O Pato algemado
Bem-vindos ao primeiro post de 2012.
O pato continua emigrado, seguindo o conselho do coelho. Volta na próxima semana. Aproveitamos a sua ausência para vos mostrarmos mais uma cena de um filme que ele odeia - Duck Soup. Em Portugal o filme chamou-se Os Grandes Aldrabões, mas logo no genérico aparecem uns patos a nadar dentro de uma panela, prefigurando uma cena de canibalismo que o nosso amigo não suportaria.
Duck Soup foi um filme realizado em 1933 por Leo McCarey e interpretado por três irmãos Groucho Marx e os seus irmãos Harpo e Chico. Há uma semana, assistimos à cena do espelho. Hoje temos Harpo mostrando que "quem se mete com os Marx, leva!".
E assistam ainda a esta exibição de Chico e de Harpo
O Pato algemado
Charles Chaplin, um palhaço no sentido mais nobre do termo
Sempre que designamos por «palhaço» um biltre ou um políitico corrupto, nunca devemos esquecer que houve clowns geniais - e então devemos corrigir e encontrar para a criatura miserável em causa um designação adequada. Ogre,bandalho, ladrão... Há fórmulas vernáculas mais fortes, tudo depende da cultura e da imaginação de cada um- usem-nas à vontade. Agora, Palhaço, nunca! Vejam Charles Chaplin e digam-nos se merece ser comparado a... essas criaturas repelentes que gastam o nosso dinheiro e nos insultam?
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Em 10 de Dezembro, Dia Mundial do Palhaço, dedicaremos a nossa edição a essa nobre profissão.
Viva os palhaços!
Aproveitar bem o tempo e o espaço
Acertar o passo pela Ásia, parece ser indispensável. Vejam como se monta um mercado onde menos se esperaria. Mercado cujas leis obrigam a uma atenção permanente - à miínima distracção... é o crash!...
Embora não seja propriamente um poema elogioso, o "Pato algemado" despede-se até à próxima semana com o poema"O Pato Pateta"de Vinicius de Moraes e Toquinho. Como dizia o outro - "é preciso é que falem de nós, mesmo que digam mal."
O Pato algemado
Uma alternativa às balas de borracha e às cargas de bastão, chega-nos de há 103 anos atrás...
Como controlar patos
Um pato entra num pequeno restaurante e pergunta ao dono:
- Há comida para patos?
- Não, não há! Isto é um restaurante para pessoas. Vá, desaparece!.
No dia seguinte, o pato entra no mesmo restaurante e pergunta outra vez ao homem:
— Há comida para patos?
— NÃO! Já te disse ontem que só temos comida para pessoas. Põe-te a milhas!
Terceiro dia, o pato entra no restaurante e repete a pergunta:
— Há comida para patos?
O homem, fora de si, grita:
— NÃO! NÓS NÃO TEMOS COMIDA PARA PATOS E SE VENS CÁ MAIS ALGUMA VEZ PERGUNTAR POR COMIDA PARA PATOS, EU PREGO-TE OS PÉS AO CHÃO! PISGA-TE!
No dia seguinte, o pato volta e pergunta:
— Tem pregos?
O homem, tentando não se irritar, responde:
— Não, não temos pregos.
— Ainda bem... e comida para patos?
Três mulheres morreram num acidente de automóvel e foram para o céu. À entrada, cumpridas as formalidades, São Pedro avisou:
- Aqui no céu só há uma regra. Não pisar os patos.
Elas acharam a regra esquisita, mas quando finalmente atravessaram as portas, perceberam que era quase impossível andar sem pisar um pato. O Paraíso estava forrado de patos! Ainda meio confusa, uma das mulheres pisou um pato que grasnou furiosamente. Minutos depois, São Pedro apareceu com uma corrente, um cadeado e o homem mais feio que ela já tinha visto e disse:
- Não cumpriste a regra... O teu castigo é viveres toda a eternidade acorrentada a este homem.
Dias depois, a segunda mulher cometeu o mesmo erro - pisou um pato - grasnadela atroadora e como antes São Pedro acorrentou-a ao homem mais feio que ela vira em dias da sua vida (e de sua morte) e disse:
- O teu castigo é viver por toda a eternidade amarrada a este homem.
Perante estes exemplos, a terceira mulher passou a ser extremamente cuidadosa. Conseguiu nunca pisar um dos milhares de milhões de patos que por ali vagueavam. Passaram alguns meses e, um dia, São Pedro apareceu com um homem de uma grande beleza - o rapaz mais bonito que ela alguma vez vira ("é lindo"- pensou para consigo) - acorrentou-a a ele. Não percebendo o que se passava, ficou quieta. Quando São Pedro se afastou, disse ao maravilhoso jovem :
- O que será que fiz para receber este prémio?. O rapaz respondeu:
- A senhora não sei. Eu... pisei um pato!
