Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Em memória de Bernardo Sassetti - por Álvaro José Ferreira

 


Pianista e compositor, Bernardo Sassetti nasceu em Lisboa, a 24 de Junho de 1970. Iniciou os estudos clássicos de piano, aos nove anos de idade, com a professora Maria Fernanda Costa e, mais tarde, com o professor António Menéres Barbosa, tendo frequentado também a Academia dos Amadores de Música. Fascinado com a música de Bill Evans, derivou para o jazz, estudando com Zé Eduardo, Horace Parlan e Sir Roland Hanna.

 

Iniciou a sua carreira profissional em 1987, afirmando-se desde essa altura como uma peça fundamental em várias formações nacionais. A maturidade e a qualidade do seu jazz, evidenciadas no quarteto de Carlos Martins e no Moreiras Jazztet com apenas dezoito anos de idade, não deixariam de crescer, sedimentadas numa destreza discursiva invulgar e numa invenção harmónica notável. Para além das inúmeras digressões realizadas um pouco por todo o mundo com pequenas formações por si lideradas ou em contextos mais alargados, como a série de concertos realizados na China, acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Hong Kong, Bernando Sassetti trabalhou ao longo dos anos com músicos de excepção em gravações e apresentações pontuais, tendo inscritas no seu currículo colaborações com Andy Sheppard, Art Farmer, Kenny Wheeler, Freddie Hubbard, Paquito D'Rivera, Benny Golson, Curtis Fuller, Eddie Henderson, Charles McPherson, Steve Nelson, ou integrado na United Nations Orchestra e no quinteto do trompetista britânico Guy Barker – com o qual gravou o CD "Into The Blue" (Verve), nomeado para os Mercury Awards '95 - Ten albums of the year.

 

Os seus primeiros registos discográficos em nome próprio, "Salsetti" (1994, em colaboração com Paquito D'Rivera) e "Mundos" (1996), bem como as suas suites "Ecos de África", "Sons do Brasil" e "Suite Ibérica", evidenciam já uma engenhosa técnica de composição marcada por um caloroso rigor harmónico enquadrado numa matriz rítmica que privilegia a música afro-latina, sem faltar à originalidade nem ceder à trivialidade.

 

Em 1997, participou no álbum "What Love Is", de Guy Barker, acompanhado pela London Philarmonic Orchestra, cujo convidado especial foi o cantor Sting. Foi este o registo que esteve na origem do convite que o realizador britânico Anthony Minghella, por intermédio da Paramount Pictures, veio a fazer a Bernardo Sassetti para participar na banda sonora do filme "O Talentoso Mr. Ripley" (1999), para o qual gravou três temas: "My Funny Valentine", com Matt Damon; "Tu Vuo' Fa L'Americano" com Matt Damon, Jude Law e o cantor italiano Fiorello; e "You Don't Know What Love Is" com o cantor escocês John Martyn. A composição de música para cinema de ficção e documental viria a tornar-se uma das principais vertentes da actividade de Bernardo Sassetti, sendo de mencionar: "Facas e Anjos" (2000), de Eduardo Guedes; "Maria do Mar", de José Leitão Barros, sob encomenda da Cinemateca Portuguesa, em 2000; "As Terças da Bailarina Gorda" (2000), curta-metragem de Jeanne Waltz; "Aniversário" (2000), telefilme de Mário Barroso; "O Segredo" (2000), de Leandro Ferreira; "Quaresma" (2003), de José Álvaro Morais; "Noite em Branco" (2003), documentário de Olivier Blanc; "A Costa dos Murmúrios" (2004), de Margarida Cardoso; e "Alice" (2005), de Marco Martins. Participou ainda, como solista, no filme "Pax" (1994), de Eduardo Guedes, e na curta-metragem "Bloodcount" (1999), de Bernard McLoughlan.

 

O CD "Nocturno", gravado na casa de Maria João Pires, em Belgais, e editado pela editora portuguesa Clean Feed, em 2002, viria a ser distinguido com o Prémio Carlos Paredes, instituído pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Em 2003, Bernardo Sassetti associou-se a Mário Laginha para a gravação de um disco onde pudessem dar expressão às suas afinidades electivas, aprofundando a experiência que haviam tido em 1999 no festival "Jazz em Agosto", onde tocaram juntos a convite da Fundação Calouste Gulbenkian. A edição recebeu o título simples e inequívoco de "Mário Laginha & Bernardo Sassetti". Ainda com Mário Laginha, gravou várias versões instrumentais de canções de José Afonso para o segundo CD da colectânea "Grândolas" (2004), comemorativa do 30.º aniversário do 25 de Abril. Em Outubro de 2006, realizou no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, com Mário Laginha e Pedro Burmester, o concerto "3 Pianos" que seria editado em DVD, no ano seguinte. Da discografia de Bernardo Sassetti, merecem ainda destaque os álbuns "Indigo" (2003), "Livre" (2004), "Ascent" (2005), amplamente aclamados pela crítica especializada.

 

Em parceria com Carlos do Carmo, gravou em 2010, o CD "Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti", compondo a música de – "Retrato" (com letra de Mário Cláudio), assegurando também a execução pianística de  "Talvez por Acaso" (com música de Carlos Manuel Proença e letra de Manuela de Freitas) – e assinou os arranjos de oito clássicos da canção portuguesa e internacional.

 

Na extensa lista de colaborações com outros intérpretes, como acompanhador e/ou como compositor/arranjador, contam-se os seguintes discos: "Impressões" (1994) e "Olhar" (1999), de Carlos Barretto; "Cumplicidades" (1994), de Luís Represas; "Into The Blue" (1994), "What Love Is" (1998) e "Timeswing" (2000), de Guy Barker; "Luandando" (1995), de Moreiras Jazztet; "Tom Maior: Homenagem a Tom Jobim" (1995), de Naná Sousa Dias; "Dundunbanza!" (1995) e "Tibiri Tabara" (1998), do grupo cubano Sierra Maestra; "Passagem" (1996), "Sempre" (1999), "Do Outro Lado" (2006) e "Água" (2008), de Carlos Martins; "Desafinados" (1996), de Tetvocal; "Carlos do Carmo ao Vivo: Coliseu dos Recreios Lisboa: 40 Anos de Carreira" (2004); "Jamaica By Night" (2010), de Andy Hamilton; e "Mútuo Consentimento" (2011), de Sérgio Godinho. (fontes principais: "Infopédia" e "JazzPortugal")

 

Discografia:

 

- Ao Vivo no Festival de Jazz de Guimarães (CD, Groove/Movieplay, 1994), Conrad Herwig e Trio de Bernardo Sassetti (com Bernardo Moreira e André Sousa Machado)
- Salsetti (CD, Groove/Movieplay, 1994), com Paquito D'Rivera
- Mundos (CD, Emarcy/Polygram, 1996)
- Nocturno (CD, Clean Feed, 2002), Bernardo Sassetti Trio (com Carlos Barretto e Alexandre Frazão)
- Mário Laginha e Bernardo Sassetti (CD, ONC, 2003)
- Grândolas (CD2, Guilda da Música/CNM, 2004), com Mário Laginha
- Indigo (CD, Clean Feed, 2004)
- Livre (CD, Clean Feed, 2004)
- Ascent (CD, Clean Feed, 2005), Bernardo Sassetti Trio (com Carlos Barretto e Alexandre Frazão)
- Alice (CD, Trem Azul, 2006), banda sonora do filme de Marco Martins
- Unreal: Sidewalk Cartoon (CD, Trem Azul, 2006)
- Dúvida (1964) (CD, Trem Azul, 2007), música para a peça de teatro "Doubt", de John Patrick Shanley, levada à cena no Teatro Maria Matos, com encenação de Ana Luísa Guimarães e Diogo Infante
- 3 Pianos (DVD, Incubadora d'Artes, 2007), com Mário Laginha e Pedro Burmester - Um Amor de Perdição (CD, Trem Azul, 2009), banda sonora do filme de Mário Barroso
- Palace Ghosts and Drunken Hymns (CD, Clean Feed, 2009), com o Will Holshouser Trio (David Phillips, Ron Horton e Will Holshouser)
- Second Life (CD, Utopia Música, 2009), banda sonora do filme de Alexandre Valente e Miguel Gaudêncio
- Trago Fado nos Sentidos: ao vivo na Casa da Música (CD, Casa da Música, 2009), com Mário Laginha
- Motion (CD, Clean Feed, 2010), Bernardo Sassetti Trio (com Carlos Barretto e Alexandre Frazão)
- Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti (CD, Universal, 2010)

