Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Alguns Gostam de Poesia" - Wisława Szymborska

Um Café na Internet

 

 

 

Quadro de Vladimir Kush

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Encerramos esta série com uma grande poetisa polaca - Wislawa Szymborska - morreu no dia um deste mês. A nossa singela homenagem.

 

 

Wislawa Szymborska

 

Alguns gostam de poesia

 

Alguns —
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve,
e os próprios poetas
serão talvez dois em mil.

Gostam —
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.

De poesia —
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.

 

 

Tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio das Neves

 

Wislawa Szymborska

 

Niektorzy Lubia Poezje

 

Niektorzy -
czyli nie wszyscy.
Nawet nie wiekszosc wszystkich ale mniejszosc. Nie liczac szkol, gdzie sie musi,
i samych poetow,
bedzie tych osob chyba dwie na tysiac.

Lubia -
ale lubi sie takze rosol z makaronem,
lubi sie komplementy i kolor niebieski,
lubi sie stary szalik,
lubi sie stawiac na swoim,
lubi sie glaskach psa.

 

Poezje -
tylko co to takiego poezja.
Niejedna chwiejna odpowiedz
na to pytanie juz padla.
A ja nie wiem i nie wiem i trzymam sie tego jak zbawiennej poreczy.

 

 

Wisława Szymborska [(Prowent, 1923 –  Cracóvia, 2012) , poetisa, ensaista e tradutora polaca.  Prémio Nobel da Literatura de 1996.

 

 



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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Longa noite de pedra" - Celso Emílio Ferreiro

Um Café na Internet

 

 
Quadro de Vladimir Kush
_____________________

 

Celso Emilio Ferreiro

Longa noite de pedra

 

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O teito é de pedra.
De pedra son os muros
i as tebras.
De pedra o chan
i as reixas.
As portas,
as cadeas,
o aire,
as fenestras,
as olladas,
son de pedra.
Os corazós dos homes
que ao lonxe espreitan,
feitos están
tamén
de pedra.
I eu, morrendo
nesta longa noite
de pedra.

 

 

Celso Emilio Ferreiro Míguez (Celnova, 1912 - Vigo, 1979). Escritor e político galego.



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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
A GRANDE POESIA - A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock - T.S. Eliot

Um Café na Internet

 

 

Quadro de Vladimir Kush

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T.S. Eliot

 

A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock (excerto)

 

S’i credesse che mia risposta fosse

persona che mai tornasse al mondo,
Questa fiamma staria senza più scosse.
Ma però che già mai di questo fondo
Non torno vivo alcun, s’i’odo il vero,
Sanza tema d’infamia ti rispondo.


(Dante Alighieri, La Divina Commedia, Inferno)


Então vem, vamos juntos os dois,
A noite cai e já se estende pelo céu,
Parece um doente adormecido a éter sobre a mesa;
Vem comigo por certas ruas semidesertas
Que são o refúgio de vozes murmuradas
De noites em repouso em hotéis baratos de uma noite
E restaurantes com serradura e conchas de ostra:
Ruas que se prolongam como argumento enfadonho
De insidiosa intenção
Que te arrasta àquela questão inevitável…
Oh, não perguntes “Qual será?”
Vem lá comigo fazer a tal visita.

Passeiam damas na sala para além e para aqui
E falam de Miguel Ângelo Buonarroti
A névoa amarela que esfrega as costas nas vidraças
O fumo amarelo que esfrega o focinho nas vidraças
Passou a língua dentro dos recantos da noite,
Demorou-se nos charcos que ficam na sarjeta,
Deixou cair nas costas a fuligem solta das chaminés,
Deslizou pelo terraço, de repente deu um salto,
E, ao ver serena aquela noite de Outubro,
Deu uma volta à casa, enroscou-se e dormiu.

 

(Tradução de João Almeida Flor)

 

T.S. Eliot

 

The Love Song of J. Alfred Prufrock (excerpt)

 

 

S’i credesse che mia risposta fosse

A persona che mai tornasse al mondo,
Questa fiamma staria senza più scosse.
Ma però che già mai di questo fondo
Non torno vivo alcun, s’i’odo il vero,
Sanza tema d’infamia ti rispondo.

