Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
QUE O PODER NÃO CAIA NA RUA - E NÃO CAIU!

 

  

Excertos de uma entrevista concedida por José Afonso à revista «Questões e Alternativas», nº2,  de Abril de 1984.  A este projecto editorial, estiveram ligados alguns argonautas.  A entrevista gravada, foi conduzida por Rui de Oliveira, Bruno da Ponte e Carlos Leça da Veiga. A questão posta pela publicação a diversas personalidades de esquerda era - «O 25 de Abril dez anos depois – que mudança?». Estes excertos foram já publicados no Estrolabio.

 

«À sombra da legalidade democrática mantêm-se e até se acentuam, as injustiças sociais que existiam antes do 25 de Abril.»

 

 

«O facto de eu poder ir a uma colectividade e poder dizer abertamente que é urgente uma subversão em relação ao momento actual que vivemos, que essa atitude subversiva não deve ficar apenas na consciência das pessoas, deve ter consequências colectivas e dirigir-se ao poder, constituir um desafio ao poder, tem alguma coisa de novo.»(…) «Existe uma democracia dita representativa, existe um parlamento que discute as leis, partidos políticos que representam correntes de opinião segundo o modelo europeu. A esse nível há um conjunto de aquisições.» (…)

 

«Continuamos com a sociedade de classes, sabemos por exemplo, que quem tem acesso ao ensino superior é uma pequena elite, que o ensino superior visa preparar indivíduos que, uma vez no poder, perpetuam a desigualdade de classes e, também, o sistema político que a conserva. A este nível, as coisas mantêm-se, portanto, na mesma. À sombra da legalidade democrática mantêm-se e até se acentuam, as injustiças sociais que existiam antes do 25 de Abril.» (…)»As perspectivas abertas por essa liberdade dependem da classe social a que se pertence. Digamos que, para a classe operária que vive na cintura industrial de Lisboa, não abre perspectiva alguma em relação ao desafogo a que aspira.» (…)«Agora, por exemplo, para um intelectual, cujo fim possa ser uma coluna num jornal onde possa colaborar» (…)«existe de facto liberdade para essas coisas. Mas a liberdade de uma classe pode não ser a liberdade de outra.» (…) «No que respeita à liberdade, as instituições existem. Mas funcionam num conjunto de alternativas que não favorecem o exercício da liberdade.»

           

 

«Penso que, após o 25 de Abril, devia ter havido uma prática pedagógica do exercício da democracia. As populações deveriam experimentar, directamente, quais são as possibilidades de inserção na realidade, de a transformar. Essa, para mim, é a forma mais sã de exercer a democracia. O voto de quando em quando, após 50 anos de obscurantismo, é uma coisa para especialistas em demagogia. Até porque os deputados não estão na Assembleia para resolver os problemas mais imediatos do povo, mas para cumprir desideratos políticos.» (…) «Por outro lado, todo o discurso parlamentar, com os meios de que dispõe, é de molde a configurar as consciências. É exactamente o que não acontecia imediatamente a seguir ao 25 de Abril, quando se organizaram as comissões de trabalhadores, de moradores, todos esses organismos que saíram quase espontaneamente do processo popular. Está-se hoje num círculo vicioso. A democracia só serve para confirmar, sancionar, o tipo de desigualdades a que me referi.» (…)     «Há, sem dúvida, uma diferença entre o fascismo e a democracia burguesa, embora, por vezes, em certos aspectos, esta possa resultar naquele.»

 

Mas naquele dia de Abril o Zeca, andou pela Baixa, foi ao Carmo, e foi surpreeendido pelo facto de a multidão desatar a cantar a Grândola. amento militar. Diz o Zeca: «Vivi o 25 de Abril numa espécie de deslumbramento» (...) «Fui para o Carmo, andei por ali... Estava tão entusiasmado com o fenómeno político que nem me apercebi bem, ou não dei importância a isso da Grândola. Só mais tarde (...) quando recomeçaram os ataques fascistas e a Grândola se cantava nos momentos de maior perigo ou entusiasmo, me apercebi de tudo o que significava e, naturalmente, senti uma certa satisfação».

 

Viveu, como muitos de nós as emoções, e acreditou que tudo ia mudar. Afinal tudo mudou para que tudo pudesse ficar na mesma. Voltemos á evolução dos acontecimentos.

 

 

 

17h00 - Salgueiro Maia desloca-se ao interior do Quartel e fala com Marcelo Caetano que, após ter colocado algumas perguntas, lhe solicita que um oficial-general vá efectuar a transmissão de poderes (Spínola, com quem, aliás, falara já ao telefone) para que o poder não caia na rua. - Salgueiro Maia pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e, usando o megafone, apela à calma.

 

17h45 - Chegada ao Largo do Carmo do general António de Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e dr. Carlos Vieira da Rocha. Após longos minutos envolvido pela multidão, o Peugeot que transportava Spínola consegue, finalmente, chegar junto da porta de armas do quartel.



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
É PRECISO LIBERTAR O 25 DE ABRIL

 

 

 

Chegámos fianlamente ao dia 25 de Abril de 1974 - a engrenagem da "Operação" está em marcha - mas falta ainda que a segunda senha seja lançada para que tudo se torne irreversível. Está prevista para ser emitida à meia-noite e vinte através da Rádio Renascença. Carlos Albino tomou todas as precauções para que não possa haver falhas. Minutos de tensão...

 

 

 

 

 

 


00h00 – De acordo com o combinado com o coordenador do MFA, o locutor João Paulo Dinis terminou o  programa nos Emissores Associados de Lisboa e foi para casa.

 

00h20 – Na Rádio Renascença, nos estúdios da Rua Capelo, junto ao Governo Civil, Paulo Coelho, ia metendo anúncios publicitários no programa Limite. Não sabe o que se passa, nem compreende os sinais que Manuel Tomás e Carlos Albino lhe fazem do outro lado do vidro para que saia do ar e continua com os spots publicitários. Foram 19 segundos de tensão e desespero. Até que, não aguentando mais, Manuel Tomás entrou na cabina e deu uma palmada na mão do técnico José Videira. E a bobina com a gravação de Grândola Vila Morena, de Zeca – a segunda senha escolhida pelo MFA –foi para o ar.