Há mais histórias de patos - a do Hans Christian Andersen - "o Patinho feio" que não cabe aqui - afinal um cisne é um pato aristocrata, um ganso com a mania das grandezas. Há também a história do náufrago que não gostava de pato... Fica para outra altura.
O Pato algemado
O nosso convidado de hoje, Ricardo Araújo Pereira, nasceu em Lisboa em 28
de Abril de 1974 - chegando três dias atrasado à Revolução (é uma piada que o tem acompanhado desde o berço). Licenciado em Comunicação Social e Cultural pela Universidade Católica, trabalhou como jornalista no Jornal de Letras, Artes e Ideias. Na agência "Produções Fictícias" foi co-autor de alguns programas de humor. O sucesso chegou, no entanto, quando ligado a José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis criou o Gato Fedorento. Hoje em dia, o Gato Fedorento, nos seus diversos formatos, constitui a principal referência do humor televisivo em Portugal.
Agradecemos a RAP e aos seus companheiros, ao humor inteligente que os caracteriza, os momentos de boa disposição que nos têm proporcionado.
Orgias sexuais repletas de sexo, cópulas, coitos e fornicações - por Ricardo Araújo Pereira
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O caso das orgias promete ser ainda mais orgástico do que parecia. Ora ainda bem. Não há nada como uma boa orgia para animar um povo, e o nosso bem precisa que o animem. Uma rápida pesquisa na internet revela que os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Sol e a revista Lux noticiaram o caso, fazendo referência, não a orgias, mas a "orgias sexuais". Preocupados com a confusão que sempre se estabelece quando se fala de orgias, vários meios de comunicação puseram um rigor especial nas notícias: as orgias de que se fala são mesmo de carácter sexual. Uma confirmação para aquela gente de horizontes limitados, que não conhece orgias de outro tipo; uma desilusão para todos os que esperam há anos uma boa orgia contabilística: uma dessas festas de que tanto se ouve falar, em que os convivas comparecem com dossiês e facturas e desatam libidinosamente a calcular o IRS uns dos outros.
Chamar "orgia sexual" a uma orgia constitui uma orgia lexical reveladora de uma orgia de significados. Por um lado, talvez os jornalistas sintam a necessidade de esclarecer que aquilo que se vê no vídeo é mesmo sexo. É possível que se trate de uma orgia tão canhestra que não cumpra os requisitos das orgias a que os jornalistas estão habituados. Por outro lado, pode dar-se o fenómeno inverso. Esta, sim, é a verdadeira orgia, com sexo a sério, que se distingue das pífias orgias do costume a ponto de requerer o qualificativo de orgia sexual. A terceira hipótese, e mais preocupante, é a que aponta para o facto de os jornalistas desconhecerem que uma orgia é, por natureza, sexual. Analisemos cada uma das hipóteses, que o caso merece estudo amiudado.
A primeira hipótese é provável, até porque não há, até hoje, notícia de um vídeo caseiro de orgias que seja satisfatório. Por azar, são quase sempre filmes protagonizados por gente que não fazemos questão de ver vestida, quanto mais nua. As figuras públicas que realmente gostaríamos de ver num vídeo deste tipo, por descuido ou maldade nunca filmam a sua participação em orgias - sexuais ou outras.
A segunda hipótese parece inverosímil. Ficaria muito surpreendido se empresários do Norte e figuras do jet-set soubessem protagonizar uma orgia decente. Não duvido da sua capacidade de deboche, atenção. A minha intenção não é ofender. Limito-me a não acreditar que sejam capazes de deboche de qualidade.
Finalmente, a hipótese da ignorância dos jornalistas, que é intolerável. Aceito que um jornalista, no âmbito do seu trabalho, por ter de se debruçar sobre vários assuntos, não possa ser especialista em todos. Admito que um jornalista não saiba muito sobre economia, fraqueje na história, hesite na ciência política. Mas recuso ser posto ao corrente da actualidade por pessoas que não sabem o que se faz numa orgia. Há um mínimo de cultura geral de que uma sociedade civilizada não pode abdicar.
Em louvor do piaçaba
"Uma das mais belas palavras da língua portuguesa"
Ricardo Araújo Pereira explica sucinta, mas eloquentemente por que se deve dizer piaçaba e não piaçá.
O Pato algemado

Woody Allen ataca de novo

Woody Allen é um colaborador residente de "O Pato algemado". Hoje trazemos aqui algumas frases de sua lavra, verdadeiras pérolas de sabedoria... ou coisa assim. Ora, leiam:
A realidade é chata, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife.
Certo dia, atrasei-me ao voltar da escola e meus pais pensaram que eu havia sido sequestrado. Entraram imediatamente em ação: alugaram o meu quarto.
Deus não existe e, se existe, não é muito fiável.
É agradável, de tempos em tempos, tentar imaginar o que teria sido a existência se Deus tivesse conseguido um orçamento e um guionista melhores.
E se tudo for uma ilusão e nada existir? Nesse caso, não há dúvida de que paguei demais por aquela carpete nova.
