Na Quarta-feira 16 de Maio, às 19h, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz será possível escutar o trio do pianista Óscar Marcelino da Graça o qual, contando com a inspiração e a musicalidade do contrabaixista Demian Cabaud e do baterista Marcos Cavaleiro, irá divulgar o seu primeiro trabalho discográfico “Velox Pondera” registado em 2011.
“Na música do trio, a procura incessante da não repetição formal ou de arquétipos, aliada à indivisibilidade do colectivo, será porventura a característica predominante” (diz um crítico que ouviu o disco, L.R.). ”As estruturas soam flexíveis, por menos que o sejam, sendo a interacção essencial (e talvez o principal motivo de enfoque quando se escute o disco). A música raramente é complexa na sua composição, mas as contínuas comunicação e preocupação com o som colectivo, garantem um carácter orgânico que será tudo menos simples de analisar”.
Este é mais um Concerto Antena 2 de entrada livre.
O vídeo abaixo do tema Pleno num concerto do trio em Aveiro em 2011, antecipa o som actual:
Na Terça-feira 15 de Maio, por escassez de outros eventos públicos relevantes, voltamos a sugerir filmes, sob pretexto de que, às 19h30 desse dia, o Institut Français de Portugal exibe “Portugal: Os caminhos da incerteza”do realizador François Manceaux, filmado entre dois aniversários da Republica Portuguesa (2010 e 2011). Segundo se anuncia “mostra, à lupa, o maior abalo que Portugal conheceu desde a sua revolução democratica de Abril 1974” e evidenciar-se-á, através deste filme “de uma beleza luminosa embora sombria, que Portugal é também um laboratório de desregulação económica e social para a Europa e o Ocidente. Uma descriptagem única dos nossos tempos!”.A entrada para a projecção é livre.
Não havendo filme-anúncio divulgado, assinale-se a curiosidade de o mesmo incluir o registo fílmico do concerto dado por Mísia na comemoração em 2011 no Palácio de Belém do 101º aniversário do 5 de Outubro onde se ante-estreou o seu novo disco “A Senhora da Noite”. Mostramos-lhe aqui o teaser oficial contendo aquela canção sobre um poema de Hélia Correia com música do célebre guitarrista Armandinho (1891-1946) e ainda “Simplesmente” com letra e música de Amélia Muge:
E para ficarmos ainda no cinema “português”, lembramos que “Rafa”, a curta-metragem premiada em Berlim de João Salaviza, com Rodrigo Perdigão e Joana Verona, já se encontra em exibição, essa notável filmagem da narrativa sobre um rapaz de 13 anos que deixa a sua casa nos subúrbios e ruma a Lisboa, em busca da mãe que não regressou na noite anterior. Retrata-se a qualidade cinematográfica num dos brevíssimos filmes-anúncio:
Com “Rafa” é também exibida “Nana”,”uma daquelas estrelas cadentes que o cinema de autor de vez em quando atira: objectos fulgurantes, de vocação orgulhosamente solitária e resolutamente singular…”, como um crítico (J.M.) classifica positivamente o filme da realizadora francesa Valérie Massadian, com Kelyna Lecomte, Marie Delmas e Alain Sabras, entre outros.
Tido como “uma espécie de Walt Disney politicamente incorrecto” porque restitituiria “a violência surda de uma ingenuidade de olhos abertos para o mundo que a progressiva urbanização da civilização veio urbanizar”, é facto que a cineasta, de forma notável, se afasta lentamente da observação documental do quotidiano rural ao narrar a história de Nana, uma menina de quatro anos deixada à solta na província francesa por uma mãe que desaparece sem dizer nada.
A ver.

Na Segunda-feira 14 de Maio, o destaque mais interessante irá porventura para Eleanor Friedberber na ZBD (ver adiante) mas como escolha mais “segura” advogaríamos filmes já consagrados, em exibição recente entre nós.
Um, que obteve o “Prémio do Público” na recente Festa do Cinema Francês 2011, é A Fonte das Mulheres (“La source des femmes”), 2011 de Radu Mihaileanu, o realizador de O Concerto e interpretado por Hafsia Herzi, Hiam Abbass, Leïla Bekhti, Saleh Bakri, entre outros.
Centrada numa guerra dos sexos, esta comédia dramática é uma fábula moderna de uma pequena vila marroquina, junto ao Atlas, onde mulheres ameaçam fazer greve de sexo se os homens não forem também buscar água a um local longínquo. A rebelião é liderada pela jovem liberal Leila (Leïla Bekhti) … e tem obviamente sucesso.
