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| Vista de garita "colgada". Al fondo, Puerta del Calvario. Olivenza. |
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| Otra garita "colgada", con el Baluarte de la Cuerna al fondo. Olivenza. |
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| Vaciado del Baluarte de San Juan de Dios, Olivenza, con "Caballero" destrozado |
João Rodrigues Mouro: um engenheiro / arquiteto oliventino do século XVII
- por António Martins Quaresma / adaptação de Carlos Luna
O forte da Ilha do Pessegueiro, uma das principais obras de João Rodrigues Mouro.
Há nomes que o tempo parece apagar. E, por vezes, isso sucede. Em contrapartida, outros há que são descobertos ou redescobertos... e, por vezes, onde menos se espera.
Um trabalho de 2009 sobre o Forte da ilha do Pessegueiro (PortoCovo/Sines) propiciou adescoberta de um engenheiro e arquitecto alentejano. O autor, António Martins Quaresma, não resistiu, e fez algumas pesquisas biográficas.
Assim se descobriu que João Rodrigues Mouro (ou João Roiz Mouro) nasceu em Olivença, em 1620, ou um pouco antes. Era filho de Pedro Antunes Mouro, e casou, em 1646, na Igreja da Madalena, na sua localidade natal, com Maria Pedreira, possivelmente sua conterrânea. Note-se que o apelido "Mouro" foi comum em Olivença entre os séculos XVI e XVIII. João Rodrigues Mouro foi soldado entre 1648 e 1653, e teve o cargo de ajudante nas obras da fortificação de Olivença. Recorde-se que estávamos no Guerra da Restauração (1640-1668 ), e importantes engenheiros estrangeiros trabalharam naquela vila alentejana (João Gilot, Nicolau de Langres, Jan Ciermans/Pascácio Cosmander). É legítimo conjecturar que João Rodrigues Mouro fez a sua aprendizagem em contacto com estes homens, que em Portugal introduziram o método de fortificação que mais tarde, anacronicamente, seria chamado "estilo Vauban". Nessa época, não existiam Escolas de Engenharia ou de Arquitectura, e eram mestres que iniciavam discípulos ou aprendizes.
A partir de 1653 ou 1654, encontramos o nosso homem a trabalhar em Setúbal, trabalhando nas fortificações desta Praça e nas suas dependências. O Engenheiro existente, Sebastião Pereira, estava velho e incapacitado, e João Rodrigues Mouro foi indicado para o substituir... o que se tornou oficial em 23 de Novembro de 1665. Ganhava então 40 Cruzados (1600 réis/ cerca de 80 (!!!) cêntimos em moeda de 2009).
Sabemos que em Setúbal e nas fortificações que lhe eram dependentes, como já dissemos, com destaque para o litoral alentejano, João Rodrigues Mouro deixou obra feita e de destaque, quer de raiz, quer de reconstrução e adaptação, como o Forte de São Luís Gonzaga, alguns parapeitos da Fortaleza de São Filipe, o meio baluarte de São Domingos, Outão, e, mais longe, obras nos castelos de Palmela, Sesimbra, e Alcácer do Sal. Nos arredores de Setúbal, há notícias sobre inúmeros trabalhos.
A obra mais emblemática situa-se a sul de Sines, na Ilha do Pessegueiro, frente a Porto Covo. O belo Forte que ali se ergue, e que delicia quem o avista ou quem nele entra, resistiu ao tempo, sofreu obras de restauro, e é uma preciosa herança deste engenheiro até há pouco quase desconhecido.Terá sido construído, talvez, entre 1679 e 1684.
João Rodrigues Mouro terá morrido por volta de 1707, já bastante idoso. Detinha o posto de tenente-general. O seu sucessor, João Tomás Correia de Brito, foi o autor de uma obra onde incluiu alguns desenhos de fortificações da sua autoria.
A História, que tanto enaltece as glórias puramente militares ou os rasgos artísticos mais notórios, esquece por vezes pessoas que, noutras áreas, contribuem para a sua construção...
Olivença
- Atentados institucionais contra o património artístico monumental
Do blogue do argonauta Moisés Cayetano Rosado transcrevemos, no original em castelhano, um texto sobre decisões das autoridades que configuram verdadeiros atentados institucionais contra o património artístico monumental.
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Anuncia a associação Além Guadiana - LÍNGUA E CULTURA PORTUGUESAS EM OLIVENÇA que o livro O cavaleiro de Olivença, de João Paulo Oliveira e Costa, será apresentado em Olivença no dia 27 de abril de 2012.
Apresentação do romance O cavaleiro de Olivença
Na próxima sexta-feira 27 de abril, pelas 19 horas, terá lugar, no Museu Etnográfico González Santana, a apresentação do livro O cavaleiro de Olivença. O ato é organizado pela associação cultural Além Guadiana e conta com a colaboração da Câmara Municipal de Olivença e do Museu Etnográfico.
O cavaleiro de Olivença é o novo romance histórico do romancista João Paulo Oliveira e Costa, professor catedrático e doutor em História pela Universidade de Lisboa, bem como diretor do Centro de História Além-Mar. É autor de diversas publicações, como uma biografia de Manuel I e os romances históricos O império dos pardais e O fio do tempo, e este novo trabalho, o último de uma trilogia dedicada “aos amigos do rei”, gira em torno da figura de Joana a Louca. A ficção é construída em volta de uma história de amor entre essa rainha e um misterioso “cavaleiro de Olivença”, com as relações entre Portugal e Espanha como pano de fundo.
A apresentação será precedida por uma introdução histórica sobre a Olivença do século XVI, a cargo da historiadora Emilia Albuquerque. Além disso, serão colocados à venda exemplares do livro assinados pelo autor. Este ato desenvolve-se no quadro da Feira do Livro desta localidade, que se celebrará ao longo da semana no adro de Santa Maria do Castelo.
