José Afonso Que amor não me engana
(do blog Amigos Maiores que o Pensamento)"SABES, ZECA" - minês castanheira
Sabes Zeca
O olhar com que sonhavas o mundo
Ainda não brilhaA voz que deixaste nas nossas vidas
Já não ecoaDói-me o choro de uma mãe
Que desespera pelo abraço do filho
Perdido pela drogaDói-me o silêncio daquela mulher
Que se esconde do olhar de um marido
Que a maltrataSabes ZECA, devias voltar…
Hoje, em tudo se encontra
Pedaços de injustiça que magoam
Pedaços de vida que amargam
Quantas cantigas, gritaste?
Quantos pedidos, fizeste?Poemas estilhaçados que se perderam
Volta ZECA
Volta com o cantar de um infinito
Que mexe, que incomoda…
Pois já não há pão
Não há emprego
Não há razãoO cântico é de lamúria
A voz já não tem espaço para cair
O grito da revolta afundou-se
Em mar de desespero arregaçadoAs ribeiras ainda choram
Os rios não voltaram a passar
Os olhos não secaram
Mas contigo,
Voltamos a cantar…
Capitulo I. Retratos da Desindustrialização
1.9 Como os Estados Unidos perderam o trabalho de fabricação dos iPhone - I
CHARLES DUHIGG and KEITH BRADSHER
Quando Barack Obama se juntou às luminárias de topo para jantar em Silicon Valley na Califórnia em Fevereiro passado, foi solicitado a cada convidado que colocasse uma questão ao presidente.
Mas, quando Steven P. Jobs, da Apple falou, o presidente Obama interrompeu-o com uma pergunta pessoal: o que seria necessário fazer para que os iPhones fossem produzidos nos Estados Unidos?
Há não muito tempo atrás, a Apple vangloriava-se de que os seus produtos eram feitos nos Estados Unidos. Hoje, poucos são. Quase todos os 70 milhões de iPhones, 30 milhões de iPads e 59 milhões de outros produtos da Apple vendidos no ano passado foram fabricados no exterior.
Porque é que não se produzem nos Estados Unidos? Perguntou Obama.
A resposta de Jobs foi inequívoca. "Os empregos já não vão voltar", disse ele, de acordo com outro convidado do jantar.
A questão levantada pelo Presidente centrou-se sobre uma convicção central na Apple. Não é exactamente porque os trabalhadores são mais baratos no exterior. Em vez disso, os directores da Apple acreditam que a vasta escala de fábricas no exterior, bem como a sua flexibilidade e o maior empenho dos trabalhadores como também as capacidades profissionais dos trabalhadores estrangeiros tudo isto têm até ultrapassado as suas congéneres americanas de tal modo que o "Made in EUA" deixou já de ser uma opção viável para a maioria dos produtos Apple.
A Apple tornou-se uma das empresas mais conhecidas, mais admirados e mais imitadas no Mundo, em parte através de um domínio inflexível e inultrapassável sobre as operações realizadas a nível global. No ano passado, os seus lucros foram mais de $ 400.000 de lucro por empregado, mais que a Goldman Sachs, Exxon Mobil ou Google.
Entretanto, o que tem irritado o Presidente Obama assim como muitos economistas e decisores da política económica é o facto de que a Apple - e muitos dos seus pares nas indústrias e serviços da alta tecnologia – estão, quanto à criação de empregos nos Estados Unidos muito longe do empenho na criação de empregos que tiveram outras empresas famosas quando estavam no seu apogeu.
A Apple emprega 43.000 pessoas nos Estados Unidos e 20.000 no exterior, uma pequena fracção dos mais de 400.000 trabalhadores norte-americanos da General Motors na década de 1950, ou das centenas de milhares na General Electric em 1980. Muitas mais pessoas trabalham para a Apple: este valor deve estar próximo das 700 mil pessoas, como engenheiros, como trabalhadores, industriais fabris ou ainda como instalações de cadeias de montagem de iPads, iPhones e outros produtos da Apple. Mas quase nenhum deles funciona nos Estados Unidos. Em vez disso, trata-se de pessoal que trabalha para empresas estrangeiras na Ásia, Europa e noutros lugares, em fábricas de que quase todos os designers de material electrónico do Ocidente dependem para produzir construir os seus produtos.
"A Apple é um bom exemplo de como é tão difícil criar empregos para a classe média actualmente nos EUA ", disse Jared Bernstein, que até ao ano passado era um dos conselheiros económicos da Casa Branca.
Se isto é o auge do capitalismo, devemos então estar muito preocupados.
Os directores da Apple dizem que o facto de estarem a ir produzir no exterior é, neste momento, é sua única opção. Um antigo director descreveu como é que a empresa dependeu de uma fábrica chinesa para renovar a fabricação do iPhone poucas semanas antes de o produto estar à venda nas prateleiras das lojas. A Apple tinha redesenhado o ecrã do iPhone, já na última da hora, forçando mesmo uma revisão urgente na linha de montagem. Os novos ecrãs começaram a chegar à fábrica perto da meia-noite.
Um capataz imediatamente despertou 8.000 trabalhadores que dormiam nos dormitórios da empresa, segundo este mesmo executivo. Cada um destes trabalhadores recebeu um biscoito e uma chávena de café, foi mandado para um posto de trabalho na cadeia de montagem, para uma estação de trabalho, e dentro de meia hora começaram um turno de 12 horas seguidas na montagem dos ecrãs em quadros chanfrados. No espaço de 96 horas, a fábrica estava a produzir mais de 10.000 iPhones por dia.
“A rapidez e a flexibilidade são impressionantes”, diz o executivo. “Nenhuma fábrica na América consegue ou pode fazer isso".
Histórias similares poderiam ser contadas sobre quase qualquer outra empresa de produtos electrónicos - e a externalização também se tornou comum em centenas de outras indústrias, incluindo a contabilidade, os serviços jurídicos, os serviços bancários, a produção de automóveis e produtos farmacêuticos.
Mas enquanto a Apple está longe de estar sozinha, esta oferece uma janela para sublinhar e muito que o sucesso de algumas empresas proeminentes não se traduziu num grande número de empregos criados internamente, nos Estados Unidos. Além do mais, as decisões da empresa colocam questões mais amplas sobre a forma como a América das grandes empresas, das grandes corporações leva a que os americanos assim como as economias nacionais estejam todos a nível global cada vez mais interligados.
"As empresas antes sentiam a obrigação de apoiar os trabalhadores americanos, mesmo quando não isso não era a melhor opção financeira", disse Betsey Stevenson, o economista-chefe do Departamento do Trabalho, até Setembro do ano passado. "Essa forma de sentir e agir desapareceu. A maximização dos lucros e a ideia de eficiência deram cabo da generosidade. "
As empresas e outros economistas dizem que essa noção é ingénua. Embora os americanos estejam entre os trabalhadores com mais formação a nível mundial, o país deixou de formar suficientemente as pessoas ao nível da formação intermédia que as fábricas precisam, dizem os directores destas grandes empresas.
Para prosperarem, para se desenvolverem, as empresas argumentam que precisam de deslocalizar a produção onde esta possa gerar lucros suficientes para continuar a poder manter os custos da inovação. Fazer o contrário seria correr o risco de perder ainda mais empregos para os trabalhadores americanos ao longo do tempo, como é evidenciado pelas legiões de fabricantes nacionais outrora orgulhosos - incluindo a GM e outros - que têm diminuído com o aparecimento de concorrentes muito ágeis.
À Apple foram fornecidas diversos excertos da reportagem organizada pelo New York Times para este artigo, mas a empresa, que tem uma reputação de secretismo, não quis sequer comentar.
Este artigo é baseado em entrevistas com mais de três dezenas de funcionários da Apple actuais e antigos, entre outros, com empresas subcontratadas - muitos dos quais pediram o anonimato para proteger os seus empregos - assim como economistas, especialistas em produção industrial, especialistas em comércio internacional, analistas de tecnologias, investigadores universitários, funcionários de fornecedores da Apple, concorrentes e dirigentes de grandes empresas, e autoridades governamentais.
Em privado, os directores da Apple dizem que o mundo é agora um lugar de muita mudança e que é um equívoco medir a contribuição de uma empresa simplesmente pelo registo do número dos seus funcionários - embora estes observem que a Apple emprega agora mais trabalhadores nos Estados Unidos do que antes.
Estes dizem ainda que o sucesso da Apple tem beneficiado a economia como um todo, dando mais capacidade de acção aos empresários e criando postos de trabalho em empresas como nas operadoras de telemóveis e nas empresas de transporte de produtos Apple. E, finalmente, dizem ainda que resolver o problema do desemprego não é a sua função, não é o seu objectivo.