 

Retrato

 

Letra: Mário Cláudio
Música: Bernardo Sassetti
Intérpretes: Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti* (in CD "Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti", Universal, 2010) [>> Vídeos Sapo]

 

[instrumental]

 

Quando a tarde passa, abre-se outra porta.
Se o morcego voa, a estrela desponta,
Ser de hoje ou de sempre, nada disso importa,
Todo o tempo corre só por nossa conta.

Sei de praias brancas, de velas queimadas,
Se perdi meus passos em longa carreira,
Tive pais e filhos, tive namoradas,
E encontrei-me logo aqui mesmo à beira.

Jogo minhas cartas na mesa da vida,
Recolho moedas e penas também,
Alma incandescente, de frio transida,
Quem me dá certezas que o livro não tem?

O vinho bebido ao sangue juntei,
E os frutos da terra descobri em mim,
Que ninguém me diga que morreu sem lei,
Que ninguém me diga que morreu assim!

 

* Carlos do Carmo – voz
Bernardo Sassetti – piano
Músico convidado:
Filipe Quaresma – violoncelo
Produção musical – Carlos do Carmo
Arranjos musicais – Bernardo Sassetti
Produção executiva – Tiago Palma / Universal Music Portugal
Gravado por Tó Pinheiro da Silva e João Bessa, assistido por Manuel Reis, nos Boom Studios, Vila Nova de Gaia, excepto violoncelo, gravado por Tó Pinheiro da Silva e João Szasz, nos Estúdios Vale de Lobos, Almargem do Bispo - Sintra, entre Julho e Outubro de 2010
Misturado e masterizado por Tó Pinheiro da Silva

 

 

 

 

URL:

http://www.youtube.com/user/bernardosassetti
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernardo_Sassetti
http://www.infopedia.pt/$bernardo-sassetti
http://www.jazzportugal.ua.pt/web/ver_musicos.asp?id=6
http://www.cleanfeed-records.com/artista.asp?intID=74
http://www.pedromendes.com/onc/musicos/sassetti/index.html
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/bernardo_sassetti
http://cotonete.clix.pt/artistas/musicas.aspx?id=7929
http://www.lastfm.pt/music/Bernardo+Sassetti

 

(Publicada por Álvaro José Ferreira em 16:31)



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
PÉROLAS DA MÁUSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - Por Ti, Menina - por Álvaro José Ferreira

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Por Ti, Menina

 

Letra e música: José Flávio Martins ("À menina de olhar meigo...")

Intérprete: Frei Fado d'El Rei* (in CD "Encanto da Lua", Columbia/Sony Music, 1998) [>> YouTube]

 

 

[instrumental]

 

Por onde vais,

Menina do campo?

Lírios colhidos por ti

São outro encanto!

 

Guarda segredo

Do teu amor,

Não digas nunca

Ao cais do seu sabor!...

 

Sete são as saias

De sete cores;

Menina, não saias

Com mais que dois amores!...

 

Rios de saudade

Correm sem parar,

Fogem com vontade

De te amar...

 

Menina, por ti

Breve é minha alma;

Só por ti nasci

Em noite calma!

 

Já te ouvi cantar

Ao nascer do dia,

E o sol acordou

Mudo de alegria!

 

E ao chegar a noite

No teu mar navega,

Solta-se na eira

E jamais sossega!

 

Teu olhar, menina,

Com o meu namora;

Veste-se de longe,

Longa é sua demora...

 

Rios de saudade

Correm sem parar,

Fogem com vontade

De te amar...

 

Menina, por ti

Breve é minha alma;

Só por ti nasci

Em noite calma!

 

[instrumental]

 

Rios de saudade

Correm sem parar,

Fogem com vontade

De te amar...

 

Menina, por ti

Breve é minha alma;

Só por ti nasci

Em noite calma!

 

Rios de saudade

Correm sem parar,

Fogem com vontade

De te amar...

 

Menina, por ti

Breve é minha alma;

Só por ti nasci      | bis

Em noite calma!   |

 

 

* Frei Fado d'El Rei: 

Carla Lopes – voz principal, coros, adufe e pandeireta

Cristina Bacelar – guitarra clássica, voz, coros e tréculas

José Flávio Martins – baixo acústico, bandoloncelo, voz, coros e adufe

Ricardo V. Costa – guitarra clássica, castanhola de cana e coros

Quico SR (Frederico Serrano) – teclados, programações, sampling, percussões, voz e coros

Mário Costa – bateria e percussão

 

Arranjos – Quico SR (Frederico Serrano) e Frei Fado d'El Rei

Produção, gravação, mistura e masterização – Quico SR (Frederico Serrano)

Gravado no estúdio de Quico SR (Frederico Serrano), Praia da Aguda, Vila Nova de Gaia

Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2008

 

URL: http://www.myspace.com/freifadodelrei

http://freifado.blog.com

http://www.bartilotti.com/musica_frei_fado.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Fado_d'El_Rei

http://www.artistas-espectaculos.com/discos/pt/frei+fado+d+el+rei.htm

http://www.attambur.com/Grupos/frei_fado_del_rei.htm

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/frei_fado_del_rei

http://cotonete.clix.pt/quiosque/artistas/musicas.aspx?id=984

http://www.lastfm.pt/music/Frei+Fado+D'el+Rei

 

 

[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLys6VB6Y_S4sv6_Xbet-9fA]



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA NASCEU HÁ 70 ANOS - por Álvaro José Ferreira

Adriano Correia de Oliveira: "As Balas"



No dia em que Adriano Correia de Oliveira completaria 70 anos de idade, se não tivesse partido antes de tempo, os blogues A Viagem dos Argonautas e A Nossa Rádio prestam tributo à memória do grande cantor e compositor, deixando aqui uma das suas mais magistrais (e menos divulgadas) criações: "As Balas", sobre um belo poema de Manuel da Fonseca. Um tocante libelo contra a pulsão de violência e morte de que – infelizmente – a Humanidade não conseguiu ainda libertar-se!