Hoje passam 75 anos sobre o criminoso bombardeamento da cidade basca de Guernica
No dia 26 de Abril de 1937, aviões da Legião Condor, corpo da Luftwafe enviado por Hitler para ajudar Franco, bombardearam e destruíram a cidade de Guernica que não tinha importância militar e, por isso, não dispunha de defesa anti-aérea. Usando explosivos e depois bombas incendiárias, picaram finalmente sobre a população em fuga, chacinando-a com as metralhadoras. Foi a primeira cidade a ser destruída por bombardeamento aéreo e serviu de cobaia para a 2ª Guerra Mundial. Este crime foi até 1970 negado pelo governo franquista.
Um poema de Federico García Lorca, o grande escritor andaluz assassinado pelos falangistas e o famoso quadro de Pablo Picasso, numa homenagem a Guernica. O poema é dito pela grande actriz francesa Germaine Montero (1909 - 2000).
Dois jesuítas oliventinos do século XVII - os irmãos Couto na Revolta do "Manuelinho" de Évora (1637)
por Carlos Luna

Entre os vultos de destaque do nosso Alentejo, alguns há que são tão raramente lembrados que dir-se-ia que algum tipo de maldição os persegue. Estão neste caso dois irmãos, de apelido Couto, de nomes Estêvão (1554-1638) e Sebastião (1567?-1639), ambos originários de Olivença, onde viveram na Rua da Pedra... hoje denominada, com pouco respeito pela História, "Calle Cervantes".
Estêvão do Couto formou-se na Universidade de Évora em 24 de Junho de 1539, doutorando-se em Teologia, na mesma Instituição, em 1596. Foi, aliás, Cancelário e Lente na mesma Universidade. Autor de vários textos e trabalhos, manuscritos, sobre Física e Metafísica, assim como de uma obra intitulada "Retórica", é mencionado na "Biblioteca Lusitana" de Barbosa Machado. É em geral considerado um dos grandes cérebros jesuítas do Século XVII, sendo muitas vezes citado elogiosamente.
Sebastião do Couto, tal como o irmão, entrou na Companhia de Jesus. Tinha então apenas 15 anos. Formou-se na Universidade de Évora em 23 de Janeiro de 1605. Foi Lente da Prima de Teologia em Évora e em Coimbra. Muito afamado, há notícias de ter pregado no Auto de Fé de 19 de Junho de 1619, em Évora... algo que hoje não se considerará muito elogioso, antes pelo contrário.
Parece que os dois irmãos se mantiveram sempre muito próximos, intelectual e fisicamente, excepto por pequenos períodos. Por isso, não causa espanto encontrá-los juntos em 1637, por ocasião da Revolta do "Manuelinho" em èvora. Ambos tiveram nela papel de destaque, em especial Sebastião.
Como é sabido, a Revolta do "Manuelinho" foi um protesto generalizado com algumas manifestações de violência à mistura (queima de Arquivos, por exemplo). Constituíu a primeira ameaça séria de revolta contra o Governo Filipino. Opressão fiscal, miséria social, falta de um governo próprio com efectiva capacidade de decisão, e outros, foram os motivos variados que levaram a tal levantamento, particularmente dinâmico no Alentejo e no Algarve, que abrangeu com poucas excepções (Elvas, Moura, e pouco mais), assolando ainda partes do Ribatejo e da Beira Baixa, e uma ou outra localidade fora dessas áreas (Guarda, Bragança). Só na Região de Évora, em sentido lato, ergueram-se Évora (centro do movimento), Montemor-o-Novo, Alandroal, Vila Viçosa, Borba, Canha, Vimieiro, Sousel, Avis, Olivença, Mourão, Viana do Alentejo, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia, Alcácer do Sal, e outras localidades ainda.
As classes possidentes portuguesas, dado o carácter eminentemente popular da Revolta, hesitaram no procedimento a ter. Acabaram por ajudar a reprimir o levantamento, muitas vezes procurando ser elas próprias a fazê-lo com um mínimo de interferência de Madrid.
Curiosamente, os Jesuítas apoiaram maioritariamente os rebeldes, apesar do reconhecido pendor ultracatólico do Rei de Espanha. Foram mesmo acusados de estarem entre os principais instigadores.
Seria interessante tentar compreender todas estas tomadas de posição, mas tal foge ao âmbito do presente trabalho. Para este interessa, isso sim, que os dois irmãos Couto estiveram envolvidos na rebelião. Pela palavra e pela escrita, ambos, principalmente Sebastião, incitaram ao levantamento, percorrendo várias localidades.
O próprio Duque de Bragança (futuro rei D. João IV) assinalou a presença do mais novo e activo dos irmãos, relatando estar "escondido na Igreja de Jesus". Nada há a estranhar na posição do duque, que se colocou contra os revoltosos, mesmo porque algumas das zonas rebeladas eram domínios seus.
A repressão obrigou Estêvão e Sebastião do Couto a esconderem-se, julga-se que principalmente em Conventos, vários porque não podiam estar muito tempo no mesmo sítio. Estêvão faleceu logo em 1638, sem nunca ter sido apanhado.
O Conde - Duque de Olivares, espécie de Primeiro Ministro espanhol, imaginou entretanto uma artimanha. Convocou a Madrid algumas individualidades portuguesas, para que lhe explicassem em detalhe o que ocorrera durante a Revolta. A artimanha estava em querer proceder à prisão dos suspeitos de instigação em Espanha, já que entre os Portugueses convocados estavam conhecidos opositores a Madrid, com especial realce para... Sebastião do Couto!