Fiz um curso de leitura dinâmica e li "Guerra e Paz" em vinte minutos. Tem a ver com a Rússia.
Fui criado na velha tradição judaica: nunca me casar com uma mulher gentia, nunca me barbear aos sábados e, principalmente, nunca barbear uma mulher gentia aos sábados.
Mais do que em qualquer outra época, estamos numa encruzilhada. Um dos caminhos leva à catástrofe e ao mais terrível desespero. O outro leva à extinção total. Vamos rezar para que façamos a escolha certa.
As minhas notas na escola variaram de abaixo da média a abaixo de zero. Fui reprovado no exame de Metafísica. O professor acusou-me de estar a olhar para a alma do rapaz sentado ao meu lado.
Na Califórnia não se deita o lixo fora. Reciclam-no e convertem-o em programas de TV.
Não que eu esteja com medo de morrer. Só não queria lá estar quando isso acontecesse.
O mundo divide-se em pessoas boas e pessoas más. As pessoas boas têm um sono tranquilo. As pessoas más divertem-se muito mais.
Por que não fala Deus comigo? Se Ele pelo menos tossisse!"
Por que motivo lavamos os dentes quatro vezes ao dia e fazemos sexo duas vezes por semana? Por que não o contrário?"
Quando comecei a escrever, tentei vender a história de minha vida sexual a uma editora. Eles compraram e transformaram -no num joguinho de armar para crianças.
Se Deus existe, por que não me dá um sinal de Sua existência? Como, por exemplo, abrir uma bela conta em meu nome num banco suíço.
A única coisa que lamento na vida é não ser outra pessoa qualquer.
Não posso escutar muito Wagner. Fico com vontade de invadir a Polónia.
E agora um conto. O Lago dos Cisnes em versão woodiana:
O feitiço
A overture começa com um uníssono de metais, embora os baixos pareçam estar a avisar: " Ignorem esses metais. O que sabem eles da vida?" O pano sobre e mostra o palácio do Príncipe Sigmund, magnífico, esplendoroso e com ar condicionado central. O Príncipe está a celebrar o 21º aniversário, mas não parece muito feliz ao abrir os presentes, pois a maioria deles são pijamas. Um a um, os velhos amigos vêm render-lhe homenagem e Sigmund agradece com apertos de mão ou palmadinhas nas costas, segundo o sítio para onde estão virados. Confraterniza com Wolfshmidt, seu melhor amigo e estabelecem um pacto entre ambos: se um deles ficar careca, o outro usará peruca.
Os outros dançam, preparando-se para a grande caçada, até que Sigmund pergunta: " Qual caçada?" Ninguém sabe ao certo, mas a orgia já foi longe demais e , quando o empregado traz a conta, todos ficam aborrecidos.
Entediado com a festa, Sigmund dança até a beira do lago, no qual contempla a sua própria imagem durante 40 minutos, aborrecido por não ter trazido seu aparelho de barbear. De repente, ouve um bater de asas e vê um bando de cisnes selvagens voando à luz do luar. Os cisnes dobram à direita e voam na direção do príncipe. Sigmund constata que o lider é parte cisne, parte mulher - infelizmente, divididos no sentido longitudinal.
Sigmund apaixona-se por ela e promete a si mesmo tomar cuidado para não fazer referência a ovos. Como sempre dançam um pas de deux, que termina quando Sigmund tem um ataque de lumbago. Yvette, a Mulher-Cisne, conta-lhe que foi enfeitiçada por um mago chamado Von Epps e que, por causa de sua aparência, é quase impossível conseguir um papagaio no banco. Num solo particularmente difícil, explica através da dança que a única maneira de quebrar o encanto é convencer o seu amante a fazer um curso de taquigrafia por correspondência. Isto é odioso para Sigmund, mas mesmo assim ele jura que fará. Subitamente, Von Epps aparece, na forma de um saco de roupa suja, e leva Ivette com ele, finalizando o primeiro acto.
Começa o segundo acto, o qual se passa uma semana depois, e o Príncipe vai casar com Justine, uma mulher de quem ele tinha se esquecido completamente. Sigmund está dilacerado por sentimentos ambíguos, por ainda ama a Mulher-Cisne, embora Justine também seja muito bonita e não tenha certas desvantagens, como penas e bico. Justine dança sedutoramente em torno de Sigmund, o qual indeciso entre casar-se ou procurar Ivette e ver se os médicos podem fazer alguma coisa. Soam os címbalos e entra Von Epps, o mago. É verdade que não tinha sido convidado para o casamento, mas promete não comer muito. Furioso Sigmund desembainha a espada e atravessa com ela o coração de Von Epps. Isso transforma um pouco a festa, e a mãe de Sigmund ordena ao cozinheiro que espere um pouco antes de servir o banquete.
Enquanto isso, Wolfschmidt, seguindo ordens de Sigmund, encontra Ivette - o que não foi difícil, porque, como ele explica, " Quantas mulheres cisnes existem em Hamburgo?" Ignorando as lamúrias de Justine, Sigmund corre ao encontro de Ivette. Justine vai atrás dele e beija-o, enquanto a orquestra ataca um furioso dobrado.
