Excertos de uma entrevista concedida por José Afonso à revista «Questões e Alternativas», nº2, de Abril de 1984. A este projecto editorial, estiveram ligados alguns argonautas. A entrevista gravada, foi conduzida por Rui de Oliveira, Bruno da Ponte e Carlos Leça da Veiga. A questão posta pela publicação a diversas personalidades de esquerda era - «O 25 de Abril dez anos depois – que mudança?». Estes excertos foram já publicados no Estrolabio.
«À sombra da legalidade democrática mantêm-se e até se acentuam, as injustiças sociais que existiam antes do 25 de Abril.»
«O facto de eu poder ir a uma colectividade e poder dizer abertamente que é urgente uma subversão em relação ao momento actual que vivemos, que essa atitude subversiva não deve ficar apenas na consciência das pessoas, deve ter consequências colectivas e dirigir-se ao poder, constituir um desafio ao poder, tem alguma coisa de novo.»(…) «Existe uma democracia dita representativa, existe um parlamento que discute as leis, partidos políticos que representam correntes de opinião segundo o modelo europeu. A esse nível há um conjunto de aquisições.» (…)
«Continuamos com a sociedade de classes, sabemos por exemplo, que quem tem acesso ao ensino superior é uma pequena elite, que o ensino superior visa preparar indivíduos que, uma vez no poder, perpetuam a desigualdade de classes e, também, o sistema político que a conserva. A este nível, as coisas mantêm-se, portanto, na mesma. À sombra da legalidade democrática mantêm-se e até se acentuam, as injustiças sociais que existiam antes do 25 de Abril.» (…)»As perspectivas abertas por essa liberdade dependem da classe social a que se pertence. Digamos que, para a classe operária que vive na cintura industrial de Lisboa, não abre perspectiva alguma em relação ao desafogo a que aspira.» (…)«Agora, por exemplo, para um intelectual, cujo fim possa ser uma coluna num jornal onde possa colaborar» (…)«existe de facto liberdade para essas coisas. Mas a liberdade de uma classe pode não ser a liberdade de outra.» (…) «No que respeita à liberdade, as instituições existem. Mas funcionam num conjunto de alternativas que não favorecem o exercício da liberdade.»
«Penso que, após o 25 de Abril, devia ter havido uma prática pedagógica do exercício da democracia. As populações deveriam experimentar, directamente, quais são as possibilidades de inserção na realidade, de a transformar. Essa, para mim, é a forma mais sã de exercer a democracia. O voto de quando em quando, após 50 anos de obscurantismo, é uma coisa para especialistas em demagogia. Até porque os deputados não estão na Assembleia para resolver os problemas mais imediatos do povo, mas para cumprir desideratos políticos.» (…) «Por outro lado, todo o discurso parlamentar, com os meios de que dispõe, é de molde a configurar as consciências. É exactamente o que não acontecia imediatamente a seguir ao 25 de Abril, quando se organizaram as comissões de trabalhadores, de moradores, todos esses organismos que saíram quase espontaneamente do processo popular. Está-se hoje num círculo vicioso. A democracia só serve para confirmar, sancionar, o tipo de desigualdades a que me referi.» (…) «Há, sem dúvida, uma diferença entre o fascismo e a democracia burguesa, embora, por vezes, em certos aspectos, esta possa resultar naquele.»
Mas naquele dia de Abril o Zeca, andou pela Baixa, foi ao Carmo, e foi surpreeendido pelo facto de a multidão desatar a cantar a Grândola. amento militar. Diz o Zeca: «Vivi o 25 de Abril numa espécie de deslumbramento» (...) «Fui para o Carmo, andei por ali... Estava tão entusiasmado com o fenómeno político que nem me apercebi bem, ou não dei importância a isso da Grândola. Só mais tarde (...) quando recomeçaram os ataques fascistas e a Grândola se cantava nos momentos de maior perigo ou entusiasmo, me apercebi de tudo o que significava e, naturalmente, senti uma certa satisfação».
Viveu, como muitos de nós as emoções, e acreditou que tudo ia mudar. Afinal tudo mudou para que tudo pudesse ficar na mesma. Voltemos á evolução dos acontecimentos.
17h00 - Salgueiro Maia desloca-se ao interior do Quartel e fala com Marcelo Caetano que, após ter colocado algumas perguntas, lhe solicita que um oficial-general vá efectuar a transmissão de poderes (Spínola, com quem, aliás, falara já ao telefone) para que o poder não caia na rua. - Salgueiro Maia pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e, usando o megafone, apela à calma.
17h45 - Chegada ao Largo do Carmo do general António de Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e dr. Carlos Vieira da Rocha. Após longos minutos envolvido pela multidão, o Peugeot que transportava Spínola consegue, finalmente, chegar junto da porta de armas do quartel.
Chegámos fianlamente ao dia 25 de Abril de 1974 - a engrenagem da "Operação" está em marcha - mas falta ainda que a segunda senha seja lançada para que tudo se torne irreversível. Está prevista para ser emitida à meia-noite e vinte através da Rádio Renascença. Carlos Albino tomou todas as precauções para que não possa haver falhas. Minutos de tensão...
00h00 – De acordo com o combinado com o coordenador do MFA, o locutor João Paulo Dinis terminou o programa nos Emissores Associados de Lisboa e foi para casa.
