Estamos no ano do centenário de Jorge Amado.
É sem dúvida um dos maiores escritores de língua portuguesa. Por isso parece-nos pertinente recordar palavras suas a propósito de um romance de um argonauta, o Professor Sílvio Castro que foi lançado em Itália antes de ter sido publicada a edição em português. Referimo-nos a Memorial do Paraíso (Memoriale del Paradiso)
Jorge Amado publicou no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, logo após o lançamento dessa edição em Itália, o artigo que temos a honra e o prazer de transcrever.
O Memorial do Paraíso - Jorge Amado
Li o romance de Sílvio Castro, Memoriale del Paradiso, na belíssima edição italiana do Centro Internazionale della Grafica de Venezia, com ilustrações preciosas de Luigi Rinciotti. As ilustrações completam o texto não menos precioso: a escrita do romance de Sílvio Castro tem um tratamento de iluminura, a graça e a fluidez.
Não é a primeira vez que leio romances de autor brasileiro em língua estrangeira antes que seja publicado em português. Durante a ditadura militar aconteceu-me idêntica experiência com livros cuja editoração no Brasil fizera-se impossível. Recordo ter lido, igualmente em língua italiana, romance de Ignácio de Loyola Brandão, inédito em língua portuguesa devido às circunstâncias de ordem política, a ordem política dos gorilas: creio que o excelente romancista que é Ignácio de Loyola se fez conhecido e admirado na Europa antes de se tornar um dos escritores preferidos do público nacional. Eu próprio, levado pelas contingências da vida pública, publiquei um livro, O Cavaleiro da Esperança, na Argentina, em 1942; somente em 1945 foi possível editá-lo em português.
Tendo lido Memoriale del Paradiso em italiano, desejo antes de mais referir-me à qualidade da tradução, muito boa, de Sandra Bagno e Laura Scalambrin, em língua(s) portuguesa(s), formadas ambas sob a direcção de Sílvio Castro, cujo extraordinário trabalho no estudo, na pesquisa e na divulgação da cultura brasileira no norte de Itália não cabe neste breve texto; o que ele tem realizado nesses trinta anos de cátedra em Veneza e em Pádua é matéria para muitas páginas. Mais vale lembrar que Sandra Bagno está debruçada sobre os materiais que deverão resultar no estudo definitivo que a figura tão importante que a figura tão importante e tão injustamente esquecida de Almachio Diniz está a reclamar.
Memorial do Paraíso é o primeiro volume de uma trilogia que, completada, será com certeza de notável importância como reconstrução histórica e literária: a este primeiro romance seguir-se-ão Os Senhores Singulares e Aventuras e desventuras do veneziano Piero Contarini entre os selvícolas brasileiros. Por fim teremos a recriação em termos de ficção dos dias iniciais da vida brasileira após a descoberta, um painel do Brasil em seus começos, quando ainda não existia nação, apenas as tribos e os recém-chegados europeus, os portugueses e os demais.
Este Memorial, primeiro volume da trilogia, nasce da carta de Pero Vaz de Caminha a dom Manuel, rei de Portugal (dela, por sinal, Sílvio Castro fizera publicar em 1984 uma primeira edição crítica em italiano), a acção narrativa se desenvolve através de uma série de cartas, espécie de diário, dirigidas pelo escriba português a Maria, “filha amada e infeliz”, nas quais pretende “tudo contar” e tem muito que contar. No bojo desse diário de epístolas se projeta um espetáculo teatral, a “Festa para o Príncipe Perfeito”, o texto ganha força de ação, enriquece-se com o diálogo, e complementa e amplia o que é revelado nas cartas a Maria.
Sílvio Castro conseguiu construir uma arquitectura original para o romance, nela os tempos e os espaços romanescos encontram a medida justa e certa da narrativa, a pluma de Pero Vaz de Caminha faz a unidade da peça e das missivas, mantendo sempre em alto nível a compreensão e a escrita. Tome-se de qualquer das páginas para que se comprove a maestria do autor: “Principe, lá sono i vostri nuovi sudditi”; releio o capítulo no gozo da leitura, no prazer da frase a revestir o assunto.
