem sido perdoadas indemnizações de guerra, ter recebido um apoio enorme para a reunificação, etc. Vêm na Alemanha uma potencial rival, sim, mas também uma aliada para enfrentar a China, os BRIC, etc. E por isso também não insistem no desmantelamento da zona euro, que a prazo poderia constituir um rival de peso para os EUA.
Há frisar que Krugman, como muitos dos seus colegas economistas, se identifica como progressista. Mas que na realidade tem dificuldade em adoptar um esquema de pensamento diferente do clássico, o qual preconiza uma reduzida intervenção do Estado da Economia, subordinação do trabalho ao capital, produtividade assente em baixos custos do primeiro, liberdade de circulação do segundo, propriedade privada de meios de produção, etc. E aceitação de ideias como a de que as crises são boas para se ganhar dinheiro. Não chega a opções que invertam esta situação.
Sempre Galiza!
"Poucos povos como o galego sentem a separação entre a geografia física e a imaginária, o país vivido e o país desejado ou, evocando outros mundos míticos que dão horizonte ao nosso percurso na história, a Galiza demandada. O corpo da Galiza, o belo corpo de natureza poderosa e até perturbadora que raramente deixa indiferente não só aos nascidos no país mas aos visitantes, é o país dos estrangeiros na sua própria pátria, a mais dolorosa forma de exílio."

Delegação da AGLP:
Concha Rousia, Ernesto Vasques Souza, Maria Dovigo e Ângelo Cristóvão
AS DUAS GEOGRAFIAS
Intervenção de Maria Dovigo, da Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa,
no encontro A importância da Lusofonia, X Fórum da PASC - Plataforma Ativa da Sociedade Civil, organizado pelo MIL - Movimento Internacional Lusófono, na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 24 de fevereiro de 2012.
“Que fermosa geografia,
Só de nós sabida”.
José Maria Álvarez Blázquez
Se as palavras não só se compreendem pelo seu significado mas pela rede de associações que por várias vias tecem à sua volta, nenhuma mais forte como a ligação entre Lusofonia e liberdade para aqueles galegos que geração após geração mantemos a chama viva da defesa da unidade da língua galaico-portuguesa. “Portugal é a Galiza livre e criadora”, proclamava, mas do que dizia, o ímpar ser humano que foi Daniel Castelão.
Poucos povos como o galego sentem a separação entre a geografia física e a imaginária, o país vivido e o país desejado ou, evocando outros mundos míticos que dão horizonte ao nosso percurso na história, a Galiza demandada. O corpo da Galiza, o belo corpo de natureza poderosa e até perturbadora que raramente deixa indiferente não só aos nascidos no país mas aos visitantes, é o país dos estrangeiros na sua própria pátria, a mais dolorosa forma de exílio.
Cedo aprendemos os galegos a procurar pelo mundo o que nos é negado no lar materno: a nossa riqueza material mas também o nosso sonho secular e coletivo duma humanidade sem amos nem servos, dum mundo de irmãos. Podemos invocar mil fontes para defender a supremacia da origem deste sonho universalista.
Mas eu não procuro com estas breves palavras legitimar a prevalência de qualquer nação, comunidade ou religião. Não é essa a minha vocação. Não é isso o que, como filha da Galiza, procuro na palavra Lusofonia. Penso que a busca permanente dessa ilha à que já demos tantos nomes está no mais fundo da nossa condição humana.
Se alguma lição consigo tirar deste convulso tempo em que estamos a viver é o terror que o homem tem à falta de liberdade, que não por acaso começa com a privação dos bens materiais. E liberdade é o que como galega procuro na comunidade lusófona. Liberdade para que a minha pátria não morra, para que se regenere através duma língua, a portuguesa, da que já foi raíz mas da que anos de império alheio privaram de cultura, de palavras para dizer os sonhos dos que em todo o mundo, também em Portugal, fomos conhecidos pela força do nosso trabalho, pelo nosso empenho em libertar a família e a terra das privações materiais e também de soberania. Bem conhecemos essa dupla cara da miséria. Os caminhos já foram abertos, as fronteiras físicas desimpedidas. Fica agora a tarefa mais difícil, mas também a mais entusiasmante: a de converter esta geografia física que o mar uniu em geografia liberada e fraterna.
A terra estará sempre do nosso lado, como mãe amorosa cujos braços chegam a toda a parte, como mãe que mesmo no desespero encontra sustento para os seus filhos. Libertemos a terra da escravatura da ganância. Não foi para trazer especiarias a Europa que os portugueses partiram na aventura das descobertas nem é o saudosismo pelos séculos passados que trará a grandeza a Portugal. Também não foi para matar muçulmanos que os galegos inventaram o sepulcro do apóstolo peregrino. Será, por ventura, a consciência cívica, a vontade expressa de criar a cidade nova da ilha paradisíaca que persiste na nossa memória neste tempo em que todas as geografias físicas são conhecidas e todos os pesadelos realizáveis.
