Terça-feira, 15 de Maio de 2012
A COMUNIDADE EM ACÇÃO ( intervenção em situações de risco e perigo ) por clara castilho
 

 

 

 

 

 

 

 

 

O psicólogo Pedro Pereira, especialista em Intervenção Comunitária e Protecção de Menores, abrodou na III JORNADA DA CASA DA PRAIA - Crise e Mudança na Vida Emocional dos Jovens, que se realizou no passado dia 12 na Fundação Gulbenkian, assuntos relacionados com a intervenção em situações de risco e perigo. Considera ele que as intervenções no âmbito da protecção à infância, mais especificamente aquelas centradas no mau trato e na negligência, se devem focalizar nos processos subjacentes a estas problemáticas, em lugar do foco nas tipologias das situações de perigo.

As intervenções devem caracterizar-se por um carácter precoce, mínimo, proporcional e actual, e potenciar a criação de condições para um desenvolvimento integral saudável da criança. Para que tal seja possível, torna-se necessário compreender o enquadramento legal sobre as situações de perigo, em Portugal, dele ressaltando os aspectos que de forma mais pertinente se ligam com as práticas preconizadas pelas ciências sociais e humanas no que concerne à matéria em  apreço. Neste sentido, torna-se necessário incidir nos conceitos de perigo, de bem-estar (constructo cada vez mais relevante face ao enquadramento legal actual), de resiliência (processo que se desenrola no espaço de diálogo entre factores de vulnerabilidade e de protecção), e ainda os modelos ecológicos (na medida em que se perspectivam as situações de perigo como determinados por uma variedade de factores sustentados por processos transaccionais a vários níveis de análise na ecologia alargada das relações comunidade-pais-criança). A ideia transversal a todo o sistema de protecção é, portanto, a de que a responsabilidade da protecção das crianças e da promoção do seu bem-estar começa em todos nós,  enquanto indivíduos, e nos diversos serviços existentes nas comunidades (escolas, centros de saúde, câmaras municipais, instituições particulares de segurança social, etc.), reforçando-se a importância da adopção de acções conscientes e sustentadas num verdadeiro sentimento de coesão comunitária.

 

Apresentou um modelo conceptual sobre a conceptualização das situações de perigo, considerando-se que a maioria dos factores associados às mesmas se encontra também associada, mas negativamente, ao bem-estar, pelo que a sua influência pode expressar-se num contínuo promoção-prevenção-protecção, isto é, enquadrada no contínuo prevenção universal - prevenção selectiva - prevenção indicada.

 

Pedro Pereira é co-autor do livro “Crianças em risco e perigo”, vol I e II, da editora Sílabo, e tem publicado um artigo nas Actas do VII Simpósio Nacional de Investigação em Psicologia Universidade do Minho: Mau Trato à Criança: Factores de Vulnerabilidade e de Protecção – Guião de Conceptualização de Caso de Criança (6-11 anos) em Situação de Perigo.

 



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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
EXPOSIÇÃO 31 – “QUE O ESTIGMA SE QUEBRE” – ARTE E TERAPIA por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

De 9 de Abril a 9 de Junho, está patente, no Pavilhão 31 do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, antigo ospital Júlio de Matos um novo espaço expositivo, dedicado à arte contemporânea, sob a responsabilidade de Sandro Resende.

Aí se reúnem obras de artistas consagrados e obras do atelier de artes plásticas deste hospital. Para já, podem ser vistas obras de Eduardo Souto Moura e Miguel Palma juntamente com as de Artur Moreira e Duarte Oliveira, utentes do hospital. Será um espaço de partilha, um processo de aprendizagem e troca de experiências.

Em 1999,  Sandro Resende director criativo da associação P28, começou a dar  aulas aos pacientes do antigo hospital Luís de Matos, em Lisboa. Em 2002, começou  a juntar artistas reconhecidos a pacientes do hospital e o Pavilhão 28 transforma-se num espaço de arte. Ultrapassando percalços que sempre aparecem, nova situação para resolver  surgiu com o anúncio da remodelação deste espaço do Centro Hospitalar de Lisboa, para instalação do Serviço de Psiquiatria Forense.  Porque ficar de braços cruzados não adianta, e quando se acredita nas vantagens de uma intervenção, aparecem alternativas. Foi a deste espaço, o Pavilhão 31 que agora mostra a sua primeira exposição. Em Setembro inaugura-se nova exibição, também com a duração de dois meses.

Sobre a parceria de momento, disse Sandro Resende: "Gostava que o Souto de Moura ensinasse algo ao Artur e que o Artur ensinasse algo ao Souto de Moura. Que haja uma partilha de informações, que é isso que me interessa acima de tudo neste espaço". É este o espírito!


 



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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
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A história do Ara Pacis em Roma e as suas vicissitudes é longa . Neste momento está coberto por um edifício todo em vidro, de autoria do arquitecto Richard Meier. Por já aqui ter reflectido sosbre algumas questões de aquitectura e urbanismo, sinto vontade de sobre isto falar.

Ara Pacis é um altar romano de a.c., feito por Augustus para comemorar as vitórias na Gália e em Espanha e dedicado à deusa Pax. Pretendia simbolizar o período de paz e prosperidade vivido durante a paz romana. No seu friso o imperador aparece numa procissão com sacerdotes e membros de família. O altar foi colocado no Campus Martius, que terá sido destruído quando Roma caiu nas mãos dos bárbaros. No último século, partes dele foram guardas em museus de Florença e Roma mas novas peças foram encontradas em escavações recentes. Mussolini ordenou a sua reconstrução,  colocando-o no edifício Vittorio Ballio Morpurgo, numa tentativa de ligar a sua imagem à da história antiga de Roma e do seu poder.

 A atribuição da obra do Museu ao arquitecto Meier foi controversa. Richard Meier (1934-…) é americano, recebeu o prémio Pritzker em 1984 e foi influenciado ela obra de Le Courbusier. Pode apreciar-se nesta obra de vidro e mármore o seu bom controle de luz no espaço. O Museu tem um auditório para 150 pessoas, uma sala de exposições (onde decorria a “Avanguardi Russe”). Meier construiu também o Museu do Barcelona (com a sua parede de vidro maciço), o The Getty Center in LA.Centro Getty em Los Angeles e o The Atheneum in New Harmony, Indiana.
Sobre a obra Meier disse: “Existe aqui uma luz que não é habitual noutros museus. A partir deste edifício pode ver-se a cidade de uma outra forma. A cidade torna-se viva a partir da experiência de estar aqui”. E ainda : "Eu queria dar-lhe um destino público, um espaço de praça nova em Roma que as pessoas pudessem vir até apenas para se sentarem ao sol - é o que os romanos gostam de fazer.  Ele está trazendo vida ao que não era uma área vital ou activa antes. "

A obra gerou muitas críticas, sendo comparada a um posto de gasolina, uma pizzaria, um caixão gigante, uma cloaca, uma unidade de ar condicionado... Mas eu consegui olhar para o conjunto – altar e “caixa” de vidro - e consegui ver só o altar. De facto, o edifício que o cobre, precisamente com essa intenção, é feito de forma a dar ao altar toda a dignidade que tem, permite-lhe “respirar” e não ficar ofuscado.

 

Lá dentro, no monumento onde há 21 séculos se ia rezar pela paz, sentia-se um isolamento em relação ao ruído da rua, sentia-se uma paz que apelava à reflexão. Penso que era muito mais fácil naquela altura fazer oferendas, acreditando nos deuses que favoreciam um lado, aquele em que cada povo se encontrava.

