Colóquio Internacional
«LEGADOS DO AUTORITARISMO EM PORTUGAL EM PERSPECTIVA COMPARADA»
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Edifício ID - 23 e 24 Abril de 2012
Dia 23 – Segunda-feira
9h30 - Recepção aos participantes
10h – Sessão de Abertura
Irene Pimentel, Coordenadora do Projecto «Justiça Política na Transição para a Democracia em Portugal (1974-2008)»
Fernando Rosas, Presidente do Instituto de História Contemporânea da FCSH/UNL
João Sáàgua, Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL*
Sala: Multiusos 3
11h – Sessão Plenária I: Legados da Ditadura: Portugal e Espanha
A herança do franquismo na cultura de direita, Carmen Molinero, CEFID-UAB
Memória da violência, violência da memória, Fernando Rosas, IHC-FCSH/UNL
Sala: Multiusos 3 Moderação: Irene Pimentel, IHC-FCSH/UNL
14h30 – Sessão Paralela 1: Colonialismo e Legado Colonial
Derivas autoritárias na reescrita da História, Dalila Cabrita Mateus, IHC-FCSH/UNL
Os dividendos do autoritarismo colonial no São Tomé e Príncipe independente, Augusto Nascimento, IICT, CEA-ISCTE/UL, CEAUP, IHC-FCSH/UNL
Da Confusão à Ironia. Expectativas e legados da PIDE em Angola, Ruy Llera Blanes, ICS-UL,LSE.
O peso do legado autoritário na configuração do processo democrático em Cabo Verde, Roselma Évora, UnB/SEAP
Sala: Multiusos 3 Moderação: Pedro Aires Oliveira, IHC-FCSH/UNL
14h30 – Sessão Paralela 2: Justiça de Transição: América Latina
Justiça Transicional e Transição política no Brasil e Peru em perspectiva comparada, Carlos Ugo Santander Joo, UFG
Constitui a anistia obstáculo para a justiça de transição brasileira? Lauro Joppert Swensson Jr., Goethe-Universitat
Atuação dos familiares de mortos e desaparecidos políticos na transição democrática brasileira - Janaína de Almeida Teles, FFLCH-USP
Sala: Multiusos 2 Moderação: Paulo Jorge Fernandes, IHC-FCSH/UNL
16h30 – Sessão Paralela 3: Legado e Memória
Memória do movimento estudantil na transição democrática, Alexandra Silva, CES/FLUC
Dealing with a double legacy: the celebrations of the 25th April in the Portuguese Parlament (1977-2004), Claucio Serra Domingues, Westfälische Wilhelms-Universität Münster
A memória enquanto tecnologia. Estado Novo, desenvolvimento e democracia, João Paulo Avelãs Nunes, FLUC, CEIS20/UC
Quem derrubou o Estado Novo brasileiro? Reflexões sobre as construções historiográficas em torno da democratização de 1945, Gilberto Calil, UNIOESTE, UP
Sala: Multiusos 3 Moderação: Luís Farinha, IHC-FCSH/UNL
16h30 – Sessão Paralela 4: Sociedade e Transição para a Democracia
As carreiras militantes entre repressão estadonovista e abertura democrática, Guya Accornero, CIES-ISCTE
A Igreja Católica na transição para a democracia: que estratégia perante acusações de «um passado colaboracionista com o Estado Novo»?, Paula Borges Santos, IHC-FCSH/UNL
As editoras de livros políticos e a denúncia dos crimes da ditadura em Portugal (1968-1976), Flamarion Mauès, USP, IHC-FCSH/UNL
Padrões de gestão da memória nas práticas de representação e nos discursos sobre a ópera associados ao Teatro de São Carlos nos anos que se sucedem à revolução de 1974, Paula Gomes Ribeiro, CESEM/UNL
Civil Society and the Quality of Democracy: Portugal, 1974-2010, Tiago Fernandes e Rui Branco, FCSH/UNL.
Sala: Multiusos 2 Moderação: Alice Samara, IHC-FCSH/UNL
Dia 24 – Terça-feira
9h30 – Sessão Paralela 5 – Saneamentos e Revolução
Justiça Política e Transição em Portugal: o caso da RTP, Maria Inácia Rezola, IHC-FCSH/UNL, ESCS/IPL
O Diário de Notícias na transição portuguesa para a democracia: o «Caso dos 24» em 1975, Pedro Marques Gomes, IHC-FCSH/UNL, ESCS/IPL
“O fascismo saiu à rua”: as memórias da extrema-direita na transição portuguesa (1976-1980), Ricardo Marchi, ICS-UL
Os saneamentos políticos na educação (1974-1976), Pedro Serra, IHC-FCSH/UNL
Sala: Multiusos 3 Moderação: Nuno Estêvão, ICS-UL, CEHR-UCP
9h30 – Sessão Paralela 6 - Cultura e política: Legados do Autoritarismo na América Latina
Políticas e poéticas da restituição na cena do pós-autoritarismo no Brasil, Roberto Vecchi, UNIBO
A (IM)POSSÍVEL RESPOSTA. Clarice Lispector e a obrigação ao testemunho, Ettore Finazzi-Agrò, UNIROMA
Violência e trabalho: realismos e política do contemporâneo na literatura de América Latina, Graciela Ravetti, UFMG, CNPq, FAPEMIG
Corpo, ditadura e memória na literatura brasileira, Jaime Ginzburg, USP, CNPq
Sala: Multiusos 2 Moderação: Goffredo Adinolfi, CIES-IUL
11h30 – Sessão Plenária II: Justiça de Transição: o caso Brasileiro
Transitional Justice in Brazil since 2003, Anthony Pereira, Brazil Institute, King’s College London
Anistia, conciliação e verdade no Brasil - e uma mirada pelo Cone Sul, Maria Celina D'Araujo, PUC-Rio
Sala: Multiusos 3 Moderação: António Reis, IHC-FCSH/UNL
14h30 – Sessão Paralela 7: Memória da Ditadura e Democratização
Portugal e Espanha no Século XX: ditadura, repressão e a memória histórica, uma comparação, Francesca Blockeel, Lessius/KULeuven
Historiografia e política à volta do autoritarismo: Portugal e Espanha, Fernando Ampudia de Haro, ISCSP-UTL, IHCS-FCSH/UNL
O desenvolvimento do revisionismo histórico em Portugal e a memória do Estado Novo: combates pela memória através da imprensa, Luciana Soutelo, UP
O Correio da Manhã: branqueamento da Ditadura e diluição da Revolução, Carla Luciana Silva, UNIOESTE, FCSH/UNL
Sala: Multiusos 2 Moderação: Ricardo Marchi, ICS-UL
14h30 – Sessão Paralela 8: Justiça Política na Transição para a Democracia Portuguesa
O Fascismo nunca existiu? Os Resistentes Antifascistas no Regime Democrático, Fernando Pereira Marques, IHC-FCSH/UNL, Univ. Lusófona
Guerra total à fera fascista. A AEPPA e a memória como combate, Miguel Cardina, CES/UC, IHC-FCSH/UNL
A PIDE/DGS: memória e história do processo de dissolução da polícia política da Ditadura, Irene Pimentel, IHC-FCSH/UNL
Memória e história no documentário: a esquecida Polícia de Informações, Jacinto Godinho, FCSH/UNL
"Julgar a PIDE, condenar o fascismo": Tribunal Cívico Humberto Delgado. Uma Experiência breve (1977-1978), João Madeira, IHC-FCSH/UNL
Sala: Multiusos 3 Moderação: Maria Inácia Rezola, IHC-FCSH/UNL, ESCS-IPL
16h30 – Sessão de Encerramento: Legados do Autoritarismo
Mesa redonda com representantes:
• Não Apaguem a Memória
• Associação 25 de Abril
• Arquivo Nacional da Torre do Tombo
• Centro de Documentação 25 de Abril
Sala: Multiusos 3 Moderação: Manuel Loff, IHC-FCSH/UNL, FLUP
Organização:
Irene Pimentel – Instituto de História Contemporânea/Universidade Nova de Lisboa
Maria Inácia Rezola – Instituto de História Contemporânea/Universidade Nova de Lisboa
Contacto: legados2012ihc@fcsh.unl.pt
Texto de Eduardo Galeano, onde o grande escritor uruguaio nos dá, através de excertos, uma ideia de como será o seu livro Espelhos.
Todos os dias, ao ler os jornais diários, assisto a uma aula de história. Os diários ensinam-me pelo que dizem e pelo que não dizem. A história é um paradoxo andante. A contradição move-lhe as pernas. Talvez por isso os seus silêncios dizem mais do que as suas palavras e muitas vezes as suas palavras revelam, mentindo, a verdade.
Dentro em breve será publicado um livro meu chamado Espejos. É uma coisa assim como um história universal, e desculpem o atrevimento. "Posso resistir a tudo, menos à tentação", dizia Oscar Wilde, e confesso que sucumbi à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo do ponto de vista dos que não saíram na foto. Pode-se dizer que não se trata de fatos muito conhecidos. Aqui resumo alguns, apenas uns poucos.
Quando foram desalojados do Paraíso, Adão e Eva mudaram-se para a África, não para Paris.
Algum tempo depois, quando seus filhos já se haviam lançado pelos caminhos do mundo, foi inventada a escrita. No Iraque, não no Texas.
Também a álgebra foi inventada no Iraque. Foi fundada por Mohamed al Jwarizmi, há mil e duzentos anos, e as palavras algoritmo e algarismo derivam do seu nome.
Os nomes costumam não coincidir com o que nomeiam. No British Museum, por exemplo, as esculturas do Partenon chamam-se "mármores de Elgin", mas são mármores de Fídias. Elgin era o nome do inglês que as vendeu ao museu.
As três novidades que tornaram possível o Renascimento europeu, a bússola, a pólvora e a imprensa, haviam sido inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.
Os hindus souberam antes de todos que a Terra era redonda e os maias haviam criado o calendário mais exacto de todos os tempos.
Em 1493, o Vaticano presenteou a América à Espanha e obsequiou a África negra a Portugal, "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Naquele tempo a América tinha quinze vezes mais habitantes que a Espanha e a África negra cem vezes mais que Portugal. Tal como havia mandado o Papa, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.
Tenochtitlán, o centro do império azteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade pedra por pedra e, com os escombros, tapou os canais por onde navegavam duzentas mil canoas. Esta foi a primeira guerra da água na América. Agora Tenochtitlán chama-se México DF. Por onde corria a água, agora correm os automóveis.
O monumento mais alto da Argentina foi erguido em homenagem ao general Roca, que no século XIX exterminou os índios da Patagónia. A avenida mais longa do Uruguai tem o nome do general Rivera, que no século XIX exterminou os últimos índios charruas.
John Locke, o filósofo da liberdade, era acionista da Royal Africa Company, que comprava e vendia escravos.
No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos Bourbons, Felipe V, estreou o seu trono assinando um contrato com o seu primo, o rei da França, para que a Compagnie de Guinée vendesse negros na América. Cada monarca ficava com 25 por cento dos lucros. Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.
Dois do Pais Fundadores dos Estados Unidos desvaneceram-se na névoa da história oficial. Ninguém se recorda de Robert Carter nem de Gouverner Morris. A amnésia recompensou os seus actos. Carter foi a única personalidade eminente da independência que libertou seus escravos. Morris, redactor da Constituição, opôs-se à cláusula estabelecendo que um escravo equivalia às três quintas partes de uma pessoa.
"O nascimento de uma nação", a primeira super-produção de Hollywood, foi estreado em 1915, na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, aplaudiu-a de pé. Ele era o autor dos textos do filme, um hino racista de louvor à Klu Klux Klan.
Algumas datas: Desde o ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu que as mulheres cantassem nos templos. As suas vozes eram impuras, devido àquele caso da Eva e do pecado original.
No ano de 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios vis", que até então implicavam a perda da fidalguia. Até o ano de 1986 foi legal o castigo das crianças, nas escolas da Inglaterra, com correias, varas e palmatórias.
Em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, em 1793 a Revolução Francesa proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A militante revolucionária Olympia de Gouges propôe então a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. A guilhotina cortou-lhe a cabeça. Meio século depois, outros governo revolucionário, durante a Primeira Comuna de Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos um: 899 votos contra, um, a favor.
A imperatriz cristã Teodora nunca disse ser uma revolucionária, nem nada que se parecesse. Mas há mil e quinhentos anos o império bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar do mundo onde o aborto e o divórcio foram direitos das mulheres.