00h20 – Na Rádio Renascença, nos estúdios da Rua Capelo, junto ao Governo Civil, Paulo Coelho, ia metendo anúncios publicitários no programa Limite. Não sabe o que se passa, nem compreende os sinais que Manuel Tomás e Carlos Albino lhe fazem do outro lado do vidro para que saia do ar e continua com os spots publicitários. Foram 19 segundos de tensão e desespero. Até que, não aguentando mais, Manuel Tomás entrou na cabina e deu uma palmada na mão do técnico José Videira. E a bobina com a gravação de Grândola Vila Morena, de Zeca – a segunda senha escolhida pelo MFA –foi para o ar.
(ilustração de Adão Cruz)
c. 00h30 - Na EPAM, um grupo de capitães e subalternos deu voz de prisão ao alferes miliciano Pinto Bessa, oficial de dia, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão. O capitão Gaspar assumiu provisoriamente as funções de oficial de serviço. - No Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) começaram-se a encher carregadores das G-3. - Na EPA continuou-se a preparação final do golpe, onde o capitão Santos Silva assumira já o comando, secundado pelos tenentes Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão. - Na EPI, em Mafra, os capitães Rui Rodrigues, Aguda e Albuquerque mandaram formar a companhia de intervenção. O capitão Silvério pôs em marcha o plano de defesa do quartel. Os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha convidaram o coronel Jasmins de Freitas a aceitar o comando da unidade.
00h40-
No Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC) os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais iniciaram a preparação dos homens para atingir o objectivo que lhes estava fixado - ocupar a Emissora Nacional. Na EPC, em Santarém os oficiais do MFA procuraram obter a adesão ao Movimento do tenente coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procederam à sua detenção.
Estamos, desde ontem, a recordar momentos significativos da Revolução de 25 de Abril. Vamos a partir de agora publicar testemunhos, opiniões, textos poéticos, de argonautas e de amigos do nosso blogue. O argonauta Pedro de Pezarat Correia, oficial general na reserva, é um homem de Abril. Abrimos com o seu texto a galeria de intervenções de tripulantes da nossa Argos. É preciso libertar o 25 de Abril da dinâmica governativa e da lógica estritamente eleitoralista em que os poderes o encarceraram. Restituir ao 25 de Abril a sua condição de movimento luminoso e libertador... Mas vamos ler com atenção o que Pedro de Pezarat Correia nos diz:
Estamos em época de comemoração do 25 de Abril. Do XXXVIII Aniversário de “todos nós”, porque em 25 de Abril de 1974 todos renascemos, mesmo aqueles que só depois viriam ao mundo mas que, quando chegaram à altura de estudar a História de Portugal, se apercebem que naquele dia renasceu um país para que eles pudessem vir a ter uma vida melhor, mais livre e mais digna. Os argonautas em viagem querem assinalar a data e, pela minha parte, não falto à chamada com este modesto contributo.
Mas… pois é, esta comemoração, como as que nos anos anteriores imediatamente a precederam, tem um frustrante e maiúsculo MAS!. É que se comemorar pode e deve ter um sentido festivo, quando se celebra uma efeméride positiva, quando se pretende recuperar um passado reconfortante, também pode ter um sentido nostálgico quando se evoca algo que passou e deixou um vazio.
Convém clarificar. Não penso que o 25 de Abril esteja morto, que seja apenas passado e memória a esfumar-se no tempo. O 25 de Abril está vivo porque vivos estão os muitos e muitos milhares de portugueses – e não só portugueses – que o guardam como marco insubstituível do seu ideal de vida. E porque vivos estão os valores que o tornaram uma referência, a LIBERDADE, a SOLIDARIEDADE, a JUSTIÇA SOCIAL, a PAZ.
Mas o 25 de Abril está cativo. Cativo de um projecto sem rosto, sem nome e sem fronteiras, que à sombra de políticas escoradas em dogmas tecnocráticos e neoliberais, o realismo, a eficácia, a auto-regulação, o mercado, a ausência de alternativa, está a tornar a sociedade global e as sociedades nacionais cada vez mais egoístas, mais injustas, mais desiguais, mais exclusivas, mais indignas, mais obscuras, mais violentas. Os imensos recursos tecnológicos, conquistas da humanidade ao longo do seu percurso histórico, ainda que teoricamente estejam colocados ao serviço de todos, estão na realidade a ser cada vez mais instrumentos do ofensivo enriquecimento de uns poucos e do humilhante empobrecimento dos muitos que são cada vez mais. O inevitável estatuto de dependência que daqui resulta é sinónimo de obstrução à solidariedade, de negação da justiça social, de limitação da liberdade, de ameaça à paz.
E é por isso que digo que o 25 de Abril está cativo. Cativo de um poder político arrogante para com o cidadão comum mas servil perante o poder económico e financeiro. Cativo de órgãos de soberania legitimados pelo processo de acesso ao poder mas funcionalmente ilegitimados por uma prática que desrespeita a separação dos poderes, com o legislativo e até o judicial, ao mais alto nível constitucional, controlados pelo executivo e em que até o poder arbitral do chefe de Estado, aliás da mesma área político-ideológica do executivo, está paralisado por erros próprios irremediáveis. Cativo de governantes medíocres que através de discursos erráticos e desrespeitadores da verdade abusam da boa fé dos eleitores. Cativos de uma dinâmica governativa cujo vector aponta sempre e rigidamente em sentido único, preservação dos interesses dos poderosos, redução dos direitos dos mais desprotegidos. Mas atenção, o 25 de Abril está cativo de todos nós, da passividade e da cumplicidade de todos nós, porque todos somos responsáveis pela abdicação de cidadania que abriu caminho e legitimou o poder actualmente instalado. Não tu, não eu enquanto cidadãos individuais, mas nós enquanto povo colectivo.
