"L'Équipe"
Nas fotografias - à esquerda a equipa do Barreirense. O guarda-redes, de verde, é o Bento. Em baixo, Eusébio no Mundial de 66.
Um pouco estranho escrever sobre futebol num blogue onde maioritariamente tem lugar a cultura mais pura e dura. Por aqui vou começar a passar, respondendo a um desafio do Carlos Loures, como contraponto ligeiro de uma linguagem mais erudita. Leitura mais ligeira mas não menos verdadeira. Ora aí vai a primeira experiência.
Quando era miúdo (apetecia-me dizer " quando era puto"), vivia no Barreiro, vila dos gases das fábricas, dos comunistas, de gente livre. Ali, naquela altura, tanto podia gostar-se de futebol, do jornal "A Bola", como do "Avante". Podia ser-se do Barreirense ou do Luso, e estar-se perto do "Partido". Com a CUF - o clube dos patrões - já era mais difícil haver simpatia e empatia. Aliás os jogos Barreirense/CUF, pareciam-se com os actuais Porto/Benfica, obviamente sem as claques que hoje semeiam um clima quase de guerra. Os nossos pais e avós tanto iam à bola como participavam em acções clandestinas ou semi-clandestinas. Um mundo à parte, de vidas extraordinárias de homens e mulheres lutadoras que contrastavam com a realidade cultural e política do nosso país de então, diga-se, muito pobrezinha e triste.
Miúdo, adorava o meu clube, o FC Barreirense, formado de raízes operárias, que jogava até com alguns trabalhadores na sua principal equipa. Dessa época, clara em cada posição, do sim ou do não, dos prós - poucos - e dos contras - a maioria - e ainda dos vermelhos contra os verdes, guardo recordações fantásticas. Nesse tempo, ainda o país futebolístico permitia que houvesse gente que não fosse dos "grandes", e que os "pequenos" tivessem vida própria e importante, sem estarem sujeitos, como actualmente, ao domínio monopolizador dos três grandes clubes nacionais amparados por um mediatismo, quase diria eucaliptal, tal a forma como secam quase tudo à sua volta. O Barreirense, a CUF, o Vitória de Setúbal, até o Seixal, Montijo e outros, só para falar na margem sul, andaram pela I Divisão, e, sem grandes meios, só com o poder dos seus adeptos e do associativismo quase puro e lúdico, lutavam de igual para igual com os mais fortes. O mais forte, era sem dúvida, nos anos sessenta, o SL Benfica, onde pontificava, entre outros, um jovem barreirense de nome José Augusto, formado na terra e no clube, e que por esse motivo levava as gentes do Barreiro a aproximarem-se do clube lisboeta, excepto quando havia jogos entre os dois clubes onde a rivalidade chegava ao rubro.
No início desses anos sessenta, apareceu um jovem no clube da Luz que viria a entusiasmar as multidões de então. Chamava-se Eusébio e marcava a diferença para todos os outros, assim a exemplo de um Messi ou de um Ronaldo, dos tempos modernos. Falar de Eusébio, é quase como falar de uma lenda, já que nem a televisão nem outros meios que hoje existem tinham qualquer destaque e poder. Esses eram os tempos da rádio, e com a rádio, imaginava-se e sonhava-se, não se via. O pouco que existe de imagens mostram um atleta veloz, forte, com um remate potente como jamais se vira, e que marcava golos fantásticos e inesquecíveis.
E foi ali, no velhinho D.Manuel de Mello, os nomes dos patrões em tudo..., que penso ter visto pela primeira vez o jovem Eusébio correr que nem uma gazela atrás da bola e disparar aqueles tremendos remates que pareciam sair de uma espingarda tal a velocidade que levavam! Aliás, sempre que o Benfica jogava no Barreiro, a zona atrás das balizas ficava para quem chegava atrasado, dado que se sabia que nem todos os remates do moçambicano entravam e assim havia de se estar bem longe daqueles autênticos petardos...!
