Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
Consultório Linguístico - Verbos irregulares - por Magalhães dos Santos

 

 

 

 

Ainda não me foram transmitidas reações negativas (muito menos furibundinas…) a respeito de eu ter começado dois destes textos com uma anedota… De modo que, enquanto as “queixas” chegam e não chegam e enquanto me ocorrerem historinhas a propósito do que eu quero transmitir… aí vão elas… (as historinhas…)

 

Num dos estabelecimentos de Ensino em que fui professor, calhou-me de ter uma turma constituída por uma única aluna. (Nos meus sexto e sétimo anos do Liceu fui eu próprio único aluno em Francês e eem Grego. O meu professor de Francês no sexto ano, o tão saudoso Pai Lisboa, chamava-me “o seu numeroso aluno”…)

 

A cachopa… coitada dela… e de mim, que cinco ou não sei quantas horas por semana tinha de estar sozinho com ela, sem que ela fosse nem de longe (literalmente e não só…) “coisa” que se visse…. nem que se ouvisse. Não era descendente do Newton nem do Einstein e não se contasse com ela para Prémio Nobel fosse de que fosse.

 

Um bazulaque!

 

Um dia quis alertá-la quanto à conjugação de certos verbos irregulares compostos de outros também irregulares. E lembrei, por exemplo, o verbo TER, dos mais importantes. Se, com um verbo regular, como BEBER ou COMER (para muito boa gente COMER E BEBER não são ações muito regulares…), o imperfeito do indicativo é, BEBIA, BEBIAS, BEBIA, e COMIA, COMIAS, COMIA, o pretérito perfeito desse mesmo modo é BEBI , BEBESTE, BEBEU, e COMI, COMESTE, COMEU, com o verbo TER a coisa fia mais fino: TINHA, TINHAS, TINHA, e TIVE, TIVESTE, TEVE.

 

E o grande perigo está em “regularizar”, isto é: conjugar com as terminações dos verbos regulares verbos que não o são.

Pelo que, “levados” pelas aparências e pelas falsas analogias, há distraídos que dos verbos CONTER ou MANTER, por exemplo, dizem contia, contias, contia, ou conti, conteste, conteu, em vez dos corretos CONTINHA, CONTINHAS, CONTINHA, ou CONTIVE, CONTIVESTE, CONTEVE.

 

Ou, com o verbo MANTER, dizem  erradamente, mantia, mantias, mantia, ou manti, manteste, manteu, em vez de dizerem corretamente MANTINHA, MANTINHAS, MANTINHA, ou MANTIVE, MANTIVESTE, MANTEVE.

 

Acabada a exemplificação, perguntei à cachopa se tinha percebido.

 

- Percebi, sim!

 

Graças a Deus, percebia sempre. O pior era quando eu ia testar aquela perceção toda…

 

E lá fui eu confirmar:

 

- Então, diga o pretérito perfeito simples do verbo REAVER…

 

Saiu só isto:

 

- EU REAVINHEI, TU REAVINHASTE, ELE REAVINHOU…

 

Dominei-me e ensinei-lhe (não sei se ensinei… só se pode garantir que se ensinou quando se tem a certeza de que a outra pessoa aprendeu…) que o verbo solicitado se conjuga, naquele tempo e modo:

 

EU REOUVE, TU REOUVESTE, ELE REOUVE…

 

 

 

Para não me ficar só pela trágica anedota, sempre lhes digo-lembro que da primeira conjugação, em –AR, são dois os verbos: DAR e ESTAR. É provável que, com historinha ou sem ela, volte a este assunto dos verbos irregulares.

 

 



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Sábado, 5 de Novembro de 2011
Consultório Linguístico - Uma nova coleção - por Magalhães dos Santos

 

 

 

Haverá, certamente, quem pense que este artigo talvez não tenha cabimento nesta rubrica. Quem assim pense terá as suas razões. Eu tenho as minhas para o enviar.

 

Saíram na quarta-feira, dia 2 de novembro, os primeiros volumes de uma nova coleção: a primeira constituída por livros todos eles (re)escritos respeitando o novo Acordo Ortográfico.

 

Como iniciativa, parece-me , louvável. (E não estou, sei-o, muito acompanhado).

 

Continua a haver muitas resistências, algumas delas vindas de gente muito credenciada e de valor.

 

Muito pragmaticamente (lá será o meu caso), algumas pessoas sujeitam-se, de bom grado umas, em plena concordância; resmungando e esperneando outras, mas obedecendo apenas porque lei é lei e esta é um pão duro mas há que comê-lo.

 

Uma vez que o que tem de ser tem muita força, fez bem quem resolveu promover o lançamento desta coleção. De todos os vinte e seis volumes de que ela se  compõe, se houver um percentagenzinha (muito –inha, tenhamos os pés no chão e reconheçamos quem temos…) que leia dois, três, quatro livros… já dá para lançarmos foguetes e pormos a desfilar a banda com fardamentos novos.

 

Os dois primeiros volumes – pelo sedutor preço de um único, 4€99c – são OS LUSÍADAS e K4 O QUADRADO AZUL, de Almada Negreiros. Sobre este escritor e artista plástico, ouvi um dia um pintor dizer que ele valia mais como escritor do que como pintor. Também haverá escritores a dizerem que Almada vale mais como pintor do que como escritor.

 

(Faz-me isto lembrar o caso de um torneiro que era delegado sindical. E dele se dizia que, como torneiro – era um razoável sindicalista. E que, como sindicalista, - se safava como torneiro…).

 

Não sou especialista em nenhum tipo de literatura e “confesso” que de Almada conheço o MANIFESTO ANTIDANTAS e um bonito texto sobre uma criança que desenha uma flor com uns poucos traços toscos. Mas era com esses traços que Deus fazia uma flor… Concordo que é muito pouco para conhecer o valor literário de um escritor. E o MANIFESTO é um panfletocom graça, pela violência usada para desancar o inimigo Júlio Dantas.

 

Quanto à edição dOS  LUSÍADAS… Tem um prefácio da Profª Doutora Isabel Pires de Lima., professora catedrática da Universidade do Porto e ministra da Cultura num governo de José Sócrates, e um posfácio do DoutorJosé CarlosSeabra Pereira, Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. E pergunto: onde estão as notas explicativas, acerca de personagens da nossa história ou da história mundial, de locais portuguesas ou outras, de entidades mitológicas?... Não há!

 

Quantas pessoas são capazes de ler OS LUSÍADAS sem… explicações? Ou melhor: ler… lerão. E entendem o que leem?...

Já li a nossa epopeia umas oito ou nove vezes. Porque quis fazer – e fiz – uns quatro trabalhos. Um precisamente intitulado  MITOLOGIA, PERSONAGENS E LOCAIS DA HISTÓRIA ANTIGA E DA HISTÓRIA DE PORTUGAL N'OS LUSÍADAS - Outras dificuldades;  outro sobre a Flora no Poema,

 

ainda um  sobre a Fauna,   e mais outro sobre  “Os Lusíadas, os negros, os muçulmanos e os hindus”.

