Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
A INFÂNCIA - por Raúl Iturra

Se actualmente é difícil falar em crianças, a abordagem à temática fica mais complicada quando temos limitações do número de palavras. Mas, vamos a isso.

 

Dentro das várias definições de infância e criança usadas nos meus textos, há duas que me satisfazem. A criança, é um ser humano no início do seu desenvolvimento fisiológico e social que depende dos adultos na alimentação, nos sentimentos, no carinho, no vocabulário e no abrir da sua imaginação para entender como se desenvolve o mundo. Adultos que podem ser os pais, os tutores ou um conselho de família. Infância é a pessoa que nasce, cresce, aprende a vida intra social. Na cronologia da vida, essa criança passa a etapa da infância. Conceito que transcorre, idealmente, desde a nascença até à idade púbere, idade em que o indivíduo se torna fisiologicamente apto para a procriação de outros seres humanos.

 

Atenção, referi reprodução fisiológica. Será que é adequado ter cromossomas só para reproduzir seres humanos?

 

Em todos os meus textos tenho dito que isso não é suficiente. Aliás, a própria História assim parece provar. Uma palavra cheia de distinções na cronologia do tempo e conforme seja a hierarquia social. Criança, em consequência, não é um conceito biológico, é muito mais, é um conceito social. Motivo pelo qual o meu amigo e colega na cátedra do Collège de France em Paris, Pierre Bourdieu, o sábio dos sábios em ciências do homem, nunca quis estudar o pré púbere, como poucos de nós temos feito. Os cientistas, excepto os analistas clínicos, têm experimentado evitar a análise da infância. Muitos cientistas, envolvem a criança dentro das relações sociais, centrando, no entanto, os seus estudos nas relações. Poucos Antropólogos começam a análise social a partir dos mais novos. Normalmente, estudam instituições, como a família ou os amigos, ou seja as interacções sociais.

Maurice Godelier em 1981, editou um livro pela Fayard, La Reproduction des Grandes Hommes para analisar a passagem de criança a adulto, como David Herdt em 1987, entre os Sambia da Nova Guiné, ou eu próprio, entre os Picunche, clã da Nação Mapuche que habita na área Sul da Cordilheira dos Andes. Assistir à passagem de criança para a infância, é duro. Envolve elementos sexuais para provar, ao mais novo, que um dia terá esperma para multiplicar os membros da população. Para tal, é preciso observar as relações eróticas entre um púbere e uma criança, que oferece o seu esperma, antes de casar com a irmã do iniciado.

 

O ritual denomina-se fellatio, e quem é alimentado pelo púbere é quem ainda não entrou numa mulher, permanece com a criança até ser adulto, por outras palavras, até que ele próprio produza sémen. Ritual praticado entre os Baruya, os Sambia e os Picunche. Quando apresentei o meu livro do ano 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te porque te amo, Afrontamento, Porto, o auditório ficou escandalizado.

 

Devo confessar que eu também, ao viver na casa dos homens entre os Picunche e observar o que observei. A prova final é uma masturbação colectiva entre as já não crianças, mas infantes, acompanhados pelo rapaz que lhes deu o seu sémen, que, acabado o ritual, casa com a irmã do seu iniciado, à qual acede apenas para engendrar filhos, continuando a morar na casa dos homens tendo o seu iniciador como companheiro. Não é homossexualidade, é um rito de passagem que, entre nós, também se pratica, não como cerimónia, mas como felonia, ao correr  dinheiro entre a criança e, neste caso, o seu violador. É apenas pensar no caso da casa Pia.

 

A criança, passa a adulto, a seguir à fellatio ritual. Entre nós, depois de namorar uma rapariga que é a nossa companheira, mesmo que o seja pela via do aparecimento de filhos.

Falar de criança e a sua passagem ritual a adulto, é, por vezes, difícil de relatar sem ofender…

 

A seguir - MARX, DURKHEIM E A TEORIA DA INFÂNCIA



publicado por Carlos Loures às 14:00
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
PROCESSO EDUCATIVO: Ensino ou aprendizagem – 6 – por Raul Iturra

11. A erudição

 

É isto que se pensa que seja o processo educativo: a quantidade de informação universal que uma pessoa tem. A erudição atual é uma consequência do Enciclopedismo dos séc. XVII e XVIII, dessa rebeldia de intelectuais contra o dogma: não contra o conteúdo do dogma, mas contra o saber porque uma autoridade diz que é assim e não admite contra-argumento. A erudição é a cultura dividida em modelos e parcelas que sistematizam um domínio da interpretação e transformação dos factos sociais e que é logo entregue, com a sua prova, a outros; a transferência é feita a, pelo menos, dois tipos de pessoas: os que vão continuar a investigar esse campo e os que vão reproduzir o conteúdo aos neófitos.

 

A cultura erudita é resultado da experimentação e, por meio dos textos em que se guarda o saber, é entregue às gerações de crianças e jovens como uma verdade, contra a sua argumentação. A função da escola para a infância e juventude, desde o começo até ao fim, é entregar as descobertas dos outros como a interpretação fiel e verdadeira do real; raramente os professores ousam investigar com os seus alunos, como deveria ser. A questão aqui não é criticar este tipo de formação; a questão é debater a estrutura, dentro da qual é formada o saber e no qual a mente é estruturada, entre a escola e lar. Normalmente o conhecimento é leccionado aos estudantes para ser decorado, e a quantidade aprendida é avaliada como positiva ou não: ai, a cultura erudita, que foi essencialmente dialéctica e antidogmática, passa a ser verdade que substitui as outras.

 

Como consequência, a mente esta preparada para aceitar a verdade que uma autoridade diz, por parecer ser quem sabe, uma mente que na formação emotiva não só aderiu a princípios, bem como estruturou o pensamento para lhe aderir. Aliás, quem estuda está a preparar-se para viver numa sociedade concorrencial; a maior quantidade de saber e a maior adesão ajudam o reproduzir a receita do sucesso preconizado por quem se tem à frente. A vida para o estudante passa a ser um conjunto de textos contraditórios da experiência de definem como a sociedade há de ser e que mostra o que foi, que entrega uma ideia definitiva do corpo, da hierarquia da sociedade, da ordem e outras ideias. Retira-se do campo de aprendizagem a fluidez do erudito, a fluidez da descoberta, a reprodução da fórmula para que quem é ensinado procure por si. A fraqueza do ensino não está no conteúdo, mas na forma como se ensina e no uso dos textos. Seria talvez necessário introduzir uma distinção na pedagogia: dar informação e logo fornecer metodologia para comparar e descobrir.

 

O que consegue a erudição dos reputados formalmente sábios é uma universalidade de conceitos espalhados de forma igual pelas mentes desiguais dos estudantes. Isto é, uma tentativa de impor um tipo igual de conhecimentos entre todos, que sirva de base à construção de um convívio social uniformizado mais fácil de governar. No entanto, se o processo educativo tem emoção e há empatias dentro da sua parte institucional, a aprendizagem só será possível se, quem explica conseguir reconstituir na mente do estudante os sentimentos com que, quem ensina, aprendeu outras formas de convívio, antes de passar à abstração racional letrada e teórica do dito processo.

 

Os conteúdos transformarão, ou não, a ligação emotiva e racional a que se consiga chegar entre professor e estudante. Este não é o aspeto que mais interessa de todo o processo educativo. Se a emoção e a razão estão juntas, esta última deve incluir a capacidade da instituição de entregar os elementos para a concorrência. Se muitos ficam pelo caminho é devido a que o apetite individual não se consegue impor à coesão social como identidade para cada estudante.

 

 12. Os universais e a multicultura

 

Emoção, razão e erudição acontecem, ou são percebidos, de forma diferente dentro de uma mesma turma devido as origens heterogéneas dos alunos, como grupo interativo social. Entre os primitivos contemporâneos que os antropólogos estudaram, quer as escolas autóctones quer as iniciações rituais são diferenciadas dos conteúdos do ensino oficial, conforme a hierarquia que, genealogicamente, virá ocupar a criança. Entre os ocidentais (Stoer e Araújo, 1993), a grande massa da população está subdividida em meninos e meninas com experiência diversificada de classe social e de pertença a etnias.

 

Os países da Europa têm recebido dentro de si um conjunto de imigrantes vindos das ex-colónias, ou têm aparecido nas aulas grupos sociais que, até a pouco, em consequência da sua origem, não assistiam à escola ou eram em tão pequeno número que não se dava por isso. Se a formação é, como já referi antes, de uma intensidade marcante, as formas explicativas do real simplesmente não deixam marca se a cultura de origem não é trazida também à aula. A questão é que uma turma heterogénea tem um conjunto de estereótipos à volta. O primeiro, o que cada membro pensa de si como eu, conforme a sua aprendizagem infantil. O segundo, é o que o mesmo sujeito pensa sobre os outros e se os aceita ou não. O terceiro, é o que os outros pensam do Eu. Finalmente, o que professor pensa de tudo isto.

 

A verdade unificadora não é facilmente conseguida, não passa a existir nas mentes, porque há outras mais fortes que a impedem. Quem aparece na escola autóctone primitiva, ou na oficial ocidental, não é o pequeno futuro indivíduo, é a sua genealogia. E não só quem vai à escola: é também a autoridade de quem aí o enviou, que não é a da lei, mas a concorrência social. Quem está na escola é a expectativa do que cada um virá a ser conforme o seu contexto etno -sociocultural. Mesmo que no fim venham todos «tapar buracos» nas ruas, não só os cabo-verdianos bem como o resto da respeitável turma branca portuguesa, francesa, ou britânica natural das ilhas, a hierarquia esperada esta sempre presente. Quando se inicia a procura da integração na vida ativa, o etnocentrismo mantém a divisão por grupos conforme a experiência cultural e não a solidariedade institucional escolar. O processo educativo ensina de forma clara a universalidade da cultura erudita é possível porque nasceu dentro de um mesmo sistema de comunicação, o cristianismo, e dentro de um mesmo pensamento reprodutivo, o liberalismo monetarista. Os não eruditos têm uma cultura, já que os universais se encontram dentro do seu próprio grupo de classe e de etnia. A questão é pô-los a falar juntos, o que só me parece possível se o ensino académico começar por ter como disciplina obrigatória o Processo Educativo em todas as Universidades; e se, muito cedo, existir a cadeira obrigatória de Culturas Comparadas. Conhecendo, no entanto, a força do etnocentrismo e a fraqueza do esquecido relativismo, confesso que não me parece possível a compreensão mútua entre eruditos e aprendizes. A cultura dominante é da classe burguesa que, para se reproduzir, precisa até destes meandros. Tudo o que disse não foi no sentido de aumentar o pessimismo que muitos sentimos perante as Políticas Educativas, mais sim para ensaiar ideias acerca do processo educativo.

 

Bibliografia

 

ARAÚJO, Helena Costa; STOER, Stephen (1993) Genealogias nas Escolas, Porto: Ed. Afrontamento. CAVACO, M. H. (1990) «Retrato do professor enquanto jovem», in Revista Crítica de Ciências Sociais, 121-141, 2, Fevereiro. FIRTH, Sir Raymond (1929): The New Zealand Maori, Londres: Routledge. FORTES, M. (1938): Sociological and psychological aspects of education in Taleland, in Africa, vol. XI, nº 4, pp. 5-64. FORTES, Meyer (1949): The Web of Kinship among the Tallensi, Londres, Oxford University Press. FORTES, M.; E. E., Evans Pritchard (1940): African Political Systems, International African Institute, Oxford University Press, Londres ( versão Portuguesa: Fundação Gulbenkian, 1981). FREIRE, Paulo (1967): A Libertação do Oprimido, capitulo manuscrito entregue a mim pelo autor. FREUD, Sigmund (1918; 1919) Totem and Taboo, Londres: Routledge (existe versão portuguesa). GOLDELIER, Maurice (1982): La Production des Grandes Hommes, Paris: Fayard (existe versão castelhana). GODDY, J. (1987): The Interface between the Written and the Oral, Cambridge: Cambridge University Press. GODDY Jack (1986): The Logic of Writing and Organisation of Society, Cambridge: Cambridge University Press (existe versão portuguesa). GODDY, Jack (1963): The Myth of Bagré, Cambridge: Cambridge University Press. ITURRA, R. (1990): A Construção Social do Insucesso Escolar: Memória e aprendizagem em Vila Ruiva, Lisboa: Escher. ITURRA, R. (1991. 1ª edição) A Religião como Teoria da Reprodução Social, Lisboa: Escher. 2ª Edição, 2002, Fim de Século. ITURRA, R. (1997 1ª edição, 2007 2ª edição): O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, Fim de Século. ITURRA, R (2000): O saber sexual das crianças-. Desejo-te porque te amo, Afrontamento, Porto ITURRA, R. (2001): O caos da criança, Livros Horizonte. ITURRA, R (2004): A religião como lógica da cultura, em Rodrigues, Donizetti (org,) En nome de Deus, A religião nas sociedades contemporâneas, Afrontamento, Porto JUNG, Karl (1991): Symbole der Wandlung, Áustria (existe versão castelhana): Símbolos de Transformation, Paidós). MARX, Karl (1863): Theories of Surplus Value, Londres (várias traduções). MALINOWSKI, B. (1992): Argonauts of the Western Pacific, 1928, Londres: Routledge Keagan Paul (existe versão portuguesa). MALINOWSKI, B. (1992): The Sexual Life of Savages, Londres: Routledge Keagan Paul (existe versão portuguesa). NÓVOA, A. (org) (1991): Profissão Professor, Porto: Porto Editora. REIS, F. (1991): Educação, Ensino e Crescimento. A aprendizagem do cálculo económico em Vila Ruiva. Lisboa: Escher. RICARDO, David (1873) A theory of Rent, Manchester (existe versão portuguesa). SMITH, Adam (1776; 1874) An inquire into the causes and reasons for The Wealth of Nations, Londres: Routledge (existe versão portuguesa, Gulbenkian). STOER, Stephen R.; ARAÚJO, Helena C. (1992): Escola e Aprendizagem para o Trabalho num País da (Semi) periferia Europeia, Lisboa: Escher. STUART MLL, John (1789): Utilitarism, Londres: Fontana (existe versão portuguesa). Documentos - Entrevistas e debates com os professores do ensino Primário e Preparatório de aldeias rurais dos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Leiria, Lisboa, Castelo Branco e Guarda. - Ateliers de Tempos Livres com Crianças entre os 5 e os 12 anos de idade dos mesmos distritos. - Histórias da vida dos professores, das crianças e de seus pais, parentes e vizinhos. - Filmes e vídeos gravados entre 1990 e 1993, Iturra, Raúl, Pencahue, Chile; Vila Ruiva; Cotas e Vales, Trás-os-Montes. Vídeo: Maurice Godelier. Os Baruya da Nove Guiné http://www.youtube.com/watch?v=Og8nWjPnSR8

 

A seguir - A INFÂNCIA



publicado por Carlos Loures às 14:00
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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
A Antropóloga. Quinta-feira, 10 de Maio, em Lisboa

 

 

 

Amigos, solicito que transmitem o convite, em anexo, para colegas, instituições e empresários do setor audiovisual que estejam em Lisboa no dia 10 de maio.

 

Eu (Zeca Pires), Maria Emília de Azevedo (produtora-executiva) e o ator Eduardo Bolina estaremos presentes na sessão.

 

Obrigado

 

zeca pires 

"Ao longo de um século eu cresci com o cinema e hoje eu sei que foi o cinema que me fez crescer. Viva o cinema!",  Manoel de Oliveira

 

 “Das lutas que eu fiz, a maioria eu perdi (dos índios, da educação no Brasil), mas nunca, em nenhum minuto da minha vida, eu queria estar do lado daqueles que ganharam.”   Darcy Ribeiro

 

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publicado por João Machado às 09:45
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Domingo, 6 de Maio de 2012
PROCESSO EDUCATIVO: Ensino ou aprendizagem – 3 – por Raul Iturra

4. Entre gerações

 

O processo educativo é o comportamento que mais marca o quotidiano das nossas vidas, e é o mais quotidiano dos processos que orienta o nosso agir. Seja como ensino, seja como aprendizagem, procura sistematizar o conjunto do dia-a-dia de todos os seres humanos de diversas idades que coexistem. Se bem que na sociedade primitiva há variabilidades que se refletem na diversidade com que os mitos são transmitidos, o ritual com que se aprende a comunicar símbolos fixos é que permite o entendimento e a experimentação do que o ritual ensina: é o processo pedagógico do saber que se explica. Mas, nas sociedades primitivas, como na europeia rural ou proletária, ou ainda numa pequena burguesia mais monetarizada que iluminada, o registo da variabilidade é, devido à técnica oral predominante, lenta.