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

 

 

 

 

 

c. 00h30 - Na EPAM, um grupo de capitães e subalternos deu voz de prisão ao alferes miliciano Pinto Bessa, oficial de dia, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão. O capitão Gaspar assumiu provisoriamente as funções de oficial de serviço. - No Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) começaram-se a encher carregadores das G-3. - Na EPA continuou-se a preparação final do golpe, onde o capitão Santos Silva assumira já o comando, secundado pelos tenentes Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão. - Na EPI, em Mafra, os capitães Rui Rodrigues, Aguda e Albuquerque mandaram formar a companhia de intervenção. O capitão Silvério pôs em marcha o plano de defesa do quartel. Os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha convidaram o coronel Jasmins de Freitas a aceitar o comando da unidade.

 

00h40-

No Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC) os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais iniciaram a preparação dos homens para atingir o objectivo que lhes estava fixado - ocupar a Emissora Nacional. Na EPC, em Santarém os oficiais do MFA procuraram obter a adesão ao Movimento do tenente coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procederam à sua detenção.

 

Estamos, desde ontem, a recordar momentos significativos da Revolução de 25 de Abril. Vamos a partir de agora publicar testemunhos, opiniões, textos poéticos, de argonautas e de amigos do nosso blogue. O argonauta Pedro de Pezarat Correia, oficial general na reserva, é um homem de Abril. Abrimos com o seu texto a galeria de intervenções de tripulantes da nossa Argos. É preciso libertar o 25 de Abril da dinâmica governativa e da lógica estritamente eleitoralista em que os poderes o encarceraram. Restituir ao 25 de Abril a sua condição de movimento luminoso e libertador... Mas vamos ler com atenção o que Pedro de Pezarat Correia nos diz:

 

 

Estamos em época de comemoração do 25 de Abril. Do XXXVIII Aniversário de “todos nós”, porque em 25 de Abril de 1974 todos renascemos, mesmo aqueles que só depois viriam ao mundo mas que, quando chegaram à altura de estudar a História de Portugal, se apercebem que naquele dia renasceu um país para que eles pudessem vir a ter uma vida melhor, mais livre e mais digna. Os argonautas em viagem querem assinalar a data e, pela minha parte, não falto à chamada com este modesto contributo.

Mas… pois é, esta comemoração, como as que nos anos anteriores imediatamente a precederam, tem um frustrante e maiúsculo MAS!. É que se comemorar pode e deve ter um sentido festivo, quando se celebra uma efeméride positiva, quando se pretende recuperar um passado reconfortante, também pode ter um sentido nostálgico quando se evoca algo que passou e deixou um vazio.

Convém clarificar. Não penso que o 25 de Abril esteja morto, que seja apenas passado e memória a esfumar-se no tempo. O 25 de Abril está vivo porque vivos estão os muitos e muitos milhares de portugueses – e não só portugueses – que o guardam como marco insubstituível do seu ideal de vida. E porque vivos estão os valores que o tornaram uma referência, a LIBERDADE, a SOLIDARIEDADE, a JUSTIÇA SOCIAL, a PAZ.

 

Mas o 25 de Abril está cativo. Cativo de um projecto sem rosto, sem nome e sem fronteiras, que à sombra de políticas escoradas em dogmas tecnocráticos e neoliberais, o realismo, a eficácia, a auto-regulação, o mercado, a ausência de alternativa, está a tornar a sociedade global e as sociedades nacionais cada vez mais egoístas, mais injustas, mais desiguais, mais exclusivas, mais indignas, mais obscuras, mais violentas. Os imensos recursos tecnológicos, conquistas da humanidade ao longo do seu percurso histórico, ainda que teoricamente estejam colocados ao serviço de todos, estão na realidade a ser cada vez mais instrumentos do ofensivo enriquecimento de uns poucos e do humilhante empobrecimento dos muitos que são cada vez mais. O inevitável estatuto de dependência que daqui resulta é sinónimo de obstrução à solidariedade, de negação da justiça social, de limitação da liberdade, de ameaça à paz.

 

E é por isso que digo que o 25 de Abril está cativo. Cativo de um poder político arrogante para com o cidadão comum mas servil perante o poder económico e financeiro. Cativo de órgãos de soberania legitimados pelo processo de acesso ao poder mas funcionalmente ilegitimados por uma prática que desrespeita a separação dos poderes, com o legislativo e até o judicial, ao mais alto nível constitucional, controlados pelo executivo e em que até o poder arbitral do chefe de Estado, aliás da mesma área político-ideológica do executivo, está paralisado por erros próprios irremediáveis. Cativo de governantes medíocres que através de discursos erráticos e desrespeitadores da verdade abusam da boa fé dos eleitores. Cativos de uma dinâmica governativa cujo vector aponta sempre e rigidamente em sentido único, preservação dos interesses dos poderosos, redução dos direitos dos mais desprotegidos. Mas atenção, o 25 de Abril está cativo de todos nós, da passividade e da cumplicidade de todos nós, porque todos somos responsáveis pela abdicação de cidadania que abriu caminho e legitimou o poder actualmente instalado. Não tu, não eu enquanto cidadãos individuais, mas nós enquanto povo colectivo.

 

Ouve-se, com frequência, o lamento “não foi para isto que fizemos o 25 de Abril!”. Discordo.

 

O 25 de Abril, para além do projecto ousado que todos abraçámos e que a Constituição da República de 1976 consagrou, também foi feito para isto, para que os portugueses escolhessem o caminho do seu futuro e quem os deveria representar na gestão desse caminho. Se os portugueses erraram, se enganaram ou foram enganados, permitindo o enclausuramento da esperança do 25 de Abril, têm nas suas mãos as ferramentas para o libertarem deste cativeiro. Apesar de uma informação pública condicionada, da instabilidade do seu posto de trabalho, da chantagem financeira, da ameaça com a insegurança, os portugueses têm direito à indignação e podem correr com os vendilhões do templo.

 

Este desabafo é a minha comemoração do 25 de Abril. O eco que ele e o de muitos outros que se vão ouvir nestes dias tiverem na consciência dos nossos concidadãos, será a prova de vida do 25 de Abril.



publicado por Carlos Loures às 23:59
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Domingo, 22 de Abril de 2012
Petição PELA CONSTRUÇÃO DE UM MONUMENTO A JOSÉ AFONSO, EM LISBOA

Um Café na Internet

 

 

 

 

Exma Sra Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e Exmo Sr Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

JOSÉ AFONSO, de seu nome completo José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nasceu em 2 de Agosto de 1929 e faleceu em 23 de Fevereiro de 1987. O Zeca, como ainda hoje é carinhosamente conhecido, deixou o seu nome indelevelmente ligado à história recente de Portugal, vindo a canção “Grândola, Vila Morena” a constituir a senha do Movimento das Forças Armadas, em 25 de Abril de 1974, para o derrube da ditadura de 48 anos. 


