Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
No Bar, Depois do Jantar, por José Magalhães

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO SE FORA UM CONTO

 

Entrou na sala do bar como se ele lhe pertencesse. Olhar altivo e fixo no fundo da sala, porte solene, pisar calmo e senhora de si.

 

Os olhares dos presentes que estavam entretidos com um pouco de tudo, mudaram, rodaram e poisaram nela, correndo-a de alto a baixo e pararam nos sapatos bicudos e de bom corte e boa pele, subiram de novo, agora muito devagar, abrandando na zona dos joelhos que a saia travada deixava a descoberto, subiram até às coxas, onde voltaram a parar, e continuaram a caminhada, lenta e demoradamente.

 

Enquanto isso, na sala imperava um silêncio profundo e só se ouvia o toc toc toc compassado, provocado pelo bater firme dos tacões, no chão de mármore.

 

Os olhares lascivos e os de inveja, dos homens e das mulheres presentes não só lhe poisavam no corpo como lhe seguiam o percurso. As pernas, as ancas, a cintura, e o caminho para os seios altivos e fortes, disfarçados pela blusa branca, só estranhamente não sentiam o peso que lhes caía em cima. O colo, o pescoço alto, os cabelos compridos que emolduravam uma cara linda, e os olhos de um castanho profundo, também nada sentiam. Senhora de si, passou por entre todos e foi sentar-se num banco do fundo do balcão. 

 

Mesmo encostada à parede, longe dos olhares dos basbaques, estava uma outra mulher, bela como a primeira, que a aguardava. Um beijo, outro, um olhar comprido e uma mão na outra.

 

À volta delas o pouco ruído da sala desapareceu por completo e por breves instantes. Os olhares por momentos atentos à passagem da desconhecida, desviaram a atenção para o que os entretinha antes e os sons normais da sala, regressaram.

 

Só o olhar de uma outra mulher, ainda muito nova, que se sentava sozinha numa mesa junto à janela, continuou presa ao par que agora estava junto, com uma lágrima a querer saltar dos seus olhos verdes, cor da água.

 

José Magalhães

(www.atributos-3.blogspot.com)



publicado por João Machado às 15:00
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
O VIÚVO PROVISÓRIO, por José Magalhães

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

COMO SE FORA UM CONTO

 

Sentia-a como a melhor pessoa que alguma vez lhe coubera. A cumplicidade nas diferenças que tinham era enorme. O amor que nutriam um pelo outro era ainda maior.


Reduzido a uma provisória e passageira condição de viúvo, com a cama desfeita de um só lado, com um vazio secreto de que só se dava conta a espaços na noite e na hora do acordar, João vivia os dias triste a cansado, mas só pela condição de ser assim, triste.


As insónias vivia-as sozinho, tal como ela que, no andar de cima nem cama tinha, antes um catre estreito e curto, onde dormia, ou tentava dormir. Ela que era grande, comprida, muito mais do que ele.


"que queres que te faça, ressonas!"

 

Ele bem que sabia disso, mas não controlava o barulho que desde há alguns anos fazia. Era um barulho com vida própria, senhor do seu nariz e totalmente independente da sua vontade.

 

"quando deixares de ressonar eu volto a dormir contigo"

 

O quanto lhe custava aquela viuvez nocturna mas bem compreendida e aceite, e a decisão dela de não estar a seu lado.

 

"amanhã tenho de trabalhar, não posso perder noites"

 

E lá iam, cada um para seu lado, ou melhor, cada um para o seu andar, que ela tinha uma espécie de apartamento no andar de cima transformado de uma sala que tinha uma vista de encher o olho e que por causa do calor e da luz, estava na maior parte das vezes na penumbra.

 

"eu queria ficar a teu lado, mas ressonas. queres que eu não durma?"

 

Maldito ressonar que desde há anos lhe atormentava a existência. Mais a dela, claro, que do ressonar ele se não dava conta, só das implicações. Já tinha tentado quase tudo, menos parar de respirar. Tinha ido a médicos, fizera testes e exames, mas de bons resultados, nada.

 

"vamos trocar meu amor, dormes tu na cama e eu lá em cima"

 

Que não, que ele é que precisava da cama. Ela bem que podia ficar lá por cima. Já se tinha habituado e quase já gostava que assim fosse.

 

"mas..."

 

O amor que cada um sentia fazia-os proceder assim. Um e outro, provisoriamente viúvos, pontualmente divorciados, separados durante horas em conjunto e comunhão de ideias e de vivências, cheios de amor um pelo outro.

 

João sofria aquela viuvez em silêncio, sem nada lhe dizer. Ela nem se apercebia que o sofrimento dele poderia ser porventura maior que ela supunha. Que falta lhe fazia o poder velar-lhe o sono, o poder cuidar dela durante a noite, medir-lhe a respiração, poder olhá-la no seu dormir calmo, poder sentir-lhe o corpo descontraído, poder tocar-lhe ...