Nesse momento, podemos perceber que Sigmund veste a malha de balet do avesso. Ivette chora, dizendo que agora só a morte quebrará o encanto. E assim, numa das passagens mais comoventes e belas da história do balet, atira-se de cabeça contra o muro. Sigmund observa quando o corpo do cisne morto se transforma no corpo de uma mulher morta, e finalmente compreende quão cruel pode ser a vida, principalmente para os galináceos. Arrasado, decide juntar-se a ela e, depois de uma delicada dança de lamentação, engole um safio vivo.
Fez sentido?
O elogio fúnebre
Elogio Funebre é um dos 14 sktches que fazem parte de Os Novos Monstros, filme realizado por Mario Monicelli, Dino Risi e Ettore Scola. É superiormente desempenhado por Alberto Sordi, que interpreta um comediante fazendo o elogio fúnebre de um colega. Não deixem de ver:
O Pato algemado
Hoje começamos com um Divórcio em Telavive 
Antevéspera do Ano Novo Judaico. Boris Sylberstein, patriarca judeu, e a mulher, Sara, moradores num Kibutz perto de Telavive, visitam um dos seus filhos na capital de Israel:
─ Jacobzinho, odeio ter que te estragar o dia, mas o Pai precisa de te dizer que a Mãe e eu nos vamos separar, depois destes 45 anos!
─ O Pai enlouqueceu! O que é que está a dizer? ─ grita Jacob.
─ Já não conseguimos sequer olhar um para o outro. Vamos separar-nos e acabou-se! Liga à tua irmã Raquel a contar.
Apavorado, o rapaz liga para a irmã, que vive em Viena e conta-lhe a terrível notícia. Raquel fica em estado de choque, ao telefone:
─ Os nossos pais não podem separar-se de maneira nenhuma! Chama já o Pai ao telefone!
O ancião atende e a filha balbucia na maior emoção:
─ Não façam nada até nós chegarmos aí amanhã, ouviu? Vou telefonar também ao Moisés para São Paulo, ao Salomão para Buenos Aires, e à Ester para Nova Iorque, e amanhã à noite estaremos aí todos. Ouviu bem Pai?
Desliga, sem esperar pela resposta do Pai. O velho pousa o auscultador no descanso, vira-se para a mulher, e, sem que Jacob ouça, diz-lhe em voz baixa:
─ Pronto, Sara, vêem todos para a Ano Novo. Só que desta vez não temos de lhes pagar as passagens!
Um excerto do livro de Woody Allen Fora de Órbita:
Neste verão, frequentadores de uma academia bastante chique de Nova York encolheram-se em busca de abrigo quando o som ribombante que em geral precede o deslocamento de uma falha tectônica reverberou no meio dos seus exercícios matinais.
Temores de um terremoto logo foram mitigados, porém, quando se constatou que o único deslocamento que o ocorreu foi no meu ombro, o qual lacerei na tentativa de impressionar a gatinha de olhos amendoados que fazia flexões de braço ao meu lado. Na ânsia de chamar a sua atenção, tentei tirar do suporte e erguer de um jacto um halter com um peso equivalente a dois pianos Steinway, quando minha espinha de repente tomou a forma de uma fita de Möbius e a parte principal da minha cartilagem rompeu-se de forma audível. Após emitir um som idêntico ao de um homem quando é atirado do alto do edifício Chrysler, fui levado para fora de cócoras e tive que ficar sem sair de casa durante todo o mês de Julho. Aproveitando o repouso forçado na cama, busquei consolo nos grandes livros, uma lista inescapável que eu já pretendia encarar havia quarenta anos, mais ou menos. Evitando arbitrariamente Tucídides, os garotos Karamazov, os diálogos de Platão e as madeleines de Proust, meti a cara numa edição barata de A divina comédia, de Dante, na esperança de que se descortinasse uma imagem de pecadores de tranças negras com o aspecto de algo saído diretamente das páginas de uma catálogo de Victoria’s Secret, enquanto ondulavam, seminuas, entre enxofre e correntes.
Por infelicidade, o autor, aferrado demais a questões graves, rapidamente me desviou do enevoado sonho erótico e eu me vi perambulando pelas regiões inferiores sem nenhum personagem excitante, senão Virgílio, para me guiar e transmitir a cor local. Um pouco poeta eu mesmo, encantei-me com a maneira como Dante estruturou de modo brilhante aquele universo subterrâneo de justos desertos para os que praticam o mal na vida, arrebanhando os mais diversos poltrões e incréus e outorgando a cada um o seu grau apropriado de tormento eterno. Só quando terminei o livro percebi que ele deixou de fora qualquer referência a empreiteiros e, com uma psique que ainda vibrava como um par de címbalos por ter reformado uma casa alguns anos antes, não pude deixar de me ver tomado pela nostalgia.