Ouve-se, com frequência, o lamento “não foi para isto que fizemos o 25 de Abril!”. Discordo.
O 25 de Abril, para além do projecto ousado que todos abraçámos e que a Constituição da República de 1976 consagrou, também foi feito para isto, para que os portugueses escolhessem o caminho do seu futuro e quem os deveria representar na gestão desse caminho. Se os portugueses erraram, se enganaram ou foram enganados, permitindo o enclausuramento da esperança do 25 de Abril, têm nas suas mãos as ferramentas para o libertarem deste cativeiro. Apesar de uma informação pública condicionada, da instabilidade do seu posto de trabalho, da chantagem financeira, da ameaça com a insegurança, os portugueses têm direito à indignação e podem correr com os vendilhões do templo.
Este desabafo é a minha comemoração do 25 de Abril. O eco que ele e o de muitos outros que se vão ouvir nestes dias tiverem na consciência dos nossos concidadãos, será a prova de vida do 25 de Abril.
JOSÉ AFONSO, de seu nome completo José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nasceu em 2 de Agosto de 1929 e faleceu em 23 de Fevereiro de 1987. O Zeca, como ainda hoje é carinhosamente conhecido, deixou o seu nome indelevelmente ligado à história recente de Portugal, vindo a canção “Grândola, Vila Morena” a constituir a senha do Movimento das Forças Armadas, em 25 de Abril de 1974, para o derrube da ditadura de 48 anos.
A dimensão de Zeca Afonso como Poeta, Músico e Intérprete ultrapassa largamente os contornos de cantor de intervenção, tendo criado uma obra, internacionalmente reconhecida, que teve papel determinante no movimento de renovação da música portuguesa, continuando a influenciar as novas gerações de Autores e Músicos. Como cidadão, José Afonso é, do mesmo modo, uma referência pela integridade de carácter, pela estatura cívica e invulgar coerência.
O reconhecimento de José Afonso como importante vulto cultural, cívico e intelectual é, hoje, transversal a toda a sociedade portuguesa. Assim, os subscritores da presente Petição Pública entendem ser da mais elementar justiça que o País lhe preste a devida homenagem através da construção de um monumento evocativo na cidade de Lisboa.
Os signatários: AJALisboa – Nucleo de Lisboa da Associação José Afonso; A Barraca – Grupo de Teatro; ACCL – Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa; Associação Abril; Associação 25 de Abril; Centro Mário Dionisio – Casa da Achada; M12M- Movimento 12 de Março; NAM- Movimento Não Apaguem a Memória; SPA- Sociedade Portuguesa de Autores; SPGL- Sindicato dos Professores da Grande Lisboa; UMAR- União das Mulheres Alternativa e Resistencia
Caros Amigos,
Acabei de ler e assinar a petição online: «PELA CONSTRUÇÃO DE UM
MONUMENTO A JOSÉ AFONSO, EM LISBOA»
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N23482
Pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.
Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.
Obrigado,
José Mariz
Petição PELA CONSTRUÇÃO DE UM MONUMENTO A JOSÉ AFONSO, EM LISBOA
Para:Exma Sra Presidente da Assembleia Municipa de Lisboa e Exmo Sr Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
JOSÉ AFONSO, de seu nome completo José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nasceu em 2 de Agosto de 1929 e faleceu em 23 de Fevereiro de 1987. O Zeca, como ainda hoje é carinhosamente conhecido, deixou o seu nome indelevelmente ligado à história recente de Portugal, vindo a canção “Grândola, Vila Morena” a constituir a senha do Movimento das Forças Armadas, em 25 de Abril de 1974, para o derrube da ditadura de 48 anos.
A dimensão de Zeca Afonso como Poeta, Músico e Intérprete ultrapassa largamente os contornos de cantor de intervenção, tendo criado uma obra, internacionalmente reconhecida, que teve papel determinante no movimento de renovação da música portuguesa, continuando a influenciar as novas gerações de Autores e Músicos. Como cidadão, José Afonso é, do mesmo modo, uma referência pela integridade de carácter, pela estatura cívica e invulgar coerência.
O reconhecimento de José Afonso como importante vulto cultural, cívico e intelectual é, hoje, transversal a toda a sociedade portuguesa. Assim, os subscritores da presente Petição Pública entendem ser da mais elementar justiça que o País lhe preste a devida homenagem através da construção de um monumento evocativo na cidade de Lisboa.
