A organização da edição de 25 de Abril foi difícil, muito trabalhosa, e não era possível à coordenação, na edição de hoje, repetir o mesmo volume de trabalho. Programámos uma sequência de posts, recorrendo o menos possível a ajudas exteriores, procurando deliberadamente cobrir toda a edição com colaboração de argonautas.
Agradecemos a todos os amigos que connosco colaboraram. Poucos dias depois de uma edição de grande fôlego, pudemos assinalar este Dia do Trabalhador, com poemas, artigos e desenhos, usando quase exclusivamente a «prata da casa», o que é extramente importante. O número de visitas (mais de 600, às 22.30) e de leituras de página (mais de 1800, à mesma hora), mostra que o nosso trabalho não foi em vão. Vamos ouvir o hino dos trabalhadores – A INTERNACIONAL.
Carlos Loures e João Machado
O problema da UE é essencialmente político. Nos seus órgãos centrais sente-se excessivamente o peso da Alemanha e da França. A reunificação alemã agravou consideravelmente o desequilíbrio entre os países do norte e do sul da Europa, que já existia anteriormente, mas que se agravou consideravelmente desde então. O grande peso político da Alemanha ajudou-a inclusive na trocas económicas e nas manobras financeiras. Quem não percebe que o caso dos submarinos vendidos a Portugal, pagos praticamente a pronto, não se resumiu a um simples caso de corrupção, mas do que isso, tem na sua essência um problema de influência política de um país poderoso sobre outro.
Ontem no Público, Rui Tavares descreveu a visita do primeiro-ministro italiano Mario Monti ao Parlamento Europeu (PE). Ali referiu que o euro se está a tornar num factor de divisão dos europeus, repudiando a divisão entre países centrais e países periféricos, e lembrou que a França e a Alemanha foram os primeiros países a quebrar o pacto de estabilidade e crescimento, ultrapassando os limites ao défice. Rui Tavares recorda a péssima gestão da chamado crise do euro, e as responsabilidades a este respeito de Merkel e Sarkozy.
Mário Monti defendeu várias outras coisas no PE. Uma delas foi a necessidade do investimento público para o crescimento económico. E que sem este a reforma fiscal será em vão. Mostrou querer romper activamente o duopólio franco-alemão. O futuro dirá se esta intervenção terá seguimento.
Será de acrescentar que o problema europeu, e o de outras partes do mundo, não terá uma evolução favorável sem o controlo dos mercados, para que estes aceitem obedecer a regras. Ainda ontem mais outra notação da Fitch deu novo empurrão à Grécia no caminho para a falência. É inegável que se trata de um fenómeno que vai ter repercussões em toda a Europa e no resto do mundo.
A Argos está a ser gravemente sacudida por um tufão. Um dos timoneiros tem o sistema fora de acção, outro teve de se deslocar a Norte.
Hoje e amanhã a publicação vai ficar afectada, podendo haver interrupção de algumas séries de publicação diária. A partir de sábado esperamos ir conseguindo repor a publicação normal.
Diário de bordo
Todos conhecem o mito de Sísifo, condenado pelos deuses a fazer rolar uma pedra até ao cimo de uma montanha. Logo que Sísifo alcançava o pico, a pedra caía até ao sopé e o pobre Sísifo reiniciava a tarefa de a levar até ao cume. Moral do mito: não há castigo mais terrível do que ter de realizar um trabalho inútil. Mas. Homero considerou Sísifo um herói, e Albert Camus dedicou um profundo ensaio ao Mito de Sísifo que até serve para jornalistas desportivos mais cultos e imaginosos ilustrarem jogadas perfeitas de futebol que não terminam em golo, tendo tudo de voltar ao princípio.
Muitos dos colaboradores deste blogue, vêm do Estrolabio que soçobrou por não conseguir ultrapassar a divergência entre concepções diferentes sobre o que é e para que serve um blogue – a pedra ia já a meio da encosta, quando caiu. E cá estamos nós a empurrá-la de novo.
Foi, no entanto, noutro mito da Grécia Antiga – o de Jasão e os Argonautas, nas sua demanda do Velo de Ouro que baseámos o título deste projecto. Defenderemos aqui os princípios que defendemos no Estrolabio. Para nós o Velo de Ouro é a afirmação daquilo em que acreditamos, ou melhor, daquilo em que cada um acredita e defende. Seremos um espaço plural onde é proibido proibir ideias políticas, científicas, filosóficas, crenças religiosas…
São bem-vindos todos os que defenderem a Liberdade. Respeitando estes princípios, queremos, ganhar o nosso espaço, lutando pela qualidade e pela liberdade de expressão, pela isenção. Aceitamos colaboradores de todas as ideologias e filiações partidárias, desde que democráticas, mas recusamos que no blogue se defendam políticas partidárias ou se tente fazer proselitismo.