"Nós vendemos iPhones em mais de uma centena de países", disse um actual director da Apple. "Nós não temos a obrigação de resolver os problemas da América. A nossa única obrigação é fazer o melhor produto possível. "
'Eu quero um ecrã de vidro'.
Em 2007, um pouco mais de um mês antes de se ter programado a data de colocação do iPhone nas lojas, Jobs chamou um punhado de lugares-tenentes ao seu gabinete. Durante semanas, ele tinha andado com um protótipo do iPhone no bolso.
Jobs irritado ergueu o iPhone, dobrando-o para que todos pudessem ver as dezenas de pequenos riscos a estragarem o seu ecrã de plástico, de acordo com alguém que participou da reunião. Steve Jobs tirou então o molhe de chaves das suas calças de jeans.
As pessoas irão andar com este telefone no bolso, disse. As pessoas também andam com as chaves no bolso. "Eu não vou vender um produto que fica cheio de riscos", disse ele, muito tenso. A única solução seria em vez disso a utilização de ecrã de vidro que não se risque desta forma. "Eu quero um ecrã em vidro, e quero-o perfeito. Têm seis semanas para isso."
Depois de um executivo ter deixado a reunião, Steve reservou um voo para Shenzhen, na China. Se Jobs queria o ecrã perfeito, não teria então nenhum lugar para onde ir, teria de ficar.
Durante mais de dois anos, a empresa tinha estado a trabalhar num um projecto – cujo nome de código era Purple 2 - que apresentava sempre as mesmas questões em cada fase do projecto: como é que re-imagina de modo completamente o telemóvel? E como é que pode projectá-lo para que venha a ter a mais alta qualidade possível - com um ecrã que não se risque, por exemplo – enquanto garante simultaneamente que milhões deles podem ser fabricados de forma rápida e suficientemente barata para obter um lucro significativo?
As respostas, quase sempre, foram encontradas fora dos Estados Unidos. Embora as componentes difiram entre as diferentes versões, todos os iPhones contêm centenas de peças, em que cerca de 90 por cento são fabricadas no exterior. Os semicondutores tecnologicamente de ponta vieram da Alemanha e de Taiwan, as memórias da Coreia e do Japão, os painéis e os circuitos vieram da Coreia e de Taiwan, enquanto os chips vieram da Europa e os metais raros vieram da África e da Ásia. E tudo isso foi montado na China.
Nos seus primeiros dias, a Apple normalmente não olhava para além do seu próprio quintal quanto á procura de soluções na área de fabrico. Poucos anos depois da Apple ter começado a construir o Macintosh em 1983, por exemplo, Steve Jobs vangloriava-se de que se tratava de "uma máquina que era feita na América." Em 1990, enquanto Jobs estava a fazer correr NeXT, que acabou por ser comprada pela Apple, ele terá dito a um repórter "eu estou tão orgulhoso da fábrica como estou do computador." Mais tarde, no final de 2002, os principais executivos da Apple, ocasionalmente, gastavam duas horas para noroeste de sua sede para visitar a fábrica iMac da empresa em Elk Grove, Califórnia.
Mas em 2004, a Apple já se tinha em grande parte reorientado para a fabricação no exterior da América. Na base desta nova orientação estava Timothy D. Cook, que era um perito das operações da Apple, que veio a substituir Steve Jobs como Presidente executivo em Agosto passado, seis semanas antes da morte de Jobs. A maioria das outras empresas americanas de produtos electrónicos já tinham deslocalizado a produção para o estrangeiro e a Apple, que na época estava a lutar com dificuldades, sentiu que tinha que agarrar todas as oportunidades.
Em parte, a Ásia era atraente, porque os trabalhadores semiqualificados tinham salários bem mais baixos. Mas não era bem isso que motivava Apple. Para as empresas de alta tecnologia, o custo do trabalho é mínimo em comparação com a despesa feita em compra de peças e de gestão da cadeia de abastecimento que reúnem componentes e serviços de centenas de empresas.
Para Cook, o interesse na Ásia " resultava de duas coisas", disse um antigo alto-funcionário da Apple. As fábricas na Ásia "podem aumentar ou reduzir a escala de produção muito mais rapidamente" e "as cadeias asiáticas de abastecimento ultrapassaram as americanas nos Estados Unidos “. O resultado é que "não podemos competir a este nível ", disse este director.
O impacto de tais vantagens tornou-se evidente logo que Jobs exigiu ecrãs de vidro em 2007.
Durante anos, os fabricantes de telemóveis tinham evitado o uso de vidro porque exigia uma grande precisão no corte e no polimento, o que era extremamente difícil de se conseguir. A Apple já tinha seleccionado uma empresa americana, Corning Inc., para a fabricação de grandes painéis de vidro reforçado, de vidro de alta resistência. Mas descobrir como cortar os painéis em milhões de pequenos ecrãs iPhone exigia que se encontrasse uma fábrica que estivesse disponível para o corte com centenas de peças de vidro para serem utilizadas experimentalmente e um exército de engenheiros de nível médio. Isto, só por si, custaria uma fortuna simplesmente a preparar.
Então chegou uma proposta de uma fábrica situada na China.
Quando uma equipa de técnicos da Apple visitaram a fábrica, os seus proprietários já estavam a construir uma nova área de fabrico.. "Isto é para ser utilizado no caso de nos darem o contrato ", disse o director, de acordo com um ex-executivo da Apple. O governo chinês concordou em subscrever os custos para numerosas indústrias e estes subsídios também deram para a fábrica de corte do vidro. Tinham um armazém cheio de amostras de vidro disponíveis para a Apple, gratuitamente. Os proprietários também disponibilizaram engenheiros quase sem nenhum custo. Os proprietários da fábrica tinham construído dormitórios no próprio local para que os empregados estivessem disponíveis 24 horas por dia.
A fábrica chinesa foi contratada.
"A cadeia total de fornecimento está agora na China ", disse um outro antigo alto-quadro da Apple. "Por exemplo, precisa-se de umas mil juntas de borracha? Isto faz-se já aqui, na fábrica ao lado desta, já ao sair da porta. Por exemplo, precisa-se de um milhão de parafusos? Na fábrica do quarteirão seguinte, arranja-se É preciso um parafuso um pouco diferente? No máximo, leva três horas. "
(Continua)

O escritor moçambicano Mia Couto, também licenciado em Medicina e Biologia, fez o seguinte pronunciamento, na abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. E disse:
Os Sete Sapatos Sujos.
- Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos.
- Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos.
- Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
Primeiro Sapato:
- A ideia de que os culpados são sempre os outros.
Segundo Sapato:
- A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.
Terceiro Sapato:
- O preconceito de que quem critica é um inimigo.
Quarto Sapato:
- A ideia de que mudar as palavras muda a realidade.
Quinto Sapato:
- A vergonha de ser pobre e o culto das aparências.
Sexto Sapato:
- A passividade perante a injustiça .
Sétimo Sapato:
- A idéia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros.
Limpe os seus sapatos!!!!!
Caneta mágica? Todas as canetas (ou teclados) o são, pois ao juntarem palavras a magia às vezes produz-se - uns traços convencionais transformam-se em ideias. Pelo poder da palavra, como diria Paul Éluard, somos transportados ao passado, ao futuro, porque a nossa memória nos leva onde quisermos. Há muitos anos que tenho o hábito de me fazer acompanhar de uns cadernos onde tomo os meus apontamentos – cadernos de capa preta em formato A 4 ou A3 – verdadeiros portáteis avant la lettre que me permitem registar ideias, fixar momentos... – pequenos apontamentos, às vezes uma palavra ou duas, que encontro pelos meus cadernos de capa preta, um portátil avant la lettre que me acompanha há mais de quatro décadas. Palavras que encontro nos cadernos, outras que encontro na memória, serão a fonte desta caneta mágica.