Parece que este saíu de Portugal com aparente normalidade, mas não chegou ao seu destino. Porque tinha uma idéia do que o esperava, desapereceu. As buscas em Portugal não resultaram. Faleceu em 21 de Novembro de 1639, ao que parece de morte natural. Estava sob disfarce num Convento... mas em Espanha, onde Olivares nunca sonharia procurá-lo... e muito menos encontrá-lo!
Aqui, surge uma grande confusão, pois em Borba diz-se que Sebastião Couto morreu na vila alentejana. Eis algo que merece ser averiguado!!!
Afinal, nenhum dos dois irmãos vivia já no Primeiro de Dezembro de 1640, o que foi de facto lamentável, pois teriam decerto sentido uma imensa alegria. A História tem destas ironias. E foi o próprio Duque de Bragança que, com outros elementos das elites portuguesas, se pôs à frente duma nova e maior revolta, desta vez vitoriosa. A História ainda hoje se interroga se terão compreendido os sentimentos populares, se terão agido por interesse próprio, ou se terão tentado antecipar-se a uma nova revolta plebeia tomando a direcção do movimento em vez de serem ultrapassados. Talvez tudo um pouco. Mas esta discussão não cabe aqui.
Os irmãos Marçal: três alentejanos de Olivença com Napoleão
por Carlos Luna
É um assunto pouco referido, mas portugueses houve que integraram as forças de Napoleão. Nem sempre voluntariamente, diga-se. De qualquer forma, não é justo que sejam hoje tão esquecidos que muita gente desconhece o facto.
Vamos recordar três deles, três irmãos alentejanos que estiveram entre os soldados de Napoleão que morreram nos campos de batalha da Rússia.
Em 1807, a Primeira Invasão Francesa ocupara Portugal. Logo se organizara uma Legião Portuguesa, sob o comando do Marquês de Alorna, para servir Napoleão. Era este, aliás, um procedimento comum nos países ocupados por ordem do Imperador nascido na Córsega.
A Legião Portuguesa partiu para Espanha em 1808, concentrando-se em Salamanca em princípios de Maio, e seguindo depois para França, salvo um pequeno regimento que ficou em Saragoça, procurando, em vão, ao lado de tropas francesas, conquistar a cidade, rebelada contra os invasores napoleónicos.
As tropas portuguesas estavam no Sul de França em princípios de 1809. Nela havia soldados de todos os cantos de Portugal. Chamavam a atenção três irmãos, de apelido Marçal, capitães de Cavalaria de Olivença, nascidos na década de 1770: António, Vicente Luís, e Francisco. A sua história já tinha tido muito de rocambolesco, pois a sua terra natal fôra ocupada pela Espanha em 1801, por instigação francesa, e o seu regimento, denominado "Dragões de Olivença", tinha sido obrigado a abandonar a localidade ocupada, andando em bolandas durante seis ou sete anos... razão por que um ou outro autor pretenderam que a terra natal dos três irmãos seria outra que não a Terra das Oliveiras...
Agora, o mesmo Napoleão, que estivera por detrás da conquista de Olivença, considerava-os portugueses, oriundos dum regimento exilado há seis ou sete anos, como já foi salientado. Ironias da História.
Foi-lhes dado o posto de alferes. Em Março de 1809, organizou-se um corpo de elite sob o comando do General Carcome, incorporado no exército do General Oudinot, que invadiu o Império Austríaco. Tal corpo participou nos preliminares da Batalha de Wagram, bem como na batalha em si. Os três irmãos Marçal distinguiram-se pela sua bravura, e um deles, Francisco, foi condecorado com a Legião de Honra.
Em 1811, Napoleão organizou de novo o corpo português, que em 1812 integrou o exército que invadiu a Rússia. Os três irmãos integraram o 1º e o 2º Regimentos de Infantaria.
O exército napoleónico foi avançando sem grandes dificuldade até Moscovo. Todavia, num dos poucos combates travados então, em Smolensk, a 16 de Agosto de 1812, caía para sempre António Marçal.
Ocupar a Capital antiga da Rússia czarista ( que era então São Petersburgo) não foi também muito difícil. Desgraçadamente, foi então que, a 7 de Setembro de 1812, numa escaramuça, tombou Vicente Luís Marçal, pelo que ficou apenas vivo um dos três irmãos, Francisco.
Os russos incendiaram parcialmente a sua antiga capital. Napoleão, desesperado, teve de retirar-se, em pleno Outono e Inverno rigorosos.
Ao alcançar, com o seu semi-gelado e fatigado exército, os arredores da cidade de Viazma, as tropas russas, que até então apenas o haviam perseguido, atacaram de surpresa. O Exército francês escapou-se, mas com pesadíssimas baixas. Na retaguarda, destacamentos isolados, sob o comando do Marechal Ney, tentavam minorar o desastre e castigar os atacantes, para depois se tentarem reintegrar no grosso da coluna. Um destes destacamentos bateu-se desesperadamente, comandado pelo alferes Francisco Marçal. Este lutou até terem caído todos os soldados que o acompanhavam. Moribundo, com o corpo crivado de balas, foi trazido ao Comando Militar gaulês, falecendo quase de seguida (6 de Novembro de 1812 ).
Refira-se que, dos 600 000 homens que participaram nessa invasão, só sobreviveram cerca de 10 000, que em 10 de Dezembro de 1812 alcançaram a fronteira da Polónia ( Rio Niémen ). As loucuras dos ditadores custam, geralmente, muito caro aos seus próprios povos... bem como aos povos vizinhos e estrangeiros em geral !
Embora a "saga" destes três irmãos seja referida por vários autores, não há, nem mesmo na sua terra natal, uma simples placa a recordá-los, como se um anátema os perseguisse. Justificar-se-á este esquecimento ?