As Balas

Poema: Manuel da Fonseca
Música: Adriano Correia de Oliveira
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira* (in LP "Que Nunca Mais", Orfeu, 1975, reed. Movieplay, 1997; "Obra Completa": CD "Adriano Canta Manuel da Fonseca", Movieplay, 1994, 2007) [>> YouTube]


[instrumental]

Dá o Outono as uvas e o vinho
Dos olivais azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa o verde pinho
As balas deram sangue derramado

Dá a chuva o Inverno criador
Às sementes dá sulcos o arado
No lar a lenha em chama dá calor
As balas deram sangue derramado

Dá a Primavera o campo colorido
Glória e coroa do mundo renovado
Aos corações dá o amor renascido
As balas deram sangue derramado

[instrumental]

Dá o sol as searas pelo Verão
O fermento no trigo amassado
No esbraseado forno cresce o pão
As balas deram sangue derramado

Dá cada dia ao homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas deram sangue derramado

De meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo de viver
As balas deram sangue derramado

[instrumental]

Dá a certeza, o querer e o construir
O que tanto nos negou o ódio armado
Que a vida construir é destruir
Balas que deram sangue derramado

Essas balas deram sangue derramado
Só roubo e fome e o sangue derramado
Só ruína e peste e o sangue derramado
Só crime e morte e o sangue derramado

[instrumental]


* [Créditos gerais do disco:]

Fausto Bordalo Dias – guitarra acústica, percussão, kazu, coros
Júlio Pereira – guitarra solo, baixo, piano, órgão, bandolim, buzuki, cadeira, coros
Zau e Pantera – percussões
Vitorino Salomé – acordeão
José Luís Simões – trombones de varas
Carlos Paredes – guitarra portuguesa

 

Arranjos e direcção musical – Fausto Bordalo Dias
Gravado nos Estúdios Rádio Triunfo, Lisboa
Técnico de som – José Manuel Fortes
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL: http://www.adrianocorreiadeoliveira.com/
http://adriano.esenviseu.net/index.asp
http://www.myspace.com/adrianocorreiadeoliveira
http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano_Correia_de_Oliveira
http://www.infopedia.pt/$adriano-correia-de-oliveira
http://www.avintes.net/adriano.htm
http://www.artistas-espectaculos.com/discos/pt/adriano+correia+de+oliveira.htm
http://guedelhudos.blogspot.com/search/label/Adriano%20Correia%20de%20Oliveira
http://www.portaldofado.net/content/view/279/280/
http://fado.com/index.php?option=com_content&task=view&id=59&Itemid=67
http://deltagata.no.sapo.pt/adriano.html
http://adrianocorreiadeoliveira.blog.simplesnet.pt/
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/adriano_correia_de_oliveira
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=44
http://www.lastfm.pt/music/Adriano+Correia+de+Oliveira

 

Publicada por Álvaro José Ferreira em 12:16



publicado por Carlos Loures às 19:00
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
Pérolas da música portuguesa votadas ao ostracismo - "Menina do Alto da serra" - por Álvaro José Ferreira

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

Menina do Alto da Serra
 
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes
Intérprete: Tonicha* (in single "Menina do Alto da Serra / Mulher", Zip-Zip, 1971; CD "Tonicha", col. O Melhor dos Melhores, vol. 21, Movieplay, 1994; CD "Tonicha", col. Clássicos da Renascença, vol. 82, Movieplay, 2000; 2CD "Antologia 1971-1977", Movieplay, 2004) [>> YouTube]
 
 
[instrumental / coros]
 
Menina de olhar sereno
raiando pela manhã,
de seio duro e pequeno
num coletinho de lã.
Menina cheirando a feno  | bis
casado com hortelã.        |
 
Menina que no caminho
vais pisando formosura,
trazes nos olhos um ninho
todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho   | bis
com um ribeiro à cintura.   |
 
Menina da saia aos folhos,
quem na vê fica lavado;
água da sede dos olhos,
pão que não foi amassado.
 
Menina de riso aos molhos,
minha seiva de pinheiro;
menina da saia aos folhos,
alfazema sem canteiro.
 
[coros / instrumental]
 
Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada,
que se levanta primeiro
do que a terra alvoraçada.
Menina de corpo inteiro        | bis
com tranças de madrugada.  |
 
Menina da saia aos folhos,
quem na vê fica lavado;
água da sede dos olhos,
pão que não foi amassado.
 
Menina de fato novo,
ave-maria da terra;
rosa brava, rosa povo,
brisa do alto da serra.
 
[coros / instrumental]
 
rosa brava, rosa povo,  | 3x
brisa do alto da serra.   |
 
 
* Direcção musical – Jorge Costa Pinto
URL:

 

http://tonicha-clube-de-fas.blogspot.com/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tonicha
http://www.infopedia.pt/$tonicha
http://www.macua.org/biografias/tonicha.html
http://www.youtube.com/user/anarod77
http://delta21.com.sapo.pt/tonicha.html                                   
http://delta21.com.sapo.pt/index.html
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/tonicha
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=2580
http://www.lastfm.pt/music/Tonicha
 
 
[Histórico das pérolas >>

http://www.youtube.com/playlist?list=FLys6VB6Y_S4sv6_Xbet-9fA]
 



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
Pérolas da música portuguesa votadas ao ostracismo -Menina dos Olhos d'Água - por Álvaro José ferreira

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Menina dos Olhos d'Água

 

Letra e música: Pedro Barroso

Intérprete: Pedro Barroso* (in LP "Cantos da Borda d'Água", Rádio Triunfo, 1984, reed. Movieplay, 2004; 2CD "Antologia 1982-1990", Movieplay, 2005) [>> YouTube]

 

 

[instrumental]

 

Menina, em teu peito sinto o Tejo

E vontades marinheiras de aproar;

Menina, em teus lábios sinto fontes

De água doce que corre sem parar.

 

Menina, em teus olhos vejo espelhos

E em teus cabelos nuvens de encantar;

E em teu corpo inteiro sinto o feno

Rijo e tenro que nem sei explicar.

 

Se houver alguém que não goste,

Não gaste – deixe ficar...

Que eu só por mim quero-te tanto,

Que não vai haver menina p'ra sobrar!

 

[instrumental]

 

Aprendi nos "Esteiros" com Soeiro

E aprendi na "Fanga" com Redol;

Tenho no rio grande um mundo inteiro

E sinto o mundo inteiro no teu colo.

 

Aprendi a amar a madrugada

Que desponta em mim quando sorris;

És um rio cheio de água lavada

E dás rumo à fragata que escolhi.

 

Se houver alguém que não goste,

Não gaste – deixe ficar...

Que eu só por mim quero-te tanto,

Que não vai haver menina p'ra sobrar!

 

[instrumental]

 

Se houver alguém que não goste,

Não gaste – deixe ficar...

Que eu só por mim quero-te tanto,

Que não vai haver menina p'ra sobrar!

 

[instrumental]

 

 

* [Créditos gerais do disco:]

Pedro Barroso – voz, violas e percussão

Pedro Fragoso – braguesas, piano, viola e guitarra portuguesa

Ana Mafalda – contrabaixo

Cristina Coelho – violoncelo

Abel Moura – acordeão

Ferreira da Costa – oboé

Zé Calhau – flauta transversal e percussões

Choral Phydellius – coros

Participação especial – Mário Viegas (cortesia da Sassetti)

Arranjos – Pedro Barroso e todos os músicos

Produção, direcção musical e orquestração – Pedro Barroso

Gravado nos Estúdios Musicorde, Lisboa

Engenheiro de som – Rui Remígio

Remasterização – José António Regada

Biografia e discografia em: A Nossa Rádio

URL: http://www.pedrobarroso.com/

http://www.myspace.com/395541511

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Barroso

http://vozeguitarra.no.sapo.pt/VGpedrob.html

http://rubicat1.com.sapo.pt/pedrobarroso.html

http://rubicat1.com.sapo.pt/index.html

http://marius4.no.sapo.pt/pedrobarroso.html

http://www.youtube.com/user/laranja49

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/pedro_barroso

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=2021

http://www.lastfm.pt/music/Pedro+Barroso

 

 

[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLys6VB6Y_S4sv6_Xbet-9fA]

 



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Sexta-feira, 23 de Março de 2012
Pérolas da música portuguesa votadas ao ostracismo- "Outras Terras" - por Álvaro José Ferreira

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

 

Outras Terras

 

Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes)

Recolha: José Alberto Sardinha

Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in CD "Outras Terras", RQC, 1999) [>> YouTube]

 

 

[instrumental]

 

