Na Terça-feira 15 de Maio, por escassez de outros eventos públicos relevantes, voltamos a sugerir filmes, sob pretexto de que, às 19h30 desse dia, o Institut Français de Portugal exibe “Portugal: Os caminhos da incerteza”do realizador François Manceaux, filmado entre dois aniversários da Republica Portuguesa (2010 e 2011). Segundo se anuncia “mostra, à lupa, o maior abalo que Portugal conheceu desde a sua revolução democratica de Abril 1974” e evidenciar-se-á, através deste filme “de uma beleza luminosa embora sombria, que Portugal é também um laboratório de desregulação económica e social para a Europa e o Ocidente. Uma descriptagem única dos nossos tempos!”.A entrada para a projecção é livre.
Não havendo filme-anúncio divulgado, assinale-se a curiosidade de o mesmo incluir o registo fílmico do concerto dado por Mísia na comemoração em 2011 no Palácio de Belém do 101º aniversário do 5 de Outubro onde se ante-estreou o seu novo disco “A Senhora da Noite”. Mostramos-lhe aqui o teaser oficial contendo aquela canção sobre um poema de Hélia Correia com música do célebre guitarrista Armandinho (1891-1946) e ainda “Simplesmente” com letra e música de Amélia Muge:
E para ficarmos ainda no cinema “português”, lembramos que “Rafa”, a curta-metragem premiada em Berlim de João Salaviza, com Rodrigo Perdigão e Joana Verona, já se encontra em exibição, essa notável filmagem da narrativa sobre um rapaz de 13 anos que deixa a sua casa nos subúrbios e ruma a Lisboa, em busca da mãe que não regressou na noite anterior. Retrata-se a qualidade cinematográfica num dos brevíssimos filmes-anúncio:
Com “Rafa” é também exibida “Nana”,”uma daquelas estrelas cadentes que o cinema de autor de vez em quando atira: objectos fulgurantes, de vocação orgulhosamente solitária e resolutamente singular…”, como um crítico (J.M.) classifica positivamente o filme da realizadora francesa Valérie Massadian, com Kelyna Lecomte, Marie Delmas e Alain Sabras, entre outros.
Tido como “uma espécie de Walt Disney politicamente incorrecto” porque restitituiria “a violência surda de uma ingenuidade de olhos abertos para o mundo que a progressiva urbanização da civilização veio urbanizar”, é facto que a cineasta, de forma notável, se afasta lentamente da observação documental do quotidiano rural ao narrar a história de Nana, uma menina de quatro anos deixada à solta na província francesa por uma mãe que desaparece sem dizer nada.
A ver.

Na Segunda-feira 14 de Maio, o destaque mais interessante irá porventura para Eleanor Friedberber na ZBD (ver adiante) mas como escolha mais “segura” advogaríamos filmes já consagrados, em exibição recente entre nós.
Um, que obteve o “Prémio do Público” na recente Festa do Cinema Francês 2011, é A Fonte das Mulheres (“La source des femmes”), 2011 de Radu Mihaileanu, o realizador de O Concerto e interpretado por Hafsia Herzi, Hiam Abbass, Leïla Bekhti, Saleh Bakri, entre outros.
Centrada numa guerra dos sexos, esta comédia dramática é uma fábula moderna de uma pequena vila marroquina, junto ao Atlas, onde mulheres ameaçam fazer greve de sexo se os homens não forem também buscar água a um local longínquo. A rebelião é liderada pela jovem liberal Leila (Leïla Bekhti) … e tem obviamente sucesso.
O seu filme-anúncio descreve o quadro:
Um outro, “Grande Prémio do Júri “ em Cannes 2011, é da autoria do realizador turco Nuri Bilge Ceylan (alvo duma retrospectiva recente no Nimas). Trata-se de Era uma vez na Anatólia com Muhammet Uzuner, Yilmaz Erdogan e Taner Birsel, entre outros, um filme longo onde “um grupo de polícias, com um médico legista e um procurador, conduz dois prisioneiros na busca impiedosa por encontrar um cadáver” mas (como diz um crítico, J.L.R. ) filme que “não tem história, tem um tecido”.
De como a exumação deste corpo enterrado nas estepes da Anatólia vai também desenterrar pensamentos e medos há muito escondidos nas cabeças daqueles obstinados investigadores sugere-se já neste breve trailer:
Amigos, solicito que transmitem o convite, em anexo, para colegas, instituições e empresários do setor audiovisual que estejam em Lisboa no dia 10 de maio.
Eu (Zeca Pires), Maria Emília de Azevedo (produtora-executiva) e o ator Eduardo Bolina estaremos presentes na sessão.
Obrigado
zeca pires
"Ao longo de um século eu cresci com o cinema e hoje eu sei que foi o cinema que me fez crescer. Viva o cinema!", Manoel de Oliveira
“Das lutas que eu fiz, a maioria eu perdi (dos índios, da educação no Brasil), mas nunca, em nenhum minuto da minha vida, eu queria estar do lado daqueles que ganharam.” Darcy Ribeiro
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Na Segunda-feira, 7 de Maio, deixaremos à escolha, conforme os gostos, entre iniciativas musicais e uma rememoração fílmica.