 

Com toda a naturalidade reconheço que, com essas várias (mas não esgotantes) leituras, não saberei entender cada verso do poema, se ele não for acompanhado de notas e comentários. Não  é preciso recorrer à edição de Epifânio, certamente hoje rara e cara. A edição escolar daPorto Editora, de Emanuel Paulo Ramos, satisfaz plenamente.

 

Uma pequenina experiência: a quem se refere Camões ao escrever “Mas aquele que sempre a mocidade / Tem no rosto perpétua”? Todos os membros da Equipagem e os bem-vindos Passageiros sabem que se trata de Baco?

 

E como “decifram” esta estrofe:

 

“Nunca com Marte instructo e furioso
Se viu ferver Leucate, quando Augusto
Nas civis Áctias guerras, animoso,
O Capitão venceu Romano injusto,
Que dos povos da Aurora e do famoso
Nilo e do Bactra Cítico e robusto
A vitória trazia e presa rica,
Preso da Egípcia linda e não pudica,”?  

 

Esta edição de agora, limpinha de observações e ajudas, dará para colecionadores, para pôr na prateleira… Para ler e entender… não me parece…

Serve (servirá…) para familiarizar com o novo Acordo  Ortográfico. Mas estou em crer que Os Lusíadas, sem anotações, não serão a obra mais apropriada para alcançar esse objetivo.

                                                                                                                                                                 

        

                                                         



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011
Consultório Linguístico - Vai-se fazer... - por Magalhães dos Santos

 

 

Já outro dia comecei um artigo com uma anedota e, acreditando que tal não tenha suscitado reações negativas, vou repetir a “proeza”… Em determinado quartel, o sargentão chama o cabíssimo ao gabinete e diz-lhe: - Nosso cabo, forme o pelotão e comunique que logo, depois da sessão de manejo de arma, se vai fazer a sessão de ginástica. O cabíssimo chegou cá fora, mandou formar o pelotão e comunicou: - Ó rapaziada, o nosso sargento disse que depois da sessão de manejo de arma, farasse a sessão de ginástica. Destroçar! O pelotão destroçou e o sargentão, que tinha ouvido o comunicado, chamou o cabísssimo: - Nosso cabo, que é vossemecê disse aos nossos homens? - Disse o que o meu sargento me mandou dizer! - Que é lhes disse exatamente?!... - Disse-lhes que o nosso sargento disse que depois da sessão de manejo de arma, farasse a sessão de ginástica. E depois mandei destroçar… - Sua cavalgadura! - Sua cavalgadura, não! Se eu asneei, o meu sargento corrige-me mas não insulta! - Sua cavalgadura! Então como é que vossemecê conjuga aquele verbo fazer no futuro com o pronome pessoal?... - Então, meu sargento: farasse, faresse, farisse, farosse, farusse… - Sua cavalgadura! - O meu sargento ensina mas não insulta! - Então vossemecê não sabe que é far-se-á, far-se-é, far-se-í, far-se-ó, far-se-ú…

 

A anedota aí fica, oxalá tenham achado alguma graça…

 

Estas conjugações,quer do futuro quer do condicional levam a muito tropeção, dado,muitas, demasiadas vezes, por gente de cuja boca não se esperava tal hípico erro. O futuro e o condicional do indicativo, conjugados pronominalmente, formam-se com o infinitivo do verbo, intercala-se o pronome pessoal e acrescentam-se as terminações dos verbos no futuro e do condicional. ENCONTRAR-ME-EI, ENCONTRAR-TE-ÁS, ENCONTRAR-SE-Á, ENCONTRAR-NOS-EMOS, ENCONTRAR-VOS-EIS, ENCONTRAR-SE-ÃO. ENCONTRAR-ME-IA, ENCONTRAR-TE-IAS, ENCONTRAR-SE-IA, ENCONTRAR-NOS-ÍAMOS, ENCONTRAR-VOS-ÍEIS, ENCONTRAR-SE-IAM. Ao falar correntemente, desataviadamente, para muita gente de poucos ou nenhuns estudos, estas formas parecem e são arrevesadas, difíceis de pronunciar. E os tropeções acontecem e… revelam o nível (baixo!!!) de quem cai neles. Não digo o nível sócio-económico porque há muita gente bem posicionada e com fartas contas bancárias que… Valha-lhes Santa Rosa de Viterbo (e à Língua Portuguesa valha-lhe Nossa Senhora da Agrela, que não há outra como ela!) Escrevi ali acima: “O futuro e o condicional do indicativo, conjugados pronominalmente, formam-se com o infinitivo do verbo, intercala-se o pronome pessoal e acrescentam-se as terminações dos verbos no futuro e do condicional”. Três verbos constituem exceção a esta “regra”: DIZER, FAZER e TRAZER. Os ZE desaparecem e, assim, pronunciaremos: DIREI, FAREI e TRAREI. Como contornar aquelas esquinudas, rebarbativas formas? Por que não dizer: VOU-ME ENCONTRAR (em vez de encontrar-me-ei, que arranha a garganta)? Por que não dizer: IA-ME ENCONTRAR (em vez de encontrar-me-ia, que deixa a língua toda escalavrada)? Ou HEI DE ME ENCONTRAR (escreve-se sem o hífen, nas formas monossilábicas do verbo HAVER) ou HAVIA DE ME ENCONTRAR… é mais facilzinho, não?



publicado por Carlos Loures às 17:00
editado por Augusta Clara às 21:51
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011
Consultório LInguístico - IX - por Magalhães dos Santos

 


 

Correspondendo a uma pergunta de um amigo venho hoje falar sobre

 

FRASES LATINAS

O Português, o Francês, o Inglês, o Castelhano/Espanhol são línguas analíticas. Precisam de várias palavras para dizerem o que outras conseguem dizer gastando muito menos fôlego e muito menos tinta. Outras – como o Latim e o Grego, que são línguas sintéticas, as que mais imediatamente me acodem ou me ocorrem. Um exemplozinho, só para se fazer uma ideia do que estou a querer dizer: DURA LEX, SED LEX, traduzimos nós por A LEI É DURA, MAS É A LEI. Oito palavras para traduzir quatro.

 

Mais outro exemplozinho: NE SUTOR ULTRA CREPIDAM: QUE O SAPATEIRO NÃO VÁ ACIMA DA CHINELA. Oito palavras para traduzir quatro. Comecei este artigo com a intenção de trazer duas outras frases . Uma é: SALUS POPULI SUPREMA LEX ESTO. Significa ela: QUE A SALVAÇÃO (O BEM ESTAR) DO POVO SEJA A LEI SUPREMA. Era máxima do direito romano para significar que todas as leis particulares devem ter em vista o direito coletivo.