Recusamos também a análise imediatista. Apostamos na crítica construtiva, consistente e portadora de alternativas. Não aceitaremos difundir boatos. O debate de ideias será feito com respeito pelas ideias alheias. Quem critica, fá-lo-á atacando ideias, mas respeitando pessoas. Estaremos muito atentos ao mundo da cultura – livros, filmes, peças de teatro, exposições de arte – sem a preocupação de uma cobertura exaustiva - merecerão a nossa especial atenção. Uma agenda cultural publicada aos Domingos completará essa acção informativa. E apresentaremos, sempre que possível, textos literários originais – contos, poemas, críticas.
Resumindo - desejando-se a maior liberdade, mas há princípios a respeitar, pelo que algumas «liberdades» - as tais que afrontam a Liberdade - não serão aceites. E é com esta pequena quantidade de princípios e com este reduzido capital de intenções que vamos começar.
Força nos remos, pois os ventos não ajudam.
O blogue em movimento
O I Concurso de Blogocontos de A viagem dos Argonautas correu bastante bem, com 42 originais apresentados e com a participação de bloguistas e visitantes.
Segue-se, dentro de dias, o debate sobre um tema importante – a Democracia – contamos apresentar muito em breve o esquema de funcionamento e as datas em que a iniciativa decorrerá – estamos a pensar numa semana.
Para Fevereiro está previsto um Encontro onde será equacionada a questão «Que blogue queremos?». Em princípio, será no dia 11, um Sábado.
Em Março e Abril projectamos alguns dias temáticos – o dia de Lisboa, o dia Galiza, o dia do Porto, o dia de Cabo Verde, o dia de Coimbra, o dia da Catalunha, o dia do Alentejo…
Em suma, o nosso blogue nunca pára.
Até ao final desta semana esperamos poder anunciar os títulos dos trabalhos e os nomes dos autores vencedores do I Concurso de Blogocontos de "A Viagem dos Argonautas". Publicaremos os três contos premiados, imediatamente a seguir a esse anúncio.
Na próxima sexta-feira, dia 6, dedicaremos algum espaço ao centenário da Professora Elza Paxeco, uma investigadora nascida no Brasil e que estudou em universidade brasileiras e britânicas, vindo a doutorar-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi a primeira mulher a doutorar-se naquela faculdade.
No princípio da próxima semana lançaremos as bases de um amplo debate sobre a Democracia. Todos, colaboradores e visitantes, terão oportunidade de participar.
Em seguida anunciaremos como podem os visitantes e colaboradores intervir no debate sobre a Democracia
Hoje, a exemplo do que já temos feito, vamos falar de nós.
Começámos as nossas edições regulares no dia 1 de Setembro do ano que findou - tínhamos iniciado as edições experimentais em finais de Julho. Os números de visitas e de leituras têm vindo a aumentar de uma forma sustentada e satisfatória: as visitas foram 8158 em Setembro, 9730 em Outubro, 16 574 em Novembro e 19 516 em Dezembro. Estamos a caminho das 60 000 visitas e das 120 000 leituras. Um crescimento relativamente rápido.
Neste último mês atingimos uma média diária de 631 visitas. O número de leituras acompanhou a subida das visitas e em Dezembro foi de 33 227, ou seja 1071 de média diária. Sabemos que, quando comparados com os níveis atingidos por alguns outros blogues, estes números são insignificantes. Mas também sabemos que podíamos apresentar números diferentes, muito superiores, se abdicássemos de certos princípios. No entanto, se para termos mais visitantes temos de abordar temas que nos façam perder os que agora nos visitam, não estamos interessados. Por exemplo, o futebol é um tema muito apelativo - porém recusamos abordá-lo de outra perspectiva que não seja a de referir a sua história ou de o analisar como fenómeno social. Entrar na discussão casuística, do penálti que foi ou não foi assinalado, seria abrir portas a um tipo de debate que nos traria leitores, mas que definitivamente naõ nos interessa.