Os amadores da 7ª Arte (o Cinema, assim classificado no Manifesto de Ricciotto Canudo, 1912) poderão rever, no Ciclo Claude Chabrol, na sala do Institut Français de Portugal, às 19h com entrada livre, “La fille coupée en deux “(A rapariga cortada em dois) (França, Alemanha, 2006) com Ludivine Sagnier (Gabrielle), Benoît Magimel (Paul) e François Berléand (Charles), nos papéis principais, além de Caroline Sihol, Mathilda May, Marie Bunel, Valéria Cavalli, Etienne Chicot, Thomas Chabrol, Jean-Marie Winling, Didier Bénureau e Édouard Baer.
Sinopse: Gabrielle Deneige é a jovem apresentadora do boletim meteorológico de um canal de televisão. Gabrielle vive com a mãe, que trabalha na livraria onde a jovem acaba por conhecer o famoso escritor Charles Saint-Denis. Iniciam uma relação, apesar de Charles ser casado. Quando este desaparece, Gabrielle acaba por casar com o rico playboy Paul Gaudens, a quem conta o seu passado...
Deste filme, presente em Cannes e Toronto, dito “ (d)enso, grave, comovente: um dos mais belos filmes de Chabrol ...(c)ineasta por vezes cortado em dois, entre seriedade e farsa, tragédia e grotesco, aqui ele consegue perfeitamente equilibrar as suas duas tendências (Serge Kaganski)”, mostramo-vos la bande-annonce:
Quanto aos entusiastas da 4ª Arte (a Música, como tal considerada na Estética de Hegel) têm por seu lado a oferta do Palácio Foz que, na sua Sala dos Espelhos, apresenta ao longo deste 7 de Maio dois recitais.
Um, às 18h, por iniciativa da Missão do Brasil junto da CPLP, será um Recital de flauta transversal e viola caipira onde intervirão João Silveira, flauta transversal e Ivan Vilela Pinto, viola caipira interpretando trechos de compositores tradicionais brasileiros.
Antecipando o som que se ouvirá, eis executantes consagrados da viola caipira Daniel Viola e José Henrique :
Fernando Lopes, o realizador de filmes como Belarmino, Uma Abelha na Chuva ou O Delfim, morreu hoje. Deixa uma obra notável, constituída por mais de 50 títulos. Nos anos 60, integrou a plêiade de jovens cineastas que renovaram o cinema português. Deu os primeiros passos na carreira na RTP, onde trabalhou desde a inauguração em 1957. Mais tarde, voltaria à televisão, sendo um dos fundadores da RTP2. Formado em cinema, pela London Film School, como bolseiro do Fundo de Cinema Nacional, no seu regresso a Portugal realizou “Belarmino”, em 1964, sobre a vida do boxeur Belarmino Fragoso. O filme é considerado uma das suas maiores obras, uma referência no movimento do Novo Cinema português. No ano seguinte fez um estágio em Hollywood, e quando regressou, realizou o filme Uma Abelha na Chuva (1972), adaptação do romance de Carlos de Oliveira. Mais tarde, em 2002, realizará O Delfim, com guião de Vasco Pulido Valente baseado no romance de José Cardoso Pires. O desaparecimento de Fernando Lopes representa uma perda enorme para a arte cinematográfica no nosso País. Na madrugada de dia 4, à uma hora, na nossa rubrica VAMOS AO CINEMA, apresentaremos o filme Belarmino. Aos familiares e amigos de Fernando Lopes, A Viagem dos Argonautas apresenta os seus sentidos pêsames.
Na Segunda-feira, 16 de Abril, o jejum, mesmo não canónico, ainda persiste pelo que a nossa sugestão, conquanto algo diabólica, é o filme “L’Enfer” (“O Inferno”, 1993) de Claude Chabrol no ciclo sobre este realizador que o Institut Français de Portugal actualmente organiza, o qual será ali exibido às 19h com entrada livre.
Aquele que é considerado “um dos mais singulares e perturbantes filmes de Claude Chabrol” (Manuel Cintra Ferreira, in Folhas da Cinemateca Portuguesa) teve como argumento um texto original de Henri-Georges Clouzot, música original de Matthieu Chabrol e a interpretação de Emmanuelle Béart, François Cluzet, Marc Lavoine e Thomas Chabrol, entre outros.
Como tema : “Paul acaba de comprar e de remodelar o hotel de charme onde ele próprio trabalhou. Casa-se com Nelly, uma das raparigas mais bonitas da região, e rapidamente têm um filho. Tudo seria perfeito, se não fossem as prestações do empréstimo, a concorrência e essa estranha propensão de Nelly para ser agradável, sobretudo com os homens.” É, diz o crítico M.C.F., “O retrato da loucura de um homem que já não sabe o que faz. Como ele, também o espectador se interroga sobre o que de facto está a acontecer. O processo de que Paul é vítima não tem fim. Logo, o filme também não…
Pode ter-se a percepção do clima do filme neste extracto:
Para os cinéfilos não pode omitir-se que o autor do 1º argumento, o também notável realizador Henri-Georges Clouzot, chegara a fazer em 1964 as primeiras duas semanas das dezoito previstas do seu projecto de L’Enfer com Romy Schneider e Serge Réggiani nos principais papéis. A doença do realizador e do actor impediram a sua conclusão mas um trailer foi mais tarde preparado sobre esse projecto abortado. Ei-lo:
Foi mesmo tentada a “reconstrução” do filme como bem explica o co-realizador Serge Bromberg numa entrevista que os mais curiosos poderão ver aqui.