O seu filme-anúncio descreve o quadro:
Um outro, “Grande Prémio do Júri “ em Cannes 2011, é da autoria do realizador turco Nuri Bilge Ceylan (alvo duma retrospectiva recente no Nimas). Trata-se de Era uma vez na Anatólia com Muhammet Uzuner, Yilmaz Erdogan e Taner Birsel, entre outros, um filme longo onde “um grupo de polícias, com um médico legista e um procurador, conduz dois prisioneiros na busca impiedosa por encontrar um cadáver” mas (como diz um crítico, J.L.R. ) filme que “não tem história, tem um tecido”.
De como a exumação deste corpo enterrado nas estepes da Anatólia vai também desenterrar pensamentos e medos há muito escondidos nas cabeças daqueles obstinados investigadores sugere-se já neste breve trailer:
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta 18 de Maio, no Auditório do Museu do Oriente, às 21h30, o cantautor e pianista goês/moçambicano Gonzaga Coutinho apresenta o seu último trabalho “Shangri-lá Goa”, conjunto de melodias felizes e serenas, com um toque de tradição cultural portuguesa “que ainda se faz sentir em Goa”, gravadas com uma roupagem musical mais actualizada e cantadas em concanim, um dialecto goês.
São convidados neste espectáculo Rão Kyao, Carlos Guilherme, Susana Brito e o Grupo Ekvat da Casa de Goa. A par de Gonzaga Coutinho (voz e piano), tocam também Ernesto Leite (direcção musical, teclado e viola), Rita Mendes (violino), Marcos Britto (contrabaixo), Francisco Fernandes (percussão oriental) e Susana Brito (voz e coros).
Eis como soa Shangri-lá em concanim :
A 18 de Maio (repetindo a 19) na Sala Estúdio do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h15, a Compañía Pèlmanec (Espanha) mostra “Diagnóstico: Hamlet” numa encenação de María Castillo sobre um texto de Miquel Gallardo (inspirado na obra de Shakespeare) que é também o actor-manipulador.
Tema : Quem quer ser Hamlet? Max Flaubert, um jovem de dezassete anos de idade que vive na cela de um hospital psiquiátrico, onde foi colocado após a traumática morte do pai e o casamento repentino da mãe com o tio, quer ser Hamlet. Quer que Shakespeare decida por ele, fale por ele, o liberte da sua dor e do seu medo, através das palavras de uma das suas personagens mais complexas e analisadas. Por isso, dia após dia, recria a ilusão da vida como um encenador, manipula e controla os seus pesadelos, como um marionetista. Mas o cérebro é perverso e enfrenta-nos mais tarde ou mais cedo com a grande verdade: a vida é incerteza…
Este vídeo promocional desvenda parte da trama :
Também em 18 de Maio, no Ondajazz às 22h30, Cristina Nóbrega, “Prémio Amália Revelação 2009” e autora do CD “Palavras do Meu Fado” apresenta-se neste bar para uma noite especial onde cantará alguns standards de Jazz, boleros e bossas.
Da sua estreia em Espanha como fadista mostramos este “Disse-te adeus e morri” :
No Centro de Arte Moderna (da Fundação Gulbenkian) realiza-se a 18 de Maio (Sexta) a inauguração na sua Galeria 1 da exposição “Josef Albers na América, PIntura sobre papel” que apresenta o seu trabalho a partir do campo da investigação experimental, em cerca de 80 estudos a óleo sobre papel, alguns inéditos ou raramente vistos. Estes estudos, com inúmeras anotações feitas pelo artista, de nomes de cores e de diferentes fabricantes de cores, revelam o seu acto de pintar como fixação da sua filosofia a cor.
Nesse mesmo dia, às 18h, há uma Mesa-Redonda sobre Josef Albers e a exposição, de acesso público, com a presença de Nicholas Fox Weber, director da Josef and Anni Albers Foundation, e dos curadores da exposição, Michael Semff, do Staatliche Graphische Sammlung de Munique, e Heinz Liesbrock, do Josef Albers Museum Quadrat Bottrop.
Joseph Albers (1888-1976), de que esta é a primeira exposição em Portugal, é um dos pilares do século XX na Europa e nos Estados Unidos, tendo ficado sobretudo conhecido pelas suas Homenagens ao Quadrado (Homages to the Square), que pintou entre 1950 e 1976, pelo seu cargo de professor na Bauhaus em 1925 e pela publicação, em 1963, de um estudo inovador sobre a cor, “The Interaction of Color”.