 

Nas sociedades eruditas, ou nas sociedades com eruditos, onde o método indutivo-dedutivo felizmente produz saberes provados que podem sempre experimentar-se outra vez, e onde há consciência que devem experimentar-se outra vez, estão sempre a surgir novas ideias que entram em contradição com outras, anteriores ou contemporâneas, donde a variabilidade é rápida, quase vertiginosa. Os ciclos individuais de vida ficam, assim, como os ciclos locais, atados, encadeados à estrutura do tempo definido pela descoberta científica. O processo educativo, cuja união com o tempo estrutural é feita pela teoria económica que nos governa – não com a qual nos governamos, mas que nos obriga a governarmo-nos com tudo –, está afeitado por uma decalagem permanente no tempo. A nova geração que aprende dos seus pais, parentes e vizinhos, está a aprender diversas experiências históricas, diversas racionalidades, no ato único de educar-se. No caso da maior parte dos países europeus, a reforma liberal da sociedade dinamizou mudanças que a geração que ontem ensinava, aprendeu a entender de seus próprios pais, parentes e vizinhos, uma prática de adesão ao seu saber; enquanto a geração que hoje ensina, precisa aprender na concorrência e na rutura.

 

No caso português, a experiência liberal tentou ser encapsulada durante cinquenta anos, dentro da invariância histórica de uma unidade fabricada na base de um catolicismo que tentou congelar a experiência e governar com modelos fixos de classes sociais. Por muitas décadas, uma forte estrutura hierárquica fechou a mobilidade social, texto básico em todo o grupo que permite aprender comportamentos diversos, e prendeu as gerações a um ensino subordinante a uma verdade modelar única. A força das ideias acabou com esse modelo social para entrar rapidamente, sem transição quase, à concorrência e ao eclodir de classes sociais. No entanto, ficou a teoria dentro das mentes dos seres humanos que foram ensinados na unidade e na força do hierárquico que não divide o saber social, mas que impõe o dogma. Este facto histórico tem marcado o processo educativo a todo o nível, definindo-o como sendo de ensino porque se considera a criança suspeita de incapacidade de raciocinar pela aplicação do Direito Canónico no governo da nação, assim como a teoria estruturada no processo quotidiano de vida, incapaz de produzir conhecimento.

 

 A figura do professor, semelhante à do padre, passa a ser, a continuar a ser, a da autoridade da qual tudo se recebe e à qual há que obedecer. Emerge assim a figura de um mediador entre o saber dos eruditos do grupo social e o das crianças irracionais e dos adultos incapazes de se governar e entender o movimento da história que quotidianamente produzem, o professor. O professor sabe para onde é que a vida vai, e, com clarividência, incute este saber na instituição escola, isto porque assim nisso acredita e porque assim mesmo ele foi ensinado, separando esse saber da cultura à qual pertence e a cujos membros tem que ensinar. Enfim, a minha ironia, ao colocar esta questão, deriva do contacto com tanto professor convicto da verdade absoluta do seu saber, de tal forma que ficam de fora do campo social. O professor, essa profissão que tem sido ensinada a substituir gerações e conjunturas, e que, como todo o adulto que precisa de certezas para viver, encontra a sua no seu papel estratégico de ponte entre a ignorância do povo das matérias geradas pela investigação de outros e a sua própria ignorância de como o conhecimento é produzido. Aliás, de todo o professor, qual é a pessoa que vem ensinar? Do ciclo da vida que o leva ao Magistério, qual o saber aprendido desde o qual ensina? Se o professor trava o processo de aprendizagem entre gerações, pela sua figura charneira entre eruditos e aprendizes, e se, não sendo investigador, não aprende ele próprio o processo do quotidiano com que a existência é teorizada e vivida, deve ter um papel no processo educativo que ele gere.

 

5. A infância do professor

 

É verdade que o professor é um inocente filho da conjuntura histórica que o formou. É verdade também que a imagem do professor, derivada da figura monacal ou goliarda, é resultado da sua possibilidade de explicar, de trabalhar com as categorias da razão. O processo de vida quotidiana que forma as crianças é vorazmente emotivo: por exemplo a chantagem derivada do mito cristão da morte de um homem que assume na sua vida o erro de todos os demais, excepto o seu, e que é a base teórica da nossa cultura ocidental; ou a hipótese de teoria cultural ocidental. O processo educativo de pais, parentes e vizinhos, é baseado na dosificarão do amor e da agressividade familiar, um facto que só podemos aceitar, pelo menos contextualizar para viver em paz. O professor trabalha com outras categorias, não fabricadas por ele, mas que lhe foram incutidas como teoria de afastamento para desenvolver mentes de lógica da prova.

 

Não é que o professor não ame, deve é racionalizar a afetividade com que ensina. E, assim, não chega ao processo de liberar os aprendizes da sujeição à sua palavra e conhecimento: primeiro, porque deve transmitir a teoria oficial de saber não relacionada com a experiência da classe social e de técnicas passíveis de entender pelos mais novos; segundo, porque todo o indivíduo que ele forma deve ser cidadão, isto é, moeda do mesmo valor. Mas, é verdade também, e isso é evidente no agir do professor, que ele é filho, principalmente, da sua infância. O professor também aprendeu a ser com os pais, parentes e vizinhos, e, a partir desse quotidiano, aprendeu então, como seus alunos hoje, as categorias racionais do conhecimento. Assim como na sociedade totémica de cada grupo entende a parte da natureza com a qual se identifica analogicamente, também na sociedade de classes a experiência de trabalho do grupo doméstico, e seus associados, explicam ao seu «rebento» a sua perceção da vida. Essa perceção da vida é difícil de mudar, como se pode apreciar em dois factos: nas metáforas com que os professores ensinam o programa preparado pelos eruditos; e na dificuldade evidente nos factos e nas estatísticas de insucesso escolar, de transmitir o conhecimento erudito à próxima geração. O professor poderia mudar o seu quotidiano refletido no seu ensino, se ele próprio fosse um investigador que reproduz o que tenta entender na sua pesquisa. Mas, na sociedade de massas em que trabalha, o seu objeto de trabalho é definido como o de um artífice da escrita, leitura e cálculo, para o qual o conteúdo é um pretexto para desenvolver estilos literários como ditado, composição, ensaio, teste. A opção de quem movimenta o processo educativo é a de ensinar, porque não lhe é dada a oportunidade de experimentar, de pesquisar sobre o processo de dinamizar a aprendizagem. Assim, a infância do professor acaba por ser a teoria que marca essa única opção com a qual fica, um quotidiano que se impõe por saber as teorias que lhe são entregues. A análise de infância do professor, de toda a conjuntura em que nasceu, é a pista que nos faz falta para entender porque é que o processo educativo é mais marcadamente ensino e não aprendizagem. Isto é, foge dos símbolos culturais que, explicitados na consciência do aluno, permitiriam a compreensão por parte dos aprendizes do racionalismo científico manipulado pelos eruditos. Se o professor não investiga da mesma maneira que os eruditos, as alternativas do processo educativo ficam fechadas e o processo educativo sujeito aos seus símbolos aprendidos no quotidiano que marca a perceção dos factos durante a sua carreira burocrática. O processo educativo, ensino e aprendizagem, tem a forte componente de ensino com os conteúdos eruditos decorados, percebidos pela experiência do ciclo de vida do indivíduo que é professor e que elabora uma pedagogia a partir da sua experiência do dia-a-dia das aulas, do afastamento cultural com a população que ensina e, paradoxalmente, da sua interpretação de pais e crianças trazida do seu próprio quotidiano pré-profissional.

 

6. Outras culturas

 

Permita-me o leitor dar um pequeno rodeio por outras terras, essas que os antropólogos estudam fora do continente europeu, para comparar e relativizar o território português. Entre os povos que nós chamamos primitivos, e que são nossos contemporâneos, o conhecimento de como se relacionar com os outros, e o lugar que cada um ocupa na estrutura social, está determinado antes de um indivíduo nascer. O primeiro conhecimento que se incute a cada nova geração é o das hierarquias sociais, que começa logo pelas históricas, quer dizer, desta terra até às dos ancestrais que desde algum lugar fora da matéria observam e intervêm nos destinos dos vivos. Todo o indivíduo Tallensi, no Ghana, como Meyer Fortes estudou (1949), sabe que o seu destino não depende da sua vontade, mas da arbitrariedade da divindade que passou a ser seu antepassado. Assim como todo Tallensi sabe que em caso de guerra (Fortes, 1940), não pode matar nem ferir pessoas do deu próprio sangue que, por lei da exogamia que governa a troca matrimonial, se encontrem entre o clã com que se batalha.



publicado por Carlos Loures às 14:00
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Sábado, 5 de Maio de 2012
PROCESSO EDUCATIVO: Ensino ou aprendizagem – 2 – por Raul Iturra

2. Entre primitivos

 

Para os antropólogos, as sociedades primitivas contemporâneas são parte do acervo ou repertório onde ensaiamos a nossa metodologia mais importante, a da comparação. O texto mais importante em qualquer tribo ou clã é a genealogia, quer dizer, o conhecimento da ascendência e da descendência de cada indivíduo, isto é, o seu lugar na estrutura de relações: a quem pertence e para onde deve circular, bem como quais as suas obrigações e os seus limites no acesso ao conhecimento. A genealogia reparte as pessoas por entre a natureza, onde cada grupo totémico tem por missão entender o fenómeno do qual diz fazer parte. Ao entender a genealogia, entende o lugar que o seu totem ocupa na ordem que a natureza lhe ensina, tendo em consequência um lugar de maior ou de menor preponderância na estrutura tribal ou clânica.

 

O chefe Kiriwina, do povo Massim na Melanésia, domina o saber da construção da canoa e a magia para que esta não só navegue, bem como para que, quando navegar, não afunde; o chefe Maori conhece o trabalho do bosque e a reprodução dos pássaros e dos peixes dos quais vivem as tribos que governa. Ambos os chefes não possuem um conhecimento pessoal de todo o saber que precede o produto final e que é de grande complexidade: há uma divisão social do conhecimento entre variadas pessoas que lhe dizem como é: cada uma destas pessoas é treinada, separada do seu grupo biológico de origem e transferida muito nova para grupos de iniciação. No grupo de iniciação, os indivíduos são observados quanto a capacidades e habilidades para decidir qual dos vários caminhos, conforme a sua pertença totémica, poderão seguir quando adultos.

 

Cada jovem iniciado, isto é, educado, conhece na sua totalidade a parte do saber social para onde é endereçado pelo iniciador e entende o movimento e capacidade das coisas, animadas ou não, que lhe irá caber gerir quando adulto; no seu conjunto acabam por aprender e manter a totalidade do conhecimento tribal, com a proibição estrita de comunicarem ou referirem uns aos outros o que aprenderam: o totem tem um tabu que impede o acesso a si àqueles que não pertencem a essa parte da natureza. Ao mesmo tempo, a mitologia e a prática de trabalho permitem o acesso à justificação desta divisão, bem como ao conhecimento comum pelo qual é justificada a divisão social do saber.

 

Os fenómenos com os quais cada indivíduo deve lidar passam a ser como que explicações que derivam da própria experimentação dos mais velhos, é dizer, são fruto do processo de vida que se prática e que se deve enfrentar: o saber reprodutivo é local, património do que o conjunto do grupo sabe e gera como conhecimento. O que lega é a capacidade de compreender a estrutura do movimento das pessoas e das coisas, para que cada indivíduo possa mobilizar as suas capacidades e habilidades aprendidas, quando se confronta com uma natureza movível e mutável, até mesmo invadida por outros conhecimentos vindos de outras experiências e que não ajudam ao domínio da vida na qual estão inseridos. Na vida primitiva, as gerações que vão nascendo aprendem os máximos e mínimos da organização da vida natural, que, com a sua própria teoria, transformaram em cultura. Cada ser humano passa a ser construtor de uma parte dela com as ideias que lhe foram transmitidas.

 

Esta síntese da vida primitiva é feita aqui só para exemplificar uma prática de aprendizagem, onde a ausência da escrita na vida quotidiana coloca um forte peso no desenvolvimento de estruturas mentais porque não têm depois de um texto onde ir lembrar o que fazer quando a memória se esgota ou a conjuntura muda e fornece outros contextos. O ensino existe na vida primitiva. Por exemplo, entre camponeses, no processo ritual, na medida em que a informação deve ser transmitida primeiro. Mas o ritual não traduz signos, bem como símbolos que é preciso descodificar, isto é, entender. O signo escrito, que a cultura letrada tem também introduzido entre primitivos, tem de ser decorado porque ele é fixo e o seu significado não é polivalente. A memorização de apenas uma alternativa é o que fecha as estruturas mentais: o ritual, como o mito, pelo contrário, é agir e decorar várias alternativas para um mesmo objetivo, várias maneiras de fazer a mesma coisa, várias versões. Não é que a escrita seja negativa e a oralidade positiva, é a escrita como fim em si que transporta nela a desvantagem do signo fixo e fechado. A aprendizagem da combinação de signos com textos relativizados é, na vida ocidental, o que o entendimento do rito e do mito que a vida primitiva tem e faz, à força, desenvolver o entendimento e varrer a subordinação ao texto para centrá-la na hierarquia, ela própria uma incógnita a ser permanentemente entendida, para ser obedecida ou não.

 

3. Entre portugueses

 

Podia também dizer que entre qualquer povo que age a partir de ideias modelares, fundamentais, onde o real está abstraído em fórmulas que digam respeito ou não à sua reprodução, deve aprender, isto é, essas fórmulas são-lhe ensinadas. O texto fundamental do saber é o grupo social ele próprio, bem como o texto escrito. O texto escrito é produto da experimentação da parte do grupo social total que chegou a entender as regras da semântica e do discurso lógico indutivo-dedutivo. A divisão social do saber está estruturada pela possibilidade universal de ter acesso às instituições que retiram a mente do saber quotidiano com o objetivo generalizado do ganhar habilitações naquilo que cada um conseguir, conforme as capacidades financeiras numa sociedade onde o valor é moeda, suas alianças ou clientelas, ou possibilidade de ter nascido em grupos domésticos produtores de ideias e já manipuladores de textos. Os novos membros da sociedade são retirados do lar para serem ensinados num mesmo conhecimento, sem aferir grandes capacidades pessoais, habilidades ou ancestrais. O objetivo do processo educativo é treinar a nova geração nas técnicas da escrita e do entendimento de grafias, em conteúdos que explicam o movimento das pessoas entre si e das coisas a partir de modelos preparados por eruditos distantes da existência e vivência dos aprendizes. A aposta é feita na escrita, leitura e cálculo como um fim em si, onde os conteúdos se perdem nas dificuldades de entender a estrutura dentro da qual se deve exprimir o conhecimento.

 

O conteúdo é uma verdade que não se experimenta, mas que se repete depois de enunciada pela autoridade de quem diz e da letra impressa. O debate das ideias, ou a técnica de debater ideias, fica submetido à memorização do que o instrutor ensina, onde a comparação textual e o contexto não são considerados importantes. O processo educativo consiste em reproduzir fielmente o saber que os eruditos do grupo social, aqui nacionais, têm produzido. Há duas contradições importantes que ajudam a que este ensino não sirva, não seja útil para a aprendizagem que permite entender o movimento, os processos que vão formando as estruturas da memória social. A primeira diz respeito à parte do saber social ser entre nós oralmente transmitido, porque também entre nós são utilizadas as genealogias e hierarquias baseadas em capacidades e habilidades para o entendimento do trabalho social. As instituições que ensinam o saber social desconhecem este facto, já que definem o saber social como o saber cientificamente produzido. O saber oral transmite, por meio do lar e do grupo de vizinhos e parentes, as lealdades e adesões que fazem do agir uma motivação para aprender. Uma segunda contradição do processo educativo é a sobreposição de duas formas de entender: a religião, que prepara, prega e pratica quotidianamente, com ou sem fé, com ou sem igreja, a solidariedade social.

 

Esta é uma representação simbólica da união e do trabalho entre os homens com mais de três mil anos de idade histórica no ocidente, que a recolheu das tradições e práticas bíblicas dos judeus e da crueldade mitológica grega. A fé é uma outra contradição que define o nosso processo educativo: o desenvolvimento desde o século IV da ideia de indivíduo, que, dotado de razão, é livre para optar entre alternativas consideradas iguais para todos, é a origem da teoria económica que nos governa desde o século XVII.



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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
PROCESSO EDUCATIVO: Ensino ou aprendizagem – 1 – por Raul Iturra*

∗ Departamento de Antropologia Social do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) Texto revisto por Irene Cortesão Costa.

 

Todo o grupo social precisa de transmitir a sua experiência acumulada no tempo à geração seguinte, como condição da sua continuidade histórica. O facto de os membros individuais do grupo estarem sempre a renovar-se, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber e existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que permaneça no tempo histórico. A questão está em saber se é mais útil para a reprodução do grupo que os novos reproduzam o saber; ou que entendam a necessidade dele por meio de praticar a sua utilidade. O primeiro seria ensinar o que já se tem, subordinada à letra do que já se possui como explicação da natureza e das relações entre os homens; o segundo seria aprender o processo que dinamiza as operações pelas quais a mente humana resolve uma questão cada vez uma problemática se lhe coloca.