Tudo começou com a aquisição de uma pequena casa de arenito no Upper West Side de Manhattan. A senhorita Wilpong, da imobiliária Mengele, garantiu-nos que era uma oportunidade única, um preço módico, numa cifra não superior ai custo de um avião bombardeiro invisível. A habitação era alardeada como "pronta para ocupação imediata", e talvez fosse, no caso de um bando de fugitivos ou de uma caravana de ciganos.
- É um desafio – disse minha mulher, quebrando o recorde feminino, em quadra coberta, na modalidade "frases de sentido dúbio".
– Vai ser muito divertido reconstruir.Evitando pisar algumas tábuas soltas, tentei manter-me animado e comparei o charme de casa com o da Abadia de Carfax.
- Imagine se derrubarmos esta parede e fizermos uma grande cozinha à moda californiana – arengou o sexo frágil.
- Tem espaço para um escritório, e cada filho vai poder ter um quarto individual. Com umas poucas obras na parte hidráulica, poderemos ter banheiros separados, e aposto que você consegue até fazer a sala de jogos com que sempre sonhou... para temperar os seus momentos mais filosóficos com um pouco de pinball.
Enquanto as fantasias da megalomania arquitetónica da bem-amada disparavam desenfreadamente, a carteira no bolso do peito do meu casaco começou a palpitar como um linguado preso ao anzol. Visões do desperdício de tudo aquilo que eu desposara ao longo de anos de trabalho duro, suando sangue para fabricar panegíricos fúnebres para a Funerária Irmãos Schneerson, levaram-me a discordar, no registo mais agudo de um flautim.
- Você acha que precisamos deste lugar? – Perguntei, rezando para que a ânsia de posse amainasse, como um mal passageiro.
- O que eu adoro na casa é que não tem elevador – arrulhou a cara-metade.
– Você já imaginou como vai ficar o seu coraçãozinho com você subindo e descendo aqueles cinco andares de escadas?
"A morte? Olha, eu devo dizer que sou totalmente contra", Woody Allen
Mas, concordando ou não, a verdade é que
Vamos todos falecer, como nos asseguram os "Gato Fedorento":
O Pato algemado
HUMOR REAL - selecção de Sérgio Madeira
Não tem nada a ver com a Monarquia (Viva a República!).
Como sabem, real é um adjectivo com duas acepções diferentes e com etimologias também distintas - numa delas, o vocábulo vem do latim regale , régio, e tem a ver com os reis, aqueles tipos que usavam coroa e que aparecem nos baralhos de cartas (e nas revistas do coração); na outra acepção, vem do latim reale, e quer dizer que tem existência verdadeira, que não é imaginário ou fictício. É uma pérola de sabedoria, mas não têm nada que agradecer, deixem-se estar sentados.
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Com "humor real" queremos dizer que hoje não vamos recorrer à imaginação e vamos apenas seleccionar factos reais (ver explicação acima), tirados da vida real (idem). Olhem só este requerimento que um cidadão da freguesia de Soalhães, concelho de Marco de Canavezes, faz ao Presidente do MUnicípio - é "realmente" interessante:
Vou seguir este caso com toda a atenção. À boa maneira do Perry Mason, se o amigo Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro obtiver o empréstimo do Audi, usarei o caso como precedente relevante e pedirei ao Professor Cavaco a cedência temporária do Palácio de Belém para, com dignidade e modéstia, realizar a final do campeonato de sueca do pessoal de São João das Lampas. Senhor Presidente, pode mesmo ser a Sala Dourada... ou a Galeria dos Retratos - a mesinha é jeitosa. Não somos esquisitos e, sobretudo, não queremos incomodar.
Segue-se uma viagem pela blogosfera até

Há coisas que nos fazem rir, mas que são tristes – é o caso de um site brasileiro que anuncia frases de génios – Sobre Luís Vaz de Camões, diz
Conheça dezenas de frases de Luís Vaz de Camões, considerado como o maior poeta de língua portuguesa e um dos maiores da história da humanidade.
Muito bem. O pior é que das dezenas de frases Camões não escreveu nem uma, devendo o autor ser o imbecil *que organizou a lista de bacoradas que agora, por ignorantes e incautos, irão ser atribuídas ao pobre Luís Vaz. Que no século XVI já lia jornais, falava de layout e tecia considerações sobre a corrupção no Brasil. Mas não usava bombacha nem gostava chimarrão... Ora leiam e, se conseguirem, riam-se (as frases estão todas assinadas - Luiz Vaz de Camões, não vá alguém atribuí-las a Afonso X, o Sábio...)
Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas.
A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.
A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer escrever claro não é certo mas é claro, certo?
Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores.
Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti, mas viver sem amor acho impossível.
Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
Nunca usei bombacha, não gosto de chimarrão e nem de me lembrar da última vez que subi num cavalo. Aliás, o cavalo também não gos
No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa.
Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.
As frases são muitas, mas não quisemos abusar da vossa paciência - as que aqui não estão são igualmente estúpidas. Podem ir ver. Anunciam frases de outros génios - Fernando Pessoa, Galileu, Gandhi... (Coitados!)