Nesta Terça-feira, 13 de Março em que propostas culturais muito interessantes não abundam, sugerimos ao leitor tentar actualizar-se face à oferta cinematográfica e pôr, por exemplo, a questão a si próprio se a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas americana (cuja cerimónia de atribuição de Óscares vimos há pouco) teve razão ao premiar folgadamente o filme, actor e realizador de “O Artista” (e já agora a actriz de “A Dama de Ferro”) e se agiu acertadamente em termos estéticos ao ignorar completamente o filme “A Vergonha” – vendo as referidas películas que se encontram em exibição entre nós.
Depois de os termos visionado, reputamos “A Vergonha” de Steve McQueen (realizador inglês negro de 42 anos, quarenta anos mais velho que a estrela americana do “The Getaway (Tiro de Escape)” de Peckinpah, entretanto falecida em 1980) francamente mais inovador, com uma interpretação de Michael Fassbender impecável, retratando a rotina viciante (em todos os sentidos) dum jovem quadro novaiorquino “sexo-adicto” com uma segurança e linearidade de meios que dá gosto ver. O assunto é escaldante (talvez por isso o puritanismo da recusa “hollywoodiana”) mas os ambientes são duma frieza (e também duma beleza arquitectónica) que correspondem à distância a que o calor dos sentimentos é mantido pelo actor principal … e o realizador deixa mesmo ao espectador a liberdade de “escolher” o fim que o clean Brandon Sullivan dará à sua “vergonha”. A ver, portanto, donde deixar-vos o trailer.
Quanto a “O Artista” de Michel Hazanavicius, confesso que o vimos com o preconceito de ser mais uma charge ao fim do cinema mudo em versão francesa, mas o filme revela-se mais “hollywoodesco” que muitos americanos e tem “achados” (como os sons dos objectos que surgem enquanto o actor mudo não consegue emitir nenhum ou os cenários construidos como construções de brinquedos antigos) que (como diz um crítico J.M.) “prova(m), numa altura em que toda a gente fala de 3D (vide filme mediano de Scorcese), de efeitos visuais … e outras tecnologias sofisticadas, que a linguagem do cinema não precisa de nada disso.” Acresce que tanto a prestação de Jean Dujardin (George Valentin) como a de Bérénice Bejo (Peppy Miller) são excelentes pelo que aos cinéfilos e “degustadores da linguagem cinematográfica” recomendamos a ida às salas na certeza de que ali, como diz o mesmo crítico, “… por trás da fachada do filme mudo (e poderíamos discutir quão “sonoro” ele, apesar de tudo, é) esconde-se uma carta de amor ao cinema que recorda uma coisa que muitas vezes esquecemos: a emoção precisa apenas de dois actores e uma câmara…”. Eis o filme-anúncio :

VAMOS AO CINEMA
Shirin- por Augusta Clara
"Shirin" é um belíssimo filme do realizador iraniano Abbas Kiarostami com uma particularidade curiosa: não vemos nada do que se está a passar no écran onde um poema persa do Século XII está a ser representado. Apenas através das legendas que traduzem as falas dos personagens nos vamos inteirando do desenrolar da infeliz história de amor de Shirin e Khosrow
Mas a maior beleza deste filme consiste no facto das emoções dessa história nos chegarem principalmente através da alteração dos rostos de um conjunto de acrizes iranianas que constituem a suposta plateia do cinema onde se dá a projecção. Da alegria às lágrimas esses belos rostos emoldurados por véus negros transmitem-nos com maior fidelidade o drama a que não assistimos.
Subitamente, o rosto de Julliette Binoche aparece entre todas as outras faces morenas sem que percebamos porquê. Mas Kiarostami explicou numa entrevista o facto que provocou o aparecimento da talentosa actriz francesa: tinha ido visitá-lo e deparou-se com a filmagem na cave da sua casa. Ficou encantada e manifestou interesse em integrar-se no grupo das actrizes iranianas, sem qualquer interesse senão por amizade ao realizador e amor ao cinema.
"Shirin" esteve em exibição em Portugal num dos festivais que todos os anos nos trazem do melhor que se faz na sétima arte. No circuito comercial pouco mais do que uma semana permaneceu e, apenas, numa sala de cinema. Tive que esperar pelo DVD para o poder ver. Mas ainda bem porque, assim, tenho à mão esta obra de arte para a rever sempre que me apetecer. É duma extraordinária sensibilidade. Não se deve perder.
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4 Site | www.apescritores.pt | * info@apescritores.pt
( Tel | (+ 351) 21 39718 99
6 Fax | (+ 351) 21 397 23 41
+ Morada | Rua de S. Domingos à Lapa, 17
1200-832 Lisboa, Portugal
DIVULGAÇÃO
CULTURAL
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DIA MIGUÉIS NO CENTRO CULTURAL DE BELÉM
No Pequeno Auditório do CCB,
realiza-se no dia 10 de Março,
pelas 15 horas,
uma sessão dedicada à Obra de JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS.