Os signatários:
AJALisboa – Nucleo de Lisboa da Associação José Afonso; A Barraca – Grupo de Teatro; ACCL – Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa; Associação Abril; Associação 25 de Abril; Centro Mário Dionisio – Casa da Achada; M12M- Movimento 12 de Março; NAM- Movimento Não Apaguem a Memória; SPA- Sociedade Portuguesa de Autores; SPGL- Sindicato dos Professores da Grande Lisboa; UMAR- União das Mulheres Alternativa e Resistencia
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Caso tenha alguma questão para o autor da Petição poderá enviar através desta página: Contactar Autor
POEMAS SOBRE O ALENTEJO
VICENTE CAMPINAS
Cantar alentejano
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p´ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p´ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
Este poema de António Vicente Campinas é habitualmente atribuído a José Afonso, autor da belíssima música da popular canção. Quando José Afonso publicou a primeira edição de "Cantares" (Nova Realidade, Tomar, 1967) não indicou a autoria do poema. Para quem tenha conhecido o Zeca, o motivo para tal 'esquecimento' só pode ter sido a situação de clandestinidade em que Vicente Campinas se encontrava. A ilustração destes poemas não tem sido orientada no sentido de uam correspondência cabal - para poemas inspirados no Alentejo, temos escolhido temas plásticos de igual inspiração. Neste caso, seria estranho não usar a bela gravura de José Dias coelho (que viria também a ser assassinado atiro, pela PIDE). E a canção de José Afonso por ele interpretada é outro elemento indispensável neste conjunto de criações artísticas dedicado à ceifeira Catarina Eufémia.
Gravura de José Dias Coelho
Amanhã - Florbela Espanca (2)
Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»
Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.
O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.
Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.
Maria
Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso* (in EP "Cantares de José Afonso", Columbia/VC, 1964; LP "Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes", Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1992; CD "Encontros em Coimbra", Valentim de Carvalho/Iplay, 2008) [>> YouTube]
[instrumental]
Maria
Nascida no monte
À beira da estrada
Maria
Bebida na fonte
Nas ervas criada
Talvez
Que Maria se espante
De ser tão louvada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada
[instrumental]
Maria
Nascida no trevo
Criada no trigo
Quem dera
Maria que o trevo
Casara comigo
Prouvera
A Maria sem medo
Crer no que lhe digo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo
[instrumental]
Maria
De todas primeira
De todas menina
Maria
Soubera a cigana
Ler a tua sina
Não sei
Se deveras se engana
Quem demais se afina
Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina
Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina
Nota do autor: «O conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores.» (in "Cantares de José Afonso", Tomar: Nova Realidade, 1966; Coimbra: Fora do Texto, 4.ª ed., 1995)
* Rui Pato – viola
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL: http://www.aja.pt/
http://www.myspace.com/associacaojoseafo
http://www.youtube.com/associacaojoseafo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_A
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
http://www.oocities.org/vilardemouros197
http://www.arlindo-correia.com/080401.ht
http://www.revues-plurielles.org/_upload
http://www.portaldofado.net/content/view/2
http://fado.com/index.php?option=com_con
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162
http://delta02.blog.simplesnet.pt/
http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afon
http://www.infoalternativa.org/radio/rad
http://www.myspace.com/joseafonso
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/j
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.as
http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afo
[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLy
A crise de identidade no interior do PSD está a agravar-se. Vem de longe a confusão e, como temos dito, o erro começa logo na designação do Partido. Todos sabemos como são irrelevantes as siglas – as siglas configuram a utopia dos fundadores, não uma realidade programática e muito menos uma prática política.O Partido Socialista, fundado em 1973 (vai fazer 40 anos!) se alguma vez foi verdadeiramente socialista terá sido no período da clandestinidade. Mas o PSD abusa dessa tradição. Começou por se chamar PPD (Partido Popular Democrático) o que era mais pacífico. Depois algum génio propôs a mudança para PSD num movimento que nada tem a ver com a social-democracia, doutrina de raiz marxista que Lenine verberou por pretender atingir o socialismo sem passar pela etapa revolucionária.
Herdeiros do partido único do regime salazarista, os fundadores foram suficientemente argutos para compreender que os objectivos do velho ditador não eram incompatíveis com um modelo de democracia de «rosto humano». Perceberam que para defender os interesses dos grandes grupos económicos não era necessário todo aquele sinistro aparato repressivo – PIDE, Legião, Censura…Tudo aquilo, desde a saudação de mão estendida às torturas policiais, dava mau aspecto e concitava animosidades por esse mundo fora. O fascismo caíra em desuso. Quando se deu o 25 de Abril, desfizeram-se da tralha ideológica, abriram mãos das colónias e aqui temos esta gente convertida em democratas – Mais - a dar lições de democracia aos selvagens da esquerda que queriam coisas utópicas – igualdade e por aí fora.
Não sabemos de quem terá sido a ideia de crismar a organização – ignorância ou arrogância e desprezo pelas ciências políticas. E esta equipa de incompetentes reincide no erro – vimos anunciado um documento com um título do género - «Para uma nova social-democracia» - nova social-democracia que deve ter tanto a ver com as teses de Kautsky e de Eduard Bernstein como as piadas de Groucho Marx com a obra de Karl Marx.
Mas já não seria a primeira vez que ouviria gente do PSD dizer-se «de esquerda». Esta crise de identidade, leva os “social-democratas” a usar no seu congresso versos de José Afonso. Zélia Afonso veio a público condenar a utilização da obra de um homem que toda a vida esteve contra aquilo que PSD representa. Se, por um lado, a obra do Zeca, como a de Camões ou Pessoa, deixaram de pertencer a esta ou àquela corrente política, como a viúva salientou, este caso é diferente – toda a obra de José Afonso se fez contra aquilo que o PSD defende e pratica.
Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»
Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.
O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.