A dimensão de Zeca Afonso como Poeta, Músico e Intérprete ultrapassa largamente os contornos de cantor de intervenção, tendo criado uma obra, internacionalmente reconhecida, que teve papel determinante no movimento de renovação da música portuguesa, continuando a influenciar as novas gerações de Autores e Músicos. Como cidadão, José Afonso é, do mesmo modo, uma referência pela integridade de carácter, pela estatura cívica e invulgar coerência. 
O reconhecimento de José Afonso como importante vulto cultural, cívico e intelectual é, hoje, transversal a toda a sociedade portuguesa. Assim, os subscritores da presente Petição Pública entendem ser da mais elementar justiça que o País lhe preste a devida homenagem através da construção de um monumento evocativo na cidade de Lisboa. 

Os signatários: AJALisboa – Nucleo de Lisboa da Associação José Afonso; A Barraca – Grupo de Teatro; ACCL – Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa; Associação Abril; Associação 25 de Abril; Centro Mário Dionisio – Casa da Achada; M12M- Movimento 12 de Março; NAM- Movimento Não Apaguem a Memória; SPA- Sociedade Portuguesa de Autores; SPGL- Sindicato dos Professores da Grande Lisboa; UMAR- União das Mulheres Alternativa e Resistencia 


Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição online: «PELA CONSTRUÇÃO DE UM
MONUMENTO A JOSÉ AFONSO, EM LISBOA»

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N23482

Pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.

Obrigado,
José Mariz


publicado por João Machado às 15:00
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012
PARA UM MONUMENTO EM LISBOA A JOSÉ AFONSO

Petição PELA CONSTRUÇÃO DE UM MONUMENTO A JOSÉ AFONSO, EM LISBOA

 

 Para:Exma Sra Presidente da Assembleia Municipa de Lisboa e Exmo Sr Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

 

 

JOSÉ AFONSO, de seu nome completo José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nasceu em 2 de Agosto de 1929 e faleceu em 23 de Fevereiro de 1987. O Zeca, como ainda hoje é carinhosamente conhecido, deixou o seu nome indelevelmente ligado à história recente de Portugal, vindo a canção “Grândola, Vila Morena” a constituir a senha do Movimento das Forças Armadas, em 25 de Abril de 1974, para o derrube da ditadura de 48 anos. 


A dimensão de Zeca Afonso como Poeta, Músico e Intérprete ultrapassa largamente os contornos de cantor de intervenção, tendo criado uma obra, internacionalmente reconhecida, que teve papel determinante no movimento de renovação da música portuguesa, continuando a influenciar as novas gerações de Autores e Músicos. Como cidadão, José Afonso é, do mesmo modo, uma referência pela integridade de carácter, pela estatura cívica e invulgar coerência.

 
O reconhecimento de José Afonso como importante vulto cultural, cívico e intelectual é, hoje, transversal a toda a sociedade portuguesa. Assim, os subscritores da presente Petição Pública entendem ser da mais elementar justiça que o País lhe preste a devida homenagem através da construção de um monumento evocativo na cidade de Lisboa. 

Os signatários: 
AJALisboa – Nucleo de Lisboa da Associação José Afonso; A Barraca – Grupo de Teatro; ACCL – Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa; Associação Abril; Associação 25 de Abril; Centro Mário Dionisio – Casa da Achada; M12M- Movimento 12 de Março; NAM- Movimento Não Apaguem a Memória; SPA- Sociedade Portuguesa de Autores; SPGL- Sindicato dos Professores da Grande Lisboa; UMAR- União das Mulheres Alternativa e Resistencia 



Esta petição encontra-se alojada na internet no site Petição Publica que disponibiliza um serviço público gratuito para petições online.
Caso tenha alguma questão para o autor da Petição poderá enviar através desta página: Contactar Autor

 



publicado por Carlos Loures às 09:45
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POEMAS SOBRE O ALENTEJO - António Vicente Campinas

 

 

 

 

POEMAS SOBRE O ALENTEJO

 

VICENTE CAMPINAS

 

 

Cantar alentejano

 

 

 

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p´ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p´ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

 

Este poema de António Vicente Campinas  é habitualmente atribuído a José Afonso, autor da belíssima música da popular canção. Quando José Afonso publicou a primeira edição de "Cantares" (Nova Realidade, Tomar, 1967) não indicou a autoria do poema. Para quem tenha conhecido o Zeca, o motivo para tal 'esquecimento' só pode ter sido a situação de clandestinidade em que Vicente Campinas se encontrava. A ilustração destes poemas não tem sido orientada no sentido de uam correspondência cabal - para poemas inspirados no Alentejo, temos escolhido temas plásticos de igual inspiração. Neste caso, seria estranho não usar a bela gravura de José Dias coelho (que viria também a ser assassinado  atiro, pela PIDE). E a canção de José Afonso por ele interpretada é outro elemento indispensável neste conjunto de criações artísticas dedicado à ceifeira Catarina Eufémia.

 

 

 

 

Gravura de José Dias Coelho

Amanhã - Florbela Espanca (2)

 

 



publicado por Carlos Loures às 07:00
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - 30 - "Maria" - por Álvaro José Ferreira
 

 

 
 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Maria

 

Letra e música: José Afonso

Intérprete: José Afonso* (in EP "Cantares de José Afonso", Columbia/VC, 1964; LP "Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes", Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1992; CD "Encontros em Coimbra", Valentim de Carvalho/Iplay, 2008) [>> YouTube]

 

 

 

[instrumental]

 

Maria

Nascida no monte

À beira da estrada

Maria

Bebida na fonte

Nas ervas criada

 

Talvez

Que Maria se espante

De ser tão louvada

Mas não

Quem por ela se prende

De a ver tão prendada

 

Mas não

Quem por ela se prende

De a ver tão prendada

 

[instrumental]

 

Maria

Nascida no trevo

Criada no trigo

Quem dera

Maria que o trevo

Casara comigo

 

Prouvera

A Maria sem medo

Crer no que lhe digo

Maria

Nascida no trevo

Beiral do mendigo

 

Maria

Nascida no trevo

Beiral do mendigo

 

[instrumental]

 

Maria

De todas primeira

De todas menina

Maria

Soubera a cigana

Ler a tua sina

 

Não sei

Se deveras se engana

Quem demais se afina

Maria

Sol da madrugada

Flor de tangerina

 

Maria

Sol da madrugada

Flor de tangerina

 

 