Hoje, com todas as informações que temos, defender um só lado é quase impossível. Pensar numa paz, com todos os interesses nela implicados, parece ser um delírio. Dei comigo a pensar que, se orasse, se acreditasse na intervenção de um ente divino, não saberia o que solicitar. Acreditar no Homem está a tornar-se cada vez mais difícil.

 



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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
PEDAGOGOS PORTUGUESES – RAUL LINO por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

No Dicionário de Pedagogos Portugueses (2003) começa a informação sobre este pedagogo classificando-o como “arquitecto-artista”, tendo nascido em 1879 e falecido em 1974. Fez os seus estudos em Inglaterra e Alemanha onde cursou arquitectura. É desta estadia que lhe vem “uma paixão intensa pela natureza que encontraria terreno fértil na sua disposição natural para a meditação, isolamento e independência de carácter e haveria de marcar o seu percurso profissional”. Com 18 anos começou a integrar as oficinas do pai e a frequentar o círculo cultural de Alexandre Rey Colaço, onde veio a encontrar o “círculo dos seus amigos e clientes: um grupo de intelectuais, artistas, políticos e burgueses cultos, partidários de um nacionalismo romântico e aristocrata”.

É a partir de 1030 que começa a ser considerado um dos “artistas representativos do movimento moderno, mas nunca se entendendo, no entanto,  com os os arquitectos modernistas mais jovens (Keil do Amaral) . Em 1970, a Fundação Gulbenkian fez uma retrospectiva da sua obra. Ficou realçado a sua autoria em mais de 700 trabalhos arquitectónicos, tendo deixado marcas também no desenho de interiores e mobiliários, em azulejos e peças de cerâmica, artes gráficas (ilustração de livros, cenografia). Hoje é censurado por se ter deixado ficar próximo da ideologia autoritária e antiprogressista do Estado Novo.

Mas é a sua actividade como educador estético e o que nos deixou na projecção de várias escolas e jardins de infância que nos interessa aqui falar.

 

É nos jardins-escola João de Deus que se pode melhor ver “o seu esforço no sentido educativo da beleza, tendente a uma harmonia ars vivendi”. O primeiro jardim-escola foi em 1911, em Coimbra. Se João de Deus Ramos forneceu as bases pedagógicas, Raul Lino deixou a marca arquitectónica e o desenho do mobiliário, que representou “uma verdadeira revolução na criação de espaços destinados ao ensino e recreio de crianças, contrastando com as antigas conventuais onde não havia lugar ao lazer dos educandos”. As concepções de Raul Lino sobre esta matéria podem ser lidas em “Considerações sobre a estética nas escolas” onde partilha a tese de que o principal fim da educação “é o desenvolvimento de todas as faculdades do educando de modo a que ele venha a adquirir todas as possibilidades de viver fortemente, completamente”, propondo “uma escola dos sentidos onde se reconheça o alto valor pedagógico da natureza e da arte”, defendendo a introdução da Arte e da Estética nas escolas.

A primeira escola que projectou foi a da Tapada da Ajuda, onde os frescos e azulejos das salas, do refeitório e das
zonas de circulação são consideradas de grande valor artístico.



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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
INFO-CEDI SOBRE DELINQUÊNCIA INFANTIL por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

O INFO-CEDI Nº 39, do Centro de Documentação do Instituto de Apoio à Criança aborda a temática da Delinquência Infantil que define como:

 “A delinquência juvenil refere-se ao comportamento de uma criança ou adolescente que envolve atos configurados como crime à luz das leis penais “pela quebra ou violação do estabelecido nos normativos jurídicos mas que, pela idade, se encontram numa situação de inimputabilidade criminal, beneficiando de legislação específica em detrimento da aplicação de um código penal”.

Engloba todas as infrações penais cometidas “menores de 16 anos de idade que são abrangidos por legislação
específica no âmbito da proteção e intervenção judiciária relativamente à infância e juventude”.

“Em Portugal, sob o ponto de vista jurídico só a partir dessa idade se considera que uma pessoa reúne condições para responder no sistema penal pelos seus atos.

Tal decorre do facto de a sociedade que assim o define entender que não se coloca a necessidade de imposição de um código na execução de uma pena que reveste um carácter retributivo perante a comunidade, mas antes uma medida tutelar à luz do que o ato traduz de falta de capacidade de discernimento entre os modos de atuar legais e ilegais a par da possibilidade de (re)educação que promova a não reincidência pelo reforço da conformidade social”.

Numa perspetiva mais ampla podemos englobar não só as violações à ordem social punidas a título criminal mas também outras condutas transgressoras de menor gravidade e por alguns consideradas próprias da idade da descoberta como: fazer chamadas telefónicas anónimas, faltar às aulas, beber bebidas alcoólicas, lançar falsos alarmes, fugir de casa, etc.

Estas informações foram retiradas da tese de doutoramento de Maria João Leote de Carvalho Do outro lado da
cidade. Crianças socialização e delinquência em bairros de realojamento (2010) (
documento da maior seriedade,
elaborado por uma técnica não fechada na universidade, mas que tem estado no tereno a trabalhar e que sabe bem do que fala) e de O Outro Lado da Vida - Delinquência Juvenil e Justiça (2010) – Dissertação de Mestrado de Maria Bárbara Gonçalves Sampaio. Ambas as teses podem ser encontradas na totalidade
na net.

O documento  do INFOCEDI (http://www.iacrianca.pt/images/stories/pdfs/infocedi/infocedi39_adelinquencia_juvenil.pdf)  fornece o resultado de uma pesquisa aturada com múltiplas fontes de informação e indicação de como a elas chegar, com links on line. Uma preciosidade para quem estiver a trabalhar nesta área, que recomendo vivamente.

 



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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
A MÃE por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem foi o DIA da MÃE. Desde que me lembro de existir que havia este dia. Minha mãe nunca lhe deu muita importância e eu segui o exemplo. Lá recebi as prendas feitas por minha filha na escola e depois fui-a “dispensando” desta obrigação. Que é como eu vejo esta comemoração, celebração, como queiram chamar. Que é sobretudo económica. Para dificultar acresce que quando me dizem que tenho que fazer uma coisa é quando me apetece fazer precisamente o oposto…

As crianças fazem na escola todas a mesma coisa para oferecer a suas mães. Coisa pensada pela educadora ou professora, tudo igual, sem porem na oferta nada de pessoal. Uma tristeza.

Já me aconteceu crianças pedirem-me para fazer coisas especiais para as mães. Mas pensam, puxam pela cabeça e acabam por fazer algo que significa uma comunicação entre aquele filho e aquela mãe.

Situação difícil é quando as crianças se encontram a viver em acolhimento e não irão estar com a mãe nesse dia, ou quando ela já faleceu…

 

O Afonso, que estava connosco há pouco tempo, vivia com o pai e um irmão. O pai, senhor já idoso, desdobrava-se nas várias tarefas domésticas, com a melhor boa vontade e tentando corresponder ao que os filhos necessitavam, mas muito desajeitado… chegava a telefonar a pedir esclarecimentos de como resolver pequenas coisas da lida da casa. E o Afonso sentia a falta, a falta daquela mãe que certamente lhe terá dado tanto de si, dado que ele estava a aguentar a sua situação de perda.
E escreveu ele:

A MÃE

 

 No colo da minha Mãe

eu gostava de ficar bem.

