El fado fue elevado por la UNESCO a Patrimonio Inmaterial de la Humanidad en 2011. Dos años antes había sido el tango, y en el medio el flamenco. Así, esta trilogía de canciones urbanas, portuarias, marginales en sus comienzos, nostálgicas, profundas y desgarradas, se reafirmaron como referencia universal; algo que ya lo eran para millones de personas que han vibrado y vibran con la profundidad y la elegancia de unas composiciones populares que detrás suelen tener los versos de los poetas más profundos de sus tierras respectivas y a la vez más populares, así como magníficas composiciones para guitarras, bandoneones, acordeones y violas, después diversificados en todo tipo de instrumentos musicales.
El director de cine Carlos Saura tuvo el acierto de filmar en 1995 su película “Flamenco”, que fue todo un alarde de puestas en escenas, de color y movimiento. En 1998 haría lo mismo con “Tango”, ese latido argentino tan influenciado por los ritmos europeos del Mediterráneo, desde donde llegaron incontables emigrantes, con la añoranza de su tierra. Después, en 2007, llegaría “Fados”, que aún late caliente en las filmotecas y videoclubs.
“Fados” resulta ser un homenaje sorprendente al “alma portuguesa”, tan abierta al mundo y tan concentrada a la vez en sus pequeñas cosas que resultan ser tan trascendentes. Atenta al amor íntimo, pero también abierta a la solidaridad; dolorida con la tremenda soledad del marginado; esperanzada a veces, pero aún más desalentada con la visión del mundo que nos toca vivir. Y sobre todo, tan palpitante de humanos sentimientos, necesitados de comunicarse a los demás.
En la película, se hace un dinámico recorrido histórico por el fado. Y ahí está la emocionante voz de Maria Severa, envuelta en el mito romántico “maldito” de mediados del siglo XIX, con tanto sufrimiento de por medio. El suave y elegante latir de Alfredo Marceneiro, tan humilde en su expresión y tan profundo y cautivante. O la inolvidable Amália Rodrigues, con su belleza clásica y su voz que se arrastra por el alma. O los grandes de ahora: Carlos do Carmo, Camané, Mariza, entre otros, de personalidades tan distintas y a la vez gigantescas.
Tampoco deja atrás Carlos Saura la evocación de Zeca Afonso, con imágenes extraordinarias del 25 de Abril, en tanto oímos Grândola, Vila Morena: siempre se pondrán los pelos de punta viendo a ese pueblo entusiasmado, oyendo a ese cantor de tanta calidad y calidez… ¡Qué comunión perfecta en la revuelta digna!
Pero el cineasta introduce en su historia otros ritmos, otras influencias, otros “toques musicales” y danzas que son un contrapunto al tiempo que un complemento enriquecedor: los bailes y cantos brasileños y africanos (la inevitable presencia colonial, en esto afortunada), de entre los que quiero destacar la voz aterciopelada, plácida, serena de Cesaria Évora, todo un remanso de paz y de melancolía. Y en esos contrapuntos, notas de color en un vestuario vivo y variado; en unas danzas vitalistas, llenas de ritmo y alegría, para “compensar” la quietud melancólica del canto lusitano, que alcanza lo sublime cuando lo filma en una “Casa de fados” de Alfama, mostrando la esencia espontánea y generosa del “fado vadio”.
No falta tampoco la fusión con el flamenco, aunque sí echo de menos un “apunte” al “fado de Coimbra”, que hubiera completado con brillantez el repertorio.
En cualquier caso, el sabor que deja la película es mucho más que grato: conmovedor, fiel a lo que el fado significa, a lo que el alma del pueblo lusitano lleva dentro: música serena, poesía, reflexión sensata sobre el paso de la vida, “saudade” en lo más íntimo y capacidad de rebelión masiva cuando se hizo imprescindible (¿vuelve a serlo en estos nuevos momentos de injusta crisis promovida por los que hacen al pueblo víctima de la misma?).
Posiblemente la mejor de la trilogía, “Fados”, coproducción portuguesa-española, nos ofrece 90 minutos de buen cine, que los amantes del mismo, y de la música y cultura portuguesa, no deben dejar en el olvido. Hay que verla para aprender, comprender y disfrutar.
Um primeiro fado nesta galeria de música romântica da primeira metade do século XX.
José Galhardo e Raul Ferrão constituíram uma dupla responsável por grandes êxitos da música portuguesa - entre eles se inclui o famoso «Coimbra» que, sob o nome de "April in Portugal" correu mundo sendo, por certo, o maior êxito internacional da música portuguesa. O fado «Maria Severa», da revista "Colete Encarnado" foi um dos muito êxitos que a música de Raul Ferrão e as letras de José Galhardo alcançaram. Alberto Ribeiro, um dos cantores preferidos pela dupla, interpreta "Maria Severa" da opereta "Colete Encarnado", estreada no Teatro Apolo, de Lisboa, em 1946.