 

Ele não queria ser viúvo nem por um minuto, e era-o todas as noites, durante a noite e as manhãs dos fim-de-semana.

 

"preciso de descansar. não me acordes"

 

Que ela precisava de descansar, pelo menos nessas alturas.

 

A vida nunca lhe fora fácil, e continuava a não o ser. Todos lhe cobravam favores, trabalhos, mimos. Todos viam nela nada mais que uma "Cinderela".

 

E que bem que João a entendia. O amor que lhe tinha era muito maior que aquela sensação má da separação temporária e provisória. Bem que podia ser diariamente viúvo por umas horas. Afinal eram só umas horas de cada vez e na maior parte delas ele estava a dormir.

 

Um dia, sem que ele, viúvo temporário e pontualmente divorciado o decidisse, o ressonar parou, e o movimento inconsciente das pernas, e o não conseguir estar quieto mais que breves minutos, e as comichões,

e o respirar.

 

Sozinho, sem ninguém dar por isso.

 

"adeus meu amor, até já"

 

Estranhamente não lhe custou nada aquela ocorrência, não ficou triste ou desalentado, só um pouco conformado com a evidência ..., já estava habituado àquela viuvez.

 

E também lhe não custou porque não foi um adeus definitivo, antes um breve e longo adeus, uma vez que ninguém poderia alguma vez separar para sempre estes que de amor sempre se alimentaram.

 

José Magalhães

(www.atributos-3.blogspot.com)

 

 

 

 



publicado por João Machado às 15:00
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
A Vida Depois da Vida - por José Magalhães

 Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gosto de escrever.


Escrevo muito, a mais das vezes só na folha guardada no mais profundo do meu pensamento. Invento histórias, diálogos, cenas e cenários, escrevo poemas de amor, de escárnio e de mal dizer, comento situações, acções, coisas do dia-a-dia e palavras ouvidas aqui e ali, e a grande maioria nunca passa pela caneta nem fica imprimida num papel.


Escrevo em mim e dialogo comigo constantemente, pensando que ao menos posso escrever, mas para o passar a letra de forma falta ainda uma eternidade, mesmo tendo tempo de sobra.


Alarmo-me com a perspectiva de que mais cedo ou mais tarde esta minha capacidade se esgotará, e o meu stock de ideias desaparecerá sem que tenha tido a oportunidade de o dar a conhecer. Um dia morro e depois de morto já não escreverei.


Estes pensamentos angustiam-me. A morte angustia-me. Se estivesse a sonhar, quereria acordar, melhor, acordava-me para não me sentir assim. Será que depois de morrer poderei continuar a escrever, a inventar histórias, diálogos, cenas, cenários, e a poder fotografar a vida tal e qual ela seja naquele momento? É que eu também gosto de fotografar, de perpetuar momentos e de capturar instantes. Como seria bom poder continuar a escrever e a fotografar.


Quando morrer irei para o Céu? Por certo que sim, que tenho trabalhado para isso. Quer dizer, tenho trabalhado mais ou menos. Se calhar mais menos do que mais. Se calhar não vou, mas gostaria muito de ir.


Como será a vida lá em cima? Encontrarei antigos amigos e familiares? Antigos amores? Ouvirei choros e risos? Haverá televisão? E música? A música faz-me muita falta. Gosto muito de quase todos os géneros. Nem sou esquisito nem nada. Estou certo que haverá música!


Estranhos estes pensamentos. Chego a ter receio deles. Já na semana passada andei com eles a bater na minha cabeça. Foi logo a seguir a ter sido assaltado e se calhar por causa disso. Roubaram-me as máquinas fotográficas de dentro do automóvel. Malditos automóveis que nos simulam a ideia de segurança. Malditos ladrões que não respeitam seja quem for. Fiquei cheio de raiva e de pensamentos obscuros. E se eu tivesse apanhado o ladrão em flagrante? E se me tivesse envolvido com ele? E se ele me tivesse espetado com uma faca ou dado um tiro. E se eu morresse? E por aí a fora o pensamento fluiu.


Poderiam ter-me levado os pensamentos, a minha escrita mental, as minhas capacidades, os meus poemas ou as minhas ideias. Mas não foi assim, o meliante só me levou as máquinas fotográficas e o GPS. O GPS não me faz falta, já que sei o caminho de casa. Sempre o soube, mesmo quando me perdia. Nunca me perdi de facto, foi sempre de amor ou de paixão. As máquinas, essas sim, fazem-me falta para caçar o tempo, para o parar e levar comigo ou para perpetuar momentos. Agora, tal como o que mentalmente escrevo, só os posso guardar nas gavetas fechadas à chave da minha memória, chaves que muitas vezes perco, e que quando as perco fico perdido, sem saber por onde ando. Tal e qual como se também me tivessem roubado os pensamentos.


Na semana passada e também no princípio do ano, esta coisa me passara pela cabeça. Esta coisa de morrer e de não saber o que me esperaria lá em cima. Mas não ficaram por lá nem as passei a papel. Só hoje o decidi fazer, como se fosse uma catarse.