Samarcanda é um lugar mítico, uma cidade mágica – Eça de Queirós referiu-a por diversas vezes como paradigma do fascínio oriental. Ao dizermos a palavra, logo nos ocorre a poesia de Omar Khayyam, que ali viveu, teve o seu negócio e escreveu boa parte da sua obra – cúpulas brilhando ao sol poente, minaretes de onde os muezins chamam os fiéis… Porém, se consultamos a Britanicca ou a qualquer outra enciclopédia, lá se vai a magia, surge-nos uma Samarcanda diferente – objectivada, quantificada, tipo - «Samarcanda significa "Forte de Pedra" ou "Cidade de Pedra", (em uzbeque: Samarqand; em tadjique: Самарқанд; em persa: سمرقند …). Com mais de 500 mil habitantes é a segunda maior cidade do Uzbequistão, situando-se num fértil vale irrigado.» Quero eu bem saber como se diz Samarcanda em uzbeque, o significado do nome e se o vale onde se situa é irrigado…
Para mim, Samarcanda fica nessa Pérsia que já não existe, pois a Pérsia que existe está em risco de desaparecer sob um bombardeamento americano. Mas não faço ideias de lá ir e quero continuar a evocá-la como a imagino. Se quisesse lá ir, teria de saber que estradas tomar, de que aviões ou comboios teria de comprar bilhete, de que vistos diplomáticos teria de me munir…
Se em vez de Samarcanda, dizemos Democracia, duas uma – ou nos referimos um conceito mítico ou a um objectivo concreto. Ou queremos atingir a Democracia ou queremos continuar a sonhá-la como um local onde não iremos nunca. Fizemos aqui um debate sobre a Democracia e o rumo que queremos que assuma – Sabemos que o problema da Democracia não se resolve com debates – claro que não. Mas debates é a única coisa que um blogue pode fazer. Por outro lado, partidos e sindicatos revelam-se impotentes para construir uma alternativa à política de direita – e porquê? Porque enquanto quem está no poder se guia por interesses económicos e é muito fácil chegar a acordo quando se trata de dinheiro – podem dizê-lo de maneiras diferentes, mas todos querem o mesmo. Nós, os que nos guiamos por princípios, temos mais dificuldade em nos entendermos, pois os nossos princípios não são coincidentes. Como se quiséssemos ir mesmo a Samarcanda, mas cada um tivesse um mapa diferente.
Antes da Revolução de 1974, falávamos da Liberdade e da Democracia. Éramos gente que pensava de maneiras diferentes e a única coisa que queríamos era que a ditadura caísse. Para muitos dos que integravam comissões democráticas, a Democracia era isto em que estamos. Estão satisfeitos e nem entendem por que motivo há quem não o esteja. Chegaram à sua Samarcanda. Mas alguns de nós entendem que não saímos do sítio onde estávamos – a ditadura caiu e podemos dizer o que queremos, associarmo-nos, manifestarmo-nos. Mas...
O poder, o verdadeiro poder, está nas mãos dos grandes grupos económicos, tal como durante o período da ditadura. Agora esta situação é sancionada pelo voto livre dos cidadãos ao elegerem os seus representantes no Parlamento e ao escolherem o chefe de Estado. Quanto a mim, é uma diferença pouco mais do que formal. Há liberdade uma total de expressão, mas a televisão e o marketing político das grandes máquinas partidárias do chamado «bloco central» se encarregam, através de insidiosos opinion makers, de unificar o pensamento. E a liberdade total que temos para dizer o que quisermos, desvalorizou a palavra, despiu-a da força que tinha quando sabíamos que podíamos ter de pagar muito caro cada palavra que disséssemos ou escrevêssemos.
A Isabel do Carmo (talvez já nem ela se lembre) disse num comício em 1974 ou 75 que, sim tínhamos Liberdade, mas «a liberdade não se come». É o mesmo que nos diz agora o Josep Vidal com a sua metáfora do terreno baldio – derrubámos a Ditadura (foram os militares, mas a acção permanente dos antifascistas, corroeu o sistema e deixou-o à mercê de uma acção militar que quase decorreu pacificamente). O edifício da ditadura foi derrubado e no seu lugar ficou um terreno baldio onde reinam as ratazanas. Construir um novo edifício foi coisa que não fizemos e hoje temos um fascismo de rosto menos agressivo, mas que nos explora e domina como o anterior. As famílias que mandam, são as mesmas. O que era importante mudar para que houvesse Democracia, não mudou.
Na verdade os debates não resolvem tão magna questão. Mas servem para definirmos que tipo de Democracia gostávamos de atingir. Como se cada um descrevesse a sua Samarcanda e o caminho que pensa tomar para lá ir. Ou então, se for o caso, se apenas sonha com a cidade que Eça ou Amin Maalouf tomaram como tema literário, mas sem tencionar lá ir - pois a realidade pode destruir o sonho. Quanto a Samarcanda, é essa a minha postura de turista onírico - quanto à Democracia, preferia tudo muito bem explicado. Gostava mesmo de lá chegar.
No dia em que se assinalam os 25 anos do desaparecimento de José Afonso, o blogue "A Nossa Rádio" rende-lhe uma singela homenagem destacando um dos mais belos e, incompreensivelmente, menos divulgados espécimes do seu vasto legado poético-musical, "Fui à Beira do Mar". Um tema em que está bem expresso o empenho cívico e artístico de um homem que nunca calou a sua voz, apesar das imensas adversidades que enfrentou, tendo sempre em mira a «capital da alegria: cidade do homem, não do lobo mas irmão.» Uma mensagem de grande actualidade... Fui à Beira do Mar Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso* (in LP "Eu Vou Ser Como a Toupeira", Orfeu, 1972, reed. Movieplay, 1987, 1996) [>> YouTube]
[instrumental]
Fui à beira do mar
Ver o que lá havia;
Ouvi uma voz cantar
Que ao longe me dizia:
"Ó cantador alegre,
Que é da tua alegria?
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria!"
[instrumental]
Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"
Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia;
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia.
[instrumental]
Desde então a bater
No meu peito, em segredo,
Sinto uma voz dizer:
"Teima, teima sem medo!"
Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"
[instrumental]
* Trabalho de grupo de: Benedicto, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Afonso, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho
Produção – José Niza
Gravado nos Estúdios Celada, Madrid, de 6 a 13 de Novembro de 1972
Captação de som – Paco Molina, António Olariaga, Pepe Fernandez, Juan Carlos Ramirez e Juan António Molina
Mistura – Paco Molina
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2007
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL: http://www.aja.pt/
http://vejambem.blogspot.com/
http://www.myspace.com/associacaojoseafo
http://www.youtube.com/associacaojoseafo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_A
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
http://www.revues-plurielles.org/_upload
http://www.arlindo-correia.com/080401.ht
http://www.portaldofado.net/content/view/2
http://fado.com/index.php?option=com_con
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162
http://delta02.blog.simplesnet.pt/
http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afon
http://www.infoalternativa.org/radio/rad
http://www.myspace.com/joseafonso
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/j
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.as
http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afo
Publicada por Álvaro José Ferreira em 11:28
Maria Inês Aguiar Anacoretica(mente)
(Adão Cruz)
agito-me impaciente pelas ruas da cidade
em busca da tua sombra
procuro-te em todos os olhos que por mim passam
não sou mais do que um espelho disforme desfocado
atirando-me de encontro à fome de te amar
estremecer o teu nome saciado
e, desespero a realidade do meu quarto
um leito vazio, um só prato
e, se um dia me esqueci de ti
se não te abracei e no meu egoísmo
fui o fátuo o negligente
hoje sou só gente, anacoretica(mente)
Germany is now opposed to merger of EFSF and ESM
Eurointeligence Comment and Analysis Greece may live to default another day. Other embattled European nations will be scrutinising the Athenian sub-plot extremely closely as to clues as to their future as they await the battles that lie ahead. A declaration of victory in the European debt wars would be premature.
The FT writes from Berlin that the German government is now digging in over demands to merge the EFSF and ESM. The article quotes Steffen Seibert, Angela Merkel’s spokesman, as saying that the German position had not changed on this issue, that it was not necessary to merge the two. The article says that Merkel fears a backlash in her own coalition, and in the country at large, over the €130bn Greek programme, as a result of which she has to be seen being tough on the question of raising Germany’s overall exposure. But the article also said that Germany may eventually change position on this, quoting an official as saying that Germany will commit to discussing the issue, as promise, at some point in March, but not necessary during the March 1/2 summit. The official also said that Germany wanted to avoid any subjects right now that would complicate the vote on the Greek programme. The Dutch have changed their position, and are now supporting the increase in the funds of the ESM.
G20 chairman Carstens asks Europeans for more efforts on euro rescue
G20 current chairman Agustín Carstens, Mexico’s central bank governor, increased pressure on the eurozone to enhance its rescue funds. Talking to Financial Times Deutschland Carstens said he clearly linked more European money to the other G20 countries’ readiness to enhance the IMF with addional resources of €600bn, as the eurozone requests. „The Europeans must undertake bigger efforts. That will lead other G20 countries to support the IMF more strongly.“ Ahead of this weekend’s G20 meeting of the finance ministers and the central bank governors countries like China, Japan and the US have also asked the Europeans to increase their efforts. One possibility supported by the ECB would be to put he remaining €250bn in the EFSF on top of the €500bn of lending capacity the ESM will dispose of bringing the total to €750bn. Carstens cautioned that while €750bn of euro rescue money would be a welcome signal he was not sure that the other G20 members would consider it enough.