O tencionarmos manter a postura actual, não significa que não queiramos melhorar. Nesse sentido, seria muito útil que quem nos visita nos apontasse erros e fizesse sugestões. Vamos introduzindo novas séries, criando iniciativas que nos parecem úteis, mas falta-nos o eco, o retorno do trabalho que fazemos.
Quem nos lê podia, de vez em quando, dizer "olá!". Os «olás» que nos chegam, sendo bem-vindos, são escassos.
Isto é um apelo.
Têmo-lo anunciado - a partir de segunda-feira, dia 2 de Janeiro de 2012, há algumas novidades na nossa programação diária - mantendo a abertura às 7 horas com os temas de Ao Romper da Bela Aurora, teremos às 8, servida em Um Café na Internet - A Grande Poesia, dando sequência a séries temáticas de poesia - A palavra do poeta, com as excelentes fotografias de José Magalhães; A Avenida da Poesia, poemas ilustrados com belas reproduções de Adão Cruz; a série de poetisas de língua portuguesa - teremos agora poemas dos grandes génios da arte poética - William Shakespeare, Charles Baudelaire, Feranando Pessoa, Pablo Neruda, Goethe, Carlos Drummond de Andrade... Com versões portuguesas e (sempre que possível) com a versão original. As ilustrações serão do pintor russo Vladimir Kush, considerado o sucessor de Dalí.
Às 10, continuará a Península/Penintsula, dirigida pelo Pedro Godinho, abordando as questões do colonialismo castelhano e não só; às 11, manteremos o Diário de Bordo, o nosso editorial, onde falamos do mundo e de nós. Às 13/13.30 é a vez da economia, com trabalhos selecionados pelo Júlio Marques Mota e com o Daily Briefing Long Version, a cargo de Domenico Mario Nuti, que nos mantêm a par das principais ocorrências na Europa e no Mundo. Às 14 chega a Antropologia pela mão de Raúl Iturra e às 15 a segunda edição de Um Café na Internet, com crónicas, contos e o mais que a imaginação do João Machado conceba.
Às 16 horas, mais uma novidade - o historiador José Brandão, para que a memória não morra, traz-nos uma série de Livros Proibidos nos últimos anos da Ditadura. Salazar e Caetano temiam os livros, ou melhor, "alguns" livros - por que motivo seria? E às 17 horas a Clara Castilho prosseguirá com o seu Para o desenho da vida, que tantas e tão boas surpresas nos oferece.
Às 18 - momento de beleza - O Jardim das Delícias- poemas, contos, privilegiando a produção dos argonautas, e belas ilustrações de Adão Cruz, a Augusta Clara viola o que manda uma tabuleta na entrada de um jardim (em Tharbes) «Não tragam flores para o jardim" - no seu jardim podem entrar flores e ainda bem. Neste horário, às segundas-feiras o Estuário do Adão Cruz substitui o Jardim. Um rio pelo qual nos chegam poesia e arte. Revolta, às vezes.
A 20 sáo hora de olharmos para dentro da nossa Argos, o espaço dedicado às nossas iniciativas. O I Concurso de Blogocontos está a chegar ao fim, anunciando nós dentro de dias os títulos das obras vencedoras e os nomes dos respectivos autores. Logo depois, lançaremos um amplo debate sobre um tema que alguns dizem ser indiscutível - a Democracia.
As 21 horas vão ser dedicadas a um tema importante, seja ele de arte, literatura, economia, história...Às 22 chegam os temas económicos pela mão sabedora de Júlio Marques Mota. Temas que ganham nova expressão no oceano encapelado que atravessamos...
E às 23, Terna é a Noite, Augusta Clara escolhe uma canção que acompanhe os sonhos dos que vão dormir mais cedo ou dê forças para os que se deitam tarde fiquem acordados. Nós, por exemplo, continuamos acordados e à meia-noite teremos mais um texto que consideremos importante. Aos Domingos, o Rui de Oliveira oferece-nos o seu Pentacórdio, uma magnífica agenda cultural para nos guiar durante a semana. À uma da manhã, fechamos com um Até já. Tentaremos, antes da despedida, deixar-vos uma pequena surpresa - De sábado para domingo, nesta rubrica, a bem dizer a primeira de cada dia, incluiremos O Pato algemado.
E às sete, temos Ao Romper da Bela Aurora...