Sendo o 18 de Maio o “Dia Internacional dos Museus”, lembramos que às 18h no Museu Nacional de Arqueologia, o seu (ex?)-director Luís Raposo pronuncia ali uma conferência ( e lança o respectivo livro) intitulada “Museu Nacional de Arqueologia Percursos de uma Casa Centenária nas construções oitocentistas dos Jerónimos”, seguida de debate público.
Ainda a 18 de Maio, realiza-se no Complexo 3 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, promovida pelo Bloco de Esquerda, uma iniciativa intitulada “"Portugal na Encruzilhada da Europa" - Conferência Económica Internacional” que se inicia às 21h com palestras quer de Jan Toporowski (London School of Oriental and African Studies), quer de Mariana Mortágua (BE).
No dia seguinte, a partir das 9h, debater-se-ão os temas “O que falta na arquitectura do Euro?” com Jacques Mazier (Euromemorandum), entre outros, “A Austeridade e o(s) Direito(s) do Trabalho”, “ Há esperança para um Estado Social Europeu?” e “Portugal, Europa e as Alternativas”, com a presença de figuras diversas da esquerda nacional.
Por ocasião da exposição antológica “Nikias Skapinakis : Presente e Passado” apresentada pela Fundação Berardo desde Março de 2012, Jorge Silva Melo realizou um documentário com o título provisório “Nikias Skapinakis (continuando) 2012 “ em que prolonga e actualiza aquilo que fez com o Pintor no filme “Nikias Skapinakis: o teatro dos outros” (2007).
Neste Sábado 19 de Maio onde ainda se celebra o Dia Internacional dos Museus está organizada uma primeira projecção (de entrada livre) no Auditório do Museu Berardo, às 15h30, com a presença de Raquel Henriques da Silva e Jorge Silva Melo.
Também associado à comemoração do Dia Internacional dos Museus, as iniciativas diversas do MNA incluem no Sábado 19 de Maio, às 15h30, nas instalações do museu (Mosteiro dos Jerónimos, Praça do Império), uma conferência no âmbito do "The Lisbon Mummy Project” proferida pelo egiptólogo Luís Araújo e pelo radiologista Carlos Prates sobre “ As múmias do Museu Nacional de Arqueologia – Apresentação do projecto e primeiros resultados”.
A entrada é livre.
No Sábado 19 de Maio, às 21h no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, os Pequenos Violinos da Metropolitana dão o seu habitual concerto de solidariedade para ajudar algumas das mais importantes instituições de intervenção social do país.
Sob a direcção artística de Inês Saraiva é deste tipo o som generoso que ali se ouvirá :
Também a 19 de Maio (Sábado), na Igreja do Loreto (rua da Misericórdia), às 21h30, o Coro da Nova da Universidade Nova de Lisboa sob a direcção do maestro João Valeriano e com a colaboração da soprano Susana Duarte e do baixo José Pedro Bruto da Costa e ainda Nicholas McNair ao piano dá mais um dos Concertos da Primavera interpretando de Gabriel Fauré Requiem, op. 48 e de Johannes Brahms “Warum ist das Licht gegeben dem Mühseligen ?”
Igualmente a 19 de Abril no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, há mais um concerto Nuno Vieira de Almeida & Convidados, às 18h30, sob o título “Benévola provocação. Canções populares de Brahms e Fernando Lopes Graça”, com Vieira de Almeida ao piano e o tenor Fernando Guimarães.
Ainda a 19 de Maio, às 21h30 (e de novo a 20/5 às 16h), o Museu da Marioneta recebe, no quadro do FIMFA Lx 12, o espectáculo “La Música Pintada”, uma criação e interpretação de Joan Baixas (Espanha), com fotografias de Jordi Bover ao som dos “Contos da minha Mãe Ganso”, de Maurice Ravel e da “Pequena Suíte”, de Claude Debussy.
Se aqueles compositores trataram as notas musicais como se fossem as pinceladas de um pintor e fascinados por sons orientais e pelo mundo das crianças, transferiram estes jogos para os instrumentos, criando a música impressionista, Joan Baixas traduz as cores e a luz desta música em sensações visuais que cria num ecrã de sombras chinesas, pintadas em frente do público, com projecções de imagens digitais e fotografias.