Pena citar em tradução italiana. Já que o faço, aproveito para recomendar aos editores brasileiros a publicação, o quanto antes, deste romance de Sílvio Castro. O ficcionista nada fica a dever ao mestre pesquisador, ao catedrático, ao ensaísta, ao historiador da literatura; além da erudição, o autor possui o dom da inventiva. E que à edição deste primeiro romance sigam-se as dos dois outros para que se complete a trilogia e nos seja dado saber como éramos e de que maneira tropeçamos os primeiros passos no caminho da nacionalidade brasileira.
Este texto é uma adaptação de um outro que, com o mesmo título, foi publicado no Estrolabio
Aquarela do Brasil interpretada pelo grupo vocal esloveno Perpetuum Jazzile. Além do notável desempenho musical, note-se o quase perfeito português do Brasil em que a letra é cantada.
O hino nacional brasileiro é uma bonita composição musical, com belas ressonâncias verdianas. A música é da autoria de Francisco Manuel da Silva (1765-1865), maestro, compositor e professor, fundador do Conservatório do Rio de Janeiro e regente da Orquestra do Teatro Lírico Fluminense que viria a ser transformado na Ópera Nacional. Quanto a mim, a letra, não acompanha a qualidade musical. Foi escrita por Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927) - a linguagem é empolada. Mas é assim que a maioria dos hinos nacionais costumam ser - exortadores do patriotismo. Note-se que os dois autores não se cruzaram em vida – o maestro partiu cinco anos antes do poeta chegar. Em todo o caso, é um belo hino. Pois para muitos cidadãos brasileiros «Aquarela do Brasil», de Ary Barroso, é como que um outro hino do país. Numa sondagem organizada pela Academia Brasileira de Letras, a «Aquarela» ficou em primeiro lugar. A letra, também de Ary Barroso, canta um Brasil idílico, uma terra de sonho, onde o samba é rei. Será que, em 1939, o Brasil era assim tão agradável para ser pintado numa aguarela de cores tão vivas? Talvez o fosse para os ricos e para os turistas.
E para a generalidade dos brasileiros dessa época?
Em 1939, ano em que eclodiu a II Guerra Mundial, governava a República brasileira Getúlio Vargas. Chegara ao poder em 1930 mercê de um golpe militar, pondo termo à chamada República Velha e depondo o presidente Washington Luís. As instituições democráticas foram desmanteladas – dissolução do Congresso e das assembleias legislativas. Em 1932, eclodiu em São Paulo uma revolução constitucionalista, derrotada pelas forças fiéis ao Governo. Em 1934, o regime ditatorial consolidou-se ao ser aprovada uma nova Constituição, inspirada na de Weimar. Getúlio foi eleito para um mandato de quatro anos.
Em 1935, eclodiram novas revoltas e movimentos insurrecionais organizados pelo Partido Comunista Brasileiro, reprimidos duramente pelo Governo. Em 1937, dando como pretexto a existência de uma conspiração comunista para tomar o poder, em 10 de Novembro, Getúlio desencadeara um golpe de Estado. E criou o Estado Novo (nome igual ao do regime corporativo de Salazar e, segundo tudo o indica, nele inspirado). Em 1 de Janeiro de 1938 Getúlio promulgou uma nova Constituição
O Brasil, nos sete anos seguintes, até 1945, seria governado de forma autoritária, num regime de figurino fascista. Em «Memórias do Cárcere», Graciliano Ramos (1892-1953) descreve, em páginas de grande beleza e rigor, o que acontecia aos presos da ditadura getulista – torturas e outras sevícias, quando não mesmo a morte. O povo, não falando numa minoria de privilegiados, continuava a viver numa pobreza lancinante, alimentado por discursos demagógicos de recorte justicialista, tão ao gosto dos caudilhos latino-americanos.