Chamaste-me trigueirinha

Eu não sou da Terra Quente

Outra aldeia é a minha

Outra a terra, outra gente

 

Ai, meu amor

Como dói amar-te assim

Este silêncio que morde

Esta dor que não tem fim

 

Ai, saudade

Não mates o meu bem

Deixa-me viver com ele

Se não morro eu também

 

[instrumental]

 

Inda hão-de nascer os sábios

P'ra nos dizer a razão

Que um beijo dos nossos lábios

Se sente no coração

 

Ai, meu amor

Como dói amar-te assim

Este silêncio que morde

Esta dor que não tem fim

 

Ai, saudade

Não mates o meu bem

Deixa-me viver com ele

Se não morro eu também

 

[instrumental]

 

 

* Ronda dos Quatro Caminhos:

António Prata – violas e coros

Carlos Barata – acordeão e coros

João Oliveira – voz solo e coros

Mário Peniche – baixo

Pedro Fragoso – piano e coros

Vítor Costa – bateria, percussões

Músicos convidados:

Inna Rechetnikova – violino

José Barros – viola braguesa

Coral Infantil de Carcavelos, dirigido por Pedro Fragoso

Arranjos – António Prata, com a colaboração de Carlos Barata, que escreveu as melodias contracanto do violino e do acordeão. Também as harmonias desenhadas em conjunto com Carlos Barata e Pedro Fragoso. A concepção de cada instrumento contou ainda com a colaboração do seu executante.

Produção e direcção musical – António Prata

Produção executiva – Alain Vachier

Bases referência de gravação – Carlos Barata

Gravação – Miguel Salema, nos Estúdios On Line, em Fevereiro e Março de 1999

Assistente de gravação – Kiko

Misturas – Miguel Salema, António Prata e Carlos Barata

URL: http://www.rondadosquatrocaminhos.pt/

http://dosquatrocaminhos.blogspot.com/

http://www.youtube.com/user/pitvid

http://anos80.no.sapo.pt/rondadosquatrocaminhos.htm

http://www.ocarina-music.pt/PT/Ronda.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ronda_dos_Quatro_Caminhos

http://www.attambur.com/OutrosSons/Portugal/ronda_dos_quatro_caminhos_terra_de_abrigo.htm

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/ronda_dos_quatro_caminhos

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=10620

http://www.lastfm.pt/music/Ronda+dos+Quatro+Caminhos

 

 

[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLys6VB6Y_S4sv6_Xbet-9fA]

 



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Quarta-feira, 21 de Março de 2012
Jorge de Sena: "Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya" - por Álvaro José Ferreira

 

 

 

Quando a UNESCO resolveu instituir o 21 de Março como Dia Mundial da Poesia terá sido com o propósito de a confinar a esse dia, visto não ser coisa prestável para os outros 364/365 dias do ano? Não. Bem pelo contrário!

 
O Dia Mundial da Poesia existe justamente para lembrar e sensibilizar as pessoas e as instituições da importância de que se reveste para o ser humano cultivar da poesia em qualquer dia e momento. Nesta ordem de ideias, não posso deixar de voltar a apontar o dedo à Antena 2 (e, já agora, também às Antenas 1 e 3) pela gritante ausência de um apontamento diário de poesia, desde que "Os Sons Férteis" chegaram ao fim. Isso aconteceu a 31 de Dezembro de 2008, já lá vão, portanto, mais de três anos, o que é bem eloquente da insensibilidade cultural de Rui Pêgo e seus adjuntos. Havendo no arquivo da RDP um fabuloso acervo de poesia dita, tal lacuna cultural no serviço público de rádio constitui, para todos os efeitos, um inominável crime de lesa-cultura.

Uma das vozes que disse poesia aos microfones da rádio portuguesa, primeiramente por mão de Júlio Isidro, foi a de Mário Viegas, e é dele que aqui se deixa uma dos mais admiráveis exemplos da arte de bem dizer as palavras dos poetas: "Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya", de Jorge de Sena. Pelo tocante humanismo e apelo à tolerância de que está impregnado, este poema devia ser de audição obrigatória por toda a gente, em especial pelos mais jovens.


CARTA A MEUS FILHOS SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA

Poema de Jorge de Sena (in "Metamorfoses", 1963; "Antologia Poética", págs. 108-111, Porto: Edições Asa, 1999)
Recitado por Mário Viegas* (in LP "Pretextos Para Dizer", Orfeu, 1978; "Mário Viegas: Discografia Completa": Vol. 5 – "Pretextos Para Dizer", Público, 2006)
Música de Luís Cília


(Francisco Goya, "Os Fuzilamentos do 3 de Maio de 1808", c.1814, óleo sobre tela, Museu do Prado, Madrid)


Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse com «suma piedade e sem efusão de sangue».
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer
aniquilando mansamente, delicadamente
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que,
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.


Lisboa, 25-06-1959


* Gravado nos Estúdios Arnaldo Trindade, Lisboa
Técnico de som – Moreno Pinto
Texto sobre o disco em:

Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2008

URL: http://www.companhiateatraldochiado.pt/marioviegas.php
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Viegas
http://www.infopedia.pt/$mario-viegas
http://deltacat.blogs.sapo.pt/arquivo/1066153.html
http://www.myspace.com/marioviegas

 

 



publicado por Carlos Loures às 20:00
editado por Augusta Clara em 24/04/2012 às 13:52
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Terça-feira, 13 de Março de 2012
Pérolas da música portuguesa votadas ao ostracismo - por Álvaro José Ferreira

 

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

Que Amor Não me Engana
 
Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso* (in LP "Venham Mais Cinco", Orfeu, 1973, reed. Movieplay, 1987, 1996) [>> YouTube]
 
 
[instrumental]
 
Que amor não me engana
Com a sua brandura,
Se da antiga chama
Mal vive a amargura.
 
Duma mancha negra,
Duma pedra fria,
Que amor não se entrega
Na noite vazia?
 
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito;
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito.
 
Muito à flor das águas,
Noite marinheira,
Vem devagarinho
Para a minha beira!
 
[instrumental]
 
Em novas coutadas,
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera.
 
Assim tu souberas,
Irmã cotovia,
Dizer-me se esperas
P'lo nascer do dia.
 
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito;
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito.
 
Muito à flor das águas,
Noite marinheira,
Vem devagarinho
Para a minha beira!
 
 
* Yório Gonçalves – viola
Jean Claude Dubois – harpa
Lockood – flauta
Benedetti – violoncelo
Arranjos e direcção musical – José Mário Branco
Produção – José Niza
Gravado no Studio Aquarium, Paris, de 10 a 20 de Outubro de 1973
Engenheiro de som – Gilles Sallé
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2008
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL:

http://www.aja.pt/
http://vejambem.blogspot.com/
http://www.myspace.com/associacaojoseafonso
http://www.youtube.com/associacaojoseafonso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Afonso
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
http://www.oocities.org/vilardemouros1971/joseafonso.htm
http://www.arlindo-correia.com/080401.html
http://www.revues-plurielles.org/_uploads/pdf/17_16_5.pdf
http://www.portaldofado.net/content/view/266/280/
http://fado.com/index.php?option=com_content&task=view&id=72&Itemid=67
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162335.html
http://delta02.blog.simplesnet.pt/
http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afonso.html
http://www.infoalternativa.org/radio/radio/jose-afonso_cantigas-do-maio/index.php?autoplay=1
http://www.myspace.com/joseafonso
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/jose_afonso
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=1350
http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afonso
 
 
[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLys6VB6Y_S4sv6_Xbet-9fA&feature=plcp]



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Terça-feira, 6 de Março de 2012
Pérolas da música portuguesa votadas ao ostracismo * - por Álvaro José Ferreira

 