 

1. A questão.

 

Todo o grupo social, como condição da sua continuidade, precisa de transmitir à geração seguinte a experiência acumulada no tempo.X O facto de os membros individuais do grupo se estarem sempre a renovar, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber e que existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que permaneça no tempo histórico. Nos grupos sociais onde existe uma predominância da memória oral, o saber ou conhecimento materializa-se na sistematização ou classificação dos seres humanos em genealogias e hierarquias; nos grupos sociais onde predomina a memória escrita, o conhecimento materializa-se em textos que consignam factos e que são sujeitos de interpretação. Normalmente, a morte leva parte do saber reproduzir uma genealogia e da capacidade de entender uma hierarquia, ao mesmo tempo que leva a capacidade de entender o contexto que produz o texto e que originou o seu conteúdo.

 

Normalmente, quem nasce e chega a um grupo social, encontra-se já com um conjunto de taxonomias com as quais convive e que, enquanto cresce e se desenvolve, não coloca em questão porque não as entende: obedece e respeita as que já existem e não se sabe porquê. O processo educativo é, em consequência, o meio pelo qual os que já têm explicitado na sua memória pessoal o como e o porquê da sua experiência histórica tentam retirar os mais novos da inconsciência do seu saber daquilo que é percebido sem que seja explícito; e procurar inserir os mais novos nas taxonomias culturais. A questão está em saber se é mais útil para a reprodução do grupo que os novos reproduzam o saber, ou entendam a necessidade dele ao praticar a sua utilidade. O primeiro seria ensinar o que já se tem, subordinado à letra do que já se possui como explicação da natureza e das relações entre os homens; o segundo, seria aprender o processo que dinamiza as operações pelas quais a mente humana resolve uma questão, cada vez que uma problemática é-lhe colocada . Na primeira modalidade, o processo educativo seria uma reiteração do que já se tem, enquanto na segunda seria a formação de uma estrutura de pensamento que pode entender as alternativas da resolução das questões colocadas pelo processo da vida.

 

Normalmente, ensino e aprendizagem são processos que se acompanham um ao outro durante todo o processo educativo. Denomino ensino a prática de transferir conhecimentos provados ou acreditados pela população que educa à população que se estima desconhecer as formas, estruturas e processos que ligam as relações sociais com as coisas: a prática de fixar o estereótipo do social, seja resultado da investigação ou da ideologia, é a que predomina ainda no processo educativo cristão e muçulmano. Chamaria a isto o respeito à lei, bíblica ou positiva, porque assim está escrito. Denomino aprendizagem – como tenho discutido com P. Freire e J. Goody – a prática de colocar questões por parte da população que ensina, que envolvem alternativas de respostas, à população que começa a entender o funcionamento do mundo, onde a resposta a encontra o iniciado, não sendo a sua atividade substituída pelo iniciador.

 

No ensino que conheço, o iniciador tende a substituir a atividade do iniciado, seja na atividade direta, seja na obrigação do aprendiz fazer como lhe é dito, imitando. Na aprendizagem, a iniciativa é de quem é introduzido ao mundo histórico em que o seu grupo já vive, sendo a atividade de quem orienta um mostrar alternativas e as suas consequências, ficando a opção com quem aprende. Quanto a aprendizagem é de textos, a prática do processo educativo será a de que se saiba classificá-los, conhecer o seu contexto, o debate em que está inserido e a questão relativa às ideias que transmite, mesmo quando se trata de textos de introdução à técnica da escrita onde o melhor será sempre o que produz o próprio aprendiz. O ensino é repetir, criando uma subordinação; a aprendizagem é descobrir, criando uma relação de comunicação.

 

Na prática educativa escolar ocidental, estas estão separadas. Tal é causado pela conceptualização da criança como aquele ser humano que nada sabe nem entende e deve ser preparado para repetir o que fazem os adultos. A predominância da prática do ensino cria uma diferença na atitude dos membros individuais de um grupo. Se um grupo social quer ver se procede recorrendo ao ensino ou à aprendizagem, quer dizer, se forma repetidores onde a variabilidade histórica é pequena, ou se forma entendimento onde se introduz uma compreensão dos factos, tem que examinar quais as instituições ou vias, onde educa, e quanto do saber acumulado na experiência quer transmitir e a quem.

 

(Continua)



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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
A GREVE VIRADA DO AVESSO – por Raúl Iturra

Confesso ter sido grevista, mas de greves viradas do avesso. Não foi por acaso, como narro noutros textos, que organizei sindicatos quando morava no Chile, mais de 40 anos antes deste dia de greve em Portugal. Sindicatos rurais e industriais. Todos eles contra os proprietários dos meios de produção que pagavam mal, às vezes até esqueciam esse pagamento, despediam a seu prazer, contratavam à sua laia, o operariado para eles era apenas força de trabalho. Força de trabalho não como a definida por Karl Heinrich Pembroke Marx, essa que ele associava à mais-valia dos proprietários dos meios de produção.

 

Era simplesmente força de trabalho, servia para tudo. A Revolução Francesa não tinha passado pela América Latina, ou, se passara, foi rapidamente esquecida. A liberdade de procurar meios de produção, não existia, porque esses meios eram raros e escassos. A fraternidade, apenas nas Missões que pessoas como os membros da minha família organizavam para converter os trabalhadores em servos obedientes e submissos à divindade, porém, ao patrão que, aos olhos dos que nada tinham, era o seu representante na terra. Sei-o por ter participado em missões de católicos nas terras da nossa família, mas eu ia falando de forma diferente, mesmo na sua presença, à dos padres missionários.

 

Referia como o trabalho era mal pago, como não havia leis de protecção aos trabalhadores, como a divindade não punia os transgressores donos, mas sim aos que produziam as mercadorias. Os sacerdotes católicos não entendiam o meu discurso, talvez por ser filho de patrão, pareciam não ouvir o que eu dizia. A igualdade, manifestava-se em tirar o chapéu para cumprimentar os que iam à Missa e comemoravam todos os rituais. Rituais que indigitaram em mim e na minha querida irmã, uma ideia. Se estes católicos falavam tanto de caridade e havia tanta gente sem casa nem tecto para se agasalhar, um domingo qualquer sem pedir licença ao sacerdote oficiante da Missa, bem sabia eu que era da minha ideologia, e falei de forma enternecedora sobre a caridade e como podiam ganhar a vida eterna se oferecessem as terras, que não usavam, aos sem abrigo. Gostaram das minhas palavras, acabada a cerimónia convidei-os a visitar essas terras que, com a minha irmã, encontravam-se cheias de pessoas sem casa.

 

Tornei a falar, falou também o povo e as lágrimas escorregavam pela cara de familiares e amigos: todos os santos que tinham assistido à missa, acompanharam-me, viram o que sempre ignoraram, e ofereceram hectares de terra sem pagamento nenhum. Avisado como era, eu tinha aí um notário, e a escritura foi feita em meia hora. Perguntei aos pobres rotos chilenos qual seria o nome da população. Agradecidos como estavam, queriam pôr o nome dos, até esse dia, donos das terras baldias. De imediato falei e em frente dos donatários, expliquei ao povo que isso não era correcto porque perdiam a glória eterna. Deixamo-los sós para decidirem o nome, que constaria em acta, e a minha irmã querida e eu, passámos a perder a eternidade. Essa eternidade já pedida por nós muitos anos antes.

 

Os anos passaram, o Dr. Salvador Allende foi eleito Presidente da República e, como sabemos, passados um ano e alguns meses, com a cumplicidade de Richard Nixon, Presidente dos EUA e do Prémio Nobel da Paz, Henry Kissinnger, acordaram a Central de Inteligência Norte Americana ou CIA para começar o derrube do primeiro Presidente socialista marxista, eleito por sufrágio universal. Começaram as greves da burguesia: marchavam em imensos grupos pelas alamedas mais elegantes da capital do Chile e de outras cidades elegantes, concertados como estavam, batendo com colheres de pau, de aço, de prata, em tachos vazios e a gritar: nada tem para comer. A manha dos antes nomeados dos USA, era pagarem aos camionistas que transportavam as mercadorias de consumo por terra – planificação que nunca entendi, se o Chile tem uma costa imensa e caminhos-de-ferro, nunca usados para o comércio por acordos entre produtores e camionistas transportadores de mercadorias. Foram pagos pelos veneráveis salvadores do mundo dos EUA para pararem e não transportarem bens de consumo a sítio nenhum. Nada tinha para comer.

 

Donde, entre estudantes, docentes, profissionais, alugámos transportes, usámos os nossos próprios meios de locomoção e carregávamos sacos de batatas, de arroz, beterrabas, açúcar, bens essenciais para a higiene das casas e do corpo e outras matérias, como óleo, azeite, sabão. Não estávamos habituados, mas o nosso empenhamento era tão grande, que com a colaboração de camponeses da reforma agrária de Allende carregávamos os tractores e reboques para o transporte. Mas, era impossível. Ser camionista transportador é umas das profissões que desconhecíamos. O próprio Presidente da República colaborou nesta tentativa, para combater a greve da burguesia. Nem por isso tivemos sucesso. A greve é um direito dos trabalhadores e não do patronato, que não sabe o que fazer, excepto chegarmos a casa desfeita.

 

Esta greve virada do avesso, teve sucesso. Nós, colaboradores, tivemos campo de concentração após o assassínio de Sua Excelência, Presidente da República e de todos os chilenos que optaram pela greve final: não queriam ser reféns dos revoltados para serem usados para cambalhotas políticas… Sua Excelência morreu pela sua própria mão. As greves são do povo, não da burguesia. A burguesia usa dinheiro e poder para reclamar… e matar.X

 

Diz a lei Nº 65-77, de 26 de Agosto, em Portugal:

 

Artigo 1º Direito à greve

 

1 – A greve constitui, nos termos da Constituição, um direito dos trabalhadores.

2 – Compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve.

3 – O direito à greve é irrenunciável. E assim é que se ganha ou perde.

 

Será que os nossos legisladores apoiam a greve?

 

A seguir - O PROCESSO EDUCATIVO



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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
HOMOSSEXUALIDADE E PEDOFILIA - 1 – por Raúl Iturra

 

 

É o meu hábito escrever de manhã, cedo diriam outros, pelas 7.00. Como relato no poste da manhã, o texto nasceu de uma conversa com um senhor, considerado por mim da minha intimidade. A conversa, era apenas um cumprimento. No entanto, levou quase uma hora e com muito proveito. Foi dessa conversa que nasceu o texto publicado antes e que pode ler em www.aventar.eu

 

No entanto, debates começaram a aparecer. A minha necessidade de esclarecer, nasceu, e lá vão ideias.

A primeira é que nunca confundiu homossexualidade com pedofilia, ou Atracção mórbida do adulto pelas crianças, como foi definida por Freud no seu texto de 1922, citado por mim no meu poste de ontem, dia onze de Dezembro de este ano. O texto é de 1922 e tem por título o eu e o isso, ou ego e id, ao ainda, le moi et le ça, que pode ser lido em

 

http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/essais_de_psychanalyse/Essai_3_moi_et_ca/moi_et_ca.html

 

 

Cabe ao leitor o trabalho do ler em língua estrangeira. Apenas um comentário da minha parte: não se deve confundir a homossexualidade nem a paixão de um ser humano por uma pessoa do mesmo sexo, com a pedofilia definida antes. A homossexualidade é um sentimento natural, nascido da nossa libido, que comanda a nossa razão e nos orienta para quem mais nos atrai e nos faz companhia, tanta, que acabamos por amar e desejar. Há tanto debate sobre a homossexualidade, que é redundante tornar a eles. A mais simples é Atracção sexual por pessoas do mesmo sexo. No seu texto de 1905, Três ensaios sobre a sexualidade, não fala de este conceito, criado mais tarde pelo neurologista Magnus Hirschfield[1], que definia a orientação sexual como o terceiro sexo, parte homem, parte mulher. Freud, nos seus ensaios mencionados, os define como inversão sexual, a partir da página 118 do texto Penguin que tenho comigo, que cito por não estar em linha. Em momento nenhum fala de homossexualidade, desejo vivo em ele, como já sabemos. Homossexualidade (grego homos = igual + latim sexus= sexo) refere-se ao atributo, característica ou qualidade de um ser — humano ou não — que sente atracão físico, emocional e estética por outro ser do mesmo sexo. Como uma orientação sexual, a homossexualidade se refere a "um padrão duradouro de experiências sexuais, afectivas e românticas principalmente entre pessoas do mesmo sexo"; "o termo também refere-se a um indivíduo com senso de identidade pessoal e social com base nessas atracções, manifestando comportamentos e aderindo a uma comunidade de pessoas que compartilham da mesma orientação sexual. A homossexualidade é uma das três principais categorias de orientação sexual, juntamente com a bissexualidade e a heterossexualidade, sendo também encontrada em muitas espécies animais. A prevalência da homossexualidade entre os humanos é difícil de determinar com precisão; na sociedade ocidental moderna, os principais estudos indicam uma prevalência de 2% a 13% de indivíduos homossexuais na população, enquanto outros estudos sugerem que aproximadamente 22% da população apresente algum grau de tendência homossexual.

 

 

Ao longo da história da humanidade, os aspectos individuais da homossexualidade foram admirados ou condenados, de acordo com as normas sexuais vigentes nas diversas culturas e épocas em que ocorreram. Quando admirados, esses aspectos eram entendidos como uma maneira de melhorar a sociedade; quando condenados, eram considerados um pecado ou algum tipo de doença, sendo, em alguns casos, proibido por lei. Desde meados do século XX a homossexualidade tem sido gradualmente desclassificada como doença e descriminalizada em quase todos os países desenvolvidos e na maioria do mundo ocidental. Entretanto, o estatuto jurídico das relações homossexuais varia muito de país para país. Enquanto em alguns países o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado, em outros, certos comportamentos homossexuais são crimes com penalidades severas, incluindo a pena de morte.

 

Este é o ponto que eu queria comentar, e comentado está. Hoje em dia, nem as confissões religiosas opõem-se as relações de pessoas do mesmo sexo, facto existente desde o começo da humanidade. O problema é essa obsessão de inquirir dos cientistas sobre acontecimentos que parecem desviar-se da forma maioritária de comportamento. Mas, deve ser tão extensa e larga a paixão homossexual, que nos países que ainda não admitem esse tipo de paixão, estão cheios de brincadeiras e palavras criadas para designar às pessoas que vivem com seres humanos do mesmo sexo, como comentara no meu poste anterior. No meu ver, é uma maneira de acabar ou afunilar o seu próprio apetite sexual por amigos muito pessoais e o medo a crítica social. Foi apenas nos anos sessenta do Século passado, que a Grã-bretanha despenalizara o comportamento homossexual, até o ponto que, ao começo deste Século, até os sacerdotes da Igreja anglicana, que sempre podiam casar, podem, hoje em dia, casar com pessoas do seu mesmo sexo. O mesmo acontece em todas as confissões reformadas e, na Romana, desde 1992, Karol Wojtila despenalizou esta forma de paixão. Sabia, e muito bem, que nos seminários as relações existiam e retirou o castigo do inferno, apesar de aconselhar castidade, facto que bem sabia, era impossível de sustentar. O problema é que, se não por mal visto nos tempos em que a população era baixa e havia muita mortalidade, no haveria reprodução e o nascimento de crianças diminuída, donde também, a força de trabalho usada pelos proprietários do capital. Capitalistas que, como me consta por causa de pesquisa, tinham as suas mulheres para procriar e não muito: os filhos diminuem o lucro por causa da herança ou da sua alimentação e educação, e rapazes pagos, como consta no livro de 1980, 2ª edição de 1982: A prostituição masculina em Lisboa, que eu também investigara, livro da autoria de António Duarte e Hermínio Clemente que, no dia e que o li, deixara-me surpreendido por causa da forma de se ganhar a vida entre os mais pobres. A homossexualidade é um rito, em grupos étnicos, como os Maconde, Ba-Thonga, Picunche e outros por mi referidos em outros ensaios. Para não ofender ninguém que leia este texto, é também verdade que há uma altura em que se faz uma opção entre quem mais nos atrai e dinamiza a nossa libido. Porém, a população homossexual cresce mais dia a dia, passa a ser um grupo de seres humanos elegantes e bem formados, ou matem-se dentro da mesma estatística entre o proletariado, grupo social que é o que mais pratica a bissexualidade, donde, a homossexualidade. Se a população tem esse comportamento, justiça deve ser feita a uma larga maioria da população e acabar com as palavras criadas especificamente para retirar dignidade a paixão homossexual. O amor não tem fronteiras e muda conforme o género da pessoa que nos seduz, seja homem ou mulher.

___________

 [1] Magnus Hirschfeld (Kolberg, a actual Kołobrzeg, 14 de Maio de 1868Nice, 14 de Maio de 1935) foi um famoso médico e sexólogo alemão, pioneiro na defesa dos direitos dos homossexuais.

 

(Conclui amanhã)



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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
Memorias de un extranjero extravagante – 62– por Raúl Iturra

 (Continuação)

 

Me parecía importante explicar el sincretismo cultural usado para crear la festividad de Rosa de Lima, como santa chilena, como Rosa de Pelequén, con mito y leyenda chilenos, con ají y festividades paganas, alcohol y danzas.