Foi neste quadro de miséria, dor e repressão que Ary Barroso (1903-1963) escreveu a sua «Aquarela do Brasil», o retrato falso de um país triturado pela repressão getulista. Foi, no entanto, um grande êxito. Na imaginação dos que viviam num mundo em guerra, a existência de um paraíso, era reconfortante. Diz-se que numa noite chuvosa do Rio, Ary estava na sala de sua casa conversando com a mulher e o cunhado, quando se sentou ao piano e compôs de um jacto a música e a letra de «Aquarela do Brasil». Disse depois, que pretendera libertar o samba das tragédias da vida e das paixões sensuais que dominavam as letras da canção nacional. Talvez sem o pretender, ajudou a branquear um regime iníquo, brutal e corrupto.
O filme baseado no livro «1984», de George Orwell, realizado em 1985, por Terry Gilliam, chamou-se «Brazil» e, como tema recorrente da banda sonora, soa a «Aquarela do Brasil». Num mundo disfuncional, como é o que Orwell cria na sua obra, não haveria tema melhor – uma realidade cruel e, em contraponto, um retrato colorido, belo e falso dessa realidade.
As bandas sonoras de filmes como «Stardust memories» («Memórias», 1980), de Woody Allen, ou «The Aviator» («O Aviador», 2004), de Martin Scorsese, incluíram a «Aquarela». Para não falar no «Olá, Amigos» (1943), de Walt Disney e, mais recentemente , num episódio dos Simpson. Uma inspiração repentina que permitiu a Ary Barroso ser cantado por Frank Sinatra, Bing Crosby, Rosemary Clooney, Harry Belafonte…
Um país onde imperava o terror de um governo fascista e a miséria endémica coberta pelo manto diáfano de inomináveis assimetrias sociais, aparecia transmutado em paraíso, naqueles anos em que o horror da guerra tornava apelativo o bilhete postal colorido que Ary Barroso compôs numa noite em que a chuva flagelava o seu Rio de Janeiro.
João Cabral de Melo Neto, foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX. Nasceu no Recife em 1920 e morreu no Rio de Janeiro em1999. Diplomata de profissão, a sua poesia caracterizou-se por um grande rigor formal, pela utilização de vocábulos que sugeriam secura, parcimónia e austeridade .
Membro da Academia Brasileira de Letras, recebeu com vários prémios literários. Foi apontado como candidato ao Prémio Nobel.
As suas principais obras foram:

Pedra do Sono (1942); Os Três Mal-Amados (1943);O Engenheiro (1945); Psicologia da Composição com a Fábula de Anfion e Antiode (1947); O Cão sem Plumas (1950);O Rio ou Relação da Viagem que Faz o Capibaribe de Sua Nascente à Cidade do Recife (1954);Dois Parlamentos (1960);Quaderna (1960);A Educação pela Pedra (1966);Morte e Vida Severina (1966);Museu de Tudo (1975);A Escola das Facas (1980);Auto do Frade (1984);Agrestes (1985);Crime na Calle Relator (1987);Primeiros Poemas (1990);Sevilha Andando (1990).
Morte e Vida Severina é uma das suas obras mais conhecidas. Chico Buarque de Holanda, musicou-a. No vídeo, podemos ouvir um excerto desse trabalho do então jovem músico em torno do poema de João Cabral de Melo Neto.
Jorge Amado nasceu em Itabuna em 10 de Agosto de 1912 e morreu em Salvador, Baía, em 6 de Agosto de 2001. É o ficcionista brasileiro mais famoso internacionalmente. A sua obra está traduzida em cerca de 50 idiomas. Em 1994 foi-lhe outorgado o Prémio Camões.
Celebra-se este ano o seu centenário e o nosso blogue não se alheará dessa comemoração - além de dedicarmos a edição de 10 de Agosto inteiramente à vida e à obra de Jorge Amado, iremos até lá mantendo informação sobre as celebrações do centenário.

Um pequeno excerto de um dos seus mais conhecidos romances "Capitães da Areia":
Logo que um novato entrava para os Capitães da Areia formava logo uma idéia ruim de Sem-Pernas. Porque ele logo botava um apelido, ria de um gesto, de uma frase do novato.Ridicularizava tudo era dos que mais brigavam.Tinha mesmo uma fama de malvado.Muitos do grupo não gostavam dele, mas aqueles que passavam por cima de tudo e se faziam seus amigos diziam que ele era um "sujeito bom". No mais fundo de seu coração ele tinha pena da desgraça de todos. E rindo, e ridicularizando, era que fugia da sua desgraça. Era como um remédio. No rosto do que rezava ia uma exaltação, qualquer coisa que ao primeiro momento o Sem-Pernas pensou que fosse alegria ou felicidade.