Sugerimos que acrescentem esta frase
Às vezes, a única coisa verdadeira num site é a falta de vergonha de quem o escreve.
(Luiz Vaz de Camões)
* tentei outros termos para qualificar esta alimária, mas só me ocorriam termos incompatíveis com a seriedade e o decoro do «Pato algemado». Imbecil é um elogio. Sejamos realmente bondosos.
Frases lapidares de Américo Tomás
«Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados....» - in revista Opção, ano II, n.º30
«...É uma terra [Manteigas]bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude...» - in O Século, 1/6/1964
«A minha boa vontade não tem felizmente limites. Só uma coisa não poderei fazer: o impossível. E tenho verdadeiramente pena de ele não estar ao meu alcance.» - in Diário de Notícias, 23/6/1964
«O Sr.Prof. Oliveira Salazar, ao longo de mais de trinta anos, é uma vida inteiramente sacrificada em proveito do país, e
desconhecendo completamente todos os prazeres da vida, é um homem excepcional que não aparece, infelizmente, ao menos, uma vez em cada século, mas aparece raramente ao longo de todos os séculos.» - in Seara Nova, Maio 1965
«Eu prolongo no tempo esse anseio de V.Exª e permito-me dizer que o meu anseio é maior ainda. Ele consiste em que,
mesmo para além da morte, nós possamos viver eternamente na terra portuguesa, porque se nós, para além da morte vivermos sempre sobre a terra portuguesa, isso significa que Portugal será eterno, como eterno é o sono da morte.»- in
Diário da Manhã, 14/9/1970
«Neste almoço ouvi vários discursos, que o Governador Civil intitulou de simples brindes. Peço desculpa, mas foram autênticos discursos.» - in Diário de Notícias, 14/9/1970
«Pedi desculpa ao Sr.Eng.º Machado Vaz por fazer essa rectificação. Mas não havia razão para o fazer porque, na
realidade, o Sr. Eng.º Machado Vaz referiu-se à altura do início do funcionamento dessa barragem e eu referi-me, afinal, à data da inauguração oficial. Ambas as datas estavam certas. E eu peço, agora, desculpa de ter pedido desculpa da outra vez ao Sr.Eng.º Machado Vaz.»- in Seara Nova, Agosto 1972
- Retirado do livro "Frases que fizeram a História de Portugal" por Ferreira Fernandes e João Ferreira
E para terminar, uma discussão sobre futebol... ou sobre corrupção... uma coisa dessas:
Hoje, para abrir as hostilidades, temos o Gato Fedorento. Lembram-se do "Professor Marcelo e o aborto"?
O Pato algemado
A DESCOBERTA E O USO DO BORRÃO DE TINTA FALSO - por Woody Allen
Não há quaisquer vestígios da aparição no Ocidente do borrão de tinta falso antes do ano de 1921, embora se saiba que Napoleão se tivesse divertido muito com o zumbidor, um dispositivo dissimulado na palma da mão que causava uma vibração eléctrica sob contacto. Napoleão oferecia a régia mão, amistosamente, a um dignitário estrangeiro, «zumbia» a palma da mão da desprevenida vítima e fazia troar o seu riso imperial enquanto o ingénuo, envergonhado, executava uma improvisada pirueta, para delícia da corte.
O zumbidor sofreu muitas modificações, a mais conhecida das quais ocorreu após a introdução da pastilha elástica por Santa Ana (julgo que a pastilha elástica foi originariamente um cozinhado da mulher que, pura e simplesmente, não foi para baixo), e tomou a forma de uma embalagem de pastilhas elásticas de hortelã equipada com um subtil mecanismo de ratoeira. O patego a quem era oferecida uma pastilha experimentava uma aguda ferroada quando a barrinha saltava sobre as ingénuas pontas dos seus dedos. A primeira reacção era geralmente de dor, evoluía para um riso contagioso e estabilizava numa espécie de sabedoria folclórica. Não é segredo que a partida da pastilha-elástica-que-morde serviu para aliviar consideravelmente as preocupações em Álamo; e, apesar de não ter havido sobreviventes, muitos observadores pensam que as coisas podiam ter corrido muitíssimo pior sem essa habilidosa atracçãozinha.
Com o advento da guerra civil, os Americanos procuraram cada vez mais escapes para esquecer os horrores de uma nação em desintegração; e enquanto os generais nortistas preferiam divertir-se com os cálices de Carnaval, Robert E. Lee fez passar a muitos um momento crucial com o brilhante uso que fazia da flor de esguicho. Nos primeiros tempos da guerra, ninguém que tenha cheirado o aparentemente «lindo cravo» da lapela de Lee deixou de receber no olho uma generosa esguichadela de água do rio Suwanee. Conforme as coisas foram piorando para o Sul, Lee abandonou esse artifício outrora elegante e dedicou-se a colocar simplesmente tachas nas cadeiras das pessoas de quem não gostava. Depois da guerra e saltando directamente para os primeiros anos deste século e para a chamada era dos ladrões aristocráticos, os pozinhos para espirrar e as latinhas com o rótulo AMÊNDOAS, de onde várias serpentes de mola saltavam para a cara da vítima, colocaram tudo o que era respeitável na área das ninharias. Diz-se que J. P. Morgan preferia os primeiros enquanto o velho Rockfeller se sentia mais em casa com as últimas.