 

Estou mesmo a ver que as feras, os monstros inumanos que se investiram na função de nos governar são muito capazes (já têm dado amostras de que são capazes de tudo, tudo, menos de governarem a favor do triste Povo a que deitaram as garras) de invocar esta frase para justificarem as medidas de sucção, de punição, tendentes a levar-nos à morte lenta. Eu faço outra leitura: o bem estar do Povo não está a ser salvaguardado. O Povo está a ser "conscienciosamente" levado à miséria, reduzido a condições de vida que nos entristeceriam e revoltariam se fossem impostas a cães ou gatos. O Povo está a ser castigado, está a pagar por crimes de natureza económica que não cometeu, por que não é responsável. E os responsáveis pelo despesismo,pelo esbanjamento, pela delapidação de dinheiros públicos… esses não são responsabilizados, não são culpabilizados, nem condenados, nem obrigados a devolver as fortunas que roubaram, nem encarcerados ou postos a prestar serviços à comunidade. E a verificação diária dessa impunidade a que leva?

 

A que todos os muitos que infelizmente não foram criados no respeito por certos valores e princípios passem a considerar ridículos e desprezíveis esses mesmos princípios e valores. E a infringi-los, a calcá-los, a atacá-los, considerando-se a salvo de qualquer punição, porque punidos não são os que fizeram ainda pior e andam a espanejar as fortunas indecentemente ganhas. E criam-se, simultaneamente, exércitos de desempregados, de gente jovem ou ainda não velha, ainda muito capaz e senhora de muitos e úteis conhecimentos. Legisla-se cegamente, impõem-se medidas drásticas sem se fazer o mínimo cálculo das consequências do encerramento de milhares de empresas; da criação de dezenas ou centenas de milhares de desempregados; do fechamento de possibilidades de trabalho a milhares e milhares de jovens que se prepararam para trabalhar e não têm onde trabalhar, onde ganhar a sua vida, onde deixem de depender dos pais.

 

E ocorre-me mais uma frase latina: VENTER VACUUS CARET AURIBUS, BARRIGA VAZIA NÃO TEM OUVIDOS. A fome, a necessidade não vai em cantigas! A fome, não só a própria mas também, se não principalmente, a dos filhos e de outros familiares, é surda a cantos de sereia, por muito sedutores que sejam. Aos ouvidos de quem só ouve a Sra. D. Lógica, as reivindicações não têm razão de ser, chocam com o que é razoável; não respeitam o que está estabelecido; vão ao arrepio das normas, das leis, do que sempre se fez; destroem os alicerces da Sociedade. Dessa mesma Sociedade que criou este mesmo estado de coisas. Que é mãe desta desgraça que a tantos desgraça. Que se rodeou das leis que a protegem das legítimas reações dos que são esmagados, assassinados pelas práticas dessa odiosa sociedade.

 

Limito-me a prever uma convulsão de consequências imprevisíveis. Que pode levar a uma rotação de 360º. Ou a um caos. Ou ao ansiado surgimento de uma nova Sociedade, finalmente justa, que saiba proteger-se de parasitas aproveitadores da boa-fé dos mentores da vindoura organização. Uma Sociedade para e de pessoas, seres humanos, não para monstros sedentos de sangue. Como elemento da baixa classe média, sei, tenho a certeza de que serei dos primeiros atropelados, arrasados, esmagados pela vaga de fúria que se está a levantar. Como tal… limito-me a prevê-la, quase a anunciá-la. Não a desejá-la, sabedor que sou dos injustos exageros que a acompanharão. Mas sabedor de que valerão a pena os sacrifícios de alguns (muitos???) inocentes.

 

O edifício a erigir talvez exija alicerces sangrentos. Oxalá que não!



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Domingo, 16 de Outubro de 2011
Consultório Linguístico -VIII - por Magalhães dos Santos

 

 

Chegou-me uma pergunta que eu também… já tinha formulado a mim mesmo. Vamos a ela:

 

Deve dizer-se CONSULTORIA ou CONSULTADORIA?

 

A pergunta é fácil de fazer, a resposta é que (para mim…) não o é assim tanto…

 

O Porto Editora 8ª (na minha opinião, o melhor dos dicionários portugueses acessíveis) regista as duas palavras mas dá preferência a CONSULTADORIA, porque em CONSULTORIA remete para a primeira, E aí dá a seguinte definição: “Lugar ou gabinete onde se dão consultas; repartição onde se procuram informações ou esclarecimentos; lugar onde se dão ou se fazem consultas; lugar de trabalho ou atividade de consultador ou consultor”. (Veremos, lá para o fim, que estão aqui reunidas duas definições que talvez sejam… contraditórias). Vejam só a minha baralhação…

 

Encontro uma firma que propõe:

 

 ??? Consultadoria Internacional de Segurança, é uma empresa especializada em consultoria de segurança e defesa e na formação e aperfeiçoamento do ... Outra firma que propõe: ??? - Contabilidade e Consultadoria, Unipessoal Lda Actividades de contabilidade e auditoria; consultoria fiscal. Outra firma que propõe: ??? Consultadoria e Auditoria de Empresas Lda Sulaccount-Consultoria em Gestão e Contabilidade Lda Portugal > Beja > Beja Os Senhores Passageiros e membros da tripulação não ficam baralhados, como eu? Parece que as duas palavras se empregam indistintamente, não lhes… parece?

 

Recorro ao DICIONÁRIODE DÚVIDAS, DIFICULDADES E SUBTILEZAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, das Dras. Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão e aí leio que CONSULTADORIA vem do latim CONSULTATOR-ORIS, “aquele que vai consultar”; ao passo que CONSULTORIA vem de CONSULTOR-ORIS, o conselheiro, aquele que presta a informação.

 

Como já vimos, o Porto Editora – 8ª dá guarida às duas grafias.

 

Já o Houaiss (brasileiro), o mais completo dicionário da Lingua Portuguesa, só regista o CONSULTORIA, “em coerência com outras formações semelhantes: REITOR – REITORIA; DIRETOR – DIRETORIA”, a que acrescento outro exemplo: FEITOR – FEITORIA.

 

Depois disto tudo… parecem-me ambas corretas, ambas têm bons antepassados, têm muito ADN comum mas não deixam de ter significados diferentes, diferenças essas que o Porto Editora não põe em relevo. Escolhamos, pois, em cada ocasião, a palavra mais apropriada às circunstâncias. E, já agora, recordem que o doente é que CONSULTA o médico, vai consultar o médico ao consultório do clínico, o doente é o consulente e o médico o CONSULTOR.. Mas um médico pode muito bem ir consultar… um advogado, ser o consulente que vai consultar o causídico, pedir-lhe o parecer, no consultório deste.

 

Mas, já que estou com a mão nestas indigestas massas, sempre lhes confesso que antes me quero num hospital do que num tribunal. No primeiro, procuram devolver-me a saúde. No segundo “tratam-me da saúde”, não me restituem nadinha de nadinha e deixam-me sem conserto…

 

Liiiiivra!