Se fosse hoje, Eusébio seria provavelmente o melhor do mundo, dado que possuía muitos dos dotes que têm o argentino do Barcelona e o português do Real Madrid e tinha algo mais do muito que qualquer deles possui, o instinto e a sagacidade africana. Infelizmente para ele, porventura felizmente para nós, nasceu fruto da cultura colonial portuguesa, sofrendo naturalmente com uma barreira intransponível, as fronteiras do salazarismo, tendo-lhe sido cerceadas por esse motivo as possibilidades de sair do país e de jogar noutro local onde o poder da comunicação social o levasse ao lugar que mereceria. O Portugal desse tempo, início das guerras coloniais, estava praticamente isolado do mundo e só a tremenda qualidade desse jogador e dos seus colegas, quer nas competições europeias, quer no mundial de 1966, levavam a que em todo o mundo se falasse do nosso país com admiração. Era pouco, mas era o que havia.
Quis a vida que o viesse a conhecer quase trinta anos depois e que viéssemos a privar em tantos jogos e competições internacionais e que dele inúmeras histórias tenha ouvido de alguns dos seus colegas de então, de Simões a Toni, de Artur Jorge a Humberto Coelho, de José Augusto a Coluna. O Benfica cresceu com Eusébio e com ele, internacionalmente, sempre se confundiu, tendo crescido muito por força do prestígio alcançado por esse jovem nascido na então Lourenço Marques, hoje partilhando as suas origens com Lisboa que o considera seu filho adoptivo.
Pode ainda dizer-se abertamente, que o clube tirou bastante partido da dimensão, prestígio e até do seu sacrifício físico assumido, já que em algumas ocasiões jogou inferiorizado só para que os altos contratos se mantivessem. Os contratos cairiam radicalmente se ele não jogasse...e por isso jogava nem que fosse a coxear. Se as suas pernas falassem, muitas histórias se contariam de como foi possível arrasar aqueles joelhos que hoje lhe retiram muita, qualidade de vida, umas vezes por culpa de adversários intratáveis, noutras, por nesse tempo haver um corpo médico sem os desenvolvimentos actuais da ciência. Mas é assim a vida do futebol, apesar de tudo hoje mais humanizado e organizado e que permite uma maior e melhor defesa dos jogadores que felizmente também estão melhor preparados e acompanhados, sobretudo do ponto de vista médico.
Tinha tantas histórias para contar acerca de Eusébio, de momentos que assisti ao vivo, e do enorme prestígio que esse homem tinha e ainda tem, de Riga a Dublin, de Sheffield a Londres, de Bucareste a Barcelona, de Cape Town a Colónia, de Bratislava a Belfast, de Amesterdão a Bruxelas, e em tantos outros locais, num interminável conjunto de situações reais que quase dariam para um livro. Hoje, nestes dias, em que a sua vida teve um pequeno transtorno, ficam aqui estas breves palavras de admiração por um homem simples que foi um rei na sua profissão. Aliás é assim que o tratamos na Selecção Nacional, na intimidade dos espaços de lazer e trabalho, ele, Eusébio, é o "King".
(in Todos Somos Portugal - 23-12-2011)
Caros Amigos
Como já tinha referido numa entrada após a realização dos play-off, num desabafo bem amargo, coloquei este blog em situação de stand-by, ou seja, parado temporariamente. A todos os que foram passando por aqui, e foram muitos, a todos os que colocaram comentários, e também foram bastantes, vai um abraço amigo, por terem, quase sempre, ajudado a criar uma linha de pensamento colectiva de defesa das selecções nacionais, todas sem excepção, e dos clubes, numa perspectiva de liberdade, independência e neutralidade. Um dia voltarei. Até lá ficam aqui os desejos de um Feliz Natal e de um Ano Novo sem tanto pessimismo.