Mãe, é das palavras mais

bonitas que o mundo tem.

 

Ninguém é melhor

que a minha Mãe.

Tu estás no céu,

mas eu estou bem.

 

Quando era pequenino

brincavas muito comigo.

Fazíamos jogos divertidos

e eu era muito teu amigo.

 

Tu não estás sempre comigo,

mas o Pai gosta muito de mim.

Prometo estudar muito

para sermos felizes até ao fim.

           Afonso – 9 anos

 O Afonso saiu do nosso convívio por ter mudado de casa. Soubemos que se integrou bem no ensino secundário. E, mais tarde, que lhe tinha também morrido o pai. Ignoramos com quem foram as crianças viver e o que lhes aconteceu. Quero crer que se aguentaram.

 



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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
PARA O DESENHO DA VIDA - Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na instituição onde trabalho, no Grupo de uma  Educadora, os meninos experimentaram trabalhar com Digitinta.

Surgiu a pergunta: “Para que servem as mãos ?”

E eles disseram:

- Para desenhar (Daniel)

- Para comer, lavar a cara (Fábio)

- Para pegar (Carolina)

- Para judar (Carolina)

- Para bater (Fábio)

- Para juntar (Gustavo)

 - Para agarrar (Daniel)

- Para dar carinho (Gustavo)

- Para separar (Fábio)

- Para fazer festas (Carolina)

- Para sentir (Gustavo)

      

 

 

Guardaram  as “marcas” das suas mãos com as do adulto que acompanhou a actividade.

 

Dias mais tarde, surgiu a notícia da “festa” no Dia Mundial da Criança, organizada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. E a educadora perguntou: “O que é que é preciso para crescermos bem e sermos felizes ?”

 Os meninos começaram a lançar ideias:

 Andar na escola Carolina)

Ter comida (Gustavo)

Ter brinquedos (Fábio)

Devem portar bem (Daniel)

Brincar (Fábio)

Não viver na rua(Fábio)

Não ser assustado (Daniel e Gustavo)

Ter pais, avó, avô, tios (Fábio)

Não bater aos mais velhos (Daniel)

Respeitar adultos (professores e pais) (Carolina) e os adolescentes e as outras crianças (Gustavo)

Não pedir muitas coisas aos pais (Daniel)

 

Lembraram-se do trabalho que tinham feito com a Digitinta. E deram títulos de “crescer bem” às mãos que tinham feito. Mais tarde, nessa mesmas folhas, desenharam o que era preciso para uma criança “crescer feliz”.

 

As mãos servem para AJUDAR...

As mãos servem para AGARRAR...

As mãos servem para COMER E LAVAR A CARA...

As mãos servem para PEGAR...

As mãos servem para FAZER FESTAS...

As mãos servem para DAR CARINHO...

As mãos servem para JUNTAR

As mãos servem para SEPARAR...

As mãos servem para SENTIR...

 

Para crescermos bem e sermos felizes precisamos de IR À ESCOLA.

Para crescermos bem e sermos felizes precisamos de ter COMIDA.

Para crescermos bem e sermos felizes precisamos de NÃO VIVER NA RUA.

TER UMA CASA.

Para crescermos bem e sermos felizes precisamos de ter BRINQUEDOS E DE BRINCAR.

Para crescermos bem e sermos felizes precisamos de ter PAIS, AVÓS e TIOS.

Ter uma FAMÍLIA.

 

 Eles dizem-nos tudo e temos que com eles aprender!



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editado por Carlos Loures às 13:46
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
FOI HÁ 40 ANOS - que fazem as mulheres/ O que fazem às mulheres - Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 “Novas Cartas Portuguesas” Lisboa, Abril de 1972.

 

 

 

Três escritoras portuguesa, com obra já feita - Maria Isabel Barreno e a Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, escrevem um livro em conjunto, a que chamaram “Novas Cartas Portuguesas”. Nelas aparecem figuras femininas marcadas por condicionalismos de vária ordem, maltratadas, enclausuradas, dependentes, vítimas de amor ou paixão, casadas à força, enganadas, exploradas… e pacientes

 

Procuram um editor. A Dom Quixote - dirigida por outra mulher, Snu Abecassis, que já ousara enfrentar a censura com a publicação da obra de uma das autoras, e tivera como consequência a ameaça de fechar a editora, por parte de Moreira Baptista, Secretário de Estado da Informação e Turismo – mostra-se indisponível. Será outra mulher, Natália Correia, directora literária de “Estúdios Cor”, quem ousa enfrentar a censura que reagiu ferozmente: as autoras são acusadas de pornografia e ultraje à moral pública !

 

O livro foi retirado do mercado e seguiu-se um processo judicial a que só a pressão dos movimentos feministas internacionais e a Revolução de 25 de Abril de 1974 permitiram pôr termo. Dentro do país, devido à censura nos jornais pouco se soube. No estrangeiro, movimentos feministas faziam manifestações, marchas, acontecendo mesmo a ocupação da embaixada portuguesa na Holanda pelas feministas holandesas.

 

Quarenta anos se passaram. Mudou muita coisa? Mudou pouca?

 

Recentemente foi reeditado, numa edição anotada por Ana Luisa Amaral.

Resulta de um projecto - "Novas Cartas Portuguesas: Três Décadas Depois", fruto de uma investigação do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da Universidade do Porto, e é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Para a Professora Ana Luísa Amaral, interessava mostrar que se esta obra podia ser lida à luz dos estudos feministas, também deveria ser analisada à luz de teorias que questionam a própria noção de identidades estáveis.

 

O texto foi deixado intacto mas junto a ele há 200 anotações, um índice, uma bibliografia contendo os textos usados pelas autoras e o pré-prefácio que Maria de Lourdes Pintassilgo escreveu em 1980.

 

Programa-se uma tradução em inglês e outra em italiano e envolverá 15 países, 13 equipas e 26 investigadores. O objectivo é estabelecer e estudar o impacto das NCP "quer a nível histórico-social, quer a nível democrático". Estão envolvidas investigadoras de seis países e cabe aos coordenadores em cada país formar "equipas voluntárias de jovens investigadores que farão a recolha de tudo o que foi escrito sobre as “Novas Cartas Portuguesas” em cada país". Daqui resultarão dois livros: um em português, "NCP entre Portugal e o mundo", que será lançado em 2012, com colóquio em Évora; outro em inglês, em 2013, "New Portuguese Letters to the World, International Reception".

 

Nota: Com pequenas alterações, este artigo resulta de um outro publicado no Estrolabio.



publicado por Carlos Loures às 17:00
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
“ÉRAMOS BARRACAS” por clara castilho
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com realização de Edgar Feldeman, vi na RTP2 o filme “Éramos barracas” que nos dá a conhecer o Bairro da Curraleira, em Lisboa, pela voz de alguns dos seus habitantes, das suas vivências, das suas memórias e das suas expetativas para o futuro.

Depois de uma realidade de casas sem água, sem luz, sem canalização nem casas de banho, depois do 25 de Abril de 1974 os seus moradores organizaram-se e formaram uma cooperativa. Hoje moram num bairro social. E nem todos acham que tudo melhorou.

“Antes podíamos ter confiança, dormíamos de porta aberta”… “Havia mais união, agora é cada um por si, de nariz empinado!”

“Passei muita fome, não tinha dinheiro para comprar sapatos, levava porrada do meu marido”. “ Ia pedia a casas de senhoras: “Ó menina, dê-me um bocadinho de pão duro” - e eu fazia uma sopinha”. Uma mulher idosa dizia: “ Gostava mais da minha terra que era a Curraleira, a minha mãe morou ali 82 anos”, mostrando fotos dos seus antepassados que serviram o rei.