Leituras por:
PROF.ª DOUTORA MARIA DE SOUSA
PROF.ª DOUTORA TERESA MARTINS MARQUES
PROF. DOUTOR GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS
PROF. DOUTOR ERNESTO RODRIGUES
ACTOR PEDRO LAMARES
Projecção do Filme:
O Milagre Segundo Salomé (2004) Duração: 96 minutos M/12
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Realização: Mário Barroso
Entrada Livre- Lugares não marcados. |
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Florbela
Estreia a 8 de Março
Dia internacional da Mulher
Realizado por Vicente Alves do Ó é a primeira vez que se leva ao ecrã a vida da escritora Florbela Espanca interpretada por Dalila Carmo. Ivo Canelas e Albano Jerónimo integram o elenco.
Em relação à distribuição, a Ukbar irá distribuir nos dois circuitos em paralelo, no circuito comercial em Lisboa (Amoreiras, Alvalade City, UCI Corte Inglês), Almada (Zon), Zona da Linha (Beloura), Coimbra (Zon) e Porto (Dolce e UCI Arrábida). Paralelamente, iniciamos um périplo pelo país com um agendamento que se iniciou com as câmaras e escolas há cerca de dois meses atrás e que vai atingir cerca de 50 cidades, permitindo que durante mais de dois meses, o filme possa ser visto numa ou duas sessões diárias por cidade, e atingir o máximo de portugueses num cinema de proximidade.
Sinopse:
Num Portugal atordoado pelo fim dos Anos 20, Florbela (Dalila Carmo) separa-se de forma violenta de António. Apaixonada por Mário Lage (Albano Jerónimo), refugia-se num novo casamento, mas a vida de esposa na província não é conciliável com sua alma inquieta. Não consegue escrever nem amar. Ao receber uma carta do irmão Apeles (Ivo Canelas), Florbela corre para junto dele. Na cumplicidade do irmão aviador, Florbela procura um sopro em cada esquina da capital entre amantes, revoltas populares e festas defoxtrot. O marido tenta resgatá-la para a normalidade, mas como dar norte a quem tem sede de infinito? Entre a realidade e o sonho, os poemas surgem quando o tempo pára. Nesse imaginário febril de Florbela, neva dentro de casa, esvoaçam folhas na sala, panteras ganham vida e apenas os seus poemas a mantém sã. Florbela é o retrato íntimo de Florbela Espanca: não de toda a sua vida cheia de sofrimento, mas de um momento no tempo, em busca de inspiração, uma mulher que viveu de forma intensa e não conseguiu amar docemente.
8 de Março - Estreia Nacional em cinemas comerciais em Lisboa (uci,
amoreiras, city Alvalade) Cascais - Sintra (Beloura Shopping), Almada
(Almada Fórum), Vila Nova de Gaia (Arrábida Shopping), Porto (Dolce) e
Coimbra (Dolce)
9 de Março - Grândola
12 de Março - Bragança
13 e 14 de Março - Viana do Castelo
16 de Março - Barreiro
20 e 21 de Março - Torres Vedras
26 de Março - Portel
Captar este fôlego e todas as inconstâncias da sua vida e obra foi o desafio do filme, convido-o a mergulhar um pouco…
FLORBELA Teaser
FLORBELA Trailer
Link Fotos Florbela
http://wtrns.fr/4gw_b0btjex4Yw
Um Café na Internet

Hoje, neste espaço dedicado à sétima arte, vamos falar de João Salaviza - neto do nosso Fernando Correia da Silva (e da Rosa Feldman, sua esposa) e sobrinho da nossa Ethel Feldman. Filho do realizador Edgar Feldman. Como não lhe bastasse uma família onde o talento é lei, o que faz ele? Ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 2011, com a sua curta-metragem Arena e, ontem, o Urso de Ouro do Festival de Berlim, com a curta-metragem Rafa. Para já, transcrevemos a notícia da Lusa. Voltaremos ao assunto.
João Salaviza começou por dizer que estava "muito surpreendido e que teria preparado um discurso bonito se soubesse que ia ganhar". No seu agradecimento, perante 1600 espetadores, disse ainda que dedicaria o prémio ao governo português. "Mas só na condição de nos ajudarem nos próximos anos, porque não sabemos o que vai acontecer com o nosso cinema", sublinhou.
No improviso, João Salaviza destacou ainda o trabalho do protagonista do filme, Rodrigo Perdigão. "Ele fez mais do que eu pelo filme", mas não pode estar presente em Berlim.
A terminar, dedicou o prémio à família. "Amo-vos muito", disse o jovem cineasta português, que já tinha ganho a Palma de Ouro das curtas-metragens em Cannes, com "Arena", em 2009.
A curta-metragem de João Salaviza, um dos 27 trabalhos a concurso, é sobre um miúdo de 13 anos preocupado com a mãe, detida numa esquadra da polícia por conduzir sem carta. A curta-metragem foi aplaudida na sua estreia mundial em Berlim, na quarta-feira passada.
O júri formado, pela actriz palestiniana Emily Jacir, pelo cineasta irlandês David Oreilly e pela actriz alemã Sandra Hueller, destacou a "impressionante representação" de Rodrigo Perdigão, "no papel de um jovem a caminho de se tornar adulto".
Jafar Panahi é um realizador irariano, de etnia azeri, de 51 anos de idade. Em 1995 recebeu o prémio de Cinema de Ouro do Festival de Cannes, com o seu filme “O Balão Branco”. Dois anos mais tarde, no Festival de Locarno, recebeu o Leopardovde Ouro, com “O espelho”. Em 2000 com o seu filme “O Círculo”, apresentado no Festival de Veneza, alcançou o Leão de Ouro.