Às 12 horas começaremos a publicação de uma nova obra de Sílvio Castro

Um romance político Viagem com Pasqualini
Às 20 horas e durante alguns dias publicaremos artigos de diversos autores sobre o Fado que está a ser avaliado por peritos da UNESCO no âmbito da candidatura a Património Imaterial da Humanidade.

A decisão da UNESCO será anunciada no dia 27 de Novembro.
Às 24 horas uma curta série do Professor Raúl Iturra - Engaño y compasión de una crianza - a exploração dos mineiros chilenos
Às 12 horas começaremos a publicação de uma nova obra de Sílvio Castro

- o romance político Viagem com Pasqualini
Às 20 horas e durante alguns dias publicaremos artigos de diversos autores sobre o Fado que está a ser avaliado por peritos da UNESCO no âmbito da candidatura a Património Imaterial da Humanidade.

A decisão da UNESCO será anunciada no dia 27 de Novembro.
Às 24 horas uma curta série do Professor Raúl Iturra - Engaño y compasión de una crianza - a exploração dos mineiros chilenos
Voltou a falar-se da privatização da RTP. Pelo menos de um dos canais. Entretanto os dois canais privados afirmam que não lhes agrada a hipótese. Obviamente temem que apareça outro concorrente no terreno, que lhes levante problemas mais complexos dos que os actuais. Embora se fale muito dos custos que a RTP actualmente impõe ao erário público, qual será a saída para este caso? Já se fala na criação de uma empresa mista de capitais públicos e privados para assegurar o funcionamento do canal “privatizado”. Mais uma parceria público-privada?
Diário de Bordo leu na imprensa que está pronta a funcionar uma base de drones na Etiópia. Estas máquinas voadoras parecem ter um alcance considerável, e são manejadas pelas forças militares e também pela CIA. Os americanos utilizam-nas no Afeganistão, Paquistão e outras zonas onde marcam presença. Assim reduzem a exposição dos seus soldados aos combates. E fazem aumentar os perigos para as populações civis. Parece que agora chegaram a África.
Obama anunciou a saída das tropas americanas do Iraque até ao fim do ano. Pelo menos é uma promessa eleitoral que cumpre. Faltam outras, como acabar com a prisão de Guantánamo. E o sistema de saúde que pretende assegurar aos americanos parece muito ameaçado. Criou muitas esperanças, mas não as cumpriu. Durante o seu mandato aprofundou-se o fosso entre ricos e pobres, nos EUA. Muitos americanos encostam-se à direita, convencidos que esta lhes trará a prosperidade. Uma reeleição problemática?
Apesar da antipatia de grande parte da comunicação social, o movimento dos Indignados e do Occupy Wall Street continua a ter aceitação. Contudo, nos EUA e na Europa, muitas manifestações estão a ser reprimidas, com acusações do tipo: fazem barulho, sobrecarregam as casas de banho dos locais onde fazem manifestações, etc.
Na Barraca, antigo Cinearte, em Santos, está D. Maria, a Louca, sobre a vida da rainha D. Maria I. Uma interpretação colossal da Maria do Céu Guerra. E uma encenação a acompanhar excelentemente.
Parece que a União Europeia quer perdoar metade da dívida pública grega. O problema é que são bancos privados os credores de boa parte dessa dívida, e não estão para. E há três bancos portugueses entre esses credores, o BCP, o BPI e a Caixa. Eis-nos divididos: perdoar aos gregos seria conveniente (até para ver se nos perdoam daqui a uns dias), mas o dinheiro dos nossos bancos (nossos? Até parece o Angola é nossa. Alguém dá alguma coisa pela minha parte?) vai-se. Será mesmo de perdoarmos aos gregos, que dizem?
Consta que o Passos Coelho é contra o perdão à Grécia. Será que não vai pedir para Portugal o mesmo regime que parece que vão aplicar à Grécia? Se se confirmar, quando nos sentimos atrapalhados, podemos passar a dizer "vemo-nos portugueses" em vez de "vemo-nos gregos". Não será bem por uma questão de patriotismo. É que neste caso há razões redobradas para atrapalhação.
De qualquer modo, esperemos que o Senhor Primeiro Ministro explique bem as suas razões. Entretanto, em França, o Nicolas Sarkozy (perdão, o Senhor Presidente Sarkozy), quer pôr o novel Fundo Europeu de Reequilíbrio Financeiro – FEEF a fornecer os fundos para a recapitalização dos bancos. Mas sem o Estado ficar com parte dos bancos, ou outro regime que se pareça. Estão a ver, nós pagamos, e os banqueiros vão jogar com os novos capitais. Parece que a única restrição que querem pôr aos banqueiros é não haver distribuição de dividendos sem o acordo do Estado. E já sabemos como é… fica escrito, mas depois se vê… Leiam a este respeito o artigo saído no Le Monde, do Georges Ugeux, que A Viagem dos Argonautas publica já a seguir, às 13.30 horas, traduzido pelo argonauta Júlio Marques Mota.
