Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo - VI
(continuação)
Emprego no sector dos não negociáveis
Os grandes sectores dentro do agrupamento dos não negociáveis são o governo, a saúde, as vendas a retalho, os serviços de alojamento/alimentação (i.e., hotéis, restaurantes e hotelaria) e a construção (ver Figura 6). Em 2008, estas actividades representavam cerca de 73,5 milhões de empregos, cerca de 64% do emprego total que se verificava no sector dos bens e serviços não comercializáveis e aproximadamente cerca de 50 por cento de toda a economia. Em conjunto, os 5 principais sectores dos não comercializáveis contribuíram com 65 por cento da variação total de postos de trabalho a partir de 1990 para 2008.
O Governo, em todos os níveis, é o maior empregador do sector dos não comercializáveis e representa um pouco mais de 22,5 milhões de empregos em 2008. Os cuidados de saúde é claramente o segundo sector mais importante do grupo dos não negociáveis tendo no fim do período atingido um total de 16,3 milhões. Em termos de acréscimos, o crescimento do emprego nos cuidados de saúde foi de 6,3 milhões de empregos e está portanto no topo da lista quanto ao volume de emprego adicional criado, enquanto que o total criado pelo lugar governo o situa em segundo pois o seu acréscimo em volume de empregos foi de 4,1 milhões. Estes dois acréscimos juntos valem quase 40% do emprego total líquido criado adicionalmente na economia desde 1990. Para uma discussão posterior, notemos que o emprego criado a nível governamental não é principalmente impulsionado pelas forças de mercado, e os cuidados de saúde é algo de relativamente híbrido. As forças de mercado trabalham na área da saúde, mas com grandes assimetrias ao nível da informação e com uma substancial participação pública no lado da procura e na regulação. Tanto no governo como no sector dos cuidados de saúde, há pelo menos algumas questões a colocar sobre a sua capacidade futura em ser o principal impulsionador do crescimento do emprego.
As Figuras 6 e Figura 7 mostram as tendências no sector dos bens e serviços não comercializáveis. Elas incluem componentes não comercializáveis de sectores como as finanças e os seguros, mesmo que a maioria destas indústrias sejam negociáveis. Para garantir que os dados são vistos no seu contexto, as indústrias que não são predominantemente ou não são totalmente comercializáveis incluem um asterisco. Não temos até este momento forma de isolar o crescimento do emprego ou o seu declínio em subcomponentes negociáveis e não negociáveis de um sector ou indústria que é uma mistura dos dois grandes agregados em que estamos agora a analisar a economia.
Podemos, portanto, simplesmente ligar o aumento ou diminuição do emprego (ou depois, o do valor acrescentado) ao grande agregado dos bens e serviços negociáveis ou não negociáveis com base na proporção da indústria que é estimada estar em cada um dos dois agregados.6 Isto é improvável ser preciso, pelo menos para as situações de declínio ; os declínios são mais prováveis de ocorrer no subcomponente dos negociáveis. As reduções na parte dos não comercializáveis, portanto, não devem ser tomadas muito a sério. Felizmente, elas são relativamente pequenas e não afectam substancialmente o quadro geral.
Para facilitar a visualização destas tendências, as indústrias mais pequenas do agrupamento dos bens e serviços não comercializáveis têm uma escala diferente e estão incluídas na Figura 7. Mais uma vez, o leitor poderá notar que certas categorias — como Industria Transformadora III que na sua maior parte são mercadorias negociadas internacionalmente e são mercadorias intensivas em capital tais como a maquinaria pesada — incluem também um componente não negociável .
Figure 7. Nontradable Industry Jobs, 1990–2008 (Minors)8
Source: Authors’
(continua)
Selecção de Júlio Marques Mota
15. De que va esta crisis - III
Joaquín Arriola - Profesor Economía UPV-EHU-
(conclusão)
D. La globalización
En términos generales, se puede definir la globalización como un proceso a escala mundial de redistribución del poder entre clases sociales (de los trabajadores hacia los capitalistas) y entre territorios (de las zonas rurales a las urbanas (China, o las nuevas perspectivas financieras de la UE 2007-2013 lo ejemplifican: menos poder a la PAC, más poder a la política de competitividad/I+D.), de las periferias de las ciudades a los centros de negocios (la gentrificacion, anglicismo que denota la revalorización del precio del suelo y la expulsión de los residentes de menos ingresos de los centros urbanos, refleja esta transferencia de poder), de las regiones menos desarrolladas a las más desarrolladas, de las periferias a los centros). Así por ejemplo, en la Unión Europea las disparidades regionales de renta no se reducen (a diferencia de lo que ocurre con las medias nacionales, que sí se aproximan), y eso a pesar de las importantes trasferencias implicadas en los fondos estructurales. Obviamente, a escala internacional, sin transferencias del centro a las periferias de ningún tipo, no es de extrañar que las diferencias se hayan incrementado: en 1960 el 10% de la población mundial en los países más ricos tenía una renta media 46 veces mayor que el 10% de la población en los países más pobres (11.080 US$ frente a 256 US$ dólares constantes de 1995). En 2000 la diferencia era de 144 veces (35.210 US$ frente a 245 US$ : los más pobres se empobrecieron en esos 40 años, mientras los más ricos multiplicaron tres veces su riqueza). (Datos calculados a partir de World Development Indicators 2004).
Un proceso que reconoce la propia OCDE - el club de los países industrializados -, que recientemente constató estadísticamente un periodo largo de deterioro de la participación de las rentas del trabajo (asalariado y autónomo) en el PIB de todos los países desarrollados. En treinta años, el trabajo en los países centrales ha perdido diez puntos de participación en el PIB. Esto significa que, cada año, el capital genera más plusvalía, por un volumen equivalente a 5 billones de dólares (a precios de 2008), de la que ingresaba treinta años antes, no como consecuencia de una desarrollo de la fuerza productiva del trabajo, sino mediante una modificación estructural de la distribución del ingreso.
Así, mientras el número de asalariados ha aumentado más de un 20% en los países de la OCDE desde 1993, las rentas salariales y cotizaciones sociales sólo lo han hecho en términos constantes en un 10%. Por el contrario, el consumo y la inversión rentista, no productiva, de los capitalistas, ¡han aumentado en un 211%! Estas rentas del capital, que solo para el año 2008 equivalen a cerca de 1,7 billones de euros (más que toda la economía italiana de ese año, de 1,6 billones) no se han destinado a mejorar la productividad (la inversión privada en capital fijo en la OCDE fue de 8 billones de euros en 2008), sino a perseguir su multiplicación en forma de rentas de la propiedad por medio de su inversión en activos sometidos a un proceso acelerado de revalorización especulativa, proceso que ha encontrado su límite con el agotamiento del ciclo especulativo desde el verano de 2007.
Estos procedimientos de gestión de la crisis, aplicados desde los años ochenta, pretendían recomponer la tasa de beneficios y relanzar la acumulación a escala global. Sin embargo, la crisis financiera anuncia el fracaso de esta estrategia. EL volumen de crédito se amplió enormemente en los últimos quince años, sobre la base de que la estrategia puesta en marcha iba a rendir sus frutos, es decir que el relanzamiento de la acumulación permitiría pagar las deudas. Pero esa esperanza no se cumplió: el PIB mundial creció en los setenta menos que en los sesenta, pero tras la primera dosis de medicina neoliberal, en los ochenta creció aun menos que en la década anterior, y en los noventa menos que en los ochenta. Tan sólo las deslocalizaciones permitieron un crecimiento extensivo de la acumulación en China y otras plataformas de la fábrica mundial, insuficiente para compensar el estancamiento de los países centrales.
Por eso, la crisis financiera de la primera década del siglo XXI es expresión de la vía muerta en que se encuentra el sistema social vigente. Lo que resulta paradójico es que tras tres décadas de fracaso, se insista en la misma vía para intentar solucionar los problemas.
Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo - V
(Continuação)
A estrutura da economia americana está em evolução.
A estrutura da economia americana está a evoluir. A tecnologia é uma das forças motrizes, tanto no mercado interno como na integração da economia americana com a economia mundial. Uma economia, não funciona no vácuo. Numa economia global relativamente aberta, as mudanças estruturais nas economias emergentes podem levar a que estas forcem também a mudanças estruturais nos países avançados. Quando um certo tipo de actividade fica numa situação de declínio na nossa economia, normalmente esta actividade não desaparece pura e simplesmente da economia global, mas em vez disso pode significar, normalmente é assim, que se está a deslocalizar para outro país. Estas poderosas forças de mercado operam directamente sobre o sector de bens e serviços negociáveis internacionalmente e, indirectamente, na produção de bens e serviços não negociados internacionalmente através dos salários e dos seus efeitos nos preços e da deslocação de oportunidades de emprego no mercado de trabalho.
Com o objectivo de dividir a economia em dois grandes agregados, em duas partes, em actividades de produção de bens e serviços negociados e em não negociados internacionalmente nós utilizámos a metodologia desenvolvida por Bradford Jensen e Lori Kletzer. A metodologia destes dois autores determina que neste caso a colocação de uma indústria, de um ramo, de um sector numa ou noutra parte é feita com base na sua concentração geográfica — quanto mais concentrada é a indústria, maior é a sua possibilidade de comercialização (e vice-versa). Por exemplo, tomemos o comércio a retalho: a sua presença geográfica omnipresente implica que se trata de uma actividade largamente não comercializável internacionalmente. O mesmo poderia ser dito para a limpeza a seco, para a construção e para a maioria dos cuidados de saúde. Por outro lado, o sector mineiro tende a ser geograficamente concentrado, o que aponta para a possibilidade de comercialização internacional.
A classificação de Jensen e de Kletzer reflecte com mais precisão o facto dos bens negociáveis internamente do que o facto de serem negociáveis internacionalmente. Por exemplo, quanto aos serviços jurídicos, a possibilidade de comercialização no mercado interno e a possibilidade de comercialização internacional divergem. Nós adaptámos e ajustámos as suas classificações por principalmente olharmos para a estimativa de possibilidade de comercialização de cada sector e de usarmos simultaneamente o senso comum e os dados das exportações e importações para ver se as suas proporções reflectem a comercialização internacional das indústrias. Geralmente, as divisões parecem correctas, certamente com algumas indústrias a estarem bastante próximas da imagem dada pela evolução estrutural geral, sinal que não seria enganosa. Muitas indústrias são totalmente negociáveis ou não negociáveis internacionalmente, embora na maioria dos sectores exista um conjunto crescente de serviços fornecidos que são em princípio serviços negociáveis internacionalmente.
Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo - IV
(Continuação)
Para ilustrar o que é uma cadeia de valor acrescentado ou como é que esta pode ser pensada, imagine-se que estamos a planear lançar um novo produto electrónico. Do projecto inicial até à venda a retalho há uma infinidade de etapas que devem ser tomadas e em que cada um delas pode ser dividida em outras pequenas etapas e processos (ver figura 3). Em suma, estas etapas, estes processos, formam a cadeia de valor acrescentado. O valor acrescentado para o produto final seria então o preço de venda no retalhista (o total, com as suas margens de lucros) menos todos os custos que se tiveram de suportar para obter o referido produto e para o levar até às mãos dos consumidores, com exclusão, de novo, dos custos em capital e trabalho.
Figura 3. Cadeia de valor acrescentado para um produto electrónico imaginário
Os detalhes e número de etapas variam entre as diferentes indústrias, entre os diferentes sectores. Quando as coisas são vistas desta forma, como sendo a transformação, no sentido da produção de uma dada mercadoria, não se trata de uma só indústria. Há um subconjunto de etapas ou passos na cadeia de valor acrescentado, e frequentemente, para produtos complexos como automóveis, há sempre mais do que uma etapa, mais do que um passo.
As cadeias de valor acrescentado complexas normalmente utilizam tanto bens e serviços transaccionáveis como os bens e serviços não transaccionáveis na qualidade de serem os seus inputs, os bens e serviços necessários para a produção do produto final Assim como os dados de uma qualquer dada indústria não capturam essas complexidades, adicionalmente os dados comerciais também têm muitas falhas. Um iPad enviado da Foxconn na China tem de valor acrescentado as componentes nele instaladas com origem os Estados Unidos e de vários países da Ásia. Sem uma grande quantidade de informações suplementares, é impossível fazer o registo, partindo do país consumidor até á origem de criação do produto e encontrar os locais de criação de valor acrescentado para um qualquer dado produto. Além disso, as cadeias de valor acrescentado para os produtos finais podem- se sobrepor. Algumas partes da cadeia são específicas para um particular produto em análise (montagem, por exemplo), enquanto que outras podem ser partilhadas (componentes ou logística ou funções de contabilidade e controle de custos). A economia global não se divide de forma nítida em diferentes cadeias de valor acrescentado totalmente separadas com uma para cada sector ou classe de produtos finais.
Parte do sector de bens e serviços transaccionáveis é um conjunto de funções que envolvem o processamento de informações e serviços que lhes estão relacionados. Estes sectores têm sido objecto de numerosos estudos e de muita atenção. As inovações tecnológicas importantes têm permitido importantes economias de trabalho no processamento de informações e na automatizações das transacções. Além disso, algumas destas funções foram externalizadas. Parece tornar-se então evidente que os dados parecem estar mais conformes com a conclusão que grande parte da redução do emprego que actualmente se tem verificado terá sido mais o resultado da aplicação de tecnologias labour-saving, tecnologias economizadoras do factor trabalho, do que da atitude de se andar a externalizar. No entanto, alguns analistas confundem estes sectores, com o sector dos bens e serviços negociáveis internacionalmente como um todo e concluem que a globalização tem tido impactos relativamente pequenos até agora. A premissa está errada e a conclusão falsa. O processamento de informações e os serviços relacionados representam uma pequena parte do crescimento do comércio internacional. Mas isto é interessante e relativamente novo, e os estudos feitos são pois úteis. Mas não se podem tirar conclusões gerais acerca do impacto da integração dos mercados globais a partir de análises feitas na base de uma relativamente pequena parte. Como veremos rapidamente, o emprego está em declínio na indústria transformadora e está a aumentar no sector financeiro. Ambos os grupos têm estado a externalizar o seu sector de serviços de informação. Mas concluir que o declínio do emprego industrial pode ser atribuído a um impacto extraordinariamente grande sobre estes sectores devido à externalização dos processos de tratamento das informações destes mesmos sectores ou pelo facto de que a automação das transacções seja labour-saving é simplesmente uma conclusão incorrecta.
Em forma de resumo, a melhor maneira para poder pensar sobre os sectores de bens e serviços da economia em termos de serem negociáveis ou não negociáveis internacionalmente é definir o primeiro subconjunto de actividades, de bens e serviços, como o subconjunto de actividades, de bens e serviços, que podem fazer parte de cadeias globais de produção . A este nível, temos os dados sobre os sectores. Então, como uma primeira aproximação, a classificação em bens e serviços (ou seja, por sectores) será pois feita em função da proporção como transaccionáveis e não transaccionáveis que depende aproximadamente da proporção dos bens e serviços transaccionáveis na cadeia de valor acrescentado (usando o valor acrescentado como medida).
(continua)
Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo - III
(Continuação)
Depois de trinta anos com uma muito forte taxa de crescimento, a estrutura da economia da China está em clara transformação e deslocação, como anteriormente o estiveram antes dela a Coreia do Sul e o Japão.
FIGURA 1
Reafectação das exportações em produtos manufacturados da China entre os maiores sectores com a agregação feita a dois dígitos
A China, com um rendimento per capita de cerca de 3.800 dólares está agora a entrar no que são chamados países de rendimento médio em transição. Esta fase de desenvolvimento é muitas vezes chamada de armadilha. É uma das transições mais complexas e arriscadas que já ocorreram na longa jornada, uma jornada de várias décadas, de países de baixos níveis de rendimento para os níveis de países avanaçados. A experiência que nós temos da realidade e da história do pós-guerra sugere-nos que a maioria dos países que entram para o grupo de rendimentos médios em transição reduziu-se depois significativamente ou ficaram até em situações em que estabilizaram.
No conjunto dos casos de alto crescimento sustentado no período do pós-guerra (primeiro 13 países, depois 15, com a entrada para este grupo da Índia e Vietname), apenas cinco mantiveram as suas altas no quadro da transição dos países de rendimentos médios e continuaram no sentido dos países de elevados rendimentos de 20.000 USD per capita ou mesmo superior (ver figura 2). Essas transições extremamente rápidas ocorreram no Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura.
Figura 2. PIB real per capita e a Transição na zona de rendimento médios
Para a China e para outros países de rendimento médio, então, a manutenção do crescimento rápido não é automática.
Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo - II
(Continuação)
Introdução
No ambiente pós-crise, as questões de sustentabilidade na trajectória da economia americana começaram a ser levantadas. Entre os problemas que eram sublinhados estava um grande défice na conta corrente, estava a escassez de poupança interna, estava o excesso de alavancagem e de endividamento no sectores financeiros e nas famílias, e estava igualmente a estagnação dos rendimentos ao nível da classe média. No entanto, o que nessa análise estava claramente a faltar era uma análise detalhada quanto às mudanças estruturais na economia sobre o longo prazo e era uma análise sobre a maneira pela qual o crescimento económico das economias emergentes está a afectar a estrutura de emprego na indústria e a do valor acrescentado por trabalhador na economia americana. O presente trabalho tenta preencher essa lacuna, oferecendo um novo olhar sobre a evolução da estrutura económica dos EUA ao longo dos últimos vinte anos e tenta explorar as implicações de tais mudanças.
A economia americana não existe num sistema de vacuum; a evolução de algumas das suas mais marcantes características está ligada à evolução das características de longo prazo dos países em desenvolvimento e sobretudo está ligada à evolução das economias emergentes em especial às mais importantes delas.
A primeira secção do presente trabalho descreve a evolução da estrutura da economia global e oferece uma perspectiva de como as economias emergentes aumentaram a sua influência sobre a economia americana desde os anos 50.
A próxima secção descreve as características da economia vista esta em dois grandes agregados da sua estrutura produtiva, um agregado, uma parte, a do conjunto dos bens e serviços negociáveis internacionalmente e como segunda parte, como segundo agregado, o conjunto dos bens e serviços não negociáveis internacionalmente. A partir desta divisão pretende-se olhar para as tendências do emprego, do valor acrescentado, do valor acrescentado por trabalhador nas indústrias de cada um destes dois grandes agregados em que se dividiu a economia... O artigo conclui com uma análise dos desafios estruturais e sobre as questões sobre o emprego e tenta de forma diria preliminar fazer uma exploração sobre possíveis respostas políticas.
O corpo principal do trabalho é a análise detalhada e que se quer intensiva a partir dos dados da economia americana sobre as mudanças no emprego e no valor acrescentado das diferentes indústrias dos EUA. Os leitores interessados basicamente sobre as principais tendências e sobre as suas conclusões poderão ler o sumário executivo e a evolução da estrutura da economia global, e em seguida as últimas quatro secções, a partir da página XXXXX, onde se discute as respostas politicas que podem ajudar a mudar a actual trajectória
Na mudança da estrutura da economia global
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, com a economia global tem-se vindo, por lado, a aumentar o peso do comércio externo face à sua produção interna, o PIB, e por outro lado, a aumentar a sua abertura financeira, o que foi possibilitado em parte pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Mundial e pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), este último transformado agora em Organização Mundial do Comércio (OMC). Em paralelo, o colonialismo, com os seus inerentes constrangimentos sobre o desenvolvimento económico e as suas assimetrias internas, falhou. Apesar de duzentos anos atrás dos países desenvolvidos, cuja aceleração em termos de crescimento se iniciou no século dezoito com a revolução industrial inglesa, os países em desenvolvimento em todo o mundo iniciaram um processo secular de modernização. Hoje estamos já percorremos um pouco mais de metade do caminho, ao longo deste século.
Como as barreiras formais ao comércio e aos fluxos de capital diminuíram, houve uma série de outras tendências a acelerarem o crescimento assim como as mudanças estruturais nas economias em desenvolvimento. Nisto incluíam-se as inovações tecnológicas nos transportes e nas comunicações, a inovação na gestão em empresas multinacionais, os processos de aprendizagem sobre como fazer negócios em vários e diversificados ambientes, e a integração de cadeias produtivas multinacionais.