Que Amor Não me Engana
Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso* (in LP "Venham Mais Cinco", Orfeu, 1973, reed. Movieplay, 1987, 1996) [>> YouTube]
[instrumental]
Que amor não me engana
Com a sua brandura,
Se da antiga chama
Mal vive a amargura.
Duma mancha negra,
Duma pedra fria,
Que amor não se entrega
Na noite vazia?
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito;
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito.
Muito à flor das águas,
Noite marinheira,
Vem devagarinho
Para a minha beira!
[instrumental]
Em novas coutadas,
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera.
Assim tu souberas,
Irmã cotovia,
Dizer-me se esperas
P'lo nascer do dia.
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito;
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito.
Muito à flor das águas,
Noite marinheira,
Vem devagarinho
Para a minha beira!
* Yório Gonçalves – viola
Jean Claude Dubois – harpa
Lockood – flauta
Benedetti – violoncelo
Arranjos e direcção musical – José Mário Branco
Produção – José Niza
Gravado no Studio Aquarium, Paris, de 10 a 20 de Outubro de 1973
Engenheiro de som – Gilles Sallé
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2008
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL:
http://www.aja.pt/
http://vejambem.blogspot.com/
http://www.myspace.com/associacaojoseafo
http://www.youtube.com/associacaojoseafo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_A
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
http://www.oocities.org/vilardemouros197
http://www.arlindo-correia.com/080401.ht
http://www.revues-plurielles.org/_upload
http://www.portaldofado.net/content/view/2
http://fado.com/index.php?option=com_con
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162
http://delta02.blog.simplesnet.pt/
http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afon
http://www.infoalternativa.org/radio/rad
http://www.myspace.com/joseafonso
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/j
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.as
http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afo
[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLy
Sempre Galiza!
A Música Galega que surgia Ao romper da bela aurora
passa a ser aqui acolhida, às quartas, às dez horas.
Menino do bairro negro - Uxia
A galega Uxia canta "Menino do bairro negro" do português José Afonso.
10 de Março | sábado |15h | Sede da AJA norte
Sessão/Debate/Tertúlia com ALEXANDRE PEREIRA MARTINS autor de uma tese de doutoramento sobre a obra poética de José Afonso.
Pelo seu valor intelectual e pelo carácter inédito do trabalho recomendamos a vossa participação.
Alexandre Pereira Martins
Doutorado em Filologia Portuguesa . Licenciado em Ciências Regionais da América Latina
Colónia, Alemanha . Correio: martins@alyfe.de . Página pessoal: www.alyfe.de
NOTA DE IMPRENSA
12 de Agosto de 2011
José Afonso em tese de doutoramento
Investigação inédita sobre o poeta, músico e compositor português
Pela primeira vez foi defendido um doutoramento que analisa, numa perspectiva filológica, a obra integral de José Afonso (1929-1987), quer musicada (discografia), quer poemática (lírica não-musicada). Aconteceu no passado mês de Julho na Universidade de Colónia, na Alemanha, pelo Dr. Alexandre Martins, investigador lusodescendente residente nessa mesma cidade.
Os primeiros passos dados até à data neste sentido são escassos. Merece especial destaque a primeira tese de doutoramento sobre as canções de José Afonso, publicado em Viena pela austríaca Dra. Elfriede Engelmayer em 1985, a qual se ocupou com a obra musicada entre 1968 e 1979, tendo posteriormente reunido alguns artigos no livro José Afonso, poeta (Ulmeiro, 1999). Esta autora é também responsável pela edição mais recente da obra integral de José Afonso Textos e canções (Relógio d`Água, 2000).
Partindo da convicção de que uma obra lírico-musical de três décadas e mais de 250 textos líricos (mais de metade não musicados), merece um enquadramento mais complexo, além dos rótulos óbvios “oposição ao Estado Novo”, “canção de intervenção”, “Revolução dos Cravos”, a investigação teve como objectivo demonstrar a estética poética que está por detrás da obra de Afonso, assim como o percurso que o caracteriza
como escritor lírico.
A investigação debruçou-se sobre o fenómeno da literatura comprometida (littérature engagée). Em Portugal, partindo do Neo-Realismo e seguindo as correntes poéticas das décadas de 1940, 1950 e 1960, altura em que se forma o movimento da canção de intervenção. São poetas como Edmundo de Bettencourt, Carlos de Oliveira, Alexandre O`Neill, António Gedeão, Manuel Alegre, Ary dos Santos e José Jorge Letria que exemplificam através das suas obras a reciprocidade entre a poesia e a música. Pertencendo estes a correntes e/ ou épocas diferentes, formam a posteriori um círculo aberto onde também se insere a obra de José Afonso. Nesta, contam-se, a par dos momentos mais interventivos de poesia comprometida, assim como de uma matriz popular, exemplos de poesia hermética, num contacto com correntes surrealizantes, mas também de preocupações filosóficas e metafísicas.
Em fase de publicação na Alemanha, será em breve efectuada a tradução da tese de doutoramento1, com a participação activa do autor, para posterior edição em Portugal.
1 O título, traduzido do alemão, lê-se: “Reconstrução da poética do cantor-autor e poeta português José Afonso (1929-1987)”.
Sobre o autor
O Dr. Alexandre Pereira Martins nasceu em 1974 na cidade de Colónia (Alemanha) onde cresceu e reside actualmente, sendo a sua familia oriunda da zona de Peniche e de Fátima.