Estavé a forma como o seu trabalho tem sido visto no mundo “ocidental”.Internamente, no seu país, em 2009, apoiou o candidato oposicionista às eleições presidenciais, Mir Hussein Mussavi. Os seus problemas tornaram-se mais visíveis, com os seus filmes considerados obscenos, a prisão de 88 dias, com greve de fome e o impedimento de se deslocar ao Festival de Cinema de Veneza de 2010. Em Novembro desse ano, foi julgado, acusado de fazer filmes sem autorização. Ficou em prisão domiciliária, impedido de trabalhar.
Mas a necessidade aguça o engenho. Para contornar a censura, filmou-se a si próprio dentro de casa, a conversar consigo próprio, levantando questões sobre o próprio cinema. Saiu do país dentro de um bolo de anos, foi visto em Cannes. Não se conta o que mais aconteceu a Panahi….
O filme foi visto em salas de cinema, passou também na RTP 2, juntamente com outro seu filme, de 2006, “Fora de Jogo”, sobre um grupo de raparigas que adoram futebol e que, num país onde as mulheres estão proibidas de entrar nos estádios, tentam ver por todas as maneiras um jogo decisivo para o apuramento ao Mundial de 2006. Uma delícia!
Pois, o “Isto não é um filme”, vi-o calmamente em casa. Não sendo imagens “bonitas” de ser ver, o seu circular por duas salas, o ar desalentado e quase sem alternativas, fui revendo outras situações pessoais e colectivas, sentido crescer em mim a inquietação. A liberdade de expressão? A capacidade de romper barreiras de censura?
Panahi vai descrevendo como faria o filme, onde colocaria as personagens, o que elas diriam. E desespera-se: “Se pudéssemos contar um filme porque faziamos filmes?”
No que diz respeito à sétima arte é esta a questão.
No que diz respeito a liberdade de expressão, é a proibição de filmar e de se expressar. Um problema universal.
Um Café na Internet

Com esta crónica de Afonso Aguiar, damos início (por enquanto sem periodicidade) a "Vamos ao cinema!", espaço dedicado à chamada sétima arte.
MELANCOLIA (Melancholia). Realizador: Lars Von Trier. Ano de realização:2011. Iintérpretes: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland. Duração:136 min. Género.: Drama. Sinopse: A história da relação de duas irmãs perante a proximidade de um planeta que ameaça colidir com a terra.
O polémico Lars Von Trier que disse " compreender Hitler" e que ao mesmo tempo dizia ter sido mal compreendido volta-nos a surpreender... Melancolia é muito mais do que parece.
Conjugando jogos de imagens sublimes e uma repetitiva porém muito bem conseguida música de Wagner,
Melancolia, é um filme a que ninguém fica alheio pois será dificil sair da sala de cinema sem se procurar identificar com uma das personagens do filme : a melancólica, emocionalmente instável, Justine, interpretada por uma enorme Kirsten Dunst( vencedora sem surpresa em Cannes) que com a aproximação do fim do mundo acaba por ser a única que consegue enfrentar a realidade; a sua irmã Claire, uma mulher ansiosa que procura ajudar a personagem de Dunst e que ao mesmo tempo vive em constante receio da morte; o seu cunhado, interpretado por um Kiefer Sutherland que há muito não fazia um filme digno de registo ( e louvemos este seu regresso aos bons filmes), representando um homem rico, seguro e fascinado com a proximidade do planeta vendo-o como algo inofensivo, maravilhoso e divino; e finalmente o seu sobrinho, a jovem e inocente criança que há em todos nós e que no fim prova que a ingenuidade e a inocência consegue ser muitas vezes o melhor caminho.
O feito de Lars von Trier é de tal maneira fantástico que me arrisco a dizer que se trata de um dos melhores filmes de culto que esta década verá e foi sem surpresa que foi nomeado para a palme d'or do festival de Cannes, perdendo para um, menos bem conseguido, " Árvore da Vida" de Terrence Malic.
Não se enquadrando no perfil de Hollywood e dificilmente candidato aos óscares, é mais do que um filme é uma verdadeira obra prima introspectiva.
Continuando as citações do livro anteriormente referido:
“Eu sempre defendi que esta é uma profissão que foi feitas para nos divertirmos. Não quero parecer snob, mas aprecio muito o termo que usam os franceses: para dizer “representar”, eles usam jouer, que na nossa língua corresponde a “jogar”. Nós italianos dizemos “recitare”, que já soa a fingido, a falso, a construído.
No que respeita ao “sofrimento do actor”, aconteceu-me várias vezes ler entrevistas feitas a grandes astros americanos os quais, parece que para “entrar nas personagens”, passam por tormentos, por grandes sofrimentos. Há quem se feche num convento; e quem vá para o alto de uma montanha reflectir. Nunca percebi porquê. Se considerarmos esta profissão um jogo, uma brincadeira, e nos recordarmos de como brincávamos em crianças aos polícias e ladrões… Mas para quê esse tormento, para quê sofrer tanto?
Compreendo-o se não nos chamarem para trabalhar, se se esqueceram de nós: então é claro que há sofrimento; se tivermos dívidas a pagar e não tivermos trabalho, o sofrimento é este – e não representar.
PARADOXE SUR LE COMÉDIEN (PARTE II)
O Paradoxo de Diderot é só isto: a sensibilidade torna os actores limitados, ou pelo menos medíocres. Vão perguntar como é possível. Bem, Diderot via assim as coisas, e eu creio que tinha razão: são miolos e sangue frio que fazem o grande actor.
