Andreia Dias Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)
Não é habitual, mas confesso… desta vez, neste novo projecto, tive um animal preferido… estas coisas acontecem, como as paixões, os amores, as amizades… que fogem das nossas vontades, dos nossos desejos.
A águia-pesqueira, embora se encontre em todos os continentes, sofreu acentuado declínio nas últimas décadas, em determinadas regiões. Em Portugal, deixou de reproduzir-se em 1997, na Costa Vicentina, quando morreu a última fêmea do último casal reprodutor. O macho, encontrou uma fêmea em 2002 mas o novo casal, nunca chegou a nidificar.
Terá sido uma ave nidificante comum e existem registos de ninhos desde Leiria até ao Algarve.
Todos os anos são observadas águias-pesqueiras em Portugal, quando efectuam os seus movimentos migratórios desde o Norte da Europa, onde as populações são abundantes e onde nidificam, até África e vice-versa. No entanto, são animais de passagem que não permanecem no nosso território para se reproduzirem.
Ao abrigo do “projecto de reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal” do CIBIO, financiado pela EDP, chegaram a Portugal em Julho, 10 juvenis (5 da Finlândia e 5 da Suécia). Os jovens foram recolhidos com cerca de 5 semanas e trazidos para a Barragem do Alqueva, onde por volta da 7ª semana apreendem o local onde estão inseridos, como sendo o local aonde nasceram e onde voltarão para nidificar, 2 anos após a libertação. No fundo, são “enganadas”…pensam que nasceram no Alqueva e aí voltarão para se reproduzirem. Esta técnica denomina-se “reintrodução através do método de hacking” e foi já utilizada, nesta e noutras espécies com sucesso, em vários locais dos Estados Unidos, no Reino Unido e em Espanha. No nosso país, o Alqueva foi escolhido como primeiro ponto de reintrodução.
Mas, dizia eu… tive a sorte de ir à Finlândia buscar 5 aguiotos e acompanhar Pertti Saurola, biólogo de 72 anos que monitoriza a espécie na Finlândia desde a década de 1970. Todos os casais estão monitorizados e todos os anos, as crias são religiosamente anilhadas por ele. Sobe os pinheiros de 25m de altura, como quem sobe umas simples escadas. Apenas com ganchos metálicos nos pés, a jovialidade do espírito reflecte-se na agilidade deste experiente escalador.
A 200km a Norte de Helsínquia, Pertti foi chamado para uma emergência: um adulto de águia-pesqueira estava morto num lago: seria um macho? Uma fêmea? E haveria ninho, com crias? Rapidamente nos fizemos à estrada e ao barco (num lago dos tantos que lá existem). Um residente indicou-nos uma pequena ilha com um ninho no topo de um grande pinheiro… e um adulto de águia-pesqueira a tentar defender o ninho de intrusos. Pertti subiu e logo me comunicou a existência de 2 crias. A defensora era a mãe e decidimos deixar-lhe 1 cria e trazer a outra para Portugal. Foi amor à primeira vista. Desde logo nutri uma ternura especial por esta ave. Além de ser a primeira que recolhemos na Finlândia, tinha acabado de perder o pai… Nesta espécie, é o macho que pesca para as crias a maioria das vezes. Seria muito arriscado deixar ao encargo da fêmea, 2 crias para alimentar. E assim viajou para Portugal, juntamente com mais 4 crias de outros ninhos. Já em Portugal, após análises sanguíneas, a águia órfã revelou-se macho.
Era nitidamente a águia dominante da jaula onde estava. Na hora da refeição, sempre garantia ser o primeiro e vocalizava como que refilando, para assegurar a sua primazia. Habitualmente vencia e rapidamente guarnecia o papo…
Quando as libertámos, o P00 (“P” de Portugal, zero, zero), ou mais tarde baptizado pelo Luís de “Zero Zero Sputnik”, continuou a ter o comportamento de dominância quando fornecíamos peixe nos alimentadores artificiais. Podia estar ausente, mas aparecia na hora da refeição e marcava a prioridade com vocalizações bem audíveis… expulsava todos os milhafres e gaivotas que tentavam poisar na zona e foi a primeira águia a fazer voos exploratórios alargados.
Chegámos a encontrá-la de barco, a 3km de casa, quando todas as outras águias ainda se mantinham na zona de libertação.
Num fim-de-semana que vim a casa, avisaram-me que o Sputnik tinha ido embora… “já não jantou ontem nem almoçou hoje…foi para Marrocos”. Confesso que fiquei triste… o bicho foi-se embora sem se despedir… mas… no dia seguinte, quando fui observar as águias ao jantar, e como todas tinham emissor, detectei-a no receptor e qual não foi o espanto… o Sputnik estava de volta! Chegou sôfrego e esfomeado. A verdade é que “sentia” que não iria embora sem me dizer adeus…
A nossa amiga Andreia Dias, bióloga, foi à Finlândia participar na captura de crias de Águia Pesqueira a introduzir em Portugal onde esta ave tinha deixado de nidificar. O "Projecto de reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal", em que a Andreia é a coordenadora executiva, é desenvolvido pelo CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos) da Universidade do Porto, e financiado pela EDP.
Este primeiro vídeo irá passar nas viagens dos aviões da TAP que financiou o transporte das águias da Suécia e da Finlândia e parte da viagem da Andreia à Finlândia.
O segundo vídeo, da autoria da EDP, refere-se à libertação das aves já em Portugal, no Alqueva. A equipa observa o primeiro voo de cada uma das jovens águias e monitoriza a sua localização.
Boa sorte, Andreia!
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
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Paulo Rato
Paulo Serra
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Pedro de Pezarat Correia
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