Os nossos militares estão a manifestar muita insatisfação com as medidas governamentais, a começar com a proposta de orçamento. Parece que não se poderá contar com eles, se se quiser entrar à Pinochet. Bem, o orçamento que nos querem espetar é do mesmo tipo do que foi imposto no Chile, quando o senhor general fez o que se sabe.. E o mentor é o mesmo: Milton Friedman. Já não está neste mundo, mas os sucessores abundam. Entretanto, há informações sobre a presença na Grécia da European Gendarmerie Force, criada em 2007, por cinco países, um dos quais Portugal.
Depois do ferro em Trás-os-Montes, do gás natural no Algarve, e de outras promessas, chegou a vez do ouro no Alentejo. Desculpem, mas, caramba, que fartura! E assim, no meio desta crise. Esperemos é que não seja como aqueles convivas, na festa, na Cidade e as Serras, que queriam extorquir umas massas ao Jacinto, e diziam que era para explorar rubis (perdão, seriam esmeraldas?) na Birmânia. E como o Jacinto hesitasse, perguntasse se havia estudos a comprovar a existência das esmeraldas, um dos convivas (com certeza já bem atestado), respondia: "Está claro que há esmeraldas! Há sempre esmeraldas desde que haja accionistas!"
Só para navegarmos mais um pouco, na Visão da semana passada, o Pedro Norton, diz, na sua coluna de opinião, que “…convém perceber o seguinte: Portugal compete no terrível campeonato da credibilidade. Genericamente percebido como mais um laxista país do Sul, merece tanta condescendência por parte da Europa civilizada como a que nós, cubanos, temos pela Madeira de Jardim. Zero.” Oh Pedro, desculpe, mas se fosse assim tínhamos sempre os buracos tapados, tal como tapamos os do Alberto João.
O orçamento enche o horizonte, embora ainda deixe um espaço para as manifestações dos Indignados. Mas os dois giram à volta do mesmo fenómeno: a tentativa de reconstruir a nossa sociedade, de modo a prolongar a vida do capitalismo, e consolidar o poder do que eufemísticamente se chama os mercados, e que mais cruamente se chama a oligarquia, a funcionar a nível mundial. Eis a única coisa que realmente se globalizou, a oligarquia. Apenas algum desporto profissional, com a ajuda da televisão, tem tido também algum êxito no capítulo, a uma distância muito grande.
Esta noite, a Clara Ferreira Alves, no Eixo do Mal da SIC Notícias, chamou a atenção para que a seguir aos cortes brutais nos vencimentos e pensões da função vamos assistir ao agravamento da emigração, e que se vai passar à segunda fase do processo: as privatizações a preço de saldo de tudo o que valha alguma coisa. Ela ou outro dos elementos do programa, não me lembro se o Daniel Oliveira ou o Pedro Marques Lopes, referiram que se prepara o fim do serviço nacional de saúde e do ensino público em Portugal, como de tudo o que o que se terá progredido depois do 25 de Abril. O Luís Pedro Nunes levantou mesmo a hipótese de Pedro Passos Coelho não ter a noção de para onde está a levar o país.
A 9 ou 10 de Setembro já aqui tínhamos recordado The Shock Doctrine, the Rise of Disaster Capitalism, o livro em que Naomi Klein descreve uma série de reestruturações efectuadas em países saídos de uma crise, financeira ou de outro tipo. Foram todas conduzidas no sentido de desarticular as bases da estrutura económica do país em questão, para depois os elementos estratégicos dessa estrutura serem vendidos o mais barato que possível. É o que neste momento se está a preparar em Portugal. Com a agravante de que o Primeiro Ministro dá cada vez mais a impressão de ser uma pessoa muito impreparada, e de o governo, globalmente, apenas estar preocupado com arranjar dinheiro de qualquer maneira para tapar o défice.