Gaspar Martins - um soldado oliventino do século XVII
por Carlos Luna
Já se sabe que as guerras são momentos de muita crueldade e desumanidade. Não há dúvida de que constituem a pior invenção do "génio"(?) humano.
Apesar de tudo, temos de falar delas. Dos heróis. Dos traidores e das vítimas. Talvez para que as suas histórias nos sirvam de lição e procuremos outros caminhos para resolver desinteligências.
A Guerra da Restauração (ou da Aclamação ) foi um conflito terrível. Vinte e oito anos (1640-1668) de destruição e ódio. Grande preço pagaram os povos de Portugal e Espanha para que se reconhecesse o que devia ser evidente, já então, mesmo com as limitações compreensíveis da época (Século XVII): que cada povo deve poder governar-se por si só, e decidir o seu próprio destino.
Portugal, em revolta porque achava que esse direito fora violado, cuidou de se fortificar logo a partir de 1640. E um especialista holandês, jesuíta, Jan Ciermans, mais conhecido pelo nome latinizado de João Pascácio Cosmander, foi contratado para fazer planos de fortificações estilo "Vauban", incluindo entradas secretas e outros pormenores.
Quis o destino que Pascácio Cosmander mudasse de opinião, talvez por dinheiro, talvez por convicção. E, ao serviço da Coroa espanhola, tornou-se um perigo imenso. Ele podia introduzir inimigos, sem dar nas vistas, nas praças fronteiriças portuguesas cujos planos ajudara a elaborar. Na raia alentejana, instalou-se um clima de medo.
Assim foi. Cosmander tentou entrar na Praça de Olivença, mais ou menos disfarçado, em 1648. Mas...foi reconhecido. Um carpinteiro, "guerrilheiro" voluntário na Guerra, chamado Gaspar Martins, não hesitou ao vê-lo, e matou-o com um disparo certeiro.
Logicamente, o atento oliventino viu-se transformado em herói.
Recebeu mercês e bens vários, e tornou-se um exemplo para as gentes da Raia Alentejana. Os seus descendentes viriam ainda a beneficiar das recompensas. O exército português respirou de alívio.
Podemos hoje meditar sobre a real valia deste tipo de feitos. Mas o sentimento da época foi claro. Na memória popular, principalmente em Olivença, algumas quadras imortalizaram o feito:
Já morreu o vil traidor
p`ros infernos muitos anos
quis vender o nosso povo
ao poder dos castelhanos.
Cosmander foi um vilão
ao serviço dos mariolas
mas teve morte de cão
com sepultura d'esmola.
Era um diabo, um malvado
sem honra nem coração;
dorme, filho, descansado,
que já morreu esse cão.
O professor Carlos Luna é um conhecido activista da causa de Olivença. Num texto que escreveu a propósito do cinquentenário da morte de Ventura Ledesma Abrantes, traz até nós a figura ímpar de um ilustre oliventino, de um grande português.
Ventura Ledesma Abrantes – um português de Olivença (III) - por Carlos Luna
(conclusão)
5) O escritor Ventura Ledesma Abrantes
Mas... Ventura Ledesma Abrantes foi principalmente um escritor.
A sua Bibliografia, extensíssima, é quase toda dedicada a Olivença. Lidava com facilidade surpreendente com a língua (portuguesa) materna, de uma forma quase apaixonada.
A lista dos seus livros, mais ou menos completa, porque há obras menores, é a seguinte: "Saudades da Terra das Oliveiras"(1932); "Olivença a Gloriosa"(1933); "De Olivença a Marvão"(1934; este livro valeu-lhe uma homenagem da Câmara Municipal de Marvão); "A Santa Casa da Misericórdia da Vila de Olivença"(1940); "A Não Esquecida"(1943); "A Noite do Menino nas Terras de D. João II "(1943); "A Defesa da Porta do Calvário da Vila de Olivença"(1944); "Olivença, a Sombra da Saudade"(1949); "Anais da Velha Vila de Olivença"(1951); "Crónica Histórica e Bibliográfica da Vila de Olivença"(1946); "O Património da Sereníssima Casa de Bragança em Olivença"(1954).
A última obra atrás referida de Ventura Ledesma Abrantes é, digamos assim, a sua grande "conclusão"... mesmo porque faleceu dois anos depois. Mas é mais porque se trata de uma gigantesca e completíssima monografia, com mais de 500 páginas, uma das melhores existentes em língua portuguesa, e que talvez não fosse má idéia reeditar.
É visível que Ventura Ledesma Abrantes compreendeu que o franquismo ia destruir mais profunda e radicalmente do que até então sucedera as raízes e a vivência lusitanas em Olivença, pelo que o seu livro descreve o maior número possível de aspectos, História, e características, mesmo as menos visíveis, da Cidade, para que não se pudesse negar uma realidade que talvez fosse deixar de existir.
6) O reconhecimento de uma obra
Ventura Ledesma Abrantes morreu mais ou menos ignorado.
O Estado Novo, no qual, devido ao seu nacionalismo, depositara decerto esperanças para a recuperação de Olivença para a soberania portuguesa, decerto o desiludiu. A sua obra, ainda que propalada, era-o discretamente, pois constituía um embaraço diplomático constante, tanto ou mais do que a sua actividade frenética de publicista, orador, homem de acção.
Ledesma Abrantes era um Romântico. Acreditava na "pureza" do povo, e, republicano, preferia cidadãos a súbditos. Tendia para correntes conservadoras, mas foi, acima de tudo, um inconformado. Acreditou na sinceridade das intenções de muita gente, e foi quase sempre iludido.