Durante alguns dias, a partir de amanhã, 44 jovens oriundos de treze clubes nacionais, iniciam a sua aventura ao serviço das selecções nacionais de futebol, através do primeiro estágio da época para a Selecção Nacional Sub/15. Quanta esperança não estará dentro do imaginário destes jogadores quase de palmo e meio. Porventura sonhando com uma carreira de profissionais a acalentando estar presentes no Mundial de 2018 e competições seguintes. Um percurso difícil para todos que se irá revelar verdade para muito poucos. Acima de tudo iniciam um caminho em que o mais importante será a sua evolução como Homens. Assim o consigam todos, no futebol e fora dele.
(Publicado em Todos Somos Portugal - Foto: Francisco Paraíso)
Ao longo destes anos tenho vivido, felizmente, momentos inesquecíveis de alegria e de grande impacto, normalmente associados a vitórias das selecções nacionais. A maioria deles são públicos mas também tem havido muitos e muitos vividos na intimidade dos grupos de trabalho. Na passada terça-feira decidimos passar para a opinião pública um momento íntimo acontecido no balneário após a vitória com a Bósnia no sentido da divulgação de um dramático caso humano que envolvia um atleta seriamente afectado por algo que sozinho não conseguiria resolver. Carlos Martins sentiu e disse-o publicamente que sentiu aquele momento como o de uma família unida em torno de um dos seus. Pela minha parte vendo o impacto público que aquela estratégia atingiu só posso considerar que o jogo, a alegria da vitória, foi ultrapassada pela solidariedade de todo um grupo de pessoas unidas no mesmo objectivo. Imediatamente após a luta contr os bósnios começou-se a luta contra a doença do Gustavo que também, estou certo, por todos será vencida. Como no estádio, unidos.
DESABAFAR
Dá-me vontade de desabafar sobre tantas coisas que se passaram nestes últimos dois meses que dificilmente consigo, neste momento, dizer tudo o que queria. Não é nos momentos de vitória que normalmente me sinto com vontade de falar dos meus sentimentos. Não sou assim. Mas de facto o que ouvi e li e sobretudo o que entendi de uma campanha vergonhosa que por aqui corre(u) merece comentários mais digeridos e pensados. Só faltaram dizer que era atrasado mental e que o Messias deveria chegar rapidamente sob pena de a Selecção Nacional se afundar. Depois de ter contribuído com o meu trabalho, modesto, eu sei, para diversos títulos mundiais e europeus nas camadas jovens, de ter ajudado na conquista de mais de cinco dezenas de lugares de honra de todas as selecções nacionais em competições oficiais, a última das quais na Colômbia, em Agosto, depois de ter criado uma estrutura que foi o suporte para termos conseguido a presença em quatro europeus (o quinto foi ontem) e em três mundiais, chegaram à conclusão - os iluminados comentadores - que se tinha de mudar rapidamente. A resposta foi dada ontem à noite na Luz. Que pequenez de gente! Voltarei ao assunto mas sobretudo à análise vista de dentro do que se passou nestes mais de catorze meses. Vou também analisar num destes dias, as injustiças que fizeram sobre alguns jogadores, especialmente sobre Helder Postiga. E depois de escrever e de dizer quase tudo o que sinto, aproximando-se mudança directiva na FPF, novos métodos, novas pessoas legitimadas pelo voto, suspenderei este blog. Já não fará sentido continuar.

Diversas conclusões se podem extrair desta viagem e jogo na Bósnia. Em primeiro lugar para acentuar as modificações comportamentais e organizativas locais que estiveram a um nível compatível com um jogo desta natureza. Se bem que pressionados pelas exposições que efectuámos para as institições internacionais não há dúvida que em dois anos muito mudou e verificar isso é motivo de realce.
Em segundo lugar, infelizmente, notar que a federação local com uma certa complacência e ineficácia da UEFA ao ter mantido este jogo num estádio sem condições contribuiu para uma noite anti-futebol. As reacções dos representantes uefeiros chegaram a ser confrangedoras face a uma situação injustificável, particularmente a do "expert" de relvas, Ferguson de seu nome, uma personagem que merecia entrar no anedotário nacional se esta questão fosse levada como uma bincadeira o que não é o caso.