Ouvi na rádio, enquanto guiava, que alguém da União Europeia mandou um recado ao nosso Primeiro dizendo-lhe que o que está a afundar o nosso país são o défice da Madeira e o arrefecimento da economia ao nível internacional, que impede as nossas exportações de aumentarem. Se isto que ouvi se confirma, é uma chamada de atenção e peras para os desvarios do nosso governo.
O comum dos portugueses, nestes dias, sente-se a navegar num mar muito agitado, em que algumas ondas preponderantes, a economia e os mercados, que assim as chamam, assumem as maiores responsabilidade pela insegurança em que vivemos. Esta imagem rudimentar resume o actual estado de coisas. Seria vantajoso que a barca em que navegamos se deslocasse para águas mais calmas. Por outras palavras, que houvesse uma mudança de rumo que contribuísse para colmatar os pontos fracos do sistema instaurado. Ou, melhor do que isso, que houvesse uma mudança de sistema.
A vida moderna está praticamente toda assente nos bancos. Com a melhoria de nível de vida, muito assente nas novas tecnologias, tornou-se indispensável ao cidadão comum, para ter acesso aos produtos dessas tecnologias, recorrer frequentemente ao crédito. Para além disso, o império da construção civil tomou conta do mercado da habitação, e tornou-se praticamente obrigatório, desde há largos anos, para a maioria das pessoas, contrair um empréstimo para (poder) comprar casa. Os efeitos são conhecidos. O sistema estoirou e as previsões são no sentido de as tentativas de o fazer reviver agravarem ainda mais a (nossa) situação.
Qual a solução? Nacionalizar a banca? Ou mesmo acabar com o sistema do crédito? A curto prazo, possivelmente terá de se optar pela primeira solução. Mas sem retorno, ao contrário do que já aconteceu num passado histórico recente. A insistência em manter a banca privada resultará num agravamento da especulação, das taxas de juro, do uso e abuso dos chamados produtos financeiros, e levar-nos-á a outra crise ainda mais profunda que a presente.
A prazo terá de se pensar numa sociedade que cresça e prospere sem depender do sistema das compras a crédito. Este sistema vingou nas últimas dezenas de anos, assente nos vectores salários baixos, incentivo ao consumo, crédito fácil, e acumulação de capital com vista ao crescimento. A escassa ou nenhuma regulação do que se chama o mercado, e a mercantilização da vida social (isto é, tornar em bem económico tudo o que é susceptível de ser trocado) estão a mostrar as fraquezas deste sistema. E a acelerar o seu fim. O que é grave é que seja á custa dos cidadãos que o têm suportado, e não de quem dele tem tirado proveito. A história dos bancos (Lehmann Brothers, UBS, Société Générale, Dexia, BPN; BPP, tantos outros) demonstra-o bem.
Cumprimos hoje o primeiro mês de existência regular, após um período experimental que começou nos últimos dias de Julho e se prolongou até ao fim de Agosto.
O saldo é inteiramente positivo, com rubricas que têm visitantes certos – o “Jardim das Delícias”, “Península”, “Um café na Internet”, a “Praça da Revolta”, “Com Posição” e outras que foram surgindo ao longo do mês – “Estuário”, “Para um desenho da vida”, “Consultório Linguístico”… Séries, como “Os Homens do Rei”, de José Brandão, “O saudoso tempo do fascismo”, de Hélder Costa, os textos de Antropologia de Raúl Iturra, a área de Economia, com textos diários, a cargo de Júlio Marques Mota. O "Pentacórdio", a agenda cultural, de Rui de Oliveira. Os contributos que nos chegam de fora através de amigos como Sílvio Castro, Domenico Mario Nuti e Josep Vidal…Novos colaboradores vão surgir, como Álvaro José Ferreira, que hoje se estreou com as suas “Pérolas” musicais.
O número de visitantes tem vindo a crescer, embora saibamos haver uma elevada margem de progressão. A “Viagem dos Argonautas” vai prosseguir. Tentaremos rectificar erros, corrigir eventuais assimetrias entre os temas…
Numa palavra – melhorar.
Diário de bordo
Com os níveis de popularidade a baixar vertiginosaamente e com os índices de desemprego a subir, Obama anunciou um ambicioso programa, de quase 450 milhões de dólares, destinado a estimular o crescimento económico e a criação de emprego. A proposta dificilmente obterá luz verde da Câmara de Representantes, pois os republicanos estão ali em maioria, mas Obama sintetiza deste modo os seus objectivos «pôr mais gente a trabalhar e pôr mais dinheiro nos bolsos dos que trabalham».