Graças às tecnologia da informação, muitos dos serviços que anteriormente não eram negociáveis internacionalmente como por exemplo as actividades que vão desde os serviços de radiologia até às contabilidades e à manutenção das tecnologias da informação passaram a serem actividades cujas produções se tornaram agora bens e serviços negociáveis internacionalmente.
As grandes economias emergentes, com diferentes pontos de partida (e muitas falsas partidas), têm mantido altas taxas de crescimento, muitas vezes superior a 7 por cento ao ano. Depois de várias décadas de crescimento em alta velocidade, essas economias tornaram-se mais ricas e economicamente maiores. Um ingrediente essencial é que neste crescimento haja mudanças estruturais. Com o aumento da sua dimensão, as transformações das estruturas dos mercados emergentes tenham cada vez mais e maiores impactos sobre as estruturas das economias dos países avançados. Uma economia emergente em crescimento desloca-se na sua cadeia produtiva para produtos de mais elevado valor acrescentado nas cadeias internacionais de produção, tal como o capital físico, o capital humano e o capital institucional aprofunda as economias emergentes levando-as a competir com as economias desenvolvidas.
No inicio do período pós-guerra, com as sucessivas rondas de negociações do GATT removeram-se restrições às exportações da produtos manufacturados , os países em desenvolvimento, cujas exportações consistiam até principalmente de recursos naturais e produtos agrícolas, desenvolveram uma base industrial em produtos da indústria transformadora intensivos em mão-de-obra e de baixo valor acrescentado . Nesta sua base industrial a indústrias têxtil e a do vestuário eram dominantes. Outras indústrias foram sendo sucessivamente acrescentadas à medida que se progredia no tempo. A lista é quase que interminável: malas de viagem, louças, coudelarias, brinquedos, produtos pessoais, e assim sucessivamente.
Mas não eram apenas produtos acabados que estavam a ser adicionados às carteiras de activos das economias emergentes. As partes das cadeias internacionais de produção fortemente utilizadoras em trabalho não especializado também se estavam a deslocar para as economias emergentes tanto quanto as empresas multinacionais aprenderam a integrar de forma eficiente operações de produção geograficamente dispersas. No sector de produtos electroeletrónicos, o processo de montagem fortemente intensivo em trabalho não especializado é, diríamos, um produto quase que naturalmente adaptado aos países de baixos rendimentos. Semicondutores, placas de circuitos impressos e outros componentes são projectados e fabricados em lugares diferentes, ou seja, em países de médio e altos rendimentos tais como a Coreia do Sul e Japão. A concepção e elaboração dos produtos das grandes marcas, o marketing, e investigação tendem a ser feitas nos países ricos. Cada componente da cadeia internacional produtiva tem sempre a sua mais eficiente localização de modo a reduzir ao máximo o custo do produto final.
A forma que assume a cadeia global de produção está constantemente em mudança. Países entram e integram-se na economia global em momentos do tempo diferentes e expandem-se também a taxas diferentes. As economias que anteriormente apresentavam altas taxas de crescimento, as economias do Japão, da Coreia do Sul e Taiwan - inicialmente eram países exportadores de produtos intensivos em trabalho e foram-se gradualmente movendo e subindo na cadeia de produção global e então foram-se deslocando para produtos mais intensivos em capital como automóveis e motocicletas e depois para actividades intensivas em capital humano, como o design e o desenvolvimento tecnológico. As actividades intensivas em trabalho, foram as actividades que estes primeiros mercados de alto crescimento deixaram partir quando os seus custos do trabalho aumentaram e estas indústrias deslocalizaram-se então para os países mais recentemente chegados à economia global e estes são predominantemente os países asiáticos, como a China e o Vietname...
A transformação da estrutura global não é estática, nem cíclica, nem auto reversível. Esta é bem melhor descrita como sendo um dia que só pode ser vivido nesse mesmo dia.. Os países que chegaram tardiamente à industrialização tendem a seguir a mesma trajectória que aqueles que os antecederam.
(Continua)
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo - I
Apresentação
Este trabalho examina a evolução da estrutura da economia americana, especificamente, as tendências em termos de valores de emprego, de valor acrescentado por sector e de valor acrescentado per capita de 1990 a 2008. Estas tendências estão estreitamente ligadas com as tendências complementares em dimensão e em estrutura da economia global, particularmente das principais economias emergentes.
Empregando séries temporais de dados da base de dados do Bureau of Labor Statistics e Bureau of Economic Analysis, a economia americana e os seus sectores é dividida em duas partes, uma parte, em que se colocam os sectores ou ramos ou indústrias norte-americanas que produzem os bens e serviços negociáveis internacionalmente e uma outra parte em que se colocam os sectores, ramos ou indústrias que estão a produzir bens e serviços não negociáveis internacionalmente. Procura-se que sejam analisadas as tendências, em termos de emprego e em termos de valor acrescentado, quer ao nível dos ramos quer a nível mais agregado ainda. O valor acrescentado em toda a economia cresceu, mas quase todo o acréscimo de emprego, que no total foi de 27,3 milhões de empregos, deu-se no sector de bens e serviços não negociáveis internacionalmente. Neste caso, nesta parte da economia, o sector governamental e o sector de cuidados de saúde são os maiores empregadores e foram neles que se verificaram os maiores acréscimos, (um adicional de 10,4 milhões de postos de trabalho) ao longo das duas últimas décadas. Há perguntas óbvias sobre se estas tendências se podem manter desta forma ou não, pois sem uma rápida criação de empregos no sector de bens não comercializáveis, os Estados Unidos teriam já enfrentado um enormíssimo desafio em termos de emprego.
As tendências em termos de valor acrescentado por trabalhador são consistentes com os movimentos adversos na distribuição de rendimentos dos EUA nos últimos vinte anos, em particular o fraco crescimento do rendimento na faixa média de rendimentos. A parte da economia caracterizada pelos sectores dos bens transaccionáveis está a deslocar a sua cadeia de valor acrescentado com os seus elos de valor acrescentado na média ou inferior a serem deslocalizados para o exterior, especialmente para os mercados emergentes em rápido crescimento. Estes últimos países estão eles mesmos, e rapidamente, a subirem nas cadeias de valor acrescentado pelo que os empregos de remunerações mais elevadas podem deixar também os Estados Unidos, seguindo o padrão de migração dos empregos de salários mais baixos. A evolução da economia americana permite considerar que se trata da existência de um grande desafio quanto às suas estruturas de emprego de longo prazo relativamente à quantidade e à qualidade das oportunidades de emprego nos Estados Unidos. Um conjunto inter-relacionado de problemas está ligado às questões da repartição do rendimento; quase todos os acréscimos de emprego ocorreram no sector de bens não transaccionáveis, em que o crescimento do valor acrescentado por trabalhador tem sido muito mais baixo. Uma vez que este valor está fortemente correlacionado com o rendimento, haverá um longo caminho para explicar a estagnação dos salários entre largos segmentos da força de trabalho americana.
Síntese
1. O crescimento do emprego na economia dos EUA entre 1990 e 2008 foi substancial, na ordem dos 27.3 milhões de empregos quando em 1990 havia 121.9 milhões de trabalhadores.
2. Virtualmente todos os acréscimos de emprego (97,7 por cento) resultam da criação de postos de trabalho na parte da economia dos bens e serviços não comercializáveis. Isso ocorreu apesar da dramática utilização das tecnologia economizadores em trabalho, labour-saving, no processamento da informação transversal a todos os sectores da economia.
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
11. 7º céu está baixo em em Bitterfeld-Wolfen
O céu está baixo, em Bitterfeld-Wolfen, nesta quinta-feira de Abril. Os milhares de painéis fotovoltaicos estão instalados num antigo local industrial a algumas centenas de metros da estação, e continuam desesperadamente baços.
No vale da indústria solar, "Valley of the Sun", o primeiro polo de competências alemão dedicado à indústria fotovoltaica, no coração da antiga Alemanha Oriental, muitos se interrogam sobre se o verão irá voltar algum um dia.
Q - cells, um dos pioneiros do sector neste sítio está, desde o início de Abril, em liquidação judicial. Na Alemanha e no mundo, toda a indústria solar está em crise.
Em Bitterfeld-Wolfen, a falência da Q-Cells é fortemente significativa. Nesta cidade de longa tradição industrial, devastada pela reunificação e pelo desemprego, a chegada da energia fotovoltaica, limpa e moderna, tinha representado uma verdadeira redenção.
Porque o nome "Bitterfeld" se pronunciava desde há muito na Alemanha com tristeza ou ironia: este campo "amargo" era considerado como o sítio mais poluído da Europa, depois de que, durante anos, aqui dezenas e dezenas de toneladas de resíduos químicos foram atirados para o meio ambiente pelo grande complexo industrial da química alemã.
CONCORRÊNCIA CHINESA
"Quando eu era criança, chovia aqui muita cinza, a neve era cinzenta, não se tinha o direito de a comer", conta o taxista durante os 20 quilómetros que separa a estação de comboio do vale da indústria solar.
150 Hectares de área estão fechados por uma grade de segurança, como para marcar a diferença entre a antiga e a nova indústria. No seu interior, os edifícios são ultramodernos, entradas em vidro, parques de estacionamento impecável.
A indústria solar criou, em dez anos, 4 000 postos de trabalho em Bitterfeld. Esta indústria encheu os laboratórios com cientistas, não só na região, no estado da Saxônia-Anhalt, mas também em Thuringia e Saxônia, em todos os Länder da Alemanha de Leste, que têm os seus "Solar Valley".
Depois de dez anos de euforia, a crise solar surpreendeu a indústria como um duche de água bem fria. Quatro empresas alemãs do sector apresentaram o pedido de declaração de falência nos últimos meses e a americana First Solar acaba de anunciar que vai em breve encerrar a sua fábrica de Frankfurt-Oder, na fronteira polaca.
Em Bitterfeld, a ansiedade é bem palpável. "No ano passado, tivemos uma queda nos preços na 50% a 60% no mercado interno, toda a gente está a vender com prejuízo, até mesmo os chineses," diz-nos com tristeza um industrial. "Todos aqui têm medo de perder o seu emprego, o seu posto de trabalho", diz um membro do sindicato IGBCE.