Mas fitou o rosto do outro e achou que era uma expressão que não sabia definir. E pensou, contraindo seu rosto pequeno, que talvez por isso ele nunca tenha pensado em rezar, em se voltar para o céu.O que ele queria era fugir da sua angústia, que estrangulava. Mas o Sem-Pernas não compreendia que aquilo pudesse bastar. Ele queria uma coisa imediata, uma coisa que pusesse seu rosto sorridente e alegre, que o livrasse da necessidade de rir de todos e rir de tudo. Que o livrasse também daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. No bando,não tardou a se destacar porque sabia como ninguém como afetar a dor.
Apresentamos hoje o novo formato do "Palco da Lusofonia", que aqui estará todos os sábados às 11 horas. O conteúdo será mais abrangente, não se limitando à música - literatura, artes plásticas, teatro, cinema. Começamos com uma homenagem a Malangatana Valente, o grande pintor moçambicano.

Malangatana Valente Ngwenya, um dos maiores pintores do espaço Lusófono, nasceu em Matalana,
Marracuene, província de Maputo, Moçambique, em 6 de Junho de 1936 e faleceu no dia 5 de Janeiro de 2011 numa clínica de Matosinhos, Portugal.
Exerceu profissões humildes, de pastor de gado a apanhador de bolas num clube de Lourenço Marques. Foi perseguido pela polícia políitica portuguesa e preso sob a acusação de pertencer à FRELIMO. A partir de 1960, dedicou-se em exclusivo à pintura. Tem quadros nas colecções dos principais museus do mundo. As suas cores fortes e belas enchem hoje o Palco da Lusofonia.
O "Palco da Lusofonia" vai mudar de horário e não só. Aparece pela última vez às sete da manhã e quando regressar, deixará de se cingir apenas à música, abrangendo poesia, teatro, literatura...
Guell é uma das mais lindas vozes moçambicanas. O seu album Chikwembo Suca tem sido das musicas mais piratadas e mais ouvidas de norte a Sul de Moçambique. Vamos ouvi-la.
Não temos falado muito de São Tomé e Príncipe, país lusófono situado no Golfo da Guiné e constituído por duas ilhas principais - a ilha de São Tomé e a Ilha do Príncipe e várias ilhotas, num total de 1001 km², com aproximadamente 160 mil habitantes. Foi colónia de Portugal desde o descobrimento e o povoamento em 1470 até à independência, em 12 de Julho de 1975. É um dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Sabíamos da riqueza da poesia santomense, onde avultam nomes como os de Alda do Espírito Santo, Francisco José Tenreiro ou Maria Manuela Margarido, ou Albertino Bragança na prosa. Mas hoje queremos apresentar alguns artistas de música popular do arquipélago - dois cantores: Tobias Vaiana e João Aparício.
A Marrabentaé um género musical (canção e dança) tipicamente moçambicano. Pode
considerar-se uma música urbana, tal como o fado, o tango ou a valse musette - nasceu no Maputo e julga-se que a designação tenha como ponto de partida a palavra portuguesa "rebentar". Nomes como Fany Profumo ou Dilon Djindji, são os mais antigos intérpretes conhecidos de marrabenta, ainda nos anos 30 do século XX. Mas a marrabenta só se tornou verdadeiramente popular na década de 1980 com bandas como Eyuphuro and Orchestra Marrabenta Star de Moçambique. A banda moçambicana Mabulu mistura o estilo rap e marrabenta. Yara da Silva, uma jovem cantora, vai cantar uma patriótica marrabenta - "Moçambique":
Hoje temos um Palco da Lusofonia quase sem palavras, a palavra dominante é Angola - começamos com Bonga, com o grande Bonga, que nos canta Tenho uma lágrima no canto do olho. ; logo a seguir Rui Myngas canta Minha Angola, Minha terra.