 

 

José Magalhães

(www.atributos-3.blogspot.com)

 



publicado por João Machado às 15:00
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
ARTE, POESIA & VICE VERSA - Dorindo Carvalho e José Magalhães
Um Café na Internet
Arte, Poesia & Vice Versa

 
 
 

Este quadro de Dorindo Carvalho inspirou o poema

NA SALA OVAL – POEMA A JOANA - por José Magalhães

 

 

Na sala oval

Joana esperava.

O corpo nu

Como nascera …

Tal e qual.

 

Tinha o cabelo ao vento

À janela desferrada

E a flor erecta, acordada

Lançava no ar um lamento.

 

Joana esperava,

Pelo tempo

Que havia de vir,

E mesmo enjoada

Esperava, esperava

Sabendo do contratempo

Ouvindo mentir.

 

Sua vida fora madrasta

E a sua existência gasta

Em muitos e muitos regaços

Sem lhe darem alibi.

E apesar da cor dos Paços

E de todos os seus fracassos

A Esperança vivia ali.

 

(inédito)



publicado por Carlos Loures às 08:00
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
A Vida Depois da Vida - por José Magalhães

 

 

 

 Um Café na Internet  

 

 

 

 

 

 

 

Ilustração - quadro de Dorindo Carvalho

 

Gosto de escrever.

 

Escrevo muito, a mais das vezes só na folha guardada no mais profundo do meu pensamento. Invento histórias, diálogos, cenas e cenários, escrevo poemas de amor, de escárnio e de mal dizer, comento situações, acções, coisas do dia-a-dia e palavras ouvidas aqui e ali, e a grande maioria nunca passa pela caneta nem fica imprimida num papel. Escrevo em mim e dialogo comigo constantemente, pensando que ao menos posso escrever, mas para o passar a letra de forma falta ainda uma eternidade, mesmo tendo tempo de sobra.

 

Alarmo-me com a perspectiva de que mais cedo ou mais tarde esta minha capacidade se esgotará, e o meu stock de ideias desaparecerá sem que tenha tido a oportunidade de o dar a conhecer. Um dia morro e depois de morto já não escreverei.

 

Estes pensamentos angustiam-me. A morte angustia-me. Se estivesse a sonhar, quereria acordar, melhor, acordava-me para não me sentir assim. Será que depois de morrer poderei continuar a escrever, a inventar histórias, diálogos, cenas, cenários, e a poder fotografar a vida tal e qual ela seja naquele momento? É que eu também gosto de fotografar, de perpetuar momentos e de capturar instantes. Como seria bom poder continuar a escrever e a fotografar. Quando morrer irei para o Céu? Por certo que sim, que tenho trabalhado para isso. Quer dizer, tenho trabalhado mais ou menos. Se calhar mais menos do que mais. Se calhar não vou, mas gostaria muito de ir.

 

Como será a vida lá em cima? Encontrarei antigos amigos e familiares? Antigos amores? Ouvirei choros e risos? Haverá televisão? E música? A música faz-me muita falta. Gosto muito de quase todos os géneros. Nem sou esquisito nem nada. Estou certo que haverá música!

 

Estranhos estes pensamentos. Chego a ter receio deles. Já na semana passada andei com eles a bater na minha cabeça. Foi logo a seguir a ter sido assaltado e se calhar por causa disso. Roubaram-me as máquinas fotográficas de dentro do automóvel. Malditos automóveis que nos simulam a ideia de segurança. Malditos ladrões que não respeitam seja quem for. Fiquei cheio de raiva e de pensamentos obscuros. E se eu tivesse apanhado o ladrão em flagrante? E se me tivesse envolvido com ele? E se ele me tivesse espetado com uma faca ou dado um tiro. E se eu morresse? E por aí a fora o pensamento fluiu.

 

Poderiam ter-me levado os pensamentos, a minha escrita mental, as minhas capacidades, os meus poemas ou as minhas ideias. Mas não foi assim, o meliante só me levou as máquinas fotográficas e o GPS. O GPS não me faz falta, já que sei o caminho de casa. Sempre o soube, mesmo quando me perdia. Nunca me perdi de facto, foi sempre de amor ou de paixão. As máquinas, essas sim, fazem-me falta para caçar o tempo, para o parar e levar comigo ou para perpetuar momentos. Agora, tal como o que mentalmente escrevo, só os posso guardar nas gavetas fechadas à chave da minha memória, chaves que muitas vezes perco, e que quando as perco fico perdido, sem saber por onde ando. Tal e qual como se também me tivessem roubado os pensamentos.

 

Na semana passada e também no princípio do ano, esta coisa me passara pela cabeça. Esta coisa de morrer e de não saber o que me esperaria lá em cima. Mas não ficaram por lá nem as passei a papel. Só hoje o decidi fazer, como se fosse uma catarse.