O solar está condenado, vítima da concorrência chinesa e das reduções de subsídios? "A indústria solar alemã vai evoluir, vai-se reestruturar mas não vai desaparecer," estima Jutta Günther, investigador do Instituto económico de Halle. "A Alemanha tem muitos laboratórios especializados, o seu avanço tecnológico está ai."
Reiner Beutel, Presidente executivo de Sovello, antiga filial da Q-Cells e que é agora uma empresa independentes, também localizada em Bitterfeld-Wolfen, aposta na inovação. A sua empresa desenvolveu um sistema de painéis solares que permitem poupar 50% de silício e 50% de electricidade.
Nas salas de produção da empresa, automatizadas, apenas alguns funcionários controlam os movimentos de robôs. “Aqui, até ao final do ano, nós iremos alcançar os chineses em termos de custos de produção, queremos aumentar a nossa capacidade de produção em cerca de metade até 2013", explica. Os seus efectivos são de (1 250 pessoas) e estas permanecerão estáveis.
INFATIGÁVEIS OPTIMISTAS
Por muito dura que seja a crise, Bitterfeld-Wolfen, que renovou o seu site industrial químico, já viu outras crises. A cidade tem seus incansáveis optimistas. Manfred Kressin é um deles. Este eleito local é o "pai" do Vale do Sol, o inventor do nome. Infatigável, este eleito conta-nos como é que foi capaz de convencer Q-Cells, em 1999, a estabelecer-se no seu círculo eleitoral, em vez de ser em Berlim. Explica-nos também como desenvolveu clubes de futebol para as crianças para assim manter os trabalhadores qualificados no seu município.
"O Vale do Sol irá sem dúvida irá sofrer, acredita ele." Mas aqueles que foram embora são trabalhadores qualificados, os 800 trabalhadores que tiveram que deixar Q-Cells encontraram todos eles emprego, no ano passado. "Eles estão na Porsche, na BMW, em Leipzig ou na Bayer em Bitterfeld."
Cécile Boutelet
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
10. O sector foltovoltaico: a oferta é o dobro da procura
Entrevista a Paolo Frankl," da Agência Internacional da Energia
É de novo os ventos do desespero que se abatem de novo sobre a indústria solar europeia: o fabricante alemão de células fotovoltaicas Q-Cells, líder no seu sector de na Alemanha, anunciou que apresentaria na terça-feira, 3 de Abril o seu pedido de declaração de falência. Esta falência é parte de uma série negra no mercado de energia fotovoltaica na Alemanha, mas também na Europa em geral. Na semana passada, foi o francês Evasol que estava à beira da falência na sequência de desgraças da emblemática jóia da coroa do sector a empresa antiga Photowatt.
Este marasmo no entanto não corresponde à imagem da indústria, tanto o crescimento se mostra forte na China. Um último acto a prová-lo: a empresa chinesa Fire Energy, distribuidor de equipamentos fotovoltaicos, deve adquirir até ao final do mês uma base militar abandonada de Châteaudun (Eure-et-Loir) para aí desenvolver um parque industrial, incluindo uma unidade de montagem de painéis fotovoltaicos e uma fábrica para a fabricação de LED, de acordo com Les Echos. Paolo Frankl, chefe da divisão de energias renováveis na Agência Internacional de Energia, analisa a evolução recente do mercado solar.
Por que razão Europeia o solar europeu atravessa uma situação tão má?
R de Paolo Frankl: Esta derrocada europeia - com a situação de falência ou de dificuldade da empresa alemã Q-Cells, Solarhybrid, Solar Millennium, Sólon e dos franceses Evasol e Photowatt é explicada por duas razões que são: a forte concorrência de fabricantes chineses a preços muito mais baixos e a redução dos subsídios nos principais mercados-chave europeus.
A situação mudou totalmente em 2007 quando os chineses fizeram a aposta de investir fortemente nessa tecnologia. Ao produzirem em grandes quantidades, estes dramaticamente fizeram aumentar um mercado até então limitado, na medida em que a oferta é agora duas vezes superior à procura: a capacidade de produção atingiu 50 gigawatts (GW) em 2011 para uma capacidade de instalação estimada em 27 GW.. Consequência: este excesso de produção, a baixo custo pelo lado chinês, provocou uma queda dos preços, até 75% em três anos nalguns países. Actualmente, o módulo fotovoltaico [painel solar] vende-se à volta de 1 dólar por watt gerado e o sistema fotovoltaico [módulos, suporte, bateria, cabos, etc.] 2 dólares por watt, contra quase o dobro de há três anos atrás.
No entanto, enquanto que os preços dos equipamentos desciam drasticamente, os preços de venda de electricidade não diminuíram na mesma proporção. Houve um desfasamento, portanto: alguns produtores fizeram lucros demasiado onerosos para os consumidores. Com isto criou-se então uma bolha, com um risco de colapso do mercado, especialmente em 2012 e 2013. Eis porque é que alguns países, como a França, a Alemanha, a Itália, a Espanha ou a República Checa, reduziram as tarifas garantidas de compra aos produtores de electricidade de origem fotovoltaica. Por exemplo, a Alemanha compra, desde o 1 de Abril a electricidade das grandes instalações a 16.5 cêntimos por quilowatt-hora e a 19,5 cêntimos a das pequenas instalações contra respectivamente 18 e 24 cêntimos no ano passado.
Como conseguiu a China levar os preços dos painéis fotovoltaicos a uma tão grande descida?
A China investiu maciçamente no sector fotovoltaico, à custa de dezenas de milhares de milhões de euros. Isso permitiu-lhe criar enormes economias de escala e, por conseguinte, reduzir os custos de fabricação. O custo do trabalho, muito baixo também, permitiu-lhe baixar o preço. Finalmente, as empresas chinesas desfrutam de um contexto muito favorável, os bancos do Estado permitem-lhes contrair empréstimos a taxas de juro interessantes, enquanto as autoridades locais vendem-lhes as suas terras a preços muito baixos. Alguns fabricantes europeus e americanos asseguram também que o mercado chinês beneficiou de subvenções estatais irregulares. Isso não está provado.
No final, a China tornou-se o primeiro produtor do mundo de painéis ao fabricar mais de metade dos módulos comercializados no planeta. E nos dez maiores fabricantes de painéis solares, cinco deles são chineses. A estratégia de Pequim foi, portanto, em grande medida benéfica para as empresas chinesas mas também para os americanos, em menor medida, também. Só os europeus viram a sua pressão aumentar.
À escala planetária o sector de energia fotovoltaica vai, portanto, bastante bem?
Em todos os sectores industriais, houve sempre uma fase de consolidação da indústria, o que significa que ela se torna mais madura. Esta é a situação actualmente da fileira fotovoltaica. Assim, se algumas empresas encontram dificuldades, não acontece oi mesmo para todo o sector. O mercado de facto aumentou exponencialmente nos últimos anos: a capacidade de instalar assim foi estimada em 17 GW em 2010 e 7 GW em 2009, contra 27 GW em 2011.
Além disso, se alguns governos reduziram as suas tarifas de compra de electricidade, nenhum deles diminuiu os seus objectivos em termos de quota das energias renováveis na produção de electricidade. A União Europeia deseja manter o seu objectivo de alcançar os 20% de energia renovável até 2020.
Como pode a Europa relançar o seu mercado?
O desafio para a indústria europeia é primeiramente encontrar novos mercados na América do Sul, no norte da África, no Oriente Médio, na Índia ou mesmo nos Estados Unidos e Japão, que têm principalmente uma ponta, um pico, de consumo de electricidade no decorrer do Verão devido os utilização de sistemas de ar condicionado. O recurso solar está agora por toda a parte no mundo: hoje, cinco mercados são maiores do que 1 GW e quinze mercados são superiores a 100 MW no planeta; em 2015, haverá pelo menos quarenta mercados superiores a 100 MW. Os produtores europeus terão de se renovar e produzir num ambiente menos confortável, com menos subsídios dos respectivos governos.
O mercado europeu, em seguida, pode diferenciar-se através ao seu valor acrescentado, em termos de aplicação dos sistemas fotovoltaicos e de integração nos edifícios. Finalmente, hoje, Europa e os Estados Unidos mantêm uma vantagem sobre a produção de silício multi-cristalino de que são compostos as células.
Como poderia ser a evolução do sector fotovoltaico nos próximos anos?
É difícil estabelecer previsões na medida em que o mercado está a evoluir muito rapidamente, em função simultaneamente de decisões políticas e de progresso tecnológico. Mas é certo que em três anos, a situação será muito diferente da que vivemos actualmente. A China não deverá aumentar a sua oferta, já muito forte, mas a sua procura, com o desenvolvimento do mercado interno, tem um enorme potencial.
Passando de 1,5 GW este ano para 10 ou 15 GW até 2015, ela reforçará a sua posição dominante de modo considerável no mercado de energia solar – na condição de que a capacidade instalada seja compatível com a capacidade eléctrica do país. Ao mesmo tempo, isso poderia permitir deixar de estar a pressionar os Estados Unidos e a Europa, especialmente nos outros mercados.
Entrevista a Paolo Frankl, Photovoltaïque: "L'offre est aujourd'hui deux fois supérieure à la demande", conduzida por Audrey Garric, Le Monde, | 03.04.2012
Paolo Frankl, responsável da Divisão Energias Renováveis na Agência Internacional da Energia
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
9. O fotovoltaico alemão em plena derrota
Cécile Boutelet
É uma hecatombe que atinge a indústria alemã do fotovoltaico. A firma Q - cells, outrora o primeiro fabricante de painéis solares no mundo, ira apresentar o seu pedido de declaração de falência na terça-feira, 3 de Abril. Desde há algumas semanas, a empresa, que perdeu em 2011 quase 850 milhões de euros com um volume de negócios de mil milhões de euros, estava a tentar rectificar as suas contas.
A falência de W-Cells acontece depois da das empresas Solarhybrid, Solar Millennium, Solon, três outros pesos pesados alemães a indústria alemã do fotovoltaico. No entanto, a procura de painéis solares nunca foi tão alta na Alemanha.