Greek parliament in a hurry to pass bailout legislation
A parliamentary committee approved the collective action clauses (CACs), Kathimerini reports. The CAC could be activated if Greece is unable to convince enough of its bondholders to take part in a voluntary swap. The bill, which was approved by coalition MPs but rejected by opposition deputies, is to be voted on by Parliament’s plenary session on Thursday. Several other pieces of legislation must be approved by the House in the next coming days, before eurozone finance ministers meet again next Wednesday or Thursday. Other legislation tabled in Parliament Wednesday sets out the €3.2bn in spending cuts that Greece will have to make this year.
Samaras invites ousted MPs back into party if they support bailout bill
New Democracy leader Antonis Samaras, likely to win the elections in April, invited those 21 MPs, who had been ousted from the party for voting against the terms of Greece’s new loan agreement earlier this month, to rejoin the conservatives if they back the bailout bills that will go before Parliament over the next few days, Kathimerinireports. Commentators see this as an attempt by the conservative leader to heal any open wounds before general elections and to obtain the widest support possible for the legislation that will be voted in Parliament in the days to come.
The Dutch finance minister has doubts about the Greek program
The Dutch finance minister undiplomatically expressed doubts about Greece’s willingness or capacity to fulfill her obligations under the second rescue package. Talking to Le Monde, Jan Kees de Jager said that the tight control mecanisms for the Athens government made him a little more confident. „To be honest I have doubts but it was the best we could do“, he told the paper. He went on to say that Greece had so far even been unable to fulfill ist easiest obligations like the privatization. De Jager ruled out further rescue packages for the country. „Both plans combined represent €240bn. We cannot put up more money“, he said.
Clive Crook: Greece deal will not stop confidence crisis
Clive Crook on Bloomberg writes that the second bailout deal is at best a holding action but that it does not stop the confidence crisis in the euro area. There are several realistic scenarios how the programme can derail and even politicians do not believe it will solve the problem. One is if too many private lenders opt out. They have never done enough to solve this crisis, as if they want to maximise panic to pressure the governments of the debt-laden countrie for reforms long overdue. But Greek debt should be written off and until it has primary surpluses, Europe should assist it financially without suffocating the economy. In any event banks have to be recapitalized and the EFSF greatly enlarged for the panic to subside. “The cost to euro-area taxpayers is not small, but it’s nothing compared with the crash they will suffer if this game of chicken with financial markets goes wrong.”
German tax revenues slow considerably
German tax revenues increased by 3.9% yoy in December, Handelsblatt reports. But the increase was due to special effects. Had they not existed the revenues would have dropped by 0.4%. „The trend of monthly growth in tax revenues has been broken“, paper quotes a source from the finance ministry. The finance ministry thinks that the weaker growth will be reflected by tax revenues for the federal as well as for the Länder governments. Wolfgang Schäuble however will be able to point to the lower figures when he negotiates the 2013 budget and cuts with his ministerial colleagues.
France will be the litmus test for the EU’s new deficit rules, Werner Mussler argues
Commenting on the EU Commission’s decision to withhold money for Hungary from the structural funds Frankfurter Allgemeine Zeitung’s Werner Mussler argues the decision tells us nothing how serious Brussels can get with these rules. „The country is too small and not part of the monetary union“, Mussler writes. „Therefore, the Brussels action is neither politically nor systemically risky.“ But the litmus test fort he Commission’s readiness to take on euro member states over the tougher budget rules will come. „Soon the Commission has to decide how to deal with France.“
Proissl calls on Weidmann and Draghi to avoid a remake of the Weber-Trichet-confrontation
Commenting in Financial Times Deutschland Wolfgang Proissl calls upon Jens Weidmann and Mario Draghi to work on avoiding another damaging confrontation as their predecessors Axel Weber and Jean-Claude Trichet had had. Proissl argues that the initially good relations between the presidents of the Bundesbank and the ECB risk turning sour because of a series of policy decisions the ECB has recently taken against the Weidmann’s will. Among them are the second surprise interest rate cut in December, the extremely generous conditions of the 3yLTRO’s, the imposition of a senior creditor status of the eurosystem for its Greek bonds and the attempts to earmark future profits from Greek bonds for governments so they can pass the money on to Greece. Weidmann has started to come out publicly against those decisions thus risking to put the Bundesbank back into the dissident role unable to form coalitions as was the case under Weber. Proissl calls on both central bankers to work out a mature relationship because working against each other damages the euro and the prospect for both to be successful on their respective jobs.
A useful diagram on the ECB’s broken monetary transmission channel
This is from Nomura, via FT Alphaville, which has a useful elementary discussion about the two most important channels of monetary policy – the interest rate channel and the bank lending channel. The first operates more direct, via money market interest rates, as ECB interest rate cuts (or increases) are passed on through the system to the end-borrower. The bank lending channel operates through the banks‘ balance sheets, and impacts the quantity of money banks are willing to lend.
A Reinhart-Rogoff debt rule for the private sector?
Here is an interesting snippet hidden in a Reuters analysis on private debt. The empirical Reinhart-Rogoff rule suggest that once public sector debt gets to 90% of GDP, GDP growth slows down. The article points to a recent BIS study, which came to a similar conclusion with a 95% threshold for the public sector. But it also found a 90% threshold for the corporate sector, and an 85% threshold for the household sector. This is roughly compatible with the European Commission’s combined private sector safety threshold of 160% of GDP. The Netherlands is among the countries well above that limit, mainly due to extremely high mortgage debt.
Wolfgang Munchau on private sector imbalances
In his Spiegel Online column,Wolfgang Munchau writes about the German obsession with running very large trade surpluses, and argues that they are neither morally defensible, economically optimal, nor compatible with life inside a monetary union. He says Germans fail to see the identity of trade and savings surpluses, as a result of which Germany’s relies on solvent banks outside its own jurisdiction. The Target 2 debate is a variant of the same phenomenon, as Germany has built up claims against the ECB of over €500bn. Germany’s surpluses come with a big collateral risk attached.
Why Germany does not care
In an ECFR paper, Sebastian Dullien and Ulrike Guerot take a closer look at the German position, in which they say that Berlin is determined to force a German solution to the crisis. They argue that Germany’s rigidity is not just about simple national interest and the psychological scars of Weimar-era hyperinflation. It is about a broadly-held belief in the foundations for economic success, as shown by German historical success. Austerity is not just about teaching others a lesson: it is about building the foundations for sustainable economic growth. And attacking excessive austerity and demanding a renegotiation of the new fiscal treaty will simply fall on deaf ears. Instead, a more promising strategy might be to demand pan-European growth and investment programmes with more spending and taxation power shifted towards the EU level.
10-Y Spreads, Forex, ZC Swaps and Euribor-Ois
Sideways, mostly.
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Na Golegã
Encontro na sala de festas dos bombeiros um peregrino espanhol. Coloco o colchão do outro lado do palco, ao lado da bandeira portuguesa, tomo duche, lavo a roupa, saio para comer, com dificuldade, pois a nádega continua a doer-me, regresso e, embora não sejam sete horas, estendo-me em cima do colchão com uma garrafa de água ao lado.
Ao contrário do que se passa na maioria das cidades onde tenho pernoitado no Caminho de Santiago, aqui não me sinto frustrada por, após a longa marcha do dia, me faltarem forças para passear: a Golegã é uma terra onde inúmeras vezes vim e onde hei-de voltar muitas mais. (E o Caminho de Santiago não é turismo mas uma descoberta que só nestas circunstâncias poderei fazer.)
O espanhol vem conversar comigo. Chama-se José Arocena, não terá menos de setenta anos, é um caminhante experiente. Não se embaraça com roteiros nem setas amarelas: traz um GPS. Percorreu o Caminho del Norte, o Caminho de la Plata, várias vezes o Caminho Francés e queria percorrer o Português. Embora tenha tomado a precaução de partir em Outubro, até agora, por causa do calor, ainda não conseguiu caminhar: cada dia apanha o comboio para a etapa seguinte.
- Hay que no hacer tonterías!