 

(www.atributos-3.blogspot.com)



publicado por Carlos Loures às 15:00
editado por João Machado às 18:07
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
I've got dreams to remember - Os meus sonhos de Natal - A senhora Margarida - José Magalhães
 

 

 

José Magalhães  I've got dreams to remember - Os meus sonhos de Natal - A senhora Margarida

 

 

 

 

(Adão Cruz)

 

 

   São sonhos velhos, os que tenho, com muitas saudades misturadas. Sonhos de muitos Natais bem passados, no meio de uma família enorme (sim, é verdade, pertenço aos felizardos que tiveram uma infância e adolescência felizes, e com uma família grande), com um avô paterno bonacheirão e amigo de comer bem, tias e tios e primos que enquanto o dinheiro não abundou se mostraram sempre muito boas pessoas, e com uma felicidade que se repetia todos os anos, a de dormirmos (fomos durante muitos anos dezanove) de 24 para 25 em casa dos avós, todos juntos, numa alegria imensa.

A consoada, feita com toda a gente à mesma mesa, ou quase toda porque os mais pequenos ficavam numa mesa à parte por falta de espaço, era barulhenta, com todos a falar ao mesmo tempo, e muito alegre. Não havia espaço para o silêncio nem para uma qualquer menor alegria. Ninguém abandonava a mesa sem autorização do meu avô, mas também ninguém o desejava, e o jantar durava muito tempo, sabendo todos nós de antemão, que no dia seguinte o almoço seria mais uma vez uma enorme festa.

Perto da meia-noite, os mais velhos iam assistir à Missa do Galo, enquanto os mais novos se recolhiam nas camas, com os olhos esbugalhados por causa insónia provocada pela ânsia da chegada da manhã do dia seguinte e das prendas que cada um iria ter nessa altura.

As prendas, eram uma para cada um, e que maravilhosa que essa prenda nos parecia. O primeiro a acordar ia ver se o Menino Jesus já tinha chegado e colocado os presentes nos sapatos que estavam em cima do fogão de lenha, e vinha excitadamente avisar os outros. Cada um, então, se entretinha a ver o que lhe tinha calhado e depois era a festa de mostrar aos outros e começar a brincar.

Mas as minhas saudades e os meus sonhos sobre os bons tempos, não se limitam à época de Natal. Lá em casa, havia duas pessoas mais, que eram como que da família; a srª Margarida e o sr Aurélio. Eram casados um com o outro e desde tempos imemoriais, trabalhavam para os meus avós. O sr Aurélio, homem bom mas muito reservado e pouco dado a manifestações, tratava de tudo o que dissesse respeito aos animais e ao campo e obedecia cegamente à mulher, e a srª Margarida, dava ordens sobre ordens ao marido e tratava das lides da casa e da cozinha. Nos últimos anos, já doente, era quase só da cozinha que tratava (e que bem que cozinhava), pois que tinha uma ajudante para os quartos. Eram estes dois, para mim como uns segundos avós, principalmente ela, por quem eu e todos os meus primos (éramos nove), tínhamos uma adoração enorme, e que nos era correspondida em triplicado. Era a nossa conselheira, a nossa ouvinte, aquela a quem, quando era preciso dizer alguma coisa aos nossos pais ou avós e não havia muita coragem, nós confiávamos a diligência de o fazer e tínhamos a certeza que o seria bem feito. Era a alma daquela casa! Depois da sua morte, nunca mais nada foi o mesmo.

A cozinha, razoavelmente grande, era o local por excelência do casarão, e a srª Margarida era a dona única daquele espaço. Lá nos reuníamos, fofocávamos, bilhardávamos, desfazíamos zangas novas ou antigas, contávamos anedotas, ouvíamos histórias de tempos idos, recebíamos ofertas de batatas ou couves tronchudas ou qualquer outro mimo, roubávamos batatas acabadas de fritar, e comíamos uns ovos estrelados (um dos meus mimos preferidos e que ela adorava oferecer) com um sabor tal, que por muito que tenha procurado, nunca mais na minha vida voltei a encontrar.

Nestes dias que antecedem a véspera de Natal, noite de consoada, voltei a lembrar-me desses tempos (a srª Margarida faleceu no início de 1991 e o sr Aurélio já há anos tinha morrido), da enorme falta que essa mulher me faz, e senti uma tristeza imensa, tanto pelas saudades desses tempos fabulosos, como pela impossibilidade dos meus filhos e sobrinhos crescerem com tanta qualidade, quanto a que nós tivemos.

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publicado por Augusta Clara às 18:00
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
Au Berto, duas letras! - José Magalhães
 
 

 

 

José Magalhães  Au Berto, duas letras!

 

 

 

(Adão Cruz)  

 

 

   Há muitos anos, ainda meu pai era rapazote, havia em casa de meu avô, em Paços de Ferreira, um empregado (chamava-se criado na altura, e isso nada tinha de pejorativo) de seu nome Alberto. Era o homem de confiança de meu avô, e a palavra dele quando consultada, fazia lei lá em casa.