Mas os industriais estão encurralados entre duas grandes mudanças. Por um lado, a concorrência da China, que produz os painéis a um preço mais baixo e de qualidade equivalente, provocou uma quebra brutal dos preços nos últimos anos. Por outro lado, o Governo alemão, pela explosão de instalações, cortou duramente nos subsídios para a electricidade de origem solar que absorvem, só para esta indústria, cerca de metade do envelope dado por Berlim para as energia renováveis.
Os fabricantes não foram capazes de reestruturar os seus custos a tempo. "Os industriais acreditavam que os consumidores estariam dispostos a pagar mais caro pelo “made in Germany” pensa Wolfgang Hummel, da Escola Técnica Superior de Berlim. "A indústria solar alemã conheceu um crescimento extremo nos últimos anos, a bolha está em vias de estourar," diz Claudia Kemfert, uma perita em energia especializada pelo Instituto Económico de Berlim, "Penso que vai aí haver fusões e aquisições, devem-se esperar ainda mais falências ".
2 200 empregos ameaçados
Mas o investigador não prediz o fim do fotovoltaico alemão: "a procura global para painéis solares irá aumentar, é importante que as empresas sólidas alemãs fortes estejam posicionadas neste mercado." Assim, o grupo Bosch Solar Energy Group continua a investir numa actividade considerada promissora a longo prazo, apesar de uma perda de 500 milhões de euros em 2011. Em meados de Março, a Bosch abriu uma fábrica para a produção de painéis perto de Lyon e planeia abrir outra na Malásia.
Q-Cells espera com a apresentação do seu pedido de declaração de falência , melhorar a sua situação financeira antes de negociar um acordo com os seus credores. " Q-Cells ainda tem um futuro," quer acreditar Sylke Teichfub, do sindicato IG A.C. A empresa fundada em 1999 foi durante muito n tempo a estrela de TecDAX, o índice alemão de valores tecnológicos. No final de 2007, o seu valor estimado em 8 mil milhões de euros, ela esperava entrar para o DAX, o índice de referência de Frankfurt.
Q-Cells, 2 200 empregos estão ameaçados, mas é toda uma região que olha com ansiedade a evolução da situação da empresa. Porque Q-Cells forma o núcleo do "Sollar Valley", o vale do sol, uma zona industrial criada numa região da Alemanha sinistrada pela reunificação, que tinha apostado no desenvolvimento do fotovoltaico alemão.
Cécile Boutelet, Le photovoltaïque allemand en pleine déroute, LE MONDE, 03.04.2012
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
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8. A fileira solar europeia na tormenta
Jean-Pierre Stroobants (Bruxelas)
A empresa alemã Q-Cells, outrora a n ° 1 mundial em células fotovoltaicas, apresentou o seu pedido de declaração de falência na terça-feira, 3 de Abril e é agora todo o sector europeu da energia solar que se interroga sobre o seu próprio futuro, exactamente agora que espera vir a desempenhar um papel-chave. Os planos dos 27 para as questões climáticas em que se prevê uma redução progressiva das emissões de gases com efeito de estufa e a renovação das fontes de energia, dependem de facto e em grande parte do sucesso da indústria do fotovoltaico, considerado também contribuir para o crescimento e o emprego. A União Europeia tenciona produzir 20% de sua energia a partir de fontes renováveis até 2020.
A indústria do fotovoltaico europeu também está a sofrer com as medidas de redução dos subsídios governamentais e com as reduções de vantagens decididas um pouco por todo o espaço europeu, devido às políticas de austeridade seguidas. Um efeito directo da crise, mas também uma consequência do sucesso um pouco descontrolado dos dispositivos de apoio muito generosos. Vários países, incluindo a Alemanha, reduziram significativamente o preço de compra garantido aos produtores de electricidade de origem fotovoltaica.
Antes de Q-Cells, outras empresas alemãs que operam num mercado estimado em cerca de 25 mil milhões de euros ficam viradas do avesso, vítimas da concorrência desenfreada da China e de Taiwan que levou os preços a descerem fortemente . "Alguns dirigentes de empresas apontam a dedo os seus concorrentes chineses, que beneficiaram de empréstimos dos bancos semi-públicos e de ajudas directas do Estado." "Até agora não recebemos qualquer queixa, mas se os industriais formalizarem uma queixa nós poderemos iniciar uma investigação ", indicou, na terça-feira, 3 de Abril, um porta-voz da Comissão em Bruxelas.
Fragilidade
A França decidiu, de Dezembro de 2010, uma moratória sobre as ajudas públicas à energia solar. O Ministro da Ecologia, Nathalie Kosciusko-Morizet sublinhou , na época, que 90% dos painéis instalados no país vinham da China. Desde o início de 2012, ela estimava que os objectivos de potência instalada foram alcançados, mas não os da criação de empregos ou de reestruturação de um verdadeiro sector industrial. "Modificámos as ajudas públicas para as encaminhar para concursos muito tecnológicos em apoio das diversas fileiras industriais francesas," afirmou o ministro. É necessário que os apoios financeiros sirvam para criar postos de trabalho em França e não na China ". Por último, a aquisição da empresa pioneira da energia fotovoltaica na França pela EDF em Fevereiro de 2012, a Photowatt de Bourgoin-Jallieu (Isère), colocada em liquidação judicial, terá especialmente demonstrado a grande fragilidade do sector.
Na Grã-Bretanha, o governo anunciou, no final de 2011, a baixa de subvenções e a redução da tarifa de aquisição da electricidade de origem solar pela rede de distribuição nacional. O grupo de engenharia Carrion (4500 empregos) evocava imediatamente um projecto de reestruturação. O conjunto da fileira britânica, composta principalmente por pequenas e médias empresas, emprega cerca de 30000 pessoas.
Na República Checa, um generoso sistema de subvenções também foi abandonado, como na Itália ou na Bélgica. Neste último país, a empresa Bekaert, líder mundial em fios de aço (usados em especial nos painéis fotovoltaicos) está- se a preparar para fechar as unidades de produção na Bélgica e na China: ela já não consegue competir com as empresas chinesas no sector.
A necessidade de uma coordenação europeia
A Espanha já se via líder mundial em energia solar. No entanto, em Janeiro de 2011, um decreto reduziu de cerca de 30% os subsídios para a indústria fotovoltaica e limitou o número de horas dando direito a um subsídio. O objectivo era economizar 2.2 mil milhões de euros em três anos. O novo governo conservador já anunciou a supressão dos subsídios para novas instalações.
A Grécia também ela apostou na energia solar a partir de 2011, com a esperança de rentabilizar no máximo a sua taxa de exposição à luz do sol, superior em 50% à dos países do Norte da Europa. Um gigantesco projecto exigindo um investimento de 20 mil milhões visa alcançar, a prazo, os 10000 megawatts (MW) de potência instalada. Para atingir o seu objectivo - vender electricidade solar para a Alemanha-, o país terá no entanto necessidade de um apoio europeu e dos investidores assim como uma melhoria das redes de transporte previstas pela Comissão Europeia.
Esta última recusa centrar-se nas dificuldades actuais, que julga transitórias. "Estamos convencidos que o sector fotovoltaico permanece como promissor e não é afectado no seu conjunto", diz Karolina Kottova, porta-voz da Comissão. De resto, disse um especialista, são os Estados-Membros que decidem a sua própria política e devem assumir os seus erros. A este respeito, o caso alemão é descrito como "exemplar": o sistema de subsídio para a instalação dos painéis tem sido financiado por uma sobretaxa na factura dos consumidores e beneficiou sobretudo os painéis chineses. Daí, sem dúvida, a imperativa necessidade de uma efectiva coordenação europeia.
Jean-Pierre Stroobants (Bruxelles, Bureau européen), La filière solaire européenne dans la tourmente, LE MONDE, 04.04.2012
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6. Os curiosos caminhos da desindustrialização: a indústria europeia na hora sino-indiana
Joël Ruet e Thomas Eymond-Laritaz
Nestas últimas semanas, se a Europa monetária inquieta, a Europa industrial atrai.
O indiano Tata Communications está a considerar a compra do britânico Cable & Wireless (C & W), avaliada em um milhar de milhões de euros.
O chinês Great Wall, primeiro construtor de veículos comerciais, abre uma fábrica de montagem de viaturas na Bulgária, com um investimento calculado em 97 milhões de euros - mas com um objectivo de 50.000 veículos vendidos na Europa em 2015. Sinais de um movimento de fundo, o China Investment Corporation (CIC), o fundo público chinês, aponta para 30 mil milhões de euros de investimento na Europa "em crise".
Esta vaga de investimentos chineses e indianos não deixará de levantar questões dos decisores políticos europeus e à opinião pública: que interesses estratégicos é que eles representam para a indústria europeia?
Tata não esconde que se quer aproveitar da crise na Europa e o seu concorrente indiano e grande rival Infosys (tecnologia da informação) procura em França e na Alemanha dos activos de nicho com uma boa valorização, ou seja, depreciados porque os seus modelos económicos são considerados esgotados.
Cavalo de Troia
O modelo chinês de Great Wall - que é para montar na Bulgária a partir de peças feitas na China - poderia também levar algumas pessoas a pensar que se trata de um cavalo de Tróia para contornar os impostos aduaneiras.
A verdadeira questão que deve ser levantada é, na verdade, de natureza diferente: numa Europa em crise onde os ocidentais estão relutantes em investir, a chegada de investimentos chineses e indianos permitirão-eles salvar ou até mesmo criar postos de trabalho no nosso velho continente? Os exemplos falam por si.
Em 2008, Tata Motors comprou a Jaguar Land Rover que estava em situação de extrema dificuldade e, hoje, estas marcas são florescentes quando a marca sueca Saab, que os chineses não puderam comprar teve que fechar. Os investimentos portuários de Cosco (China Ocean Shipping Company) na Grécia conduziram a um aumento de 50% das exportações da Grécia para a China e isto em dois anos.
O grupo automóvel Chery pretende reabrir uma antiga fábrica da Fiat na Sicília com o italiano DR.Motor. Great Wall planeia criar 2.000 empregos na Bulgária. Porque quem diz criação de valor industrial também diz criação de emprego.
Acalmar os decisores
Será isto suficiente para convencer os governos e a opinião pública europeia para abriras suas portas aos recém-chegados? Nada disso é menos certo.