(Dante Alighieri, La Divina Commedia, Inferno)

Let us go then, you and I,
When the evening is spread out against the sky
Like a patient etherized upon a table;
Let us go, through certain half-deserted streets,
The muttering retreats
Of restless nights in one-night cheap hotels
And sawdust restaurants with oyster-shells:
Streets that follow like a tedious argument
Of insidious intent
To lead you to an overwhelming question. . .
Oh, do not ask, “What is it?”
Let us go and make our visit.

In the room the women come and go
Talking of Michelangelo.

The yellow fog that rubs its back upon the window-panes
The yellow smoke that rubs its muzzle on the window-panes
Licked its tongue into the corners of the evening
Lingered upon the pools that stand in drains,
Let fall upon its back the soot that falls from chimneys,
Slipped by the terrace, made a sudden leap,
And seeing that it was a soft October night
Curled once about the house, and fell asleep.

 

 

Thomas Stearns Eliot (St. Louis, 1888 - Londres, 1965), poeta e crítico inglês, Prémio Nobel da Literatura 1948

 

 



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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Tecendo a Manhã" - João Cabral de Mello Neto

Um Café na Internet

 

 

     Quadro de Vladimir Kush

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João Cabral de Mello Neto

 

Tecendo a Manhã

 


Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

 

 

 

João Cabral de Melo Neto (Recife, 1920-Rio de Janeiro, 1999), poeta e diplomata brasileiro. Um dos maiores do século XX.

 



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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA – “Canção de Outono” – Paul Verlaine

Um Café na Internet

 

 

 

Quadro de Vladimir Kush

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Paul Verlaine

 

Canção de Outono


Os soluços graves
Dos violinos suaves
Do outono
Ferem a minh'alma
Num langor de calma
E sono.

Sufocado, em ânsia,
Ai! quando à distância
Soa a hora,
Meu peito magoado
Relembra o passado
E chora.

Daqui, dali, pelo
Vento em atropelo
Seguido,
Vou de porta em porta,
Como a folha morta
Batido...

 

Tradução de Alphonsus de Guimaraens


Paul Verlaine

 

Chanson d'automne


Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure;

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà
Pareil à la
Feuille morte.

 

 

Paul Verlaine (Metz, 1844 -Paris, 1896).  Um dos maiores poetas franceses de sempre, figura de proa do movimento Simbolista.

 



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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - “Quer' eu en maneira de proençal” - D. Dinis, o Lavrador

Um Café na Internet

 

 

                                                                                                Quadro de Vladimir Kush 

 

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D. Dinis, o Lavrador

 

 

 Quer' eu en maneira de proençal

 

 

Quer' eu en maneira de proençal
fazer agora un cantar d' amor
e querrei muit' i loar mha senhor,
a que prez nen fremusura non fal,
nen bondade, e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de ben
que mais que todas las do mundo val,

Ca mha senhor quiso Deus fazer tal
quando a fez, que a fez sabedor
de todo o ben e de mui gran valor
e con todo est' é mui comunal,
ali u deve; er deu-lhi bon sen
e des i non lhi fez pouco de ben,
quando non quis que lh' outra foss' igual.

Ca en mha senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad' e loor
e falar mui ben e rir melhor
que outra molher; de i é leal
muit', e por esto non sei oj' eu quen
possa compridamente no seu ben.

 

Dinis I  o Lavrador (Lisboa,1261 — Santarém, 1325)  rei de Portugal. Pela sua obra literária, recebeu também o cognome de o Rei-Poeta.

 



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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Entardecer" - Gabriela Mistral

Um Café na Internet

 

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Gabriela Mistral

Entardecer

Sinto o meu coração na doçura 

derreter-se como cera:

são óleo tardio

e não um vinho as minhas veias, 

sinto que a minha vida vai fugindo

silenciosa e doce como a gazela. 

Gabriela Mistral

 Atardecer

 

Siento mi corazón en la dulzura
 
fundirse como ceras:

 


son un óleo tardo
 
y no un vino mis venas,

 


y siento que mi vida se va huyendo

callada y dulce como la gacela.