Na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h deste Domingo 20 de Maio, num Recital de Canto, ouvir-se-á o barítono José de Eça acompanhado ao piano por Armando Vidal entoar temas de compositores como Robert Schumann, Giovanni Battista Martini, Jules Massenet, Francisco Lacerda, Paolo Tosti, Vincenzo Bellini e Eduardo di Capua.
No Domingo 20 de Maio, às 17h30, na Igreja de S. Tomás de Aquino, às Laranjeiras (Lisboa) a organista Célia de Sousa tocará obras de Buxtehude, J.S.Bach, entre outros, num concerto de entrada livre.
Aos amadores de outra música, como o jazz, lembramos que o Outjazz 2012 reiniciado oferece aos Domingos em particular música negra, sendo em Maio no Jardim da Estrela às 17h; neste dia 20, em particular, o conjunto actuante será Orlando Santos & The Bagatells e o Dj Celeste/Mariposa.
Por fim, sugeriríamos, na esteira dum crítico de arte (J.L.Porfírio) que assinalava a “coincidência” de três exposições “de uma arte produzida fora dos carris da academia ou da escola, da arte dita culta”, a visitas a qualquer delas, sendo que duas encerram neste Domingo 20 de Maio. Apressem-se pois os interessados a ver quer “António Peralta, o Pintor que Esculpia Histórias” no Museu Nacional de Etnologia, quer “Xico Nico Escultor. Arte Outsider” no Palácio Galveias.
Mais tempo, contudo, terão os que se deslocarem até à Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (às Amoreiras) que apresenta até 23 de Setembro de 2012 uma exposição intitulada “Arte Bruta – Terra Incógnita” inédita em Portugal.
Ela reune trabalhos de mais de setenta artistas de quinze países diferentes (China, Brasil, Estados Unidos da América, Rússia, Aústria, Reino Unido, França, Perú, Espanha, entre outros), numa selecção criteriosa de obras provenientes da colecção Treger-Saint Silvestre. O termo Arte Bruta, usado pela primeira vez por Jean Dubuffet en 1945, refere-se a obras de arte ditas “marginais”. Estes artistas, que não reivindicam o estatuto de criadores, trangridem as normas da “arte estabelecida” sem se preocuparem em revelar o seu trabalho, que permanece muitas vezes desconhecido, sendo a sua única preocupação a de criar.
Tais obras de arte surgem como verdadeiros tesouros para coleccionadores com alma de explorador, o caso de Richard Treger e Antonio Saint Silvestre cuja colecção, composta por cerca de 600 obras, tem dois terços de artes ditas marginais, onde nomes como Henry Darger, Adolf Wölflï, Madge Gill, Scottie Willson ou Augustin Lesage têm vindo aos poucos a ser reconhecidos e representados nos principais museus do mundo.
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Na Segunda 14 de Maio, chamamos a atenção para a performance , na Galeria ZBD às 22h, de Eleanor Friedberger, vocalista dos Fiery Furnaces, que aí apresenta o seu ultimo CD "Last Summer" (edit. Merge, 2011) em formato trio com Samantha Shelton e Kelvin Yu.
O produto do seu canto a solo (sem o irmão Matthew), bem aceite internacionalmente como
“músicas feitas de memórias com futuro, ao estilo do amor cinemático de Woody Allen” pode ouvir-se, p.ex., neste “Heaven” do seu álbum recente :
Também a 14 de Maio (Segunda), há na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 21h, a Final do Concurso Domingos Bontempo, uma iniciativa do Conservatório de Lisboa, uma escola particular de ensino artístico existente há cerca de dois anos.
Ainda na Segunda 14 de Maio, no Teatro da Politécnica há, às 21h30, mais um espectáculo do FATAL, Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, desta vez uma criação colectiva do GrETUA da Universidade de Aveiro. Trata-se de E(N)XAME com orientação do encenador Jorge Fraga.
Sinopse : Pretende ser um ataque político mas não partidário, ideológico mas não fundamentalista. Quer-se que “toque na ferida”, que provoque o espectador. Um espectáculo que permita a celebração do acto Teatral! Dezoito espaços diferentes, habitados por dezoito actores que assumem dezoito personagens, numa communitas. Interrogam-se, revoltam-se, querem tornar a si o seu destino, seja ele qual for. Qual é a importância de “existir‟?
Entretanto na Culturgest (Pequeno Auditório), às 18h30 deste 14 de Maio, a segunda do ciclo de três conferências sobre “Os sons que estão a mudar a imagem do mundo - Música, cinema e novos media” será proferida por Anahid Kassabian sob o tema “The changing nature of audio-visual relationships and the joys of editing”.