Se a Polónia, a Bulgária ou a Itália meridional aplaudem todo e qualquer novo investimento, mesmo vindo da longínqua Ásia, o coração da Europa industrial está mais hesitante. Mesmo na City. Tata quer aliar-se com grandes nomes do capital em investimento para partilhar riscos em C & W e tranquilizar seus clientes do governo.
A situação não deixa de ser bem curiosa: as potências ocidentais, que pregaram durante anos, inclusive pela voz do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela do Banco Mundial, que os países emergentes devem abrir os seus mercados de capital aos investidores estrangeiros, vêem-se agora acusados por estes atores emergentes, que se tornaram entretanto ricos, de lhes fecharem eles as portas!
O FMI e o Banco Mundial, continuando a estar nas mãos do Ocidente, os chineses e os indianos terão que intensificar os seus esforços de comunicação para tranquilizar os decisores públicos e a opinião pública Ocidental. . Estes investidores do novo mundo terão de demonstrar que eles criam postos de trabalho não só no curto prazo, mas também que eles investem a longo prazo e artilham um mesmo sistema de valores com a velha Europa.
Infelizmente, um grande investidor institucional chinês declarou recentemente que na Europa " as leis do trabalho estão ultrapassadas (e) induzem à preguiça, à indolência". Provavelmente não será com este tipo de argumentos que a Europa se irá abrir...
Joël Ruet, e Thomas Eymond-Laritaz, L'industrie européenne à l'heure sino-indienne, Le Monde, 19.03.2012.
Joël Ruet, economista no CNRS, associado em l'Iddri-Sciences Po (com Thomas Eymond-Laritaz, engenheiro de Ècoles des Mines)
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5. Daqui vejo Portugal, daqui vejo o destino de S. João da Madeira
J. M. Weston conseguiu que a China fechasse uma fábrica em Cantão que copiava os seus sapatos
É a vitória de um Pequeno Polegar na luta contra a falsificação global. A empresa J.M. Weston, conhecida pelos seus sapatos de alto luxo fabricados desde 1891 em Limoges, conseguiu o encerramento de uma fábrica na China, que produzia as suas cópias. Localizada em Cantão, produzia 300 pares de Weston falsos por semana. Em Dezembro de 2010, as autoridades chinesas tinham apreendido 3.700 pares de sapatos, representando um valor de cerca de 1,85 milhões de euros (!).
Estes sapatos estavam muito bem imitados porque os falsificadores tinham até um molde para gravar a marca de J.M. Weston no interior do sapato, como nos modelos verdadeiros, e exactamente da mesma maneira. Daí a poder colocar em dificuldade as vendas da empresa francesa, cuja produção anual é estimada em cerca de 100.000 pares de sapatos, vendidos em cerca de 15 países.
Mercados sob vigilância
"É muito raro conseguir obter o encerramento de um site na China, porque encontrar os locais de fabrico é muitas vezes impossível. Isso exige investimentos em tempo e em dinheiro", comentou Jean-Luc Espla, encarregado da luta contra a falsificação no seio de EPI, a holding da família Descours, proprietária de Weston. O grupo tem criado mecanismos de transmissão e de informação em países específicos, encarregados de monitorar os mercados. A empresa tinha recorrido, no ano passado, a informadores locais para localizar a fábrica incriminada . Uma vez as provas acumuladas e alertados em Novembro para o facto, EPI informou imediatamente as autoridades chinesas, que conduziram o inquérito e conseguiu obter o encerramento da fábrica.
Durante vários meses, os funcionários aduaneiros bloqueavam nas fronteiras, na França e na Alemanha, pacotes suspeitos, destinados especialmente para o mercado europeu. "Podemos ter parado uma fonte, é possível que outros continuem a existir" disse Jean-Luc Espla.
O testemunho de Jean-Luc Espla, quanto à falsificação dos sapatos Weston no Jornal "Le Populaire" de Limoges é eloquente sobre esta matéria: "É a criação que é pilhada, é o trabalho dos empregados também, é a promoção que fazemos sobre os nossos sapatos, é as patentes que registamos em França, na Europa e a nível internacional, são todos os procedimentos que são envolvidas… " Isto representa um custo fenomenal.”
Em primeiro lugar, 350 pessoas podiam ver os seus empregos ameaçados e a mais antiga fábrica de curtumes da França seria igualmente afectada por esta crise. Na verdade, sinal de seu forte envolvimento no tecido industrial local, a empresa tem a sua própria fábrica de curtumes em Limousin, a casa Bastin, a mais antiga fábrica francesa de peles para calçado.
Além disso, o saber-fazer artesanal do calçado em pele da França tem grande dificuldade em resistir a um fenómeno difícil de controlar. De acordo com a União Europeia, a contrafacção afectaria cerca de 10 mil empregos por ano.
A União dos Fabricantes (Unifab) recebeu esta informação como uma vitória. Este caso demonstra a vontade da China para cooperar na luta contra a falsificação e para por fim a este comércio ilegal. disse o seu Presidente Christian Peugeot. Este encerramento será seguido, depois, por um procedimento penal.
Para a União de Fabricantes, a UNIFAB, «este acontecimento marca a tomada de consciência dos institucionais chineses em matéria de propriedade intelectual».
A China, que se tornou em 2011 a primeira potência industrial do mundo afirma que está pronta para respeitar as regras do jogo. Ela coloca-se, e fá-lo saber, a fazer esforços a fim de provar que está a lutar contra a falsificação.
Os dois responsáveis da fábrica chinesa que fabricava os falsos sapatos Weston foram condenados a três anos de prisão efectiva. Foram igualmente multados em 30.000 e 22.000 euros.
A condenação é altamente simbólica. Porque não se trata de um tribunal francês ou europeu mas de um Tribunal em Cantão que tomou esta decisão, fora do comum na China, sobretudo pouco interessados e muito condescendentes em matéria de contrafacção. "Esta decisão é importante e exemplar," disse Delphine Sarfati-Sobreira, directora de comunicação da União dos Fabricantes (UNIFAB), que luta contra as contrafacções e de que faz parte a marca de Limoges JM Weston.
"É raro apreender um número tão importante de produtos falsificados e especialmente em ter conseguido uma tão rápida condenação, continuou ela". A China é o primeiro país produtor de mercadorias produzidas em situação de contrafacção no mundo. Mais de 70% das apreensões nas alfândegas de França vêm da China. Hoje, há uma cooperação real das autoridades chinesas e uma verdadeira evolução das mentalidades. Agora, os chineses têm as suas próprias marcas e começam agora a ficar sensíveis aos princípios da propriedade intelectual e industrial. Desde há pouco tempo, querem também proteger as suas marcas e começam a compreender a importância destes princípios " afirmou ela.
Uma pergunta aqui vos deixo: que esconde a vontade da China em travar o comércio ilegal?
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3. A Alemanha, os Estados Unidos e a China na economia global
3.3 Na China, todas as compras ou quase todas da família Li são fabricadas localmente, mesmo o Audi em que sonha madame Li.
Harold Thibault, Le Monde, 26.03.2012
O senhor Li, que trabalha durante a semana num escritório em Shanghai, gosta de vestir roupa tipo casual no fim-de-semana. Mas na condição de vestir chinês! No entanto, ele veste um casaco do japonês Uniqlo, cujas muitas e enormes lojas se multiplicam nas principais cidades do leste da China. Mas, se os designers da marca estão em Tóquio, a etiqueta diz que se trata do tradicional têxtil "made in China", que constitui 30,7% das exportações mundiais do têxtil.
Por outro lado, o senhor Li é surpreendido com os seus ténis Adidas, comprados a 680 yuans (81,4 euros): são fabricadas no Vietname! O aumento dos salários na China leva, de facto, cada vez mais os industriais a olharem para o Sudeste asiático onde a mão-de-obra é ainda bem mais barata.
No que se refere à alimentação, não há nenhuma razão para inquietações, tudo é feito localmente. De qualquer forma, a família Li prefere comprar água da marca Fontes de Nongfu, a 3 Yuan a garrafa, em vez da garrafa de Evian importada dos Alpes a 21,9 Yuans. No que se refere à cerveja, eles preferem, obviamente, a cerveja Tsingtao, produzida em Qingdao, cidade costeira onde os alemães introduziram a produção em território chinês, em 1903.
O iPhone montado na China
Elemento base da culinária local, o arroz é da marca Shantou Golden Resources e vem das plantações chinesas. Mas o país deve agora importar parte do arroz que consome uma vez que a demografia é galopante. O óleo de sésamo é de uma marca sediada em Hong Kong, Lee Kum Kee, cuja principal fábrica está instalada em Guangdong.
No apartamento do casal Li, a mesa é em madeira. Se as plantações locais cobrem 65% a 70% do consumo, as necessidades são tais que países como o Canadá ou a Rússia exportam agora madeiras para a China. Quando eles vão ao Ikea, o nosso casal tinha atenção ao que dizem as etiquetas. Se há um grande número de móveis que são "made in China", outros também vêm do Vietname.
Quanto à compra de material de cozinha, o casal Li comprou recentemente um nova máquina de lavar roupa Haier, uma marca bem conhecida e reputada na China com sede em Qingdao e a produção localizada no sudeste industrial. Mas essa tecnologia tem um custo: 6 699 Yuans (802 euros), por aparelho o que é muito caro para a China.
Ligados permanentemente, o casal Li tem cada um deles um smartphone. Para ela: um iPhone da Apple, desenhado na Califórnia, mas montado na China, nas fábricas Foxconn, em Shenzhen. O seu marido teria preferido a marca chinêsa Huawei, cujo enorme centro de pesquisa está também instalado também em Shenzhen.
Quanto à compra de carro, a senhora Li, que trabalha longe do Centro, comprou este ano um Chery modelo QQ, um dos mais baratos do mercado, 30 900 Yuans sem opções, sem extras, qualquer coisa como 3 698 euros. Ele é montado em Wuhu, a oeste de Shanghai. Ela teria preferido, se ela tivesse os meios para pagar, comprar um Audi, que só tem de alemão o seu logotipo e a sua concepção: a marca foi forçada pela regulamentação chinesa a criar uma joint venture com um parceiro local, o grupo estatal FAW. Os Audi da China são, portanto, montados em Changchun, no nordeste do país.