Concordo. Também ignoro se amanhã estarei capaz de prosseguir. Não me inquieto demasiado, pois recupero com facilidade. Mas, até agora, nunca sofri dores musculares...
(Converso com um bombeiro que, daqui por poucos dias, parte de bicicleta com um grupo de colegas pelo Caminho de Santiago. Têm uma preparação de verdadeiros atletas: contam chegar a Compostela em cinco etapas.)
(Continuação)
He conocido y analizado varios casos en que los hijos, antiguamente denominados naturales, por falta de padre que los reconozca, o de madre que los acepte como tales, pueden ser capaces de gozar de la libertad de su autonomía, porque no existe patria potestad sobre ellos. Este segundo caso, es difícil que suceda: las mujeres embarazadas que tienen sus hijos en el hospital, el hospital clasifica al recién nacido como hijo de esa mujer. Me parece que solo podría acontecer si lo tuvieran en casa y nadie lo supiera, como ha sido el caso de mi amigo Antonio Marques Lopes.
En bebé, nació en el lecho nupcial, hijo de padre cierto casado con Concepción Marques, para mí la Sardinera, por abandono de hogar de su padre que emigró para Argentina y nunca más se supo de él. Era hijo legítimo, pero huacho. Como he dicho antes, citando a Freud y su libro de 1923, la libido manda en nosotros. Concepción no lo pensó y tuvo relaciones con un mozo joven, que la dejó embarazada y se fue. Mi amiga fue a inscribir el bebé al Registro Civil. El oficial quiso humillarla, no lo consiguió.
Dijo: entonces, tu marido ya volvió de la emigración, ella dijo no. El entrometido oficial le pregunto: entonces, ¿quién es el padre de esa niña?, a lo que ella rápidamente respondió: ¿el señor sabe leer? Lea la hoja del día y año de mi matrimonio y sabrá. Aparecía Virgilio Marques como su marido, casado por la iglesia y por el civil. Bueno, pues, señor ya tiene la respuesta: el bebé es Marques como mi hijo y como yo, ya la puede inscribir, lo que él hizo. Más tarde en la vida, la pequeña creció, quiso entablar un juicio de paternidad, que no prosperó porque nadie sabía en qué sitio residía el Burlador de Sevilla.
Pasó a tener el nombre de su marido, como su hermano emigró a Alemania y se hizo construir una casa de verano en Vila Ruiva, en donde la conocí. A Concepción dediqué un ensayo por su arrojo y valentía, en el día de su muerte, el 14 de Enero de 2010 y lo colgué de la Internet, con foto y todas las regalías que un escritor pude ofrecer a tan digna señora. Nadie hizo burla de sus aventuras. Era una mujer respetable, trabajadora y luchadora. Organizó la vida de su hijo y llevó por buenos caminos a María Luisa Lopes Borges, la ayudó a emigrar, le encontrar novio, con quién ella casó . En Chile, el Código Civil fue obra de Andrés Bello , un venezolano que visitó Chile e ahí se quedó. Le otorgaron la nacionalidad chilena, como premio por su obra, entre las que se puede contar la reforma y refundación de la Universidad de Chile y el Código Civil hecho a partir del Liberal de Bonaparte y de su experiencia de vivir dos décadas en Gran Bretaña, país tolerante, que se rige por el derecho consuetudinario, siendo su derecho leyes no escritas, son consuetudinarias, es decir, provienen de la de costumbre.Derecho consuetudinario, también llamado usos y costumbres, es una fuente del Derecho.
Son normas jurídicas que se desprenden de hechos que se han producido repetidamente, en el tiempo, en un territorio concreto. Tienen fuerza vinculante y se recurre a él cuando no existe ley (o norma jurídica escrita) aplicable a un hecho. Conceptualmente es un término opuesto al de Derecho escrito. También es considerado un sistema jurídico, como lo son el Derecho continental y la llamada common law. En algunos países coexisten en conjunto. Un ejemplo de esto es la Constitución no escrita de Inglaterra cuyas fuentes de derecho las podemos encontrar en los grandes textos históricos como la Carta Magna (1215), la Petición de Derechos (1628), el Habeas Corpus (1679), el Bill of Rights (1689) y el Acta de Establecimiento (1701). Fue sobre bases semejantes que realizó, redactó e mandó publicar el Código Civil o Código de Bello . Los tiempos eran diferentes a los de hoy. La filiación era heterogénea, no todos los hijos eran iguales ni tenían los mismos derechos. Bello, como liberal que era, quería emendar esa situación y redactar un código que protegiera a las personas, un código en que todas las personas fueran iguales.
No consiguió. No solo porque Portales era un conservador; era porque todo el país quería prácticamente, volver a los tiempos de la monarquía. La noción de filiación era clasificatoria, dividida entre hijos de matrimonio, hijos concebidos ante del matrimonio pero naturalizados por el posterior casamiento de sus padres, hijos denominados naturales, porque no habían hombres que quisieran reconocer su paternidad, fue incluida también la filiación adoptiva y se mantuvieron los hijos sacrílegos, es decir, hijos que nacían de una mujer que había tenido casos eróticos con sacerdotes o persona sagrada o digno de veneración por su carácter divino o por estar relacionado con la divinidad.
Cada una de estas categorías, no tenían los mismos derechos en la vida social. Solo los hijos de matrimonio realizado como sacramento o por la ley civil, podían heredar a sus padres y ser ejercida sobre ellos la Patria Potestad. Nacen, así, los principios de filiación, analizados por mí en páginas anteriores, como también los juicios para disputar la paternidad, que transcurren en el Tribunal de Menores.
(Continua)
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Puede ser leído en http://aventar.eu/2010/01/14/a-licao-do-p
Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota
(Continuação)
Um apelo na Cavalaria ...
As nações da zona euro e outros membros da UE foram convidados a fornecer (até) 200 mil milhões ao Fundo Monetário Internacional ("FMI"), para que estes valores, por sua vez, venham a ser emprestados aos países da zona euro. Tal como acontece com o MEE não é nada claro como é que alguns países vão financiar as suas contribuições e terem a consciência, de facto, de que estarão a emprestar dinheiro a si-mesmos. Este curioso arranjo, esta curiosa estrutura era necessária para evitar tocar nos Tratados europeus existentes.
Esta estrutura, muito provavelmente, será uma conta administrada pelo FMI, com o risco total a ser tomada, neste caso, exclusivamente pelos fornecedores dos meios de financiamento. No caso improvável de que o FMI utilize os seus recursos gerais, todos os membros terão de suportar o risco.
A participação plena do FMI é difícil. Um empréstimo a esta escala necessária representa uma séria concentração de risco o FMI. Além disso, o financiamento será emitido em parcelas, em tranches, sujeitas ao cumprimento das condições do FMI. Os empréstimos do FMI também estão sujeitos à senioridade sobre outras obrigações. Assim, o envolvimento do FMI pode reduzir o acesso ao financiamento privado por estes mesmos países.
Até à data, os países europeus só utilizaram 150 mil milhões de euros. A Grã-Bretanha é um notável ausente, tendo rejeitado as alterações ao Tratado, recusando o convite para integrar os europeus sobre a viagem inaugural do Titanic.
O comunicado da Cimeira parecia "avançar com as contribuições paralelas da comunidade internacional". O FMI (Influential Monied Friends ou seja Amigos influentes endinheirados) têm- se mostrado relutantes, com os EUA e outros a não estarem interessados em se envolverem neste esquema. Apenas a Rússia indicou a sua disposição em contribuir com 20 mil milhões de euros.
O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, observou que a Alemanha só iria disponibilizar a sua contribuição (45 mil milhões) se: "houver uma distribuição equitativa dos encargos entre os membros do FMI Se estas condições não forem satisfeitas, então não podemos concordar com um empréstimo para. o FMI. " Ele sublinhou que: ". se os membros de maior peso económico, por exemplo os EUA, estavam a dizer" nós não queremos fazer parte ", então, do nosso ponto de vista, isto é problemático".
Nada está certo de ser alcançado
Paralelamente à Cimeira, a Autoridade Bancária Europeia ("EBA") actualizou os seus testes de resistência bancária, stress tests, aumentando a quantidade de capital que os bancos europeus precisam levantar para cerca de 115 mil milhões de euros. O aumento era necessário para cobrir uma queda no valor dos títulos soberanos detidos pelos bancos. Como os dados utilizados estavam já ultrapassados, uma maior deterioração do valor de participações pode significar que mais capital acabará por ser necessário.