E eis que, em 1921, um grupo de biólogos reunidos em Hong-Kong para comprar roupa descobrem o borrão de tinta falso. Era, desde há muito, um elemento de repertório oriental de diversões, e várias das últimas dinastias mantiveram o poder através da brilhante manipulação do que parecia ser um frasco que vertia e uma horrorosa mancha de tinta, mas era, na realidade, um borrão feito de lata.
Os primeiros borrões de tinta, sabe-se, eram toscos, construídos com três metros de diâmetro e não enganavam ninguém. Porém, com a descoberta do conceito de tamanhos mais pequenos, feita por um físico suíço que provou que um objecto de um tamanho particular podia ser reduzido simplesmente «fazendo-o mais pequeno», o borrão de tinta falso chegou a si mesmo.
Ficou em si mesmo até 1934, quando Franklin Delano Roosevelt o tirou de si próprio e o colocou noutro. Roosevelt utilizou-o inteligentemente para resolver uma greve na Pensilvânia, cujos pormenores são divertidos. Os dirigentes dos trabalhadores e da administração estavam embaraçados, convencidos de que um frasco de tinta se tinha entornado, arruinando um caríssimo sofá Império. Imaginem como ficaram aliviados quando souberam que era tudo brincadeira. Três dias depois as fábricas de aço estavam reabertas.
(in Para acabar de vez com a cultura, trad. Jorge Leitão Ramos, Livraria Bertrand, pp. 131-133, Novembro de 1980).
José Vilhena
Nasceu em 1927 em Figueira de Castelo Rodrigo. Frequentou o Curso de Arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto, vindo depois para Lisboa. Colaborou no Diário de Lisboa e em publicações humorísticas desenhos e textos. Em 1956 publicou uma primeira colectânea de anedotas ilustradas - "Este Mundo e o Outro", seguindo-se "Manual de Etiqueta ", em 1959. Publicou numerosos livros humorísticos nos quais, apesar de usar um humor tradicional, brejeiro e popular, criticou o regime ditatorial, nomeadamente a polícia política, que, revelando pouco sentido de humor o prendeu por três vezes, apreendendo com frquência os seus livros. Após a Revolução de Abril, deu largas ao seu humor cáustico, não perdendo nunca a oportunidade de usar a Igreja e a Direita como alvo das suas sátiras.


O Pato algemado
Como é diferente o humor em Portugal
Esta glosa de "A ceia dos cardeais", de Júlio Dantas, já foi mais do que usada e é um verdadeiro lugar comum. Mas o nosso Pato adora lugares comuns - centros comerciais incluídos. Só não gosta muito de urinóis. Um dia destes, apresentará mesmo uma história construída com lugares comuns. Mas vamos ao que interessa -Hoje, apenas publicaremos obras de humoristas portugueses.
Começamos com André Brun:
André Brun (Lisboa 1881- 1926), militar de carreira, atingindo a patente de major, combateu em França durante a Primeira Guerra mundial, sendo condecorado com a Medalha da Cruz de Guerra. Sobre o conflito, escreveu o seu livro A Malta das Trincheiras (1918). Autor de uma obra vasta, foram as suas peças teatrais que mais êxito obtiveram – A Maluquinha de Arroios (1913) e A Vizinha do Lado, (1916), ambas passadas ao cinema.
Apresentamos dois contos de André Brun:
Um Rapaz da Minha Terra
Nesse dia viera na ordem do regimento que era proibida a entrada de paisanos no quartel e o sargento da guarda mandara chamar o cabo da dita e fizera-o ciente da disposição regulamentar.
- Veja lá você agora se deixa entrar algum peludo... - concluiu o sargento.
- Mas se vier aí algum indivíduo da classe civil para falar com alguma praça? - perguntara o cabo.
- Mande chamar a praça e que falem à porta.
- Está direito, meu sargento. O sargento retirou-se todo imponente para o seu quarto com a competente caneta atrás da orelha e o cabo pôs-se à coca. Passados dez minutos, aparece um cavalheiro com cara de fora da terra e um valente sombrero de borla na cabeça que, muito lampeiro, se dispunha a entrar pelo quartel dentro.
- Psst! Ó cidadão! Onde é que vai? - inquire o cabo, com aquele desdém que os paisanos inspiram a todo o militar da tropa. - Eu desejava falar com um sujeito...
- Aqui não moram sujeitos. Aqui só moram praças.
- Um sujeito militar... que é soldado...
- Sujeitos militares são praças. Ouviu?