 

Paços de Ferreira, era na altura, e ainda o foi até à minha juventude, uma aprazível Vila. Tinha amoreiras espalhadas por várias ruas da terra, com amoras brancas que eram deliciosamente doces, e as folhas serviam em grande parte para alimentar os bichos-da-seda de uma fábrica de  fio de seda, pertença do meu tio Simplício, e existente no centro do Porto, e também para criar uma maravilhosa sombra nos dias de canícula.

 

A casa de meu avô ficava mesmo no centro da terra e tinha um terreno de aproximadamente meio hectare, mas hoje é um (mais um) Centro Comercial.

 

A vida naquela altura corria calma e a feira da rotunda, nos dias em que realizava, era um dos locais onde eu mais gostava de ir.

Alberto era extremamente esperto, quiçá mesmo muito inteligente. Era ele que fazia os negócios em nome de meu avô, no que dizia respeito à compra ou venda de vacas, vitelos, ou porcos, à compra ou venda de terrenos para cultivo, ou de pinhais, ou outros quaisquer negócios que fossem necessários ou vantajosos.

 

Bastava-lhe olhar para um pinhal para dizer, sem nunca errar, quantos metros cúbicos de madeira ele produziria. Bastava-lhe olhar para uma vaca para dizer se valeria a pena comprá-la e quantos litros de leite poderia dar por dia.

Meu avô era Solicitador Encartado com escritórios montados em várias comarcas e o seu tempo para estas lides era limitado, para além de ter uma demasiada brandura nas negociatas, sendo muitas vezes levado à certa.

 

No entanto, Alberto tinha uma dificuldade que lhe trazia de quando em vez alguns transtornos. Não sabia ler nem escrever!

 

Minha avó, e também minhas três tias que estudavam para virem a ser professoras primárias, diziam-lhe que tal era necessário, até mesmo para um dia ele poder arranjar uma noiva e casar. Na sua boçalidade e com uma certa arrogância dizia que tal não era preciso para nada, que lhe bastava a sua sabedoria e esperteza. Em tom de brincadeira, dizia que para casar não precisaria de saber dessas coisas, que as mulheres eram como as vacas leiteiras, desde que tivessem perna fina e pescoço alto, seriam o ideal.

 

Nestas conversas recebia sempre admoestações das senhoras da casa, e incentivos à aprendizagem das coisas das letras.

Minha avó e minhas tias, meteram na cabeça que teriam de conseguir ensinar Alberto a ler e a escrever, e ele acabou por concordar em ser aluno delas.

 

Meu avô, sempre muito céptico quanto às capacidades para as letras do seu homem de confiança, dizia que quando elas conseguissem isso, e se, lhes daria o que elas pretendessem, fosse o que fosse. Tudo isto dito com a certeza de que nunca teria de concretizar tal obrigação.

 

Mesmo assim, mesmo sabendo das dificuldades que iriam encontrar, meteram mãos à obra, uma de cada vez. Primeiro minha avó que ao fim de algum tempo desistiu, depois meu pai, que também tentou intrometer-se no assunto e que dizia ao fim de três semanas que era uma missão impossível, e mais tarde, cada uma das minhas três tias.

 

Apesar de toda a sua esperteza e inteligência, no que dizia respeito às letras Alberto era verdadeiramente um calhau com dois olhos.

 

Todos desistiram, minha avó, meu pai e também as minhas tias, pelo que depois de muito conversarem, decidiram que uma delas lho iria dizer.

Ao ouvir a decisão de desistirem dita pela minha tia mais velha, Alberto ripostou que tal não era possível, que o esforço de todos tinha sido compensado e que ele já sabia as letras todas, pelo que deveriam continuar a ensiná-lo. E quis ir falar com o meu avô.

Já na sua presença, disse:

 

-Senhor doutor, sinto-me muito triste e ofendido. Algumas meninas, poucas, disseram-me que não me ensinavam mais a ler e a escrever pois que eu nunca o conseguiria. Isso não é verdade e por favor diga-lhes e mande-as continuar a ensinar-me. Eu até já sei muitas letras.

 

Perante tal, meu avô interpelou-o:

 

-Se é assim Alberto, diz-me lá, quantas letras tem o teu nome?

 

-Duas senhor doutor!

 

-Duas?

 

-Sim, claro, duas, Au e Berto!

 

O tempo passou e Alberto ainda trabalhou muitos anos em casa do meu avô. Ganhou algum  bom dinheiro em negócios, acabou por casar com uma mulher pequena, rechonchuda e de perna bem  curta e gordinha, teve um rancho de filhos e foi muito feliz até ao fim dos seus dias.

 

Morreu muito velho e nunca se livrou do nome que ostentava com orgulho e que recebeu ao serviço do meu avô:

 

Au Berto Duas Letras.