Finalmente o jogo, que decorreu num recinto sem condições, e que foi na minha opinião dominado pela Selecção Nacional. Num campo com um piso minimamente normal esta eliminatória poderia ter ficado desde já resolvida.
Não o foi por consequência desse facto mas a exibição produzida promete que o jogo da segunda mão possa ficar na história do nosso futebol como um dos seus grandes momentos. A primeira parte já lá vai. Venha a segunda.
Ele há cada notícia de nos deixar banzados! Chama-se Zezinando, antigo jogador do Sporting, campeão de juniores com João Moutinho e antigo internacional de Portugal por 25 vezes nas camadas jovens, encontra-se num modesto clube da Tailândia, tentando refazer a sua vida de futebolista. Zezinando, recorde-se, esteve no Mundial de Sub/20 do Canadá, em 2007. Há quatro anos! Teve como companheiros Fábio Coentrão e Rui Patrício, hoje titulares da Selecção Nacional. Hoje meio perdido pela Ásia, num lugar exótico, mais conhecido pelo turismo e pelas suas praias, Zezinando não desiste e persiste acreditando em algo melhor. A vida nem sempre fácil e linear dos jogadores de futebol que não estão no topo, numa reportagem do Maisfutebol.

(Publicado em Todos somos Portugal)
Por vezes para quem anda no futebol acontecem desculpas para tudo. Ou é do campo, da relva, do tempo, das botas, enfim culpa de tudo e de todos e nunca de nós próprios. Vem isto a propósito de desta vez ser eu a dizer que a culpa foi do mês, Outubro de seu nome. De facto para as selecções nacionais, este foi um mês muito aziago. Resultados sofríveis ou maus que abrangeram um relativamente grande número de jogos. A Selecção Nacional Sub/16, fez dois jogos com a Noruega e sairam dois empates. A Selecção de Futsal, fez também dois jogos, nesta caso com a Itália, e de novo dois empates, embora neste caso contra uma das melhores equipas do mundo.
A Selecção Feminina, de novo dois jogos, duas derrotas, com a República Checa e Dinamarca. A Selecção "AA", também em dois jogos, uma vitória com a Islândia e uma derrota com a Dinamarca. A Selecção Sub/17, com dois jogos até ao momento, hoje jogará o terceiro, obteve um empate com a Rússia e uma vitória com a Finlândia. No total de 10 jogos, três derrotas, cinco empates e duas vitórias. Para um maior equilíbrio de resultados mensal e para que se consiga o apuramento para o europeu espera-se hoje que a Selecção Sub/17 consiga uma vitória perante a Roménia.
Confia-se nos mais jovens para que este mês acabe bem.
A recente derrota de Portugal com a Dinamarca por 3/0, em jogo a contar para a qualificação do Europeu Feminino de 2013, caiu quase como um balde água fria em certos sectores da modalidade. Talvez os anteriores e recentes resultados tenham criado alguma expectativa, na minha opinião, talvez demasiado ousada, sobre as possibilidades da selecção nacional, face a um adversário tão forte e com uma história brilhante no futebol feminino europeu e mundial. Baseio-me claro na história de resultados entre as duas selecções. Portugal e Dinamarca, até ao jogo de quarta-feira, tinham-se encontrado por 13 vezes, seis das quais para competições oficiais. Nesses treze jogos ocorreram treze vitórias da Dinamarca, com um único golo marcado por parte de Portugal e quarenta e oito sofridos.