O general Ulisses Grant , vencedor da guerra do Norte industrial contra o Sul escravocrata, foi a seguir presidente dos Estados Unidos. Em 1875, respondendo às pressões britânicas, respondeu:
– Dentro de duzentos anos, quando tivermos obtido do protecionismo tudo o que ele nos pode proporcionar, também nós adoptaremos a liberdade de comércio.
Assim, pois, nos idos de 2075, o país mais protecionista do mundo adoptará a liberdade de comércio.
"Botinzito" foi o primeiro cão pequinês que chegou à Europa. Viajou para Londres em 1860. Os ingleses baptizaram-no assim porque era parte do botim extorquido à China no fim das longas guerras do ópio.
Vitória, a rainha narcotraficante, havia imposto o ópio a tiros de canhão. A China foi convertida num país de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.
Em nome da liberdade, a liberdade de comércio, o Paraguai foi aniquilado em 1870. Ao cabo de uma guerra de cinco anos, este país, o único das Américas que não devia um centavo a ninguém, inaugurou a sua dívida externa. Às suas ruínas fumegantes chegou, vindo de Londres, o primeiro empréstimo. Foi destinado a pagar uma enorme indemnização ao Brasil, Argentina e Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos, pelo trabalho que haviam tido ao assassiná-lo.
O Haiti também pagou uma enorme indemnização. Desde que, em 1804, conquistou a sua independência, a nova nação arrasada teve que pagar à França uma fortuna, durante um século e meio, para expiar o pecado da sua liberdade.
As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, a Suprema Corte de Justiça estendeu o direitos humanos às corporações privadas, e assim continua a ser. Poucos anos depois, em defesa dos direitos humanos das suas empresas, os Estados Unidos invadiram dez países, em diversos mares do mundo.
Mark Twain, dirigente da Liga Anti-imperialista, propôs então uma nova bandeira, com caveirinhas em lugar de estrelas. E outro escritor, Ambroce Bierce, confirmou:
– A guerra é o caminho escolhido por Deus para nos ensinar geografia.
Os campos de concentração nasceram em África. Os ingleses iniciaram a experiência, e os alemães desenvolveram-na. Depois disso Hermann Göring aplicou na Alemanha o modelo que o seu pai havia ensaiado, em 1904, na Namíbia. Os professores de Joseph Mengele haviam estudado, no campo de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. As cobaias eram todas negras.
Em 1936, o Comité Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizadas por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou a partida.
A Hitler não lhe faltaram amigos. A Rockefeller Foundation financiou pesquisas raciais e racistas da medicina nazi. A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possível a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados.
Ciclo de conferências: Vila Franca de Xira Há três mil anos.
O Tejo palco de interação entre Indígenas e Fenícios.
A Terceira palestra será dia 12 de Abril pelas 16h.
O Bronze Final na região ribeirinha da margem norte do estuário do Tejo.
Pelo Professor Doutor João Luís Cardoso
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Fenícios no estuário do Tejo.
Pela Professora Doutora Ana Margarida Arruda
Museu Municipal de Vila Franca de Xira
Rua Serpa Pinto nº 65
2600-263 Vila Franca de Xira
Telefone: 263 280 350
Fax: 263 280 358
E-mail: museumunicipal@cm-vfxira.pt
Entrada livre
A todo costo se quería evitar la subida al poder de un socialista, que había ganado su derecho, en elecciones libres y sufragio universal. Una de las tentativas, fue raptar al General del Ejército, René Schneider, como rehén con la condición de ser libertado solo si el nuevo candidato triunfante a la Presidencia de la República, no accedía al poder. Era un amigo, este Papito René, era, si sospecho bien, un liberal, que nos prestaba camas y literas del regimiento para los trescientos estudiantes que viajaban conmigo en trabajos de alfabetización y en la organización de sindicatos. Como yo no tenía automóvil, era él quien personalmente me trasladaba en el suyo, para el Regimiento y poder así escoger el material necesario para nuestro conforto, después de pasar horas enteras yendo de casa en casa de campesinos a enseñar y trabajar con ellos para construir escuelas, asfaltar caminos y limpiar el campo de malezas que no permitían obtener buenas cosechas. Fue así también que comencé mi trabajo en Talca. Estaba ahí mi amigo del alma, Francisco Vio, Pancho, como se laman en Chile a los Franciscos, en Portugal les dicen Chico. Fue con él que presenciamos la noticia de la tentativa de rapto de Schneider. Los pretendidos raptores, estaban enmascarados, pero su falta de tino era tanta, que no contaban con lo que yo ya conocía. René Schneider era fiel a la Constitución, a la ley ya a la autoridad. Esteban Iturra Pacheco, mi tío abuelo y amigo del General, ya lo había comentado con René: estamos seguros que puede haber cualquier atentado a la seguridad nacional, dadas las condiciones que envolvieran la elección presidencial. Lo comentó solo una vez conmigo y el asunto quedó encerrado para siempre, una complicidad compartida que he recordado toda mi vida. Para agradecer su buena voluntad, un día lo convidé a almorzar con su mujer, Doña Carolina Elisa del Carmen Arce Durandeau, al campamento central de la parroquia que nos servía de sede, la de la comuna Santa María, de la Provincia de San Felipe. Convidé también a los encargados de los cuatro campamentos, a quienes pedí a bañarse primero: ¡estábamos tan sucios por causa del trabajo! Como su mujer venía, tenía que haber otra niña linda y elegante para acompañarla. Eran los tiempos en que había conocido a la que después fue mi mujer y la madre de mis hijas y abuela de mis nietos, de quién yo me había enamorado perdidamente. Sabiendo la adicción a la etiqueta, senté en una cabecera al Papito con esta niña, de familia de embajadores, y a su mujer, en la otra cabecera, conmigo, el Presidente de los estudiantes y de la aventura que vivíamos.
Convidamos a Ricardo Huerta, el párroco quien, años más tarde, celebraría una misa en la casa de mi pretendida, bendeciría las argollas, las impondría en nuestros dedos, como señal de un próximo matrimonio, que se celebró casi dos años después, cuando Apoquindo era una barrio rural, refaccionado por los herederos de la propietaria que les legó la merced[1], los frailes dominicanos. La donataria era Doña Inés de Suárez, mujer del General Francisco Villagra, conquistador, antigua compañera de Pedro de Valdivia. Como representante de la monarquía española, creo esta merced para Doña Inés, que mandé refaccionar para casarnos ahí, cuando nadie la usaba: era un vendaval de tierra suelta y posibles lluvias en ese día 15 de Abril de 1967.
História, Memória e Violência no Sec XX (colóquio 24 e 25 de Fevereiro, fcsh) + lançamento-debate de livro de Enzo Traverso "Passado - Modos de Usar" (na Casa da Achada, dia 25)
Chama-se ainda a atenção para o lançamento do livro de Enzo Traverso, no dia 25, às 18h30, mas na Casa da Achada-Centro Mário Dionísio, à Mouraria.
O debate de lançamento contará com a participação do autor.
Info sobre o livro aqui <http://unipop.webnode.pt/news/o-passa
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24 e 25 de Fevereiro de 2012
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Sala Multiusos 3, Piso 4, Edifício I&D
INSTITUTO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Linha de Investigação Poder, Cultura & Ideias
Coordenação de José Neves, Luís Trindade, Pedro Martins e Tiago Avó
Apoios: FCT | Institut Français | Instituto Cervantes | FCSH-UNL
com Javier Rodrigo Sanchez, António Monteiro Cardoso, Miguel Cardina,
Fernando Ampudia de Haro, Tiago Avó, Luís Trindade, Fernando Rosas,
Enzo Traverso, Maria Benedita-Basto, Manuela Ribeiro Sanches,
Elisa Lopes da Silva e Manuel Deniz Silva.
PROGRAMA
24 de Fevereiro
(sexta-feira)
10h15, abertura
10h30 | ESPANHA, VIOLÊNCIA E FASCISMO
Javier Rodrigo Sánchez (Universidad Autonoma de Barcelona)
A este lado del bisturí. Violencia y fascistización en la España sublevada.
11h30 | O SÉCULO XIX PORTUGUÊS
António Monteiro Cardoso (ESCS-IPL, CEHC/ISCTE-IUL)
Violência política em Portugal no século XIX. Memória e História.
15h00 | O ESTADO NOVO
Miguel Cardina (CES-UC e IHC-UNL)
Violência, testemunho e sociedade. Incómodos e silêncios em torno da memória da ditadura.
Fernando Ampudia de Haro (IHC-UNL)
Branquear e revisar: historiografia e política à volta do Estado Novo.
17h00 | A REVOLUÇÃO DE ABRIL
Tiago Avó (Birkbeck College, IHC-UNL)
O lugar do PREC – comemorativismo e memória mediática.
Luís Trindade (Birkbeck College, IHC-UNL)
A construção da memória em torno do 25 de Abril de 1974.
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25 de Fevereiro
(sábado)
10h30 | O MUNDO DO SÉCULO XX
Fernando Rosas (FCSH/IHC-UNL)
Memória da violência e violência da memória.
Enzo Traverso (Université Jules Vernes Picardie)
L’âge de la Violence.
15h00 | IMPÉRIO E ANTICOLONIALISMO
Maria-Benedita Basto (Université Paris IV)
A política da História: dinâmicas emotivas das transmemórias na escrita do passado no presente em espaços (ex)imperiais.
Manuela Ribeiro Sanches (FLUL-CEC)
Nação, cultura e violência: (trans)nacionalismos na obra de Frantz Fanon e Amílcar Cabral.
E ÀS 18H30, NA CASA DA ACHADA – CENTRO MÁRIO DIONÍSIO, À MOURARIA, SERÁ LANÇADO O LIVRO "O PASSADO: MODOS DE USAR", DA AUTORIA DE ENZO
TRAVERSO E PUBLICADO PELAS EDIÇÕES UNIPOP. DECORRERÁ UMA CONVERSA COM ENZO TRAVERSO, ELISA LOPES DA SILVA E MANUEL DENIZ SILVA.
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RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES
Javier Rodrigo Sánchez: A este lado del bisturí. Violencia y fascistización en la España sublevada
Esta ponencia analizará, en perspectiva comparada pero desde la experiencia española, las formas de la violencia sublevada en la España de Franco y evaluará la operatividad de su definición como “fascista”. Desde esa premisa, se analizará la violencia en el marco de la fascistización de la España sublevada.
António Monteiro Cardoso: Violência política em Portugal no século XIX. Memória e história
Através desta comunicação pretende-se analisar a memória e a historiografia acerca da violência política em Portugal no século XIX, à luz dos conceitos de “uso público da história”, de Habermas, e de “regimes de historicidade”, de François Hartog.
Para isso, iremos centrar-nos na guerra civil de 1832-1834, o acontecimento violento mais marcante do século XIX, examinando o modo como a violência exercida, quer pelos vencedores, quer pelos vencidos, foi sendo evocada, manipulada ou silenciada até ao presente, de acordo com diferentes regimes de historicidade.
Procuraremos indagar também em que medida a actual subalternização dos estudos sobre o século XIX, em favor do contemporâneo, de par com a utilização de alguns métodos de abordagem da sociedade novecentista portuguesa tem conduzido a uma visão legitimadora das estruturas políticas e sociais dominantes.
Miguel Cardina: Violência, Testemunho e Sociedade. Incómodos e silêncios em torno da memória da ditadura.
A presente comunicação percorre a forma como a memória do Estado Novo, nomeadamente nas suas facetas mais repressivas, tem sido dominantemente difundida, trabalhada e silenciada. Com efeito, as noções de vítima, por um lado, e de uma ditadura de «baixa intensidade», por outro, exigem ser olhadas criticamente através de uma leitura mais ampla da violência política, que contemple a sua amplitude, a sua função e o modo como foi gerida pelo regime. Neste domínio, cabe ainda frisar a presença de um certo imaginário «lusotropical», que entende a colonização portuguesa como exemplo de sã convivência, e o seu contraste com a experiência da colonização e da guerra, tal como aparecem em testemunhos, documentários e trabalhos historiográficos contemporâneos. Por fim, traça-se o modo como as questões relativas ao passado da ditadura foram sendo observadas desde 1974, oscilando entre reivindicações pelo direito à memória e irrupções significativas de amnésia social.