“Mas hoje eu posso falar, dizer o que penso e graças a deus não passo fome!”. Podemos ouvir uma mulher contar, orgulhosa, como sabia bem lavar a roupa dos tanques colectivos e era elogiada por o fazer muito bem, sentindo-se nostalgia na sua voz.

As filmagens apanharam dias de grande calor. As crianças andam de tronco nu, uma menina de bikini  a dançar com outra, uma velhota a dar conselhos a um pai que passeia um bebé nos braços… Vamos vendo os prédios de
paredes pintadas de vermelho, mas já todas estragadas, o cafezinho de bairro, um grupo de homens a comerem caracóis e a beber cervejas numa mesa montada na rua. E crianças a brincarem na rua, a empurrarem carrinhos de bebé sem bebés lá dentro, rua abaixo, rua acima....

E os animais, ah! os animais que descansam ao sol – cavalos, cabras, ovelhas, e outra vez cavalos, cães, muitos cães lânguidos. Vemos os animais e sentimos que o tempo não passa, as horas não avançam, tudo fica na mesma. Como se estivéssemos numa aldeia dentro da cidade.

A interligação com pessoas de etnia cigana é também abordada: “Eles têm que se integrar na comunidade”; “Agora há condições, mas depende do que nós façamos … se escolhermos mal…”

Este é também o meu país. Este é um filme que pode servir de base de estudo a muitos técnicos que andam no terreno, sem saberem quem são as pessoas que têm pela frente, e a quem tentam impor os seus próprios valores, sem respeitarem os sentimentos e as histórias das comunidades. É por isso que tantas vezes tudo corre mal, os projectos pretensamente inovadores vão por água a baixo e não se aproveitam as sinergias já existentes.

Obrigada ao Edgar e a quem com ele trabalhou.

Não encontrei nenhum vídeo sobre o filme. Fica o Sérgio Godinho a falar destas coisas, há uns bons anitos atrás.

   



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editado por Augusta Clara às 12:48
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
NO S. LUIZ COM PINA BAUSCH por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia 29 de Abril celebra-se o Dia Mundial da Dança, data escolhida pelo Comité Internacional de Dança da UNESCO, tendo por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, (1727) e foi um dos grandes nomes da dança. A celebração tem como objectivo reunir todos os tipos de dança, celebrar esta arte e mostrar a sua universalidade, independentemente das barreiras políticas, culturais e éticas, assim como reunir todas as pessoas através da paz e da amizade, tendo como linguagem central o conceito da Dança.

Isto serve de pretexto para vos falar de uma experiência quer tivemos no Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia. Já foi há 4 anos. Inserido nas actividades que um grupo de crianças desenvolviam naquilo a que chamos “grupo lúdico-terapêutico”, levámos o grupo a um atelier pedagógico no Centro Cultural de Belém, que recriava o Café Muller, obra da bailarina Pina Bausch. Nela são recriadas as suas emoções quando, no tempo da sua infância, em que tinha que ficar no café que seus pais possuíam, se sentava debaixo da mesa., observando os seus clientes.

Pina Baush esteve em Portugal em 1989, 1994, 1998, na Expo onde foi convidada a realizar uma residência artística, que acabaria por culminar com a criação de uma peça sobre Lisboa, "Masurca Fogo", em 2003 , 2005, 2007 e em 2008 com a realização de um Festival Pina Bausch, co-organizado pelo Centro Cultural de Belém e pelo Teatro S. Luiz, onde se viram "Nefés" , "Masurca Fogo" e "Café Müller".
Rui Horta, bailarino, considera que a contribuição de Pina Bausch para a dança contemporânea foi "absolutamente incalculável" e que "se hoje estamos com uma linguagem de dança emancipada, com um discurso de autor e uma
teatralidade em perfeita unidade com o corpo devemos à Pina Bausch”.

Ora, aconteceu que as crianças, já habituadas a este tipo de trabalho, aderiram tão bem que foram convidadas para irem assistir ao próprio "Café Müller” no teatro S.Luiz. Foi um facto que nos deixou muito orgulhosos, mas também muito inquietos, por não sabermos como eles se iram comportar. Se estivessem num dia mau… Autorizações dos pais, combinações de deslocação, as crianças entraram pela primeira vez num teatro para uma peça para adultos. E com música clássica cantada – Henri Purcell…Pois não é que conseguiram “entrar” no espírito, se conseguiram conter e no final fazer comentários adequados? Foram apresentadas a Pina Bausch, para grande excitação, sobretudo das técnicas que com eles trabalhavam.

 Na altura este acontecimento foi um importante contributo para a sua segurança interna, para um aumento da sua auto-estima: de entre todos os meninos que tinham ido ao CCB eles tinham sido escolhidos para irem ver o original da peça de dança! Não sei se ainda hoje se lembram, mas para nós foi também um reforço na nossa convicção de que através da expressão pelas artes se podem conseguir melhorias nestas crianças com problemas, sobretudo emocionais.

 



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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
O QUE PENSAM AS CRIANÇAS DA MENTIRA por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

Enviaram-nos o video que consta em baixo que é delicioso pelo à vontade que a menina demonstra, pelo seu ar matreiro e cúmplice na adesão aos desafios que lhe são dados por Catarina Furtado.

Pede-se à criança que finja saber falar inglês para enganar um director do programa que o não sabe fazer. É espantosa a capacidade auditiva de apanhar o tipo de entoação, de  imitação das palavras, facto a que não será certamente alheio o facto de vivermos rodeados pela língua inglesa, nos programas de televisão e nas músicas.

Questiona-se como a menina embarca na mentira sem considerar se estará a fazer algo de mau.
Primeiro que tudo, tal é-lhe proposto por uma figura adulta e personagem sobejamente conhecida. Será natural que considere que não será grave fazê-lo..

Vejamos:

No início do desenvolvimento moral, a moral das crianças é funcional, elas sabem que há coisas que podem ou não fazer. Abordam as regras de forma rígida e absoluta: as regras não se discutem e são aceites. A regra, pois, começa por ser exterior à consciência, revelada e imposta pelo adultos, a que se obedeve por medo das punições.No início, as crianças julgam os actos de acordo com o seu resultado material, e só mais tarde começam a levar em linha de conta as intenções, as consequências dos actos e preocuparem-se com o que os outros esperam delas.

A identificação com os outros favorece o processo de descentralização das crianças em si próprias, para adoptar as perspectivas dos outros e o respeito mútuo. E só quando se verifica uma interiorização progressiva das leis sociais é que as crianças conseguem perceber a importância de respeitar a verdade.

 

 A anoção de justiça também segue esta linha de desenvolvimento. Só depois de cerca dos 7 anos o acto moral começa a ser um objectivo, que está independente do medo da sansão e as crianças se começam a preocupar com a equidade. De facto, começa-se por obedecer para evitar a punição. Depois chega-se a uma orientação mais calculista  em que se  cumprem regras para ganhar algo em troca, aceitando que cada um pode ter um diferente ponto de vista, mas as intenções começam a ser consideradas. Mais tarde suge uma época mais convencional em que desejam ser “bons” . Só no final se atinge a ideia de que as regras sociais devem ser determinadas por procedimentos democráticos e onde há um questionamento sobre elas próprias, que só são seguidas a partir do momento em que estas são consideradas democráticas. Num último patamar, chega-se ao que autores chamam  “nível quase utópico”,  de princípios éticos universais, considerando que a maioria dos indivíduos não atinge este último o nível.