Postumamente, um anátema parece continuar a persegui-lo. O seu nome foi quase esquecido em Portugal e na cidade de Lisboa que ele tanto amou. Em Olivença, mesmo após a Restauração da Democracia em Espanha em 1975, o seu nome é pouco citado, e é-o ainda depreciativamente. No excelente Museu Municipal de Olivença estava exposto um painel de azulejos oriundo da sua casa no Estoril, desaparecido em 2003. Rezava assim:
Escuta
Nesta casa vive a ventura e a esperança
da História pátria! Não perturbes a sua paz!
Se és meu amigo - Deus te guie!
Se és português - Deus te guarde!
Se és alentejano - Deus te salve!
Mas se és de Olivença!
Entra, meu irmão - esta casa é sempre tua!
Aqui vive-se junto ao céu!
a alma alimenta-se da imponderável fé!
o coração sonha e adormece
olhando o mar...
É a saudade lusíada do passado!
É o culto da pátria, que só Deus mantém inalteravelmente!
É Portugal, aquecendo o peito ao fogo dos cânticos de Camões
é o pensamento místico da ama
é a fé do patrono Nun'Álvares!
Laus deos
Casal Oliventino
Olivença-Portugal
Só após uma luta de quatro anos o Homem a quem se devem mais conhecimentos sobre a Cultura Oliventina da Primeira Metade do Século XX, cultura inegavelmente portuguesa, e que foi uma figura de intelectual de inegável grandeza em Lisboa, viu o seu nome dado a uma artéria desta cidade, após votação unânime da Câmara Respectiva em 30 de Dezembro de 1997, próximo do Estádio de Alvalade, da Quinta do Lambert, e da Avenida Marechal Craveiro Lopes. Lisboa, que ele tanto amou, e a Cultura Portuguesa, deviam-lhe isso.
A verdade e a justiça prevaleceram sobre o preconceito.
FINDBIKE - Encontro ciclista em Olivença
Olivença vai acolher, nos próximos 14 e 15 de abril, a primeira edição de FINDBIKE (encontro ciclista), o maior evento desportivo para os amantes da bicicleta de montanha na Estremadura espanhola, e um dos maiores do estado espanhol, num fim de semana no qual se celebrarão quatro provas diferentes, orientadas quer a federados, quer a não federados, de todas as idades e sem caráter competitivo.
Organizada pela associação oliventina de bicicleta de montanha “Os Pelinhas”, pela Câmara Municipal de Olivença e pela Deputação de Badajoz, com a empresa Karting Olivenza como patrocinadora oficial, durante estes dois dias os participantes poderão desfrutar do desporto, da natureza e do convívio nesta histórica cidade.
FINDBIKE Olivença nasce com a ideia de se converter numa referência anual para os amantes da bicicleta de montanha espanhóis e portugueses, numa cidade que partilha duas culturas. Este é o segundo evento organizado pela associação “Os Pelinhas”, depois da consagrada Rota Noturna “Cidade de Olivença”, que tem lugar aos verões e que igualmente discorre por atrativas sendas rurais em espaços de grande beleza, como a serra da Lor.
As inscrições permanecem abertas até 10 de abril. Mais informações em www.ospelinhas.com .
Fortificação oliventina
Partiendo de Baiona, en Galicia, es delicioso bajar por la Raya luso-española, admirando fortificaciones abaluartadas -“a la moderna”-, hacia Castro Marim (Algarve); de la desembocadura del Minho, que despedimos en Caminha, hasta la salida al mar del río Guadiana.
Invita el viaje a un zig-zag: Vila Nova de Cerveira y Tomiño en España, Valença do Minho y Monção en Portugal, dando otro salto fronterizo a Salvatierra. Todas poblaciones fortificadas que, por las luchas de los siglos XVII, XVIII y XIX, se acorazaron contra una artillería cada vez más potente. Y así continuamos desde Minho hasta Tras-os-Montes: a Lindoso sucede Chaves, desde donde saltar otra vez a Galicia para admirar Monterrei.
Más abajo, me gusta detenerme en Almedia (con parada antes en Castelo Rodrigo, y posterior en Castelo Mendo, medievales) -Beira Interior- desde donde paso a Castilla-León: San Felices de los Gallegos, Fuerte de la Concepción (Aldea del Obispo) y Ciudad Rodrigo; paisaje recio, fortificaciones “modernas” del más alto nivel. Ejércitos españoles, portugueses, ingleses y franceses, supieron de la resistencia de sus muros.
Y de ahí al Alentejo (aunque ¡quien se resiste a las medievales Monsanto, Penha García, Idanha-a-Velha…!): Castelo de Vide y Marvão más Crato y Portalegre frente a las extremeñas Valencia de Alcántara; más arriba la “romana, medieval y barroca” Alcántara, y muy cerca Brozas; al sureste, Alburquerque.
Si seguimos, nos aparecen Crato, Arronches, Campo Maior, de espectacular castillo, que completa al norte su freguesía de Ouguela. Enseguida, al sur, una “joya de la corona”: Elvas, enfrentada tantas veces a su cercana, hoy tan hermanada, Badajoz: alarde abaluartado (ya sabemos: muros gruesos e inclinados, protegidos por flechas amuralladas -revellines-; salientes pentagonales para ofrecer ofensiva de fuego cruzado; glacis, fuertes exteriores, fortines…). A retaguardia: Vila Viçosa, Estremoz y Évora.
Seguimos: Juromenha -cola de Alqueva-; enfrente Olivenza/Olivença, querida y añorada. Enseguida Monsaraz y Mourão: ¡qué espectacular desde ellas el barragem de Alqueva! Paralelo, imponente castillo en Alconchel, con refuerzos de la Edad Moderna.