Nota do autor: «O conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores.» (in "Cantares de José Afonso", Tomar: Nova Realidade, 1966; Coimbra: Fora do Texto, 4.ª ed., 1995)

 

* Rui Pato – viola

Biografia e discografia em: A Nossa Rádio

URL: http://www.aja.pt/

http://vejambem.blogspot.com/

http://www.myspace.com/associacaojoseafonso

http://www.youtube.com/associacaojoseafonso

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Afonso

http://www.infopedia.pt/$jose-afonso

http://www.oocities.org/vilardemouros1971/joseafonso.htm

http://www.arlindo-correia.com/080401.html

http://www.revues-plurielles.org/_uploads/pdf/17_16_5.pdf

http://www.portaldofado.net/content/view/266/280/

http://fado.com/index.php?option=com_content&task=view&id=72&Itemid=67

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162335.html

http://delta02.blog.simplesnet.pt/

http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afonso.html

http://www.infoalternativa.org/radio/radio/jose-afonso_cantigas-do-maio/index.php?autoplay=1

http://www.myspace.com/joseafonso

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/jose_afonso

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=1350

http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afonso

 

 

[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLys6VB6Y_S4sv6_Xbet-9fA]

 

 



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
Evocação de José Afonso e de Adriano Correia de Oliveira. No Porto.

 
 
6 de Abril | 6ª feira| 21h 30m | Fundação José Rodrigues | MANUEL FREIRE
9 de Abril | 2ª feira| 21h 30m | Sede da AJA norte | 70 Anos de Adriano| MÁRIO CORREIA

 * Manuel Freire, na iniciativa "GENTE D´AQUI E D´AGORA", evoca Adriano, Zeca Afonso a a canção como forma de resistência,

 * Mário Correia, no dia em que se completam 70 anos sobre a vinda ao mundo de Adriano, apresenta o seu livro. "Adriano Correia de Oliveira - Um Trovador da Liberdade".

Seja bem vindo (a) quem vier por bem!

AJA norte

 

 

 



publicado por João Machado às 09:30
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
Diário de bordo de 27 de Março de 2012

 

 

 

A crise de identidade no interior do PSD está a agravar-se. Vem de longe a confusão e, como temos dito, o erro começa logo na designação do Partido. Todos sabemos como são irrelevantes as siglas – as siglas configuram a utopia dos fundadores, não uma realidade programática e muito menos uma prática política.O Partido Socialista, fundado em 1973 (vai fazer 40 anos!) se alguma vez foi verdadeiramente socialista terá sido no período da clandestinidade. Mas o PSD abusa dessa tradição. Começou por se chamar PPD (Partido Popular  Democrático) o que era mais pacífico. Depois algum génio propôs a mudança para PSD  num movimento que nada tem a ver com a social-democracia, doutrina de raiz marxista que Lenine verberou por pretender atingir o socialismo sem passar pela etapa revolucionária.

 

Herdeiros do partido único do regime salazarista, os fundadores foram suficientemente argutos para compreender que os objectivos do velho ditador não eram incompatíveis com um modelo de democracia de «rosto humano». Perceberam que para defender os interesses dos grandes grupos económicos não era necessário todo aquele sinistro aparato repressivo – PIDE, Legião, Censura…Tudo aquilo, desde a saudação de mão estendida às torturas policiais, dava mau aspecto e concitava animosidades por esse mundo fora. O fascismo caíra em desuso. Quando se deu o 25 de Abril, desfizeram-se da tralha ideológica, abriram mãos das colónias e aqui temos esta gente convertida em democratas – Mais - a dar lições de democracia aos selvagens da esquerda que queriam  coisas utópicas – igualdade e por aí fora.

 

Não sabemos de quem terá sido a ideia de crismar a organização – ignorância ou arrogância e desprezo  pelas ciências políticas. E esta equipa de incompetentes reincide no erro – vimos anunciado um documento com um título do género - «Para uma nova social-democracia» - nova social-democracia que deve ter tanto a ver com  as teses de Kautsky e de Eduard Bernstein como as piadas de Groucho Marx com a obra de Karl Marx.

 

Mas já não seria a primeira vez que ouviria gente do PSD dizer-se «de esquerda». Esta crise de identidade, leva os “social-democratas” a usar no seu congresso versos de José Afonso. Zélia Afonso veio a público condenar a utilização da obra de um homem que toda a vida esteve contra aquilo que PSD representa. Se, por um lado, a obra do Zeca, como a de Camões ou Pessoa, deixaram de pertencer a esta ou àquela corrente  política, como a viúva salientou, este caso é diferente – toda a obra de José Afonso se fez contra aquilo que o PSD defende e pratica.

 

 



publicado por Carlos Loures às 12:00
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Terça-feira, 13 de Março de 2012
Pérolas da música portuguesa votadas ao ostracismo - por Álvaro José Ferreira

 

 

Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

Que Amor Não me Engana
 
Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso* (in LP "Venham Mais Cinco", Orfeu, 1973, reed. Movieplay, 1987, 1996) [>> YouTube]
 
 
[instrumental]
 
Que amor não me engana
Com a sua brandura,
Se da antiga chama
Mal vive a amargura.
 
Duma mancha negra,
Duma pedra fria,
Que amor não se entrega
Na noite vazia?
 
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito;
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito.
 
Muito à flor das águas,
Noite marinheira,
Vem devagarinho
Para a minha beira!
 
[instrumental]
 
Em novas coutadas,
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera.
 
Assim tu souberas,
Irmã cotovia,
Dizer-me se esperas
P'lo nascer do dia.
 
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito;
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito.
 
Muito à flor das águas,
Noite marinheira,
Vem devagarinho
Para a minha beira!
 
 
* Yório Gonçalves – viola
Jean Claude Dubois – harpa
Lockood – flauta
Benedetti – violoncelo
Arranjos e direcção musical – José Mário Branco
Produção – José Niza
Gravado no Studio Aquarium, Paris, de 10 a 20 de Outubro de 1973
Engenheiro de som – Gilles Sallé
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2008
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL:

http://www.aja.pt/
http://vejambem.blogspot.com/
http://www.myspace.com/associacaojoseafonso
http://www.youtube.com/associacaojoseafonso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Afonso
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
http://www.oocities.org/vilardemouros1971/joseafonso.htm
http://www.arlindo-correia.com/080401.html
http://www.revues-plurielles.org/_uploads/pdf/17_16_5.pdf
http://www.portaldofado.net/content/view/266/280/
http://fado.com/index.php?option=com_content&task=view&id=72&Itemid=67
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162335.html
http://delta02.blog.simplesnet.pt/
http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afonso.html
http://www.infoalternativa.org/radio/radio/jose-afonso_cantigas-do-maio/index.php?autoplay=1
http://www.myspace.com/joseafonso
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/jose_afonso
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=1350
http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afonso
 
 
[Histórico das pérolas >> http://www.youtube.com/playlist?list=FLys6VB6Y_S4sv6_Xbet-9fA&feature=plcp]



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Quarta-feira, 7 de Março de 2012
MÚSICA GALEGA - Uxia - Menino do bairro negro (José Afonso)

Sempre Galiza!