Gabriela Mistral (Vicuña, 1889-Nova Iorque, 1957), grande poetisa chilena, Prémio Nobel da Literatura em 1945. Além de grande escritora, Gabriela Mistral foi diplomata - embaixadora em Lisboa, educadora e feminista.


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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Xadrez" - Jorge Luis Borges

Um Café da Internet

 

 

 
Quadro de Vladimir Kush 
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Jorge Luis Borges
 
Xadrez

I

 


No seu nobre canto, os jogadores
movem as peças lentamente. O tabuleiro
retem-os até à aurora num cativeiro
severo em que se odeiam duas cores.
 

Dentro irradiam mágicos rigores
As formas: torre homérica, ligeiro
cavalo, rainha armada, rei  derradeiro,,
oblíquo bispo e peões agressores.

 

Quando os jogadores tiverem partido,
quando o tempo os tenha consumido,
por certo não terá cessado o rito.

 

Foi no Oriente que começou esta guerra,
cujo anfiteatro é hoje toda a terra.
Tal como o outro, este jogo é infinito.

 

II

 

Tenue rei, sesgado bispo, encarniçada
rainha, torre directa e peão ladino
sobre o negro e o branco do caminho
procuram e travam a batalha armada.

 

Desconhecem que a mão assinalada
do jogador governa seu destino,
ignora que um rigor adamantino
sujeita seu arbítrio e sua jornada.

 

Também o jogador é prisioneiro
(a frase é de Omar*) num outro tabuleiro

de negras noites e de brancos dias.

 

Deus move o jogador, e este a peça.
Que Deus por trás de Deus a trama começa
de poeira e tempo e sonho e agonias?

 

 

 
Jorge Luis Borges
Ajedrez
 
 
I

En su grave rincón, los jugadores
Rigen las lentas piezas. El tablero
Los demora hasta el alba en su severo
Ámbito en que se odian dos colores.

Adentro irradian mágicos rigores
Las formas: torre homérica, ligero
Caballo, armada reina, rey postrero,
Oblicuo alfil y peones agresores.

Cuando los jugadores se hayan ido
Cuando el tiempo los haya consumido,
Ciertamente no habrá cesado el rito.

En el oriente se encendió esta guerra
Cuyo anfiteatro es hoy toda la tierra,
Como el otro, este juego es infinito.

II

Tenue rey, sesgo alfil, encarnizada
reina, torre directa y peón ladino
sobre lo negro y blanco del camino
buscan y libran su batalla armada.

No saben que la mano señalada
del jugador gobierna su destino,
no saben que un rigor adamantino
sujeta su albedrío y su jornada.

También el jugador es prisionero
(la sentencia es de Omar*) de otro tablero
de negras noches y de blancos días.

Dios mueve al jugador, y éste, la pieza.
¿Qué Dios detrás de Dios la trama empieza
de polvo y tiempo y sueño y agonías
 
* Omar Khayyam
 
 
 

Jorge  Luis Borges (Buenos aires, 1899-Genebra, 1986), poeta, ficcionista e ensaista argentino, um dos maiores escritores do século XX.



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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Homens néscios" - de Sor Juana Inés de la Cruz

 

 Um Café na Internet

 

 

 

Quadro de Vladimir Kush

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Sóror Juana Inés de la Cruz

 

Homens néscios (excerto)

Argúi ser inconseqüência o gosto e 

a censura dos homens, que às

mulheres acusam do que eles causam


Homens néscios, acusais
as mulheres sem ter razão,
sem ver que sois a ocasião
daquilo de que as culpais.

Se com ânsia sem igual
solicitais seu desdém,
como quereis que ajam bem
se as incitais para o mal?

Combateis-lhes a resistência,
em seguida com gravidade
dizeis que foi leviandade
o que fez a vossa diligência.

......................................

Com muitas armas em fundo
luta a vossa arrogância,
com promessas e instância
juntais diabo, carne e mundo.

Sor Juana Inés de la Cruz

 

Hombres necios

Arguye de inconsecuencia el gusto y
la censura de los hombres, que en las

mujeres acusan lo que causan


Hombres necios que acusáis
a la mujer sin razón,
sin ver que sois la ocasión
de lo mismo que culpáis.