 

Nota dos coordenadores:

 

Por problemas de agendamento, não foi possível incluir esta rubrica na programação de ontem, Sábado, como era devido - pedimos desculpa.



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011
Consultório Lnguístico -VIII - por Magalhães dos Santos

 

 

A DANÇA DAS LETRAS

 

São conhecidas – ou adivinhadas – muitas danças de palavras. O que não se pode fazer com palavras! E o que com elas se pode fazer! E desfazer! Cecília Meireles disse delas: Ai palavras ai palavras/que estranha potência a vossa! / Ai palavras ai palavras/ sois de vento ides no vento (…) Tão poderosas são que até as danças das letras dentro delas constituem novas danças e contradanças que podem divertir-nos e podem… confundir-nos…

 

Aqui há tempos (escrevo em meados de Outubro) foi noticiado que um autor brasileiro – Nygel Filho – já publicara dois livros: um em que todas as palavras começavam por A, outro em que todas as palavras começavam por D. Não faço a mínima ideia quanto ao valor literário – ou outro – dos dois produtos. Serão um dia candidatos a qualquer prémio literário?

 

Como habilidade e prova de infinita paciência… está de parabéns e justifica se não o nosso aplauso o nosso espanto… De vez em quando pelo correio eletrónico recebo um extenso texto (quatrocentas e trinta e quatro palavras) todo ele constituído por vocábulos começados por P… Só uma amostrinha:

 

Pedro Paulo Pereira Pintopequeno pintor portuguêspintava portasparedesportais. Porémpediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicabapintou prateleiras para poder progredir. Quem recolheu esse texto comentava: “O cara que escreveu isso é bom em português mas deve ser maluco e dispõe de muito tempo." Não subscrevo aquela coisa do maluco mas concordo que a elaboração do texto terá levado mesmo muito tempo…

 

Lembro-me de ter lido no muito interessante DOMINUS TECUM do excelente Dr. Artur Bivaro caso de um padre pregador que não conseguia articular o som Cquer de CÃO quer de QUANDO. E que dominou essa incapacidade escrevendo sermões de cujas palavras não fazia parte o negregado C/Q. Vejam só o que é abdicar do QUE! Também li a história de certo prefeito de colégio a quempor vingança ou pirraçatiraram uma tecla – a do A? –da máquina de escrever. Ele sorriu e e escreveu uma carta a queixar-se do autor. Sem utilizar a letra A… No Guiness Book of Records (edição portuguesa) registam-se vários casos de palíndromos.

 

Que é isso de palíndromos? Ana,ovo,Oto,A torre da derrota são alguns exemplos de palíndromos "palavras ou frases que podem ser lidos da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda". A palavra é formada por elementos de origem grega, PALIN novo e DROMO percurso, circuito, que encontramos em velódromo, cinódromo. Espantoso é este que se segue, dos mais antigos em Latim: "SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS" (O lavrador diligente conhece a rota do arado"). “É considerado um palíndromo perfeito. Reparem em que pode ser lido em qualquer direção inclusive de cima para baixo ou de baixo para cima. S A T O R A R E P O T E N E T O P E R A R O T A S” Também são conhecidos os acrósticos“formas textuais onde as primeiras letras de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase”.

 

Até o nosso Luís Vaz se deu a esse… entretenimento no soneto 145Vencido está de Amor meu pensamentoem que se verifica um duplo acróstico: palavras constituídas pelas primeiras letras de cada verso (VOSO COMO CATIVO) e palavras constituídas pelas primeiras letras dos segundos hemistíquios (MUI ALTA SENHORA). Acróstico digno de nota é o Hino Nacional dos Países Baixos (vulgoentre nós: Holanda). É composto por quinze estrofes. A primeira letra de cada uma delas forma o nome WILLEM VAN NAZZOV" (Guilherme de Nassau).

 

No abundante CANCIONEIRO GERALde Garcia de RESENDEentre muitos outros poemas de diversos méritos figura um em honra de um certo Fernando – não consigo identificar qual, como também não sei qual é o autor do “poema” nem o texto todo deste. O “poeta” escreveu oito estrofes (uma por cada letra do nome próprio) em queem cada umatodas as palavras começavam por uma letra do nome. Recordo que os primeiros versos da primeira estrofe são: Fortefielfaçanhudo Fazendo feitos famosos…

 

Na segunda estrofe cada palavra começa por E, a terceira por R, e por aí adiante… Entre outros dicionários temáticos, tenho um DICTIONNAIRE DES JEUX DE LETTRES, Dicionário dos jogos de Letras. Tem no total1022 páginas com todas as palavras de 3 a 9 letras (com as várias palavras que se podem construir com essas letras). Dessas páginas todas cento e vinte são dedicadas só aos anagramas.

 

Um ANAGRAMA é uma “Palavra que se escreve com as mesmas letras de outrasmas com um significado diferente”. Numa consulta rápida encontrei uma palavra (RETSINA “um vinho branco seco de cor dourada encorpadocujo gosto é assemelhado ao perfume de um sabonete ou terpentina pois a seiva é o aroma marcante”)com cujas sete letras se constroem onze palavras diferentes…

 

Em Português ocorre-me OLGA com que se constroem GALO GOLA ALGO LAGO LOGA. E ELVAScom que se constroem SALVE VELAS LAVES SÁVEL LEVAS VALSE SELVA… Com cinco letras - oito palavras diferentes. Isto são as combinações de que tive conhecimento e que recordei. Não sei porquê – questões de meio ambiente?... – só me lembrei de PODER – PODRE. É pouco… e tão nojento! Pouca sorte a minha!

 



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Sábado, 8 de Outubro de 2011
CONSULTÓRIO LINGUÍSTICO (VII) - por Magalhães dos Santos

VÍRGULA(S)

 