 



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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
PEDAGOGOS PORTUGUESES – MARIA LÚCIA NAMORADO por clara castilho
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria Lúcia Namorado (1909-2000) fez o curso liceal em Torres Novas e nunca cursou nenhum curso universitário. Começou por colaborar com jornais da sua terra natal, com contos e poemas. Em 1929 aceita o desafio de sua prima Maria Lamas e colabora com a revista Modas e Bordados. Como era hábito na época, assinou muitas rúbricas com pseudónimos: Milú, Tricana, Tião, Tia Luísa… Escreve sobre culinária, conselhos a raparigas e problemas domésticos.

É em 1942 que “dá início ao que será o grande projecto da sua vida: a revista Os Nossos Filhos, que dirige e edita com o apoio financeiro de um primo, até 1964. Trata-se de uma revista de educação não formal, na área da educação familiar, que se apresenta como “A única revista para pais que se publica em Portugal”. Nela colaboram destacados professores, médicos e personalidade de mérito reconhecido”.

Ainda publicou os seguintes livros: “Negro e cor de rosa”, “A Mulher dona de casa”, “Economia Doméstica”, “Joaninha quer casar, conselhos às raparigas”. Em 1945 orientou o Programa Radiofónico para as Mães, no então Rádio Clube Português, em 1958, produziu um programa mensal para a Rádio Televisão Portuguesa – Filhos e Pais. A partir de 1960 escreveu no Diário de Lisboa.

Criou a editora Os Nossos Filhos que publicou obras de escritores infantis que se notabilizavam na época – Matilde Rosa Araújo, Maria Isabel César Anjo…e que divulgou as ideias de pedagogos como Pestalozzi, Montessori, Adolfo Lima.

Tem publicadas conferências sobre Helen Keller, sobre os Jardins-Escolas João de Deus e Fundação Sain.

Diz-nos ainda o dicionário: “A vida de Maria Lúcia Namorado é marcada por uma preocupação constante com a intervenção social, a educação da mulher e da mãe, o bem estar das crianças”.

Fez parte do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, foi assinante das listas do MUD e, depois de 25 de Abril de 1974, do Movimento Democrático das Mulheres.

O seu espólio foi entregue à guarda da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Foi igualmente nessa faculdade que foi defendida uma tese de doutoramento, em 2006, com o título “A Educação das Mães e das Crianças no Estado Novo: a proposta de MariaLúcia Vassalo Namorado”, por Ana Maria Pessoa.

 

O número de “Os Nossos Filhos” que aqui se reproduz guardo-o com muito carinho pois nele foi publicada uma história que contei aos 3 anos e que minha mãe escreveu e enviou para lá.

Retirado dos textos de “O Dicionário de Educadores Portugueses”, ASA, 2003

 



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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
ROMA – TIRAR AO PASSADO PARA CONSTRUIR O PRESENTE por clara castilho
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns dias passados em Roma, calcorrendo os vestígios da antiguidade clássica, impressiona em cada esquina tropeçarmos com umas colunas que nos dizem ter sido o templo de qualquer imperador ou em homenagem a um deus. Contam-nos a história, fazemos um esforço para imaginar o edifício completo, cujo espalo foi sendo ocupado por outros de épocas mais recentes e de cuja história ninguém se lembra.

Uma das coisas que me tocou foi o facto de os materiais mais nobres neles utilizados, os mármores por exemplo, terem sido retirados séculos mais tarde paraa irem cobrir outros grandes monumentos ou igrejas, geralmente por ordem de vários Papas…. Podemos observar nas ruínas romanas os orifícios onde as placas de mármore estiveram pregadas.

Por exemplo, o Panteão de Roma, o “Templo de todos os Deuses", cujo interior da cúpula abobadada ainda se conserva intacta, que nos dizem ter sido uma obra de engenharia espantosa para a época e que, para o nosso olhar de leigos, é uma beleza de harmonia.  As imensas  colunas de granito foram trazidas do Egipto e feitas com uma única peça de granito.

 

  cúpula  é aberta, ainda hoje é a mais larga do mundo, permite a entrada da luz e não entra lá chuva. Foi coberta de bronze até ao sec. XVII, altura em que o Papa Urban VIII as retirou para servir de material para a construção do altar que está presente na Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Este facto levou a que o povo de Roma dissesse: «O que os bárbaros não conseguiram fazer, fizeram os Barberini...» Também foi este Papa que chamou Galileu para se retratar das suas descobertas científicas…

É um alto  baldaquino de bronze dourado, de quase 20 metros de altura, construído no século XVII , obra de Bernini, de desenho exuberante do barroco. Que também pude ver, a ser coberta de um produto, para estar no seu máximo no domingo de Páscoa, e com o qual não senti nenhuma sintonia.

 

É certo que é sobre o passado que se constroi o presente e o futuro, mas este retirar daqui para construir ali, foi um facto que me incomodou. Mas, apesar disto, continuámos a dar de frente com mais colunas, mais arcos, mais…



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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
O AMOR PELO VIOLONCELO - PAU CASALS E GUILHERMINA SUGGIA por clara castilho
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pau Casals (1876 - 1973) nasceu em Vendrell, uma pequena cidade da Catalunha, começou a estudar formalmente violoncelo aos 11 anos, e os seus estudos foram patrocinados por elementos da realeza espanhola. Começou a sua carreira como solista internacional em Paris, aos 23 anos. Em 1914 fundou a Escola Normal de Música em Paris e  uma orquestra em Barcelona, actuando também  como maestro.

Durante a guerra civil espanhola, permaneceu exilado em França e, posteriormente recusou viver sob a ditadura de Franco, ficando, no entanto, a viver bem perto da sua terra, mas do outro lado da fronteira…Na segunda guerra mundial ajudou os refugiados da Espanha fascista. Recusou sempre tocar em países declaradamente com a vigência de ditaduras (União Soviética, em 1917, Alemanha em 1933 e Itália em 1935). Em 1950, aceitou participar no bicentenário da morte de Bach, no Festival de  Prades, onde tocou o seu arranjo da balada catalã “Canção dos pássaros”, como um protesto  à opressão que continuava a vigorar em Espanha.  Em 1958, juntou-se ao seu amigo, o filósofo Albert Schweitzer, num apelo à paz e desarmamento nuclear. E foi aos 95 anos que tocou o seu “Hino das Nações Unidas” em 1971, perante os membros da Assembleia das Nações Unidas”.

O famoso “hino” contra a opressão”:

Coerente com a sua posição, ficou-se em Porto Rico, em 1955, fundou o Festival Casals que ainda hoje existe, tendo mais tarde vindo a casar com uma portoriquenha e, posteriormente fundado a Escola Casals para aprendizagem da prática do violoncelo.

Revolucionou a interpretação de obras de Bach, com interpretações do violoncelo, instrumento que até então só servia como acompanhamento, a ser utilizado a solo. Encontrei algumas palavras que lhe são atribuídas:  "a música, essa linguagem universal maravilhosa, entendida por todos, deveria ser também uma fonte de melhor entendimento entre os homens. Por essa razão, quero fazer um apelo aos meus colegas músicos de todo o mundo, pedindo a cada um deles que coloque a pureza da arte a serviço da humanidade, pois assim estarão contribuindo para o surgimento de relações fraternas entre os homens". E : "O Hino à Alegria da 9ª sinfonia de Beethoven tornou-se o símbolo do amor entre os homens. Eu sugiro, por isso, que toda cidade que dispõe de uma orquestra e um coro execute essa obra em um mesmo dia, transmitindo-a por ondas radiofônicas aos menores povoados e aos cantos mais distantes desse mundo, como uma nova oração. Uma oração pela paz, pela qual todos nós tanto ansiamos e há tanto tempo esperamos".