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!» Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade. Vem (Além de Toda a Solidão) Letra: Pedro Ayres Magalhães Música: Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes Intérprete: Madredeus* (in CD "O Espírito da Paz", EMI-VC, 1994) [>> YouTube]

 

 [instrumental]

 

Vem
Além de toda a solidão
Perdi a luz do teu viver
Perdi o horizonte
 
Está bem
Prossegue lá até quereres
Mas vem depois iluminar
Um coração que sofre
 
Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar
 
Por isso, vem
Porque te quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar
 
[instrumental]
 
Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar
 
Por isso, vem
Porque te quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar
 
 
* Madredeus: Teresa Salgueiro – voz

José Peixoto – guitarra clássica

Pedro Ayres Magalhães – guitarra clássica

Francisco Ribeiro – violoncelo Gabriel Gomes – acordeão Rodrigo Leão – teclados Produção – Pedro Ayres Magalhães / União Lisboa Produções Audiovisuais, Lda. Produção executiva – António Cunha Gravado e misturado nos estúdios Great Linford Manor e Lansdowne Recording Studios, Inglaterra, entre 27 de Março e 5 de Maio de 1994 Engenheiros de som – António Pinheiro da Silva e Jonathan Miller Assistente (em Great Linford Manor) – Andy Griffin Assistente (em Lansdowne Recording Studios) – Mark Tucker Masterizado no estúdio CTS, Londres, a 4 de Maio de 1994 Montagem digital – Mike Brown URL:

 http://anos80.no.sapo.pt/madredeus.htm

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Madredeus

http://www.infopedia.pt/$madredeus

http://www.myspace.com/madredeuspt

 http://rubicat2.paginas.sapo.pt/index.html

 http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/madredeus

http://cotonete.clix.pt/artistas/musicas.aspx?id=1618

http://www.lastfm.pt/music/Madredeus

 _______________

 

* Nota da Coordenação - Esta rubrica passa a ser publicada às onze horas das terças-feiras.



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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - Sábado à tarde - por Álvaro José Ferreira

 

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.     Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

  

 

Sábado à Tarde

 

Letra e música: Tozé Brito

Intérprete: Paulo de Carvalho* (in LP "Cantar de Amigos", Da Nova/Polygram, 1979,
reed. Polygram, 1990; CD "Vida" (compilação), Farol Música, 2006)
[>> YouTube]

 

 

[instrumental]

 

Perdia meia hora parado em frente ao espelho,

mudava de camisa, vestia-me outra vez...

Fechava a porta à chave, acendia um cigarro

e ensaiando os gestos... passava já das três...

Vestia o meu casaco, corria sem parar

e à porta do cinema morria de pensar

que talvez não viesses, não pudesses entrar...

num filme para adultos... até te ver chegar...

 

Sábado à tarde, no cinema da Avenida,

mal as luzes se apagavam acendia o coração...

Sábado à tarde era uma noite bonita,

noite que sendo infinita

cabia na minha mão...

[bis]

 

Perdia meia hora num gesto do meu braço

a procurar coragem para que fosse abraço...

Chegava o intervalo, fumava sem prazer

e os gestos que ensaiara morriam ao nascer...

Por fim vencia o medo, quase sem te ver,

esquecia os meus dedos, cansados de tremer

por sobre o teu joelho, esperando a tua mão...

num filme para adultos... crescíamos então...

 

Sábado à tarde, no cinema da Avenida,

mal as luzes se apagavam acendia o coração...

Sábado à tarde era uma noite bonita,

noite que sendo infinita

cabia na nossa mão...

[bis]

 

[instrumental]

 

 

* Shegundo Galarza – teclados

Ramón Galarza – percussão, bateria

Nabo – guitarra baixo, guitarra eléctrica

Rui Cardoso – saxofones

Siegfried Sugg – acordeão

Adelaide Ferreira, Joana Mendes, Fátima Padinha, Lena Coelho, Mila Ferreira – coros

Arranjose direcção musical – Shegundo Galarza

Gravado nos Estúdios da Rádio Triunfo, Lisboa

Técnico de som – Rui Novais

URL:

http://www.paulodecarvalho.com/

http://www.myspace.com/paulodecarvalho

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_de_Carvalho

http://www.infopedia.pt/$paulo-de-carvalho

http://www.macua.org/biografias/paulodecarvalho.html

http://rubicat.no.sapo.pt/paulocarvalho.html

http://rubicat.no.sapo.pt/index.html

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/paulo_de_carvalho

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=2007

http://www.lastfm.pt/music/Paulo+de+Carvalho

 



publicado por Carlos Loures às 07:00
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
José Afonso: "Fui à Beira do Mar" - por Álvaro José Ferreira

No dia em que se assinalam os 25 anos do desaparecimento de José Afonso, o blogue "A Nossa Rádio" rende-lhe uma singela homenagem destacando um dos mais belos e, incompreensivelmente, menos divulgados espécimes do seu vasto legado poético-musical, "Fui à Beira do Mar". Um tema em que está bem expresso o empenho cívico e artístico de um homem que nunca calou a sua voz, apesar das imensas adversidades que enfrentou, tendo sempre em mira a «capital da alegria: cidade do homem, não do lobo mas irmão.» Uma mensagem de grande actualidade... Fui à Beira do Mar Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso* (in LP "Eu Vou Ser Como a Toupeira", Orfeu, 1972, reed. Movieplay, 1987, 1996) [>> YouTube]

 

 

 

[instrumental]

 

Fui à beira do mar
Ver o que lá havia;
Ouvi uma voz cantar
Que ao longe me dizia:

"Ó cantador alegre,
Que é da tua alegria?
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria!"

 

[instrumental]

 

Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"

Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia;
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia.

 

[instrumental]

 

Desde então a bater
No meu peito, em segredo,
Sinto uma voz dizer:
"Teima, teima sem medo!"

Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"

 

[instrumental]

 

* Trabalho de grupo de: Benedicto, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Afonso, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho
Produção – José Niza
Gravado nos Estúdios Celada, Madrid, de 6 a 13 de Novembro de 1972
Captação de som – Paco Molina, António Olariaga, Pepe Fernandez, Juan Carlos Ramirez e Juan António Molina
Mistura – Paco Molina
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2007
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL: http://www.aja.pt/
http://vejambem.blogspot.com/
http://www.myspace.com/associacaojoseafonso
http://www.youtube.com/associacaojoseafonso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Afonso
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
http://www.revues-plurielles.org/_uploads/pdf/17_16_5.pdf
http://www.arlindo-correia.com/080401.html
http://www.portaldofado.net/content/view/266/280/
http://fado.com/index.php?option=com_content&task=view&id=72&Itemid=67
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162335.html
http://delta02.blog.simplesnet.pt/
http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afonso.html
http://www.infoalternativa.org/radio/radio/jose-afonso_cantigas-do-maio/index.php?autoplay=1
http://www.myspace.com/joseafonso
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/jose_afonso
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=1350
http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afonso
 
Publicada por Álvaro José Ferreira em 11:28

 

 



publicado por Carlos Loures às 19:00
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
Igrejas Caeiro: "Perfil de um Artista'' - por Álvaro José ferreira

22 Fevereiro 2012


Com um percurso profissional repartido entre o cinema [participou, entre outros, nos filmes "Amor de Perdição" (1943), de António Lopes Ribeiro; "Camões" (1946), de José Leitão de Barros; "O Trigo e o Joio" (1965), de Manuel Guimarães], o teatro (contracenou em várias peças com Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho) e a rádio, foi efectivamente na rádio que Francisco Igrejas Caeiro mais se notabilizou, apesar da perseguição de que foi vítima pelo regime salazarista, mesmo depois de ter sido expulso da Emissora Nacional (1948), só porque o seu nome constava nas listas do M.U.D. (Movimento de Unidade Democrática).