Fernando Ampudia de Haro: Branquear e revisar: Historiografia e política à volta do Estado Novo
O objectivo da comunicação é realizar uma aproximação ao debate historiográfico em Portugal sobre o Estado Novo, nomeadamente, àqueles aspectos mais controversos relativos à violência, à repressão e à dominação colonial. Através destes aspectos são articuladas as categorias de “branqueamento” e “revisionismo” como conceitos usados pelos historiadores para, no âmbito público ou no profissional, legitimar ou deslegitimar certas leituras históricas acerca do passado ditatorial do país. No entanto, essas dinâmicas de legitimação-deslegitimação possuem também uma dimensão política: se reduzirmos a questão do “branqueamento” ou do “revisionismo” a um debate meramente historiográfico estaríamos prescindindo de interessantes elementos de análise que permitem observar a ligação entre essas leituras do passado e o contexto sócio-político no qual estão inseridas e são produzidas. Neste sentido, a comunicação vai estudar os vínculos entre a historiografia, os mitos fundadores da democracia portuguesa e as leituras do passado que fazem parte da cultura política dos portugueses. Só assim ficam reunidas as condições necessárias para percebermos o fundamento, as possibilidades e mesmo o eventual sucesso social, comercial e historiográfico das atitudes chamadas de “branqueadoras” ou “revisionistas”.
Luís Trindade: A construção do tempo da memória revolucionária
A fixação da memória do processo revolucionário português de 1974-75 foi contemporâneo do próprio agir revolucionário. Em certo sentido, pode dizer-se que fez parte dele. A identidade da revolução - como superação da ditadura ou construção do socialismo - determinou assim o tipo de memória que sobre ela se formou, bem como a temporalidade da sua construção.
Tiago Avó: O lugar do PREC. Comemorativismo e memória mediática.
A comemoração oficial da revolução e a abordagem mediática na imprensa nos aniversários da revolução sofreu um processo de reactualização e de redefinição ideológicas. A legitimação do processo de "normalização democrática" em oposição à "anarquia" e ao "caos" dos anos revolucionários tem servido de linha de orientação para a construção de uma memória mediatizada dos anos de 1974-1975.
Fernando Rosas: Memória da Violência e a Violência da Memória
A comunicação trata da memória como processo social de construção de representações e, a esse título, como terreno de disputa pela hegemonia acerca do sentido do presente e do futuro. Após o que, em concreto, procura aplicar esse modelo interpretativo aos "acidentes da memória" sobre a revolução portuguesa de 1974/75, ensaiando-se ainda uma "geografia temática do revisionismo historiográfico". A esse propósito aprofunda-se o tema da violência nos regimes fascistas e no Estado Novo em particular.
Enzo Traverso: L’âge de la violence. Histoire et mémoire du XXe siècle
Nous assistons, en ce début du XXIe siècle, à une réactivation du passé à l’échelle internationale. Une différence majeure qui le sépare des deux siècles qui l’ont précédé — le XIXe marqué par l’impact de la Révolution française et le XXe par celui de la Révolution russe — réside dans l’éclipse des utopies. Après la fin du communisme, toute projection utopique vers l’avenir semble interdite. La disparition d’un « horizon d’attente » visible engendre une mémoire saturée du siècle passé comme une époque de la violence — où les révolutions restent englouties comme catastrophes humanitaires ou antichambres du totalitarisme — dominée par la figure de la victime. Trois espaces mémoriels se dessinent aujourd’hui en Europe : un espace occidental façonné par le souvenir de la Shoah ; un espace oriental dominé par l’héritage du communisme ; et un espace postcolonial exhumant le passé impérial du continent. Le croisement de ces différentes mémoires peut se révéler fructueux aussi bien sur le plan herméneutique (repenser l’histoire de l’Europe) que sur le plan politique (reformuler une idée de citoyenneté dépassant les clivages nationaux), à condition d’en rejeter les usages apologétiques (commémorer les violences du passé afin de légitimer l’ordre dominant) et de redécouvrir les dimensions cachées ou refoulées du passé (les luttes émancipatrices du XXe siècle).
Maria-Benedita Basto: A política da História: dinâmica das transmemórias na escrita do passado no presente em espaços (ex)imperiais
Nesta comunicação proponho-me reflectir sobre a operacionalidade de um conceito como o de “transmemórias” para a resolução de alguns problemas contemporâneos da escrita historiográfica que concerne espaços comuns de violência, neste caso, os espaços saídos do colonialismo.
Gostaria de partir do cruzamento de três argumentos: o primeiro parte do trabalho que Jacques Rancière (1998) fez em torno da sua expressão “política da literatura” para, numa reutilização talvez ousada, propor uma interrogação da escrita da história nesse contexto preciso que corresponde ao (ex)império colonial português. O segundo argumento, releva da reflexão que Enzo Traverso desenvolve sobre um mal estar da/na história no seu livro L’Histoire comme champ de bataille (2011). Traverso interroga-se nesta obra sobre as consequências políticas de uma escrita do passado no presente perspectivada entre vencedores e vencidos onde não há lugar para as dinâmicas de constituição de sujeitos políticos. E isto numa situação marcada pelo naufrágio de uma ideia de progresso e pela proliferação das representações memoriais. O terceiro argumento vou buscá-lo ao pensamento de Ann Stoler sobre uma epistemologia do trabalho histórico ou mais globalmente das ciências sociais (Along the Archival Grain, 2009) que oferece uma resposta ao problema colocado por E. Traverso. Stoler propõe uma escrita das ciências sociais que ultrapasse binarismos interessando-se pelas emoções, pela domesticidade dos espaços íntimos e, ao mesmo tempo – juntando agora Rancière a Stoler – pela partilha do sensível (Rancière, 2000).
Estes vários argumentos, que justificam uma atenção às transmemórias, serão desenvolvidos tendo também como base alguns excertos do trabalho cinematográfico de Raquel Schefer, e alguma escrita romanesca em torno de retornados.
Manuela Ribeiro Sanches: Nação, Cultura e Violência: (trans)nacionalismos na obra de Frantz Fanon e Amílcar Cabral
Revisitar o século XX e o passado é tarefa de história e memória, mas também de reactualização de teorias, lidas à luz não só do contexto em que surgiram, mas também da sua possível relevância para a nossa contemporaneidade.
Partindo de uma análise comparativa do papel da violência na obra de Fanon e Cabral e do modo como a cultura se associa estreitamente a esse conceito na construção da nação, considerarei ainda a forma como as experiências transnacionais de ambos os autores terão sido determinantes para o desenvolvimento do seu nacionalismo.
Ao mesmo tempo, interrogar-me-ei sobre a relevância dessas mesmas posições para a Europa nossa contemporânea, pós-colonial e pós-transnacional. Lidos na nossa actualidade, a contrapelo, esses textos poderão conter propostas ainda relevantes para um continente que vive, no momento, um desafio inédito à sua identidade, em termos políticos e culturais.
(Conclusão)
Mulheres cantineiras, guerra do Pacífico 1
São heroínas, como é possível apreciar pela imagem. Cansadas, tresloucadas, acompanhavam os seus homens, na guerra como no trabalho. Dona Javiera Carrera não era cantineira. Foi uma mulher aristocrata que ambicionava o poder para a família. Há o ditado que diz: Por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher
Francisca Javiera Eudocia Rudecinda Carmeno chamada também Dolores de la Carrera y Verdugo2 4, nasceu a 1 de Março de 1781 na cidade de Santiago. Foi a primogénita do casal formado por Ignacio Carrera y Cuevas e Dona Francisca de Paula Verdugo Fernández de Valdivieso y Herrera4, pertenciam à aristocracia colonial. Recebera a educação tradicional ensinada, normalmente, aos homens da sua condição social. Destacou-se pela sua especial inteligência (nota: as referências não as apago por serem hiperligações que orientam para outra ligação).
Casou com Manuel de la Lastra y Sotta em 1796,2 , tiveram dois filhos, ficando viúva aos dezanove anos de idade.
Em 1800 casou em segundas núpcias com Pedro Díaz de Valdés2 , advogado espanhol chegado a Santiago como regedor e assessor da Capitania Geral. Tiveram cinco filhos.
Os bem conhecidos factos de 1810, a libertação da coroa de Espanha, não a colocaram à margem, pelo contrário, convertendo-se no motor patriótico da sua família, passando a ser uma figura bem conhecida para os patriotas e entre o povo que ansiava a liberdade. Assistia a todas as comemorações, quer realistas quer as de raiz militar criolla. A sua acção foi tão significativa, que entre os revolucionários se usava a frase "viva la Panchita" como contra-senha. Ajudava a levantar os espíritos em momentos de derrota, transformando-se na heroína da Pátria Vieja. Bonita e de forte carácter, escondia soldados na sua casa, e estava encarregada de receber, de noite e de madrugada, as carretas conduzidas pelos "huasos" carregadas de armas para serem distribuídas na cidade.
Era apaixonada, dominante e astuta nos seus movimentos. Apoiou os seus irmãos José Miguel, Juan José e Luís, sendo a ambição da sua vida conseguir que fossem patriotas e não aristocratas realistas, jogadores e mulherengos. Maria Graham descreve a Javiera com estas palavras "la hermana de José Miguel aspiraba a hacer de él un Napoleón, arrancándolo a la aturdida y borrascosa vida de joven calavera y dirigiéndolo hacia las metas del poder y la gloria". Inteligente e ambiciosa, foi a ideóloga dos planos de luta para libertar o Chile. Era uma mulher que não sabia perdoar desacatos, preguiça e falta de interesse pela Pátria, para o que suava a sua natural sagacidade e habilidade.
Diz a tradição que a bandeira pátria teria sido bordada por ela, sendo presenteada e içada pela primeira vez a 4 de Júlio de 1812, na presença do cônsul estado-unidense Joel Roberts Poinsett, no aniversário da independência desse país.
A sua personalidade e conduta avivaram ódios e amores, recebeu como alcunha a "jaiba" (sapateira em luso português), nome vulgar que se dá a vários caranguejos do mar. A relação que manteve com Bernardo O'Higgins foi sempre crítica: denominava-o "el huacho Riquelme", referindo-se à sua condição de filho ilegítimo. Nunca pensou que tinha sido reconhecido pelo seu pai, o Vice-Rei do Peru, Ambrósio O´Higgins e pela sua mãe, após o matrimónio desta de forma aristocrática. Não dissimulou o rancor que sentia por José de San Martín, Toribio de Luzuriaga, Juan Martín de Pueyrredón, Tomás Godoy Cruz, pelos Larraín, e a Lógia Lautaro, considerava que todos eles eram os promotores da queda política, social e económica da sua família.
Em 1814, momento em que a Espanha reconquisto Chile, Javiera abandona o seu esposo e filhos para se auto-exiliar e seguir os passos dos seus três irmãos. Com eles, foi morar nas Províncias Unidas del Río de la Plata, viveu em Mendonça, para, mais tarde, se mudar para Buenos Aires. Foi recebida pelo Padre Bartolomé Tollo, antigo amigo da família. A sua vida em Buenos Aires foi-lhe difícil, surgem problemas de saúde e desastres financeiros. Iniciou uma relação sentimental com o capitão David Jewett.
Dirigiu a chamada “conspiración de 1817” contra O'Higgins, que lhe causou o fuzilamento dos seus irmãos Luís e Juan José em 1818, em Mendonça. José Miguel volta dos Estados Unidos, vê-se envolvido nas disputas internas dos caudilhos das Províncias Unidas del Río de la Plata, Javiera Carrera é desterrada para Luján e, depois, para São José de Flores, localidades nas imediações de Buenos Aires, até ser internada num convento da capital.
Libertada, em 1819, refugia-se num barco português ancorado no porto de Buenos Aires e parte para Montevideu. Recebe a notícia, em 1821 do fuzilamento de José Miguel, em Mendonça, por causa das montoneras por ele organizadas na Argentina. A sua saúde fica em perigo "se enflaqueció su cuerpo hasta parecer un esqueleto, amoratósele el rostro, rompiéronsele los labios, perdió el cabello...".6 Fonte:Encina, Francisco Antonio; Leopoldo Castedo. «La primera dictadura». Resumen de la Historia de Chile, III (13ª edición), Santiago de Chile: Zig-Zag. p. 527.
Nega-se a voltar para o Chile enquanto governasse Bernardo O'Higgins: considerava-o o principal culpado, gritando para quem quisesse ouvir, que não regressaria enquanto "ese asesino gobierne mi pátria". Em 1824, depois da abdicação do Director Supremo, Javiera Carrera, embarca em Valparaíso, depois de dez anos de ausência.
Assim fica esta pinga amores, libertária e amante da sua família. Quem foi emblema da liberdade do Chile, a patriota, o santo-e-senha da Pátria, Manteve-se em retiro até aos seus últimos dias na sua hacienda de El Monte, concentrando-se na vida doméstica e em obras de caridade5 . Repatriou o corpo dos seus irmãos em 1828 na presidência de Francisco António Pinto.
Fonte: Las mujeres en la Independencia de Chile.