A nossa Amiga E. S. tem um probleminha com vírgulas. “Nunca põe TAMBÉM entre essas varinhas, ou talvez só em casos excecionais, mas muita gente o faz. Qual a forma correta?” Não me é fácil ou… é-me difícil responder… Estas coisas da pontuação… São coisa tão variável… Tão dependente da interpretação a dar à frase… Num trabalho meu – MODOS DE DIZER – lá para o fim, dizia eu: “… talvez possa ter alertado para as dificuldades que a um ator ou a um encenador se deparam quando algum deles tem de interpretar ou encenar um texto. Que inflexão dar a esta frase? Quem é a personagem que vive aquela tragédia ou aquele drama ou aquela comédia ou aquela farsa? Em que meio se move? Que profissão exerce? De quem gosta e quem gosta dele? Que amores e que ódios o agitam? Que passado tem? Que futuro pode ele esperar? Tudo perguntas cujas respostas vão determinar o tom de voz, a postura física, o riso, o choro, as pausas, a precipitação no falar… E, no entanto, se não todas, muitas interpretações podem ser legítimas, estar corretas… Pois se até o físico do ator – se ele é grande e forte como uma torre, se ele é maneirinho, de proporções mais… contidas – se até o seu físico pode determinar o modo de atuar!” (Fim da citação do meu texto). Fui procurar ao GRANDE DICIONÁRIO DE DIFICULDADES, DÚVIDAS E SUBTILEZAS DO IDIOMA PORTUGUÊS” (obra de 1958), de Vasco Botelho de Amaral. A entrada VÍRGULAS ocupa nove páginas e meia, mais de três mil palavras, mais de quinhentas linhas. (Neste artigo, aqui, já eu vou duzentas e sessenta e cinco palavras, mil duzentos e onze carateres, trinta e tal linhas. O aconselhável em artigos destes, para não atingirem a condenável dimensão de indormíveis “lençóis”, são dois mil carateres, mais coisa, menos coisa). Do também grande artigo do Prof. Botelho de Amaral imaginam já que vou transcrever pouquíssimos parágrafos. (Seriam dois mil trezentos e vinte e nove carateres, se fosse transcrevê-los todos… Muito vou podar…. E mesmo assim…) “a vírgula serve, na essência, para sinalizar os cortes das frases, as divisões menores de uma frase, a pausa leve”. “Afirmar que antes de um E (conjunção copulativa) não se emprega vírgula é exagero. Muita vez a conjunção E admite e até exige vírgula, quando há ênfase e contraste. «Ele é bom, e tu só pensas na maldade…” “(…) o que seja intercalado, interferente, incidente, encravado, repartido, dividido pede (…) uma vírgula. (…) verbos, como dizer, declarar, responder, exclamar, objetar, prosseguir, quando intercalados” podem ir entre vírgulas ou entre traços (…) e parênteses. ‘Basta, disse ele, basta de tanta injustiça”. (Esta frase até parece de 2011…) “Por isso, é erro crasso marcar vírgula entre sujeito e predicado ou entre verbo e seu complemento, pois seria absurdo partir a ligação mental entre sujeito e predicado e verbo e complemento. (Evidentemente é também erro crasso colocar a vírgula entre um verbo e um «que» introdutor de oração integrante. Por outras palavras, o que pedido para completar o sentido de um verbo não admite vírgula. Exemplo: «Peço-te que venhas cá”. Erro seria pôr vírgula antes do que)”. (Fim da citação da obra de V. B. Amaral)



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011
Consultório Linguístico - VI - por Magalhães dos Santos

 

 

Na minha primeira  “consulta” (por favor, não me levem a sério!), falei de erros de acentuação em formas do presente do conjuntivo. Era o caso de sejamos e façamos, por exemplo. Por errada, indevida analogia com as formas seja, sejas, sejam,  faça, faças, façam, as pessoas que não sabem pronunciam aquelas formas como se elas fossem esdrúxulas, como se se e fa fossem as sílabas tónicas.

 

Mas uma coisa (entre outras…) é certa: Com alguma frequência, um erro, de tão repetido que é, acaba por, primeiramente, ser tolerado, depois ser plenamente aceite, e, por fim, a forma que foi correta é expulsa da roda da gente bem falante e a forma que foi errada passa a ser a única certa, a única correta.

 

Um exemplo?... Ainda na conjugação verbal…

 

Um verbo regular latino: LAUDARE, louvar. Imperfeito do indicativo:

Laudabam, laudabas, laudabat, laudabamus, laudabatis, laudabant.

 

Notam os meus prezados Companheiros de viagem as deslocações de sílaba tónica: nas três primeiras e na sexta, a sílaba tónica é no radical, em da. Nas duas primeiras do plural, a sílaba tónica é na caraterística ba.

 

O que significa que, se a posição da sílaba tónica se conservasse na evolução para o Português, hoje diríamos  louvavamos e louvavais.

 

Porquê o recuo? Porque as outras quatro formas impuseram a força do número e as duas “dissidentes” resignaram-se e aderiram ao tropel. E daí louvamos, louveis; avamos, aveis; corvamos,corveis, etc.

 

Virá este “exemplo” a dar razão a quem diz aquelas coisas horrorosas do jamos enhamos e çamos? Quem viver verá e eu já cá não estarei para… ouvir… Os professores dos diversos graus de Ensino, dos Infantários ao Superior , ensinarão as formas corretas, corrigirão quem pronunciar mal? Ou os próprios mestres falarão mal? Não saberão Português?  Por favor, tranquilizem-me!

 

Outro erro de acentuação, tão frequente, tão comum na  boca de quem devia ter mais…juízo (ou vergonha na cara…) é o que “ataca” inocentes palavras como peodo e meocre.

 

É raro ouvir alguém, por mais responsabilidades que tenha, ou a que as suas habilitações deveriam obrigá-lo, dizer corretamente, acentuar corretamente a sílaba certa, em peodo, em meocre.

 

Será uma batalha perdida? É tanta a gente a dizer a silabada, que… qualquer dia sou apontado como atraso… de vida, como contrariador da “evolução” da Língua. Sei lá se como… reacionário?...

 

A tudo terei de me habituar…

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Sábado, 1 de Outubro de 2011
CONSULTÓRIO LINGUÍSTICO - V - por Magalhães dos Santos

 

 

 

 

 

De que se trata???

 

A nossa Amiga E. S. – servindo-se dos bons préstimos da comum Amiga A. C., o que doravante não vai ser preciso, pode-se dirigir a mim diretamente, que eu não mordo… - fez perguntas de bastante interesse, porque são (lamentável) sinal de que com frequência encontra os erros que a arrepiam.

 

Há diferença entre TRATA-SE DE e TRATAM-SE DE?…

 

Há!

 

Podem-se empregar ambos?

 

Podem!

 

Indiferentemente?...

Aí… mais devagar!

 

Na maior parte dos casos que (me) ocorrem, deve é dizer-se TRATA-SE DE CASOS DIFERENTES. TRATA-SE DE PESSOAS COM A MAIOR CREDIBILIDADE. TRATA-SE DE ASSUNTOS QUE NÃO TÊM NADA DE COMUM UNS COM OS OUTROS.

 

Nestes casos, não é possível transformar as frases usando a voz passiva, no género de casos diferentes são tratados; pessoas com a maior credibilidade são tratadas; assuntos que não têm nada de comum uns com os outros são tratados.

 

Isto não fazia sentido e estava errado.

 

Numa oração o sujeito NÃO É regido por preposição. Por isso se diz, por exemplo: PRECISA-SE DE PESSOAS SÉRIAS PARA DESEMPENHAREM FUNÇÕES MINISTERIAIS; ou PARA RESOLVER O PROBLEMA DO PAÍS, NECESSSITA-SE NÃO SÓ DE CONHECIMENTOS TÉCNICOS MAS TAMBÉM DE SENSIBILIDADE; ou PARA EXECUTAR ESTA PEÇA, PRECISA-SE DE MÚSICOS COM MUITA PRÁTICA.