Em Bali, na Indonésia, o Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) considerou ontem, o fado como Património Imaterial da Humanidade. É uma boa notícia, uma vitória da cultura portuguesa, vitória modesta, mas assinalável. Dentro do pequeno universo do nosso blogue, tentámos demonstrar que o fado não é um género exclusivamente lisboeta, é cantado em todo o País e em todo o mundo. Só a futebolização crescente da vida nacional explica certas reacções portuenses de repúdio e desvalorização. Como se o “Porto Sentido”, do Rui Veloso e do Carlos Tê, uma das mais belas canções portuguesas do século XX, não fosse um fado – só não o será porque os autores não o designaram como tal.
Porém não sabemos até que ponto esta decisão nos irá favorecer – a UNESCO é o braço cultural das Nações Unidas, mas é um membro esclerosado que já esteve para fechar as portas – O fado, o tango, o flamenco, o samba, são bem mais sólidos e duradouros do que a UNESCO. E dizemos isto com mágoa, pois a UNESCO é talvez o mais honrado organismo da ONU.
Nos anos 60, o boletim da UNESCO (em francês ou inglês) era uma fonte de notícias importante. A imprensa regional, vigiada pela Censura, transcrevia textos do boletim. Os censores, muitos deles coronéis reformados, ficavam baralhados, sem ousar cortar textos oriundos de uma agência das Nações Unidas. Os editoriais do director-geral, René Maheu (1905-1975) eram geralmente muito bem escritos e davam excelentes peças para as nossas páginas culturais (os blogues da época).
Pois a UNESCO está em perigo de vida. A entrada da Palestina foi, no fim de Outubro, aprovada por 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções (Portugal absteve-se) e os Estados Unidos não gostaram. Como represália imediata foi suspenso o pagamento de 60 milhões de dólares que estavam agendados para ser pagos em Novembro pelo governo de Washington. A ajuda anual dos Estados Unidos, cerca de 70 milhões de dólares, representa 22% do orçamento da organização.
A UNESCO foi a primeira agência da ONU a reconhecer o Estado Palestiniano, que se tornou o 195° membro da entidade. Brasil, China, Rússia, Índia e França estão entre os países que votaram a favor. Estados Unidos, Alemanha e Canadá opuseram-se ao ingresso da Palestina como membro de pleno direito. A Itália e a Grã-Bretanha e Portugal abstiveram-se. Os Estados Unidos declararam que a adesão da Palestina é "prematura e contraproducente"."Essa ação realizada hoje complica a nossa capacidade de apoiar os programas da UNESCO", afirmou o embaixador americano na organização, David Killion. Duas leis americanas, do início dos anos 90, proíbem que o governo desembolse recursos em organizações da ONU que reconhecerem entidades não reconhecidas internacionalmente e que tenham em seus quadros de funcionários membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Não é a primeira vez que os Estados Unidos suspendem a ajuda à UNESCO, pois boicotaram a instituição durante 18 anos, entre 1985 e 2003, alegando problemas de gestão da agência da ONU. O governo de Israel, que também anunciou cortar sua ajuda financeira, afirma que a iniciativa irá prejudicar as negociações de paz.
Na verdade, a vitória diplomática dos palestinianos na UNESCO poderá abrir caminho para o reconhecimento do Estado pelo Conselho de Segurança da ONU, conforme pedido apresentado em Setembro pelo presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, e que está sendo discutido.
O que tem isto a ver com o fado? Apenas deixar duas ideias: é uma honra para a nossa cultura ver uma expressão popular portuguesa ser reconhecida por um organismo como a UNESCO; porém esta agência das Nações Unidas, que tem actividades mais importantes do que a de organizar listas de patrimónios imateriais, está em risco de ela própria se imaterializar.

Fados é um filme do realizador Carlos Saura (2007) e com o qual encerra o seu ciclo musical iniciado há mais de 15 anos com Sevillanas (1992), Flamenco (1995), Tango (1998 - Nomeada para o Oscar do melhor filme estrangeiro), Salomé (2002) e Iberia (2005).
Usando Lisboa como cenário, o filme explora a complexa relação entre a música e a cidade, bem como a evolução do fado através dos tempos, desde as suas orígens africanas e brasileiras atá à nova vaga de fadistas modernos.
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
Sílvio Castro
Vasco de Castro
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