Javiera Carrera Faleceu na sua hacienda de Santiago, a 20 de Agosto de 1862. Desde 1952, o seu corpo repousa
junto aos dos seus irmãos na Santiago.
Os Carrera foram patriotas ousados e firmes, lutaram pela liberdade do país, mesmo sendo os seus hábitos aristocratas são pessoas de que se fala imenso, são venerados como libertadores do Chile. Os tempos eram contraditórios.
Era uma República em formação, havia ideias monárquicas, patriotas e criollas. Apenas com o castigo da ditadura, é que a República passou a ser um país calmo, especialmente sob a Presidência de outra heroína, Michelle Bachelet. Quase duzentos anos depois da sua independência, devida aos heróis nomeados, especialmente essa inteligente e patriota cabeça de grupo, Javiera Carrera, ainda amada, conhecida e reconhecida pelo povo, que a venera.
O´Higgins, San Martín, Jaraquenada, Manuel Rodríguez, os Irmãos Carrera, Allende, Salvador e a sua mulher Tencha, Aylwin, Lagos e Bachelet, e as heroínas anónimas, libertaram o Chile em quatro períodos diferentes. Merecem o nosso respeito e saber das suas vidas como pessoas que facilitam a nossa serenidade, paz e liberdade, com o PIB mais alto da América Latina.
(Continuação)
Os soldados do exército chileno tinham as suas companheiras ou camaradas, que lutavam com eles, heroínas que ninguém se lembra quando se fala da história do Chile. Denominadas as cantineras ou camaradas, por estarem sempre a abastecer de água, vinho e erotismo o seu soldado, companheiro de armas e amante ou namorado. Se é Paula Jaraquemada todos se lembram dela por ser uma Dama de luta; mas, das proletárias, apenas o escritor historiador Jorge Inostroza, se lembra de as mencionar no seu famoso livro Adiós al Séptimo de Linha, em que narra a guerra do Pacífico, uma das duas que envolveu o Chile com o Peru e a Bolívia nos anos 30 e nos 70.
As duas ganhas pelos batalhões chilenos que levavam as suas cantineras com eles, que colaboraram com afinco nesse triunfo. Na data da tomada do Morro de Arica, na primeira guerra contra a confederação Peruana-Boliviana, ai estavam elas à sua espera para adoçar as suas vidas. Inostroza faz o texto, de sete volumes, mais leve, ao relatar que muitos jornaleiros, convertidos em soldados – entre a Independência e a guerra, pouco tempo houve para reorganizar as forças amadas e as cantineras eram consideradas parte do exército.
Havia maridos que levavam as suas mulheres por não quererem ser traídos na sua ausência, sempre prolongada. É preciso lembrar que as cantineras eram jornaleiras: da mesma maneira com que procuravam trabalho pelos sítios por onde as levava o vento, assim também era a guerra um resguardo para a sua fome, a sua solidão e o dinheiro que ganhavam, era enviado à família que tomava conta dos seus filhos, nascidos no casamento ou com um afuerino qualquer ou migrante parcial, sempre em procura de trabalho, denominados também em Portugal ratinhos, caramelos, galegos que vinham procurar o sustento, como migrantes parciais.
Sempre ficava uma lembrança, um filho qualquer nascido de uma mulher afuerina ou ratinha, dos momentos livres de trabalho. O entretenimento, quer no Chile, quer em Portugal, era o erotismo ou a satisfação da libido. A fonte destes acertos, além de romances como o meu muito querido livro de Eduardo Barrios, 1969: Gran Senhor y Rajadiablos, Nascimento; La Quintrala, de Magdalena Petit, 1939, Zig-Zag, e de Ciro Alegria, 1983: El mundo es ancho y ajeno, Alianza Editorial, e os impossíveis de comentar pela sua excelência narrativa, baseada em factos pesquisados como a Crónica de una muerte anunciada, de Gabriel García Márquez, Bruguera, 1982, e esses detalhados livros sobre a vida de uma heroína, que lutou com corpo e alma na conquista do Chile, de Isabel Allende 2006, Areté: Inés del alma mia (versão lusa Ai, Mama Inês, Difel, 2006).
Textos que narram o papel da mulher durante a guerra e essa procura da satisfação da libido, como comentam Freud em 1923, Além do princípio do Prazer, ou Le moi et le ça, Payot, livro acessível em http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classi
(Continua)
DIVULGAÇÃO
CULTURAL
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A Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste tem o prazer de lhe enviar o convite para o seguinte evento
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Convite Seminário «Bezoar e Unicórnio: entre Mito e História, Arte e Ciência» |
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4 Site | www.apescritores.pt | * info@apescritores.pt
( Tel | (+ 351) 21 39718 99
6 Fax | (+ 351) 21 397 23 41
+ Morada | Rua de S. Domingos à Lapa, 17
1200-832 Lisboa, Portugal
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24 de Janeiro de 2012, 18h30, Centro de Informação Urbana de Lisboa, Picoas Plaza, Rua do Viriato 13 |
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Resumo Trata-se de uma adaptação para o grande público da tese de doutoramento que, em 2007, Leopoldo Amado apresentou à Universidade de Lisboa.
Patrocínio:
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Convite
A direcção do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória – NAM convida os seus associados e amigos a participarem na sessão comemorativa do 50º aniversário da acção revolucionária da tomada do quartel de Beja, realizada em 1 de Janeiro de 1962.
A sessão, aberta ao público, terá lugar na Biblioteca Museu da República e da Resistência, na Rua Alberto de Sousa, nº 10 A - Zona B do Rêgo, no dia 14 de Janeiro de 2012, às 15h horas.
Serão oradores o historiador António Louçã, a historiadora Irene Pimentel e o coronel Carlos Matos Gomes e contamos com a presença de intervenientes naquela acção.
A direcção do NAM
B - Localização da BMRR onde se realizará a sessão
(Conclusão)
Reduzidos a espectadores
Habermas considera que os estados não têm direitos ", somente o povo têm direitos", e então dá o passo final e coloca os povos da Europa e os cidadãos da Europa na sua posição, a que lhes é própria - são estes os actores históricos reais a seus olhos, não os estados, não os governos. São os cidadãos que, segundo a forma actual como a política é conduzida, assim foram reduzidos a espectadores.
A sua visão é a seguinte: "Os cidadãos de cada país, que até agora tiveram de aceitar a forma como as responsabilidades têm sido transferidas para além das fronteiras soberanas, podem, como cidadãos europeus, impor a sua influência democrática e a esta sujeitar os governos que estão a agir dentro de uma zona constitucionalmente cinzenta ".
Este é o ponto principal de Habermas e é o que tem faltado a partir da visão da Europa: uma fórmula sobre o que está errado com a construção actual. Este não vê a União Europeia como uma comunidade de estados ou como uma federação, mas sim como algo de novo. É um conceito jurídico que os povos da Europa acordaram em conjunto com os cidadãos da Europa - nós com nós mesmos, por outras palavras - numa forma dual e omitindo cada governo respectivo. Isto, naturalmente, remove a base do poder de Merkel e de Sarkozy mas isso é o que é pretendido e é do que se está à procura e a todo o custo.
Então Habermas parece atingido, de novo, pelo cansaço. Ele tem que sentar-se novamente, e um professor traz-lhe um pouco de sumo de laranja. Habermas tira o lenço. Depois, levanta-se e continua a falar sobre como salvar o "biótopo da velha Europa."
Há uma alternativa, diz-nos, há uma outra via, bem para além da via que é rastejar no poder como o que agora estamos a assistir. Os meios de comunicação "devem" ajudar os cidadãos a compreender a enorme dimensão a que a União Europeia influencia as suas vidas. Os políticos "poderiam" certamente entender a enorme pressão que cairia sobre eles, se a Europa falha. A União Europeia "deve" ser democratizada.
A sua apresentação é como a do seu livro. Não é uma acusação, ainda que certamente tenha um certo tom agressivo, é uma análise do fracasso da política europeia. Habermas não oferece nenhuma saída, nenhuma resposta concreta à questão de qual o caminho que a democracia e o capitalismo devem tomar.
Um Futuro Vago e um Aviso do Passado
Tudo o que ele oferece é o tipo de visão que um teórico constitucional é capaz de formular: A "comunidade global" terá que resolver o problema. No meio da crise, ainda vê "o exemplo do elaborado conceito da União Europeia de uma cooperação constitucional entre os cidadãos e os estados ", como a melhor maneira de construir a "comunidade global de cidadãos."
Habermas é, afinal, um optimista pragmático. Ele não nos diz que medidas se irá tomar para saír de uma muito má situação para uma melhor e mais desejável situação.
O que ele não tem, em última análise é uma narrativa convincente. Isto também liga Habermas, uma vez mais, ao movimento Occupy. Mas sem uma narrativa não existe o conceito de mudança.
Ele recebe uma ovação de pé no final da sua conferência.
"Se o projecto europeu falhar", diz ele, "então há a questão de quanto tempo vai ser necessário demorar para chegar ao status quo novamente Lembremo-nos da revolução alemã de 1848: Quando falhou, levamos 100 anos para recuperar o mesmo nível de democracia como antes."
Um futuro vago e um aviso do passado - é o que Habermas nos oferece. O presente é, pelo menos nos tempos que correm, inacessível.
Georg Diez, Habermas, the Last European-A Philosopher's Mission to Save the EU, Der Spiegel, 25 de Novembro de 2011.
Traduzido do alemão por Paul Cohen, Traduzido do inglês por Júlio Marques Mota
(Continuação)
Parte 2: Uma Visão da Europa na Encruzilhada
Isto também explica porque é que ele se sentiu feliz face a este público nesta noite em meados de Novembro,em Paris. Habermas é um homem bastante alto, magro. Assim que ele entrou no palco, o seu andar um pouco relaxado deu-lhe um ar ligeiramente desportivo. Com as pernas esticadas debaixo da mesa, ele parecia estarem casa. Seele está numa secretária ou não, esta é a sua profissão: comunicação e troca de ideias em público.
Habermas esteve sempre onde se tratava da questão de colocar a Alemanha de volta ao seu verdadeiro caminho, por outras palavras, em colocá-la no seu caminho - em relação ao Ocidente; no caminho da razão- durante o debate violento entre os historiadores alemães em 1986, que incidiu sobre a abordagem do país ao seu passado, à Segunda Guerra Mundial; seguindo a reunificação alemã, em 1990, e durante a Guerra do Iraque. É a mesma história, hoje, quando está aqui, numa secretária, numa sala fechada na cave do Instituto Goethe, e fala para uma audiência de 200 a 250 pessoas que ali estão, cidadãos bem informados. Ele diz que, ele, o teórico da esfera pública, não tem nenhuma ideia sobre o Facebook e o Twitter - uma declaração que, naturalmente, parece um pouco desadequada, para não dizer que parece mesmo até um absurdo. Habermas acredita no poder das palavras e na racionalidade do discurso. Esta é a filosofia solta.
Enquanto os activistas do movimento Ocupar recusam formular nem que seja uma só exigência, Habermas enuncia precisamente porque é que ele vê a Europa como um projecto de civilização a que não deve ser permitido falhar, e porque é que a "comunidade global" não é apenas viável, mas também necessária para conciliar a democracia com o capitalismo. Caso contrário, como ele mesmo diz, corremos o risco de ter uma espécie de estado permanente de emergência – pois se falharmos são os países que vão simplesmente ser conduzido pelos mercados. A Itália apressa-se a instalar Monti foi um dos títulos maiores na semana passada do Financial Times Europa.
Por outro lado, eles não são tão distantes, afinal, os revolucionários live-stream, dos Occupy e dos filósofos escritores. É basicamente uma divisão de trabalho – entre o analógico e o digital, entre o debate e a acção. É um campo de jogo onde todos têm o seu lugar, e nem sempre é claro quem são os bons e os maus rapazes. Estamos actualmente num momento em que assistimos aos factos de as regras estarem a ser reescritas e os papeis estarem a ser definidos.
A desmontagem da Democracia
"Algum tempo depois de 2008", diz Habermas enquanto bebe um copo de vinho branco após o debate, "Eu compreendi que o processo de expansão, integração e democratização não significa automaticamente avançar por sua própria conta, que tudo pode ser reversível, que pela primeira vez na história da União Europeia, estamos actualmente a passar por um desmantelamento da democracia. Nunca pensei que isto fosse possível. Chegámos pois a uma encruzilhada. "
Isto também deve ser dito: Sendo o filósofo mais importante da Alemanha, ele é um homem espantosamente paciente. Ele ficou claramente contente quando conseguiu, finalmente, encontrar um jornalista a quem ele pode dizer o quanto ele detesta a forma como certos media procuram captar as boas graças de Merkel - como ele detesta esta ligação oportunista com o poder. Mas então de modo delicado elogia os media por terem finalmente, acordado no ano passado e tratarem a Europa de uma forma que demonstra claramente a extensão do problema.