No passado dia 7 comemorámos a independência do Brasil, dedicando a edição ao país irmão – a música, a literatura, a arte, a história foram particularmente focados ao longo de todo o dia. Entretanto, em Brasília, cerca de 25 000 pessoas integravam uma marcha de protesto contra a corrupção. Foi o início de uma mobilização que se desenvolverá por marchas noutras 35 cidades brasileiras pertencentes a 2º estados. O Dia da Independência foi escolhido para lançar no Brasil o movimento dos indignados contra a corrupção. Pelos apoios que o movimento tem, mas também por aqueles que não tem, compreende-se que combater a corrupção não é a única preocupação desta iniciativa. «Indignados contra a corrupção», apoiados pela Conferência Episcopal Brasileira, pela Ordem dos Advogados, parece apenas ter como alvo a corrupção no PT, reabrir o escândalo do Mensalão, em suma, atingir Dilma Rousseff. "Marcha dos cheirosos" é como as fontes mais de esquerda designam a iniciativa.
Em Portugal, os sindicatos e partidos de esquerda parecem dar sinais de inquietação e de pretender desencadear uma série de movimentações. Na verdade, em vez de restringir a indignação ao universo de recém licenciados sem emprego, parece mais correcto que se fale, não de uma geração, mas de «portugueses à rasca» - sem emprego, com empregos precários, com pensões de miséria. No entanto, atenção ao que se passa no Brasil e ao que se passou aqui com a manifestação da«geração à rasca». Que o objectivo não seja apenas o rasteiro propósito de atingir este (abominável) executivo - ele cairá, mais tarde ou mais cedo, sendo substituído por outro (igualmente execrável). Necessitamos de uma vaga de fundo que varra estes dois compadres. Ou tudo ficará na mesma.
Será que não estão indignados?
Diário de bordo
Se teclarem estas palavras o motor de busca dar-vos-á muitos textos em resposta. Acontece que, paraalém dos aspectos técnicos, nenhum desses textos responderá à pergunta. Porque um blogue não representa o mesmo para todas as pessoas – Pode ser uma janela de convívio, pode ter uma função catártica e pode ser a feira de vaidades onde se exibem dotes.
E pode ser uma nova maneira de comunicar.
Talvez se comece a configurar um meio de informação, de entretenimento, de aquisição de conhecimentos, de transmissão de saber. Quem sabe se jornais, rádio e televisão não virão a dar lugar a algo de cuja genealogia o modesto blogue fará parte? Num blogue como o nosso, com dezenas de colaboradores e centenas de visitantes, coexistem ideias diferentes sobre a orientação que devemos seguir.
Se fizermos a pergunta, obteremos respostas muito diferentes. Há quem entenda que damos demasiada atenção à economia, há quem o considere demasiado literário e quem o ache “intelectual” em excesso. Há quem opine que é muito politizado, há quem seja da opinião que devíamos dar uma maior atenção á política, Muito de esquerda ou tolerante para com a direita… Nenhum de nós no entanto parece querer enveredar por um caminho fácil, privilegiando a vertente lúdica que impera em muitos blogues. O que discutimos é em que sentido devemos ser mais actuantes.
Nas Cantigas de Santa Maria, Afonso X, o Sábio, diz que o navegante deve conhecer o mar que tem pela frente – onde é quedo e onde é agitado. Pensamos que vivemos tempos em que é preciso tomar posição. O mar está quedo, mas irá ficar agitado. Navegar é preciso. Tentaremos navegar bem e levar a barca a bom porto.
Diário de bordo
Todos conhecem o mito de Sísifo, condenado pelos deuses a fazer rolar uma pedra até ao cimo de uma montanha. Logo que Sísifo alcançava o pico, a pedra caía até ao sopé e o pobre Sísifo reiniciava a tarefa de a levar até ao cume. Moral do mito: não há castigo mais terrível do que ter de realizar um trabalho inútil. Mas. Homero considerou Sísifo um herói, e Albert Camus dedicou um profundo ensaio ao Mito de Sísifo que até serve para jornalistas desportivos mais cultos e imaginosos ilustrarem jogadas perfeitas de futebol que não terminam em golo, tendo tudo de voltar ao princípio.
Muitos dos colaboradores deste blogue, vêm do Estrolabio que soçobrou por não conseguir ultrapassar a divergência entre concepções diferentes sobre o que é e para que serve um blogue – a pedra ia já a meio da encosta, quando caiu. E cá estamos nós a empurrá-la de novo.