Recentemente, com Vittorio Gassman, dissemos numa entrevista que o actor é uma caixa vazia. Lá dentro Não há nada. Esta caixa o actor enche-a de vez em quando com personagens; e no fim transforma-se numa espécie de mala cheia de caras, de tipos, da qual vaia tirando qualquer coisa e se serve dela para interpretar uma nova personagem.
Segundo Diderot, o actor representa por instinto, com o coração, tem dias bons e maus, altos e baixos. Em contrapartida, o actor que aponta para o controlo é como um espelho que reflecte uma cena com crescente precisão, força e verdade.
Mas é possível pôr um limite exacto entre o instinto e o controlo, entre o coração e o cérebro? Bah, não sei. Eu tento compreender o que sou nesta profissão, mas não o consigo totalmente.
Uma vez fora do set ou do palco, o actor muda de roupa, põe de lado as dores ou as alegrias da personagem que interpretou. Na realidade foi só o público que sentiu as emoções. O actor, como já disse outras vezes, é um aldrabão que se mexeu, mas na realidade… sim, sentindo alguma coisa, mas na realidade sem sentir nada. Senão a sua profissão torná-lo-ia o homem mais infeliz do mundo, não? como se podem viver de todas as vezes as dores, dos dramas, e depois levá-los consigo?
TORMENTO: A SAÍDA (DA PERSOSNAGEM)
Representar é um prazer, é uma grande emoção. Porque uma pessoa vai fantasiando, contando histórias, às vezes divertidas, outras vezes trágicas – mas nunca estando realmente envolvido nelas.
…
Só que o público acredita, quando de facto lê histórias destes tormentos e sofrimentos do actor. E acredita também a crítica. Porque se deitarmos assim as coisas da boca para fora, com maneiras desenvoltas, e dissermos que ter esta profissão é um divertimento, na realidade acabamos por ser considerados uns levianos. Se pelo contrário se disser: “Tive de estudar seis meses…” … E depois para sair da personagem, que trabalheira! Eu digo para comigo: “Tu à noite quando voltas para casa, o que fazes? Continuas? E a tua mulher não te cospe na cara? O que fazes, sentas-te à mesa continuando a fazer de quem tem o tormento da personagem?” em suma, parece-me um tanto excessivo.
Esta é uma profissão maravilhosa: pagam-nos para brincarmos. E todos aplaudem. Sim, se tivermos um mínimo de qualidade. Porém, o que mais se pode exigir?”
Marcello Mastrojanni (1924-1996) no seu último ano de vida, soube que padecia de cancro no pâncreas. Veio fazer o que seria o seu último filme, Viagem ao Principio do Mundo, com Manoel de Oliveira. Durante esse período gravou aquilo de que se foi lembrando sobre a sua vida – Mi ricordo, sì… mi ricordo, dirigido por Anna Maria Tatò.
O texto desse filme foi publicado pela Teorema em 1997, com o título do filme. Mastroanni pôde ainda ver todo o material, tendo escolhido o título. Decidiu partilhar convosco as referências a Portugal e a Manoel de Oliveira.
Turista de luxo
Ao cabo de mais de cento e setenta filmes, estou cada vez mais ávido de experiências novas. Por exemplo como esta, aqui, nestas montanhas de Portugal. (…) É um outro privilégio do meu ofício: quem viria parar a um lugar destes? Qual turista escolheria vir para o meio destas maravilhosas montanhas? O cinema leva-nos aonde nenhum serviço de turimo nos aconselharia que fôssemos. E, diga-se francamente, como “turista de luxo”, porque nenhum turista, por mais rico ou famoso que seja, poderia saborear assim tão profundamente o que é a natureza de um país, de um povo. Mesmo sendo difícil compreendermos-nos por causa da língua, no fim acabamos sempre por nos entender. E depois entrar na casa das pessoas, ver e fazer coisas que não seriam permitidas nem a um Presidente da República.
88 anos!
Manoel de Oliveira tem 88 anos. Nunca vi os filmes dele, mas conheço-o de nome, é considerado um papa do cinema internacional. Achei a ideia de trabalhar com um homem de 88 anos um privilégio. Trabalhar com um realizador de 30 ou 35 anos é normal. Mas digo: 88 anos! Chega a ser irritante, na sua energia. De manhã às 8 está na piscina a tomar banho, e faz frio, eh!
Como um dirigível
Vêem aquela ponte de ferro, aquela arcada audaciosa, ali no rio Douro? Chama-se “dona Maria”, uma rainha de Portugal, e foi projectada pelo engenheiro Eiffel, que todos conhecem pela famosa torre Eiffel de Paris. (…)
1996 – Orson Wells e Portugal
(…) Como estava prestes a partir para Portugal, onde rodaria Viagem ao princípio do mundo com o realizador Manoel de Oliveira, decidimos fazer o nosso filmezinho aproveitando os intervalos e o tempo livre que Marcello teriam durante os trabalhos. Preocupado em não incomodar o set de Oliveira, Marcello põe uma condição: que a nossa troupe fosse reduzidíssima. Concordei logo – desde porém que rodasse em 35 mm.
Mastroanni pertence ao grande cinema, não me parecia justo retratá-lo com uma câmara de vídeo.(…) A troupe era de 6 pessoas.