"A elite política não têm realmente nenhum interesse em explicar ao povo que as decisões importantes são feitas, em Estrasburgo, pois eles apenas têm medo de perder o seu próprio poder", diz ele, antes de ser abordado por uma mulher que não estava inteiramente na posse das suas faculdades. Mas isto é assim em tais eventos - é assim que as coisas vão com um discurso sem coerção. "Eu não compreendo totalmente as consequências normativas da questão", diz Habermas. A resposta manteve a mulher a meio caminho.
Ele é, acima de tudo, um senhor de uma certa idade e quando se tem um eloquente controlo da linguagem ainda significa alguma coisa desde o tempo em que os homens carregavam lenços de pano. Ele é um filho da guerra e perseverante, mesmo quando parece que ele parece estar prestes a cambalear . Isto é importante para entender porque é que ele leva o tema da Europa tão a peito, pessoalmente. Tem a ver com o mau passado da Alemanha e com o bom futuro da Europa amanhã, com a transformação do passado para o futuro, com um continente que já foi dilacerado pela culpa - e agora está despedaçado pela dívida.
Sem Reclamação
No passado, havia inimigos; hoje, existem mercados - é assim que a situação histórica poderia ser descrita é assim que Habermas a vê diante de si. Ele está em pé num auditório superlotado e superaquecido da Universidade Paris Descartes, dois dias antes da noite passada no Instituto Goethe, e ele está a falar para os alunos que parecem mais interessados em estabelecer o capitalismo em Bruxelas ou em Pequim do que passar a noite numa tenda do movimento Occupy.
Depois de Habermas ter entrado no hall, ele imediatamente reorganiza o assento na sua mesa e os cartões com os nomes sobre as mesas. De seguida, o microfone não funciona, o que, na prática, parece ter sido um elemento de acção comunicativa. Em seguida, um professor faz uma apresentação, uma introdução, aparentemente faz parte do ritual académico em França.
Habermas aceita tudo isso sem reclamar. Ele avança para a tribuna e explica os erros que foram feitos na construção da União Europeia. Fala de uma falta de união política e do "capitalismo incorporado", "embedded capitalismo", um termo que Habermas utiliza para descrever uma economia de mercado controlada pela política. Ele faz de Bruxelas uma entidade amorfa tangível nas suas contradições, e sublinha o facto de que as decisões do Conselho Europeu, que impregnam toda a nossa vida quotidiana, não têm na verdade uma base legal, legítima. Ele também fala, porém, sobre a oportunidade que está no Tratado de Lisboa de criar uma união que é mais democrática e politicamente mais eficaz. Isso também pode emergir a partir da crise, diz Habermas. Ele é, afinal, um optimista.
Então ele é atingido pela primeira onda de fadiga e tem necessidade de se sentar. O ar está abafado e, por instantes, tudo parece que ele não será capaz de continuar com a sua apresentação. Depois de um copo de água, Habermas levanta-se novamente.
Ele protesta contra "o derrotismo político" e começa a descrever o processo de construção de uma visão positiva para a Europa saída a partir dos escombros de sua análise. Habermas esboça o Estado-nação como um lugar em que os direitos dos cidadãos são mais bem protegidos, e como essa noção poderia ser desenvolvida e aplicada a nível europeu.
(Continua)
(Conclusão)
IV. Avaliação e a erosão americana do contrato social
O que podemos dizer a partir desta experiência? Pode estabelecer-se, na sua essência, três conclusões.
Primeira, o processo de "globalização", com as suas vantagens e desvantagens, parece difícil de travar ou mesmo de mudar. (Na ausência, como é claro, de repetição de algumas das guerras e depressões económicas que levaram a um certo descarrilamento da economia global no século XIX.). As indústrias têxteis e de vestuário foram as mais protegidas da indústria transformadora americana, ainda estão cobertas por algumas das nossas tarifas mais elevadas, e também obtiveram cerca de 30 anos de protecção expressas por contingentes entre 1974 e 2004. Nada disto, obviamente, fez muita diferença. Como a tecnologia e a logística melhoraram, e como os países da Ásia cresceram e se tornaram mais competitivos, o valor da protecção do emprego pretendido com as tarifas e os contingentes perdeu-se, não teve eficácia. A Pillowtex, é claro, fechou as suas portas antes do sistema de quotas ter sido eliminado.
Estas tendências não são susceptíveis de se alterarem, embora a África possa vir eventualmente a substituir a Ásia como um concorrente em trabalho intensivo. Para além da indústria transformadora, nas indústrias de serviços onde o comércio internacional e a concorrência começam a emergir a partir das novas tecnologias de comunicação, em vez da liberalização das políticas comerciais, a ‘resistência’ parece ainda menos viável.
Em segundo lugar, os Estados Unidos parecem ser capazes de oferecer emprego e elevados níveis de vida com a economia mundial e a economia americanaem mudança. A experiência da Carolina do Norte, tal como o Governador Easley sugere, mostra que é perfeitamente possível um Estado, sair da dependência de um único conjunto de indústrias e ser capaz de adoptar um outro novo conjunto.
Em ambos os casos, devemos estar disponíveis para esquecer as nossas lamentações em relação a um passado que está a desaparecer. Pessoalmente, penso que os motivos que levaram o Presidente Roosevelt a iniciar o projecto de liberalização comercial na década de 30 — um esforço feito pelas grandes economias para suscitar o crescimento através das exportações e, por essa via, aumentar os níveis de vida das populações, com a criação de incentivos à concorrência internacional; uma esperança na redução das possibilidades de guerra e de crise económica — eram válidos então e permanecem válidos agora. A teoria económica tem reconhecido desde há muitas décadas que a abordagem alternativa — a utilização de barreiras alfandegárias elevadas para garantir a produção local — não gera mais emprego e significa um custo económico nacional. A experiência prática, sobretudo no sector têxtil, parece mostrar que mesmo elevadas barreiras comerciais são agora ineficazes. E lamentar os avanços tecnológicos e as melhorias logísticas é completamente desprovido de sentido.
Mas, em terceiro lugar, mudança e globalização trazem consigo inquietação na população e aquela, por vezes, torna-se muito poderosa. Nem as políticas governamentais nem as ideias tradicionais em relação aos sindicatos foram capazes de as aliviar de modo significativo.
Ao longo do último meio século, os Estados Unidos tiveram, designadamente, um sistema de protecção social bastante diferente dos da Europa. As empresas são as principais fornecedoras de seguro de saúde e pensões, enquanto o governo intervém principalmente para preencher as lacunas no sistema com programas especiais (Medicare e Medicaid, juntamente com a Segurança Social), para os muito pobres e para os idosos. Este sistema funcionou, enquanto as empresas puderam dar-se ao luxo de fornecer emprego permanente e com altos benefícios sem incorrerem em despesas incomportáveis, e tanto quanto os trabalhadores esperavam passar a maior parte da sua carreira numa única empresa. Em tal ambiente, um trabalhador de classe média poderia idealizar um rendimento relativamente estável e ter a capacidade de planear as suas poupanças para a reforma e para a educação dos seus filhos quando crescessem.
O sistema sempre teve uma grande fraqueza: em contraste com a Europa, a falta de um sistema de seguro ou sistema nacional de saúde significa que a perda de emprego não é apenas uma experiência traumática em si mesma, mas vem acompanhada com extraordinários riscos financeiros. A ansiedade que tudo isto produz tem sido ampliada nos últimos anos pelo facto de as empresas estarem a não querer assumir as suas funções sociais. Isto reflecte uma intensa concorrência do exterior, não só nas fábricas, mas também nalgumas empresas de serviços; e uma mudança de estrutura de carreiras, em que os trabalhadores já estão agora mais propensos a aceitar que na sua vida activa haverá deslocações entre empresas, em vez de esperarem por uma longa carreira numa só e única empresa.
Assim, o nosso actual contrato social tornou-se seriamente ultrapassado. A experiência de Kannapolis, embora única em certos aspectos, mostra que as pessoas têm muito boas razões para terem medo de perderem os seus empregos e medo dos seus efeitos — mesmo se o Estado e as comunidades são razoavelmente bem sucedidas na gestão das situações de transição. Observadores do debate político americano podem facilmente ver o consequentemente medo reflectir-se publicamente no alarme republicano sobre a imigração e na ansiedade de muitos democratas quanto à concorrência internacional.
A minha esperança é que isso vá levar a uma reavaliação das políticas internas, de modo a proporcionar um novo contrato social capaz de colmatar as lacunas rapidamente abertas pelo anterior. Tomando a lei Trade Adjustment Assistance de 2002 como a sua base, o Congresso precisa também de garantir um seguro de saúde a todos os trabalhadores, pelo menos durante os períodos que se seguem à perda emprego; e adicionalmente garantir a portabilidade das pensões e alguns programas de segurança social de apoio ao pagamento de propinas na faculdade e ao pagamento do empréstimo de habitação quando as casas estão sob hipoteca.
Os sindicatos também podem ser capazes de pensar em novas opções. O seu papel tradicional, negociando com grandes empregadores, em nome de um pool de empregos de longo prazo, tem evidentemente sido menos relevante do que era há algumas décadas, pois agora os trabalhadores deslocam-se com mais frequência entre as empresas, e as suas grandes necessidades geradoras de insatisfação são a inexistência de seguro de saúde e de pensões portáveis, conseguir um novo posto de trabalho e a procura de melhores formas de assegurar que as transições na sua carreira profissional não ponham em risco a capacidade da família em cumprir os pagamentos hipotecários e pagar as propinas. Um novo papel na ‘protecção da carreira’, em que os sindicatos iriam servir como garantes dos cuidados de saúde e da cobertura de pensões para os trabalhadores em situação de transição, e/ou oferecer serviços de colocação de empregos e formação profissional, pode ser muito benéfico para o trabalhador de hoje, móvel mas ansioso, neste início do século XXI. Está provado que, de facto, os países escandinavos, cujas economias estão muito abertas ao comércio internacional, são eles que têm os sindicatos mais saudáveis em todo o mundo.
CONCLUSÃO
Estas são obviamente questões para a nossa campanha presidencial e para o Congresso, e vamos assistir com interesse (e espero poder contribuir) como é que o debate sobre elas vai avançar. Gostaria de concluir, dizendo apenas que os organizadores do nosso colóquio optaram por uma história muito importante como foco da nossa discussão. Estou muito satisfeito por estar junto com todos vós para vos apresentar algumas perspectivas, na óptica americana, sobre as lições que esta história oferece, bem como em aprender com todos os participantes as abordagens europeias, os seus sucessos e as suas áreas de insatisfação. Mais uma vez, agradeço à Universidade e à Comissão Organizadora do Colóquio o convite que me foi feito para nele participar, e aguardo com expectativa os vossos comentários, reflexões e interrogações.
A HISTÓRIA DE OLIVENÇA
A origem de Olivença está ligada à reconquista cristã da região fronteira a Elvas pelos Templários idos do Reino de Portugal, cerca do ano de 1230. Nesse território a Ordem criou a comenda de Oliventia, erigindo um templo a Santa Maria e levantando um castelo. No final do século, pelo Tratado de Alcanices, assinado em 1297 entre o Rei D. Dinis e Fernando IV de Castela, Olivença seria formalmente incorporada em Portugal, pera sempre, juntamente com Campo Maior, Ouguela e os territórios de Riba-Côa, em escambo com Aroche e Aracena.
De imediato, D. Dinis elevou a antiga povoação à categoria de vila, outorgando-lhe foral em 1298, determinou a reconstrução da fortificação templária e impulsionou o seu povoamento.
Os seus sucessores reforçaram sucessivamente a posição estratégica de Olivença, concedendo privilégios e regalias aos moradores e realizando importantes obras defensivas. Em 1488 D. João II levantou a impressionante torre de menagem de 40 m de altura.
Em 1509 D. Manuel iniciou a construção de uma soberba ponte fortificada sobre o Guadiana, a Ponte da Ajuda, com 19 arcos e tabuleiro de 450 metros de extensão. Do reinado de D. Manuel, que deu foral novo em 1510, datam também outras notáveis construções como a Igreja da Madalena (por muitos considerada como o expoente, depois do Mosteiro dos Jerónimos, do manuelino), a Santa Casa da Misericórdia ou o portal das Casas Consistoriais.