 



publicado por Augusta Clara às 18:00
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Apresentação do livro LiquidImages, workshop, sessão fotografia, exposição de fotografia - José Magalhães
 

 

O nosso amigo argonauta José Magalhães apresenta-nos a exposição:

 

 

 

 
 
Car@s amig@s.
 
No próximo sábado, dia 17 e às 17,00 horas, a Galeria do Colectivo f4 vai estar aberta para vos receber e presentar 3 actividades de interesse para a fotografia como poderão na imagem/cartaz/convite em anexo.

Este vosso amigo comparticipa no livro com duas imagens.

Para quem não teve oportunidade de ver a mostra fotográfica "BEDROOM" que está patente na galeria, pode ainda, e também, dar uma vista de olhos à colecção de imagens.

Como sabem, a Galeria do Colectivo F4, PORTA 22, fica situada na Rua do Ferraz, 22 - Porto, terceira transversal à direita da rua das Flores, para quem desce.
 
Como é indicado no cartaz anexo, não se esqueçam de trazer a máquina fotográfica pois será possível fotografar o modelo presente.
 
Abraço amigo,
 
José Magalhães
 
www.atributos-2.blogspot.com

 



publicado por Augusta Clara às 18:00
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
"SEND ME A POSTCARD" - CONVOCATÓRIA / CALL / APELL

José Magalhães
www.atributos-2.blogspot.com

Estamos perto do final do ano e quase a chegar às festividades natalícias. Como já foi hábito, enviavam-se por esta época os postais com os repetidos votos de "Um Feliz e Santo Natal" ou ainda, o menos católico mas não menos sentido, "Feliz Natal e Bom Ano Novo"...

 

Serve isto, para vos desafiar a retomarem esse demorado mas saudável costume de partilhar momentos, sentimentos e imagens, através dos serviços de correio.

 

E assim, lanço-vos aqui a proposta para colaborarem no projecto "ENVIA-ME UM POSTAL", que consta do seguinte:

 

- Durante os meses de Dezembro de 2011 até 31 de Outubro de 2012, Envia-me pelo menos um Postal (só fotografia) por mês (11 no total) em tamanho 10X15 cm, a cores ou a preto e branco, de preferência da tua autoria, para a seguinte morada:

 

Colectivo f4 - Galeria/Oficina

Rua do Ferraz, 22

4050-250 PORTO

 

PORTUGAL - No verso da fotografia e antes da direcção indicada, escreve à mão (evita imprimir):

 

"SEND ME A POSTCARD" - exhibition and book 

 

- Podes se desejares, indicar o remetente, mas não te esqueças do selo com a tarifa correcta, pois não pagaremos a multa aplicável. - Para dar corpo à fotografia e tornar a obra menos quebradiça durante o manuseamento pelos serviços dos correios, aconselha-se a colagem da fotografia sobre uma cartolina Bristol ou cartão pluma fino antes de fazer o envio.

- Para este projecto, serão convidados fotógrafos de várias partes do mundo e com diferentes expressões artísticas e aos participantes está permitido divulgar e fazer convites aos seus amigos e contactos, sem necessidade de avisar a organização.

- Todos os trabalhos recebidos serão exibidos na exposição projectada.

- A inauguração da mostra terá lugar na Galeria do Colectivo f4 no dia 17 de Novembro de 2012, na cidade do Porto. 

 

Simultâneamente será feita a apresentação do livro "Send me a Postcard" com obras dos autores que desejem ver os seus trabalhos publicados. Os custos de participação no livro serão indicados oportunamente.

Acreditando que este desafio será também do vosso agrado, fico a aguardar os primeiros postais e repetidas visitas do carteiro na PORTA 22 da Rua do Ferraz.

 

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We are approaching Christmas and New Year‘s festivities. As it was usual a “long” time ago, cards with votes of "A Happy and Holy Christmas" or even the less Catholic but not less sincerely felt "Merry Christmas and Happy New Year" were sent up by this time.

This intends to challenge you to get back to this healthy, though lengthy, habit of sharing moments, feelings and images by mail.

And so, here’s my proposal for you to collaborate in the project "SEND ME A POSTCARD". How does it work?

- During the months of December 2011 until October 31 2012, send me at least a postcard (photo only) a month (11 total) 10X15 cm size, color or black and white, preferably of your own, to the following address: 

 

Colectivo f4 - Galeria/Oficina

Rua do Ferraz, 22

4050-250 PORTO

PORTUGAL

 

- At the back of the photo and before the address, handwrite (avoid printing):

"SEND ME A POSTCARD" - exhibition and book

 

- You can if you wish indicate the sender, but do not forget the stamp with the correct fee. We will not pay the fine if applicable.

- To make the picture stiff and less brittle during handling by the mail services, it is advisable to glue the picture onto thin lightweight cardboard before sending.

- For this project, photographers from around the world and with different artistic expressions will be invited. Participants can make invitations to their contacts, without the need to inform the organization.