  

Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia (1885-1950), filha de pai de ascendência italiana e espanhola, violoncelista no Teatro de S. Carlos e professor no Conservatório de Música de Lisboa e que lhe começou a ensinar violoncelo aos 5 anos. Vivendo no Porto, apareceu a tocar em público aos sete anos. Ela e sua irmã Virginia (3 anos mais velha), que tocava piano, eram convidadas para actuar no seio cultural portuense. Com apenas 13 anos, Guilhermina era violoncelista principal da Orquestra da Cidade do Porto, tocando também com o quarteto de cordas Bernardo Moreira de Sá. Em 1898, o pai conseguiu que ela tivesse aulas com o famoso violoncelista catalão Pau Casals. Podemos imaginar a repercussão destas lições, numa jovem de 13 anos, a estudar com um músico famoso, então com 22 anos…

 

Em Março de 1901 as duas irmãs atuaram no Palácio Real de Lisboa. Com 15 anos apenas a coroa portuguesa concedeu-lhe uma bolsa e ela foi estudar para a Alemanha, tendo sido acompanhada pelo pai. Aos 17 anos, Guilhermina  teve uma apresentação  no concerto comemorativo com orquestra Gewandhaus, onde foi notado o facto de ter sido a intérprete mais  jovem a actuar com a orquestra, para mais sendo solista e mulher. O seu êxito foi total e aqui começou o seu sucesso internacional e nacional.

É em 1906 que virá a tocar com Pau Casals, em Paris. Nesse mesmo ano começou a partilhar com ele a mesma casa, a Villa Molitor. São famosos os convívios do casal com pintores, músicos, filósofos e escritores. Em várias fontes são-nos referidos os seus passeios, os jogos de ténis, a pesca e o facto de tocarem até altas horas da madrugada.

Lembrou Casals, anos mais tarde, que tocavam juntos, “pelo puro amor de tocar, sem pensar em programas de concerto ou horários, em empresários, bilheteiras, audiências, críticos de música. Apenas nós e a música” (Kahn, 1970, 143) O romance com o músico famoso, encheu as páginas dos jornais. O compositor húngaro, Emánuel Moór dedicou-lhes o "Concerto para dois violoncelos". Esta relação terminou 7 anos mais tarde, de forma abrupta e Guilhermina mudou-se para Londres, onde teve uma actividade profissional muito reconhecida. Voltou para o Porto onde se fixou,  casou e morou até ao fim dos seus dias.

 

Sobre Pau Casals foram publicados vários livros (Albert E. Kahn), Joys and Sorrows: reflections by Pablo Casals as Told to Albert E. Kahn, Simon and Schuster, 1970; David Blum,  Casals and the Art of Interpretation, Holmes & Meier, 1977; Casals, Pablo, Song of the Birds: Sayings, Stories, and Impressions of Pablo Casals, Robsons Books, 1985; J.M.Corredor, Conversations With Casals, Hutchinson, 1956; Kirk, H. L, Pablo Casals: A Biography, Holt, Rinehart, & Winston, 1974;  L.Littlehales, Pablo Casals, Greenwood, 1970; A. Quintana, Pablo Casals in Puerto Rico, Gordon Press, 1979; B. Taper, Cellist in Exile: A Portrait of Pablo Casals, McGraw-Hill, 1962.

Guillermina Suggia tem inspirados vários escritoires portugueses (Mário Cláudio,  Guilhermina, INCM, Lisboa, 1986; Fátima Pombo, Guilhermina Suggia ou o violoncelo Luxuriante, edição português / inglês, Fundação Eng.º António de Almeida, Porto, 1993 e  A Sonata de Sempre, Edições Afrontamento, Porto, 1996, Isabel Millet, A Dama do Castelo, 2011). Existe um blog - http://suggia.weblog.com.pt/ mantido por Virgílio Marques e Catarina Campos.
 


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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
MANIFESTO DA LEITURA EM LISBOA por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

Vai realizar-se no sábado, 21 de Abril de 2012 | 15h00, no Largo do Chiado, em LISBOA , a II ARRUADA DA LEITURA. Iniciar-se-á com Música: um grupo de percussão (Paradiddle) e de Gaita-de-Foles (Bombrando), composto por cerca de 80 elementos acompanham o percurso (até à rua à 1º de Dezembro).

Seguir-se-á uma performance “Reviver Pessoa, Eça, Camões…”com a participação de 12 alunos do Curso de Interpretação da EPI – Escola Profissional de Imagem, encenados pela atriz Cristina Cavalinhos. Os alunos “vestirão” a pele de seis Escritores - Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Almeida Garrett, Camões, Florbela Espanca e Natália Correia.
Uns escritores acompanham o percurso e outros ficarão nas varandas do Paris em Lisboa, Armazéns do Chiado e Multiópticas. Haverá pontos de Bookcrossing no Largo do Chiado, no cruzamento da Rua do Carmo com a Rua 1.º de Dezembro e pontos de venda de livros infantis pela Livraria Gatafunho no  Largo do Chiado, no cruzamento da Rua Garrett com a Rua do Carmo e no cruzamento da Rua do Carmo com a Rua 1.º de Dezembro.

E aqui poderemos olhar para a Livraria Sá da Costa e lembrar que foi o Café Central até 1875, onde se reuniam o Eça de Queiroz, o Antero de Quental a escreverem o protesto sobre a proibição das Conferências no Casino, rever a Casa Havanesa e os seus encontros sociais, respeitar a livraria Bertrand, na actual morada desde 1773.

Às 16h00, no fim do percurso poder-se-á ouvir  o “Manifesto de Leitura”, escrito por José Fanha e dito pelo actor Manuel Coelho (Teatro Nacional D. Maria II).

Todos os participantes poderão levar um livro, amigos e fazer parte deste Manifesto!

A organização é das Bibliotecas da Câmara Municipal de Lisboa.

 



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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012
PEDAGOGOS PORTUGUESES – MARIA ULRICH por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria de Lima Mayer Ulrich (1908-1988) teve a influência francesa por parte de sua mãe e alemã pelo seu pai. Na sua memória as vivências da convivência com seu avô materno, Carlos Mayer, do grupo de “Os Vencidos da Vida”. Depois de ter estudado filosofia e literatura francesa, acompanhou seu pai, em serviço diplomático, no ano de 1934, e viveu em Londres onde ficou “fascinada com a vivência de um comportamento democrático que contrastava em tudo com o que se vivia em Portugal”.

Ao voltar a Lisboa sente dificuldade em adaptar-se, mas consegue fazê-lo ao aderir à Juventude Independente Católica Feminina. Em 1985 afirmou: “Não eram santinhas devotas e cumpridoras dos seus deveres religiosos que interessavam, mas autênticas revolucionárias que quisessem transformar toda a sociedade em seu redor começando por aqueles sectores onde viviam e onde se definiam as suas responsabilidades concretas”.