 

Há, então, algum caso em que TRATAR-SE possa ir para o plural?

 

Há! Por exemplo: OS NOSSOS POLÍTICOS TRATAM-SE MUITO BEM…; ou NAQUELA CASA DE SAÚDE TRATAM-SE DOENTES QUE TENHAM SOFRIDO QUEIMADURAS GRAVES.

 

Estas frases podem pôr-se na voz passiva: OS NOSSOS POLÍTICOS SÃO MUITO BEM TRATADOS (por eles próprios); ou NAQUELA CASA DE SAÚDE SÃO TRATADOS DOENTES QUE TENHAM SOFRIDO QUEIMADURAS GRAVES.

 

Estes exemplos são elucidativos? Espero bem que sim!

 

Outro caso em que as opiniões já se dividem. Há jornais – e dos que são ditos de referência - que aceitam (julgo que até impõem, pelo menos aos seus jornalistas) construções como vende-se casas, compra-se selos antigos.

 

“Não fui criado” nesses hábitos. VENDEM-SE CASAS equivale a CASAS SÃO VENDIDAS. COMPRAM-SE SELOS ANTIGOS equivale a SELOS ANTIGOS SÃO VENDIDOS.

 

Há cinco ou seis anos perguntei isto mesmo ao meu antigo Professor de Latim em Coimbra. Deu-me esta mesma receita: se a frase pode “pôr-se” na voz passiva, o verbo diz-se ou escreve-se no plural.

 

DIZEM-SE MUITAS COISAS ERRADAS. VÃO-SE SABER MUITOS SEGREDOS INCÓMODOS. DEVEM-SE TER MUITOS CUIDADOS COM ESTES ASSUNTOS.

 

Um exerciciozinho: “ponham” estas frases na voz passiva!

 

Que tal?

 

   

A  PRESIDENTE / A PRESIDENTA

 

Por meio de mensagens eletrónicas, por conversas pessoais, tenho tomado conhecimento de bastantes reações negativas a respeito da palavra PRESIDENTA. Essa palavra ganhou  maior “visibilidade” a partir do momento em que a brasileira Dilma Rousseff tomou posse dessas funções, no seu país e fez ponto de honra em ser chamada presidenta

 

Invocam-se muitos argumentos (trocistas, na sua maioria) contra tal “moda nova”.  Chegam a chamar-lhe “labrega”…

 

Num texto que até terá a sua graça, reúnem-se palavras “provocatórias”, como coerenta, ignoranta, impacienta, doenta, vigenta, pertinenta, repetentas. Quase todas estas são fantasiosos femininos de adjetivos. Presidenta é substantivo. Pode estabelecer uma diferença, não?

 

Parecem-me – a maioria desses argumentos objetores – conservadores, passadistas, digamos… saudosistas.

 

As pessoas – todas elas, ou muitas delas, talvez mais novas do que eu – “aprenderam”  de uma maneira e assustam-se ou revoltam-se contra a ideia de que seja preciso mudar, alterar o que acham que devia ficar fixo, estático, rígido. “Se dantes era assim, se durante tantos anos foi assim, a que propósito é que agora vêm com estas modernices?!...”

 

E agarram-se aos dicionários, “onde não vem presidenta!”

 

Enganam-se um tanto, embora não totalmente…

 

Em 1946, já o famoso Torrinha incluía presidenta.

 

No Porto Editora, 4ª edição, que deve ser de 1958 ou anterior, já figura presidenta. O Dicionário da Sociedade da Língua Portuguesa, da responsabilidade do Dr. José Pedro Machado, de 1965; o Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse Seleções (brasileiro), de 1979; o brasileiro Houaiss, em 2001; todos registam presidenta.

 

 O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, que para muito boa gente é, nestes assuntos, absolutamente respeitável, em 2001 regista presidenta, acrescentando em itálico, deprec.(iativo) esposa do presidente. Fam(iliar) e pop(ular) Mulher que desempenha as funções de presidente.

 

No dicionário de Questões Vernáculas, de 1981, diz o seu autor, o brasileiro Napoleão Mendes de Almeida: “Presidenta, porém, ainda está ao que parece, no âmbito familiar e chega a trazer certo quê de pejorativo”. Vinte anos depois dessa data, parece que se esbateu o caráter pejorativo…

 

A presidenta Dilma não inovou. Talvez tenha… trazido a palavra do lumpen proletariat, do baixo proletariado, para a alta burguesia…

 

(Para meu espanto e meu escândalo, o brasileiro Aurelão  nem regista presidente nem (pudera!) presidenta. Anarquismo?)

 

O Dicionário de Dúvidas, Dificuldades e Subtilezas da Língua Portuguesa, (de 2010) das Dras. Edite Estrela, Mª  Almira Soares e Mª José Leitão, no verbete presidente diz que “Presidenta é a forma usada pelas pessoas menos escolarizadas. Este feminino resulta da falsa analogia com outros substantivos que têm formas distintas para o masculino e para o feminino, como por exemplo o infante/a infanta. A forma presidenta surge no Dicionário Houaiss com a indicação de que, em Portugal, é usado “de forma pejorativa ou informal”.

 

…………………………………..

 

No Compêndio de Gramática Portuguesa, de J. M. Nunes de Figueiredo e A. Gomes Ferreira, de 1977, o feminino de embaixador ainda era embaixatriz. O que eu tinha aprendido uns trinta e cinco anos antes, na Primária. Ensina a Dra. Edite Estrela (em 1991) que “a par de embaixatriz, a língua portuguesa apresenta um outro feminino para embaixador: embaixadora”. A mulher do embaixador era chamada embaixatriz. Embaixadora é a mulher que desempenha o cargo diplomático de embaixador. E a doutora explica: “Antes do 25 de Abril, a carreira diplomática estava vedada à mulher. Por isso o feminino embaixatriz podia ser atribuído à esposa do embaixador, sem receio de confusões”.

 

Vasco Botelho de Amaral (em 1959) ensinava: “Para designar o feminino de embaixador sempre se disse em português culto embaixatriz. Embaixadora é popularismo evitando (que se deve evitar), e que se emprega no sentido de medianeira, mensageira. Embaixadora é, como se lê em Aulete, “mulher encarregada de missão particular”.  E continua: “à mulher do embaixador ou à senhora com funções de embaixador deve dar-se o nome culto de embaixatriz, como actriz, e não actora, por exemplo”.

 

Esse mesmo autor, sempre em 1959: “(…) há quem tenha dúvidas sobre se deve dizer-se: “uma engenheira agrónoma, uma engenheiro-agrónomo, uma engenheiro-agrónoma”. Não pode haver a menor dúvida de que se deve dizer uma “engenheira-agrónoma”, pondo a palavra composta com ambos os elementos no feminino”.