Para terminar, Semba especial - música angolana com berimbau, em português - Tchikola:
Carmen Miranda (1909-1955), uma brasileira nascida em Marco de Canaveses (Portugal)
foi, sem o saber, precursora do movimento cultural brasileiro do Tropicalismo surgido em finais da década de 60, um movimento de ruptura com a tradição musical e que irrompeu através de nomes como os Caetano Veloso,e Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão e tantos outros.
Carmen Miranda, desaparecida no auge da carreira, era pela época em que morreu a artista mais bem paga de Hollywood.
Hoje vem cantar-nos "Mamãe eu quero" - canção que dedicamos à classe política portuguesa que não cessa de pedir a chupeta à mãe democracia.
Neste palco temos sempre privilegiado a colaaboração entre cantores, poetas, músicos de mais do que um país de Língua Portuguesa. Fado Tropical nas suas duas versões, a jubilatória e a fúnebre, é um exemplo de um cantautor brasileiro de referência, como é o caso de Chico Buarque de Holanda que sempre esteve atento ao que se passa deste lado do Atlântico, neste pequeno território que vai de Finisterra a Sagres e onde nasceu a língua que se fala no gigantesco Brasil.
São brasileiros como Chico Buarque, Caetano Veloso, Jô Soares e (felizmente) tantos outros, que nos fazem esquecer as estúpidas «piadas de português». Sobe ao nosso palco Chico Buarque. Vamos ver um trecho do filme Fados, de Carlos Saura, Chico Buarque canta Fado Tropical, antecedido de Grândola Vila Morena de Zeca Afonso. Carlos do Carmo intervém também.
O PALCO DA LUSOFONIA associa-se hoje ao debate sobre a Democracia - canções alusivas
à liberdade e à democracia que os militares de Abril nos deram e que 18 de meses depois nos foi retirada. Em 1975, tal como agora, em 2012, as ordens que vindas de fora sobrepuseram-se ao que a maioria do povo português reivindicava - o direito a decidir sobre o seu destino. Uma canção de Fausto, Foi por ela, diz bem da esperança que todos os que amam a liberdade puseram nesse astro incandescente que em 25 de Abril se acendeu no nosso horizonte. «Por ela», pela democracia, pela liberdade, fizemos sacrifícios, fomos presos, perseguidos e alguns ficaram pelo caminho sem poder viver esses dias maravilhosos (que nada nem ninguém nos podem roubar); por ela e não por esta mesquinha feira onde há liberdades, mas não liberdade. Foi por ela:
Artes de Lisboa. Vive em Portugal.
O vídeo, ao som
Lura - Maria de Lurdes Pina Assunção - é uma cantora cabo-verdiana nascida em Lisboa (em 1975). Talvez devamos dizer que é uma portuguesa com ascendência cabo-verdiana... Bem, não nos vamos zangar reivindicando Lura aos nossos queridos irmãos do arquipélago - O que conta é o facto de Lura ser uma grande intérprete de mornas e coladeiras. Cantou com Cesária Évora, abrindo os espectáculos da «diva dos pés descalços» na Expo 98 e participando do projecto levado a cabo em Paris com diversos espectáculos - Cesária & friends - Voz forte e bem colocada, sensual, muito expressiva, vamos escutar uma coladeira - Só um Cartinha - composição da propria Lura:
.
Como homenagem a Cesária Évora, estamos a dedicar este espaço a grandes intérpretes cabo-verdianos. Tal como a música popular portuguesa não se esgotava em Amália Rodrigues, existem no arquipélago muitos outros excelentes cantores. No entanto, Amália e Cesária abriram espaço para os novos artistas dos seus países.
Gardénia Benrós nasceu na cidade da Praia, ilha de Santiago; no entanto foi na tradição da morna da ilha Brava que Gardénia encontrou os temas para o seu primeiro disco, gravado em 1986. Nele interpreta composições do grande poeta Eugénio Tavares. Sua avó materna natural da vila de Nova Sintra, na Brava cantava em saraus e sessões culturais na ilha como intérprete de mornas, e apresentava ao público as novas criações do compositor ensinadas em primeira mão pelo próprio Eugénio Tavares.