Seguindo-se ao esplendor do século XVI português, dá-se a união dinástica filipina, entre 1580 e 1640. A pertença de Olivença a Portugal não é questionada. No dia 4 de Dezembro de 1640, chegada a notícia da Restauração em Lisboa, a praça aclama com júbilo D. João IV e é envolvida totalmente na guerra que se segue (1640/1668), período em que se inicia o levantamento das suas fortificações abaluartadas, cuja construção se dilataria durante a centúria seguinte. No decurso do conflito, Olivença foi ocupada em 1657 pelo Duque de San Germán e, na circunstância, a totalidade da população abandonou a vila e refugiou-se junto de Elvas, só regressando a suas casas quando foi assinada a paz (1668) e as tropas castelhanas abandonaram a praça e o concelho.
O século XVIII inicia-se com um novo conflito bélico - a Guerra de Sucessão de Espanha -, em cujo transcurso foi destruída a Ponte da Ajuda (1709). A posição de Olivença tornou-se assim especialmente vulnerável.
Em 20 de Janeiro de 1801, Espanha, cínica e manhosamente concertada com a França Napoleónica, sem qualquer pretexto ou motivo válido, declara guerra a Portugal e, em 20 de Maio, invade o nosso território, ocupando grande parte do Alto-Alentejo, na torpe e aleivosa «Guerra das Laranjas». Comandadas pelo «Generalíssimo» Manuel Godoy, favorito da rainha, as tropas espanholas cercam e tomam Olivença.
Portugal, vencido às exigências de Napoleão e de Carlos IV, entregou a Espanha, «em qualidade de conquista», a «Praça de Olivença, seu território e povos desde o Guadiana», assinando em 6 de Junho o «Tratado de Badajoz», iníqua conclusão de um latrocínio. «Cedeu-se» Olivença, terra entranhadamente portuguesa que participara na formação e consolidação do Reino, no florescimento da cultura nacional, nas glórias e misérias dos Descobrimentos, na tragédia de Alcácer-Quibir, na Restauração!...
Findas as Guerras Napoleónicas, reuniu-se, com a participação de Portugal e Espanha, o Congresso de Viena, concluído em 9 de Junho de 1815 com a assinatura da Acta Final pelos plenipotenciários, entre eles Metternich, Talleyrand e D. Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela.
O Congresso retirou, formalmente, qualquer força jurídica a anteriores tratados que contradissessem a «Nova Carta Europeia». Foi o caso do «Tratado de Badajoz». E consagrou, solenemente, a ilegitimidade da retenção de Olivença por Espanha, reconhecendo os direitos de Portugal. Na Acta Final, apoio jurídico da nova ordem europeia, prescrevia o seu art.º 105.º:
«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d’Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l’Europe a été le but constant de leurs arrangements, s’engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée ; et les puissances reconnaissent, autant qu’il dépend de chacune d’elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».
Espanha assinou o tratado, em 7 de Maio de 1807 e assim reconheceu os direitos de Portugal. Volvidos 185 anos, o Estado vizinho não deu, porém, provas do carácter honrado, altivo e nobre que diz ser seu, jamais nos devolvendo Olivença.
Mas em terras oliventinas, sofridos dois séculos de brutal, persistente e insidiosa repressão castelhanizante (hoje, falar-se-ia de genocídio e crimes contra a Humanidade...), tudo o que estrutura e molda uma comunidade, a sua História, cultura, tradições, língua, permaneceu e permanece pleno de portugalidade!
Separados do povo a que pertencem, da sua cultura, da sua língua, alienados da Pátria que é a sua, em austeros e silenciosos duzentos anos, os oliventinos preservam o espírito português e demonstram, pelo sentir da maior parte, não renunciar às suas raízes.
(transcrito do sítio do Grupo dos Amigos de Olivença)
PERÍODO SOARISTA
Filho de um padre e professor, João Soares, que chegou a ministro da I República e de Elisa Nobre, que se rendeu aos encantos laicos do clérigo, Mário Soares chegou a ministro, primeiro-ministro, presidente da República, eurodeputado. Também foi comunista fugaz, militante do MUD Juvenil/1945. Depressa se apercebeu de que não era homem para grandes ideais. Mais ganharia em ser homem com algumas ideias. Muito ganharia mesmo em ter uma grande ideia: instaurar um novo culto mariano, rivalizando com a devoção a Maria, festejada desde o séc. XII e padroeira de Portugal desde 1646. Ambição que só realizaria tornando-se trunfo de reserva da burguesia nacional e das potências ocidentais. Foi construindo, consequentemente, um palmarés de anti-fascista sóbrio e socialista gold.
O antigo regime depressa descodificou o seuestofo de opositor. Aplicou-lhe certas medidas de clausura e desterro, mas evitou penas de eterna segurança ou torturas que lhe desfizessem o nó da gravata. Descontado um apertão do tempo em que foi avaliado como hipotético revolucionário, a inteligência fascista e os seus algozes cedo se aperceberam de que o licenciado Soares não protagonizaria uma evasão temerária dos curros, não organizaria um levantamento de rancho nos quartéis, uma greve do salário mínimo no Barreiro ou da fome máxima no Alentejo, sequer um dia de pesado luto estudantil ou uma manifestação do 1.º de Maio. Os repressores tinham igualmente em linha de desconto que o licenciado fazia parte do elenco alternativo, conservado em banho-maria pelos Aliados do Atlântico Norte.
Havia mútua contenção. O regime até aliviou a secura protocolar. A relação tornou-se gradualmente cavalheiresca. A determinada altura, o licenciado passou a Senhor Doutor. Soares retribuiu. Da fixação de residência em São Tomé (1968-1969), trouxe o conforto do pide simpático. Pides de boas-maneiras nunca foram destacados para custodiar as vítimas dos espancamentos por turnos, do isolamento prolongado, em Peniche, Caxias, no Heroísmo ou nos Campos de Concentração do Tarrafal, Machava ou São Nicolau. Um agente de estimação não tem preço. Soares não poderia mostrar-se senão grato durante toda a vida. Em 1981, no Tribunal de Santa Clara, no decurso do julgamento dos assassinos de Humberto Delgado, cavaqueou efusivamente com Agostinho Tienza e Pereira de Carvalho, ex-dirigentes da PIDE/DGS, ante uma sala atónita, incluindo o colectivo de magistrados. Recorde-se que Soares foi advogado da família dogeneral sem medo. Recorde-se que Pereira de Carvalho foi o dirigente policial que recebeu MS, em 1970, na sede de António Maria Cardoso, dando-lhe oito horas para regressar a Paris, evitando, com esta abertura marcelista, detê-lo. Recorde-se que, na sequência da Revolução do Cravos, tempo de exaltação dos mártires do fascismo, devotos marianos plantaram a figura de Sua Excelência no parlatório da Prisão de Peniche, evocando a passagem do resistente pela masmorra.
Sucede que o filho do padre João não afrontou o fascismo ao ponto de merecer tão severa hospedagem. É natural que, consumado o projecto de instalação de uma Pousada de Portugal no corpo da fortaleza, o Pai da Democracia se abalance a reservar uma suite presidencial. Peniche era para casos particularmente sérios. E a respeito da comedida oposição muito se poderia rever. Recorde-se, a fechar o florilégio, que MS manteve contactos com o Governo de Marcelo, tentando uma abertura para a sua pessoa e os seus cortesãos nas costas do conjunto da Oposição Democrática. Recorde-se que, em 1969, depois de haver subscrito uma plataforma de unidade contra o regime, rompeu o acordo e avançou com candidaturas independentes às Legislativas desse ano. Recorde-se o direito à indignação de Armando Bacelar: Não lhe tremeu a mão, sr. dr.!
Após a Revolução de Abril, Mário Nobre Soares depressa deu sinais de descolagem da frente de esquerda. Cinco dias passados sobre o Dia da Liberdade,protagonizou o incidente do 1.º de Maio, abrindo caminho ao empurrão para apanhar um banho de classe trabalhadora. A agenda divisionista prosseguiria, desde os complots político-militares à sabotagem da Unidade Sindical, até à sabotagem e liquidação da Reforma Agrária. Esta contou com a deserção do Conselho de Ministros por parte dos socialistas, aproveitando o PPD para tomar o lugar de esquerda do PS, aprovando a alteração do regime de propriedade e exploração do latifúndio. Dentro do seu partido, além de se auto-suspender, num gesto de desafronta majestática, cortou com os maiores amigos, desde Manuel Serra a Salgado Zenha, de Rui Mateus a Manuel Alegre, nunca havendo perdoado a quem obstaculizasse o seu caminho. Foi transformando amigos em inimigos e inimigos em amigos. Foi cultivando cumplicidades de alto estrondo.
Lembre-se a caução do terrorismo de Spínola, o indulto a Ramiro Moreira, operacional do terrorismo, a condecoração do cónego Melo, mentor do terrorismo. Lembre-se que, em 1972, no livro Le Portugal bailloné /Portugal Amordaçado, acusou a Igreja de concubinato com regime de Salazar e, em 1975, solicitou ao patriarca de Lisboa, António Ribeiro, que mobilizasse as paróquias para a manifestação da Fonte Luminosa. Acordo religiosamente respeitado. Lembre-se também o seu apoio ao candidato Soares Carneiro, personagem da direita casernícola, contra Ramalho Eanes. Assinale-se o perfil de Estado nas referências a Cavaco Silva, Você não tem biografia,a Francisco Balsemão, um mestre-escola desastrado, a Nicole Fontaine, dona de casa. São também conhecidos outros episódios: verberou um juiz de Coimbra por não acomodar as leis num caso que lhe dizia respeito; o jornalista Lopes Araújo/RTP foi exilado para os Açores por mandar para o ar uma reportagem de protesto popular; deu um raspanete, estilo enxota-cão, defronte da Comunicação Social, a um agente da GNR, da sua escolta: Ó sr. Guarda, desapareça!; recebeu representantes de 270 associações de emigrantes/França/RFA, descalçando os sapatos e pondo os pés em cima da Mesa de Diálogo. Foi assim Mário. É assim Soares.
Para manter a corte, no activo partidário, governamental e presidencial, distribuiu cargos, favores, comendas e viagens; na fase de Senador da República, criou a Fundação Mário Soares, ligada por um cordão umbilical à fazenda pública, por onde já correram milhões de euros. Ideologicamente, não só proclamou, para que as centrais do capitalismo ouvissem, que meteu o socialismo na gaveta, como, na prática, a marca de água doseu exercício de poder se timbrou por cumplicidades, compromissos e alianças à Direita (1978/CDS/1983/PPD/PSD). O que nunca o impediu de dar larga a estribilhos esquerdizantes, adulando a rua, a arraia, nas horas de incerteza e de namoros multitudinários. A nível internacional, o homo nafarrensis mereceu o cognome de homem dos americanos. Só se lhe conhecem duas entidades a que jurou respeito e obediência: a ele próprio e aos USA. De resto, os USA, sempre que uma ditadura esgota o prazo de validade, por regra, têm preparado um soares para a transição de rédea curta. Basta rever o mapa da geopolítica. Ainda no que toca a alinhamentos internacionais, é de listar que, entre os seus favoritos e as suas amizades, se encontram personagens de referência: espiões-golpistas, genocidas-saqueadores, patrocinadores de esquadrões da morte, traidores de revoluções, usurpadores do Estado, corruptos foragidos à Justiça, como Frank Carlucci, Filipe González, Jonas Savimbi, Eden Pastora, Nicolau Ceaucescu, Andrés Pérez, Betino Craxi.
Na esfera económico-social, norteou-se pela recuperação capitalista, destruindo a Reforma Agrária, iniciando o processo de devolução de empresas (Mundet/Facar), dando o tiro de partida das privatizações e desnacionalizações e do proteccionismo de grupos, fazendo emergir, em contraponto, os salários em atraso, o apertar o cinto, a mãozinha do FMI/ lay off. Um empresário ultraconservador, Salvador Caetano, vendo-se na emergência de justificar o apoio a MS/Mário Soares contra FA/Freitas do Amaral, candidato natural da Direita, fez jurisprudência do deve-haver: Devo-lhe uns favores. Na mesma linha, o seu Governo financiou a catedral do megalómano e ultraconservador D. Rafael, bispo de Bragança. Foi neste quadro capitulacionista, classista e negocista que Soares fechou para balanço o seu 25 de Abril, mandou às favas as conquistas irreversíveis das classes trabalhadoras , engavetou o socialismo e anunciou a laicos e republicanos as aparições marianas da Europa connosco, o milagre das rosas com código de barras. Projecto que o poder real (económico-financeiro) formatou e que o poder formal (político-mediático) vendeu a eleitores, contribuintes e consumidores. Fraude, entretanto, às escâncaras: o poder económico-financeiro entrou no período de pilhagem abrupta de estados, empresas, salários e pensões e o poder político-mediático aí está para aplicar e revender o plano como medidas de austeridade para conter o défice. Défice provocado pelo poder económico-financeiro. Soares via, aplaudia e decidia em nome da esquerda democrática, em prol da Europa connosco e da Sua Glória.