Me parecía también importante, acabado el comentario, responder al comentario de Esteban Valenzuela acerca de que fuerza esconde Santa Rosa de Pelequén. El propio autor tiene su comentario, pero antes me parece importante decir el mío. Santa Rosa era de Lima, no de la tierra, los rituales y  sus resultados eran diferentes, como la Machi Tránsito de El Pino y el resto de ellas que vivían en sus reducciones. Tránsito era la curandera de los Picunche de la tierra, las de las reducciones, eran un conjunto que sabían oraciones y palabras misteriosa para curar un enfermo, en grupo, como mostré en una foto antes en este texto. Rosa de Lima era europea, la de Pelequén era local, con los rituales mencionados antes: fiesta, danza, comida y baile. No  niego que el pueblo de Lima, como buenos quechuas, no combinara también rituales teológicos con sus propias creencias.

 

El pueblo quechua desciende del antiguo imperio inca y habitó la zona precordillerana y altiplánica a partir del siglo XV. El territorio que habitaba iba desde Caquena por el Norte, hasta Parinacota por el Sur-Este y Putre por el Oeste. Compartían con los Aimaras gran parte de sus características lingüísticas y culturales, así como el espacio geográfico que habitaban.

Los Quechua, constituyeron el pueblo más poderoso del imperio inca, su lengua era la lengua oficial del Imperio y se difundió por gran parte de Sudamérica, por ello fue también está la lengua escogida por los misioneros españoles para propagar el cristianismo. La cultura quechua ha sido, sin duda, una  de las más elaboradas antes de la llegada de los españoles en el siglo XVI. Poseían, por ejemplo, complejas técnicas de regadío y utilizaban un complicado sistema de canales y terrazas.  Así, sus hábitos eran más modernos y civilizados que los de Malloa y Pelequén. Respetaban las divinidades peruanas, aun cuando no adhirieron por un largo tiempo  a las creencias católicas, siendo su forma de veneración con una cierta distancia. Sus divinidades incas pasaban primero. Los Mapuche, eran de otra manera, especialmente los trabajadores. Tenían diversas divinidades, pero Rosa de Pelequén era más una colaboración para pedir por sus intenciones de tener una buena salud y permanecer en un buen trabajo, lo que los quechuas no hacían; habían domesticado la naturaleza y sabían el comportamiento que precisaban usar para poder continuar la vida. A pesar de todo, era también un pueblo que tenía sus divinidades para ayudar a cuidar la naturaleza domesticada. Viracocha o Wiracocha o Huiracocha (en lengua quechua: Apu Kun Tiqsi Wiraqutra) es la divinidad invisible, creadora de toda la cosmovisión andina,  o manera de ver e interpretar el mundo.

 Era considerado como o esplendor original, el Señor, Maestro del Mundo, siendo el primer deus de los antiguos tiahuanacos, que provenían del lago Titicaca, habiendo surgido de sus  aguas, creando después el cielo e la tierra. Es el arquetipo del orden del universo no humanizado.

Era un Dios andrógeno o creado por mismo, nascido de una hormona hermafrodita, inmortal, que induce la aparición de los caracteres sexuales secundarios masculinos, como la barba en el hombre y la cresta en el gallo.

Fue introducido durante la expansión Wari-Tiwanaco, el dios principal, creador del Universo e todo lo que en el existe: la tierra, el sol, los hombres, las plantas, adoptando distintas formas,  creyendo así sus seguidores que el  estaba en todas partes.

O culto al Dios creador supone un concepto que abarca lo abstracto y lo intelectual, siendo un dios destinado solo a la nobleza.

Este dios, o Huaca, en la cultura andina del Perú, puede ser tanto una divinidad como el lugar donde una divinidad es ocultada.  Era una waga, lo que en el idioma  quechua, significa de respeto,  una waqa significa  persona u objeto "sagrado", de valor y respeto. Merece estar dentro de El Dorado, por tras de la puerta del Sol, en donde tamaña divinidad era continuadamente adorada, no se ponían los ojos en el dios sol o el castigo aparecía como una ceguera, real o provisoria. Cuando bel Dios Sol dormía, había sacerdotes y curacas que iluminaban su lugar con grandes fuegos, antorchas y todo tipo de luminosidad, para tener su brillo siempre presente, mientras el Dios Sol descansaba o iba a otras partes del mundo, siendo esta segunda idea una inducción mía, retirada de textos leídos. Mitos y  leyendas. Si el Inca era su representante y estaba o en el Cusco o en Machu Pichu, ¿cómo iba existir más mundo fuera del reino de los cuatro lugares o Tawantinsuyö?

 Aparentemente también en la iconografía de los habitantes de Caral  de Chavín, antiguas ciudades del actual territorio del Peru

Fuente: lo que he estudiado de la iconografía de los nativos de las actuales repúblicas Amerindias, aparece, sin citaciones, en  http://pt.wikipedia.org/wiki/Viracocha . Es posible observar que las personas de la cultura andina no confían solo en sus capacidades como seres humanos que dominan la naturaleza, hace  falta también una iconografía, de la que piensan, por no haber sido creados por otra identidad, son capaces de cuidar su obra, entre las que se cuentan los seres humanos. De ahí nace el concepto iconografía, o descripción de imágenes, retratos, cuadros, estatuas o monumentos, y especialmente de los antiguos. Las personas necesitan cuidarse del mal que pueda recaer sobre ellos y su obra. El problema es cuál es el mal. El diccionario que me asiste, define el mal de forma redundante: lo contrario al bien, lo que se aparta de lo lícito y honesto.

 

Lícito y honesto es lo que la iconografía manda hacer, como hemos visto antes, el respeto al creer en los espíritus, su creación como espíritu con capacidad, sagrado, honesto. Es una teoría de la teología andina, como cualquier otra teoría que piensa que hay vida después de la muerte y que durante la vida, las personas obedecen lo que la divinidad creada por misma, dicta el comportamiento y las maneras de ser entre las personas

Los valores pueden ser trastocados convirtiéndose en antivalores que, al ser cultivados por el hombre, le hacen perder el equilibrio emocional convirtiéndose en disconformidad, zozobra, e incredibilidad, las que luego pasan, a la sociedad y la convulsiona,  con la consecuencia el estancamiento del progreso, la falta de desarrollo, la pobreza, la miseria, la delincuencia, la guerra y la muerte.

Los valores cultivados por el hombre en forma positiva, afianzan su individualidad y su personalidad.

Los antivalores se caracterizan porque producen caos, incomprensión e incapacidad para resolver los problemas que afectan a la sociedad


(Continua)

 

 

 



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Domingo, 15 de Abril de 2012
LEMBRANÇAS DE MÃE - por Raúl Iturra

 

Nós, adultos, esquecemos que a mãe é pessoa e vemo-la como processo. Além do carinho e emotividade que unem uma criança com a sua progenitora, existem, de forma igualmente importante, os diversos estágios que atravessa uma mulher que acaba no seu caminho de mãe. O primeiro, é ser mulher, até aos nossos dias, não se inventou um ser que a substitua na estrutura hormonal e na configuração biológica necessária para dar vida a um bebé, amá-lo e amamentá-lo. Muito menos, a invenção da leveza do ser que caracteriza a relação mãe/criança. Não consigo esquecer a frase de um amigo ao me confidenciar a tristeza que tinha pela sua mãe ter ficado inválida: não sei o que fazer...apenas consigo chorar. A minha resposta foi rápida e directa: o que o meu amigo chora não é a doença da sua mãe, o que chora é a falta do mimo embelezado dos carinhos dela. Doravante, será o contrário: é a mãe que vai precisar dos cuidados do filho! Ele, incapaz de devolver essa elegância de mimos que na sua infância, a sua mãe lhe incutia, optou por nunca mais a visitar. É esta arte da fuga que os (as) filhos (as) adultos, configuram na relação ascendente/descendente, face a pais já anciões, no seio de uma sociedade que ensina (embora nem sempre se aprenda) a honrar pai e mãe. O hábito de contar, desabafar, ser aconselhado, fica inserido na mente do adulto maduro, como se fosse ainda um catraio. Mais difícil é, ainda, se a mãe passa a ser uma pessoa lenta, esquecida, tornando-se bebé ela própria ao regredir, como já referido sobre a criança velha.

 

Mas, se a mãe é um processo, é preciso sairmos da regressão para entrarmos na História. A rapariga casa com paixão - ou opta por uma união de facto – actualmente é igual. É dentro dessa paixão que o bebé é estruturado, até se converter num ser humano autónomo que precisa apenas da sua mãe, a quem pergunta o que fazer com os seus próprios filho. E a mãe, leal como sempre é com a sua criança, ouve, vê, sente e proporciona ideias. Conforme o caso. Existem mães que ignoram os filhos; por serem raras, não as vou referir. As lembranças de mãe passam por factos que a criança nunca entendeu e, como adulto, ignora e não partilha com a sua gestora. Foi por acaso que, no Diário de Vida de uma Senhora, li este pensamento: como devo fazer para a minha pequenada não ouvir a intimidade que tenho com o pai, os meus suspiros, os meus naturais gritos de prazer, a exibição da minha nudez que desejo mostrar ao meu homem para o manter vivo? E se o meu pequeno entra ao quarto...??

 

Este é o problema que a maior parte dos adultos têm. Especialmente as mães. O corpo da mãe tem várias funções. A primeira, é ser ela própria e considerar qual a forma de manter a sedução para o seu homem. Uma mãe não é apenas uma entidade que amamenta a descendência: é também cônjuge ou parte integral de uma relação que permite que o seu estatuto maternal seja um processo de crescimento. Ocultar o corpo que deve também mostrar, é um dos dilemas da mulher. Dilema não contraditório, mas muito delicado. Diz esse Diário de Vida, que me ofereceram num meu trabalho de campo: estávamos a namoriscar a noite passada [sempre à noite, não sei porquê], entrou no quarto, de forma inesperada, o nosso filho mais velho; foi preciso esperar, dissimular, trocar lugares na cama...a correr. No entanto, penso que ele intuiu uma «aldrabice», ao comentar no dia seguinte se a mãe estava a brincar à Julia Roberts em Notting Hill, ou à Andie MacDowell em Quatro Casamentos e um Funeral, quando elas mostravam os seios, tal como eu ao meu homem.

 

Dilema de mãe, lembrança de mãe. Lembrança de mãe porque para o homem é natural mostrar a intimidade que tem a uma mulher: a sua ou outra qualquer. Não há lembrança no Diário de Vida da mãe ter tido outro homem além do pai. Porque a lembrança da mãe tem por base o sentido de pertença para a pessoa com ela comprometida e à qual se comprometera na saúde ou na doença, para toda a eternidade. Conceito de fidelidade ou lealdade, base também para toda a interacção com o mundo exterior. A lembrança que desenha melhor a mulher/mãe, é a entrega à sua casa e aos que nela vivem, sejam adultos ou crianças. Relação que passa à frente de qualquer outra, do cansaço do trabalho que lhe é impingido, pela forma económica actual de ser mulher e trabalhar para fazer a sua parte e manter o lar. Lembrança dupla da mãe: trabalho doméstico nas suas mãos, trabalho económico fora do lar mas para o lar e os seus. É a entrega infinita no seu processo de adquirir o estatuto de progenitora, apenas reflectido no mito religiosa de uma Nossa Senhora, das muitas que existem face ao grupo social. Uma Nossa Senhora a concorrer com o real progenitor.

 

O Diário tem muitas lembranças, desde a alimentação à intimidade sexual. No entanto, foi esta última que chamou a minha atenção. Raramente se fala da intimidade dos adultos da casa, principalmente das lembranças da mãe. Como diz um outro amigo: um calafrio percorre o meu corpo se penso na minha mãe a fazer as «porcarias» que eu faço com a minha ou com outras mulheres. A mãe não tem direito ao seu próprio divertimento e, muito menos, a falar dele, mesmo que a conversa seja pura, calma e directa. A mulher/mãe é apenas um processo de criar e amamentar. As roupas, o batom, as pinturas, as jóias, e até os namoros com outros homens podem acontecer porque são naturais. Um desejo natural de possuir figuras diferentes do eterno companheiro adquirido até à morte porque o Concilio Romano de Trento assim o definiu em 1539. Será que Alice Miller, em 1998, estava enganada ao escrever que A verdade libertar-te-á, ou em 1984 Não sereis conscientes da verdade. A traição da criança. Ou Melanie Klein no seu artigo de 1928: Estágios iniciais do conflito Edipiano, ou ainda Eduardo Sá, em 1995, ao falar das Más maneiras de sermos bons pais. Qual das duas ideias de Daniel Sampaio é mais importante, a de 1994, Inventem-se novos pais, ou a de 1998: Vivemos livres numa prisão

 

Não posso concluir. A temática é extensa e demasiado importante num País Romano como Portugal. Mas, ficam na minha memória as confidências de outras lembranças das muitas mães que comigo falaram, para saberem como podiam ser explícitas com os mais novos, na explicação de que eram mulheres ao mesmo tempo que mães, porque os seus filhos não cresceriam se não entendessem essa diferença fundamental. Diferença que leva muitos a pensarem que um adulto deve ocultar a sua vida à criança. Especialmente, as lembranças da mãe, porque ser mãe é o processo de entrar como uma Nossa Senhora, ideia que a maior parte dos Cristãos Romanos, dos Koptos do Líbano, os de Arménia e dos Ortodoxos da Grécia e da Rússia, utilizam para definir a mulher. Nunca se pode esquecer que é mãe e não mulher, muito menos senhora, porque é apenas Sra. de… Tratamento injusto e desadequado como temos visto nos dias de guerra que vivemos, ao observamos serem elas  a procurar alimentos, enquanto eles aldrabavam com armas fracas para se sentirem masculinos a lutarem contra um inimigo configurado. A lembrança da mãe alimentar, levou imensas mulheres a passar em frente das balas. Como a minha própria mãe, a única que me visitou num campo de concentração, faz já trinta anos. Curou o meu sarampo, aconselhou-me nas doenças das netas, com discrição, e soube guardar distância silenciosa entre as suas ideias monárquicas e as minhas socialistas, que, sem saber, apoiou. Pelo que fico agradecido. Mais uma lembrança de mãe, porque o seu amor é incondicional.

 

                                                                                           



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Sábado, 14 de Abril de 2012
Memorias de un extranjero extravagante – 59– por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Cuando aconteció lo que aconteció el 11 de Septiembre de 1973, en el mismo día de la muerte del Presidente Allende, su propia familia Correa García Huidobro lo metieron en un avión y lo fletaron para Europa, abandonando a su mujer, que estaba conmigo en un campo de concentración, sus ideologías, compromisos con sus colegas en peligro, pensó que recuperaría su fundo de Colchagua, que fue entregado a un capitán, tuvo ese minuto para visitar a su mujer, mi hermana, propuso divorcio, lo agarré por el culo y el pescuezo y le prohibí entrar no solo a nuestra casa, bien como si lo veía en el vecindario, lo entregaba a los amotinados. Nunca más supe de él ni sabré. Su madre Correa García-Huidobro, era pariente de mi amigo el viejito Celedonio, también propietario en Colchagua, pero era un Señor, nunca tuvo miedo a nadie, no le retiraron sus tierras, ni a él ni a mi amiga, su hija Paula. Sabía imponer respeto.  Nadie lo tocaba, ni las fuerzas armadas, que lo respetaban por su sabiduría, su buen mando, su respeto a las personas y su apoyo a los inquilinos de sus tierras. El otro, se daba ínfulas de ser el quinto tetra nieto del Conde de la Conquista, Don Mateo de Toro y Zambrano y Ureta, quien el 18 de septiembre de 1810, libertó a Chile del dominio de la corona de España, a sus ochenta años, al entregar el poder a un Cabildo de chilenos: - Santiago, 26 de febrero de 1811), vizconde previo de la Descubierta, conde de la Conquista y caballero de la Orden de Santiago, fue un militar y político criollo chileno. Era un hombre digno, diferente a sus descendientes, lo que lo enaltece. Su famosa frase fue, cuando Napoleón invadió España, llevándose al Rey Fernando VII a una dorada prisión en Francia y puso en el trono a su hermano José, como todos sabemos, convocó al Cabildo de Notables mencionado antes, dijo de un modo calmo y quieto: no tenemos rey, os entrego el poder y el mando que el depositó en mí, para que os gobernéis, Chile es libre. Y se fue a su casa. Sin embargo, fue elegido Presidente de la primera Junta Gobernante de Chile, con los hermanos Carrera, patriotas de corazón, y de un propietario rural, que se presentó a prestar servicios a la Patria, fue armado coronel, capitán después y General de las Fuerzas Armadas, que libertaron Chile cuando el Rey volvió y reconquistó las colonias de su propiedad. O´Higgins y San Martín, el Libertador de Argentina, ganaron la batalla contra los retornados realistas, historia que todos sabemos y no voy a repetir. Chile pasó a ser una República, gobernada por el propietario rural, hijo   del Vice Rey de España en Lima, Ambrosio O’Higgins y de doña Isabel Riquelme y Mesa. El abrazo de Maipú, cuando O’Higgins y San Martín libertan Chile de los realistas, el 12 de Febrero de 1818, después de ganar la batalla de Chacabuco, al pié de la Cordillera de los Andes, por donde habían entrado las fuerzas libertadoras, referido en páginas antes de esta.