Foi, no entanto, noutro mito da Grécia Antiga – o de Jasão e os Argonautas, nas sua demanda do Velo de Ouro que baseámos o título deste projecto. Defenderemos aqui os princípios que defendemos no Estrolabio. Para nós o Velo de Ouro é a afirmação daquilo em que acreditamos, ou melhor, daquilo em que cada um acredita e defende. Seremos um espaço plural onde é proibido proibir ideias políticas, científicas, filosóficas, crenças religiosas…
São bem-vindos todos os que defenderem a Liberdade. Respeitando estes princípios, queremos, ganhar o nosso espaço, lutando pela qualidade e pela liberdade de expressão, pela isenção. Aceitamos colaboradores de todas as ideologias e filiações partidárias, desde que democráticas, mas recusamos que no blogue se defendam políticas partidárias ou se tente fazer proselitismo.
Recusamos também a análise imediatista. Apostamos na crítica construtiva, consistente e portadora de alternativas. Não aceitaremos difundir boatos. O debate de ideias será feito com respeito pelas ideias alheias. Quem critica, fá-lo-á atacando ideias, mas respeitando pessoas. Estaremos muito atentos ao mundo da cultura – livros, filmes, peças de teatro, exposições de arte – sem a preocupação de uma cobertura exaustiva - merecerão a nossa especial atenção. Uma agenda cultural publicada aos Domingos completará essa acção informativa. E apresentaremos, sempre que possível, textos literários originais – contos, poemas, críticas.
Resumindo - desejando-se a maior liberdade, mas há princípios a respeitar, pelo que algumas «liberdades» - as tais que afrontam a Liberdade - não serão aceites. E é com esta pequena quantidade de princípios e com este reduzido capital de intenções que vamos começar.
Força nos remos, pois os ventos não ajudam.
Cumprimos hoje o primeiro mês de existência regular, após um período experimental que começou nos últimos dias de Julho e se prolongou até ao fim de Agosto.
O saldo é inteiramente positivo, com rubricas que têm visitantes certos – o “Jardim das Delícias”, “Península”, “Um café na Internet”, a “Praça da Revolta”, “Com Posição” e outras que foram surgindo ao longo do mês – “Estuário”, “Para um desenho da vida”, “Consultório Linguístico”… Séries, como “Os Homens do Rei”, de José Brandão, “O saudoso tempo do fascismo”, de Hélder Costa, os textos de Antropologia de Raúl Iturra, a área de Economia, com textos diários, a cargo de Júlio Marques Mota. Os contributos que nos chegam de fora através de amigos como Sílvio Castro, Domenico Mario Nuti e Josep Vidal…Novos colaboradores vão surgir, como Álvaro José Ferreira, que hoje se estreou com as suas “Pérolas” musicais.
O número de visitantes tem vindo a crescer, embora saibamos haver uma elevada margem de progressão. "A Viagem dos Argonautas” vai prosseguir. Tentaremos rectificar erros, corrigir eventuais assimetrias entre os temas…
Numa palavra – melhorar.
Um café na Internet
Hoje, dia 1 de Setembro de 2011, começa a edição regular d’A Viagem dos Argonautas. Um Café na Internet vai estar aqui em dois tempos diários, às 8.00 e às 15.00 horas, para vos apresentar temas culturais que esperamos que vos interessem. Vamos dar particular ênfase no primeiro tempo à poesia, a começar pelos poetas da casa. Procuraremos debruçarmo-nos sobre diferentes temas, com prioridade para os que sentirmos serem mais inovadores.
Vamos também procurar manter rubricas especiais, dentro de Um Café na Internet. A primeira, já a começar a começar na próxima semana, será a do conto fantástico. Abordaremos ainda outros temas, que não estritamente culturais, no sentido clássico, quando foram de especial interesse e urgência.
Pedimos a vossa colaboração, no sentido de nos indicarem temas que achem importantes, ou de nos remeterem originais vossos. Reservamo-nos, os coordenadores d’A Viagem dos Argonautas e d’Um Café na Internet, o direito de os publicarmos. Caso optemos por não o fazer, devolveremos os originais a quem os remeteu.
Para logotipo escolhemos esta imagem de Georges Rohner.
Venham viajar connosco! Procuremos juntos o velo d’ouro!
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
Sílvio Castro
Vasco de Castro
Vasco Lourenço
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