 

Parecerá, hoje, estranha esta dúvida? Pois quando, vinte anos depois,  a Engª Maria de Lourdes Pintasilgo foi primeira-ministra de Portugal, em 1979, as dúvidas surgiram! Seria ela a nossa Primeiro-ministro? A nossa Primeira-ministro? O nosso primeira-ministro? A nossa Primeira-ministra? Ganhou esta última.

 

No FALAR MELHOR, ESCREVER MELHOR, são da responsabilidade da Dra. Edite Estrela estas palavras: “O desuso do feminino juíza, a dificuldade em se introduzir no discurso quotidiano, tem a sua explicação. Só na sequência do 25 de Abril de 1974, a carreira da magistratura foi aberta à mulher. Só a partir de então o feminino adquiriu valor uso. Felizmente, hoje, há juízes e juízas em Portugal”.

 

Há poucos anos (8/9), jovem advogado ainda me dizia que havia juízas que reclamavam ou preferiam o título de juízes

 

Mas já este ano (2011), uma juíza se encrespou com um jovem advogado por ele se ter dirigido a ela chamando-lhe Juiz (com as devidas senhorias, é óbvio… ou era…)

 

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

 

Tentei trazer os testemunhos que pude. Acho que deixei também implícita a minha opinião.

 

A palavra presidenta não me agrada-não me soa bem. Estudanta e fabricanta… também não.

 

Mas admito perfeitamente que seja por ainda chocar os meus ouvidos. Falta de hábito…

 

Porque num dicionário de rimas brasileiro, encontro, quase seguidinhos: eiranta, elefanta, farsanta, giganta, governanta, hierofanta, infanta. E não me fazem pele de galinha…

 

Depois de sairmos do berço, quantas palavras passaram a fazer parte do nosso vocabulário? Quantas palavras dizíamos e entendíamos aos quatro anos? E quinze, vinte anos depois? E quarenta, cinquenta, sessenta anos depois dos nossos primeiros balbucios? Vamos ficar só pelo vocabulário de quando tatebitatávamos?

 

De que natureza são os critérios com que – às vezes agressivamente! – nos opomos à introdução de palavras como… presidenta? Se conseguíssemos ir buscá-los às reprofundas do inconsciente… Se conseguíssemos olhá-los bem de frente, olhos nos olhos… Aprová-los-íamos? Gostaríamos deles? Continuaríamos a adotá-los?

 

                                                      

                                                           



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
Consultório LInguístico - IV- por Magalhães dos Santos

 

 

 

 

Pessoa com várias responsabilidades – é locutor de uma estação de televisão; é professor de uma Universidade; é escritor renomado – erra ao dizer, por exemplo,  isto tem a haver com aquilo.

 

Isto  tem a ver com aquilo. Este discurso tem a ver com os desmandos da véspera. As tuas dores  têm a ver com os teus excessos à mesa…

 

E vou, de certo modo, corrigir-me: no seu Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (1969), ensina o Doutor R. de Sá Nogueira que, ao dizermos/escrevermos “ter a, estamos diante de um galicismo de tal modo radicado já, que não creio possível bani-lo da nossa língua. Porque o francês diz “j’ai beaucoup à faire”, “qu’est-ce que vous avez à me dire?”, etc., passámos a dizer: “tenho muito a fazer”, em vez de tenho muito que fazer”; “que é que V. tem a fazer?” em vez de “que é que V. tem que fazer?”, e, em certos casos, em vez de “que é V. tem de fazer?” (Fim de citação)

 

E então o pobrezinho do  tem a havernão tem préstimo?! Vai para o lixo?!

 

Não! Tem cabimento em frases como:

 

- O livro custa 12€. O senhor entregou-me 20€. Portanto tem a haver 7€…

 

- Homessa! Entreguei 20€, o livro custa 12€, tenho a haver 8€!

 

 

Já que estou com a mão nesta massa…

 

Duas outras expressões também não devem misturar-se.

 

São elas ter de e ter que. A tendência grande é para as empregar indiferentemente mas… ponhamos um travão nessa indiferença toda.

 

Assentemos no seguinte: Quem quiser sobreviver, tem de comer o suficiente.

 

Certo?

 

Se concordam, assentemos também nesta horrível verdade: O pior é que nem toda a gente tem que comer…

 

Toda a gente (…) precisa de comer; tem necessidade de comer.

 

Nem toda a gente tem o que comer; tem alimentos que (possa) comer.

 

Isto é  um bocado indigestos, mas, bem mastigadinho…, talvez passe...

 

Mais duas coisinhas, que parecerão meras picuinhas, mas que podem dar… sarrafusca…

 

É equivalente ir ao encontro de e ir de encontro a?

 

Não é! E livremo-nos de o dizer “à toa”!

 

Ir de encontro a um  poste ou a um candeeiro… não é coisa boa, é coisa má, contundente, perigosa, a evitar. O punho dele, fechado, veio de encontro ao meu nariz e esmagou-mo. Não gostam deste exemplo, pois não? Ir de encontro a é chocar contra.

 

Vermos que alguém vem ao encontro das nossas ideias; que estas atitudes de quem manda vêm ao encontro das nossas necessidades, é coisa boa, é coisa ansiada, por isso suspiramos nós. Ir ou vir ao encontro de é estar de acordo, é navegar nas mesmas águas. É positivo, é bom!

 

Veem a diferencinha? A diferençona?

 

                                                     



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Sábado, 24 de Setembro de 2011
CONSULTÓRIO LINGUÍSTICO (III) - por Magalhães dos Santos

 

 

 

O nosso Prezado Companheiro de Viagem C. L. pergunta: “Deve dizer-se “organograma” ou “organigrama”? Há dicionários respeitáveis que só registam ORGANOGRAMA… Mas outros há que registam as duas formas – embora dando preferência a ORGANOGRAMA. Outros só registam a… outra. Os franceses só em 1953 introduziram organigramme no seu idioma. E nós… fomos atrás deles.

 

O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, regista organigrama e, dentro da definição, lá põe o ORGANOGRAMA, escrevendo-lhe à frente (Bras.), a “insinuar” que essa forma seja brasileira. Perante esta autoridade, que direi? Que essa autoridade não terá (no meu modestíssimo entender) assim tanta autoridade: Em barbadense 1 diz: “que é de Barbados, ilha do Oceano Pacífico…” Ora, Barbados fica no Atlântico, pertinho da Martinica e a Norte de Trinidad e Tobago.