 

Libertar Chile, fue difícil. Los chilenos pasaron a ser héroes. Gobernarlos, fue aún más difícil. Son ya doscientos los años de la Independencia, con guerras civiles y el despojo del poder del Gobernante, denominado Director Supremo, que fue enviado al exilio como sabemos, y nunca más regresó vivo a Chile, como he analizado en las páginas previas. Con todo, el militar afortunado, el político honesto y consciente, hubo de afrontar pruebas muy duras, como fueron los rencores desatados tras el ajusticiamiento en Mendoza de los revoltosos y anti patriotas hermanos Carrera, que habían formado un gobierno chileno paralelo en Cuyo, Argentina,  y la insurrección de Concepción[1]. El 28 de enero de 1823, un cansado O'Higgins abdica del mando supremo de la patria y aceptaba el nuevo gobierno. Poco después abandonaba Chile rumbo a El Callao, el mejor Puerto del Perú.

 

Su objetivo era seguir viaje a Inglaterra junto con toda su familia. Para ello confiaba en los rendimientos de unas haciendas peruanas que San Martín le había donado, pero los realistas ocupaban todavía buena parte del territorio y la situación era caótica. Recibido con todos los honores, fue amablemente presionado para que asumiera el mando de las fuerzas peruanas. A la llegada a tierras peruanas del Libertador Simón Bolívar, O'Higgins entró en contacto con él y selló una fuerte amistad, al convertirse en un distinguido miembro de su Estado Mayor. El resto de estas páginas de la historia de Chile, han sido narradas antes.

 

Estas páginas son de la historia de Chile, del pasado. Faltan todas las recientes. Esa actualidad de un Chile traidor, recuperado con la muerte del dictador no supremo, pero asesino y traidor, como sabemos.

 

El conjunto de libertad, independencia, formación política de una Nación, dejaron un legado de subordinación a los  patrones de Chile, que aún se refleja en la realidad actual, como fue en los tiempos del Gobierno de tres héroes, victimizados por un pueblo sin norte, hasta la asunción al poder otra vez, de la democracia en 1990, después de 18 años de una dictadura comprobadamente asesina.

 

Había una cierta veneración entre los trabajadores del campo para el despojado patrón, en el Gobierno de Allende.. De hecho, les debían la vida por permitirles trabajar en sus tierras. Pensando como socialista, no podría menos que decir que era justo repartir las tierras entre los que producían y no entre los que guardaban para ellos el lucro de la producción y el la plusvalía que retiraban del trabajo de los inquilinos. Podían parecer divinidades por su vestir, las casas que tenían, los colegios privados y caros en que estudiaban sus hijos. Ellos no podían hacer igual y se encomendaban a los milagros y a los santos, a los que les encendían velas, pedían ayuda y rezaban para poder sobrepasar su pobreza y el exceso de trabajo. Los antiguos dioses estaban de su parte, así lo pensaban ellos en su deambular siempre por los mismos potreros, chacras y viñedos. El culto cristiano era y es muy semejante al culto de las divinidades nativas, entre las que se escondió el culto al patrón.

Las dos  formas de creer, usan imágenes que pasan a ser, como diría Paulo Freire, conceptos que parecen ser la divinidad encarnada y son reverenciadas. Hay pensamientos semejantes entre las dos religiones, la nativa es politeísta y la católica, monoteísta, humanizan sus divinidades: cada imagen                      

tiene un deber diferente   como el tótem Chemail, que muestro en la imagen, o el tótem Pechehuen, al lado de la otra. Para su construcción se usa madera de roble pellín por su resistencia y de laurel por su connotación medicinal. Forma: tienen figura humanoide (hombre y mujer) tallados de forma rústica, dura y recta sin mucho detalle. Tamaño: más de 2 metros de altura. Color: el de la madera (colores tierra y medios rojizos).Textura: adquiere la textura del madero tallado irregularmente, en la parte de las piernas no hay mucho trabajo de tallado.

 

 


[1] El militar Juan Manuel Benavente, encabeza un movimiento en Concepción contra Martínez de Rozas, y depone a la junta de esta ciudad el 8 de julio de 1812. Carrera nombra a Benavente gobernador de Concepción y queda árbitro absoluto de todo el país. Martínez de Rozas sale desterrado para Mendoza, donde muere el 13 de marzo de 1813.

 



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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
Memorias de un extranjero extravagante – 55– por Raúl Iturra

(Continuação)

En esos días de sorpresa por el éxito de ganar unas elecciones para la Presidencia de la República y el incremento en la votación en las municipales de 1971, andábamos siempre el lado de los campesinos con un grupo de sacerdotes que eran los capellanes de los trabajadores de la tierra. Me junté a ellos, eran buenos amigos y me pedían que en las misas que celebraban los sábados en la tarde, en el momento de descanso del trabajador, explicara trozos de la Biblia, para así difundir la idea de que la vida iba a cambiar con el nuevo gobierno. Mi primera homilía fue, como bien recuerdo, el libro Éxodo . Hasta yo quedé sorprendido por mi interpretación. El hecho de ser un extranjero, mi forma de hablar y de vestir, despertaba el interés de los trabajadores. Era lo que me parecía que estaba a acontecer en Chile.

 

Los relatos del ÉXODO se mueven entre dos puntos geográficos precisos: Egipto y el Sinaí. Allí se desarrollaron los acontecimientos que hicieron de Israel el Pueblo de Dios: la salida de Egipto, el paso del Mar Rojo y la Alianza del Sinaí. El recuerdo de estos acontecimientos se grabó para siempre en la memoria de Israel, y se convirtió en el fundamento mismo de su fe. Por eso, el libro del Éxodo ocupa un lugar prominente entre todos los libros de la Biblia, y ha sido llamado con razón el "Evangelio" del Antiguo Testamento. Leer y hablar sobre el Éxodo, me daba la impresión de ser lo que en Chile estaba a acontecer. Especialmente cuando debatíamos con mis amigos sacerdotes, que interpretaban la realidad conforme le teoría patrística , lo que había sido heredado de los fundadores de la Iglesia Católica. Éramos socialistas , ya lo sabíamos. Por otras palabras, pensábamos conforme a un sistema de organización social y económico basado en la propiedad y administración colectiva o estatal de los medios de producción y en la regulación por el Estado de las actividades económicas y sociales, y la distribución de los bienes o movimiento político que intenta establecer, con diversos matices, este sistema. Sin embargo, ¿miembros de que tipo del movimiento socialista?

 

Había varias maneras de ser socialista, como la socialdemocracia disidencia del marxismo, consistente sobre todo en rechazar la orientación revolucionaria de la lucha de clases, y en propugnar una vía democrática hacia el socialismo. El tipo Durkheim de ser socialista. Esta era la forma de socialismo que encontramos en Allende y que nos llevó a elegirlo como Presidente de Chile. No queríamos guerra, ni queríamos lucha de clases. Sabíamos que había diversas clases de grupos humanos y mucha ansiedad por poseer medios de producción, con la idea de compartirlo lo que teníamos con quienes tenían menos bienes o medios de producción. Quien implantaba la lucha armada, era la burguesía cuando sabía que sus bienes eran arrebatados y transferidos a los pobres de la nación, pasando a ser ellos los proletarios. El problema era éste: cada uno de los sistemas derivados del socialismo que, al renunciar a la propiedad pública de los medios de producción, aunque no a su regulación y control, tienden a confundirse con el estado de bienestar capitalista. Eso, ni Allende ni nosotros. La vía chilena al socialismo a que aspiraba él y nosotros sus seguidores, era buscar la igualdad de bienestar y renunciar a la acumulación de bienes. Chile había sido y lo es aún, un país capitalista, con sus matices de colaborar en la elevación de los que menos tenían, con los que tenían más. Como digo al principio de este texto, un socialismo del tipo Babeuf y Maréchal: la igualdad provenía del autogobierno de las comunas o distritos.

 

Don Carlos sabía eso, razón por la cual no nos excomulgó cuando supo que habíamos fundado el movimiento cristianos para el socialismo, a pedido de Fidel Castro. Mi Obispo sabía que buscábamos la igualdad escrita por Babeuf en el manifiesto de los plebeyos en 1785, que precipitó una revolución y aconteció apenas una mudanza de personas dentro de las mismas clases. Antonio Gil Pérezagua, Hugo Gutiérrez y otros varios sacerdotes, mis amigos luchadores por el socialismo, nos enfrentamos con el Obispo en un debate público, pero sitio privado. En frente de nosotros estaban sentadas la jerarquías episcopales y en frente de todos ellos, Hugo y yo. Éramos pocos los de jerarquías partidarias que habíamos adherido a cristianos para el socialismo. Daba la impresión de ser una contradicción. De parte de la jerarquía católica, todos ellos nos acusaban de haber iniciado un movimiento subversivo para retirar de la propiedad que tenían, sus bienes, lo que era un pecado. Don Carlos habló con ese tono arrogante e irónico que usaba para hostilizar.

 

Me sentí hostilizado y hablé y nadie me podía parar. Mi conversación era sobre la igualdad de derechos humanos, sobre lo difícil que era poder enseñar al pobre pueblo, o al pueblo pobre, el abecedario de la igualdad y que la propiedad era para ser usada en beneficio de todos, que sabía que estaba en lo cierto porque el Espíritu Santo estaba tanto conmigo como con los Obispos ahí sentados, que era un soplo divinos que caía sobre todos desde que aceptáramos su existencia. Que los Obispos y su Conferencia estaban muy engañados al pensar que queríamos lucha civil, porque toda nuestra aspiración era la igualdad social.

 

Que reconocía que muchos trabajadores, al sentirse propietarios, se sentían como el patrón y hostilizaban a sus compañeros, dividiendo la tierra de la antigua unidad de en trozos adjudicados a diferentes personas, era la reforma campesina dentro de la reforma agraria, las dos una perversión del capital que reconocía que era un delito repartir una viña por surcos entre varios, que las mujeres solteras no tenían derecho a nada y eso era un castigo que las obligaba a casar por conveniencia con quién no amaban, para poder tener una parte del quiñón de bienes que nuestro Presidente andaba a repartir por el país. Don Carlos tentó hablar, yo estaba emocionado y con la adrenalina a correr por todo el cuerpo, diciéndole que si quería hablar, lo hiciera después, porque nos había lanzado una perorata de amenazas que asustaba al más fuerte. Acabé diciendo que pedía a su divinidad que lo perdonara por las injusticias que nos adjudicaba, porque en verdad, me parecía que la suya era diferente a la mía: mi divinidad entendía y no me acusaba, la suya estaba a defender a los que todo tenían.

 

Conocía bien a mi obispo y lo vi triste, me acerqué a él, le di la mano, de un empujón lo levanté, lo abracé y le dije que, excomulgados o no, él seguía siendo el hombre que admiraba. Lloramos los dos y una gran cantidad de aplausos vinieron de las dos bancadas de los jerarcas. No podía dejar de decir lo que dije y que transcribo a partir da mi memoria y de mis cuadernos para anotar la vida, que andan siempre conmigo.. En esos días, mi mujer y yo nos habíamos separado. Había problemas en la vida matrimonial que yo sabía y ella no sabía de mi seguridad de los hechos.

 

Era yo acompañado por una inglesa que andaba conmigo por Huilqilemu y oía mis quejas con santa paciencia, Corría el rumor de que éramos amantes. Me parece que los rumores son la peor manera de deshacer una amistad y romper la confianza dentro de la familia y con la amiga que creen en nosotros. Esta separación fue fruto de la hecatombe que vivíamos en Chile por el inminente estado de sitio de la burguesía para derrocar a Allende. A decir verdad, andábamos todos derrocados antes del golpe final: el tan hablado suicidio de Allende. Huilquilemu es una aldea que tiene el nombre en la lengua de la tierra o mapudungun, que en castellano chileno significa bosque de zorzales

 

(Continua)

 

Emigración de un pueblo o de una muchedumbre de personas. Ciencia que tiene por objeto el conocimiento de la doctrina, obras y vidas de los Santos Padres. Teoría filosófica y política del filósofo alemán Karl Marx, que desarrolla y radicaliza los principios del socialismo. Nombre vulgar de varias aves paseriformes del mismo género que el mirlo. El común tiene el dorso de color pardo y el pecho claro con pequeñas motas. Vive en España durante el invierno. En Chile significa también papanatas. O persona simple y crédula o demasiado cándida y fácil de engañar.



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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
Memorias de un extranjero extravagante – 54– por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Lo que más me atraía era nuestra escuela campesina. No sospechaba que el trabajo era hecho por varios de nosotros bajo la jefatura de mi amigo Francisco Vio que buscaba una carrera política para él. El CEAC era la plataforma para sus ambiciones de caudillo. No es un mal pensamiento, es lo que se me ocurre ahora, pasados los años. Dejó la escuela campesina, gestionó en el nuevo Chile con amigos socialistas para ser nombrado Director de la Corporación de la Reforma Agraria de las cuatro provincias del Maule. Expropió y expropió tanto cuanto posible y donde no había motivos, los inventaba, incluyendo la expulsión del propietario de la tierra con las famosas y de triste recuerdo, Fuerzas Armadas de Chile.. Era su plataforma para su pretensión de ser Diputado, Secretario de Estado y Ministro. No ganó la elección porque todos podían ver en él la ambición que refiero. Era yo un ciego para esa pretensión. Además, estaba ocupado con mi investigación, los libros que escribí y las clases que daba a las señoras de mañana y a sus maridos de noche. Venían como si fuera una imposición patronal, tan habituados estaban al resuello del caballo del caporal. Era ese mi motivo para estar contra la reforma agraria: había que enseñar primero y actuar después. Escribí varios ensayos contra la medida en textos, libros y periódicos. Lo he dicho en otros libros de mi autoría, especialmente en Chile Hoy, dirigido por Marta Harnecker, discípula de Althuser, el peor marxista que conocí en Paris: La Reforma Agraria es una medida precipitada que debe esperar. Recibí todos los nombres de traidor a la causa, pero el Ministro de Agricultura, Alarcón, me envió una carta de agradecimiento por mi valentía, que contaba conmigo para parar esta medida política, no bien pensada aún por la UP. Era una medida de propaganda que fue uno de los motivos de la caída de Allende y su suicidio. Como digo en un texto: la reforma agraria es una medida precipitada. Recuerdo el día en que, andando por los caminos de Huilquilemu, villa rural cerca de la universidad, donde iba a vivir siempre que quería saber cómo vivían el socialismo y la reforma de la agricultura, entender cómo se sentían los trabajadores ahora que eran dueños de la tierra en que trabajaban. Para mi sorpresa, me encuentro en el camino a Ventura Galván y un grupo de trabajadores campesinos que daban apoyo a su pretensión: devolver las tierras y herramientas de trabajo a la Corporación de la Reforma Agraria, CORA, porque no sabían cómo trabajarlas o que parte de la tierra era de cuál familia, era para ellos un desespero ser propietarios, habituados como estaban a trabajar la hectárea de hortalizas, pago del propietario a los que trabajaban sus tierras. No puedo negar que quedé muy sorprendido. Pensaba que los trabajadores de la tierra estaban felices de tener todas las hectáreas para ellos. Pero cómo lo iban a estar, si lo que sabían de agricultura, era lo que hacían en le tierra de las hortalizas, en donde no había árboles de frutos para exportar o no sabían cómo podar esos árboles, menos aún cultivar las viñas o inundar grandes trozos de tierra para el cultivo del arroz, la planta más delicada y abundante en los valles de Chile, con gran éxito en las compras por países extranjeros. Era un desespero y era comprensible que el pasar de inquilino a propietario, con conciencia de la necesidad de saber producir. Faltaban los que habían sido expulsados, capataces, ingenieros que trabajaban temporalmente en varios fundos para dirigir el trabajo de los obreros, sin nunca transmitir la técnica que habían aprendido en la universidad: no era en vano esos cinco o seis años de licenciatura para que la tierra floreciera y diera fruto, el orgullo del licenciado. El grupo de Huilquilemu, con esa conciencia de querer ser buenos productores, se desesperaba porque no sabían cómo era producir. La división del trabajo que Durkheim nos enseñara en 1893, no estaba de parte de ellos, los había colocado en el grupo social más bajo de la producción. Nuestra intención de enseñarles a leer y escribir, tenía ese objetivo, un primer paso casi imposible. Llevaban tractores, máquinas de cosecha y títulos de propiedad para devolver las tierras a la Corporación de Reforma Agraria. Me planté en el medio del camino y dije a Ventura, el marido de Margarita Huenchu, mi estudiante, que entendía que no supieran trabajar la tierra, nunca habían estudiado, pero sería necesario soportar por ser una medida políticamente incorrecta. Discutimos varias horas, volvieron a Huilquilemu y el golpe contra Allende vino a seguir. Mi poder venía del conocimiento que ellos sabían que tenía sobre esta medida. Fue todo un fracaso, como en muchos otros precipitados países, la Reforma Agraria fue siempre un fiasco. Los Agrónomos descasaban calmamente en sus gabinetes, dejando para después ir al campo a enseñar. Me movilicé como un loco y conseguí que fueran a trabajar y a enseñar no alfabetización, pero agricultura y como se explota la tierra parta cosechar, vender, y exportar, así entrar divisas al país, como debían ser tratadas las plantas, el uso de ellas, abonar la tierra con productos adecuados y no con abono casero, preparado en un hoyo del suelo de la casa, con productos que empodrecían y servían para preparar un humus que daba fuerza a la tierra para que las viñas, los árboles frutales, el arroz, las betarragas y otras plantas fueran de buena calidad, que transformadas en productos de consumo, se podían exportar, ser vendidas y entrar divisas al país . Era lo que más precisábamos. Como defensa, los trabajadores rurales preparaban ese humus, una forma tradicional de fertilizante, creado centenas de años antes de la época de los productos químicos. El triunfo en las urnas de la Unidad Popular suscitó, entre otros, dos efectos. El primero, un cerco al país organizado por las naciones más ricas y poderosas del mundo que prohibían vender bienes que Chile no producía y necesitaba importar para usar o consumir. Quién lideraba este cerco, era el gobierno republicano de Nixon, con la colaboración de su Secretario de Estado, Henry Kissinger, que fue laureado con el premio Nobel de la Paz. No por su intervención en Chile, pero por haber puesto fin a la guerra de Vietnam. En esos tiempos, los dólares corrían por las calles de la República. Pero esa parte de la Historia fue más tarde que los primeros días de alegría y jolgorio por el triunfo de la Unidad Popular.