La Raya no da respiro: fortalezas perfeccionas hasta límites admirables de la ciencia constructiva, matemática, defensiva, artística, monumental… Ya al sur -en Andalucía- Paymogo, Sanlúcar de Guadiana… y ese remate lujoso de Castro Marim, con el Forte de Cabanas de Tavira al oeste.
No existe otro espacio en el mundo que ofrezca conjunto tan nutrido, original, ejemplar por lo que supuso para otras actuaciones en distintas latitudes, y que responda a un “relato” tan extenso: con base en la lejanía de la antigüedad, se consolida en el Medievo y adquiere originalidad inigualable en la Edad Moderna, que remata el siglo XIX.
Raya fortificada, abaluartados que aspiran a la calificación por la UNESCO de Patrimonio de la Humanidad. Pocos conjuntos con tantos méritos para conseguirlo: por el valor artístico de cada uno; por lo monumental del conjunto; por la lectura histórica transfronteriza de 300 años de enfrentamientos felizmente resueltos.
O professor Carlos Luna é um conhecido activista da causa de Olivença. Num texto que escreveu a propósito do cinquentenário da morte de Ventura Ledesma Abrantes, traz até nós a figura ímpar de um ilustre oliventino, de um grande português.
Ventura Ledesma Abrantes – um português de Olivença (II) - por Carlos Luna
(continuação)
3) Uma organização mal compreendida
Em 15 de Agosto de 1938, fundou, com o então tenente Humberto Delgado, com Amadeu Rodrigues Pires, e Francisco Sousa Lamy, a Sociedade Pró -Olivença, embrião do futuro Grupo dos Amigos de Olivença, nome que teve a partir da sua semi-legalização, em 21 de Novembro de 1945.
Esta organização, ao longo da sua História, conheceu várias vicissitudes e direcções/orientações. Foi, principalmente, denegrida, ignorada... e quase proibida. A sua legalização só foi completada depois do 25 de Abril de 1974, pois os seus estatutos ficaram "suspensos" ! Curiosamente, Ventura Ledesma Abrantes veio a abandonar o grupo logo pouco depois de 1945.
Convém referir que, ao contrário do que muita gente diz nos nossos dias, Salazar não gostou da Associação que, pela sua linguagem obrigatoriamente anticolonialista, punha em causa a própria orientação da política portuguesa de então. A denúncia de uma situação que tinha tudo de colonial, com repressão cultural e linguística, passando por acções de dispersão de populações, ameaças, e até prisões (uma discreta "limpeza étnica", ao fim e ao cabo), levou Salazar a criar uma atmosfera de isolamento em torno do grupo, presumindo-se que por isso nunca permitiu a aprovação dos estatutos. A organização era tolerada, mas com frieza. O Ministro da Defesa, Santos Costa, foi mais longe, ameaçando passar compulsivamente à Reserva Militar qualquer membro das forças armadas que se ligasse aos Amigos de Olivença.
Os diplomatas franquistas em Lisboa conotavam o Grupo como sendo de Oposição ao Regime, principalmente depois que o M.U.D., em 1945, apoiou as suas reivindicações. Na verdade, pelos Amigos de Olivença passaram muitos intelectuais e homens de acção, muitos deles oposicionistas: Queirós Veloso, Ramos e Costa, Paulo Caratão Soromenho, Humberto Delgado, Matos Sequeira, Sidónio Muralha, Veiga de Macedo, João Pereira da Rosa, Tomé Feteira, Mascarenhas Barreto, Hernâni Cidade (seu Presidente até 1975), e outros. É só por uma cruel ironia da História que análises pouco cuidadas (e preconceituosas) insistam em identificar os "Amigos de Olivença" com extremismos vários, principalmente de Direita, apoiando-se somente em alguns episódios (que os houve !) menos felizes ou menos claros.
4) luta por uma cidadania
Como é de calcular, Ventura Ledesma Abrantes fez parte do Conselho Regional da Casa do Alentejo durante muitos anos consecutivos. Na década de 1930, foi nomeado representante de Portugal nas Exposições Livreiras de Sevilha, Barcelona, e Florença. Uma grande luta que travou foi a de conseguir a Nacionalidade Portuguesa de forma natural, e nunca como "espanhol naturalizado".
Após uma polémica legal com o Poder do Estado Novo que, confrontado com pareceres jurídicos favoráveis à pretensão de Ventura Ledesma Abrantes, procurava sempre eximir-se ao cumprimento da Lei e à concessão da referida nacionalidade, um aliado surpreendente resolveu a questão: Cavaleiro Ferreira, Ministro da Justiça entre 1944 e 1954. Foi promulgada legislação, mais ou menos ainda em vigor, que dava aos oliventinos o direito de cidadania portuguesa, com a averbação no Bilhete de Identidade da expressão "nascido em Olivença, Portugal.
Tal preceito era, mesmo assim, um tanto dúbio, pois empurrava a decisão final para o ministro da Justiça. Vale a pena citar a Lei ( Artigo 117, L. 37 666, 19 de Dezembro de 1949): " Fora dos casos de naturalização, é da competência do Ministro da Justiça decidir as questões relativas à legalidade da aquisição, perda ou reaquisição da nacionalidade portuguesa ou esclarecer as dúvidas que a esse respeito se suscitarem; # único. Das decisões do Ministro cabe recurso para o Supremo Tribunal Administrativo, nos termos da lei geral." Diz-se que Salazar, mesmo assim, ainda hesitou em colocar a sua assinatura. Estranha forma de ser nacionalista, na verdade...
O professor Carlos Luna é um conhecido activista da causa de Olivença. Republicamos este texto que escreveu a propósito do cinquentenário da morte de Ventura Ledesma Abrantes, traz até nós a figura ímpar de um ilustre oliventino, de um grande português.