Os bancos italianos, espanhóis e gregos são os que têm maiores necessidades em aumentos de capital. Os bancos italianos precisam de levantar 15 mil milhões de euros. UniCredit, que detém cerca de 40 mil milhões em títulos do governo italiano, precisa de levantar cerca de 8 mil milhões. Os bancos espanhóis precisam de 26 mil milhões com o Banco Santander a precisar de 15 mil milhões. Os bancos alemães também precisam de capital com o Commerzbank, o segundo maior alemão, a necessitar de 5,3 mil milhões de euros.
Com os preços das acções a terem descido significativamente (40-60% num ano) e com a probabilidade de fracos lucros devidos às reduções de valores dos seus activos e também à falta de crescimento da actividade bancária, os bancos europeus enfrentam dificuldades em levantar capital.
Ao contrário dos bancos norte-americanos em 2008/2009, os bancos europeus estão relutantes em reduzir significativamente o pagamento de dividendos. O banco espanhol Santander planeia pagar aos seus accionistas 2 mil milhões em dinheiro e o restante em acções (mais de 15% dos seus requisitos de capitais próprios. Estes argumentam com a necessidade de preservar o seu nome, de compensar os investidores pelo fraco desempenho do preço das acções e para um retorno à rentabilidade. Curiosamente, a EBA ou o Banco de Espanha não intervieram para forçar uma suspensão de dividendos pagos ao marido da Banca, ao capital.
A fonte mais provável é que sejam os governos nacionais a fornecerem o capital, somando-se estes financiamentos aos seus problemas de dívida. A Alemanha já reactivou o seu fundo de resgate bancário para esta finalidade.
Os bancos podem também elevar os seus níveis de capital, reduzindo a dimensão dos seus balanços. Os bancos europeus poderia vender (até) cerca de 2 milhões de milhões em activos. Além das preocupações com os aumentos de capital, tal movimento é impulsionado pelos factores de liquidez com os bancos europeus a terem dificuldades para levantarem nos mercados dólares a um custo aceitável.
O Crédit Agricole, o terceiro maior banco francês, está a pensar reduzir o valor dos seus activos em carteira em cerca de 15-18 milhares de milhões de euros até ao final de 2011 e até cerca de 60 mil milhões no final de 2013. Isto irá melhorar a posição do banco em termos de capital e também irá reduzir as suas necessidades de financiamento em cerca de 50 mil milhões. Se todos os bancos empreendessem comportamentos semelhantes, ou seja, a venda de activos no exterior e o encerramento (principalmente no exterior) de algumas das suas operações, então o efeito sobre a economia será significativo. As mais apertadas condições de crédito e o menor nível de actividade económica pode aumentar os prejuízos normais de crédito desencadeando um ciclo de feitos de repercussão negativos.
A venda de activos pelos bancos europeus para melhorar os seus níveis de capital é aceitável para a UE, desde que "não levem a uma redução do fluxo de crédito concedido à economia real da União Europeia". A saída de mercados estrangeiros já está a ter um impacto notável na Europa Oriental e na Ásia. Uma desaceleração dessas economias, indirectamente, afectará a Europa, reduzindo a procura para as exportações europeias.
Um mau caminho pela frente
O plano proposto é fundamentalmente um plano não adequado. Com ele não se faz nenhuma tentativa para resolver os problemas reais - o nível de endividamento, como reduzir, como encontrar os meios para resolver as necessidades de financiamento ou ainda como conseguir retomar a trajectória do crescimento. Mais importante ainda, não houve novos fundos ligados a estes objectivos.
Ao longo dos próximos meses, a zona euro irá enfrentar uma nova série de desafios, incluindo: a implementação das novas medidas, a baixa possível da notação de crédito de um elevado número de nações, o refinanciamento da dívida em situação de vencimento e também o estabelecimento das necessárias metas económicas. Haverá também complexas pressões políticas e sociais.
A implementação do novo compacto fiscal pode não ser um facto consumado. A falta da sua aceitação pelo lado dos britânicos torna a mudança mais complexa. Uma série de tratados e protocolos devem ser alterados. Há também dúvidas sobre se o "trabalho em torno da questão" será juridicamente eficaz.
Pelo menos quatro governos indicaram que o acordo para as alterações fica dependente do texto legal final alcançado. Uma área-chave de preocupações é a forma precisa e a extensão dos poderes conferidos à UE para policiar os orçamentos nacionais. Outra área chave refere-se à estrutura do MES, onde a maioria qualificada de 85% terá o poder de tomar decisões de emergência. A Finlândia tem-se actualmente oposto à institucionalização do MES por uma supra-maioria, em vez de continuar a ser por unanimidade. Outros também estão relutantes em pagar em capital, que pode ser colocado em risco, sem nenhum direito a veto.
Dada a questões de soberania nacional, é possível que venha a haver atrasos na sua execução. A existência de eventuais alterações também não pode ser eliminada.
No fundo, as negociações sobre o pacote grego de Julho de 2011, também estão paradas. Há um risco de que um número significativo de bancos se recusem a participar na complexa reestruturação da dívida grega que implica uma redução em cerca de 50% do valor da divida privada.
As grandes agências estão a rever os ratings dos 15 membros da zona do euro, incluindo a notação AAA de países como a Alemanha e a França [Em Fevereiro a baixa das notações foi uma verdadeira razia]. Recuando face à sua posição inicial de que qualquer rebaixamento da notação seria catastrófica, o presidente francês já procurou tranquilizar os eleitores dizendo que é relativamente insignificante, sugerindo porém que seja provável.
Uma redução na notação pode aumentar o custo dos fundos para os países individualmente considerados. Dependendo da extensão, esta redução de notação pode até restringir a capacidade das nações em emitir dívida, por deslocar o interesse de certos investidores na sua aquisição.
Se a França, a Alemanha e os outros avalistas de notação AAA perderem a sua mais alta classificação de crédito, o fundo de resgate FEEF perderá também ele o seu triplo A e baixará de notação. Isto iria enfraquecer ainda mais a sua já comprometida capacidade em obter fundos no mercado para cumprir os compromissos existentes para com a Grécia, a Irlanda e Portugal e, também, para apoiar o financiamento de outros países.
(Continuação)
Satyajit Das, The Road to Nowhere" – Europe’s Debt Crisis. 9 Janeiro de 2012.
Das é o autor de Extreme Money: The Masters of the Universe and the Cult of Risk (2011)
8. As ideias.
Que exprimo no texto, são o mais puro da minha lembrança. Anos volvidos, até nem tem sido, para mim, fácil separarem Paulo Freire, de Meyer Fortes, de Jack Goody, os meus mestres. É daí que eu próprio tenho desenvolvido, a partir dessas pedras, no meu trabalho pessoal. Que até posso não distinguir o meu de o deles, os meus mestres, esses que moram no altar dos meus ancestrais. E que transmito no trabalho com as minhas equipas de diversos sítios do mundo.
O terramoto social de 1973, no País denominado Chile, afastou-nos para sempre. Ficamos a saber uns dos outros, mas nunca mais tivemos o prazer saber freiriano de nos ver. Faz um ano, enquanto reestudava uma aldeia galega 25 anos depois, avisam-me da sua morte.
Escrevi um obituário. Era um 1º de Maio de 1997. O dia justo para morrer, esse homem que lutou, epistemologicamente pelos trabalhadores. Para dar ideias aos que lutavam politicamente por eles. É estranho, mas enquanto escrevo, a lembrança do que com ele aprendi, faz-me recordar a Teologia da Libertação. Essa que aplicamos no Chile de Allende – quando lá estive-, no movimento Cristãos para o Socialismo.
E que, retornado à Europa, tenho falado aos cristãos de cá, o que me permitiu trazer centos de chilenos que o Primeiro-ministro Britânico (Billy Callaghan) dos anos 70 me solicitara escrever numa lista. Quer Paulo Freire, quer eu, pertencemos à cultura de amar-se a si próprio para amar ao próximo, essa cultura cristã à qual, no Ocidente, todos pertencemos.
Foi daí que Paulo Freire retirou o seu material mais primário, para construir a sua obra teórica, em prol do socialismo. As ideias estão vivas em nós, e em milhares de pessoas que fabricaram o seu texto mental próprio, a partir do Silabário para Alfabetizar, que escreveu primitivamente no Brasil dos anos 60. Quantos, hoje em dia, nem sabem que sabem que Paulo Freire entrou na Historia pela porta largo e grande, esgotado por tanta procura de tanta pessoa. Essa admiração que mata para enterrar a semente que floresce. Freire, a raiz alemã do conceito latino libre. Liberdade que o fez trabalhar também no Portugal de Abril.