 

(Continua)

 

_____________

Émile Durkheim (Épinal, Francia, 15 de abril 1858 – París, 15 de noviembre 1917) En diversas obras como “La división del trabajo social” y “Educación y Sociología” Durkheim sostuvo que la sociedad moderna mantiene la cohesión o la unión debido a la solidaridad. Durkheim consideró que hay dos tipos: la solidaridad orgánica y la solidaridad mecánica. La primera es aquélla que se da en las sociedades industriales como consecuencia de la división del trabajo en las empresas, lo cual hace que las personas sean cada vez más diferentes entre sí y el sentido de pertenencia a un grupo que predomina en las comunidades pequeñas o en la familia puede diluirse. La segunda es aquélla que se presenta en comunidades rurales, la familia y grupos de mejores amigos, donde las relaciones y la comunicación son “cara a cara”. Capa superficial del suelo, constituida por la descomposición de materiales animales y vegetales Regozijo, Fiesta, diversión bulliciosa.



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Domingo, 8 de Abril de 2012
“ESTÁ NA MODA FALAR-SE SOBRE HOMOSSEXUALIDADE” - por Raúl Iturra

No mês de Maio de 2007, no Jornal A Página da Educação , escrevia eu um texto sobre a temática. Uma temática que tem preocupado ao mundo desde que eu lembro das minhas leituras, aprendizagem, os meus debates, observação participante em terreno e defesa da livre opção. Penso que de muito que há que dizer sobre a livre opção, várias foram já mencionadas no texto referido. O que foi o que defendi, leia o texto, eu não me lembro. Lembro-me, sim de ter citado uma frase da capa de um DVD , mas esqueci as imensas frases de publicidade, bem mais importantes que a da capa: “Era uma amizade que se tornou um segredo”, “Há lugares que no devemos voltar”;”Há verdades que demos revelar”; “Há verdades que não podemos negar” . Este diálogo, entre outros, acaba por ser mais importante e interessante que o da capa do filme.

 

É o debate entre dois homens que se amam, um deles todo decidido a levar uma vida aberta com o amor da sua vida, o outro todo temido por não estar a cumprir ou obedecer a denominada ética social. Os dois casam e têm filhos, mas casam com mulheres que são uma paixão de dias para se reproduzir e ter descendência, porque a lei o diz e a sociedade o manda, bem como por existir uma certa paixão que duro a criação dos descendentes. U mais decidido, acaba morto novo, o mais reticente, morto em vida durante muitos anos a imaginar que vive com quem amava e não com quem tinha crianças. Os ciúmes das suas mulheres, não têm destino, não sabem o que nem como fazer para retirar dos afectos dos homens que elas amam, um amor para elas desconhecido. Se for uma deslealdade, um engano denominada deslealdade, um amancebamento de poucas horas ou bigamia de curta ou longa duração, ou amante de meia hora, elas sabia, o que fazer e como agir.

 

Mas, mulher a tentar lutar para reaver ao homem que ama que vive praticamente com outro homem, é uma verdade sem palavras. Sem palavras não há conceito, não acção que seja possível entender. Ando a pensar e escrever muito sobre este comportamento, desde que em 1896 Freud define a natureza humana como bissexual. Há um debate entre Sigmund Freud e Donald Woods Winnicott, sobre o amadurecimento do ser humano para criar, ideia da qual não se fala ao referir amor dentro do mesmo género. No meu ver, as instituições de seres humanos que procuram opções sexuais, falam mais do orgasmo, da paixão, do que diz a fé religiosa e da opinião social, ignorando absolutamente a ideia de paternidade – maternidade, de educação dos mais novos que parece ser impossível se o par que cria, são do mesmo género.

 

Assunto que não se debate nem aparece na lei ou os Catecismos de Doutrinas Cristãs ou Muçulmanas. O que interessa aos jornais é quem faz o papel de homem, quem o de mulher, quem lava a loiça, enfim, assimilar ao casal homossexual ao casal heterossexual e não a criação da prole, dever mais importante na nossa cultura. A paixão dura e acaba num pestanejar, excepto em casos de amor entre dois seres humanos que, por se respeitarem um ao outro, precisam do prazer do carinho íntimo. Mas de criar seres humanos novos, apenas lembro um acórdão de um tribunal de Lisboa que entregara a criação dos seus descendentes ao pai e ao seu companheiro, por ser de valor moral e educativo mais alto do valor do acasalamento heterossexual que o pai tinha tido com a mãe dos seus filhos.

 

Fiquei surpreendido com a notícia. Diz que “o País está a percorrer um caminho na direcção certa....” . Mas de maternidade e paternidade, nada diz. Talvez porque ainda a sociedade anda ocupada em entender como é a relação entre seres humanos do mesmo género e mais nada.

 

No meu ver, a sociedade e a cultura que nos orienta, essa da lógica religiosa cristã ou maometana, deveriam pensar mais na reprodução e o amor aos mais novos e não apenas a bisbilhotar em relações das que nada sabem. No consigo esquecer esse filme Philadelphia de Tom Hanks, que debate uma doença, mas nada sobre a reprodução social e a educação de uma prole criada por pessoas do mesmo sexo. Na minha experiência de Etnopsicólogo, tenho sido capaz de apreciar que essa criação é tão normal entre homo e heterossexuais. Depende do feitio, da adrenalina gasta ou usada, do entendimento dentro do casal.

 

Se me disserem que Portugal está a percorrer um caminho certo por permitir o acasalamento heterogéneo, outro galo cantava. Não é o indigitar bisbilhoteiro de como é que é entre casais do mesmo género, o que interessa. O que interessa é a reprodução social que as diversas formas de se acasalar, posa produzir entre os mais novos e os seus amigos.

 

Não falo de pedofilia, é outro assunto que está definido e provado em outros textos meus. Falo apenas da necessidade de reconhecer que há diversas formas de matrimónio, muito embora tenha existido una central elevada a categoria de Sacramento, entre cristão católicos, mas não entre cristãos luteranos, anglicanos, outros. É esse, no meu ver, o caminho na direcção certa e sem preconceitos. Mais uma vez Winnicot vêm a nossa ajuda ao dizer que não é preciso uma mãe, especialmente ao se prender do descendente como única alternativa e actividade da vida. . Por outras palavras, mãe ou pai que não se desmamam do filho ou da sua descendência, é o que faz mal aos mais novos, comportamento bem mais importante que despenalizar o de retirar da lista dos pecados, como fez Wojtila, no seu Catecismo de 1992.



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Memorias de un extranjero extravagante – 53– por Raúl Iturra

(Continuacão)

 

Sin embargo, había más. Los primeros días de la Presidencia de Allende, eran de una grande alegría. El pueblo había triunfado por la primera vez, sin intermediarios como en el Caso de Alessandri Palma. Los meses iban pasando, el prestigio del Presidente crecía y la burguesía temblaba. En 1971 hubo elecciones municipales. El propio Allende decía: estos días recordamos una de las cimas de su trayectoria política. Hace 40 años, el 21 de mayo de 1971, en su Primer Mensaje al Congreso Pleno, delineó las características de la llamada “vía chilena al socialismo”.

 

Un mes y medio después de la victoria de la izquierda en las elecciones municipales (con más del 50% de los votos), Allende planteó a su pueblo una verdadera epopeya: “Chile es hoy la primera nación llamada a conformar el segundo modelo de transición a la sociedad socialista (…) Aquí estoy para incitarles a la hazaña de reconstruir la nación chilena tal cual la soñamos. Un Chile en que todos los niños empiecen su vida en igualdad de condiciones, por la atención médica que reciben, por la educación que se les suministra, por lo que comen. Un Chile en el que la capacidad creadora de cada hombre y de cada mujer encuentre cómo florecer, no en contra de los demás, sino en favor de una vida mejor para todos”. El tiempo de las cerezas comenzaba a acabar y era necesario defender el triunfo del pueblo pobre.

 

Después de su asesinato, a pesar de ser suicidio, por sentirse obligado a morir para evitar una guerra civil, como comenté antes, venía el día de las Fiestas Patrias, siempre celebradas el 18 y 19 de septiembre da cada año, en 1973 los días festivos cayeron siete días después de su suicidio. Pertenecía yo a la resistencia, como relato en mi libro citado de 2010. Habíamos creado esa actividad porque no sabíamos lo que iba a suceder dadas las condiciones económicas y políticas en que acontecían esos días. Juntamos personas anónimas de varios partidos. Yo era la cabeza, después de mí, escogí un segundo quien sería el único a comunicarse conmigo, él a dos, cada uno de esos dos, otros dos combatientes.

 

Me fue solicitado por los Sacerdotes holandeses de Talca, redactar una homilía para el domingo de las fiestas patrias, no fuera algún sacerdote sin cabeza fuera a aplaudir a seguir el Evangelio de la Misa, a decir viva por la muerte de Allende. Lo escribí y lo envié por intermedio de quien lo había solicitado, que tenía un nombre ficticio. Estaba en Talca como Obispo, mi amigo Carlos González Cruchaga, siempre irónico y de buen humor, sarcástico tal vez, con una ironía mordaz y cruel con que se ofende o maltrata a alguien o algo. Éramos amigos y nos respetábamos, pero siempre en tono agradable, lanzábamos dardos con buena puntería. Él sabía que había formado y pertenecía al movimiento cristianos para el Socialismo, a pedido de Fidel Castro. Tuvimos muchos debates sobre este y otros hechos. El día que refiero, fui a su casa, tenía libre acceso, y le solicité que en la Misa de las 12 no hablara atropellos contra Allende ni contra el socialismo. Me lanzó ese ojear, agarró mi barbilla, puso mi cara al sol y me dijo: puedo observar que eres un buen hombre, pero te metes en tantos problemas, que a veces me das rabia, un sentimiento raro en mí, porque arriesgas tu vida. Fue premonitorio: fui llevado al campo de concentración, como sabemos, para ser fuzilado. Antes, me despedí de Don Carlos, que presentía el peligro, me abrazó y besó y agregó: no te olvides que el Obispo soy yo, aunque te pueda parecer mal. Yo hablaré lo que el Espíritu Santo me inspire. Ándate ahora, me voy a olvidar de tu atrevimiento”. Nunca imaginé que hablaría de la patria, de la unión de los chilenos, del olvido de faltas que podían haber sido cometidos por la autoridad y que rezáramos por las almas de los muertos, especialmente los más reciente y de los que infelizmente, van a venir, Chile está enojado….y el Señor también.

 

No era necesaria esta batalla…que nos ha dividido entre buenos y malos. En esta parte, puedo repetir lo que ya escribí en el famoso libro: entre 1970 y 71, la Nación parecía un mar de rosas. Había paz y calma, no parecían existir rivales políticos. Carlos González había sido elevado a la categoría de Obispo de Talca, y mi amigo Carlitos Camus, de Linares. Los fui a saludar, sin dejar de mantener una estrecha relación de amistad con Don Carlos. Aún vivía en la casa del Obispo Letelier, un palacete heredado de su familia.

 

Los disparos simpáticos comenzaron, Después de saludarlo como manda el protocolo y besar su anillo de Pedro, él me dijo: Ya pues, no es necesaria tanta cortesía. La verdad es que él había llegado a Talca en 1967. Me recibió de brazos abiertos y hablamos y hablamos, nuestra conversación personal nunca paraba, dentro de los diez minutos que él concedía a sus visitas, que eran muchas. Sabía que andaba por los campos del Maule en investigación para ver como era el socialismo en libertad. Hablamos de Allende, ni bien ni mal, apenas de su programa como Presidente que, para mi sorpresa, lo encontró cristiano, quisiera o no entenderlo el socialista Jefe de Estado. Para ver las obras que hacía, como Emilito Ruiz-Tagle en su tiempo, me solicitó ir al campo conmigo y mostrar lo que hacía. No fue necesario pedirle que vistiera un traje de cura, siempre andaba de civil y sin solideo: era un hombre liberal, no como ese conservador Emilio, que lloraba aún porque su padre había abandonado a su madre, a quién el tomó bajo su cargo.

 

El divorcio, para él, era un pecado que llevaba al infierno y no quería ese destino para su padre. Carlos González era un luchador y quería ver cómo eran los campesinos en sus casas y dialogar con ellos, comer de su comida y tomar mate, que era su bebida preferida. Sabía que habíamos fundado una Escuela para campesinos en la Universidad y quiso visitarla. Lo llevé, paseamos por todos los corredores. Aún lo invité para inaugurar nuestro CEAC, lo que él aceptó, bendijo el ala que nos correspondía y saludó a todos los trabajadores que él conocía. Me había tramado: conocía bien la vida rural, solo quería ver mi comportamiento con los rurales sin yo sospecharlo. Me dijo, como siempre comenzaba sus frases: Mi señor, Ud. debía haber sido sacerdote… Él sabía lo que decía, su memoria era firme y no olvidaba que me había conocido a mis veinte años, cuando era Director del Seminario Mayor, donde fui a habar con él para pedir admisión para estudios sacerdotales. También esa vez me tomó la barbilla. Me miró profundamente, concluyendo que debía acabar mis estudios de Derecho primero, ver si aún amaba a mi novia y si así fuera, que me casara y criara a nuestros descendientes: haría un buen papel de padre de familia.

 

Parecía un oráculo, excepto la parte final, en que mi devoción a la investigación, lecturas, escribir, dar clases, eran en realidad mi vocación. Actitud mía que me llevó al divorcio: mi mujer estaba cansada con el exilio que aconteció más tarde y su falta de papel dentro de una causa que entendía pero no toleraba: mis horas eran siempre para la Universidad, los estudiantes, las tesis que escribí, cuatro para diversos grados dentro y fuera de Chile. Debo reconocer que, a pesar de ser un amante de mis hijas y de su madre, el tiempo dedicado a ellos no era tan grande como yo pensaba y sentía. No son remordimientos, son sentimientos de soledad, de distancia creadas por mí en mi afán de vida pública y de deseos de saber más. ¡Es un comportamiento masculino que no tiene perdón!

 

(Continua)



publicado por Carlos Loures às 14:00
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Sábado, 7 de Abril de 2012
Memorias de un extranjero extravagante – 52– por Raúl Iturra

(Continuacão)

 

Sin embargo, había más. Los primeros días de la Presidencia de Allende, eran de una grande alegría. El pueblo había triunfado por la primera vez, sin intermediarios como en el Caso de Alessandri Palma. Los meses iban pasando, el prestigio del Presidente crecía y la burguesía temblaba. En 1971 hubo elecciones municipales. El propio Allende decía: estos días recordamos una de las cimas de su trayectoria política. Hace 40 años, el 21 de mayo de 1971, en su Primer Mensaje al Congreso Pleno, delineó las características de la llamada “vía chilena al socialismo”.

 

Un mes y medio después de la victoria de la izquierda en las elecciones municipales (con más del 50% de los votos), Allende planteó a su pueblo una verdadera epopeya: “Chile es hoy la primera nación llamada a conformar el segundo modelo de transición a la sociedad socialista (…) Aquí estoy para incitarles a la hazaña de reconstruir la nación chilena tal cual la soñamos. Un Chile en que todos los niños empiecen su vida en igualdad de condiciones, por la atención médica que reciben, por la educación que se les suministra, por lo que comen. Un Chile en el que la capacidad creadora de cada hombre y de cada mujer encuentre cómo florecer, no en contra de los demás, sino en favor de una vida mejor para todos”. El tiempo de las cerezas comenzaba a acabar y era necesario defender el triunfo del pueblo pobre.