Gardénia, com Tito Paris; Paulino Vieira, marcam uma nova era na música cabo-verdiana, de que a grande Cesária Èvora foi embaixadora emérita. Vamos escutar uma morna com letra e música de Eugénio Tavares - "Força de Cretcheu":
A escolha mais óbvia para hoje, seria a de Cesária Évora. No entanto, ao longo desta primeira semana sem ela, a Augusta Clara tem-lhe prestado a merecida homenagem, incluindo nas suas rubricas diversos vídeos com a «rainha da morna». Hoje sobe ao palco um outro cabo-verdiano - Tito Paris, um dos mais conhecidos artistas musicais de Cabo Verde.
Músico, compositor e cantor, nasceu em 30 de Maio de 1963, na cidade do Mindelo, na Ilha de São Vicente. Vive desde há muitos anos em Lisboa.
Após ter produzido e lançado, em 1987, o seu primeiro álbum em 1987, constituiu o grupo com que iria gravar o álbum "Dança Ma Mi criola". Em 1996, lançou o álbum "Graça de Tchega". "Guilhermina", foi gravado e lançado em 2002.
Tito Paris, excelente cantor e instrumentista, tem divulgado por todo o mundo, através de gravações e de espectáculos ao vivo, os ritmos de Cabo Verde.
Para fechar da melhor maneira esta homengem à música de Cabo Verde e também a Cesária Évora, vamos ouvir Mariza e Tito Paris em "Beijo de Saudade", que Cesária também incluía no seu repertório. E lembramos o grande B. Leza, Francisco Xavier da Cruz. Com Eugénio Tavares, foi o mais destacado vulto da música do arquipélago, auotr de um dos grandes êxitos de Cesária Évora - "Miss Perfumado". Fiquemos então com a portuguesa Mariza, com o cabo-verdiano Tito Paris, com a música e a poesia do imortal B.Leza... e com a grande saudade de Cesária Évora:
António Chainho (Santiago do Cacém, 1938) é aquilo que, usando um chavão, se pode considerar um nome incontornável da nossa música tradicional, quer como executante exímio de guitarra portuguesa, quer como compositor.
Há meses, apresentou na FNAC de Almada uma nova etapa do seu projecto LisGoa. Este vídeo gravado durante esse espectáculo permite-nos ouvir a cantora luso - goesa Rubi Machado e a fadista portuguesa Isabel de Noronha. Síntese da música goesa com o fado, este projecto do mestre António Chainho, com temas cantados em hindi, em concanim (dialecto de Goa) e em português é uma ponte entre o universo lusófono e as raízes culturais do povo goês, tão esquecido e abandonado à sua sorte.
Desde que o fado foi incluído na lista do Património Imaterial da Humanidade, é o primeiro fado que aqui incluímos - Mariza interpretando Chuva num Concerto realizado em Lisboa.
O poema e a música são da autoria de Jorge Fernando. Vamos ouvir a voz única de Mariza - Chuva:
Pelo menos no plano musical, a Lusofonia é um universo onde as interacções entre artistas dos países onde se fala a língua portuguesa, além de serem muito frequentes, acontecem com grande naturalidade.
Vamos ouvir uma cabo-verdiana e uma brasileira cantar uma canção da autoria de dois brasileiros: Cesária Évora e Marisa Monte cantam É doce morrer no mar, de Dorival Caymmi e de Jorge Amado.
Dorival Caymmi contou que esta maravilhosa canção foi criada em 1941, numa reunião de amigos, em casa do coronel João Amado de Faria, pai de Jorge Amado. Num ambiente descontraído, Dorival criou a canção partindo de um tema de "Mar Morto", romance de Jorge sobre os mestres de saveiros: "É doce morrer no mar / nas ondas verdes do mar". Jorge compôs mais alguns versos, completando a canção. Ainda se fez um pequeno concurso entre os amigos presentes (Érico Veríssimo, Clóvis Amorim e outros), mas foram os versos do Jorge que venceram.
É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim
É doce...
Saveiro partiu de noite,
foi Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.
É doce...
Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
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