Sempre Galiza!

 

 

A Música Galega que surgia Ao romper da bela aurora

passa a ser aqui acolhida, às quartas, às dez horas.

 

 

 

Menino do bairro negro - Uxia

 

 

A galega Uxia canta "Menino do bairro negro" do português José Afonso.

 



publicado por Pedro Godinho às 10:00
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Terça-feira, 6 de Março de 2012
Debate sobre a obra poética de José Afonso. 10 de Março, no Porto.

10 de Março | sábado |15h | Sede da AJA norte

 

Sessão/Debate/Tertúlia com ALEXANDRE PEREIRA MARTINS autor de uma tese de doutoramento sobre a obra poética de José Afonso.

 

Pelo seu valor intelectual e pelo carácter inédito do trabalho recomendamos a vossa participação.

 


 

 

Alexandre Pereira Martins

Doutorado em Filologia Portuguesa . Licenciado em Ciências Regionais da América Latina

Colónia, Alemanha . Correio: martins@alyfe.de . Página pessoal: www.alyfe.de

 

NOTA DE IMPRENSA

12 de Agosto de 2011

 

José Afonso em tese de doutoramento

Investigação inédita sobre o poeta, músico e compositor português

 

Pela primeira vez foi defendido um doutoramento que analisa, numa perspectiva  filológica, a obra integral de José Afonso (1929-1987), quer musicada (discografia), quer poemática (lírica não-musicada). Aconteceu no passado mês de Julho na Universidade de Colónia, na Alemanha, pelo Dr. Alexandre Martins, investigador lusodescendente  residente nessa mesma cidade.

 

Os primeiros passos dados até à data neste sentido são escassos. Merece especial destaque a primeira tese de doutoramento sobre as canções de José Afonso, publicado em Viena pela austríaca Dra. Elfriede Engelmayer em 1985, a qual se ocupou com a obra musicada entre 1968 e 1979, tendo posteriormente reunido alguns artigos no livro José Afonso, poeta (Ulmeiro, 1999). Esta autora é também responsável pela edição mais recente da obra integral de José Afonso Textos e canções (Relógio d`Água, 2000).

 

Partindo da convicção de que uma obra lírico-musical de três décadas e mais de 250 textos líricos (mais de metade não musicados), merece um enquadramento mais complexo, além dos rótulos óbvios “oposição ao Estado Novo”, “canção de intervenção”, “Revolução dos Cravos”, a investigação teve como objectivo demonstrar a estética poética que está por detrás da obra de Afonso, assim como o percurso que o caracteriza

como escritor lírico.

 

A investigação debruçou-se sobre o fenómeno da literatura comprometida (littérature engagée). Em Portugal, partindo do Neo-Realismo e seguindo as correntes poéticas das décadas de 1940, 1950 e 1960, altura em que se forma o movimento da canção de intervenção. São poetas como Edmundo de Bettencourt, Carlos de Oliveira, Alexandre O`Neill, António Gedeão, Manuel Alegre, Ary dos Santos e José Jorge Letria que exemplificam através das suas obras a reciprocidade entre a poesia e a música. Pertencendo estes a correntes e/ ou épocas diferentes, formam a posteriori um círculo aberto onde também se insere a obra de José Afonso. Nesta, contam-se, a par dos momentos mais interventivos de poesia comprometida, assim como de uma matriz popular, exemplos de poesia hermética, num contacto com correntes surrealizantes, mas também de preocupações filosóficas e metafísicas.

 

Em fase de publicação na Alemanha, será em breve efectuada a tradução da tese de doutoramento1, com a participação activa do autor, para posterior edição em Portugal.

 

1 O título, traduzido do alemão, lê-se: “Reconstrução da poética do cantor-autor e poeta português José Afonso (1929-1987)”.

 

 

Sobre o autor


 

O Dr. Alexandre Pereira Martins nasceu em 1974 na cidade de Colónia (Alemanha) onde cresceu e reside actualmente, sendo a sua familia oriunda da zona de Peniche e de Fátima.

 

Em 2004 licenciou-se em Ciências Regionais da América Latina, curso interdisciplinar (Filologia, Ciências Políticas, História e Economia) com um trabalho final sobre os discursos de identidade na música popular-moderna portuguesa.

 

Colaborou em revistas alemãs, entrevistando, entre outros, Teresa Salgueiro e Pedro Ayres Magalhães (Madredeus), Chico César, Omara Portuondo (Buena Vista Social Club), Vitorino Salomé, Tozé Brito, Manuel Faria (Trovante), Lena D´Água e Carlos Maria Trindade (Heróis do Mar, Madredeus). E mantém, na sequência de programas universitários, contactos com regiões iberoamericanas, em especial com o Brasil e o Peru.

 

Como docente no Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colónia tem leccionado seminários de Literatura Lusófona, principalmente Portuguesa, e cursos de tradução português-alemão. Como conferencista, conta com cerca de 20 comunicações, em Portugal e no estrangeiro, sobre temas literários, culturais e sociais, de âmbito lusófono. Em 2011 concluiu na Universidade de Colónia a tese de doutoramento sobre a poética de José Afonso.

 

É membro da Associação Alemã de Lusitanistas (DLV), do Centro Mundo Lusófono (ZPW, Universidade de Colónia), da Associação Luso-Alemã (DPG) e da Associação José Afonso (AJA).

 



publicado por João Machado às 09:30
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
Os 25 anos do ZECA na Academia de Santo Amaro - por Hélder Costa

 

 


Esta 5ª feira, dia 23, houve uma noite gloriosa na Academia de Santo Amaro.

 

Assinalavam-se os 25 anos do desaparecimento do Zeca Afonso.

 

O concerto contou com a participação de cerca de 20 cantores, músicos, declamadores , grupos e coros no total de 185 intervenientes.

 

 

 

De elevadíssima qualidade musical e com a participação numerosos jovens e seniores – a simbiose perfeita de uma mobilização artística inserida no tecido social - , constituiu um agradável reforço ideológico e “vitamínico” para o público que super - lotou o teatro da Academia.