Si con ansia sin igual
solicitáis su desdén,
¿por qué queréis que obren bien
si las incitáis al mal?

Combatís su resistencia,
y luego con gravedad
decís que fue liviandad
lo que hizo la diligencia.

....................................................................
Bien con muchas armas fundo
que lidia vuestra arrogancia,
pues en promesa e instancia
juntáis diablo, carne y mundo.

  

 Sóror Juana Inés de la Cruz ou, simplesmente, Sóror Juana, religiosa católica, poetisa e dramaturga, nascida em data incerta (1648/51 em San Miguel Nepantla, perto de Amecameca - Cidade do México, 1695).F oi a última dos grandes escritores do Século de Ouro. 



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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Ela caminha em formosura" - : George Gordon (Lord) Byron

Um Café na Internet

 

 

 
  
Quadro de Vladimir Kush
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George Gordon (Lord) Byron
 
Ela caminha em formosura
 
 

Ela caminha em formosura, como uma noite
Em que o céu está sem nuvens e com estrelas palpitantes,
E o que há de bom em treva ou resplendor
Se encontra em seu olhar e em seu semblante:
Ela amadureceu à luz tão branda
Que o Céu denega ao dia em seu fulgor.

Uma sombra de mais, em raio que faltasse,
Teriam diminuído a graça indefinível
Que em suas tranças cor de corvo ondeia
Ou meigamente lhe ilumina a face:
E nesse rosto mostra, qualquer doce idéia,
Como é puro seu lar, como é aprazível.

Nessas feições tão cheias de serenidade,
Nesses traços tão calmos e eloquentes,
O sorriso que vence e a tez que se enrubesce
Dizem apenas de um passado de bondade:
De uma alma cuja paz com todos transparece,
De um coração de amores inocentes.
 .

 

(Tradução de Fernando Guimarães) 

  

George Gordon (Lord) Byron
 
She walks in beauty
 
 
 
 

She walks in beauty, like the night

Of cloudless climes and starry skies;

And all that's best of dark and bright

Meet in her aspect and her eyes:

Thus mellow'd to that tender light

Which heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less,

Had half impair'd the nameless grace

Which waves in every raven tress,

Or softly lightens o'er her face;

Where thoughts serenely sweet express

How pure, how dear their dwelling-place.

And on that cheek, and o'er that brow,

So soft, so calm, yet eloquent,

The smiles that win, the tints that glow,

But tell of days in goodness spent,

A mind at peace with all below,

A heart whose love is innocent!

 

 

 

George Gordon Byron (Londres, 1788-Missolonghi,  conhecido como Lorde Byron, foi um famoso poeta inglês a figura cimeira so Romantismo. Considerado como um dos maiores poetas europeus a sua obra continua a ser muito lida. 

 


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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA – “Das frondes dos salgueiros” – de Salvatore Quasímodo

 

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Salvatore Quasímodo 

 

Das frondes dos salgueiros

 

E como podíamos nós cantar

com o pé estrangeiro sobre o coração,

entre os mortos abandonados nas praças

sobre a erva dura de gelo, ao lamento

balido das crianças, ao uivo negro

da mãe que ia ao encontro do filho

crucificado no poste do telégrafo?

Das frondes dos salgueiros, como ex-votos,

também as nossas cítaras pendiam,

oscilavam leves ao triste vento.

 

(Tradução de Manuel Simões)

 

 

Salvatore Quasímodo

 

 

Alle fronde dei salici

 

 

E come potevamo noi cantare

con il piede straniero sopra il cuore,

fra i morti abbandonati nelle piazze

sull’erba dura di ghiaccio, al lamento

d’agnello dei fanciulli, all’urlo nero

della madre che andava incontro al figlio

crocifisso sul palo del telegrafo?

Alle fronde dei salici, per voto,

anche le nostre cetre erano appese,

oscillavano lievi al triste vento.

 

(de Giorno dopo giorno, 1947)

 

Salvatore Quasímodo (Ragusa 1901 – Nápoles 1968) foi um dos maiores poetas italianos do século XX. Obteve o Prémio Nobel para a Literatura em 1959.