Bibliografia do texto Fortes, Meyer, 1938, Sociological and psychological aspects of education in Taleland, in Africa, 1938, Vol.XI, N 4. Site para pesquisar o facto:
http://www.google.pt/search?hl=pt- &q=Meyer+Fortes++Fortes+Sociological+a
http://www.questia.com/PM.qst?a=o&d=5336
1987, Religion, morality and the person, Cambridge University Press Freire, Paulo: A obra está citada na Revista. Site para investigar:
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=M
2C+morality+and+the+person&btnG=Pesquisa
La transmission du Bagré, in L’Homme, Vol XVII (I), site para investigar
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=J
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=R
A3o+social+do+insucesso+escolar&spell=1 1996: O saber das crianças, Setúbal, I.C.E. (org. e escritor). Motor de pesquisa, como o prévio. 1997: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral Lisboa, Fim do Século, 1ª edição; 2ª edição 2007, Motor de pesquisa:
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=R
A7as&btnG=Pesquisar&meta=
1998: Como era quando não era como sou O crescimento das crianças, Profedições, Porto. Motor de pesquisa: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=R
A3o+era+como+sou+O+crescimento+das+crian%C
http://aventar.eu/2011/04/05/a-religiao-e-a-l
http://www.youtube.com/watch?v=L1QVeKN1o
O problema da UE é essencialmente político. Nos seus órgãos centrais sente-se excessivamente o peso da Alemanha e da França. A reunificação alemã agravou consideravelmente o desequilíbrio entre os países do norte e do sul da Europa, que já existia anteriormente, mas que se agravou consideravelmente desde então. O grande peso político da Alemanha ajudou-a inclusive na trocas económicas e nas manobras financeiras. Quem não percebe que o caso dos submarinos vendidos a Portugal, pagos praticamente a pronto, não se resumiu a um simples caso de corrupção, mas do que isso, tem na sua essência um problema de influência política de um país poderoso sobre outro.
Ontem no Público, Rui Tavares descreveu a visita do primeiro-ministro italiano Mario Monti ao Parlamento Europeu (PE). Ali referiu que o euro se está a tornar num factor de divisão dos europeus, repudiando a divisão entre países centrais e países periféricos, e lembrou que a França e a Alemanha foram os primeiros países a quebrar o pacto de estabilidade e crescimento, ultrapassando os limites ao défice. Rui Tavares recorda a péssima gestão da chamado crise do euro, e as responsabilidades a este respeito de Merkel e Sarkozy.
Mário Monti defendeu várias outras coisas no PE. Uma delas foi a necessidade do investimento público para o crescimento económico. E que sem este a reforma fiscal será em vão. Mostrou querer romper activamente o duopólio franco-alemão. O futuro dirá se esta intervenção terá seguimento.
Será de acrescentar que o problema europeu, e o de outras partes do mundo, não terá uma evolução favorável sem o controlo dos mercados, para que estes aceitem obedecer a regras. Ainda ontem mais outra notação da Fitch deu novo empurrão à Grécia no caminho para a falência. É inegável que se trata de um fenómeno que vai ter repercussões em toda a Europa e no resto do mundo.
A QUESTÃO DE OLIVENÇA - RTP Pontos nos is
O programa Pontos nos is da RTP transmitiu em seis dias de 2010 o programa «A QUESTÃO DE OLIVENÇA». Este é o quinto dos seis vídeos.
História, Memória e Violência no Sec XX (colóquio 24 e 25 de Fevereiro, fcsh) + lançamento-debate de livro de Enzo Traverso "Passado - Modos de Usar" (na Casa da Achada, dia 25)
Chama-se ainda a atenção para o lançamento do livro de Enzo Traverso, no dia 25, às 18h30, mas na Casa da Achada-Centro Mário Dionísio, à Mouraria.
O debate de lançamento contará com a participação do autor.
Info sobre o livro aqui <http://unipop.webnode.pt/news/o-passa
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24 e 25 de Fevereiro de 2012
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Sala Multiusos 3, Piso 4, Edifício I&D
INSTITUTO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Linha de Investigação Poder, Cultura & Ideias
Coordenação de José Neves, Luís Trindade, Pedro Martins e Tiago Avó
Apoios: FCT | Institut Français | Instituto Cervantes | FCSH-UNL
com Javier Rodrigo Sanchez, António Monteiro Cardoso, Miguel Cardina,
Fernando Ampudia de Haro, Tiago Avó, Luís Trindade, Fernando Rosas,
Enzo Traverso, Maria Benedita-Basto, Manuela Ribeiro Sanches,
Elisa Lopes da Silva e Manuel Deniz Silva.
PROGRAMA
24 de Fevereiro
(sexta-feira)
10h15, abertura
10h30 | ESPANHA, VIOLÊNCIA E FASCISMO
Javier Rodrigo Sánchez (Universidad Autonoma de Barcelona)
A este lado del bisturí. Violencia y fascistización en la España sublevada.
11h30 | O SÉCULO XIX PORTUGUÊS
António Monteiro Cardoso (ESCS-IPL, CEHC/ISCTE-IUL)
Violência política em Portugal no século XIX. Memória e História.
15h00 | O ESTADO NOVO
Miguel Cardina (CES-UC e IHC-UNL)
Violência, testemunho e sociedade. Incómodos e silêncios em torno da memória da ditadura.
Fernando Ampudia de Haro (IHC-UNL)
Branquear e revisar: historiografia e política à volta do Estado Novo.
17h00 | A REVOLUÇÃO DE ABRIL
Tiago Avó (Birkbeck College, IHC-UNL)
O lugar do PREC – comemorativismo e memória mediática.
Luís Trindade (Birkbeck College, IHC-UNL)
A construção da memória em torno do 25 de Abril de 1974.
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25 de Fevereiro
(sábado)
10h30 | O MUNDO DO SÉCULO XX
Fernando Rosas (FCSH/IHC-UNL)
Memória da violência e violência da memória.
Enzo Traverso (Université Jules Vernes Picardie)
L’âge de la Violence.
15h00 | IMPÉRIO E ANTICOLONIALISMO
Maria-Benedita Basto (Université Paris IV)
A política da História: dinâmicas emotivas das transmemórias na escrita do passado no presente em espaços (ex)imperiais.
Manuela Ribeiro Sanches (FLUL-CEC)
Nação, cultura e violência: (trans)nacionalismos na obra de Frantz Fanon e Amílcar Cabral.
E ÀS 18H30, NA CASA DA ACHADA – CENTRO MÁRIO DIONÍSIO, À MOURARIA, SERÁ LANÇADO O LIVRO "O PASSADO: MODOS DE USAR", DA AUTORIA DE ENZO
TRAVERSO E PUBLICADO PELAS EDIÇÕES UNIPOP. DECORRERÁ UMA CONVERSA COM ENZO TRAVERSO, ELISA LOPES DA SILVA E MANUEL DENIZ SILVA.
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RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES
Javier Rodrigo Sánchez: A este lado del bisturí. Violencia y fascistización en la España sublevada
Esta ponencia analizará, en perspectiva comparada pero desde la experiencia española, las formas de la violencia sublevada en la España de Franco y evaluará la operatividad de su definición como “fascista”. Desde esa premisa, se analizará la violencia en el marco de la fascistización de la España sublevada.
António Monteiro Cardoso: Violência política em Portugal no século XIX. Memória e história
Através desta comunicação pretende-se analisar a memória e a historiografia acerca da violência política em Portugal no século XIX, à luz dos conceitos de “uso público da história”, de Habermas, e de “regimes de historicidade”, de François Hartog.
Para isso, iremos centrar-nos na guerra civil de 1832-1834, o acontecimento violento mais marcante do século XIX, examinando o modo como a violência exercida, quer pelos vencedores, quer pelos vencidos, foi sendo evocada, manipulada ou silenciada até ao presente, de acordo com diferentes regimes de historicidade.
Procuraremos indagar também em que medida a actual subalternização dos estudos sobre o século XIX, em favor do contemporâneo, de par com a utilização de alguns métodos de abordagem da sociedade novecentista portuguesa tem conduzido a uma visão legitimadora das estruturas políticas e sociais dominantes.
Miguel Cardina: Violência, Testemunho e Sociedade. Incómodos e silêncios em torno da memória da ditadura.