Encerra-se o percurso com uma citação que poderá servir de lápide em qualquer cemitério ideológico. É óbvio que MS é credor de muitos preitos: é indubitavelmente digno de uma arca no Panteão de Santa Engrácia, de uma estatueta votiva num aparador da Casa Branca e de uma réplica de Pai da Democracia no Museu da República de Nafarros.
A seguir - período sacarneirista
PERÍODO SPINOLISTA
Filho de António Sebastião Spínola, chefe de gabinete de Salazar e de Maria Gabriela Alves, doméstica, genro de um comandante-geral da GNR, António Spínola seguiu a carreira castrense. Germanófilo, integrou, como observador, a Divisão Azul, corpo de tropas nazis que participou na invasão da URSS/cerco de Leninegrado, 1941. Como oficial da GNR, intercambiou modelos e experiências de actuação com a Guardia Civil franquista. Foi comandante na Guerra Colonial em Angola (1961-1963), governador e comandante-chefe na Guiné-Bissau (1968-1973). Apercebeu-se de que o problema africano não tinha solução militar. Procurou substituir Américo Tomás, presidente da República, movendo os cordelinhos de uma operação sem dor. Tentou a mudança mínima, sempre no quadro do regime. Montou, para o efeito, uma máquina de pressão-persuasão, utilizando canais político-militares e de comunicação social. Escreveu um livro de advertência, Portugal e o Futuro, 1974. Mas o núcleo mais impermeável do regime não acolheu as recomendações da via spinolista da evolução na continuidade. Foi destituído de vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
Com a Revolução dos Capitães, Spínola reentra, como actor principal, no palco do novo poder, a fim de o regular e controlar. O presidente do Conselho, Marcelo Caetano, refugiado no Quartel do Carmo, solicita a sua presença para o ritual de rendição. É-lhe confiada a presidência da Junta de Salvação Nacional. É nomeado presidente da República pela JSN. O general com guarda-roupa de generalíssimo procura liderar o processo, contendo a mudança nos limites de um golpe palaciano. Impõe igualmente reservas ao programa do MFA, censurando, entre outras expressões, os termos democracia efascismo. E postula que, em vez de democracia política, se escreva acção do governo. Faz força para poupar a PIDE/DGS, contraria a independência das colónias, defendendo a totalidade intercontinental, empresta a sua capa a grupos económicos beneficiários e servidores da ditadura. Logo no dia 29 de Abril, recebe, na Cova da Moura, José Manuel de Mello, Ricardo Espírito Santo e Miguel Quina, um triunvirato de capitães da indústria e da finança. Com a sociedade civil em dinâmica emancipadora, o cabo-de-guerra sente o tapete a fugir debaixo das botas e conspira. Sob a sua égide, é desencadeada a intentona da maioria silenciosa de 28 de Setembro de 1974.
Frustrado o levantamento, abandona o cargo de presidente da República, dois dias depois. Prossegue o reviralho na acção armada de 11 de Março de 1975. Falhado o putsch de Março, escapuliu-se para Espanha. Estende o mapa da conspiração, buscando suportes no Brasil, na Suíça, na Alemanha. É banido das Forças Armadas. Patrocina a criação do ELP/Exército de Libertação de Portugal, organização de cariz terrorista, chefiada por Barbieri Cardoso, subdirector da ex-PIDE/DGS. Tutela, de seguida, o MDLP/Movimento Democrático de Libertação de Portugal, com o mesmo programa. Ambas as organizações se treinam e acoitam na Espanha de Franco. Contam com cumplicidades militares, partidárias, empresariais, clericais. Mário Soares legendou a maquinação incendiária e sangrenta da extrema-direita como indignação genuína. Segundo revelação de Guenter Wallraff (Imprensa, Março de 2010), jornalista que o entrevistou, fazendo-se passar por traficante de armas, AS tencionava eliminar fisicamente os adversários. O saldo de terror aponta para mais de uma centena de atentados a instalações da Esquerda partidária, sindical, social, cultural, a residências e viaturas, bem como à embaixada de Cuba. Registaram-se quatro vítimas mortais (sindicalistas e funcionários diplomáticos).
Após o golpe de 25 de Novembro de 1975, AS é reintegrado nas Forças Armadas; dignificado como chanceler das Antigas Ordens Militares, condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, elevado à dignidade de Marechal. Mais recentemente, a pretexto do centenário do nascimento, que coincide com o da República, a Câmara de Lisboa, presidida pelo socialista António Costa engalanou uma avenida com o seu nome. À cerimónia presidiu Cavaco Silva, que considerou a homenagem um acto de grande justiça , ele que, enquanto primeiro-ministro, não considerou um acto de simples justiça atribuir uma pensão à viúva de Salgueiro Maia.
Política de reabilitação de inimigos e infiltrados da Revolução e de ostracização de capitães e companheiros de Abril, na senda de Mário Soares, que também dá pela alcunha de socialista, ele, compagnon do general de pingalim, a quem forneceu retórica e cobertura nas conspirações e nas reparações. Assim se reintegra mais um Grande Português na normalidade democrática. Ele que só falou em abertura política na fase terminal da ditadura. Ele que só levantou a voz para que ouvissem a sua voz. Ele que nunca se incomodou com a maior silenciosasubjugada pelo fascismo. Ele que só descobriu o Bom Povo Português depois da revolução de Abril haver despertado o Mau Povo Português. Bom seria se porventura despertasse para defender as forças acobertadas atrás do general que olhava o povo de monóculo, que mirava o povo de binóculo, que observava o povo de telescópio.
Era la época aún existía en Chile la pena de muerte, y el Tucho Caldera fue condenado a ella. Corría el año 1951 cuando por fin lo llevaron al paredón de fusilamiento. De manera desafiante, y con el carácter que le había acompañado toda la vida, gritó la siguiente bravata: "¡Aquí verán morir a un valiente!". Sin embargo, al poco, los esfínteres del valiente se relajaron, y el último acto en vida del Tucho Caldera, el psicópata mata animales y descuartiza personas, fue cagarse en sus pantalones.[1]
Los tiempos eran otros, había mucha pobreza y miseria en Chile. Era el tiempo de los gobiernos radicales, referidos al comienzo del texto, los que habían introducido la palabra socialismo en Chile, los que abrieran el camino para fundar el Partido Socialista y el comunista. Al primero, concurrió como fundador Salvador Allende, Presidente de Chile, quién moriría más tarde acorralado por la burguesía chilena, que azuzó un levantamiento de las Fuerzas Armadas del país, en la peor dictadura que existió en Chile, a seguir a la de Hitler quién quería gobernar el mundo. Allende luchó con las pocas fuerzas que tenía para, luego seguir en silencio al Gabinete presidencial a las 14 horas del 11 de Septiembre de 1973, como todos sabemos, y se suicidó a seguir, para evitar una guerra civil en Chile.
Nada tenía a ver la vida de Caldera, con la de Su Excelencia, pero lo he escrito en esta parte para comparar vidas: la de los sacrificados y l de los cobardes. El Tucho era un cobarde y un sin ley. Tenía miedo de colocar estos comentários, sádicos, sin perdón de ninguna divinidad que pudiera existir. Me dirán, ¿y él?.
Lean esto:
Pillo, sádico, avaro, matón y busca pleitos. Así era Alberto Hipómenes Caldera García (53), conocido en la historia policial chilena como "El Tucho Caldera". El tristemente célebre carnicero de San Felipe que selló su carrera criminal con el salvaje homicidio y descuartizamiento de "su amigo", el empresario árabe Demetrio Amar Abedrapo (67), para apoderarse de su fortuna de 17 millones de pesos.
Corría mayo del año '47. Y mientras muchos estaban pendientes de los 90 millones de dólares depositados en un banco de California, cuya herencia se disputaban familiares de Alejo Barraza Méndez (El Chileno Rico), en San Felipe la desaparición del empresario árabe era comentario obligado entre sus habitantes.
El emporio de telas que Amar poseía en la calle Prat N° 226, a metros de la Plaza de Armas, no abría sus puertas al público desde la mañana del 10 de mayo de ese año.
Ese día el empresario palestino supo que se había casado con María Rosa Caldera (24), hija adoptiva de "El Tucho". Pero también se enteró de que este último se había apropiado de su patrimonio. ¿Cómo?[2]
No quería referir esta parte, es cruel, es socialmente desaliciante, hace un ruido que ensordece nuestra alma y sentimientos. Confieso haber sentido tristeza por la existencia de seres humanos abandonados y si educación, Adultos que desafían al mundo, y mueren de miedo al ser fusilados.
Tuve un engaño. Sentía pena por el fusilamiento de un ser humano hecho por la sociedad, bien como por los asesinados por este hombre solitario, seres también de nuestra sociedad. Era un cobarde: desafiaba y moría de miedo por ls consecuencias. En la cárcel, trató de enmendar el mal: era demasiado tarde. Ni uno divinidad ni el mejor analista, lo iban a transformar después de 53 años de engañar a sus compatriotas. Y a si mismo.
Salía del colegio a mis once años, era la primera vez que asistía. Hasta esa edad, la ley permite estudiar en casa. Vi pasar un carro militar con el féretro de un muerto. En mi compasión, pensé, pensamiento desatinado, que era el funeral del Tucho Caldera. Llegué corriendo a casa y conté la historia. Hubo risas de parte de los adultos; era el funeral de un General de las Fuerzas Armadas. Lloré. Habría sido un consuelo un funeral elegante. Mis padres me retiraron del engaño. Lo que merecía Caldera, y así aconteció, con el cuerpo aún caliente fue lanzado al cementerio de la cárcel, en una caja de madera, llena de clavos. Nada merecía, a pesar de ser miembro de Amnistía Internacional, no lo defendí más y hasta el día de hoy, lo había olvidado. Era compasión irracional.
He escrito, y Uds. leerán, una historia dura y triste. No solo la de los asesinos. La Matanza de Santa María de Iquique con que comienzo el texto, las imágenes que han visto, la falta de conmiseración de los gobernantes y de los soldados, abre una yaga en mi cuerpo y en una herida en mi alma. Recuerdo a Chile y su historia y, como un niño, lloro otra vez, en estos sitios de soledad y de silencio. En donde los amigos me han enterrado, sin ningún monumento que les recuerde que soy.
No todos los chilenos somos así. O, como se diría en castellano chileno, ni todos somos así. Ese ni es la lengua de la tierra, el Mapudungun, que corre por algunas de nuestras venas. Algunas de nuestras venas. Mis conciudadanos no reconocen nuestro mestizaje: somos todos de ojos azules, cabellos rubios e tez blanca. Como si nunca se hubieran visto al espejo. Solo los extranjeros, los que venimos de fuera, podemos tener esas cualidades. Todos los chilenos son como la imagen mostrada de Recabarren, Bilbao, Balmaceda. Somos un pueblo de mestizos, lo quieran ser o no, los chilenos.
Lo que nunca olvidé y tengo la música, es la matanza de Santa María de Iquique.
Nota: para oír la música y ver el vídeo, prima con la parte izquierda del rato, la frase Cantata, y música y vídeo aparecerán, cantada por los Quilapayún, el área Vamos Mujer, con coro-
Lo dedico a mis nietos, para la historia del país de los fundadores de esta familia, Gloria y Raúl
Raúl Iturra
[2] Retirado de http://www.lacuarta.cl/mundial2006/index.h

PERÍODO SALAZARISTA
Filho de António Oliveira e Maria do Resgate, camponeses, António de Oliveira Salazar foi seminarista, professor, deputado, ministro das Finanças, ministro dos Negócios Estrangeiros, Ministro das Colónias, Ministro da Guerra, presidente do Conselho. Como chefe do Governo tutelava os restantes órgãos políticos, policiais, militares, administrativos. Já Sidónio dispensara os ministros. Salazar tolerou-os para repartir tarefas absorventes e manter aparências de colegialidade. Paulo Rodrigues ilustrou lapidarmente o estatuto de ministro: eu apenas sou a caneta de Salazar. O presidente da República,Supremo Magistrado da Nação, foi reduzido a criatura de aparato. Castraram-no e puseram-lhe uma etiqueta: Venerando Chefe de Estado. Salazar depressa verticalizou e usurpou funções e decisões. Na fase de se mostrar aos caçadores de talentos, dramatizou a retórica, elencando imperativos para meter a República nos eixos. Os círculos empresariais e clericais consideram-no o homem certo para operar a transição da ditadura militar para a ditadura civil.