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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA – “Velejando para Bizâncio” – de William Butler Yeats

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William Butler Yeats

 

VIAJANDO PARA BIZÂNCIO


Aquela não é terra para velhos. Gente
jovem, de braços dados, pássaros nas ramas
— gerações de mortais — cantando alegremente,
salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas,
peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente
tudo o que nasce e morre, sémen ou semente.
Ao som da música sensual, o mundo esquece
as obras do intelecto que nunca envelhece.

Um homem velho é apenas uma ninharia,
trapos numa bengala à espera do final,
a menos que a alma aplauda, cante e ainda ria
sobre os farrapos do seu hábito mortal;
nem há escola de canto, ali, que não estude
monumentos de sua própria magnitude.
Por isso eu vim, vencendo as ondas e a distância,

em busca da cidade santa de Bizâncio.

Ó sábios, junto a Deus, sob o fogo sagrado,
como se num mosaico de ouro a resplender,
vinde do fogo santo, em giro espiralado,
e vos tornai mestres-cantores do meu ser .
Rompei meu coração, que a febre faz doente
e, acorrentado a um mísero animal morrente,
já não sabe o que é; arrancai-me da idade
para o lavor sem fim da longa eternidade.

Livre da natureza não hei de assumir
conformação de coisa alguma natural,
mas a que o ourives grego soube urdir
de ouro forjado e esmalte de ouro em tramas,
para acordar do ócio o sono imperial;
ou cantarei aos nobres de Bizâncio e às damas,
pousado em ramo de ouro, como um pássa-
ro, o que passou e passará e sempre passa.

 


Tradução de Augusto de Campos

 

William Butler Yeats


SAILING TO BYZANTIUM

That is no country for old men. The young

In one another's arms, birds in the trees —
Those dying generations — at their song,
The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,
Fish, flesh, or fowl, commend all summer long
Whatever is begotten, born, and dies.
Caught in that sensual music all neglect
Monuments of unageing intellect.

An aged man is but a paltry thing,
A tattered coat upon a stick, unless
Soul clap its hands and sing, and louder sing
For every tatter in its mortal dress,
Nor is there singing school but studying
Monuments of its own magnificence;
And therefore I have sailed the seas and come
To the holy city of Byzantium.


O sages standing in God's holy fire
As in the gold mosaic of a wall,
Come from the holy fire, perne in a gyre,
And be the singing-masters of my soul.
Consume my heart away; sick with desire
And fastened to a dying animal
It knows not what it is; and gather me
Into the artifice of eternity.

Once out of nature I shall never take
My bodily form from any natural thing,
But such a form as Grecian goldsmiths make
Of hammered gold and gold enamelling
To keep a drowsy Emperor awake;
Or set upon a golden bough to sing
To lords and ladies of Byzantium
Of what is past, or passing, or to come.

 

 

1927

 

William Butler Yeats (1865-1939) – Poeta e autor teatral irlandês  Prémio Nobel  da Literatura de 1923.



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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "O Paraíso" - Dante Alighieri

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Dante Alighieri

 

O Paraíso - canto 1

 

 

A glória do que tudo movimenta

Pelo universo espalha-se e resplandece,

Embora em uma parte mais que noutra.

 

No céu onde esta luz é mais intensa

Estive e vi coisas tais como não sabe

nem consegue contar quem de lá desça.

 

É que à beira divina dos desejos

tanto o u«humano intelecto se absorve

que a memória é incapaz de acompanhá-lo.

 

Mesmo assim quanto eu do reino santo

retive em minha mente por tesouro

será a matéria agora do meu canto.

 

Bom Apolo em meu escopo derradeiro,

faz que me encha o teu engenho tanto

que logre merecer-te o amado louro.

 

(Tradução de Vasco Graça Moura)

 

Dante Alighieri

 

Paradiso - canto 1

 

 

La gloria di colui che tutto move

per l'universo penetra, e risplende

in una parte più e meno altrove.