 

Como fui convidado para apresentar o espectáculo, decidi escalonar as minhas intervenções desta forma:

 

Início – fazer um Balanço rápido dos anos 60 para se perceber a inserção da acção cultural no movimento político anti – fascista.

 

Os dados de revolta estavam lançados : o aparecimento da guerra colonial, Beja, o assalto ao S. Maria, as fugas de Caxias e Peniche, as greves no campo Alentejano e nas escolas e Universidades.

 

E é aqui que surgem os sinais do caleidoscópio cultural : em síntese rápida ( e, por isso, inevitavelmente com injustas lacunas) : “ Barranco de cegos” de Alves Redol, “Render dos heróis” de J. Cardoso Pires pelo Teatro Moderno, os filmes“Belarmino” de F. Lopes, e “ Verdes anos” de Paulo Rocha, a pujança do Teatro Universitário, a música de Lopes Graça, Carlos Paredes e Zeca Afonso.

 

A 2ª intervenção dediquei -a a Coimbra para referir um comportamento exemplar e desconhecido do Zeca Afonso. A greve de 62 em Coimbra foi particularmente activa e determinada. Além das greves às aulas, o luto Académico espalhou-se também pelas actividades desportivas.

 

Nesse tempo, a Académica gozava de enorme prestígio desportivo a nível nacional.

 

Estava à frente dos campeonatos de hóquei e basket e em 3º lugar no futebol. Começaram as greves no hóquei, basket e futebol, faltando aos encontros! E dizíamos : perde-se o titulo, mas não se perde a Honra! ( BONS TEMPOS!)

 

Mas como o futebol é coisa séria e o próximo jogo era com o Sporting, a GNR decidiu intervir :prisão dos jogadores para estágio no Luso…;surgiu a ideia de cavar o campo no Sábado à noite, mas o estádio já estava cercado quando lá chegámos embrulhados nas capas que escondiam as picaretas…Com estádio cheio e a GNR cercando o terreno de jogo e de frente para a assistência, ojogo nunca mais começava porque a Académica não deu o pontapé de saída…bola para o Sporting, chegam à baliza da Académica e atiram a bola para trás…Aplausos, FRA, etc. ; 0/0 ao intervalo…; claro que a Pide foi falar ao intervalo e o Sporting acabou por ganhar por 3 /0, com os nossos aplausos, evidentemente. É neste ambiente que surge um plano para arrefecer o movimento.

 

O Orfeão é convidado para se deslocar aos Estados Unidos! E o Zeca é convidado para ir, com oferta de um maço de milhares de escudos em cima da secretária da direcção e mais a garantia de gravação de discos na pátria do Tio Sam. E o Zeca, de terrível penúria económica, recusou.

 

3ª –Falei da ida a Grândola à SMFOG, Música Velha no dia 17 Maio 1964,com a GNR na rua(para proteger o povo dos cantores, com certeza); foi um êxito total com estreia de novas canções, e 3 dias depois Zeca enviou o poema Grândola, vila morena (escrito com tinta verde) para o José da Conceição.

 

Para terminar referi o boicote ao Zeca depois do 25 de Novembro numa certa imprensa que falava da sua péssima qualidade musical, etc. O Zeca era sensível e não aguentou. Fui convidá- lo para fazer a música de “ Zé do Telhado”, e não quis fazer, que não prestava, não cantava mais, etc. Consegui fazer chantagem, e ele cedeu. Depois do êxito, ele dizia-me: “ Hélder, o que é chato é que quem escreveu essas coisas, era malta de esquerda;” “ Oh Zeca, olha a sorte que tiveste, se não fossem de esquerda eram uns filhos da puta “

 

Lisboa, 24 de Fevereiro 2012

 

HÉLDER COSTA



publicado por Carlos Loures às 21:00
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
José Afonso: "Fui à Beira do Mar" - por Álvaro José Ferreira

No dia em que se assinalam os 25 anos do desaparecimento de José Afonso, o blogue "A Nossa Rádio" rende-lhe uma singela homenagem destacando um dos mais belos e, incompreensivelmente, menos divulgados espécimes do seu vasto legado poético-musical, "Fui à Beira do Mar". Um tema em que está bem expresso o empenho cívico e artístico de um homem que nunca calou a sua voz, apesar das imensas adversidades que enfrentou, tendo sempre em mira a «capital da alegria: cidade do homem, não do lobo mas irmão.» Uma mensagem de grande actualidade... Fui à Beira do Mar Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso* (in LP "Eu Vou Ser Como a Toupeira", Orfeu, 1972, reed. Movieplay, 1987, 1996) [>> YouTube]

 

 

 

[instrumental]

 

Fui à beira do mar
Ver o que lá havia;
Ouvi uma voz cantar
Que ao longe me dizia:

"Ó cantador alegre,
Que é da tua alegria?
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria!"

 

[instrumental]

 

Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"

Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia;
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia.

 

[instrumental]

 

Desde então a bater
No meu peito, em segredo,
Sinto uma voz dizer:
"Teima, teima sem medo!"

Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria;
Ouço alguém a bradar:
"Aproveita que é dia!"

 

[instrumental]

 

* Trabalho de grupo de: Benedicto, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Afonso, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho
Produção – José Niza
Gravado nos Estúdios Celada, Madrid, de 6 a 13 de Novembro de 1972
Captação de som – Paco Molina, António Olariaga, Pepe Fernandez, Juan Carlos Ramirez e Juan António Molina
Mistura – Paco Molina
Texto sobre o disco em: Grandes discos da música portuguesa: efemérides em 2007
Biografia e discografia em: A Nossa Rádio
URL: http://www.aja.pt/
http://vejambem.blogspot.com/
http://www.myspace.com/associacaojoseafonso
http://www.youtube.com/associacaojoseafonso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Afonso
http://www.infopedia.pt/$jose-afonso
http://www.revues-plurielles.org/_uploads/pdf/17_16_5.pdf
http://www.arlindo-correia.com/080401.html
http://www.portaldofado.net/content/view/266/280/
http://fado.com/index.php?option=com_content&task=view&id=72&Itemid=67
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/162335.html
http://delta02.blog.simplesnet.pt/
http://zecafonso.com.sapo.pt/Jose%20Afonso.html
http://www.infoalternativa.org/radio/radio/jose-afonso_cantigas-do-maio/index.php?autoplay=1
http://www.myspace.com/joseafonso
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/jose_afonso
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=1350
http://www.lastfm.pt/music/Jos%C3%A9+Afonso
 
Publicada por Álvaro José Ferreira em 11:28

 

 



publicado por Carlos Loures às 19:00
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
Entrudo, Entruido

Sempre Galiza!