Obviamente um dia, este desnível será menos acentuado quando acontecerem outro tipo de resultados favoráveis à nossa selecção, mas de facto a história conta e os números não mentem. A Dinamarca pelo tipo de futebol que apresenta será sempre um adversário extremamente difícil dado que a componente física é muito penalizante para as nossas jogadoras. Com isto quero dizer que não há evolução no nosso futebol feminino? Notoriamente tem havido evolução e um aproximar, embora lento pelas razões que todos conhecemos, das equipas do topo do ranking, mas pensar entrar desde já no grupo das mais fortes parece-me um pouco prematuro.
O desnível na Europa, no futebol feminino, ao contrário do futebol masculino, é de facto muito acentuado e os resultados entre os mais e os menos fortes é, infelizmente, quase sempre previsível. A nossa participação neste Euro deverá ter como objectivo fundamental a procura e luta pelo segundo lugar do grupo e é por aí que nos devemos orientar e prosseguir o nosso caminho até para não criarmos falsas expectativas que podem naturalmente vir a revelar-se nefastas para o resto decisivo da competição.
Ganhar os três próximos jogos, contra as equipas do “nosso” campeonato, poderão permitir um resultado fantástico na competição e motivador para o futuro da modalidade. Quanto ao resto é a mesma discussão de sempre, necessidade de novos quadros competitivos internos, mais e melhores acções de sensibilização e divulgação do futebol feminino, participação anual no Euro de Sub/17, maior apoio aos clubes, às jogadoras e aos treinadores e sobretudo uma melhor reflexão sobre o papel da mulher no desporto, particularmente no futebol. Não há que desesperar com esta derrota.



A Federação Portuguesa de Futebol implementou um programa pedagógico pioneiro no nosso país, para que os jogadores das Selecções de Formação não se desliguem totalmente dos respectivos percursos escolares.
Em coordenação com clubes e directores de turma, a FPF possibilita, desta forma, que os jovens atletas acompanhem, ainda que à distância, e orientados por um coordenador pedagógico, as principais matérias leccionadas durante os períodos de estágio.
Uma forma de evitar que os atletas não se fiquem só pelo futebol e tenham no futuro meios para prosseguir a sua vida de outra forma, suportados por uma formação académica cada vez mais necessária.
O FIFAWorld deste mês publicou esta foto, que desconhecia, do mundial de 1991, na final Portugal/Brasil, a propósito do mundial de 2011 da Colômbia, onde os finalistas foram os mesmos, mas o resultado foi, por infelicidade nossa, o oposto. Na foto podem ver-se João V.Pinto, Paulo Torres, Luís Figo, Rui Costa e Gil, observando, nervosos, a marcação das grandes-penalidades.
Populismo puro e duro
Custa-me muito a aceitar que pessoas com responsabilidades na nossa vida pública, com acesso a intervenções em horários nobres das televisões, continuem a debitar palavras sobre assuntos que não conhecem, que não pretenderam conhecer previamente, e que transformem uma mentira em algo que não pode ser contestado dado que nas suas peças não existe a possibilidade do contraditório. Estou até convencido que não será isso que ensinam aos seus alunos nas faculdades onde se estuda Direito. Não é a primeira vez, pelos vistos não será a última, que utilizando o mais puro dos populismos pretendem lançar as pessoas sobre os jogadores da selecção nacional. Só os jogadores de futebol é que não devem ter direito a prémios e regalias monetárias, apontados quase como se fossem ladrões que cometem crimes de lesa-pátria.
É cada vez maior o número de jogadores portugueses que vão abandonando o país para jogarem no exterior, um pouco a exemplo do que acontece com outros jovens das mais diversas profissões. À falta de trabalho no local onde nascemos parte-se à busca de mais sorte e melhores condições de vida. Para alguns, os mais talentosos, não será essa a razão maior da sua saída mas sim a necessidade dos clubes fazerem dinheiro. Infelizmente dada a fraca aposta dos nossos maiores clubes na sua formação, poucos têm saído recentemente por esses motivos. Em sentido contrário têm regressado ao país de origem dos seus pais alguns portugueses nascidos no exterior e outros nascidos ou com origem nas ex-colónias têm ingressado na formação dos nossos clubes tendo até alguns atingido a selecção nacional principal. Ainda não se começou a notar o aparecimento de jovens oriundos de países, sobretudo de leste europeu, cujos pais vieram para Portugal em busca de melhores condições e por aqui vão ficando. No fundo um movimento que tem base na globalização do mundo actual onde as fronteiras vão cada vez contando menos. Este assunto não é contudo realidade unicamente portuguesa, e vai acontecendo um pouco por toda a Europa.