 

Nel ciel che più de la sua luce prende

fu' io, e vidi cose che ridire

né sa né può chi di là sù discende;

 

perché appressando sé al suo disire,

nostro intelletto si profonda tanto,

che dietro la memoria non può ire.

 

Veramente quant'io del regno santo

ne la mia mente potei far tesoro,

sarà ora materia del mio canto.

 

O buono Appollo, a l'ultimo lavoro

fammi del tuo valor sì fatto vaso,

come dimandi a dar l'amato alloro.

 

Dante Alighieri (Florença 1265 - Ravena 1321) É considerado o il sommo poeta ("o sumo poeta"), o primeiro e o mais importante poeta de língua italiana.

 

 

              



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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Canto X" - Afonso X o Sábio

 

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                                                                                                _________________________

 

 

Afonso X o sábio

 

Cantiga X

 

 Esta é de loor de Santa María, com'é fremosa e bõa e à gran poder

 


Rosa das rosas et Fror das frores,
Dona das donas, Sennor das sennores,
Rosa de beldad' e de parecer
e Fror d'alegria e de prazer,
Dona en mui piadosa seer,
Sennor en toller coitas e doores.
Rosa das rosas et Fror das frores...

Atal Sennor dev' ome muit' amar,
que de todo mal o pode guardar;
e pode-ll' os peccados perdõar,
que faz no mundo per maos sabores.
Rosa das rosas et Fror das frores...

Devemo-la muit' amar e servir,
ca punna de nos guardar de falir;
des i dos erros nos faz repentir,
que nos fazemos come pecadores.
Rosa das rosas et Fror das frores...

Esta dona que tenno por Sennor
e de que quero seer trobador,
se eu per ren poss' aver seu amor,
dou ao demo os outros amores.
Rosa das rosas et Fror das frores...

 

(in Cantigas de Santa Maria)

 

D. Afonso X, o Sábio, rei de Castela e Leão (1252-1284). A actividade literária valeu-lhe o cognome de o "Sábio". Escreveu em castelhano as obras históricas, políticas e filosóficas. A poesia escreveu-a  em galego-português, a língua de cultura nos reinos hispânicos.

 



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editado por Augusta Clara às 17:00
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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - " A curva dos teus olhos" - Paul Éluard

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Quadro de Vladimir Kush

 

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Paul Éluard

 

A Curva dos Teus Olhos

 

 

A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
É uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.

Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.

Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.

Paul Eluard, in "Algumas das Palavras" Tradução de António Ramos Rosa

 

Paul Éluard

 

La courbe de tes yeux

 

La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,

Un rond de danse et de douceur,

Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,

Et si je ne sais plus tout ce que j'ai vécu

C'est que tes yeux ne m'ont pas toujours vu.

Feuilles de jour et mousse de rosée,

Roseaux du vent, sourires parfumés,

Ailes couvrant le monde de lumière,

Bateaux chargés du ciel et de la mer,

Chasseurs des bruits et sources des couleurs,

Parfums éclos d'une couvée d'aurores

Qui gît toujours sur la paille des astres,

Comme le jour dépend de l'innocence

Le monde entier dépend de tes yeux purs

Et tout mon sang coule dans leurs regards.

 

 

Paul Éluard - pseudónimo de Eugène Emile Paul Grindel - (1895-1952), poeta francês, ligado aos movimentos dadaísta e surrealista, escreveu pemas de intervenção contra a ocupação alemã de França, durante a II Guerra Mundial.

 

 



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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Angina pectoris" - Nazim Hikmet

Um Café na Internet

 
 
 
 
Quadro de Vladimir Kush
 
______________________________________
 
 
Nazim Hikmet
 
Angina pectoris
 
Se metade do meu coração está aqui,
Doutor, a outra metade está na China
com o exército que progride na direcção
do Rio Amarelo.


Toda manhã, Doutor,
todo amanhecer o meu coração
é golpeado na Grécia. Toda noite, Doutor,


quando os prisioneiros estão adormecidos
e a enfermaria está deserta, o meu coração vai
para uma cansada casa velha em Istambul.
E então depois de uma década tudo o que
tenho para oferecer ao meu pobre povo
é a maçã na minha mão, Doutor,

 

uma maçã
vermelha : o meu coração.
É isto, Doutor, a razão para esta angina pectoris,
não é a nicotina, nem a prisão

ou a arteriosclerose.