 

O folhetim humorístico "Zéquinha e Lelé" (de 1947 a 1948, com Vasco Santana e Irene Velez, sua mulher, na Emissora Nacional), o programa itinerante de variedades "Companheiros da Alegria" (de 1951 a 1954, para o Rádio Clube Português), e, sobretudo, a impressionante série de entrevistas "Perfil de um Artista" (de 1954 a 1960, para o Rádio Clube Português), que contemplou 258 personalidades das artes e das letras portuguesas e estrangeiras (num total de 300 edições), garantem-lhe um lugar de destaque nos anais da rádio portuguesa. Pode mesmo dizer-se, em exagero, que o principal legado de Igrejas Caeiro para a posteridade é o conjunto de registos de "Perfil de um Artista", acervo de inestimável valor histórico e documental.

 

É muito provável até que para algumas figuras da cultura portuguesa do século XX o único registo de voz que exista é o desses fonogramas. Aquilino Ribeiro, José Rodrigues Miguéis, António Sérgio, Jaime Cortesão, Alfredo Guisado, Fernanda de Castro, Alves Redol, Manuel da Fonseca, Manuel Mendes, Natália Correia, Júlio Pomar, José Leitão de Barros, João Villaret, Vasco Santana, António Silva, Eugénio Salvador, Maria Lalande, Pedro de Freitas Branco e Fernando Lopes-Graça são alguns dos nomes que integram a extensa galeria de "Perfil de um Artista". Os registos (desconheço se todos – é bem possível que alguns tenham sido entretanto destruídos) estão soterrados e esquecidos sob o pó, no arquivo histórico da RDP. Ora o melhor tributo que a rádio pública pode prestar à memória de Igrejas Caeiro (e, bem assim, à dos seus eméritos entrevistados) é a transmissão de todas essas entrevistas, as quais muitas pessoas, salvo algumas de mais veterana idade, nunca ouviram.

 

Isto, se exceptuarmos as três ou quatro que Luís Caetano – honra lhe seja feita – resgatou às teias de aranha para presentear ao auditório d' "A Força das Coisas". Fica formalizada a proposta, na esperança de que não seja arrogantemente ignorada, como tem sido timbre da actual direcção de programas da RDP, deixando transparecer a ideia de que a satisfação umbilical do sr. Rui Pêgo é muito mais importante que a prestação de serviço público.

 

Pelo inegável valor documental que também tem, e por amável deferência da Sr.ª Luísa Barragon, aqui se deixa o registo de uma entrevista que o próprio Igrejas Caeiro concedeu a Carlos Pinto Coelho, em 1998, para o programa de rádio "Agora... Acontece!".

 

"Agora... Acontece!" N.º 007, de 16-Nov-1998 (entrevista com Igrejas Caeiro – a partir do minuto 20) >> MP3

 

 



publicado por Carlos Loures às 19:00
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO- por Álvaro José Ferreira

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»


Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberranteanormalidade. .

 

O Namoro
 
Poema: Viriato da Cruz (adaptado) [texto original >> abaixo]
Música e arranjo: Fausto Bordalo Dias
Intérprete: Sérgio Godinho* (in LP "De Pequenino se Torce o Destino", Guilda da Música/Sassetti, 1976, reed. Polygram, 1990, Universal, 2001) [>> YouTube]
 
 
[instrumental]
 
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse, ela tinha
um sorriso luminoso tão triste e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas, na fímbria do mar.
 
[instrumental]
 
Sua pele macia – era sumaúma...
sua pele macia, cheirando a rosas
seus seios laranja – laranja do Loge.
Eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.
 
[instrumental]
 
Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
«Por ti sofre o meu coração»
Num canto – SIM, noutro canto – NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
 
[instrumental]
 
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo e rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.
 
[instrumental]
 
Mandei à avó Chica, quimbanda de fama,
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e dele nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.
 
[instrumental]
 
Andei barbado, sujo e descalço
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
«– Não viu... (ai, não viu...?) não viu Benjamim?»
E perdido me deram no morro da Samba.
 
[instrumental]
 
Para me distrair
levaram-me ao baile do senhor Januário,
mas ela lá estava num canto a rir,
contando o meu caso
às moças mais lindas do Bairro Operário.
 
[instrumental]
 
Tocaram a rumba e dancei com ela
e num passo maluco voámos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí, Benjamim!"
 
Olhei-a nos olhos – sorriu para mim
pedi-lhe um beijo (ra ra ra ra ai... ra ra ra ra ai)
e ela disse que sim. [3x]
 
 
* Sérgio Godinho – voz e metalofone
Fausto Bordalo Dias – viola
Paulo Godinho – viola baixo
Direcção musical – Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias
Gravado nos Estúdios Rádio Triunfo, Lisboa, em Janeiro de 1976
Engenheiro de som – José Manuel Fortes


URL:

http://www.sergiogodinho.com/
http://www.myspace.com/sergiogodinhooficial
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Godinho
http://www.infopedia.pt/$sergio-godinho
http://www.pflores.com/sergiogodinho/index.php
http://www.vachier.pt/engine.php?cat=54
http://www.universalmusic.pt/artist.php?id=127
http://www.oocities.org/vilardemouros1971/sergiogodinho.htm
http://sg01.no.sapo.pt/sg.html
http://sgodinho.com.sapo.pt/sgodinho.html
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/sergio_godinho
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=2315
http://www.lastfm.pt/music/S%C3%A9rgio+Godinho
 
 
 
NAMORO
 
(Viriato da Cruz, in "Poemas", Lisboa: Casa dos Estudantes do Império, 1961; "No Reino de Caliban II", org. Manuel Ferreira, Lisboa: Seara Nova, 1975, reed. Lisboa: Plátano, 1988; "50 Poetas Africanos: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe", org. Manuel Ferreira, Lisboa: Plátano, 1989)
 
 
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas
Sua pele macia — era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce — como o maboque...
Seus seios, laranjas — laranjas do Loge
seus dentes... — marfim
                   Mandei-lhe essa carta
                   e ela disse que não.
 
Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
«Por ti sofre o meu coração»
Num canto — SIM, noutro canto — NÃO
                   E ela o canto do NÃO dobrou.
 
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...
                   E ela disse que não.
 
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
                   E o feitiço falhou.
 
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficámos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.
 
Andei barbado, sujo e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
«— Não viu... (ai, não viu...?) não viu Benjamim?»
E perdido me deram no morro da Samba.
Para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário.
 
Tocaram uma rumba — dancei com ela
e num passo maluco voámos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: «Aí, Benjamim!»
Olhei-a nos olhos — sorriu para mim
pedi-lhe um beijo — e ela disse que sim.
 



publicado por Carlos Loures às 07:00
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
"As Idades do Mundo": uma viagem pela História da Arte - por Álvaro José Ferreira

(publicado in A Nossa Rádio)





À direita: Francisco de Holanda, "O primeiro dia da criação do mundo: O caos e a criação da luz", in De Aetatibus Mundi Imagines, 1545-1547, Biblioteca Nacional de Espanha, Madrid)





«Tomando como ponto de partida a obra-prima do pintor português Francisco de Holanda De Aetatibus Mundi Imagines, ou Imagens
das Idades do Mundo
, realizada no triénio 1545-1547, onde, numa linguagem totalmente inovadora e através de mais de centena e meia de ilustrações, se narra a história do mundo a partir do primeiro dia da Criação, concebemos uma série de doze programas que toma como denominação parte daquele título.