A presente comunicação percorre a forma como a memória do Estado Novo, nomeadamente nas suas facetas mais repressivas, tem sido dominantemente difundida, trabalhada e silenciada. Com efeito, as noções de vítima, por um lado, e de uma ditadura de «baixa intensidade», por outro, exigem ser olhadas criticamente através de uma leitura mais ampla da violência política, que contemple a sua amplitude, a sua função e o modo como foi gerida pelo regime. Neste domínio, cabe ainda frisar a presença de um certo imaginário «lusotropical», que entende a colonização portuguesa como exemplo de sã convivência, e o seu contraste com a experiência da colonização e da guerra, tal como aparecem em testemunhos, documentários e trabalhos historiográficos contemporâneos. Por fim, traça-se o modo como as questões relativas ao passado da ditadura foram sendo observadas desde 1974, oscilando entre reivindicações pelo direito à memória e irrupções significativas de amnésia social.
Fernando Ampudia de Haro: Branquear e revisar: Historiografia e política à volta do Estado Novo
O objectivo da comunicação é realizar uma aproximação ao debate historiográfico em Portugal sobre o Estado Novo, nomeadamente, àqueles aspectos mais controversos relativos à violência, à repressão e à dominação colonial. Através destes aspectos são articuladas as categorias de “branqueamento” e “revisionismo” como conceitos usados pelos historiadores para, no âmbito público ou no profissional, legitimar ou deslegitimar certas leituras históricas acerca do passado ditatorial do país. No entanto, essas dinâmicas de legitimação-deslegitimação possuem também uma dimensão política: se reduzirmos a questão do “branqueamento” ou do “revisionismo” a um debate meramente historiográfico estaríamos prescindindo de interessantes elementos de análise que permitem observar a ligação entre essas leituras do passado e o contexto sócio-político no qual estão inseridas e são produzidas. Neste sentido, a comunicação vai estudar os vínculos entre a historiografia, os mitos fundadores da democracia portuguesa e as leituras do passado que fazem parte da cultura política dos portugueses. Só assim ficam reunidas as condições necessárias para percebermos o fundamento, as possibilidades e mesmo o eventual sucesso social, comercial e historiográfico das atitudes chamadas de “branqueadoras” ou “revisionistas”.
Luís Trindade: A construção do tempo da memória revolucionária
A fixação da memória do processo revolucionário português de 1974-75 foi contemporâneo do próprio agir revolucionário. Em certo sentido, pode dizer-se que fez parte dele. A identidade da revolução - como superação da ditadura ou construção do socialismo - determinou assim o tipo de memória que sobre ela se formou, bem como a temporalidade da sua construção.
Tiago Avó: O lugar do PREC. Comemorativismo e memória mediática.
A comemoração oficial da revolução e a abordagem mediática na imprensa nos aniversários da revolução sofreu um processo de reactualização e de redefinição ideológicas. A legitimação do processo de "normalização democrática" em oposição à "anarquia" e ao "caos" dos anos revolucionários tem servido de linha de orientação para a construção de uma memória mediatizada dos anos de 1974-1975.
Fernando Rosas: Memória da Violência e a Violência da Memória
A comunicação trata da memória como processo social de construção de representações e, a esse título, como terreno de disputa pela hegemonia acerca do sentido do presente e do futuro. Após o que, em concreto, procura aplicar esse modelo interpretativo aos "acidentes da memória" sobre a revolução portuguesa de 1974/75, ensaiando-se ainda uma "geografia temática do revisionismo historiográfico". A esse propósito aprofunda-se o tema da violência nos regimes fascistas e no Estado Novo em particular.
Enzo Traverso: L’âge de la violence. Histoire et mémoire du XXe siècle
Nous assistons, en ce début du XXIe siècle, à une réactivation du passé à l’échelle internationale. Une différence majeure qui le sépare des deux siècles qui l’ont précédé — le XIXe marqué par l’impact de la Révolution française et le XXe par celui de la Révolution russe — réside dans l’éclipse des utopies. Après la fin du communisme, toute projection utopique vers l’avenir semble interdite. La disparition d’un « horizon d’attente » visible engendre une mémoire saturée du siècle passé comme une époque de la violence — où les révolutions restent englouties comme catastrophes humanitaires ou antichambres du totalitarisme — dominée par la figure de la victime. Trois espaces mémoriels se dessinent aujourd’hui en Europe : un espace occidental façonné par le souvenir de la Shoah ; un espace oriental dominé par l’héritage du communisme ; et un espace postcolonial exhumant le passé impérial du continent. Le croisement de ces différentes mémoires peut se révéler fructueux aussi bien sur le plan herméneutique (repenser l’histoire de l’Europe) que sur le plan politique (reformuler une idée de citoyenneté dépassant les clivages nationaux), à condition d’en rejeter les usages apologétiques (commémorer les violences du passé afin de légitimer l’ordre dominant) et de redécouvrir les dimensions cachées ou refoulées du passé (les luttes émancipatrices du XXe siècle).
Maria-Benedita Basto: A política da História: dinâmica das transmemórias na escrita do passado no presente em espaços (ex)imperiais
Nesta comunicação proponho-me reflectir sobre a operacionalidade de um conceito como o de “transmemórias” para a resolução de alguns problemas contemporâneos da escrita historiográfica que concerne espaços comuns de violência, neste caso, os espaços saídos do colonialismo.
Gostaria de partir do cruzamento de três argumentos: o primeiro parte do trabalho que Jacques Rancière (1998) fez em torno da sua expressão “política da literatura” para, numa reutilização talvez ousada, propor uma interrogação da escrita da história nesse contexto preciso que corresponde ao (ex)império colonial português. O segundo argumento, releva da reflexão que Enzo Traverso desenvolve sobre um mal estar da/na história no seu livro L’Histoire comme champ de bataille (2011). Traverso interroga-se nesta obra sobre as consequências políticas de uma escrita do passado no presente perspectivada entre vencedores e vencidos onde não há lugar para as dinâmicas de constituição de sujeitos políticos. E isto numa situação marcada pelo naufrágio de uma ideia de progresso e pela proliferação das representações memoriais. O terceiro argumento vou buscá-lo ao pensamento de Ann Stoler sobre uma epistemologia do trabalho histórico ou mais globalmente das ciências sociais (Along the Archival Grain, 2009) que oferece uma resposta ao problema colocado por E. Traverso. Stoler propõe uma escrita das ciências sociais que ultrapasse binarismos interessando-se pelas emoções, pela domesticidade dos espaços íntimos e, ao mesmo tempo – juntando agora Rancière a Stoler – pela partilha do sensível (Rancière, 2000).
Estes vários argumentos, que justificam uma atenção às transmemórias, serão desenvolvidos tendo também como base alguns excertos do trabalho cinematográfico de Raquel Schefer, e alguma escrita romanesca em torno de retornados.
Manuela Ribeiro Sanches: Nação, Cultura e Violência: (trans)nacionalismos na obra de Frantz Fanon e Amílcar Cabral
Revisitar o século XX e o passado é tarefa de história e memória, mas também de reactualização de teorias, lidas à luz não só do contexto em que surgiram, mas também da sua possível relevância para a nossa contemporaneidade.
Partindo de uma análise comparativa do papel da violência na obra de Fanon e Cabral e do modo como a cultura se associa estreitamente a esse conceito na construção da nação, considerarei ainda a forma como as experiências transnacionais de ambos os autores terão sido determinantes para o desenvolvimento do seu nacionalismo.
Ao mesmo tempo, interrogar-me-ei sobre a relevância dessas mesmas posições para a Europa nossa contemporânea, pós-colonial e pós-transnacional. Lidos na nossa actualidade, a contrapelo, esses textos poderão conter propostas ainda relevantes para um continente que vive, no momento, um desafio inédito à sua identidade, em termos políticos e culturais.

Este quadro de Dorindo Carvalho
inspirou a Ethel Feldman o seguinte poema
No jogo, o bispo reiventa a diagonal e o cavalo ganha a batalha final.
Colada ao chão, retiro e parto o azulejo.
Resta um buraco quadrado, quase perfeito, a pedir liberdade.
Na esquadria, afundo o que supunha saber.
Nas minhas costas vive um sabiá.
Canta poemas sem letras.
Diz que a lua é todos e o sol de quem acordar cedo.
Acolho a desordem.
O vermelho encontra o tom sublime da cor.
(inédito)
Frederic Monpou (1893-1987), compositor e pianista catalão conhecido, em particular, pela obra para piano e canções, compôs Cantar del alma em 1951, a partir de um poema de S. João da Cruz. Victoria de los Ángeles, que gravou igualmente o ciclo de canções Combat del somni, interpreta Cantar del alma, numa récita que se realizou no Teatro Real de Madrid, em 1980.
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
Sílvio Castro
Vasco de Castro
Vasco Lourenço
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