Ventura Ledesma Abrantes – um português de Olivença
por Carlos Luna
Ventura Ledesma Abrantes (Olivença, 1883 — Estoril, 1956)
1) Primórdios
Ventura Ledesma Abrantes não nasceu em Lisboa, mas foi na capital portuguesa que desenvolveu a sua actividade criadora. Nela estabeleceu laços de amizade, se instalou como comerciante (mais concretamente como Livreiro e Editor), e, como veremos, foi escritor e polemista. Nasceu a 13 de Maio de 1883, em Olivença, numa casa ao lado da Porta do Calvário, e faleceu em 12 de Junho de 1956, no Estoril. Não foi um homem "acomodado", antes pelo contrário, foi um lutador. A sua juventude foi atormentada por alguns percalços. Filho de um barbeiro de Olivença, pro-português, membro activo de um grupo que, localmente, lutava pela reintegração de Olivença em Portugal e pela manutenção da Cultura lusitana (História, Língua, Tradições) naquela cidade, acompanhou o seu pai no exílio. Na verdade, o pai de Ventura, atingido por represálias, e por vários anátemas , por parte das autoridades espanholas, veio com a família para Lisboa, por volta de 1903. Para além da família de Ventura Ledesma Abrantes, militavam então em Olivença, a favor de Portugal, entre outros, homens como Manuel Gonçalves Verão, Firmino Martins Rui, e Manuel Justo Gonçalves. Destes homens quase não se fala hoje. Mas de Ventura diz-se, ainda hoje em Olivença, que fugiu para Portugal por causa de um crime... ninguém especificando que esse "crime" foi simplesmente ser favorável a Portugal... mesmo porque ninguém é disso informado...
2) Um homem de (muita) cultura
Ventura Ledesma Abrantes, livre das pressões a que fora sujeito na sua terra, lançou-se em inúmeras actividades, normalmente de carácter cultural. Era um homem irrequieto, um diletante, um entusiasta. Vemos Ledesma Abrantes, em 1911-1912, associado à criação da Universidade Livre de Lisboa (obra, fundamentalmente, de Reinaldo Ferreira). Depois, encontramo-lo na Lutuosa Nacional, com sede no Porto. A ele se deve a abertura, em 1931, da primeira Feira do Livro de Lisboa com carácter oficial. ( houve uma edição em 1930, mas oriunda de iniciativas privadas ). Ele mesmo era o Presidente da Associação de Classe dos Livreiros de Portugal, embrião, após várias metamorfoses da actual A.P.E.L. ( Associação Portuguesa de Editores e Livreiros ). Ventura Ledesma Abrantes tinha uma livraria, que era também uma Casa Editora, na Rua do Alecrim (n.º 80 e 82), que fechou as suas portas dois anos antes da sua morte.
Não se limitava a vender livros. Foi membro activo de uma das mais notáveis tertúlias do Chiado, mais concretamente daquela de que foram também membros Teófilo Braga, Egas Moniz e António Sardinha.
Não foi por acaso, portanto, que Ventura Ledesma Abrantes editou livros importantes, como a "Vida Sexual - Fisiologia e Patologia”, de Egas Moniz ( livro que mais ninguém quis editar por se considerar o tema imoral... ) , "In Memoriam", de Camilo Castelo Branco, "Vida e Obra de Júlio Dinis", de Egas Moniz também, "Como Perdemos Olivença", de Queirós Veloso. Usou o pseudónimo de João Coelho para responder em polémica à obra "Palavras Cínicas", de A. Forjaz de Sampaio (1884-1949), "diálogo" que ficou célebre na época.
Foi membro da então selectiva Sociedade de Geografia de Lisboa e ainda da Associação de Arqueólogos Portugueses. Escrevia fluentemente, e colaborou em vários jornais e revistas de Lisboa e do Porto. Distinguido várias vezes, foi condecorado com a Ordem Militar de Cristo. Porque era logicamente um entusiasta por Olivença, acabou por, ao cabo de muitos anos de trabalho independente, ser obrigado a procurar emprego, por ter gasto tudo o que amealhara em livros e folhetos, fomentando organizações, custeando em Lisboa o estudo de muitos oliventinos, ajudando-os como pode durante a Guerra de 1936-39, etc.
(continua)
Divulga-se a informação da associação Além Guadiana relativa ao primeiro Encontro Oliventino de Escritores Portugueses e Estrenhos, que terá lugar dia 23 de março, em Olivença.
Santa Casa da Misericórdia de Olivença: nova imagem
A associação Além Guadiana - língua e cultura portuguesas em Olivença divulgou no seu sítio na internet o comunicado de imprensa relativo à nova imagem da Santa Casa da Misericórdia de Olivença, que abaixo se transcreve.
A Fundação Hospital Santa Casa da Misericórdia de Olivença estreia, na fachada principal, a nova sinalização corporativa adaptada a bandeirolas e placas, para revitalizar e potenciar a sua imagem institucional perante os seus diferentes públicos e para expandir os valores que a manteve ativa durante séculos. A ação desenvolvida está dentro da nova estratégia de expansão e difusão do seu contributo social e cultural que, durante mais de quinhentos anos, tutelou na localidade oliventina e em todo o seu meio, além de servir como motivo de promoção institucional e turística.
Fundada em 1501, é o elemento mais diferenciador da herança cultural portuguesa em Olivença, prestando ao mesmo tempo um serviço indispensável na assistência geriátrica e preservando um considerável número de valores culturais que forjam a vincada personalidade oliventina.
Hoje, a instituição presta serviços residenciais e assistência geriátrica a quarenta e oito pessoas idosas, dando emprego direto a mais de vinte trabalhadores.