Olho a noite através das grades
e  ignoro o peso no meu peito.
O meu coração bate tranquilo
Com as mais distantes estrelas.


Nâzım Hikmet

 

Angina pektoris

 


Yarısı burdaysa kalbimin
yarısı çin'dedir, doktor.
sarınehre doğru akan
ordunun içindedir.

sonra, her şafak vakti, doktor,
her şafak vakti kalbim
yunanistan'da kurşuna diziliyor.

sonra, bizim burda mahkûmlar uykuya varıp
revirden el ayak çekilince
kalbim çamlıca'da bir harap konaktadır
her gece,
doktor.

sonra, şu on yıldan bu yana
benim, fakir milletime ikrâm edebildiğim
bir tek elmam var elimde, doktor,
bir kırmızı elma:
kalbim...

ne arteryo skleroz, ne nikotin, ne hapis,
işte bu yüzden, doktorcuğum, bu yüzden
bende bu angina pektoris...

bakıyorum geceye demirlerden
ve iman tahtamın üstündeki baskıya rağmen
kalbim en uzak yıldızla birlikte çarpıyor...

 

Nâzım Hikmet Ran , nasceu em 1902 na cidade de Salónica, então integrada no Império Otomano, e morreu em 1963 em Moscovo. Considerado o maior poeta turco do século XX, sendo militante comunista, foi por vezes designado  «o revolucionário romântico». 



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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Algum dia tu poderias? " - Vladimir Mayakovsky

Um Café na Internet

 

 

 

                                                                                          Quadro de Vladimir Kush

                                                                        _______________________________________

                                                                           

 

Vladimir Mayakovsky

 

Algum dia tu poderias?

 

Manchei o mapa quotidiano
atirando-lhe a tinta de um frasco
e mostrei oblíquas num prato
as maçãs do rosto do oceano.

 

Nas escamas de um peixe de estanho,
li lábios novos chamando.

 

E tu?

Algum  dia poderias
conseguir  tocar    

um nocturno louco na flauta dos esgotos?

 

Влади́мир Маяко́вский

 

А ВЫ МОГЛИ БЫ?

 

Я сразу смазал карту будня,
плеснувши краску из стакана;
я показал на блюде студня
косые скулы океана.


На чешуе жестяной рыбы
прочёл я зовы новых губ.

 


А вы
ноктюрн сыграть
могли бы
на флейте водосточных труб?

 

 

Vladimir Vladimirovitch Mayakovsky (Влади́мир Влади́мирович Маяко́вский; Bagdadi, 7 de Julho (calendário juliano) / 19 de Julho (calendário gregoriano) de 1893 – Moscovo, 14 de Abrill de 1930, poeta, dramaturgo e teórico russo, considerado como um dos maiores poetas do século XX. A sua obra é associada ao Futurismo.



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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "carpe diem" - Horácio

Um Café na Internet

 

 

 

 

                                Quadro de Vladimir Kush

 

 

                                                        ______________________________________

 

 

Horácio

 

carpe diem  

 

Tu não procures, conhecer não deves, o fim que a mim,

a ti concederam os deuses, ó Leucone, nem experimentes

os números babilónicos. Melhor sofrer o que quer que seja!

Seja muitos invernos, seja o último que Júpiter concedeu,

e que agora o mar Tirreno quebra contra os rochedos,

sejas sábia, filtres os vinhos, e pelo curto espaço de tempo

suprimas qualquer longa esperança. Enquanto falamos, o tempo invejoso

foge: aproveita o dia, muito pouco crédula no que virá.

 

 

Horacio

 

carpe diem  

 

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi

Finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios

Tentaris numeros. Ut melius quidquid erit pati!

Seu plures hiemes, seu tribuit Jupiter ultimam,

Quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare

Tyrrhenum, sapias, vina liques et spatio brevi

Spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida

Aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.

 

 

 

 Quinto Horácio Flaco - Quintus Horatius Flaccus - Venúsia, 65 a.C -Roma 8 a.C, poeta romano, um dos maiores da Antiguidade Clássica.