O empertigado lente usava botas de campónio e exibia borlas. A nata do conservadorismo jogava nas virtudes da submissão das organizações e das pessoas. Tinha, no entanto, aprendido com o desfecho sidonista. Ao contrário de Sidónio, militar e professor, Salazar encenava a separação dos dois poderes, a abertura de um ciclo da normalização, falando de cátedra para a sociedade, após o pronunciamento das casernas: se soubesses quanto custa mandar, antes preferirias obedecer toda a vida. Com esta filosofia de Estado, verdadeiro RDC/Regulamento de Disciplina Civil, impôs a fábula de predestinado, que Cardoso Pires reduziu a Dinossauro Excelentíssimo.
A cobertura legalista culminou com o embuste da Constituição de 1933. No rasto do ditador de Caminha, que personificou aRepública Nova, o ditador de Santa Comba personificou o Estado Novo, inspirado na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler. Salazar decretou três dias de luto em honra do führer. Salazar convivia diariamente com a fotografia do duce na secretária. Salazar fez diversos exercícios de mão estendida. Na vigência deste regime policial-confessional, foram suspensas as principais liberdades e garantias; encarcerados dezenas de milhares de cidadãos, centenas em campos de concentração, dezenas assassinados; outros deportados ou exilados; muitos saneados da administração Pública ou despedidos das empresas por pressão da polícia política e da política do Estado Policial. A ditadura apostou na miséria controlada, na ignorância planificada, na propaganda massiva, no terror selectivo, no medo difuso.
Estabeleceu, também, como prioridade ideológica, a celebração da Concordata e do Acordo Missionário com a Santa Sé, retomando o conúbio interrompido pela legalidade laica. Reservou assento na Assembleia Nacional à barretina cardinalícia. O patriarca desempenhava um papel na cenografia do poder. Estado e Igreja tornaram-se parceiros da Domesticação Social/ Política do Espírito. A ditadura, sustentada no tripé económico-financeiro, religioso-propagandístico, militar-policial, impôs o condicionamento mental e industrial, protegeu meia dúzia de grupos/ famílias, conteve a educação média-superior, deixou afundar o país na crise social, na emigração clandestina, na guerra colonial.
O regime, que começou por se auto-exaltar como regenerador das finanças públicas e restaurador da credibilidade externa, terminou com 45% do orçamento sorvido pelo problema africano, fazendo de Portugal um estado-pária, orgulhosamente só. Supostamente só também vivia o ditador, mas, de facto, na órbita de uma governanta enciumada e rude. O falso misógino, apresentado como casado com a Pátria, terá sido também um abocanhador de esposas de viris membros do Governo, de viúvas em transe patriótico, de meninagem de orfanato e de bem. Se SP/Sidónio Pais fora vendido como macho-modelo, galã-botifarra, devoto de Aparições da Virgem, OS/Oliveira Salazar conseguiu adaptar o Direito de Pernada, cuidando de pôr o Secretariado de Propaganda a vender Deus, Pátria e Família aos tementes de Deus, devotos da Pátria, defensores da Família.
Regressemos, porém, a outras tramas, ao epílogo da História. Sidónio tombou às mãos de um pistoleiro. Salazar estatelou-se, sem o amparo de uma cadeira, no Forte de Santo António, em 1968. Eis o maior milagre antonino: uma cadeira cometeu um atentado. Crime onomástico. Um antónio ajustou contas com outro. O enviado de Deus sofreu um hematoma intracraniano subdural, jamais se restabelecendo, não cedendo o hematoma à vaga de preces, intervenções cirúrgicas, conferências de sumidades. Com a Revolução de Abril, a efígie, que havia decorado milhares de paredes, ao lado do crucifixo, foi removida. Após intermitentes ensaios de reactivação do culto, a RTP abriu um processo de beatificação em 2007. A estação de 5 de Outubro, Televisão do Estado Republicano, colocou o maior pervertor da República a plebiscito. Os Grandes Portugueses foram a jogo. A lógica das telecomunicações fez o resto. O Excelentíssimo bateu todos os poetas, santos e heróis. Título à altura de quem liderou um Império e deu lições ao mundo.
Tentemos, porém, olhar Sua Excelência com alguma distância. Quem, de facto, em 838 anos de Monarquia e 100 anos de República, mereceria o galardão? Cumpre ao Estado, pacificada a celeuma, um gesto definitivo: acabar com o arrastamento da polémica do Museu de Salazar. Aproveite-se o frémito ou o rescaldo das comemorações. Baixemos a tensão política. Cultivemos o sentimento reparador. Demos lugar à magnanimidade da Ideologia e à objectividade da Paleontologia. Salazar foi categórico: Sei muito bem o que quero - e para onde vou. Respeitemos à letra a divisa e a determinação. Um homem providencial nunca se engana. Encarreguemos das honras fúnebres uma empresa de eventos do Novo Estado. Traslademos o Grande Português, o homo santacombensis, para o Museu da Lourinhã. O próximo 10 de Junho seria uma data de consenso, copiada que foi do Calendário Salazariano. Milhões de potenciais telespectadores sufragariam o préstito. A comunidade científica rejubilaria com um congresso internacional sobre fósseis. O cerimonial ocuparia a agenda mediática.
Durante meio ano, a Democracia deixaria de importunar a governação. Viveríamos em Necrocracia. Até os 800 mil desempregados teriam uma oportunidade, cumprindo Serviço Cívico: ladeando o cortejo, batendo palmas a recibo verde, agitando a bandeira que sai à rua nos desafios de futebol, cantando o Hino dos Egrégios. O Último Enterro do Excelentíssimo daria um argumento a Manoel de Oliveira e um Leão de Ouro em Veneza. Igualmente seria de instituir um Prémio de Pintura e Escultura, tendo por mote Paula Rego: Salazar vomitando a Pátria ou A Pátria vomitando Salazar.
A seguir - período spinolista
(Continuação)
Diferente a mis recuerdos. En primer lugar, porque la historia de Caldera aconteció cuando yo era un niño y sufría por los hechos; después, porque el caso del Chacal aconteció cuando yo abogaba, pronto para casar y salir a Gran Bretaña para completar mis estudios con maestreados y doctoramiento. Vivía en un ambiente culto y acomodado, en el que se hablaba casi en voz baja de los males ajenos. Especialmente si los hechos eran el resultado de la desgracia de otros, como ser una persona abandonada que se defiende solo en la vida. Era sobre ese tema que debatíamos más y no sobre el asesinato, del cual estábamos cansados de escuchar. Era evidente que los reos eran resultado del pueblo abandonado por dios y el diablo. Eran los tiempos del debate de la abolición de la pena de muerte. Puede ser también que mis comentarios sean resultado de los hábitos de casa: nunca se habla mal de quién ha tenido la desgracia de vivir abandonado. Coma analista, diría que es un caso de doble personalidad producida la enfermedad por la soledad social. Todo crimen es social, incentivado por recursos que faltan y una ética nunca aprendida por falta de apoyo emotivo, una libido que no usa el iso o Id para vigilar la razón consciente e no permitir a la mente inconsciente actuar como mejor le parezca.[1]
¿Quién era este señor que pasó a ser reo por crimen de sangre? La Iglesia Católica tuvo piedad, no acusó y nombró un capellán para hablar con él, como está comentado por la Revista Detective de Agosto de 2009, al comentar los crímenes en Chile, desde Viña del Mar a Santiago[2]. La información internet está llena de comentários[3]
Entre otros, dice este recuerdo del pasado:
Uno de los criminales más despiadados que ha conocido la Historia de Chile, es sin lugar a dudas el Tucho Caldera. (su delito había sudo cometido años antes del caso Caldera, raro para esos tiempos, antecedente para el del Chacal y los cometidos por la dictadura que se instaló en Chile entre 1973-1990, que había obligado a morir al Presidente de la República e a centenas más, estado ahora a ser juzgados los reos militares, hechos atroces que hicieron olvidar al casi único que rfiero, el de Caldera. Los del gobierno, delitos feroces como la Matanza de Santa María de Iquique, los juzga la Historia y el pueblo en sus veredictos de las urnas electorales)
Su verdadero nombre era Alberto Caldera García. Desde niño se hizo conocido como matón, y ya de mayor, utilizaba la violencia para intimidar a los opositores políticos en tiempo de elecciones. Se le conocía también su extraordinario sadismo con los animales. Le gustaba arrojar perros al fuego para que se quemaran vivos, y mantenía un ejército de perros en su casa a los cuales arrojaba gatos vivos (y, según se dice, un caballo enfermo, una vez) para deleitarse viendo cómo los devoraban. Dichos perros engulleron también a una sirvienta del Tucho, en lo que fue calificado como un "extraño accidente", después de que dicha sirvienta le hubiera desobedecido una orden... Otras personas alrededor del Tucho fallecieron o desaparecieron también en extrañas circunstancias, pero sólo pudieron probársele dos homicidios, por los que cumplió sentencia en la Ex Penitenciaría de Santiago.
Si hubiera sido sólo por eso, hubiera quedado como una anormalidad, pero el Tucho Caldera se superó a sí mismo cuando trampeó (engañó en castellano europeo), asesinándo después a un amigo, Demetrio Amar Abedrapo, un empresario palestino radicado en Chile después de hacerlo su suegro con la complicidad del notario local quién la ayudara a fabricar los documentos falsos.. Corría el año 1947, y viendo que Demetrio Amar no sabía ni leer ni escribir en castellano, lo convenció de que firmara un documento notarial en el que supuestamente le vendía unas tierras. El documento en realidad era un poder amplio de administración de todos los bienes de Demetrio Amar al Tucho Caldera, además de un poder para contraer matrimonio con la hijastra de éste.
Cuando Demetrio Amar se descubrió casado con la hijastra del criminal, y por supuesto que privado de su fortuna, encaró al estafador. Este no encontró entonces mejor salida que matarlo. El Tucho tenía experiencia como carnicero, y usó esta experiencia para descuartizar, a golpe de hacha, sierra y serrucho, el cadáver en 19 piezas (la cabeza, 6 piezas para el tronco, y tres por cada extremidad en las articulaciones), y esconderlas en cajas de sombreros. Corría el 10 de Mayo de 1947. Un mes después lo arrestaron y sometieron a juicio. Curiosamente, su abogado defensor tenía una tía, que era hacendada, y que había sufrido ella misma las bellaquerías del Tucho, ya que éste había sido condenado anteriormente a 10 años de prisión por robarle el ganado (cumplió siete en la cárcel de San Felipe, y por cierto, fue recordado por su mala conducta carcelaria, promoviendo incansablemente motines contra los gendarmes)...
[1] El debate apareció e todos los medios de comunicación. Me oriente por um periódico del país en que estaba, España. El País tebnía la versión completa de debate, que se puede leer en http://www.elpais.com/articulo/internaci
[2] Puede leerse en http://www.policia.cl/revistas/revista13
Este hombre, que trabajaba como carnicero, fue autor de tres asesinatos.
Oriundo de San Felipe, fue atrapado en 1947 debido a la muerte de su amigo comerciante Demetrio Amar Abedrapo, quien de un día para otro desapareció de la cuidad dejando todos sus bienes a cargo del "Tucho".
Caldera ya había sido condenado por la autoría de dos asesinatos, pero inexplicablemente logró que la justicia lo perdonara y le diera la posibilidad de acceder a la libertad luego de cumplir la mitad de su condena.
Sin embargo, el asesino siguió cometiendo sus fechorías y el 11 de mayo de ese año mató al locatario de una tienda de telas. Para ocultar el delito, lo diseccionó en 14 partes, para luego enterrarlo en las inmediaciones de la ciudad. Este crimen le significó la condena a la pena de muerte, la que se concretó en 1951.
La prensa de la época lo caracterizó como astuto y sagaz, además de perverso, ambicioso, pendenciero y, para peor, muy feo: "Tenía un apetito voraz: se comía 25 huevos y 12 vasos de leche de una sola sentada. Era padre de 35 hijos de distintas mujeres, de los cuales sólo reconoció siete", escribió la prensa entonces.
Junto con falsificar un papel donde el desaparecido comerciante le dejaba todos sus bienes, por un monto de 17 millones de pesos de la época, el Tucho inventó un falso matrimonio entre el anciano de 60 años y la hija de él, de tan sólo 19.
Puede leerse en: http://gorechile.com/showthread.php?2842-A
(Continua)
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