 

Después de su asesinato, a pesar de ser suicidio, por sentirse obligado a morir para evitar una guerra civil, como comenté antes, venía el día de las Fiestas Patrias, siempre celebradas el 18 y 19 de septiembre da cada año, en 1973 los días festivos cayeron siete días después de su suicidio. Pertenecía yo a la resistencia, como relato en mi libro citado de 2010. Habíamos creado esa actividad porque no sabíamos lo que iba a suceder dadas las condiciones económicas y políticas en que acontecían esos días. Juntamos personas anónimas de varios partidos. Yo era la cabeza, después de mí, escogí un segundo quien sería el único a comunicarse conmigo, él a dos, cada uno de esos dos, otros dos combatientes.

 

Me fue solicitado por los Sacerdotes holandeses de Talca, redactar una homilía para el domingo de las fiestas patrias, no fuera algún sacerdote sin cabeza fuera a aplaudir a seguir el Evangelio de la Misa, a decir viva por la muerte de Allende. Lo escribí y lo envié por intermedio de quien lo había solicitado, que tenía un nombre ficticio. Estaba en Talca como Obispo, mi amigo Carlos González Cruchaga, siempre irónico y de buen humor, sarcástico tal vez, con una ironía mordaz y cruel con que se ofende o maltrata a alguien o algo. Éramos amigos y nos respetábamos, pero siempre en tono agradable, lanzábamos dardos con buena puntería. Él sabía que había formado y pertenecía al movimiento cristianos para el Socialismo, a pedido de Fidel Castro. Tuvimos muchos debates sobre este y otros hechos. El día que refiero, fui a su casa, tenía libre acceso, y le solicité que en la Misa de las 12 no hablara atropellos contra Allende ni contra el socialismo. Me lanzó ese ojear, agarró mi barbilla, puso mi cara al sol y me dijo: puedo observar que eres un buen hombre, pero te metes en tantos problemas, que a veces me das rabia, un sentimiento raro en mí, porque arriesgas tu vida. Fue premonitorio: fui llevado al campo de concentración, como sabemos, para ser fuzilado. Antes, me despedí de Don Carlos, que presentía el peligro, me abrazó y besó y agregó: no te olvides que el Obispo soy yo, aunque te pueda parecer mal. Yo hablaré lo que el Espíritu Santo me inspire. Ándate ahora, me voy a olvidar de tu atrevimiento”. Nunca imaginé que hablaría de la patria, de la unión de los chilenos, del olvido de faltas que podían haber sido cometidos por la autoridad y que rezáramos por las almas de los muertos, especialmente los más reciente y de los que infelizmente, van a venir, Chile está enojado….y el Señor también.

 

No era necesaria esta batalla…que nos ha dividido entre buenos y malos. En esta parte, puedo repetir lo que ya escribí en el famoso libro: entre 1970 y 71, la Nación parecía un mar de rosas. Había paz y calma, no parecían existir rivales políticos. Carlos González había sido elevado a la categoría de Obispo de Talca, y mi amigo Carlitos Camus, de Linares. Los fui a saludar, sin dejar de mantener una estrecha relación de amistad con Don Carlos. Aún vivía en la casa del Obispo Letelier, un palacete heredado de su familia.

 

Los disparos simpáticos comenzaron, Después de saludarlo como manda el protocolo y besar su anillo de Pedro, él me dijo: Ya pues, no es necesaria tanta cortesía. La verdad es que él había llegado a Talca en 1967. Me recibió de brazos abiertos y hablamos y hablamos, nuestra conversación personal nunca paraba, dentro de los diez minutos que él concedía a sus visitas, que eran muchas. Sabía que andaba por los campos del Maule en investigación para ver como era el socialismo en libertad. Hablamos de Allende, ni bien ni mal, apenas de su programa como Presidente que, para mi sorpresa, lo encontró cristiano, quisiera o no entenderlo el socialista Jefe de Estado. Para ver las obras que hacía, como Emilito Ruiz-Tagle en su tiempo, me solicitó ir al campo conmigo y mostrar lo que hacía. No fue necesario pedirle que vistiera un traje de cura, siempre andaba de civil y sin solideo: era un hombre liberal, no como ese conservador Emilio, que lloraba aún porque su padre había abandonado a su madre, a quién el tomó bajo su cargo.

 

El divorcio, para él, era un pecado que llevaba al infierno y no quería ese destino para su padre. Carlos González era un luchador y quería ver cómo eran los campesinos en sus casas y dialogar con ellos, comer de su comida y tomar mate, que era su bebida preferida. Sabía que habíamos fundado una Escuela para campesinos en la Universidad y quiso visitarla. Lo llevé, paseamos por todos los corredores. Aún lo invité para inaugurar nuestro CEAC, lo que él aceptó, bendijo el ala que nos correspondía y saludó a todos los trabajadores que él conocía. Me había tramado: conocía bien la vida rural, solo quería ver mi comportamiento con los rurales sin yo sospecharlo. Me dijo, como siempre comenzaba sus frases: Mi señor, Ud. debía haber sido sacerdote… Él sabía lo que decía, su memoria era firme y no olvidaba que me había conocido a mis veinte años, cuando era Director del Seminario Mayor, donde fui a habar con él para pedir admisión para estudios sacerdotales. También esa vez me tomó la barbilla. Me miró profundamente, concluyendo que debía acabar mis estudios de Derecho primero, ver si aún amaba a mi novia y si así fuera, que me casara y criara a nuestros descendientes: haría un buen papel de padre de familia.

 

Parecía un oráculo, excepto la parte final, en que mi devoción a la investigación, lecturas, escribir, dar clases, eran en realidad mi vocación. Actitud mía que me llevó al divorcio: mi mujer estaba cansada con el exilio que aconteció más tarde y su falta de papel dentro de una causa que entendía pero no toleraba: mis horas eran siempre para la Universidad, los estudiantes, las tesis que escribí, cuatro para diversos grados dentro y fuera de Chile. Debo reconocer que, a pesar de ser un amante de mis hijas y de su madre, el tiempo dedicado a ellos no era tan grande como yo pensaba y sentía. No son remordimientos, son sentimientos de soledad, de distancia creadas por mí en mi afán de vida pública y de deseos de saber más. ¡Es un comportamiento masculino que no tiene perdón!

 

(Continua)



publicado por Carlos Loures às 14:00
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
CRIANÇA, TOTEM E TABU - por Raúl Iturra

O caso da Irmã Lúcia de Portugal

 

Oh leitor! Não desmaie se ler mais uma vez esta minha teimosa ideia sobre o processo de aprendizagem das crianças. É tão importante para um povo, é tão interessante para nós, na cauda da Europa esse saber que define o dos mais novos. Curiosas investigadoras da vida, para construir o seu aparelho conceptual ou uma epistemologia para entender o processo de vida.

 

A História, a Economia, a acumulação de Lucro, o Trabalho, o extorquir da mais-valia. Esteja o adulto, consciente ou não do facto, é ele o mentor da criança. Atrevo-me a afirmar, pela pesquisa feita in situ, que o mais novo aprende na base de factos e lendas tecidas sobre pessoas que afirmaram ter vivido uma experiência invulgar: ter visto e falado com a divindade e a hierarquia social que esta origina. Conceito não entendido mas temido pela pequenada. Facto lembrado de forma agonística, cultivados até a exasperação e pregado ad infinitum por uma hierarquia religiosa, semelhante à civil, opulenta, ostentosa, omnipotente, vestida com abas e togas. Hierarquia de andar lento e majestoso e de palavra sabida, uma autoridade que aparenta ser impossível de desmentir e permitir a crença do saber proletário.

 

Hierarquia ou Seres considerados autoridades por estarem vários degraus acima de nós na gestão da vida social, da solidária interação, na distribuição do trabalho, na posse dos bens que criam riqueza e no ditar da lei e dos dogmas que nos governam. Poder duma verdade encarnada em material humano. Em seres humanos a criar, recriar, definir, aprofundar a leitura, a escrita, para melhor processar a distribuição do afazer social. Falam na escolha duma forma de vida humilde e de serviço para melhorar as vidas dos outros, na base dos seus patamares de ouro. Ao quererem agir em nome duma entidade denominada Divina, Criadora, Justiceira, Omnipresente, com o poder de perdoar ou não o pecado ou a interação não amável de pessoas que se denominam entre sim irmãos. A palavra deles ensina pelo medo que desperta na criança pequena. Era o que Freud denominava um Totem: entidade animal ou ser humano a estruturar a identidade de um grupo que se quer solidário, amoroso, estudioso, amigo, preparados para apoiar os derivados da identidade comum e viver fora dos segredos da literacia.

 

Do Totem, a hierarquia cria um Tabu, uma proibição, um travão, um riacho que conduz, de forma obrigada, às emoções da vida em comum: aproxima, afasta, permite, proíbe interações definidas pelo saber como não desejadas pela Divindade. É o que o Luterano Marx em 1843 denomina A Questão Judaica, o que Feuerbach em 1841 trata como a Essência do Cristianismo, Freud em 1939 denomina O Mal-estar na Cultura. O que muitos outros aprofundam, como os Presbíteros Escoceses Hume e Smith, ao criarem bases de acumulação da riqueza, ou o Médico Huguenote Católico Francês François Quesnay ao teorizar sobre as bondades da Natureza. Bem como o Sacerdote Cristão Romano Gregor Mendel que em 1822 tentou entender as leis da herança genética, assim como e o devoto Decano (Dean para a ordem sagrada) Anglicano, o seu sucessor Charles Darwin. A Freira Católica Teresa de Ávila e os seus textos teológicos; o João da Cruz e a sua arte poética dedicada a explicar apenas um facto: o trabalho da mente Divina sobre a matéria. Explicado todo este saber a criança, entende que o Totem manda e o Tabu rouba se os mais novos não ouvem os seus adultos. Oh! Leitor paciente com estas homilias, semelhantes às referidas….

 

E a Lúcia? Onde cabe neste texto? Essa autoridade popular, amada por todos, embuçada por um véu, olhar no chão, essa que o povo foi ontem enterrar na sua Páscoa pessoal? Jornaleira e pastora que entende de boa-fé uma outra construção sentimental e social, pregada em todo o mundo: a doçura, a alegria e ruralidade de Lúcia de Aljustrel ou a Irmã Lúcia de Portugal que levamos ontem a sua solidão. Mulher destemida desde os seus ternos anos de infância, ao contar em Abril de 1917 a sua mãe, também Lúcia, que tinha visto e falado com uma linda Senhora vinda do Céu, com um trabalho para si: propagar a oração pelo mundo, com calma e silêncio. A mãe não só não acreditou, como ainda lhe bateu. A rapariga tinha duas testemunhas, os seus primos Jacinta e Francisco Marto, que morrerem muito novos. Para ter mais testemunhas e ser acreditada na verdade do que dizia, a 13 do mês seguinte levou um grupo de pessoas como testemunhas, pessoas que apenas a viam falar para uma luz brilhante e ouvir com atenção o que hoje se conhece em todo o mundo: o poder da denominada oração, ensinada às crianças em Portugal e no mundo, desde o dia em que Lúcia conversou com a Senhora. Por não acreditarem na sua história, deixou a sua terra e foi para Lisboa e, mais tarde, para o Porto como Freira Doroteia. A morte de una irmã leva a tomar conta de três sobrinhas, que tem que alimentar. Trabalha por um salário enquanto faz o que mais desejava: meditar, pensar, escrever, orar, fazer penitência. Entretanto, um Totem é organizado para si. De jornaleira entra na mais abundante literacia, escreve memórias, cartas, artigos, dá conferências, lê e não larga essa hierarquia autoritária a arrogante.

 

Senhores de saber incutido em latim e grego, em Faculdades Romanas, em Faculdades isoladas apenas para eles que nada têm a ver com a Escola Pública de Lúcia, dos Marto. Assim, o povo acredita no que diz, segue-a e guardam-na na sua memória. É um Tabu. Derivado do seu Totem para servir. Com a alegria, a calma e a serenidade que conheci em Coimbra nos anos 80 do Século XX. Começam a desenhar-se factos e lendas sobre a sua vida. Ela, continua a escrever.

 

O quê? Não sabemos ainda: mais alguns anos, e talvez a exuberância da sua conversa, guardada em textos pela Hierarquia que Tudo Diz Saber. E definir. Exuberância que convenceu Padres, Bispos, Papas Romanos, hoje parte da nossa História. Lúcia de Aljustrel é um Totem construído fora do Carmelo de Coimbra e usado na Catequese para a Criança ser obediente, simples, singela, a rir por tudo e por nada. Será que esta realidade, vista por mim em poucos minutos, é o Totem e o Tabu de Frazer, Freud, Bion, Klein e outros autores? Fora do Carmelo de Coimbra, sem ela saber, a lenda tece e cresce, sem ela saber (freira de clausura, mulher da Igreja Católica...sem poder) como provou a imensa multidão que acompanhou o seu funeral. A criança vê ? a como o seu Totem. Junto da Divindade, do Totem Maior, este mais pequeno teve a sua Páscoa a 13 de Fevereiro.

 

Lúcia de Aljustrel prestou-nos um grande serviço: abriu Portugal ao mundo, e não o soube,... fez felizes as crianças...que um dia pisaram o Tabu e aprenderão o lucro. Como os que vão a Fátima orar para triunfar e ganhar o lucro que nem as crianças nem a Lúcia, puderam conhecer.



publicado por Carlos Loures às 23:55
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Memorias de un extranjero extravagante – 51– por Raúl Iturra

(Continuação)

 

La transferencia de poderes fue realizada en frete del Congreso Pleno. Frei colocó la banda presidencial en el torso del nuevo Presidente, el 4 de Noviembre a las diez de la mañana. Después, el Presidente socialista se dirigió a pié, con sus Edecanes y comitiva a la Catedral de Santiago, para la habitual consagración del cambio de poderes, celebrándose el habitual Te Deum. Por la primera vez en largos años de la historia de Chile, el nuevo Presidente Allende, no fue en carroza ni vestido de frac, recorrió a pié las dos cuadras que separan la Catedral del las Cámaras Legislativas.

 

No se sabía si el nuevo Presidente quería un Te Deum o no. Lo que se sabía, era de su ateísmo y distanciado de la Iglesia Católica, que tenía mando en Chile, hasta el punto de hacer decir a Allende que si el pueblo era católico, su deber era respetar era respetar esa fe, como las de otras confesiones minoritarias, que fueron convidadas para celebrar un Te Deum Ecuménico. Antes de estos hechos, le habían preguntado si quería o no una consagración. Su respuesta fue simple: si todos los Presidentes celebran un Te Deum, ¿por qué el del pueblo no va a conmemorar uno también? El Cardenal Silva Henríquez lo esperaba en la puerta, como manda el protocolo, en compañía de varios Obispos y Pastores católicos y de otras confesiones, Sacerdotes y un palio, pata conducirlo al sitio de la consagración.

 

La Catedral estaba llena de Diputados y Senadores de su agrupación, Embajadores y representantes de otras soberanías. El Te Deum fue corto, el Cardenal no celebró misa, como se hacía con los Presidente católicos o con los que consentían con esa celebración se negó a celebrar una Misa, por saber que el Presidente no era de su religión. Llena de pueblo que, sin convite, repletaron el edificio. Era su Presidente…, tenían todos los derechos a estar presentes. La historia de los Te Deum se remonta a sus orígenes en el siglo IV, como una Canto de Acción de Gracias a Dios, en la Europa Romana. Chile es uno de los pocos países en el mundo que mantiene esta tradición. Como ejemplo en el Continente Americano, sólo se realizan celebraciones similares en Perú y Argentina. En Chile, se celebra desde 1811 cuando José Miguel Carrera pidió su realización para conmemorar el primer año de la Junta Nacional de Gobierno.

 

En un principio se realizaba luego de la misa católico-romana y sólo desde 1870 se celebra sin la eucaristía. Pero no es sino hasta 1970, a petición del presidente electo Salvador Allende, en que toma el carácter de "ecuménico", es decir en la que participan las iglesias cristianas y no solamente la católica de la Acción de Gracias. Así, el 4 de noviembre de 1970, al asumir Allende la Presidencia de Chile, se realiza el primero y, entre otras referencias, el cardenal Raúl Silva Henríquez planteó: Este momento de oración se inscribe así en una antigua tradición religiosa; pero corrobora, al mismo tiempo, inapreciables tradiciones patrias. Tiene un carácter de símbolo y garantía de respeto: el respeto de los gobernantes por todas las formas de fe religiosas, el respeto de las Iglesias por la legítima autoridad de los Gobernantes, el respeto recíproco entre múltiples confesiones religiosas. (...) Es justo entonces que nos congreguemos para una Acción de Gracias, hombres que reciben una tarea de liberación de sus hermanos; hombres que saben respetar, porque se sienten respetados, no pueden menos que dar las gracias, porque todo eso en un privilegio. Este hecho habla de la apertura y respeto demostrada por el Presidente de la época, ya que él mismo no compartía la religión católica y como lo expresó en alguna oportunidad lo hizo "porque sé que la mayoría del pueblo chileno es católico y yo tengo la obligación de respetar su fuero íntimo, así como sé que ellos respetan el mío".