Sempre Galiza!

 

 

Entrudo, Entruido

 

Entruido

O mesmo que entrudo.
[Dicionário Cândido de Figueiredo, 1913]

 

Entrudo, Entruido, Entroido, Antroido (do latim: introitu = intróito; entrada; começo), também dito de Carnaval.

 

Apontada como festa de origem pagã, com folguedos populares, associada ao início dum novo ciclo da natureza e dos trabalhos do campo, por alguns ligada às Saturnais romanas, que viria, como tantas outras que não conseguiu eliminar, a ser incorporada com regras próprias pela igreja católica para os dias anteriores à quaresma, sofrendo também alterações com o carnaval urbano.

 

Adeus martes de Entruido,

adeus,meu amiguinho

até Domingo de Páscoa

não comerei mais toucinho

 

Como em tantos outros aspectos, encontram-se semelhanças entre os diferentes festejos na Galiza e, em Portugal, no Minho e Trás-os-montes.

 

Em 2005, Xabier Prado, coordenador da candidatura do Património Imaterial Galego-Português apresentada à UNESCO dizia basear-se aquela em cinco elementos, dos quais “o quarto elemento constitui-o o ciclo festivo anual e as actividades de lazer, onde incluímos os jogos tradicionais. Nesta parte destacamos como um elemento de excelência o Carnaval, com as suas características enraízadas em tradiçons antiquíssimas e partilhadas pelos caretos de Podence, os peliqueiros, os generais da Ulha, etc. Em geral toda a celebraçom do Carnaval como um rito anterior à cristianizaçom e que foi assimilado polo catolicismo por um processo de sincretismo.”

 

Algumas “galeguices” do entrudo a merecer serem conhecidas: Festa da Pita, Domingo Fareleiro, Cigarróns de Verin,Peliqueiros de Laza, Oso de Salcedo, Merdeira de Vigo, Pantalha de Xinço de Limia.

 

Todos a chocalhar,

 

os Cigarrões de Verim (Ourense, Galiza)

 


 

 

os Caretos de Podence (Trás-os-Montes, Portugal)

 


 

 

o Oso de Salcedo (Lugo, Galiza)  

 

 

 

 

E como o entrudo se está a tornar uma moda de laivos comerciais fiquemos, ao invés, com uma genuína “Moda do Entrudo”, música popular de Malpica, Beira-baixa, Portugal, na versão de José Afonso.

 


 

 

 



publicado por Pedro Godinho às 10:00
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA - 8 - por José Brandão
 
 

 

 

Este conjunto de dez livros proibidos confirma o que temos dito - o critério da polícia era tortuoso e revelava a falta de preparação cultural de quem dirigia este sector da máquina repressiva do Estado Novo. Mas são proibições «normais» - não podia esperar-se que um romance como Capitães da Areia, de Jorge Amado passasse despercebido. Dórdio Guimarães, Vergílio Ferreira ou Fiama Hasse Pais Brandão, eram nomes da «lista negra». Mas há aqui nesta lista três livros de uma editora artesanal que funcionava em Tomar e era conduzida por três sócios - Carlos Loures, Júlio Estudante e Manuel Simões - o primeiro livro editado foi precisamente Cantares, de José Afonso. Os donos da Nova Realidade sabiam que os livros iam ser proibidos e os exemplares eram devidamente armazenados - a PIDE apreendia alguns e os outros vendiam-se (sem especulações). Umas centenas de assinantes a quem os livros eram enviados à cobrança antes de ser postos à venda na rede livreira, garantiam os custos. A partir de certa altura, todos os livros da Nova Realidade eram apreendidos.



publicado por siuljeronimo às 16:00
editado por Carlos Loures em 09/01/2012 às 17:18
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
O 1º Comício da LUAR - por Fernando Pereira Marques
 
                                                  

                                                                                           

 

 

Após o 25 de Abril, durante algumas semanas, aqueles que já eram da organização  e entretanto se tinham reagrupado - enquanto novos aderentes iam chegando espontaneamente – discutiram, vivamente, sobre o que fazer: continuar? entrar no PS (defendiam uns quantos)? desaparecer? Prevaleceu a primeira opção e em torno dela havia que começar a trabalhar visto considerar-se que a revolução não estava consolidada e que importava aprofundá-la. A LUAR ainda tinha um papel a desempenhar na nova situação existente.

 

Consequentemente era necessário ir para o terreno, mostrar que existíamos, construir um programa. Decidiu-se que o primeiro comício seria em Faro, no Algarve natal do Palma e de vários outros,  onde já se estava a formar um núcleo. Nunca tínhamos montado nada do género. Por isso, ao ver estas imagens, espanto-me de como se conseguiu tudo o que se vê: militantes a venderem o jornal, as faixas com palavras de ordem, o material sonoro e  aquela imensa gente, a maior parte jovem, que acorreu entusiástica.

 

Já não me recordo quem mais interveio, além do Palma e de mim. Mas sei que também nunca antes tínhamos falado para público tão vasto e em semelhantes circunstâncias. Daí o nervoso, o não saber onde pôr as mãos, a insegurança. Do que disse só me ficou na memória uma alusão aos miúdos que em cima do palco se amontoavam. Agora, ao ouvir-me, espanto-me sobretudo com a ousadia daquele “Nós os trabalhadores…”. Que essa ousadia me seja ressalvada considerando a sinceridade, a generosidade, mesmo a ingenuidade com que todos nós falávamos e agíamos. Não tínhamos estratégias ocultas, calculismos pessoais ou de grupo. Nenhum de nós estava a ver-se ministro ou o que quer que seja. E talvez por isso mesmo, porque transparecia esse modo como nos situávamos no torvelinho de então de um país e de um povo que se descobriam livres e pareciam reencontrar-se, àquele comício seguir-se-iam dezenas de outros – aliás, preferíamos chamar-lhes “sessões de esclarecimento” -, um pouco por todo o lado, e sempre com salas calorosas e a abarrotarem. Pois, para além do efeito da auréola romântica e aventurosa do Palma e da própria sigla, do teor do que dizíamos, connosco também andariam, ajudando a animar e a transmitir a mensagem, como ali em Faro, o Zeca, o Fanhais, o Vitorino (frequentemente com os irmãos), algumas vezes o Sérgio Godinho.