As características cíclicas da história da Humanidade, aliadas à permanente influência e contaminação de vários tipos de linguagens e de imagéticas, proporcionaram o eterno retorno às concepções do passado, nem que fosse apenas para as renegar, sendo os mesmos temas, por diversas vezes e ao longo dos tempos, retomados e apreendidos de diferentes formas pelos seus autores.

 

 Tal como afirma o filósofo francês Gilles Deleuze ao caracterizar a
cultura universal como "a civilização da imagem", o tema principal
destas emissões será o da sua força e a poderosa capacidade de arrebatamento,
deleite ou, simplesmente, horror.

Privilegiando a música e a palavra que lhe está associada, abordaremos, ao longo dos próximos domingos, personalidades ímpares do génio artístico universal, as quais contribuíram, de forma indelével, para a renovação da imagem do mundo em diferentes momentos da História.» (Ana Mântua e João Chambers, in boletim de programação da Antena 2, Jan. 2012)



Saúda-se o surgimento na Antena 2 de mais uma série da autoria de Ana Mântua e João Chambers, que tão boa impressão e proveito já me haviam dado com "Divina Proporção" e "A Herança de Atena". Tendo a direcção de Rui Pêgo e João Almeida eliminado da grelha praticamente todos os conteúdos culturais não musicais em que João Pereira Bastos vinha apostando (hoje não há uma rubrica de poesia, não há teatro radiofónico, não há um programa de História, não há um programa de Sociologia/Antropologia, etc., etc.) tudo o que apareça nas vertentes culturais e artísticas fora do estrito domínio da música é de louvar.

O que não se compreende é que um programa que tem uma forte componente de palavra, como "As Idades do Mundo", tenha uma única passagem (domingos, 10:00-11:00). Será que a dupla Rui Pêgo / João Almeida ainda não percebeu que os programas de autor, particularmente os não (estritamente) musicais, devem passar, no mínimo, duas vezes, de preferência em quadrantes horários diferentes, de modo a chegaram ao máximo número de ouvintes possível?

 

 

 

 

Publicada por Álvaro José Ferreira em 12:26

 



publicado por Carlos Loures às 12:00
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - "Urgentemente" - por Àlvaro José Ferreira
 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente

incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Urgentemente

 

Poema: Eugénio de Andrade (adaptado) [texto original >> abaixo]

Música: Pedro Costa; Queco

Intérprete: Nortada* (in CD "Urgentemente: Memória dos Que Passam", Associação Ricardo Marques/Ovação, 1997) [>> YouTube]

 

 

[instrumental]

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar. [bis]

 

[instrumental]

 

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar. [bis]

 

[instrumental]

 

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios,

rosas e rios e manhãs claras.

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar. [bis]

 

[instrumental]

 

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar. [bis]

 

[instrumental]

 

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

 

 

* Nortada:

Ricardo Marques – voz

Queco – teclados

Santiago Ribeiro – saxofone

Carlos Costa – bateria

Pedro Costa – cordas e percussões

João Ricardo – baixo e guitarra clássica

Produção – Jorge Quintela

Gravado nos Estúdios Namouche, Lisboa

Técnico de som – João Pedro de Castro

URL: http://caldasnet.bizland.com/nortada.htm

http://pimentanegra.blogspot.com/2005/04/em-memria-de-ricardo-marques-mdico-e.html

http://www.myway.pt/#/musica/nortada/39524f8c-0718-46bb-ae38-c01362e5f9af.aspx

http://www.deezer.com/en/music/nortada/memoria-dos-que-passam-173393

 

  

URGENTEMENTE

 

(Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã", Lisboa: Guimarães Editores, 1956; "Antologia Breve", 7.ª edição, pág. 33, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 1999)

 

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

 

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

 

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

 



publicado por Carlos Loures às 07:00
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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - "Para não dizer que não falei de flores" - por Àlvaro José ferreira

 

 

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente

 incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Para Não Dizer que Não Falei de Flores

 

Letra e música: Geraldo Vandré

Intérprete: Teresa Paula Brito* (in EP "Para Não Dizer que Não Falei de Flores", Riso e Ritmo, 1968; CD "Teresa Paula Brito", col. Clássicos da Renascença, vol. 61, 2000) [>> YouTube]

Versão original: Geraldo Vandré (in single "Para Não Dizer que Não Falei de Flores / Se a Tristeza Chegar", Som Maior, 1968)

 

 

Caminhando e cantando e seguindo a canção,

Somos todos iguais, braços dados ou não,

Nas escolas, nas ruas, campos, construções,

Caminhando e cantando e seguindo a canção.

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber!

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

 

Pelos campos há fome em grandes plantações,

Pelas ruas marchando indecisos cordões;

Ainda fazem da flor seu mais forte refrão

E acreditam nas flores vencendo o canhão.

 

Há soldados armados, amados ou não,

Quase todos perdidos de armas na mão;

Nos quartéis lhes ensinam antigas lições

De morrer pela pátria e viver sem razões.

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber!

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

 

Os amores na mente, as flores no chão,

A certeza na frente, a história na mão;

Aprendendo e ensinando uma nova lição:

Caminhando e cantando e seguindo a canção.

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber!

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

 

 

* Conjunto de Shegundo Galarza

URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teresa_Paula_Brito

http://bissaide.blogspot.com/2006/03/voz-esquecida-de-teresa-paula-brito.html

http://guedelhudos.blogspot.com/search/label/Teresa%20Paula%20Brito



publicado por Carlos Loures às 07:00
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - "Avisem as Crianças" - por Àlvaro José Ferreira

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente

 incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Avisem as Crianças

 

Letra e música: João Lóio

Intérprete: João Lóio* (in CD "Canções de Amor e Guerra", JL, 2002) [>> YouTube]

 

 

Oh, meu Deus, deixaram as crianças

irem descalças para o mato!

não levam meias nem sapato,

sem um chapéu

lá vão todas contentes de corpinho ao léu!

 

e há tantos perigos, mais de cem

na terra africana, ó minha mãe!

não lhe faça mal nenhum leão

nem bicho-papão,

nem lhes queime o sol desse sertão!

 

mamaué! mamaué! mamaué!

 

Oh, alguém que avise esses meninos!

podem picar-se nos espinhos,

podem ferir os seus pezinhos,

pois nesse chão

tem sempre cobra que envenena o coração!

 

há gente que em vez de mandioca

semeia estilhaços numa toca!

ah, que essa semente de veneno

não vá rebentar num corpinho

tão leve e pequeno!

 

mamaué! mamaué! mamaué!

 

Oh, alguém que explique aos pequeninos

porque perderam os bracinhos,

porque andam sempre ao pé-coxinho

e que alivie

aquele eterno e grande espanto no olhar!

 

que lhes conte que há gente malvada

para quem pequeno não é nada!

vivem do feitiço de trocar

minas de diamante

por minas de aço lancinante!

 

mamaué! mamaué! mamaué!

 

Oh, meu Deus, deixaram as crianças

irem descalças para o mato!

não levam meias nem sapato,

sem um chapéu

lá vão todas contentes de corpinho ao léu!...