- Sim, senhor. É um rapaz da minha terra que, a modos, pertence cá ao regimento. - Que número é ele?
- E o António do Seixal.
- Isso não é número: isso é alcunha. De que companhia é ele? - Lá na terra era sempre da minha companhia e da do Vicente da Rosa... - Mau! Mau! Assim não nos entendemos. Pergunto eu se vossemecê sabe o número que ele tem cá no regimento?
- Lá isso não sei, senhor praça.
- Eu cá não sou praça, sou cabo. Bem. Vamos lá a saber: que jeito tem ele? Como é a cara dele?
- Ah! Isso é um rapaz com uma cara comprida, a modos assim bexigoso. - Já sei. É o 31 da 2ª do 1.° Já lo mando chamar. Passados dois minutos avança o 31.
- Nada, este não é. O rapaz da minha terra é mais alto uma lasquinha. - Mais alto? Ah! Bem sei quem é. É o 23 da 2ª do 2.° Ó 31, manda-lo bir cá abaixo. Dali por uma loja de barbeiro chegava o 23.
- Nada. Também não é este. O rapaz da minha terra é assim a modo mais cheio nas maçãs do rosto - explicou o paisano. -Ah! É mais cheio nas maçãs? Já o matei... - Ele morreu? - Não, senhor. Já sei quem é o tipo. É o 81 da 3ª do 3º. O 81 não tardou que viesse à mostra. - Ó senhor cabo! Tenha paciência mas o tal rapaz da minha terra é mais azul nos olhos e dá assim um jeito à boca - dizia o paisano. - Ora porque é que você não disse isso há mais tempo? Esse sei eu muito bem quem é. É o 34 dos adidos. Vem já aí. Em resumo: eram sete horas da noite e já tinham vindo à porta das armas trinta e duas praças do regimento. O sargento da guarda interessara-se no caso. O oficial de inspecção espreitava da janela do seu quarto. Não havia maneira de aparecer o tal rapaz da minha terra. O cabo tinha ido aquecendo a pouco e pouco e já estava ao rubro. À trigésima terceira tentativa berrou para o paisano:
- Se este agora, que ali vem, não for o rapaz da sua terra, você leva-me um pontapé na patrona que morre de fome no ar.
- Sim senhor, senhor cabo. Apareceu o trigésimo terceiro exemplar de "rapaz da minha terra" e o paisano, tratando de pôr a patrona no seguro, ainda de longe explicava ao cabo:
- Esse tamém não é. O tal é mais delgadinho das pernas... Mal o patusco se tinha eclipsado a unhas de cavalo, apareceu muito sereno o António do Seixal, recruta recentemente alistado, que, com o respeito devido à posição cabal do cabo, indagou delicadamente:
- Senhor cabo, o senhor tem a bondade de me dizer se, por acaso, não viria aí um rapaz da minha terra à minha procura.
- Você está doido? Com essa cara? Esteve aqui realmente um paisana à procura de um rapaz da sua terra; mas você não tem ventas para isso. Mais de trinta praças antigas aqui vieram e ele não quis nenhuma. Vinha agora você com oito dias de praça e já queria ser da terra dele. Viva, amigo! Girou! Girou para a caserna.
- Mas eu é que sou o António do Seixal - afirmava o recruta.
- Viva, amigo. Vá intrujar outro. Se você fosse você, o paisano tinha-me logo dito quem é que era você. Andar!
in André Brun,
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Uma Lição de Aritmética
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O cabo 30 acha-se na parada do quartel, durante a instrução, ocupado na grave tarefa de iniciar oito senhores recrutas da sua escola nos mistérios metafísicos do quatro à direita.
Falemos agora de Stuart de Carvalhais
José Stuart de Carvalhais (Vila Real, 7 de Março de 1887 — Lisboa, 2 de Março de 1961), é considerado como o pai da banda desenhada em Portugal. Estudou no Real Instituto de Lisboa e em 1912 foi para Paris. A sua primeira banda desenhada - Quim e Manecas surge em 1915 no jornal O Século. Em 1916, estas personagens motivam o primeiro filme cómico português. As histórias de Quim e Manecas serão publicadas até 1953.
Pintor ligado à corrente modernista, fez diversas exposições individuais. Trabalhou no Teatro como figurinista e cenógrafo. Foi colaborador de muitos jornais e revistas, tais como O Século, Diário de Notícias, Diário Popular, Diário de lisboa, a Bola, Sátira, Sempre Fixe, Repórter X e muitas outras publicações.
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Gato Fedorento é o nome de um famoso grupo de humoristas – Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela. Miguel Góis e Tiago Dores. Em 2003, resolveram criar um blogue e,baseando-se num tema musical da série americana “Friends”, Smelly cat – baptizaram o blogue Gato Fedorento. Estava encontrado o nome de uma equipa terrível - é com esta equipa que terminamos por hoje: um debate sobre a ameaça do terrorismo, com a esclarecedora intervenção do Gajo de Alfama
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
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Paulo Rato
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