- All entries received will be displayed in the projected exhibition.

- The opening of the exhibition will take place at the Collective f4 Gallery on November 17 2012, in Porto - Portugal. 

 

Simultaneously the book “Send me a Postcard” will be launched with works by authors who wish to see their work published. The costs of participation in the book will be given in due time.

Believing that this challenge will also please you, I am waiting the first post and repeated visits of the postman at 22 Ferraz Street



José Magalhães
www.atributos-1.blogspot.com



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Domingo, 20 de Novembro de 2011
LIVRO COM FOTOS DE JOSÉ MAGALHÃES LANÇADO EM 23 DE NOVEMBRO NO ATRIUM SALDANHA, PELAS 18 HORAS


publicado por Carlos Loures às 09:30
editado por João Machado em 19/11/2011 às 22:26
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UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 40 - por José Magalhães

 

 

Uma imagem é mais eloquente do que mil palavras - afirmação que ouvimos repetidas vezes, mas... será verdade? Em alguns casos . sim; noutros não - porque seria injusto não reconhecer que o inverso também acontece - há palavras que valem por mais de mil imagens. Publicámos até hoje, todas as manhãs, 40 expressivas fotos de José Magalhães - das que valem mais do que mil palavras - e 40 impressivas frases de outros tantos poetas, todos eles famosos. Entre as palavras dos poetas e as fotografias de José Magalhães não existiu relação directa, mas houve sempre cumplicidade - as fotos, imagens de paz e tranquilidade, convidaram-nos a meditar sobre aa palavras dos poetas.

 


A última palavra é a do poeta Gabriel Celaya (1911- 1991):
Assim é a minha poesia (...) Não é um belo produto/Não é um fruto perfeito./É algo como o ar que todos respiramos.


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 16/11/2011 às 22:14
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Sábado, 19 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 39 - fotos de José Magalhães

 

 

Uma imagem diz mais do que mil palavras, é uma afirmação que escutamos com frequência. Em alguns casos corresponde à verdade. Mas seria injusto não reconhecer que o inverso também ocorre - há palavras que valem por mil imagens. Publicamos todas as manhãs uma expressiva foto de José Magalhães - das que valem mais do que mil palavras - e uma impressiva frase de um poeta. Entre as palavras dos poetas e as fotografias de José Magalhães não existe qualquer relação a não ser a da cumplicidade - as fotos são imagens de tranquilidade e, por isso, convidam-nos a meditar sobre a palavra do poeta.

 


Tem a palavra o poeta Rabindranath Tagore (1861- 1941):
Foram os meus cantos, os meus versos, que me ensinaram tudo o que aprendi, que me mostraram as veredas escondidas e propuseram à minha vista mais do que um astro sobre o horizonte do meu coração.


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 18/11/2011 às 21:25
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 38 - fotos de José Magalhães

 

Uma imagem diz mais do que mil palavras, é uma afirmação que escutamos com frequência. Em alguns casos corresponde à verdade. Mas seria injusto não reconhecer que o inverso também ocorre - há palavras que valem por mil imagens. Publicamos todas as manhãs uma expressiva foto de José Magalhães - das que valem mais do que mil palavras - e uma impressiva frase de um poeta. Entre as palavras dos poetas e as fotografias de  José Magalhães não existe qualquer relação a não ser a da cumplicidade - as fotos são imagens de tranquilidade e, por isso, convidam-nos a meditar sobre a palavra do poeta.

 


Tem a palavra o poeta R. M. Rilke (1875- 1926):
Uma obra de arte só é boa quando nasce de uma necessidade. É a natureza da sua origem que a julga.
 


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado às 00:29
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 37 - fotos de José Magalhães

 

Uma imagem diz mais do que mil palavras, é afirmação que com frequência se escuta. Em alguns casos corresponderá à verdade. Seria, no entanto,  injusto não reconhecer que o inverso também acontece, havendo palavras que valem por mil imagens. Publicamos todas as manhãs uma expressiva foto de José Magalhães - daquelas que valem mais do que mil palavras - e uma impressiva frase de um poeta famoso. Entre as palavras dos poetas e as fotografias de José Magalhães não existe qualquer relação a não ser a da cumplicidade - as fotos são imagens de tranquilidade e, por isso, nos convidam a meditar sobre a palavra do poeta.

 


A palavra ao poeta Max Jacob (1876- 1944):
O mundo dentro de um homem - eis o poeta moderno. 


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 16/11/2011 às 22:23
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 36 - fotos de José Magalhães

 

Uma imagem diz mais do que mil palavras, é uma afirmação que escutamos com frequência. Em alguns casos corresponde à verdade. Mas seria injusto não reconhecer que o inverso também ocorre - há palavras que valem por mil imagens. Publicamos todas as manhãs uma expressiva foto de José Magalhães - das que valem mais do que mil palavras - e uma impressiva frase de um poeta. Entre as palavras dos poetas e as fotografias de José Magalhães não existe qualquer relação a não ser a da cumplicidade - as fotos são imagens de tranquilidade e, por isso, convidam-nos a meditar sobre a palavra do poeta.