Amigos de Olivença apelam à intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros
“O ministro deve fazer todos os esforços diplomáticos necessários para fazer anular esta tentativa de mega-representação de uma guerra que levou à perda de Olivença”
Fernando Castanhinha
presidente do Grupo de Amigos de Olivença
Quando alguns ouvem talvez pela primeira vez falar da anexação castelhana de Olivença, a propósito da polémica em torno da pretensa encenação histórica desejada pelo novo alcaide PP, lembremos o que a propósito escreveu Miguel Torga:
Olivença, 5 de Junho de 1954 – Também as terras murcham longe da pátria. Também um burgo pode ter saudades e mirrar-se de melancolia. Há um espírito de exílio nos lugares, perfeitamente igual ao dos indivíduos. Que pena me fez a esfera armilar no “ayuntamiento”, murcha, introvertida, apertada em novelo como uma flor de luto! A ideia de nação, embora historicamente se justifique, pelo menos cá neste Ocidente, não é de certeza a última palavra em matéria de arrumação do mundo. Uma noção mais ampla e profunda de comunidade de sentimentos e de interesses há-de substituir-se, inevitavelmente, a essa actual fraternidade murada e compartimentada. Mas enquanto se não esfumam no calor dum abraço universal as estremas culturais e sentimentais que nos rodeiam, todos os enclaves são corações geográficos desterrados, a pulsar de amargura longe do corpo procriador. A língua original que neles bruxuleia, o passado que ali se esboroa e a memória que subterraneamente luta e persiste, são valores que, até por serem agónicos, se tornam mais dramaticamente autênticos.
Aqui, toda essa pungente tristeza urbana e humana existe, mágoa velada mas incurável das coisas e dos seres. Por detrás de cada fisionomia animada ou inanimada do presente, espreita o fantasma irresignado do ausente.»
Miguel Torga
(Diário, vol. VII)
A QUESTÃO DE OLIVENÇA - RTP Pontos nos is
O programa Pontos nos is da RTP transmitiu em seis dias de 2010 o programa «A QUESTÃO DE OLIVENÇA». Este é o sexto dos seis vídeos.
A QUESTÃO DE OLIVENÇA - RTP Pontos nos is
O programa Pontos nos is da RTP transmitiu em seis dias de 2010 o programa «A QUESTÃO DE OLIVENÇA». Este é o quinto dos seis vídeos.
Olivença - novas reações contra a encenação da conquista castelhana
O novo alcaide de Olivença, Bernardino Pírix, eleito pelo Partido Popular espanhol, arrisca-se a que lhe saia o tiro pela culatra, trazendo para o palco do debate a ilegalidade do domínio espanhol, nunca reconhecido internacionalmente, sobre Olivença.
A anunciada intenção de realizar em junho uma pretensa reconstituição histórica da Guerra das Laranjas que resultou na ocupação e anexação espanhola de Olivença em 1801 originou um conjunto de reações de desagrado e o ressurgimento de manifestações de constestação daquela anexação.
As críticas estalaram e a polémica reacendeu-se há cerca de três meses, em ambos os lados da raia, incuindo até a posição do antigo alcaide de Olivença que publicou no jornal Hoy um artigo em que considera que a pretendida comemoração teatral é uma ofensa gratuita que vai criar um problema onde não havia um.
Nem as alterações entretanto feitas à ideia inicial e o anúncio de que a encenação histórica ocupará apenas um momento curto num longo programa e que se tratará sobretudo duma feira luso espanhola, cultural e gastronómica, acalmaram a contestação. Os autarcas portugueses da região desmentiram a afirmação do alcaide espanhol de que teria o apoio e participação das autarquias portuguesas para a celebração.
A mais recente das ações críticas pertence a deputados do PS que escreveram ao ministro português dos Negócios Estrangeiros, solicitando-lhe que intervisse diplomaticamente no sentido de impedir a realização da festa como anunciada, considerada inadequada para mais por não estar 'de facto' resolvida a questão da soberania daquela entre Portugal e o reino de Espanha, apesar de o estar à luz do direito internacional.
COMUNICADO DE IMPRENSA DOS AMIGOS DE OLIVENÇA
A Direção do Grupo dos Amigos de Olivença no quadro do seu permanente relacionamento com os órgãos de soberania do Estado Português e a propósito da necessária denúncia e rejeição do projeto de realização de uma «mega-representação da guerra das laranjas» altamente lesivo dos interesses nacionais, pelo atual «Ayuntamiento» de Olivença, foi recebido este mês de fevereiro na Assembleia da República, sucessivamente pelo Bloco de Esquerda, pelo Partido Comunista Português e pela comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e ainda no próximo dia 21/02/2012 pelas 11 horas, pelo partido «Os Verdes».
A direção do GAO felicita-se do bom acolhimento recebido e da unânime indignação por todos demonstrada, já com reflexos nas reações partidárias tornadas públicas e espera que os órgãos de soberania da República Portuguesa desenvolvam os esforços diplomáticos necessários para pôr fim a este projeto.
A direção do Grupo dos Amigos de Olivença
Aqui têm sido regularmente publicados textos sobre a questão de Olivença. E continuarão a sê-lo; amanhã sai mais um.
(escreva "olivença" na coluna direita em "pesquisar neste blog" para obter a lista das respetivas ligações)
A QUESTÃO DE OLIVENÇA - RTP Pontos nos is
O programa Pontos nos is da RTP transmitiu em seis dias de 2010 o programa «A QUESTÃO DE OLIVENÇA». Este é o quarto dos seis vídeos.
A QUESTÃO DE OLIVENÇA - RTP Pontos nos is
O programa Pontos nos is da RTP transmitiu em seis dias de 2010 o programa «A QUESTÃO DE OLIVENÇA». Este é o terceiro dos seis vídeos.
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
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