Em 2004 licenciou-se em Ciências Regionais da América Latina, curso interdisciplinar (Filologia, Ciências Políticas, História e Economia) com um trabalho final sobre os discursos de identidade na música popular-moderna portuguesa.
Colaborou em revistas alemãs, entrevistando, entre outros, Teresa Salgueiro e Pedro Ayres Magalhães (Madredeus), Chico César, Omara Portuondo (Buena Vista Social Club), Vitorino Salomé, Tozé Brito, Manuel Faria (Trovante), Lena D´Água e Carlos Maria Trindade (Heróis do Mar, Madredeus). E mantém, na sequência de programas universitários, contactos com regiões iberoamericanas, em especial com o Brasil e o Peru.
Como docente no Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colónia tem leccionado seminários de Literatura Lusófona, principalmente Portuguesa, e cursos de tradução português-alemão. Como conferencista, conta com cerca de 20 comunicações, em Portugal e no estrangeiro, sobre temas literários, culturais e sociais, de âmbito lusófono. Em 2011 concluiu na Universidade de Colónia a tese de doutoramento sobre a poética de José Afonso.
É membro da Associação Alemã de Lusitanistas (DLV), do Centro Mundo Lusófono (ZPW, Universidade de Colónia), da Associação Luso-Alemã (DPG) e da Associação José Afonso (AJA).
Esta 5ª feira, dia 23, houve uma noite gloriosa na Academia de Santo Amaro.
Assinalavam-se os 25 anos do desaparecimento do Zeca Afonso.
O concerto contou com a participação de cerca de 20 cantores, músicos, declamadores , grupos e coros no total de 185 intervenientes.
De elevadíssima qualidade musical e com a participação numerosos jovens e seniores – a simbiose perfeita de uma mobilização artística inserida no tecido social - , constituiu um agradável reforço ideológico e “vitamínico” para o público que super - lotou o teatro da Academia.
Como fui convidado para apresentar o espectáculo, decidi escalonar as minhas intervenções desta forma:
Início – fazer um Balanço rápido dos anos 60 para se perceber a inserção da acção cultural no movimento político anti – fascista.
Os dados de revolta estavam lançados : o aparecimento da guerra colonial, Beja, o assalto ao S. Maria, as fugas de Caxias e Peniche, as greves no campo Alentejano e nas escolas e Universidades.
E é aqui que surgem os sinais do caleidoscópio cultural : em síntese rápida ( e, por isso, inevitavelmente com injustas lacunas) : “ Barranco de cegos” de Alves Redol, “Render dos heróis” de J. Cardoso Pires pelo Teatro Moderno, os filmes“Belarmino” de F. Lopes, e “ Verdes anos” de Paulo Rocha, a pujança do Teatro Universitário, a música de Lopes Graça, Carlos Paredes e Zeca Afonso.
A 2ª intervenção dediquei -a a Coimbra para referir um comportamento exemplar e desconhecido do Zeca Afonso. A greve de 62 em Coimbra foi particularmente activa e determinada. Além das greves às aulas, o luto Académico espalhou-se também pelas actividades desportivas.
Nesse tempo, a Académica gozava de enorme prestígio desportivo a nível nacional.
Estava à frente dos campeonatos de hóquei e basket e em 3º lugar no futebol. Começaram as greves no hóquei, basket e futebol, faltando aos encontros! E dizíamos : perde-se o titulo, mas não se perde a Honra! ( BONS TEMPOS!)
Mas como o futebol é coisa séria e o próximo jogo era com o Sporting, a GNR decidiu intervir :prisão dos jogadores para estágio no Luso…;surgiu a ideia de cavar o campo no Sábado à noite, mas o estádio já estava cercado quando lá chegámos embrulhados nas capas que escondiam as picaretas…Com estádio cheio e a GNR cercando o terreno de jogo e de frente para a assistência, ojogo nunca mais começava porque a Académica não deu o pontapé de saída…bola para o Sporting, chegam à baliza da Académica e atiram a bola para trás…Aplausos, FRA, etc. ; 0/0 ao intervalo…; claro que a Pide foi falar ao intervalo e o Sporting acabou por ganhar por 3 /0, com os nossos aplausos, evidentemente. É neste ambiente que surge um plano para arrefecer o movimento.
O Orfeão é convidado para se deslocar aos Estados Unidos! E o Zeca é convidado para ir, com oferta de um maço de milhares de escudos em cima da secretária da direcção e mais a garantia de gravação de discos na pátria do Tio Sam. E o Zeca, de terrível penúria económica, recusou.
3ª –Falei da ida a Grândola à SMFOG, Música Velha no dia 17 Maio 1964,com a GNR na rua(para proteger o povo dos cantores, com certeza); foi um êxito total com estreia de novas canções, e 3 dias depois Zeca enviou o poema Grândola, vila morena (escrito com tinta verde) para o José da Conceição.