Ela, a ilha, está lá, à espera de todos nós, os que cá fomos convocados pela palavra Lusofonia e que por avatares da história fomos ligados pelos caminhos do mar. Eles nunca foram fáceis, nem no tempo das navegações míticas, nem nas dos santos, nem nas dos peregrinos, nem nas dos navegadores do Infante, nem nas dos escravos africanos ou dos seus substitutos nos barcos negreiros, os emigrantes galegos a caminho da América ou os que desde diferentes nações da Europa fugiam da fome e da opressão.
As viagens sempre pediram coragem, sacrifício, curiosidade, conhecimento, amor aos longes, imaginação. Demos-lhe agora a esta herança civismo no seu sentido mais pleno, desde o etimológico àquele que os séculos lhe conferiram. Unidos estamos aqui não pelas nossas etnias nem pelas nacionalidades, por mais que não renunciemos à riqueza que elas nos deixaram, mas pela esperança de nos ligarmos em liberdade, porque queremos deixar um legado de abundância e paz. Todos os contributos são imprescindíveis na construção da cidade nova, desde a satisfação das nossas necessidades materiais ao nosso inquieto desejo de criar o que só a nossa imaginação consegue ver. Enchamos de nomes o nome da Lusofonia. Talvez nesse momento, que tanto gostaram de cantar os nossos poetas, acabe porfim o exílio dos galegos. Como nos diz Rosalia de Castro: “Ânimo, companheiros. Toda a terra é dos homens”.
Ouçam-na, de viva voz, no português da Galiza:
no Jardim de Inverno do Teatro Municipal de São Luiz, a partir das 17h30, realiza-se um Dia Extra – A Arte de fazer Ciência, em colaboração com o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, porque :
“ As ciências e as artes vivem em territórios muitas vezes sobrepostos, nascem de um mesmo apetite voraz de apropriação e expressão do mundo. Olhar, observar, formular hipóteses, traçar analogias, propor metáforas: não há conhecimento que não resulte da nossa curiosidade, do nosso empenho em decifrar o mundo, da nossa capacidade para lhe encenar traduções”.
Nesse sentido é aberto o Jardim de Inverno a um conjunto de instalações de Herwig Turk / Paulo Pereira e de Pedro Miguel Cruz capazes de alterar profundamente as nossas convicções sobre as fronteiras entre arte e ciência. Uma hora depois (às 18h30), estes autores, moderados por Carlota Simões, abordam o tema, as obras e, mais filosoficamente, a infinita permeabilidade entre os dois domínios.
A título de exemplo eis a cartografia inesperada do mundo de Pedro Miguel Cruz em Empires decline – revisited : ver texto explicativo em
Saudações feministas da UMAR
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Amadeo de Souza Cardoso
(1890 - 1916)
Esquivo sortilégio o dessa voz, opiada
Em sons cor de amaranto, às noites de incerteza,
Que eu lembro não sei d’Onde a voz duma Princesa
Bailando meia nua entre clarões de Espada.
Leonina, ela arremessa a carne arroxeada;
E bêbada de Si, arfante de Beleza,
Acera os seios nus, descobre o sexo… Reza
O espasmo que a estrebucha em Alma copulada…
Entanto nunca a vi mesmo em visão. Somente
A sua voz a fulcra ao meu lembrar-me. Assim
Não lhe desejo a carne – a carne inexistente…
É só de voz - em - cio a bailadeira astral ─
E nessa voz-Estátua, ah! nessa voz-total,
É que eu sonho esvair-me em vícios de marfim
Lisboa 1914 – janeiro 31
Irmaus - Fuxan os Ventos
O poema de Celso Emilio Ferreiro, musicado pelos Fuxan os Ventos.
Irmaus
Camiñan o meu rente moitos homes,
non os ceñezo. Sonme estrano.
Pero tí que te alcontras alá lonxe,
mais alá dos desertos e dos lagos,
mais alá das sabanas e das illas,
coma un irmau che falo.
Si é tua a miña noite,
si choran os meus ollos o teu pranto,
si os nosos soños son iguales,
coma un irmáu che falo.
Anque as nosas palabras sexan distintas
e tí negro i eu branco,
e tendo semellantes as feridas,
coma un irmáu che falo.
Por enriba de tódalas fronteiras,
por enriba de muros e valados,
si os nosos berros son igoales,
coma un irmáu che falo.
Común témo-la patria,
común a loita ambos,
a miña mau che dou,
coma un irmáu che falo.
Se sintes en probeza,
se sofres inxusticia,
se cheo de rabexa
encirras á cobiza
do teu peito o can,
pra tí chea de forza
vai miña mau, irmán.
O Até já está em última exibição. À uma hora vamos passar a ter outra rubrica. Amanhã explicaremos o que passaremos a apresentar neste horário. Hoje ficam bem acompanhados. Os nossos amigos do Gato Fedorento vão debater as grandes questões do
nosso tempo - até sempre!
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
Sílvio Castro
Vasco de Castro
Vasco Lourenço
L'utilization des entités juridiques a des fins illicites (Relatório da OCDE sobre Paraísos Fiscais)
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