 

 

* [Créditos gerais do disco]:

 

Carlos Rocha – guitarras acústica e eléctrica

João Lóio – voz e guitarra acústica

Firmino Neiva – baixo eléctrico

Arnaldo Fonseca – acordeão

Mário Teixeira – caixa de rufo

Regina Castro, Guilhermino Monteiro – coros

 

Arranjos e direcção musical – Carlos Rocha, Firmino Neiva e João Lóio

Gravado por Fernando Rangel, nos Estúdios Fortes & Rangel, Porto, em Abril de 2002

Mistura – Fernando Rangel, Carlos Rocha, Firmino Neiva e João Lóio

Masterização – Fernando Rangel

URL: http://www.joaoloio.com/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_L%C3%B3io

http://www.lastfm.pt/music/Jo%C3%A3o+Loio

 



publicado por Carlos Loures às 07:00
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - "As Balas" - Por Álvaro José Ferreira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

  

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

As Balas

 

Poema: Manuel da Fonseca

Música: Adriano Correia de Oliveira

Intérprete: Adriano Correia de Oliveira* (in LP "Que Nunca Mais", Orfeu, 1975, reed. Movieplay, 1997; "Obra Completa": CD "Adriano Canta Manuel da Fonseca", Movieplay, 1994, 2007) [>> YouTube]

 

 

[instrumental]

 

Dá o Outono as uvas e o vinho

Dos olivais azeite nos é dado

Dá a cama e a mesa o verde pinho

As balas deram sangue derramado

 

Dá a chuva o Inverno criador

Às sementes dá sulcos o arado

No lar a lenha em chama dá calor

As balas deram sangue derramado

 

Dá a Primavera o campo colorido

Glória e coroa do mundo renovado

Aos corações dá o amor renascido

As balas deram sangue derramado

 

[instrumental]

 

Dá o sol as searas pelo Verão

O fermento no trigo amassado

No esbraseado forno cresce o pão

As balas deram sangue derramado

 

Dá cada dia ao homem novo alento

De conquistar o bem que lhe é negado

Dá a conquista um puro sentimento

As balas deram sangue derramado

 

De meditar, concluir, ir e fazer

Dá sobre o mundo o homem atirado

À paz de um mundo novo de viver

As balas deram sangue derramado

 

[instrumental]

 

Dá a certeza, o querer e o construir

O que tanto nos negou o ódio armado

Que a vida construir é destruir

Balas que deram sangue derramado

 

Essas balas deram sangue derramado

Só roubo e fome e o sangue derramado

Só ruína e peste e o sangue derramado

Só crime e morte e o sangue derramado

 

[instrumental]

 

 

* [Créditos gerais do disco:]

Fausto Bordalo Dias – guitarra acústica, percussão, kazu, coros

Júlio Pereira – guitarra solo, baixo, piano, órgão, bandolim, bouzuki, cadeira, coros

Zau e Pantera – percussões

José Luís Simões – trombones de varas

Vitorino Salomé – acordeão

Carlos Paredes – guitarra portuguesa

Arranjos e direcção musical – Fausto Bordalo Dias

Biografia e discografia em: A Nossa Rádio

URL: http://www.adrianocorreiadeoliveira.com/

http://adriano.esenviseu.net/index.asp

http://www.myspace.com/adrianocorreiadeoliveira

http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano_Correia_de_Oliveira

http://www.avintes.net/adriano.htm

http://www.artistas-espectaculos.com/discos/pt/adriano+correia+de+oliveira.htm

http://guedelhudos.blogspot.com/search/label/Adriano%20Correia%20de%20Oliveira

http://www.portaldofado.net/content/view/279/280/

http://fado.com/index.php?option=com_content&task=view&id=59&Itemid=67

http://deltagata.no.sapo.pt/adriano.html

http://adrianocorreiadeoliveira.blog.simplesnet.pt/

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/adriano_correia_de_oliveira

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=44

http://www.lastfm.pt/music/Adriano+Correia+de+Oliveira

 

 


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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - "Fiz um Contrato com o Vento" - por Álvaro José Ferreira
 

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar:

 

 «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

  

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Fiz Um Contrato com o Vento

 

Letra: Eduardo Olímpio

Música: Paco Bandeira (Francisco Veredas Bandeiras)

Intérprete: Paco Bandeira* (in LP "O Alentejo Quer Um Homem Que Saiba Mandar", Decca/VC, 1975; 2LP/CD "O Melhor de Paco Bandeira", EMI-VC, 1989; CD "O Melhor de Paco Bandeira", Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)

 

 

Fiz um contrato com o vento

De não me deixar prender,

Nem por oiros nem por falas

Nem por balas de morrer.

 

Fiz um contrato com o vento

Que hei-de cumprir por inteiro:

Dizer pão e dizer povo

Desde Janeiro a Janeiro.

 

Fiz um contrato com o vento

Sobre as arribas da serra,

De só apertar a mão

A quem disser não à guerra.

 

Fiz um contrato com o vento

Sobre as arribas da serra,

De só apertar a mão

A quem disser não à guerra.

 

Fiz um contrato com o vento

Que o vento não sabe ler,

Mas entende deste mundo

Mais que os livros de saber.

 

Fiz um contrato com o vento

Entre estevas e pinhais;

Posso cantar toda a noite

Que ninguém me prende mais.

 

Ninguém me rasga a canção

Na liberdade que invento,

Que o vento é meu aliado

E ninguém amarra o vento.

 

Ninguém me rasga a canção

Na liberdade que invento,

Que o vento é meu aliado

E ninguém amarra o vento.

 

 

* Arranjo – Jorge Palma

 

 

URL:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paco_Bandeira

http://www.infopedia.pt/$paco-bandeira

http://www.youtube.com/pacobandeira2008

http://delta02.no.sapo.pt/pacobandeira.html

http://pbandeira.com.sapo.pt/index.html

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/paco_bandeira

http://cotonete.clix.pt/artistas/musicas.aspx?id=1971

http://www.lastfm.pt/music/Paco+Bandeira

 



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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO -"Vou levar-te comigo" - por Àlvaro José Ferreira

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'. O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Vou Levar-te Comigo

 

Letra e música: Raul Aires Peres (Raul Indipwo)

Intérprete:

 

  

[instrumental]

 

Menina bonita

Com tranças de trigo,

Sorrindo à janela,

Vem cantar comigo!

Os homens fizeram

Um acordo final:

Acabar com a fome,

Acabar com a guerra,

Viver em amor.

 

Vou levar-te comigo,

Vou levar-te comigo,

Vou levar-te comigo, meu irmão,

Vou levar-te comigo.

[bis]

 

[instrumental]

 

Olá, companheiro

Do fato rasgado,

Não estendas a mão,

Foge do passado!

Que os homens fizeram

Um acordo final:

Acabar com a miséria,

Acabar com a guerra,

Viver em amor.

 

Vou levar-te comigo,

Vou levar-te comigo,

Vou levar-te comigo, meu irmão,

Vou levar-te comigo.

[bis]

 

[instrumental]

 

Olá, avozinha,

Poetas, pastores,

Estudantes, ministros,

Rameiras, doutores!

Os homens fizeram

Um acordo final:

Acabar com a fome,

Acabar com a guerra,

Viver em amor.

 

Vou levar-te comigo,

Vou levar-te comigo,

Vou levar-te comigo, meu irmão,

Vou levar-te comigo.

[3x]

 

 

*
[Créditos gerais do disco:]

 

Raul Indipwo – voz, kissange

Milo MacMahon – voz

Mário Rui – guitarra

Mike Sergeant – guitarra

D'Jilá Jr. – guitarra de 12 cordas

Nabo – guitarra baixo

José Cid – acordeão

Formiga – coros

Pom – coros

Gravado nos Estúdios Arnaldo Trindade, Lisboa

Técnicos de som – Moreno Pinto e Manuel Cunha

URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Duo_Ouro_Negro

http://www.infopedia.pt/$duo-ouro-negro

http://www.macua.org/biografias/duoouronegro.html

http://www.oocities.org/vilardemouros1971/duoouronegro.htm

http://duoouronegro.blogspot.com/

http://www.attambur.com/Noticias/20062t/RaulIndipwo.htm

http://duo01.no.sapo.pt/duo.html

http://deltacat01.com.sapo.pt/duovideo.html

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/duo_ouro_negro

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=772

http://www.lastfm.pt/music/Duo+Ouro+Negro

 



publicado por Carlos Loures às 07:00
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