 

Tenho para mim que um dos maiores fracassos do pós 25 de Abril  reside no facto de  não ter havido quem governasse potenciando todo o manancial de esperança então despertado, transformando-o em força de mudança e de reconstrução do país. Talvez se tivesse conseguido dar um salto qualitativo rompendo de vez com os “sentimentos, hábitos e preconceitos”  – para utilizar palavras de Antero, na sua célebre Conferência do Casino – herdados de séculos de Inquisição, de pobreza e de atraso, de dezenas de anos de ditadura. Isto  para que, trinta e sete anos volvidos depois do retorno à Democracia e do Comício de Faro da LUAR, outros horizontes se nos abrissem que não estes estreitos e tristes com que hoje nos deparamos.  

                                             

 



publicado por Carlos Loures às 19:00
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Sábado, 12 de Novembro de 2011
ERGUE-TE, Ó COMPANHEIRO ! - Por Mário de Oliveira



publicado por Carlos Loures às 23:55
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO - Canção do Mar - por Álvaro José Ferreira

 

 

 
 
 Ouça! Ouça!... Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista
da rádio estatal que tem a obrigação (formalmente assumida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida 'playlist' está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos 'ad nauseam'.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de  rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Canção do Mar

 

Letra e música: José Afonso

Arranjos/adaptação:
Rui Tinoco

Intérprete:
Frei Fado d'El Rei* (in CD "Senhor Poeta: Um Tributo a José Afonso", Bartilotti Produções/Ovação, 2007) [>> YouTube]

Versão original: José Afonso (in EP "Cantares de José Afonso", Columbia/VC, 1964; LP "Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes", Columbia/VC, 1970; reed. EMI-VC, 1992, "Encontros em Coimbra", Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)

 

 

[instrumental]

 

Ó mar

Ó mar

Ó mar profundo

Ó mar

Negro  altar

Do fim do mundo

 

Em ti nasceu

Ó mar

A noite que já morreu

No teu olhar

  

[vocalizos/ instrumental]

 

Ó mar

Ó mar

Ó mar profano

Ó mar

Verde mar

Em que me irmano

 Em ti nasceu

Ó mar

A noite que já morreu

No teu olhar

 

[instrumental]

 

Ó mar

Ó mar

Ó mar profundo

Ó mar

Negro altar

Do fim do mundo

 

Em ti nasceu

Ó mar

A noite que já morreu

No teu olhar

 

[vocalizos/ instrumental]

 

Ó mar...

Ó mar...

Ó mar...

 

 *
Frei Fado d'El Rei:

Carla Lopes – voz e percussões

Cristina Bacelar – guitarra clássica, voz, coros e percussões

Ricardo V. Costa – guitarra clássica, coros e castanhola de cana

José Flávio Martins – baixo eléctrico-acústico, bandola, coros e bombos tradicionais

Rui Tinoco – teclados, samplers e programações

Zagalo – percussões e coros

Produção – Frei Fado d'El Rei

Gravação, mistura e masterização – Luís Moreira (Mike), no Estúdio Companhia do Som, Porto, entre Janeiro e Março de 2007

Texto sobre o disco em: Grandes discos da música
portuguesa: editados em 2007

URL: http://www.myspace.com/freifadodelrei

http://www.bartilotti.com/musica_frei_fado.htm

http://freifado.blog.com

http://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Fado_d'El_Rei

http://www.artistas-espectaculos.com/discos/pt/frei+fado+d+el+rei.htm

http://www.attambur.com/Grupos/frei_fado_del_rei.htm

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/frei_fado_del_rei

http://cotonete.clix.pt/quiosque/artistas/musicas.aspx?id=984

http://www.lastfm.pt/music/Frei+Fado+D'el+Rei

 



publicado por Carlos Loures às 07:00
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011
O Zeca noutras bocas - 15 - Milho Verde
 
Com este Grupo de Cantares "Os Chalados", de Canidelo - Vila Nova de Gaia, cantando "Milho Verde", encerramo esta pequena série de canções de José Afonso. Exceptuando os casos de Joan Baez e do Opus Ensemble, evitámos os grandes e famosos intérpretes, dando preferência a grupos corais, a tunas universitárias, a amadores - a ideia foi demonstrar, se tal é preciso, que a música do Zeca, percorrendo transversalmente toda a sociedade nacional, dos meios eruditos aos mais populares, em menos de cinquenta anos, se infiltrou no tecido do imaginário popular e faz hoje parte, tal como as seculares canções tradicionais, do acervo cultural do povo português. O Zeca está em todas as bocas e em todos os corações.


publicado por Carlos Loures às 07:00
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Domingo, 30 de Outubro de 2011
O Zeca noutras bocas - 14 - Menina dos Olhos Tristes
 
Na voz de Miguel Tela, escutámos "Menina dos Olhos Tristes", com letra do poeta Reinaldo Ferreira (1922-19599, filho do famoso Repórter X. Em plena Guerra Colonial, o poema de Reinaldo Ferreira ganhava contornos subversivos embora tenha sido escrito antes, pois o poeta faleceu em 1959.


publicado por Carlos Loures às 07:00
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ARGONAUTAS

Adão Cruz

Afonso da Rocha Aguiar

Aleksandra Serbim

Álvaro José Ferreira

Amadeu Ferreira

Ana Afonso Guerreiro

Andreia Dias

António Gomes Marques

António Mão de Ferro

António Marques

António Sales

Augusta Clara

Carla Romualdo

Carlos Durão

Carlos Godinho

Carlos Leça da Veiga

Carlos Loures

Carlos Luna

Carlos Mesquita

Clara Castilho

Dorindo Carvalho

Ethel Feldman

Eva Cruz

Fernando Correia da Silva

Fernando Pereira Marques

Francisca da Rocha Aguiar

François Morin

Hélder Costa

João Brito Sousa

João Machado

João Vasco de Castro

Joaquim Magalhães dos Santos

José Brandão

José de Brito Guerreiro

José Goulão

José Magalhães

Josep Anton Vidal

Júlio Marques Mota

Luís Peres Lopes

Luís Rocha

Manuel Simões

Manuela Degerine

Marcos Cruz

Margarida Antunes

Margarida Ruivaco

Maria Inês Aguiar

Mário Nuti

Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)

Moisés Cayetano Rosado

Octopus

Paulo Ferreira da Cunha

Paulo Rato

Paulo Serra

Pedro Godinho

Pedro de Pezarat Correia

Raúl Iturra

Roberto Vecchi

Rui de Oliveira

Rui Rosado Vieira

Sílvio Castro

Vasco de Castro

Vasco Lourenço

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