Para terminar referi o boicote ao Zeca depois do 25 de Novembro numa certa imprensa que falava da sua péssima qualidade musical, etc. O Zeca era sensível e não aguentou. Fui convidá- lo para fazer a música de “ Zé do Telhado”, e não quis fazer, que não prestava, não cantava mais, etc. Consegui fazer chantagem, e ele cedeu. Depois do êxito, ele dizia-me: “ Hélder, o que é chato é que quem escreveu essas coisas, era malta de esquerda;” “ Oh Zeca, olha a sorte que tiveste, se não fossem de esquerda eram uns filhos da puta “
Lisboa, 24 de Fevereiro 2012
HÉLDER COSTA
No dia em que se assinalam os 25 anos do desaparecimento de José Afonso, o blogue "A Nossa Rádio" rende-lhe uma singela homenagem destacando um dos mais belos e, incompreensivelmente, menos divulgados espécimes do seu vasto legado poético-musical, "Fui à Beira do Mar". Um tema em que está bem expresso o empenho cívico e artístico de um homem que nunca calou a sua voz, apesar das imensas adversidades que enfrentou, tendo sempre em mira a «capital da alegria: cidade do homem, não do lobo mas irmão.» Uma mensagem de grande actualidade... Fui à Beira do Mar Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso* (in LP "Eu Vou Ser Como a Toupeira", Orfeu, 1972, reed. Movieplay, 1987, 1996) [>> YouTube]
[instrumental]
Fui à beira do mar
Ver o que lá havia;
Ouvi uma voz cantar
Que ao longe me dizia:
"Ó cantador alegre,
Que é da tua alegria?
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria!"
[instrumental]
Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"
Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia;
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia.
[instrumental]
Desde então a bater
No meu peito, em segredo,
Sinto uma voz dizer:
"Teima, teima sem medo!"
Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"
[instrumental]
* Trabalho de grupo de: Benedicto, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Afonso, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho
Produção – José Niza
Gravado nos Estúdios Celada, Madrid, de 6 a 13 de Novembro de 1972
Captação de som – Paco Molina, António Olariaga, Pepe Fernandez, Juan Carlos Ramirez e Juan António Molina
Mistura – Paco Molina
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2007
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL: http://www.aja.pt/
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http://www.myspace.com/associacaojoseafo
http://www.youtube.com/associacaojoseafo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_A
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
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http://www.arlindo-correia.com/080401.ht
http://www.portaldofado.net/content/view/2
http://fado.com/index.php?option=com_con
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Publicada por Álvaro José Ferreira em 11:28
Sempre Galiza!
Entrudo, Entruido
Entruido
O mesmo que entrudo.
[Dicionário Cândido de Figueiredo, 1913]
Entrudo, Entruido, Entroido, Antroido (do latim: introitu = intróito; entrada; começo), também dito de Carnaval.
Apontada como festa de origem pagã, com folguedos populares, associada ao início dum novo ciclo da natureza e dos trabalhos do campo, por alguns ligada às Saturnais romanas, que viria, como tantas outras que não conseguiu eliminar, a ser incorporada com regras próprias pela igreja católica para os dias anteriores à quaresma, sofrendo também alterações com o carnaval urbano.
Adeus martes de Entruido,
adeus,meu amiguinho
até Domingo de Páscoa
não comerei mais toucinho
Como em tantos outros aspectos, encontram-se semelhanças entre os diferentes festejos na Galiza e, em Portugal, no Minho e Trás-os-montes.
Em 2005, Xabier Prado, coordenador da candidatura do Património Imaterial Galego-Português apresentada à UNESCO dizia basear-se aquela em cinco elementos, dos quais “o quarto elemento constitui-o o ciclo festivo anual e as actividades de lazer, onde incluímos os jogos tradicionais. Nesta parte destacamos como um elemento de excelência o Carnaval, com as suas características enraízadas em tradiçons antiquíssimas e partilhadas pelos caretos de Podence, os peliqueiros, os generais da Ulha, etc. Em geral toda a celebraçom do Carnaval como um rito anterior à cristianizaçom e que foi assimilado polo catolicismo por um processo de sincretismo.”
Algumas “galeguices” do entrudo a merecer serem conhecidas: Festa da Pita, Domingo Fareleiro, Cigarróns de Verin,Peliqueiros de Laza, Oso de Salcedo, Merdeira de Vigo, Pantalha de Xinço de Limia.
Todos a chocalhar,
os Cigarrões de Verim (Ourense, Galiza)
os Caretos de Podence (Trás-os-Montes, Portugal)
o Oso de Salcedo (Lugo, Galiza)
E como o entrudo se está a tornar uma moda de laivos comerciais fiquemos, ao invés, com uma genuína “Moda do Entrudo”, música popular de Malpica, Beira-baixa, Portugal, na versão de José Afonso.
Este conjunto de dez livros proibidos confirma o que temos dito - o critério da polícia era tortuoso e revelava a falta de preparação cultural de quem dirigia este sector da máquina repressiva do Estado Novo. Mas são proibições «normais» - não podia esperar-se que um romance como Capitães da Areia, de Jorge Amado passasse despercebido. Dórdio Guimarães, Vergílio Ferreira ou Fiama Hasse Pais Brandão, eram nomes da «lista negra». Mas há aqui nesta lista três livros de uma editora artesanal que funcionava em Tomar e era conduzida por três sócios - Carlos Loures, Júlio Estudante e Manuel Simões - o primeiro livro editado foi precisamente Cantares, de José Afonso. Os donos da Nova Realidade sabiam que os livros iam ser proibidos e os exemplares eram devidamente armazenados - a PIDE apreendia alguns e os outros vendiam-se (sem especulações). Umas centenas de assinantes a quem os livros eram enviados à cobrança antes de ser postos à venda na rede livreira, garantiam os custos. A partir de certa altura, todos os livros da Nova Realidade eram apreendidos.