O filme foi filmado, durante o mês de Setembro, em Peso, Castro Laboreiro, Melgaço, Porto, rio Douro, Caminha,
sempre a fugir à chuva e a procurar o sol.
O vídeo abaixo mostra o aniversário de Mastroanni, passado com a equipa de filmagem portuguesa, num restaurante em Castro Laboreiro.
(a propósito da reedição em DVD do filme Sentimento de Luchino Visconti, apresentamos hoje um texto anteriormente publicado no Estrolabio)
João Bénard da Costa Senso: A paixão em Veneza
Afinidades entre o cinema e a ópera — duas artes do tempo, duas artes «parasitárias», duas «artes de acréscimo», ou as duas artes que tendem para a «obra de arte total», sonhada por Wagner — sido pressentidas, notadas ou sublinhadas por muitos e desde há muito.
Ultimamente, tem-se generalizado outra e mais equívoca forma de aproximação. Quem fala da «morte do cinema» terá tanta razão ou pouca como quem fala da «morte da ópera». É verdade que, no caso desta última, nada de radicalmente novo aconteceu desde a estreia de Capriccio de Richard Strauss em 1942 ou, magnanimamente, desde a de The Turn ofthe Screw de Benjamin Britten, em 1954. Mas também é verdade que nunca, como hoje, tão vastas audiências viram e ouviram ópera e, mesmo por um balúrdio, é difícil conseguir um lugar para as temporadas dos principais teatros líricos do mundo ou para os grandes festivais. Nunca a ópera foi tão cara, nunca se pagou tanto aos seus intérpretes e nunca as lotações estiveram tão esgotadas. Normalmente — com excepções que apenas confirmam a regra — para se escutar e olhar um repertório escrito há mais de cem anos.
Há quem diga que o mesmo está a acontecer — ou vai acontecer - ao cinema. Talvez este nunca mais tenha os seus Verdi ou Wagner, talvez o lote de novos grandes filmes seja escasso, mas, num futuro não muito distante, as salas encher-se-ão para rever periodicamente o que foi realizado na idade heróica dele.
A hipótese parece-me aventurosa e pouco fundada, mas o simples facto de ser ponderada demonstra mais uma das analogias entre os dois «reinos»: quem o diz reconhece a ambos — cinema e ópera — uma aproximável localização em paragens limiares e liminares, onde partilham a luz e as sombras, a celebração da vida e a súplica da morte, a encenação da nostalgia e o apelo a uma recôndita harmonia.
Apesar disto — ou por causa disto —, de cada vez que o cinema tomou a ópera como texto, os resultados não foram brilhantes. Por um lado, são raríssimos os exemplos de óperas escritas propositadamente para o cinema. Que eu saiba há apenas três. The Robber's Symphony, ópera e realização do alemão Friedrich Feher em Inglaterra, 1936; Give Us This Night, ópera do alemão Erich Wolfgang Korngold e realização do americano Alexander Hall, em Hollywood, 1944; e Os Canibais, realização e ópera dos portugueses Manoel de Oliveira e João Paes, em Portugal, 1988. Por outro lado, são igualmente raríssimos os exemplos conseguidos de transposição para o cinema de uma ópera. Julgo que somente Die Verkaufte Braut (A Noiva Vendida, de Max Ophuls, 1932), The Tales of Hoffman (Powell e Pressburger. 1951), Bluebeard's Castle (Michael Powell, 1964), Trollflõjten (A Flauta Mágica, de Ingmar Bergman, 1974), Moses und Aaron (Jean-Marie Straub e Danièlle Huillet, 1974) ou Parsifal (Hans-Jíirgen Syberberg. 1982) merecem ser retidas como excepção.
Mas o filme-ópera, a ópera feita cinema ou o cinema feito ópera, não é nenhuma das obras citadas. É o Senso de Luchino Visconti (1954). Por isso — sobretudo, por isso —, é um dos filmes da minha vida.
Na ópera (Teatro La Fenice, de Veneza) começa o filme, situado na Primavera e no Verão de 1866, durante os últimos meses de ocupação austríaca do Veneto, pouco antes do Risorgimento lá chegar. Estamos no palco e ouve-se e vê-se o final do acto III de Il Trovatore de Verdi.
Ainda corre o genérico, quando Leonora e Manrico, na varanda de Castellor, cantam «l'onde de' suoni mistici», «gioie di casto amor-, primeiro sinal para as paixões paroxísticas que vão explodir durante o filme. Pouco depois — sempre no genérico — Ruiz vem avisar Manrico de que se preparam para lhe queimar a mãe. Este arranca-se dos braços de Leonora e vem até à boca da cena cantar o celebérrimo «Di quella pira». Precisamente nesse momento, a câmara, até aí fixa sobre o palco da ópera, acompanha-o no seu movimento e, do ponto de vista dele, descobre-nos o teatro, da plateia à geral, em amplos movimentos concêntricos. São eles que, no fim do acto e coincidindo com os aplausos, conduzem essa representação a outra representação: a manifestação política das galerias contra o ocupante austríaco.