(Publicado em Todos Somos Portugal)

Uma expressão futebolística bem portuguesa para definir os caminhos das qualificações para os europeus e mundiais. Algo que se aprende por aqui imediatamente. Com Scolari, diferente de todos na abordagem destas situações, aprendi que era preciso, para uma qualificação tranquila, ganhar todos os jogos em casa e fora empatar, pelo menos, com os rivais directos. Uma lógica que foi seguida para 2006, mas que não resultou para 2008, um autêntico sufoco que nos prendeu até ao último segundo do jogo com a Finlândia.
Quando se realizou o sorteio para o Euro 2012, as contas que fiz dariam para chegarmos à ultima jornada com 19 pontos, garantindo desse modo a qualificação quer em 1º lugar, ou numa situação excepcional, como melhor segundo. Infelizmente naqueles dois primeiros jogos acabámos por perder três pontos que hoje nos dariam os tais dezanove, mais que suficientes para encararmos o jogo com a Dinamarca com mais segurança.
Nada a fazer neste momento, pelo que a solução será ganhar, ou na pior das hipóteses empatar em Copenhaga.
(Publicado em Todos Somos Portugal)
Mais uma vez a FIFA adiou a questão das novas tecnologias aplicadas ao futebol. Parece que só para 2013 haverá condições para implementá-las. Adiamentos injustificáveis e desnecessários que não fazem sentido. Quem paga e sofre com esta indecisão? Os jogadores e treinadores que participam num jogo que nalguns casos têm resultados viciados por força de erros involuntariamente cometidos pelas equipas de arbitragem. Não são muitos os casos mas quando acontecem são muito gravosos para aqueles que são prejudicados.
Existem jogos vistos por largos milhões de espectadores que são presenteados com transmissões com uma gama de câmaras enorme ao seu serviço, no estádio, os milhares presentes apercebem-se de que houve algo que correu mal, e quatro pessoas, os árbitros, são os únicos a quem não lhes é dada a possibilidade de análise de um lance. Milhões viram que a bola entrou ou não, quatro sem os meios desses privilegiados, são apelidados com todos os nomes possíveis.
Não se percebe esta situação.
Semana de jogos
Nunca coloquei em dúvida a necessidade da concertação entre ligas, federações e clubes sobre as datas dos jogos das selecções. No entanto, observando a história recente deste processo e do posicionamento das instituições internacionais, chega-se à conclusão que as selecções nacionais nem sempre têm sido devidamente protegidas.
Esta nova proposta da UEFA sobre "a semana das selecções" ligada à questão da centralização dos direitos de publicidade será provavelmente rentável do ponto de vista económico mas pouco acertada do ponto de vista desportivo e da protecção dos jogadores que jogarão no limite dos períodos de descanso. Esta proposta deveria ter merecido uma análise e reflexão de quem anda no terreno, mas segundo a UEFA todas as federações foram ouvidas e concordaram.
Será mesmo?

Publicado em Todos Somos Portugal em 1 de Outubro de 2011
Foram divulgadas ontem as convocatórias das selecções nacionais "AA" e "Sub/21", com vista aos duplos confrontos Islândia/Dinamarca e Polónia/Rússia. Jogos difíceis, complicados, que serão a sequência final no nosso grupo de qualificação para o Euro 2012 e nos "Sub/21", dois grandes testes que poderão dar já uma imagem do futuro no nosso grupo para o Euro 2013. Ninguém pense que o jogo com a Islândia será fácil e até haver uma diferença de golos a equipa da grande ilha atlântica do norte da Europa irá fechar-se, tentando adiar uma vitória de Portugal e procurando uma surpresa. A Islândia tem como base uma jovem equipa, presente no último euro de "Sub/21", em que na sua fase de qualificação eliminou a poderosa Alemanha. São jovens desejosos de mostrar serviço pelo que todos os cuidados serão poucos.