Foi nessa altura que sentiu que o problema mais premente em Portugal era o da educação, resultante de inquéritos feitos por todo o país. Tal facto levou a que tivesse aproveitado uma estadia em Londres para  elaborar as bases de uma escola de educadoras de infância, e aprendendo com as escolas Montessori e as Escolas Activas em Paris. Também se dedicou a estudar história da educação, particularmente Rousseau, Pestalozzi, Decroly, Clapaède e Freinet. É com estas ideias que inaugurou em 1954 uma das primeiras escolas de educadoras do país, “surgindo independente, sem meios, sem subsídios, como uma aventura”.

“Considera que o mundo depende dos novos e que os novos são o que for a sua infância”. “O nosso objectivo era muito mais amplo e universal: o de contribuir por todos os meios para a melhor solução do problema da educação em Portugal”. Para completar esta ideia, em 1954 fundou a Associação de Pedagogia Infantil e que é constituída pela Escola de Educadoras de Infância e pelo colégio “O Nosso Jardim”. Em 1974 a Escola passou a contar com um Centro de Documentação, com o apoio da Fundação Gukbenkian.

 

Consideram os autores do texto (Luisa Vian Alves e Elísio Gala) que Maria Ulrich “mais do que uma pedagoga, foi sobretudo e essencialmente uma educadora que soube dar um cunho estratégico ao seu discurso e construir instrumentos concretos de intervenção abrindo assim novas perspectivas para a educação de infância”.



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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
POR ITÁLIA – ROMA – CAFÉ GRECO E KEATS por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de muito palmilhar, de tropeçar em ruinas romanas a cada esquina, demos com a Praça de Espanha, a sua imponente escadaria e a fonte de Trevi de onde não vi a Anita Ekberg sair. Tentando fugir ao bulício – era domingo e a praça estava  ao rubro de agitação – dei com o café Greco. Fundado em 1760 e por onde passaram figuras notáveis da cultura : Casanova, Luis da Baviera, Stendhal, Goethe, Byron, Liszt, Ibsen, Andersen, Mendelssohn. Percorrendo-o conseguimos imaginar o anterior clima, e apetecia-nos ter a vida calma que permitia ali passar tardes inteiras. Cá por mim só pude tomar  um café – excelente, por sinal.  

 

Vendo as informações turísticas percebi que numa das esquinas da Praça fica a casa onde Keats tinha falecido.

John Keats(1795-1821), doente, instalou-se em Roma na Praça de Espanha, no ano de 1820. Foi sepultado no cemitério protestante de Roma, perto da pirâmide de Caius Cestius. Próximos dele iria jazer no ano seguinte outro poeta inglês, Shelley, que ao ser retirado do mar onde morrera afogado trazia num dos bolsos o livro de Keats.

 

Diz-nos o site “Vidas lusofonas” sobre este poeta: “Poeta inglês. De origem modesta, estuda e pratica Medicina até aos vinte e dois anos, altura em que abandona esta profissão e publica o seu primeiro volume de Poems.
Três anos mais tarde, já seriamente afectado com tuberculose, publica uma série de poemas escritos numa rápida sucessão, entre os quais se encontram alguns dos mais belos da língua inglesa: Lamia, Isabella, The Eve of Saint James and Other Poems, La belle dame sans merci, um soneto, Bright Star, e Otho the Great, teatro. Num último esforço para cuidar da sua saúde parte para Itália, onde morre aos vinte e cinco anos.

A poesia de Keats vem a ser um culto incontaminado e puro à beleza e à arte; de facto, Keats não tem nenhuma
mensagem para expressar, nenhuma teoria para defender: a sua arte, simples, sensual e apaixonada, procura a beleza em si mesma e apela directamente aos sentidos, não à razão ou ao pensamento.”

A casa onde viveu, um prédio de cinco andares, bem ao pé da escadaria famosa, foi aberta ao público em 1909, contendo uma considerável colecção de pinturas, escultura, manuscritos e primeiras edições dos poetas Keats, Shelley e Byron. Já na altura seria o que hoje vemos: uma bela praça, a de Espanha, bem alegre, cheia de gente, já  com a bela fonte de Bernini no final da Via Condotti. 
   

 



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Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
O RISO APAGA A TRISTEZA ? por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

Rimos quando estamos felizes, rimos de coisas engraçadas, rimos quando vemos outros em situações ridículas, rimos para disfarçar a tristeza… Rimos dos outros, rimos de nós próprios. O riso é mais espontâneo e não implica muito as nossas capacidades mais elaboradas.

Mas também fazemos humor. E aqui tem que entrar a inteligência.

No entanto, será melhor não esconder a tristeza e sim reconhecê-la e até chorar, se for isso que apeteça. Camuflar, empurra-la para o fundo e não pensar nas coisas que nos fazem sentir tristes é só avolumar o problema que, mais tarde irá reaparecer. À morte de um entre querido tem que se seguir um respectivo luto psicológico. A separações não desejadas, tem que se seguir um período de recomposição… Encontrar motivos para sorrir e rir pode ser uma boa contribuição.

Na instituição onde trabalho – Casa da Praia – o seu fundador, João dos Santos, por considerar que as crianças que a frequentam, com problemas nas aprendizagens, têm na sua base uma depressão, preconizou que fosse uma “casa em festa”. Assim, assinalamos o ciclo na natureza (outono  com o S. Martinho, o inverno com o Natal, o carnaval e a primavera), assim como os aniversários. Todos podem contribuir com a sua criatividade.

Quando nas suas histórias que as crianças escolhem para representar, aparecem as temáticas de base de abandono (as prendas do Pai Natal que desaparecem, a menina perdida…), o que interessa é a “reparação” que conseguem encontrar para o finalizar da história. Mas também, depois de algum tempo de intervenção, são capazes de fazer textos como o que publiquei no dia 10 de Abril Com o título “Zé Chulé e Bafo de Onça”.

Por vezes são os adultos da casa (técnicos e estagiários) que concebem um “espectáculo” para lhes “oferecerem”.
Já assim apareceu a “cabra cabrês, alguns contos de Grimm disfarçados. Este ano, os nossos seis estagiários fizeram uma excelente sessão à volta do tema do circo, da salvação de animais e amizade. O domador de animas (de peluche…) a gritar-lhes “Salta!” ainda hoje faz com que as crianças, ao passarem pelo “actor” gritem o mesmo, muito divertidas. É que, se formos coerentes, podemos ser professores ou psicólogos numa determinada posição e companheiros de brincadeira noutra. E as crianças percebem isso muito bem. Não foi por termos estado “na pele” de um personagem que passaram a respeitar-nos menos. Pelo contrário, constrói-se uma cumplicidade especial que pode servir para desmontar situações de crise, através do recurso ao “non sense” e ao humor.

 



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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
PROJECTO “BULLYING NÃO” DO INSTITUTO DE APOIO À CRIANÇA por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

O  Serviço de Documentação do Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança (CEDI) do Instituto de Apoio à Criança, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, deu andamento ao Projeto Bullying NÃO, com objectivo de tratar o tema da violência escolar entre pares sob a forma de bullying e cyberbullying.

 

 No âmbito desse projecto foram produzidas três publicações distintas:

 

·         um desdobrável dirigido ao público jovem,

 

·         um boletim bibliográfico onde consta o que será um dos mais completos e actualizados acervos de monografias a nível nacional sobre bullying e cyberbullying

 

·         e uma extensa publicação sobre os recursos digitais disponíveis sobre estas temáticas. Esta última é composta por várias partes: a primeira é dedicada à definição de conceitos e enumeração de características distintivas de outras formas de violência escolar. Depois é apresentada uma lista de documentos de cariz científico-pedagógico disponíveis on-line e por fim, disponibilizam-se as hiperligações para vários sites nacionais e internacionais versando estas temáticas.