Após o 25 de Abril, durante algumas semanas, aqueles que já eram da organização e entretanto se tinham reagrupado - enquanto novos aderentes iam chegando espontaneamente – discutiram, vivamente, sobre o que fazer: continuar? entrar no PS (defendiam uns quantos)? desaparecer? Prevaleceu a primeira opção e em torno dela havia que começar a trabalhar visto considerar-se que a revolução não estava consolidada e que importava aprofundá-la. A LUAR ainda tinha um papel a desempenhar na nova situação existente.
Consequentemente era necessário ir para o terreno, mostrar que existíamos, construir um programa. Decidiu-se que o primeiro comício seria em Faro, no Algarve natal do Palma e de vários outros, onde já se estava a formar um núcleo. Nunca tínhamos montado nada do género. Por isso, ao ver estas imagens, espanto-me de como se conseguiu tudo o que se vê: militantes a venderem o jornal, as faixas com palavras de ordem, o material sonoro e aquela imensa gente, a maior parte jovem, que acorreu entusiástica.
Já não me recordo quem mais interveio, além do Palma e de mim. Mas sei que também nunca antes tínhamos falado para público tão vasto e em semelhantes circunstâncias. Daí o nervoso, o não saber onde pôr as mãos, a insegurança. Do que disse só me ficou na memória uma alusão aos miúdos que em cima do palco se amontoavam. Agora, ao ouvir-me, espanto-me sobretudo com a ousadia daquele “Nós os trabalhadores…”. Que essa ousadia me seja ressalvada considerando a sinceridade, a generosidade, mesmo a ingenuidade com que todos nós falávamos e agíamos. Não tínhamos estratégias ocultas, calculismos pessoais ou de grupo. Nenhum de nós estava a ver-se ministro ou o que quer que seja. E talvez por isso mesmo, porque transparecia esse modo como nos situávamos no torvelinho de então de um país e de um povo que se descobriam livres e pareciam reencontrar-se, àquele comício seguir-se-iam dezenas de outros – aliás, preferíamos chamar-lhes “sessões de esclarecimento” -, um pouco por todo o lado, e sempre com salas calorosas e a abarrotarem. Pois, para além do efeito da auréola romântica e aventurosa do Palma e da própria sigla, do teor do que dizíamos, connosco também andariam, ajudando a animar e a transmitir a mensagem, como ali em Faro, o Zeca, o Fanhais, o Vitorino (frequentemente com os irmãos), algumas vezes o Sérgio Godinho.
Tenho para mim que um dos maiores fracassos do pós 25 de Abril reside no facto de não ter havido quem governasse potenciando todo o manancial de esperança então despertado, transformando-o em força de mudança e de reconstrução do país. Talvez se tivesse conseguido dar um salto qualitativo rompendo de vez com os “sentimentos, hábitos e preconceitos” – para utilizar palavras de Antero, na sua célebre Conferência do Casino – herdados de séculos de Inquisição, de pobreza e de atraso, de dezenas de anos de ditadura. Isto para que, trinta e sete anos volvidos depois do retorno à Democracia e do Comício de Faro da LUAR, outros horizontes se nos abrissem que não estes estreitos e tristes com que hoje nos deparamos.
Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.
O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.
Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.
Canção do Mar
Letra e música: José Afonso
Arranjos/adaptação:
Rui Tinoco
Intérprete:
Frei Fado d'El Rei* (in CD "Senhor Poeta: Um Tributo a José Afonso", Bartilotti Produções/Ovação, 2007) [>> YouTube]
Versão original: José Afonso (in EP "Cantares de José Afonso", Columbia/VC, 1964; LP "Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes", Columbia/VC, 1970; reed. EMI-VC, 1992, "Encontros em Coimbra", Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)
[instrumental]
Ó mar
Ó mar
Ó mar profundo
Ó mar
Negro altar
Do fim do mundo
Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
No teu olhar
[vocalizos/ instrumental]
Ó mar
Ó mar
Ó mar profano
Ó mar
Verde mar
Em que me irmano
Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
No teu olhar
[instrumental]
Ó mar
Ó mar
Ó mar profundo
Ó mar
Negro altar
Do fim do mundo
Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
No teu olhar
[vocalizos/ instrumental]
Ó mar...
Ó mar...
Ó mar...
*
Frei Fado d'El Rei:
Carla Lopes – voz e percussões
Cristina Bacelar – guitarra clássica, voz, coros e percussões
Ricardo V. Costa – guitarra clássica, coros e castanhola de cana
José Flávio Martins – baixo eléctrico-acústico, bandola, coros e bombos tradicionais
Rui Tinoco – teclados, samplers e programações
Zagalo – percussões e coros
Produção – Frei Fado d'El Rei
Gravação, mistura e masterização – Luís Moreira (Mike), no Estúdio Companhia do Som, Porto, entre Janeiro e Março de 2007
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música
portuguesa: editados em 2007
URL: http://www.myspace.com/freifadodelrei
http://www.bartilotti.com/musica_frei_fa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Fado_d'E
http://www.artistas-espectaculos.com/dis
http://www.attambur.com/Grupos/frei_fado
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/f
http://cotonete.clix.pt/quiosque/artista
http://www.lastfm.pt/music/Frei+Fado+D'e
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
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