 

 



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Sábado, 14 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - "Na morte de um jovem" - Joan Maragall

 

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

Joan Maragall

 

 

Na morte de um jovem

 

 

 Partiste naquele tão doce entardecer 

Caíste, lutador, ao ir à luta.

Sorrias à força dos teus músculos,

ansiavas por guerras e coroas,

e de súbito, esvaías-te na terra

com os olhos atónitos.

 

Ai, morte, quanto, quanto embelezas!

Quando lançaste o teu primeiro véu

sobre  o herói em flor, um sorriso

quebrou os prantos, e uma profunda calma

foi invadindo o peito e o rosto

do moribundo. A respiração ia e voltava

suavemente preguiçosa… Eclodiram

mais fortes os prantos ao Céu..Ele já não estava..

Lá fora, no campo, o ocaso explodia em doçura…

 

 

(Tradução de Carlos Loures e Josep Anton Vidal) 

 

Joan Maragall

 

En la mort d'un jove

 

 Te'n vas anar amb aquell ponent dolcíssim...

Caigueres, lluitador, al marxar a la lluita.

Somreies a la força dels teus muscles

i glaties per guerres i corones,

i tot de cop t'has esllanguit per terra

amb els ulls admirats...

  

 

Ai, la Mort, i que n'ets d'embellidora!

Aquell teu primer vel, quan el llençares

damunt de l'hèroe en flor, tots somriguérem

sota els plors estroncats, que una serena

va començar a regnar en el pit i el rostre

del moribond. L'alè anava i venia

suaument emperesit... Llavors esclataven

més alts els plors al Cel... Ell ja no hi era... 

Pro a fora, al camp, era un ponent dolcíssim...

 

 

(1895)

 

 

Joan Maragall (Barcelona, 1860 - 1911) - Um dos maiores poetas de língua catalã.  Entusiasta e teórico do iberismo, teve contactos com intelectuais portugueses que comungavam desse projecto de federação das nações ibéricas.

 

 



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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
A GRANDE POESIA - Vamos viver, minha Lésbia -- Catulo
Um Café na Internet
 
 
 
Quadro de Vladimir Kush
____________________________________
 
Caio Valério Catulo
 
Vamos viver, minha Lésbia

 

 

Vamos viver, minha Lésbia, e amar,

e aos rumores dos velhos mais severos,

voz nem azo lhes vamos dar.

Sóis podem morrer ou renascer,

mas quando findar a nossa luz fugaz,

apenas uma perpétua noite dormiremos.

Dá mil beijos e outros cem depois, 

Dá muitos mil, depois outros sem fim,

Dá ainda mais mil e mais cem, enfim –

e quando milhares de beijos tivermos dado,

vamos perder a conta, confundir,

para que infeliz algum inveja possa ter

se de tantos e tão longos beijos souber.

 

Gaius Valerius Catullus 

 

 

Vivamus, mea Lesbia

  

 

Vivamus, mea Lesbia, atque amemus,

Rumoresque senum severiorum

Omnes unius aestimemus assis.

Soles occidere et redire possunt;

Nobis cum semel occidit brevis lux,

Nox est perpetua una dormienda.

Da mi basia mille, deinde centum,

Dein mille altera, dein secunda centum,

Deinde usque altera mille, deinde centum.

Dein, cum milia multa fecerimus,

Conturbabimus illa, ne sciamus

Aut ne quis malus invidere possit,

Cum tantum sciat esse bassiorum.

 

 

 

Catulo (Verona, 87 ou 84 a.C-57 ou 54 a.C.) - poeta polémico do final do período republicano de Roma. Pertenceu a uma corrente poética que rompeu com o passado literário amarrado à imagética mitológica, enveredando por temas ligados ao quotidiano e aos impulsos humanos. Uma linguagem coloquial, com repetição de palavras e movimento circular da elocução. Cícero designava-os pejorativamente por novos. Escolhemos uma das evocações mais conhecidas - a Ode 5, dedicada a Lésbia.

 

 



publicado por Carlos Loures às 08:00
editado por João Machado às 01:48
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