As publicações são de autoria de Ana Tarouca e Pedro Pires, com coordenação do Projeto de José Brito Soares. E nelas podermos ler:

 

O bullying traduz-se num conjunto de comportamentos agressivos, intencionais, continuados e repetitivos, levados a cabo por um ou mais alunos contra outro ou outros. Esta violência é gratuita, não resultando de qualquer tipo de agressão ou ameaça prévia. Manifesta-se através de insultos, piadas, gozações, apelidos cruéis, ridicularizações, entre outros. É uma forma de pressão social que acarreta muitos traumas na vida dos alunos que diariamente convivem com esta realidade.

São referidos três tipos de bullying :

1. Directo e físico: ameaçar, bater, empurrar, pontapear, pregar rasteiras, roubar ou estragar objectos, extorquir dinheiro, assediar sexualmente, obrigar a realizar tarefas contra a sua vontade.

2. Directo e verbal: gozar, chamar nomes, pôr alcunhas depreciativas, interrogar em modo desafiante e ameaçador, fazer comentários racistas ou que salientam qualquer diferença, fraqueza ou deficiência dos colegas.

3. Indirecto: excluir sistematicamente alguém do grupo ou das actividades, ameaçar com frequência a perda da amizade ou a exclusão do grupo de pares, espalhar boatos e/ou rumores pejorativos.

São indicadas 10 “dicas” para as crianças que dele são vítimas:

1. Ignora o bully, faz de conta que não o ouviste.

2. Não olhes para ele. Se puderes, continua a andar e passa ao lado dele como se não fosse nada contigo.

3. Não chores, não te irrites, age como se ele não te perturbasse. O bully ataca-te porque quer que tu reajas, por isso não lhe faças a vontade.

4. Responde ao bully com calma e firmeza, nem que seja apenas aparente. Diz-lhe simplesmente: “Não sou como tu pensas”.

5. Se puderes, responde com humor aos seus comentários ofensivos. Por exemplo, o bully diz: “Que roupa tão ridícula!” E tu respondes: “Obrigada! Ainda bem que reparaste.” Vais ver que o deixas desarmado.

6. Se for preciso, foge. Afastares-te do problema não revela cobardia. Cobarde é o bully assim como aque-es que o acompanham.

7. Procura um sítio onde haja um adulto e fica perto.

8. Fala com os teus amigos e colegas e solicita o seu apoio.

9. Tenta andar acompanhado com alguns dos teus amigos. Evita andar sozinho.

10. Fala com um adulto (os teus pais, o teu professor ou director de turma). Não se trata de fazer queixinhas mas de procurar ajuda quando esta é mesmo necessária.

 

Acedendo ao site do Instituto de Apoio à Criança (www.iacrianca.pt), nele podem consultar as publicações na totalidade. Considero-as um excelente trabalho documental e uma ferramenta muito útil para quem trabalhe com crianças.

 



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Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
PEDAGOGOS PORTUGUESES – MARIA AMÁLIA BORGES DE MEDEIROS por clara castilho
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desta vez trago as palavras de Rui Grácio sobre esta pedagoga (in Boletim do Instituto de Apoio à Criança, nº5 –Nov/Dez 1988).

(…) "Diga-se a quem o não saiba: licenciada em Letras (Lisboa 1943), obteve depois o diploma de ensino especial
do Instituto António Aurélio da Costa Ferreira (1946), vindo a trabalhar como psicóloga em clinicas de pedopsiquiatria e na orientação pedagógica de estabelecimentos de ensino para crianças deficientes ou com perturbações de desenvolvimento. Com João dos Santos e Henrique Moutinho fundou em 1955 o Centro Infantil Helen Leller, de cuja escola foi directora durante cerca de oito anos. Aí se iniciou uma experiência genuinamente original de ensino integrado de crianças cegas, amblíopes e de visão normal, orientando-se as práticas educativas pelas técnicas Freinet, de que Maria Amália foi porventura a introdutora em Portugal. É uma ilustração mais de um facto historicamente comprovado: o encontro potencialmente fecundo entre crianças diferentes e educadores a seu modo diferentes também.

 

Em 1963, Maria Amália inicia uma nova carreira no Canadá, tendo participado activamente no movimento de renovação pedagógica que se processou na província do Quebec nos anos 60”. Foi posteriormente “professora de pedagogia na Faculdade de Ciências de Educação da Universidade de Montreal e membro fundador e dirigente da Association Québecoise pour l’Éducation Active. A função docente colocou-a perante um novo desafio: a educação de adultos (professores ou futuros professores do ensino técnico).

  

 (…) Para Maria Amália, em Portugal foi-lhe decisivo o encontro com o pensamento e as técnicas de Célestin Freinet; no Canadá o encontro com o pensamento e as propostas de Allport, Combs, Maslow e Rogers.(…) Como ela própria alegou: “Só podemos dizer que aprendemos verdadeiramente quando o novo conhecimento foi de tal maneira integrada por nós e incluído na nossa experiência passada e presente que alterou o nosso comportamento e transformou a nossa percepção do  mundo e dos outros”(As três faces da pedagogia, Livros Horizonte, s/d).

(…) “Porque tive uma infância e uma adolescência que considero pouco felizes, interessei-me desde cedo pelos problemas da educação. A pedagogia teve imediatamente um significado, porque respondia a problemas que eram meus” (O papel e a formação dos professores, Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Gulbenkian, 1970).

(…) Foi-lhe a vida abreviada por uma doença cruel. Sinto como privilégio ter contribuído para prolongar  o seu convívio connosco, ao empreender as iniciativas que tornaram possível os dois livros citados, os únicos que nos pôde legar. Num deles deixei registadas as qualidades que inspiravam “amizade e admiração” por Maria Amália: “a argúcia e, simultaneamente, a humildade e probidade da inteligência e bem assim, a simplicidade e a bondade no trato que os seus amigos lhe conhecem”.


 



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ARGONAUTAS

Adão Cruz

Afonso da Rocha Aguiar

Aleksandra Serbim

Álvaro José Ferreira

Amadeu Ferreira

Ana Afonso Guerreiro

Andreia Dias

António Gomes Marques

António Mão de Ferro

António Marques

António Sales

Augusta Clara

Carla Romualdo

Carlos Durão

Carlos Godinho

Carlos Leça da Veiga

Carlos Loures

Carlos Luna

Carlos Mesquita

Clara Castilho

Dorindo Carvalho

Ethel Feldman

Eva Cruz

Fernando Correia da Silva

Fernando Pereira Marques

Francisca da Rocha Aguiar

François Morin

Hélder Costa

João Brito Sousa

João Machado

João Vasco de Castro

Joaquim Magalhães dos Santos

José Brandão

José de Brito Guerreiro

José Goulão

José Magalhães

Josep Anton Vidal

Júlio Marques Mota

Luís Peres Lopes

Luís Rocha

Manuel Simões

Manuela Degerine

Marcos Cruz

Margarida Antunes

Margarida Ruivaco

Maria Inês Aguiar

Mário Nuti

Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)

Moisés Cayetano Rosado

Octopus

Paulo Ferreira da Cunha

Paulo Rato

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Pedro Godinho

Pedro de Pezarat Correia

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Roberto Vecchi

Rui de Oliveira

Rui Rosado Vieira

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Vasco de Castro

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