O senhor Li usa o metro, mesmo se a linha 1 está equipada com as composições feitas pelo canadiano Bombardier e a linha 2 com as viaturas projectados pelo alemão Siemens e pelo francês Alstom. O seu gabinete no Shanghai World Financial Center, também é um pouco estranho: a Torre de 492 metros foi desenhada pelo gabinete japonês Mori e construída com vigas de ferro cujo minério foi importado da Austrália. Felizmente, o café que o Sr. Li toma todos os dias no Starbucks, que é uma marca americana, provém de Yunnan, no sudoeste da China. Ufa!
Harold Thibault
Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
3. A Alemanha, os Estados Unidos e a China na economia global
3.2 Nos Estados Unidos, os símbolos Levi’s, Converse...são frequentemente « made in algures”
Claire Gatinois, Le Monde, 26.03.2012
O senhor e a senhora McKenzie são bons cidadãos americanos. Moradores nos subúrbios de Nova Iorque, eles acreditam que comprar produtos locais é uma acção patriótica. O Buy American Act of 1933 não obrigava ele o Governo Federal a privilegiar o "made in EUA."? Isto cai bem, desde a toranja da Flórida ao petróleo do Texas, passando pelo algodão de Louisiana e pela alta tecnologia de Palo Alto, a primeira economia mundial está cheia de recursos.
No entanto, as marcas mais emblemáticos são muitas vezes "made in algures ". O boné dos Yankees do senhor McKenzie? Fabricado na China. O casaco da Universidade de Nova York, vendido na sua loja oficial? Vindo da República Dominicana. Os jeans Levis? "Feitos no Paquistão". O par de sapatilhas Converse? Chegado directamente do Vietname...
É que, nos Estados Unidos é impossível fazer batota. As roupas são sujeitas ao Textile and Wool Acts: só aquelas "inteiramente ou quase inteiramente" feitas no país podem reivindicar o rótulo de "Estados Unidos". Se o produto é somente montado nos Estados Unidos, a partir de peças importadas, a marca deve especificar esse facto.
Mas as empresas assumem. Como Nike, que trabalha com 900 fabricantes na China, no Vietname ou na Indonésia. O que não impede que o grupo empregue 23.000 pessoas nos Estados Unidos para projectar a próxima "Nike air", que os filhos McKenzie bem disputam. Além disso, 70% dos 135 milhões de "airbags" - acessórios de algumas solas de sapatos – continuam a ser fabricados além-Atlântico.
Em Nova Iorque o chique impõe muitas vezes comer de modo cosmopolita e beber vinho de Bordéus. No entanto, a Califórnia está cheia de vinhos muito elogiados pelos enólogos. Nada grave, McKenzie preferem mesmo assim comer no McDonald, onde os hambúrgueres são preparados com carne de Texas, do Nebrasca, Kansas ou do Colorado e as batatas para fritar vêm do Maine. Com a condição de esquecer a dieta, eles também podem se oferecem um Donut Dunkin ' onde "a maioria dos ingredientes é de origem local".
O caso exemplar de General Motors
Para mobiliar interiores o seu primeiro impulso foi dirigirem-se ao Ikea de Brooklyn, onde a maioria dos móveis vêm da Ásia. Mas ocasionalmente eles navegam no site Americansworking.com, que lista os produtos americanos, como os móveis "Amish fourniture", feitos com madeira de Ohio ou de Indiana. O objectivo? "Preservar o emprego nos Estados Unidos", explica David Riley, fundador do site. O seu sucesso continua a ser modesto: 2,5 milhões de pessoas visitaram-no no final de 2011. Mas recebe 25-30% mais visitantes por ano, disse.
Para os electrodomésticos, os McKenzie no entanto não precisam de ajuda. Na Frigidaire, podem encontrar uma máquina de lavar roupa, um forno ou uma máquina de lavar louça orgulhosamente fabricada na América: o design e a concepção são americanos.
Na electrónica, as coisas vão mal: o iPad último grito, que os McKenzie acabam de comprar na Apple Store da Fifth Avenue é fabricado pela empresa chinesa Foxconn com componentes frequentemente japoneses. Mudar de marca? O seu computador HP também é projectado nos Estados Unidos mas montado na Ásia.
O balanço é mais favorável para os carros: os McKenzie optaram por um Silverato da General Motors (GM), saído das fábricas de Fort Wayne (Indiana), Flint (Michigan) e Silao México, sendo 62% americano. E GM é, aos seus olhos, exemplar: o Chevrolet Sonic agora é fabricado nos Estados Unidos e não na Coreia. O que faz crescer a indústria americana, que representa 22,1% do PIB do país, segundo Natixis, contra 18,6% em França.
Claire Gatinois
Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
3. A Alemanha, os Estados Unidos e a China na economia global
3.1 Na Alemanha, as marcas Adidas, Hugo Boss, as marcas como Grundig ou Porsche deslocalizaram desde há muito tempo a sua produção.
Cécile Boutelet, Le Monde, 26.03.2012
Para Gudrun e Jürgen Schmitt, o "made in Germany" afirma-se por si-mesmo e desde há muito tempo. Jürgen gosta de contar aos seus dois filhos como o seu pai lhe explicou que consumir alemão era a melhor maneira de reconstruir o país no pós-guerra. A única forma de patriotismo ainda aceitável após o trauma do período nazi. E, em seguida, os produtos alemães não são eles considerados no mundo como uma garantia de qualidade e de fiabilidade?
Contudo, Gudrun tem dúvidas. Há alguns meses atrás, aprendeu que o rótulo "made in Germany" não tinha nenhuma definição legal! O critério é atribuído a partir da " última etapa importante da transformação", o que quer dizer que um produto fabricado a 90% no estrangeiro pode reivindicar o rótulo made in Germany... Especialistas e as associações de consumidores regularmente denunciam esta falta de transparência. Cerca de 57% dos alemães consideram também que isso já não representa nenhuma garantia de origem nem de qualidade.
Em seguida, com a ajuda de alguns sites especializados, na Internet como, por exemplo, Verbraucherportal Deutschland ou Ja zu Deutschland, que identificam os industriais que têm mantido pelo menos metade da sua produção na Alemanha, os Schmitt tentam então orientar-se por aí.
Em primeiro lugar, a roupa. A nossa família já exclui da sua lista de compras a Adidas, Puma e outros como Hugo Boss, que deslocalizaram a sua produção desde há muito tempo. Por sorte, eles ainda podem contar com um defensor de "100% Alemão ": a marca de têxteis Trigema. Algodão normal ou bio, fabrico alemão, empregos garantidos, com o custo de 39 Euros o pólo de senhora e 44 euros o par de Bermudas homem, o casal pode comprar roupas em boa consciência nas lojas do grupo.
Quanto a sapatos, a família calçará Birkenstock (a partir de 39 euros) no Verão. No Inverno, optam pela marca Joseph Seibel ou outros pequenos produtores como Jomos. Mesmo se a esposa refila um pouco. São na verdade sapatos confortáveis, mas muitas vezes concebidos para pessoas com mais de 50 anos. Difícil de estar na moda e continuar a ser patriótico...
Ao nível da alimentação, o nosso casal teve que fazer bem as contas para se situar dentro do seu orçamento. a carne alemã com grande desconto e a carne bio local muito cara, é necessário saber combinar: no país de Aldi, há pouco espaço para o mercado de gama intermédia. Há é certo, Dr. Oetker, que produz as suas pizzas supercongeladas em Wittenburg, na Alemanha, mas isso não faz sonhar Gudrun.
Felizmente, para a casa, o casal Schmitt pode contar com a marca Miele, que lhes fornece aspirador, máquina de lavar e secar assim como os seus grandes aparelhos de cozinha. Apesar da forte concorrência, a marca resiste à deslocalização e ainda realiza a maioria de sua produção na Alemanha. Mas para o casal, a soma é incómoda: os aparelhos Miele custam o dobro da concorrência. "Mas os electrodomésticos Miele são concebidos para durar 20 anos, o investimento rentabiliza-se por si-mesmo ao longo do tempo," garante a marca, fundada em 1899.
Quanto a material electrónico, é difícil encontrar produtos destinados ao consumidor que sejam produtos "made in Germany". Para o registo as suas contas Gudrun utiliza dictafones de Grundig Business Systems, um ramo do grupo Grundig a fabricar ainda na Alemanha, em Bayreuth. Jürgen sonha ainda em comprar uma TV da marca Loewe, feita parcialmente em Kronach, na Baviera mas, a mais de 1 200 euros na entrada da gama baixa, terá que esperar um pouco.
Quanto a comprar carro, os Schmitt podem suspirar de alívio... Pelo menos é o que eles pensam. Porque o automóvel alemão é um complexo entrelaçado de peças fabricadas parcialmente no exterior. O famoso Porsche Cayenne, de que o motor é feito em Leipzig, é assim montado em grande parte em Bratislava, na Eslováquia! A fábrica também produz peças para a Volkswagen, cuja produção beneficia desde há muito tempo dos salários do leste europeu...
Cécile Boutelet
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
2. A França perdeu 1,1 milhão de empregos industriais em dez anos
Um quarto a menos a menos em França, o emprego industrial caiu de 26% entre 1991 e 2010, o que representa uma perda de 1.1 a 1.2 milhões de empregos, de acordo com a empresa Roland Berger. A indústria representa agora apenas 12% do emprego total na França em 2010, contra 16% em 2000. Esta proporção é de 9% no Reino Unido (14% em 2000) e de 19% na Alemanha (contra 21% em 2000).
O terceiro lugar em 2010, a indústria não representa mais do que 13% do valor acrescentado total realizado em França, contra 18% em 2000. A indústria com um todo ainda representa 15% ao Reino Unido, contra 20% há dez anos e mantém-se estável na Alemanha, em 25%.
Degradação.
A desindustrialização, traduziu-se numa degradação da balança comercial francesa. O défice para os produtos industriais, que foi de 15 mil milhões de euros em 2000, atingiu os 92 mil milhões em 2011.
O declínio na Europa: A parte do valor acrescentado industrial da França na indústria transformadora do conjunto dos 27 países da Europa caiu de 12,9% em 2000, para menos de 10,7% em 2011.
Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
1. Será que se pode na verdade consumir produtos que sejam 100 % francês?
Dominique Gallois et Cédric Pietralunga, Le Monde 26.03.2012
De regresso de Londres, Virginia e Philippe – o nosso casal fictício que passou a viver numa pequena vivenda fora de Paris – tinham estabelecido uma prioridade, neste ano de eleições: comprar apenas produtos franceses, fazer activismo económico. Um desejo muito em voga, enquanto a crise e o desemprego fazem ganhar consciência dos danos causados por uma desindustrialização que começou na década de 1980 e que não deixa de continuar a aumentar.
A França perdeu mais de um quarto dos seus empregos industriais desde 1991, de acordo com a empresa Roland Berger. De repente, o "made in France" está no centro dos debates das eleições presidenciais e será sem dúvida evocado no Salão da Indústria a realizar-se de 26 a 30 de Março no Parque de Exposições de Villepinte Paris.
Hoje, quase que dois em cada três franceses estão dispostos a pagar mais caro por produtos feitos em França, de acordo com o Centre de recherche pour l'étude et l'observation des conditions de vie (Crédoc),, contra menos de metade há cinco anos. Desde que o aumento não exceda 5%.
Mas para tal é ainda preciso saber identificar o que é "made in France"! Qualquer produto pode assim ser considerado se uma parte de seu processo de fabricação tiver sido realizada em França. "Hoje, o consumidor só pode andar a tactear." Não há nenhuma norma própria, com um caderno de encargos que seja claro, reconhece Edouard Barreiro, chefe de estudos em UFC – Que choisir. "Com exclusão dos vinhos AOC e dos queijos ninguém pode estar seguro de estar a comprar puramente francês."
Virginia deu-se conta desta realidade quando andou por diversas lojas de móveis. Em um sector em que dois terços dos equipamentos são importados, "os franceses estão na produção ou de produtos baixo de gama, com mobiliário proposto em kit pela grande distribuição, ou então estão no topo de gama", explica Christophe Gazel, director-geral do l'Institut de prospective et d'études de l'ameublement (IPEA).
No primeiro caso, o custo do trabalho é baixo, entre 4% e 10% do preço de fabricação dos painéis em aglomerado, é melhor produzir localmente, em vez de pagar custos significativos em termos de logística. No segundo caso, existe o saber-fazer francês... que não preço, é bem conhecido.
Os sofás Duvivier são assim fabricados em Poitou e os do grupo Roset (marcas Roset e Cinna) em Ain. Mas a concorrência também pode ser intensa na gama mais baixa. O francês Green Sofa Dunquerque foi agora colocado colocada sob administração judicial, depois da saída do seu principal cliente, a firma sueca Ikea.
2.8 Repensar a Teoria do Comércio Internacional, repensar a Política Comercial, por Thomas I. Palley - V
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Conclusão: A importância da contribuição dos trabalhos GBS
O trabalho teórico dos autores GBS muda radicalmente o debate da política comercial. Em certo sentido, os seus trabalhos ajudam a teoria pura do comércio internacional a procurar centrar-se nas novas realidades da globalização. A tecnologia é altamente móvel e sua transferência entre os países podem ser significativamente influenciada pela política comercial. O estabelecimento de uma tal política estratégica pode influenciar a natureza do equilíbrio global e, assim, alterar a distribuição dos ganhos do comércio. Esta política estratégica inclui a política em I&D, as regras que regem o comportamento das empresas, a manipulação da taxa de câmbio, a política de compras governamentais, as necessidades de mecanismos compensatórios, e as políticas que afectam a competitividade internacional das empresas. A linha de referência significa que é um erro para os países ignorarem a política comercial estratégica e isso é especialmente perigoso quando um país se permite deixar ser prejudicado por outros países.
Embora haja sempre ganhos a partir do comércio internacional, os países podem sofrer com ainda mais globalização – os seus ganhos futuros resultantes do comércio internacional podem cair fazendo com que fiquem pior do que na situação anterior. Esta muito séria conclusão deriva da teoria pura do comércio internacional que assume deixar fora do seu campo de análise os problemas macroeconómicos tais como o desemprego, os défices comerciais, a instabilidade financeira. Quando estes problemas são colocados então a necessidade de introduzir uma política comercial estratégica torna-se ainda muito mais forte.
Thomas I. Palley, RETHINKING TRADE AND TRADE POLICY : Gomory, Baumol, and Samuelson on Comparative Advantage
The Levy Economics Institute of Bard College,2006.
Notas[i]
1. Por exemplo, ver Freeman (2004), em que a suposição tácita colocada é a que a globalização EUA expande o rendimento nacional, embora os trabalhadores perdem por causa de um superdimensionado efeito de Stolper-Samuelson.
2. A aglomeração das economias de escala economia é particularmente complexa. Quando estas estão presentes, um país pode parecer ter a curva de custo mais baixa. No entanto, isto pode ser devido ao facto de que o país foi o primeiro a iniciar a produção e, assim, adquiriu o benefício extra da aglomeração das economias de escala.
3. No modelo de Gomory-Baumol, dadas as suas premissas de tecnologias idênticas e curvas de custo entre os países, o factor de convergência fundamental é a escala de produção da indústria. Isso determina se há ganhos globais derivados de uma maior eficiência para ser sido ele a reorganizar as estruturas globais de produção. Quando todas as indústrias estão a produzir a mesma escala em todos os países, não existem ganhos globais a apropriar. No entanto, os países podem beneficiar individualmente através da captação de indústrias, mas o ganho resultante é obtido às custas dos outros países.
2.8 Repensar a Teoria do Comércio Internacional, repensar a Política Comercial, por Thomas I. Palley - III
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
(Continuação)
Implicações políticas da Crítica de GBS
A questão central de análise de Samuelson está nas implicações económicas da convergência tecnológica noutros países. Para Gomory e Baumol está nas implicações da perda da base industrial e das transferências da indústria para outros países, sendo que ambos têm implicações dramáticas para a política comercial. Tradicionalmente, a política comercial tem sido pensada em termos de tarifas, quotas e subsídios à exportação. Agora, a política comercial precisa de ser re-conceptualizada em termos de forças motrizes do desenvolvimento industrial e tecnológico dentro dos países, e deve levar em conta a possibilidade das políticas estratégicas rivais entre os países.
A transferência e a convergência tecnológica são particularmente críticas para Samuelson, Além disso, há uma nova ênfase em que a vantagem comparada no mundo moderno é criada, não herdada. No século 18, o comércio foi impulsionado pela busca de especiarias exóticas e de matérias-primas. O clima e a dotação de recursos naturais significativamente determinaram a estrutura de vantagens comparadas e muito pouco poderia ser feito para alterar essa estrutura (5). Hoje, as vantagens comparadas são impulsionadas pelas tecnologias, que pode ser influenciadas pela acção humana e pela política. Isto tem implicações enormes para a distribuição dos ganhos do comércio internacional entre os países.
Uma estratégica política comercial é particularmente fundamental na história de Gomory e Baumol. A visão básica dentro do seu quadro estilizado é que o equilíbrio num mundo de IRTS é potencialmente muito frágil. Essa percepção abre o caminho para intervenções que alterem o equilíbrio e redistribuam os ganhos do comércio. Por exemplo, a política comercial pode conferir uma vantagem temporária aos produtores, levando-os a moverem-se para baixo na curva de custo médio para que eles adquiram uma vantagem na determinação dos custos. Este acto pode estabelecer uma estrutura de equilíbrio da produção mundial que persiste depois de a directiva ter sido removida.
Tais possibilidades significam que IRTS cria um amplo espaço para o conflito económico entre os países. Dado a existência de equilíbrio múltiplos em que a distribuição dos ganhos do comércio depende das particularidades do equilíbrio predominante, os países podem ter um incentivo para tentar mudar a posição de equilíbrio (6). Essa implicação política genérica de IRTS tem estado presente na nova teoria do comércio internacional (Krugman 1984; Brander e Spencer 1985), mas as simulações detalhadas de Gomory e Baumol mostram o quão potencialmente maleável é a estrutura dos pontos de equilíbrio do comércio internacional quando se está na presença de IRTS.
Especificamente, há uma série de cenários em que a estratégia das políticas é relevante. Por exemplo, considere uma situação em que a tecnologia é inicialmente distribuída de forma desigual entre os países. Neste caso, os países atrasados terão um incentivo para usar a política para aquisição de tecnologia e estabelecer a produção dentro das suas fronteiras. Isso pode aumentar o rendimento global, mas pode diminuir o rendimento dos países que perdem indústrias, sobretudo se a economia global está na zona de conflito de Baumol e Gomory.
Outro exemplo é se algumas indústrias ganham elevadas margens de lucro. Neste caso, os países terão um forte incentivo para agarrarem o controlo dessas indústrias, a fim de ganharem as margens de lucro mais elevadas. Além disso, mesmo os países estritamente com curvas de custo médios mais elevados podem ter um incentivo para tomarem o controlo, apesar do facto de que eles serem menos eficientes. Dada a presença de IRTS, um país de alto custo pode efectuar essa transferência, se o governo fornece temporariamente apoio que mova os produtores internos para baixo na sua linha de custos e se estabeleça a vantagem da determinação dos custos (como se mostrou anteriormente na Figura 1).
Finalmente, a política estratégica pode ser útil num mundo com desemprego devido à procura inadequada. Neste caso, os países que estimulam a sua própria procura interna e agregam a procura de outros países (através de medidas como subsídios) aumentam a produção nas suas indústrias e reduzem os custos médios. Consequentemente, estes países podem tornar-se os produtores a custo baixo decisão à custa dos outros.
O relativo declínio na produtividade e a perda de liderança tecnológica desempenham um papel importante na história de GBS. De forma mais imediata, isto levanta dúvidas acerca do conhecimento que se tem sobre a externalização internacional em indústrias onde os Estados Unidos têm uma vantagem comparada e historicamente têm sido exportadores. Tal externalização envolve transferências de tecnologias. Embora as empresas beneficiem da externalização com a captação de lucros no exterior, a externalização pode diminuir o rendimento nacional dos EUA se estas transferências de tecnologias aumentam a concorrência contra as exportações americanas.
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
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João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
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Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
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Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
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