Quanto à Polónia "Sub/21", apesar de ter perdido em casa com a Rússia é sempre uma equipa fisicamente poderosa embora os nossos jogadores tenham grandes ambições nesta competição. Finalmente convém salientar que ambas as selecções necessitam de apoio do público desejando-se por isso duas excelentes assistências.
Publicado em Todos Somos Portugal - 24-09-2011
Em Portugal os clássicos são disputados por vezes fora de campo, antes e depois dos jogos, infelizmente até com cenas que envolvem alguma violência, verbal e até física. Felizmente que já há algum tempo, os dirigentes, sensatamente, têm evitado grandes confrontos palavrosos que foram o pão nosso de cada dia no passado, permitindo assim acalmar o ambiente. No Brasil, pela forma extrovertida como as pessoas se relacionam, entra-se mais pelo aspecto do gozo pelo adversário, pelo seu amesquinhamento, mas usando quase sempre uma linguagem com muito humor à mistura. Duas formas distintas de viver os jogos e as grandes disputas, mas sentindo o mesmo, cá e lá, o amor e dedicação ao seu emblema. Tudo isto a propósito do recente grande "duelo" Corinthians/São Paulo. Vejam-se algumas das histórias:
100º gol: Sempre polêmico, o diretor de marketing corintiano, Luis Paulo Rosenberg, provoca o São Paulo propondo uma campanha que visa ver o goleiro sofrer 100 gols do Corinthians - já são 81 ao longo da carreira. O camisa 1 marcou seu 100º gol em partida válida pelo clássico neste ano.
Frango: No mesmo dia, o dirigente fez gozações com Rogério Ceni que havia levado um "frango" no clássico - o goleiro virou, inclusive, paródia na internet. "Um dia o goleiro faz gol em você, no outro ele faz o gol para você. Foi o centésimo gol dele pela Fifa e ainda o primeiro a favor do Corinthians. É um orgulho poder fazer parte da história dele", esnobou.
Freguês: Após a goleada por 5 a 0 em cima do rival, o site do Corinthians voltou a provocar o São Paulo: "freguês bom sempre volta". No ano passado, o time alvinegro já havia usado seu site oficial para alfinetar seu rival tricolor depois de uma vitória em um clássico.» XXX Chororô: O atacante corintiano Emerson provoca são-paulinos pelo Twitter: "não sabia que tinha 'chororô' em São Paulo", disse, referindo-se às reclamações dos tricolores sobre a arbitragem.
Chin-Koa-Zero: Dirigente Julio Casares afirma que o marketing do Corinthians devia estar desesperado por querer contratar um jogador chinês. Em réplica, Luis Paulo Rosenberg respondeu: "é um craque que queremos, o Chin-Koa-Zero", declarou, mencionando a goleada por 5 a 0.
Canal gay: Rosenberg, em palestra realizada na ESPM, em São Paulo, declarou que o time tricolor já tinha uma TV fechada: a For Man, canal homossexual, bissexual e transexual transmitido na TV fechada. Em resposta, João Paulo de Jesus Lopes afirmou: "não vamos responder a essa declaração infeliz. Queremos ignorar esse personagem e suas citações".
Fusquinha: Andrés Sanchez, de novo ele, criticou o Morumbi mais uma vez: "não dá para comparar o nosso estádio com o do São Paulo. Seria como comparar uma Ferrari com um Fusquinha 66. É um novo contra um estádio de 50 anos". Nesta quarta, Corinthians e São Paulo se enfrentam e colocam as diferenças em jogo.
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
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