 

Esse mesmo dicionário, em sismo, diz que é correspondente a abalo sísmico. Isto é erro! Porque sismo já significa, por si só, abalo. Abalo telúrico está certo! Dizer abalo sísmico equivale a dizer fígado hepático ou alma psíquica… Perante isto… a respeitabilidade fica um pouco atenuada…

 

No Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (2ª ed., 1967), do Dr. José Pedro Machado, não vejo organigrama nem organograma. Mas num dicionário de 2001, também da responsabilidade do Dr. José Pedro Machado e integrado na Biblioteca Geral de Consulta, leio: organigrama: o mesmo que organograma, mas menos correto. O famoso Aurelão (brasileiro) não regista organigrama mas regista organograma. E no verbete organ(o)- diz que é elemento de composição, significando órgão.

 

E, como exemplos, indica organopatia, organograma, organista, este atribuído já ao latim. E o sufixo –ista é de origem grega… No Houaiss, dá-se a preferência a organograma. Em organigrama remete para organograma. Antes ainda de atingir a sensata meta a que devo cingir-me… fico-me (por hoje…) por aqui. Vou começar, já, a tentar tratar da resposta a outras… perguntas… Os Companheiros A. C e C. L que me perdoem a espera a que os “obrigo”, está bem? Abraço cordial a todos os tripulantes e passageiros.



publicado por Carlos Loures às 17:00
editado por Augusta Clara em 28/09/2011 às 17:18
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011
CONSULTÓRIO LINGUÍSTICO (II) - por Magalhães dos Santos

 

Perguntaram-me: “Quando é que o verbo haver se conjuga só na terceira pessoa do singular e quando se conjuga em todas as pessoas do singular e do plural?”

 

Na Gramática do Português Contemporâneo, de C. Cunha e de L. Cintra, vejo que pode empregar-se em todas as pessoas do singular e do plural. Aí leio que se “emprega em todas as pessoas”: a) quando é auxiliar (outros haverão de ter; também a mim me hão ferido) b) quando é verbo principal, com as significações de conseguir, obter, alcançar, adquirir (“donde houveste, (…) esse rugido teu?”; “as terras (…) de quem as houvemos nós?”) c) idem, com a forma reflexa, nas aceções de portar-se, proceder, comportar-se, conduzir-se (a dureza com que se houvera; Soares houve-se como pôde…) d) idem, também com a forma reflexa, no sentido de entender-se, avir-se, ajustar contas (el-rei se haveria com eles, que podia; o mestre padeiro (…) que se houvesse com ele) e) idem, com o sentido equivalente a ser possível (não há negá-lo; não há julgá-lo de outro estofo) Estas aceções são muito comuns na linguagem de hoje?

 

Não será que só em textos literários (ou com aspirações a tal) se “justificam!? Não “passamos muito bem sem elas” na linguagem corrente? Mais ainda em aceções como ter, possuir (aos que bem o fizeram, hei inveja): Julgar, pensar, considerar, ter para si (o que eu hei por grão crueza). Quem hoje fala assim? Não estranhamos que nos falem assim? Mais umas expressões em que entra o verbo haver e talvez não nos façam encrespar tanto: Haver por bem; dignar-se, resolver, assentar, julgar oportuno ou conveniente (ele… houve por bem interromper a ingestão…; ainda que o vigário houvesse por bem suspender por bem…; houvemos por mais digno sair dali).

 

E então… quando aparece o há, o havia, o houve, o houvera, o haverá, o haveria, o que haja, que houver, que houvesse, aqueles casos mais comuns, aqueles em que mais erros se cometem, mais se tropeça? O verbo haver é impessoal, não tem sujeito, quando tem o significado de existir: há trovoadas em toda a parte; havia marinheiros; havia escreventes; havia quinze dias que…; há dois dias que... Se o verbo haver for ajudado, auxiliado por outros (ir, dever, poder), estes, solidários, portam-se bem, e conforme o verbo haver (na aceção de existir) não vai para o plural, também eles… não vão: Vai haver muitas pessoas contentes com esse resultado. Deverá haver leis que proíbam isso. Se pudesse haver governantes que impedissem essas desgraças. Nunca por nunca, Senhores Passageiros e Companheiros de viagem, nunca por nunca digam hão pessoas nem houveram casos semelhantes.

 

Pelas alminhas vos peço! Façam-me a vontade!



publicado por Carlos Loures às 17:00
editado por João Machado às 15:55
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Sábado, 17 de Setembro de 2011
COISAS DE/DO PORTUGUÊS - UM SERVIÇO AO DISPOR DE VOSSELÊNCIAS - por Magalhães dos Santos

 

 

 

A equipa timoneira da nave de que todos somos passageiros esteve de acordo em que houvesse uma rubrica destinada a falar de assuntos de Português. Tem o seu subscritor o “atrevimento” suplementar de se pôr à disposição de quem quiser fazer perguntas  a respeito do assunto da rubrica. Com a garantia de dizer “não sei” quando for esse o caso e de dar a mão à palmatória quando houver reparos que exijam tal atitude.

 

O subscritor tem alguma prática destas andanças. Assinou rubricas semelhantes no Diário de Notícias  e no Jornal de Notícias. Também publicou textos análogos em jornais regionais.

 

Conta com as perguntas que lhe forem feitas para se enriquecer, graças às consultas que precisará de fazer para lhes responder. Para o ajudar dispõe de dicionários diversos, obras de consulta, livros especializados de bons autores, portugueses e brasileiros.

 

Não faltarão aos viajantes argonautas motivos para transmitirem estranheza no tratamento que é dado a esse património comum que é a Língua Portuguesa.

 

Basta ouvirem as estações de televisão ou de rádio! Ou lerem as legendas das primeiras… Ou os jornais e anúncios e letreiros! Uiiiii!

 

Um pequeno exemplo:

 

Há dias uma locutora de televisão disse qualquer coisa como:

 

“É natural que nhamos visto…”

 

Isto é de bradar aos Céus!

 

As formas do presente do conjuntivo são sujeitas a verdadeiros tratos de polé, e – quantas vezes! – por pessoas de quem se esperaria muito mais cuidado. De locutores de rádio e de televisão, por exemplo. Mas quê? Nos exames de admissão exige-se-lhes que saibam uma ou duas línguas estrangeiras, mas não têm de provar que sabem Português. Ainda bem para os candidatos ao lugar, porque se tivessem de provar que sabiam a nossa Língua… não provavam e eram reprovados…

 

Em seis formas do presente do conjuntivo – TEnha, TEnhas, TEnha, teNHAmos, teNHAIS, TEnham – a sílaba tónica de quatro delas é a primeira, a da raiz: seja, sejas, seja, sejam; faça, faças, faça,  façam. Só em duas ela está na desinência: sejamos, sejais, façamos, façais.

 

E pseudo-democraticamente, ignorantemente, a maioria (quatro contra dois) quer impor a sua força e mandar que todas as formas tenham como sílaba tónica a primeira.

 

Resultado: quando se ouvem silabadas destas – e doutras – dá  para gritar!

 

A Gramática ainda existe ou… é letra morta?

 



publicado por Carlos Loures às 17:00
editado por Augusta Clara em 19/09/2011 às 19:38
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