Ópera só voltará a aparecer em Senso alguns minutos depois, quando, acalmados os ânimos e presos alguns manifestantes, começa o acto IV. Durante esse intervalo, conhecemos os protagonistas: a condessa Livia Serpieri (Alida Valli) e o seu velho marido (Heinz Moog); o marquês Roberto Ussoni (Massimo Girotti), primo da condessa, seu platónico protegido e chefe dos patriotas italianos (por ele e contra o marido, escolhera a condessa o abraço revolucionário); o jovem e belo tenente Franz Mahler (Farley Granger) que insulta os italianos, se recusa cobardemente a aceitar o repto de Ussoni para um duelo e, depois, o denuncia à polícia.
Quando começa o acto IV de Il Trovatore, Livia Serpieri chama o tenente ao seu camarote para o tentar convencer a deixar Roberto em paz. Mas, durante o breve diálogo com o oficial «de quem falavam todas as senhoras de Veneza», estabeleceu-se entre eles outra espécie de corrente. No palco, lá muito, muito ao fundo, ao pé da torre onde Manrico está preso, Leonora, disfarçada, canta que «In quest oscura notte rawolta / Presso a te son io. E tu nol sai!». Nem nós, nem os protagonistas do filme lhe damos muita atenção. O primeiro plano já pertence a Livia e Franz. É para nós e para eles que uma «oscura notte ravvolta» vai começar.
Nunca mais se ouve ópera no filme. Mas a ópera, o drama per musica, vai começar quando Livia abandona o teatro e, sobretudo, quando volta a encontrar o tenente, a um canto da Piazza di San Marco, onde fora despedir-se do primo, condenado a um ano de exílio. E quando Franz Mahler se oferece para a acompanhar pelas ruas de Veneza (oferta recusada, recusa não aceite) principia a ouvir-se a verdadeira música desta ópera: a Sétima Sinfonia de Bruckner (o adagio e o scherzo). E começam os «duetos», de Franz e Livia, ou as “árias” de cada um deles. Não são cantadas. Mas não há termos mais adequados para o que murmuram («tu parli talmente piano», diz três vezes Franz a Livia) ou para o que gritam (os uivos de Livia, no final, clamando por Franz, depois de o ter mandado para o pelotão de fuzilamento, em Verona). E sempre o que os personagens dizem em cantado é sustentado a Bruckner, e sempre as vozes são tão inseparáveis dessa música como na ópera o são. Depois de se ter visto Senso, nunca mais se pode ouvir a Sétima de Bruckner sem «sentir» que lhe falta essa dimensão de vozes. Depois de se ter visto Senso, é impossível pensar nas suas imagens sem «ouvir» Bruckner.
Por isso, e num dos mais curiosos paradoxos a que a história da relação cinema-ópera deu lugar, a descendência de Senso não é cinematográfica, mas operática. Se se quiser pensar numa posteridade para este filme, ela não está em nenhum outro (nem sequer em Morte a Venezia, onde Visconti tentou com a Quinta Sinfonia de Mahler um efeito semelhante e muito mais célebre), mas nas encenações de 1955 ou de 1956 com que o mesmo Visconti revolucionou todos os caminhos da encenação operática neste século. A espantosa criação de Alida Valli, no papel da condessa Livia Serpieri, só teve sequência nas da Mulher para quem Visconti fez essas encenações: Maria Callas. Em Senso, a voz e a imagem de Alida Valli preparam os caminhos para a voz e para a imagem da Callas.
As ruas de Veneza (quem nunca viu Senso nunca viu Veneza), os celeiros de Lonedo (quem nunca viu Senso nunca viu Palladio), as praças de Verona (quem nunca viu Senso nunca viu Sanmicheli) foram, em 1954, os palcos excessivos, exacerbados e exorbitados para a mais fantomática presença da mais fantomática das vozes.
(in João Bénard da Costa, Os Filmes da Minha Vida. Os Meus Filmes da Vida, Assírio & Alvim)
Herbert von Karajan e a Orquestra Filarmónica de Viena interpretam o Adagio da 7ª. Sinfonia de Anton Bruckner
Der Fuehrer's Face ("A face do Fuehrer") é uma curta-metragem de animação produzido pelos Estúdios Disney em 1942 e protagonizado pelo Pato Donald. É também o nome de uma canção de Oliver Wallace que se ouve em fundo. Em 1942 a guerra estava no auge, o III Reich parecia longe de soçobrar e, portanto, é bastante compreensível o estilo propagandístico com que o realizador Jack Kinney orientou a curta metragem que seria lançada nos cinemas dos Estados Unidos em 1 de janeiro de 1943 pela RKO Pictures. Venceu o Oscar da melhor curta metragem de animação e foi eleito a vigésima segunda melhor curta metragem de animação da história do cinema norte-americano, de acordo com o livro The 50 Greatest Cartoons de Jerry. Estes dados são talvez irrelevantes, pois por certo há centenas de filmes de animação melhores do que este - mas vale como peça histórica. Há quase setenta anos, um desenho animado entrava na guerra. Merece a pena ver.
Harold Lloyd (1893-1971), actor de cinema norte-americano, foi um dos comediantes de maior êxito no cinema mudo, tendo entrado em mais de 200 filmes. Em Portugal era muito apreciado - o seu nome foi aportuguesado para Arólis e, por extensão, «arólis» passou a ser alcunha dos que usavam óculos.
Vamos ver a cena mais emblemática de toda a sua carreira, a cena do relógio em «Safety Last». À uma hora em ponto teremos a emocionante e hilariante cena do relógio.
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
Sílvio Castro
Vasco de Castro
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