 


Tem a palavra o poeta R. M. Rilke (1875- 1926):
Uma obra de arte só é boa quando nasce de uma necessidade. É a natureza da sua origem que a julga.


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 15/11/2011 às 23:46
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 35 - fotos de José Magalhães

 

Uma só imagem diz mais do que mil palavras, é afirmação frequente. Em alguns casos corresponde plenamente à verdade. Mas seria injusto não reconhecer que o inverso também se passa - há palavras que valem por mil imagens. Publicamos todas as manhãs uma expressiva foto de José Magalhães - das que valem mais do que mil palavras - e uma impressiva frase ou um verso de um poeta. Entre as palavras e as fotografias não existe qualquer relação que não seja de cumplicidade -  as fotos de José Magalhães são imagens de tranquilidade e convidam-nos a meditar sobre a palavra do poeta.

 

Hoje, tem a palavra o poeta William Blake (1757- 1827):
Uma alegoria que se dirige à razão espiritual, ficando interdita ao entendimento - esta é a minha definição da mais sublime poesia.


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 14/11/2011 às 16:29
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 34 - fotos de José Magalhães

 

 

Vale mais uma imagem do que mil palavras, é frase muito repetida e que, em certos casos, corresponde à verdade. No entanto, noutros casos, este neo-aforismo é injusto para com o valor da palavra. Há palavras que valem por mil imagens. Publicamos todas as manhãs uma expressiva foto de José Magalhães - das que valem mais do que  mil palavras - e uma frase ou um verso de um poeta, que vale por mil imagens. Entre as palavras e as fotografias não existe qualquer relação. Dado que as fotos de José Magalhães são imagens de tranquilidade e de paz, convidam-nos a meditar sobre a palavra do poeta.

 

Hoje damos a palavra a Victor Hugo  (1802- 1885):
O poeta verte o sangue que o poema derrama. 


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado às 01:50
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Domingo, 13 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 33 - fotos de José Magalhães

 

 

 

Ouvimos frequentemente dizer-se que «uma imagem vale por mil palavras» - será verdade?. Em muitos casos o impacto de uma imagem é mais forte do que o de muitas palavras. Noutros casos, porém, esta afirmação é injusta para com a força valor da palavra, pois há palavras que valem por mil imagens. Publicamos diariamente uma expressiva foto de José Magalhães - das que valem por mil palavras - e uma frase ou um verso de um poeta, que vale por mil imagens. Entre as palavras e as fotografias não existe geralmente qualquer relação. Dado que as fotos de José Magalhães são imagens que nos transmitem um sentimento de tranquilidade e de paz, convidam-nos a meditar sobre a palavra do poeta.

 

 
E hoje a palavra é a de Alfred de Vigny (1797- 1863):
Poesia! Ó tesouro! pérola do pensar!
Tumultos do coração, são com os do mar.


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 12/11/2011 às 11:41
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Sábado, 12 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 32 - foto de José Magalhães

 

Uma imagem vale por mil palavras, é uma frase muito repetida e que corresponde em certos casos à verdade. Porém, em muitos outros casos, é injusto para com o valor da palavra, porque também há palavras que valem por mil imagens. Publicamos diariamente uma expressiva foto de José Magalhães - das que valem por mil palavras - e uma frase ou um verso de um poeta, que vale por mil imagens. Entre as palavras e as fotografias não existe qualquer relação.Dado que as fotos de José Magalhães são imagens de tranquilidade e de paz, convidam-nos a meditar sobre a palavra do poeta.

 

Hoje damos a palavra a Abu Hamid Al-Ghazzali (1058- 1111):
Os poemas são escritos pelos poetas para traduzir o que vai nos seus corações, e não vale a pena darmo-nos ao trabalho de compreender as situações que inspiram o poeta.


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 10/11/2011 às 21:37
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
UM CAFÉ NA INTERNET - A palavra do poeta - 31 - fotos de José Magalhães

 

 

 

 

 

 

 

Uma imagem vale por mil palavras,  é uma frase feita, mas que corresponde em certos casos à verdade. Noutros, porém, é injusto para com o valor da palavra - há palavras que valem por mil imagens. Publicamos diariamente uma excelente foto de José Magalhães - das que valem por mil palavras - e uma frase ou verso de um poeta, sentença que vale por mil imagens. As palavras não têm qualquer relação com a fotografia, mas talvez provoquem um momento de meditação - as fotos de José Magalhães, imagens de tranquilidade e de paz, convidam-nos a reflectir sobre a palavra do poeta.

 

Hoje damos a palavra a Saint-John Perse(1887- 1975):
 
Nada me parece mais surpreendente, por contraditório, do que «explicar» um poeta pela «cultura».


publicado por Carlos Loures às 08:30
editado por João Machado em 10/11/2011 às 21:34
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