 

Este ecumenismo no es, por supuesto, obra exclusiva de Salvador Allende, sino también por la tendencia de apertura iniciada por la Iglesia Católica desde los años 60 y el Concilio Vaticano II. En nuestro país, esa tendencia se expresa de forma institucional a partir del 4 de agosto de 1973, cuando se funda la Fraternidad Ecuménica de Chile, que tiene un carácter cristiano y que acoge a la iglesia católica apostólica y romana, católica apostólica ortodoxa y protestantes evangélicas y que junto al Arzobispo de Santiago, se hacen responsables de coordinar los Te Deum por la Patria. El 9 de septiembre de 1973, y luego de muchos meses de deterioro en nuestra convivencia social, estas iglesias realizaron un gran acto público de rogativas para pedir a Dios por Chile, en la Plaza de la Constitución, frente al Palacio de la Moneda.

 

Allende se manifestó preocupado, pero Silva Henríquez respondió que todo tenía un significado solamente religioso. Entretanto, dos días después de esta conversación, las fuerzas armadas y la burguesía chilena mataran a Allende. Bien sabemos que fue un suicidio para evitar una guerra civil. Un suicidio probado, asumiendo el gobierno una junta militar. Ese año el tradicional Te Deum del 18 de septiembre se trasladó desde la Catedral Metropolitana a la iglesia de la Gratitud Nacional, ubicada en Cumming con la Alameda. Al volver a la Catedral se criticó este acto como un apoyo al gobierno Militar, pero el cardenal tenía claro que la celebración del Te Deum estaba por sobre las rivalidades políticas porque era tradicional y protocolar. No era solo esta idea para el cambio de templo para la ceremonia.

 

También estaba el castigo del Cardenal para los asesinos de un Presidente y de tantos otros, la detención de los Ministros, los campos de concentración, las torturas, el asesinato del mejor folklorista chileno, Víctor Jara, analizado por mí en dos textos: el de 2008: Músicas e letras barrocas na Europa e nos Andes. Ensaio de antropología social, que puede ser leído en http://aventar.eu/2011/05/26/musicas-e-letras-barrocas-na-europa-e-nos-andes-ensaio-de-antropologia-social-3/ , y en el muy citado libro de 2010: Para sempre tricinco, Allende e Eu, al que se puede acceder en: http://estrolabio.blogs.sapo.pt/523682.html hoy Editora http://aviagemdosargonautas.blogs.sapo.pt Hechos que acontecieron después de trabajar con campesinos pero que con Pancho Vio veíamos en la muy agradable sala de televisión del campus de Talca de la Pontificia Universidad Católica de Chile en Maule.

 

(Continua)



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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
DE MENINA SUBORDINADA À AUTORIDADE CARISMÁTICA - por Raúl Iturra

Ensaio de etnologia da infância para acompanhar A Semana Santa

 

Vamos andando, Maria de Lourdes. Vamos andando. É Semana Santa, deve ser comemorada, como sabe. Com passo lento, com memórias, cheio de respeito. Um passo que acompanha um modelo de comportamento. Vamos andando ao ritmo das minhas letras, enquanto a nossa mitologia cristã leva o mito a descansar. Ritual, esse, que evito presenciar, desde o tempo em que a ditadura do meu País de origem não me permitiu acompanhar os meus pais. Palavras que acompanham o ritual evitado. Vamos andando sem falar, ao lado da Nossa Senhora e a pensar nas suas causas: procura da igualdade não existente para as mulheres que o etnocentrismo português tem rapinado para nós, homens, e que a Nossa Senhora de Fátima começou cedo na vida a lutar para recuperar. Com base numa ideia escrita, essa que é a nossa primeira escola ou ensino, aceite ou não, mas que constitui uma realidade cultural: a aprendizagem da Bíblia e do Catecismo; ou essa outra que nunca é mencionada, mas que é conhecida por todos, a Lei Civil, que na idade da infância, colocava a mulher em terceiro lugar, a seguir ao homem e à descendência; ou ainda, a lei costumeira proveniente da mitologia, derivada do ideal Mariano, que Maria de Fátima costumava dizer era a sua missão na vida, mito básico para pautar as nossas vidas, republicanos ou não, dentro da interação cultural.

 

Ideias que se queriam mudar durante a sua infância dos adultos de hoje e a dos seus pais, mas apenas conseguido no desempenho da sua atividade, ao entrar no Ministério da Segurança Social no 25 de Abril, contempladas pelos mais novos, como foi o caso de Maria de Lourdes Pintasilgo em pequena. Numa época que separava estritamente as crianças femininas das masculinas, ao atribuir maior valor às masculinas e relegando as pequenas a cerzir, tomar conta da cozinha, tratar dos mais novos e, especialmente, que dispensava de assistir à escola toda a rapariga que tivesse passado nos anos 40 do Século XX a primeira classe, independentemente da classe social.

 

Vamos andando no cortejo do Via Crucia, no modelo, para demonstrar que é esta a forma processual que pode levar às mudanças que ainda acontecem no nosso País durante 30 anos, por causa da lei costumeira, apesar da luta empreendida por grupos de mulheres que, sem abandonarem essa feminilidade requerida pela vida social, alcançaram sítios de poder e lutaram contra o machismo social. Feminilidade que adjetiva, como diz a minha padroeira Alice Miller, em 1986, dividindo o mundo em dois: esse do poder masculino, como os Apostoles que mandam sem esperar resposta; esse do não poder feminino, sinónimo de força de trabalho, que obedece, como mandava o ritual romano nos Cânones 1055 a 1162 até 1981: as pessoas não eram semelhantes no contrato, a mulher devia obediência e submissão ao marido, tal como mandava a Lei Civil do Século XX, nos Artigos 1587 e seguintes, e, como legisla o Catecismo de 1991 nos artigos 1601 e seguintes, especialmente ao falar do consentimento no 1625, artigos sobre o rito romano do matrimónio, que contextualiza a Lei Positiva.

 

Formas de pensar mudadas pela intervenção de algumas mulheres e outros republicanos, que têm feito do seu viver uma missão na procura da não diferenciação entre sexos quanto ao consentimento, vontade, direitos, obrigações e entrega à solidariedade. Uma entrega à caridade que não faz distinção no ponto mais importante da vida social: classe e recursos. Pregado em Semana Santa, esta semana de Abril com essa chuva que faz falta.

 

 O milagre de Semana Santa aconteceu em Portugal:uma primeira Engenheira Química Industrial, Maria de Lourdes Pintasilgo, e Maria Amélia Índias Cutileiro de Portugal, embora em Física. Uma Primeira-ministra de Portugal, porque já existiram, por bem ou por mal, Indira Ghandi, Margareth Thatcher, Benazir Buto; uma Primeira Candidata à presidência de um país machista, como Isabel Martínez, Argentina, Vigdis Finnbogadóttir da Islândia, Violeta Chamorro da Nicarágua, Mary Robinson da Irlanda, Presidentas eleitas em voto popular, entre outras. Ressurreição… Páscoa…

 

É verdade que o chamado sexo feminino tem tido raro acesso ao poder central, os mitos sagrados são masculinos, especialmente, no nosso Portugal, este pequeno País dentro do qual a mulher tem sido muito relegada ou, por vezes, se conseguir alcançar o poder político, o seu agir é, como se denomina, masculinizado por nós, os homens. Ou, por outras palavras, há um comportamento associado ao trabalho, que nós definimos, para quem chegar primeiro a um certo lugar habitualmente ocupado pelo género masculino. Pode-se ser Doutorada em Física, mas não a primeira. Sim, a primeira em Química Industrial. Sim, a primeira no mais alto sítio do poder. Sim, a primeira no Conselho de Estado. E, especialmente, a Primeira em entender que a sua Crença, essa com que eu me tenho batido por etnocentrismo, o Euro 2004 não foi nosso, foi da Nossa Senhora, pois até o guarda-redes tinha prometido uma romaria a Fátima se ganhasse. É a luta das pessoas com Carisma que sabem dizer ao Dr. Cunhal que a romaria a Fátima, a seguir ao 25 de Abril, não é uma manifestação política, é apenas uma forma simples e habitual de se recorrer no dia em que o inesperado acontece: a liberdade, entremeada com ressurreição.

 

Um comportamento modelar na simplicidade, nas cores da indumentária, no penteado, na forma firme de falar e de lutar por povos fora de Portugal, em nome de Portugal. Aí a Nossa Senhora Lourdes foi a Primeira ao abraçar uma crença central na sua vida, sem se afundar em homilias e passar da ideia central catequista de amor ao próximo, à luta pela solidariedade social, o Primeiro lugar político que ocupou em Democracia.

 

Vamos andando, lentamente, Maria de Lourdes, em silêncio, apenas com o Hino Nacional e as palmas, para nos acompanhar. Lentamente, por teres sido um modelo para as raparigas portuguesas que têm seguido os teus rumos no mesmo campo, como Lígia Amâncio, entre outras e em silêncio, como Graça Cordeiro, Rosa Maria Pérez, outras do meu conhecimento; especialmente no campo da Etno Matemática e da Etno Fisiocracia, como Darlinda Moreira e Amélia Maria Frazão. E a quantidade de nomes de mulheres que lutam caladas pelos novos saberes, como Berta Nunes e Teresa Joaquim. Todas elas lusas, como Maria de Lourdes Pintasilgo. Com Carisma, conceito definido por Martin Lutero nos seus textos de 1599 e retomado, para análise, por Max Weber em 1904 e pelo mentor da recente guerra do Paquistão, Tony Giddens, em 1966.

 

Vamos. Andando em silêncio. É a hora de calar. Apenas acrescentar que a fundadora do GRAAL lutou por causas perdidas entre as nossas definições, masculinas, e ganhou. Exemplo é esta multidão que imita e acompanha, como na luta Primeira. Porque, é a sua autoridade incontestada radiante de Carisma, que as novas crianças veem e respeitam. Vamos calando.

 

Uma pequena lágrima por companhia. Em olhos bem abertos e nunca fechados para observar o comportamento de mulheres que souberam servir a sua Nação. Obrigado, Senhora Engenheira dos Milagres, Primeira Primeira-ministra de Portugal, muitas mais vão seguir esse exemplo. E nós a respeitarmos. Vamos andando. Passo-a-passo. Para o merecido descanso. A espera da ressurreição em Domingo de Páscoa.



publicado por Carlos Loures às 23:55
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Memorias de un extranjero extravagante – 50– por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Es el día de la solidaridad, porque Chile ha sido castigado por la fuerza de la naturaleza.

 

Hace poco, temporales, lluvias implacables, el frío y el peso de la nieve golpearon las casas, las industrias; destruyeron parte de las instalaciones, de los trabajos agrícolas. Y ahora hace pocas horas, minutos, por así decirlo, tres provincias: Valparaíso, Aconcagua, en el departamento de Petorca y Coquimbo, en Illapel, han sido sacudidas violentamente por un sismo que ha significado dolor, miseria y sufrimiento para cientos y miles de nuestros compatriotas. En este día, que debía haber sido de plena alegría, el pesar y la congoja viven sus horas largas en los hogares de miles y miles de chilenos, con 82 muertos, 182 lesionados graves, 80 menos graves y 185 lesionados leves, que son el reguero de pesar que deja el sismo.

 

Sin embargo, hay algo más. Y hay algo más que, por cierto, no puede compararse con las vidas de personas y los hombres y mujeres que podrán quedar inválidos Y que tendrán, muchos de ellos, aunque heridos no muy graves, largos días para poder reincorporarse a sus hogares y a la producción; estas provincias han sido azotadas en el campo, en la industria, en los servicios públicos fundamentales. En el caso, por ejemplo, de Valparaíso, las industrias textiles fundamentales, y un número crecido de industrias pequeñas y medianas, no podrán seguir trabajando de inmediato. Ello significa amenaza de cesantía e inquietud para muchos hogares. Son acontecimientos que se juntan y que Allende sabe usar. Va a las ciudades afectadas después de la aprobación legal de la gran minería del cobre, ejerciendo así el derecho de soberanía del país. La chilenización del cobre se refiere a los efectos de la Ley N° 16.425 publicada el 25 de enero de 1966 promulgada en la presidencia de Eduardo Frei Montalva en la minería del cobre en Chile.[1] [2]

 

La chilenización consistió en la adquisición por parte del Estado de Chile de un porcentaje de acciones de las grandes compañías mineras a través de lo que se llamó contratos ley y luego la nacionalización pactada (1969), que fue el proceso —ideado y encabezado por el ministro de Minería Alejandro Hales— que culminó con la compra de la mayoría de las compañías y su control por el Estado de Chile. Posteriormente, en la presidencia de Salvador Allende se realizó la nacionalización y estatización de la gran minería del cobre, por la Ley N° 17.450 publicada el 16 de julio de 1971.[3] La nacionalización del cobre es el resultado de las políticas públicas iniciadas en el año 1953 con la creación del Ministerio de Minería de Chile bajo la segunda presidencia de Carlos Ibáñez del Campo y que se concretizó con la Ley N° 17.450,1 publicada el 16 de julio de 1971 durante la presidencia de Salvador Allende, que estatizó la gran minería del cobre en Chile. Esto completó el proceso de adquisición que había iniciado el Estado de Chile durante el gobierno de Eduardo Frei Montalva, denominado «Chilenización del cobre». La nacionalización de la minería se llevó a cabo con el apoyo unánime de todos los sectores políticos, siendo aprobada su ley por unanimidad en el Congreso Nacional.

 

A las empresas mineras se les pagaría una indemnización, pero restándole las «utilidades excesivas» que habrían obtenido durante los años anteriores, gracias a los bajos (o nulos) impuestos que pagaban, según una rentabilidad «razonable» del 10% a partir de 1955. Por este sistema, las empresas Anaconda y Kennecott no recibieron un solo peso, y terminaron debiéndole al Estado chileno cifras millonarias.2 En un discurso durante su visita a Nueva York en 1972, en el marco de una reunión ante las Naciones Unidas, Allende respaldaba la nacionalización del cobre argumentando que las empresas mineras estadounidenses Kennecott y Anaconda habían obtenido ganancias cercanas a los USD 4 mil millones en las décadas anteriores. Uno de sus principales precursores fue el destacado abogado, jurista y académico chileno Eduardo Novoa Monreal. Fuente: http://es.wikipedia.org/wiki/Nacionalizaci%C3%B3n_del_cobre El presidente Salvador Allende firma el documento que da inicio a la nacionalización del cobre el 11 de julio de 1971 Fuente: he guardado las citas por ser hiperligaciones para más información.

 

Con pasos lentos pero seguros, el Presidente da República, Socialista y Marxista, iba cumpliendo su programa de gobierno que había prometido al pueblo de Chile. Eran pasos ciertos también, para el día de su muerte, acusado por la burguesía de la Democracia Cristiana, de ser un permanente infractor de la ley. Y lo era. Pero del Derecho creado por la burguesía, que los llenaba de dinero. Quería que sus reformas fueran cumplidas, como había prometido en su candidatura, para que todos fueran iguales. Sueños de una noche de verano, diría Shakespeare. Incentivó la Corporación del Cobre, CODELCO y puso a la cabeza a su general de confianza, Alberto Bachelet . Toda esta parte de la historia del Gobierno de Allende, sucedió más tarde que la época en aparecí en Talca. Después de los años en Universidades Británicas, ir a Talca era un Paraíso, era entrar en el jardín del Edén, era una sede de la Pontificia Universidad Católica de Chile en la Provincia, lo que me honraba.

 

Estaba mi amigo de años, Francisco Vio, referido antes, quién había hecho lo posible y lo imposible, para llevarme a Talca a trabajar por el socialismo. El Presidente había asumido el cargo, teníamos planos para trabajar con campesinos y organizar una Universidad Rural, que denominamos Centro de Estudios Agrarios y Campesinos, CEAC, como he analizado en otro ibro mío sobre el socialismo en Chile. Frontis de la sede de la Pontificia Universidad Católica de Chile, en Talca, hoy denominada apenas Universidad Católica del Maule.

 

(Continua)

 

______

 

El discurso es largo y bien ejemplificado. Va como link del texto.

http://www.abacq.net/imagineria/discur3.htm

discurso hecho después del terremoto de 1971, siendo Rancagua la ciudad más afectada. El 8 de Julio de 1971, a las once de la noche con cuatro minutos, un terremoto de Magnitud 7,75 en escala de Richter sacudió la zona central de Chile. La historia puede leerse en:

http://www.angelfire.com/nt/terremoto1971/ l

a historia puede ser leída en:

http://www.leychile.cl/Navegar?idNorma=29026&idVersion=1971-07-16

Alberto Bachelet:

http://www.memoriaviva.com/Ejecutados/Ejecutados%20B/bachelet_martinez_alberto_arturo.htm



publicado por Carlos Loures às 14:00
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