A oradora é investigadora em música, cinema e novos media, professora na University of Liverpool e autora de Hearing Film (2001), bem como cofundadora da revista Music, Sound and the Moving Image.
Também na Biblioteca Nacional de Portugal, a 14 de Maio (Segunda), às 18h, se iniciam as Conferências de Primavera em História da Cartografia de entrada livre.
Neste primeiro dia, Tony Campbell, antigo “Map Librarian” na British Library, falará sobre “New Thoughts about Portolan Charts (1300 - 1600) : the Aegean Sea Revisited”.
Este reputado autor internacional sobre cartografia náutica e “Chairman” da Imago Mundi. The International Journal for the History of Cartography, irá falar sobre a cartografia medieval do Mediterrâneo, as chamadas cartas-portulano em que é especialista, concentrando-se especialmente em duas questões que têm merecido pouca atenção : a sua utilização a bordo e a sua manutenção, quase sem alterações, ao longo de quatro séculos.
Ainda na Culturgest, às 14h30 desta Segunda 14 de Maio, por organização conjunta da CGD e do jornal Expresso para comemoração do 25º aniversário do Prémio Pessoa, reunem-se no seu Grande Auditório para uma conferência sobre “Que Portugal queremos daqui a 25 anos ?” múltiplas individualidades onde se incluem Maria do Carmo Fonseca, Carrilho da Graça, Manuel Alegre, Gomes Canotilho, Mário Cláudio, D.Manuel Clemente, Luís Miguel Cintra, Sobrinho Simões, Irene Pimentel, Cláudio Torres, João Lobo Antunes, Graça Moura, José Manuel Rodrigues, António Câmara.
O debate é público.
Por último, estreia a 14 de Maio, às 21h30, ”Made in China”, o novo espectáculo do GTN (Grupo de Teatro da Nova) que estará em cena no Piso -4 da Torre Principal da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas -UNL (Av. De Berna) de Segunda à Sexta até 25 de Maio.
Segundo a sua directora, Cátia Pinheiro, esta é uma reflexão performática sobre o amor mas “… não, nem todas as histórias de amor são tão marcantes como a de Rick e Ilsa em Casablanca, nem têm que ser... Aqui as nossas histórias de amor serão como um electrodoméstico barato Made in China, que não respeita o registo de patentes”.
Na Terça 15 de Maio, há novo espectáculo do FATAL, Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, ainda no Teatro da Politécnica, às 21h30. Representa-se a “Antígona” de Sófocles (reescrita por António Pedro) e encenada por Marcantonio Del Carlo que dirige, desde 1994, o grupo de teatro ArTeC, da Faculdade de Letras da UL.
Propósito : Discutir, com os espectadores, a força e o poder da sociedade civil, perante as imposições de um regime injusto e ditador. Assim “Um encenador e o seu coro trágico irão explicar, em cada momento, as contingências de cada personagem apresentando: um Creonte, como um boxeur que combate uma Antígona, militante e rebelde, que canta baladas e escreve a sua revolta nas redes sociais, um Tirésias, que é cego mas vê através de um jogo informático, e ainda uma Isménia e um Polinices, que se apaixonam depois de tomarem ecstasy”.
Trata-se de uma concepção cénica actual, que se destina a um público contemporâneo que se queira rever numa série de códigos performativos, próprios da realidade em que estamos inseridos. Tal como há 15 anos, o ArTeC revisita Antígona de Sófocles para dizer “basta”: basta a demagogia dos tiranos, basta a tirania da política que só se serve a ela própria, basta a todos os que agitam a bandeira da intolerância! Viva a democracia!
A 15 de Maio (Terça), no Instituto Cervantes, projecta-se, às 18h30, no seu ciclo “Los limites de la frontera” o filme Retorno a Hansala, 2008 de Chus Gutierrez cujo tema se resume : “Nos inícios da presente década, nas praias de Rota em Cádiz, dão à costa os cadáveres de onze jovens imigrantes marroquinos que tentavam atravessar o estreito de Gibraltar numa jangada. Concluiu-se através das suas roupas que os rapazes pertenciam à mesma aldeia, Hansala”.
O filme visa recriar aquele desastre do ponto de vista de dois personagens: Martín, um empresário duma funerária que pretende fazer negócio com a ocorrência, e Leila, irmã de um dos falecidos. É este o seu filme-anúncio :
Na Quarta 16 de Maio, encerra no Cinema São Jorge, às 21h30 na Sala Manoel de Oliveira, a Mostra de Cinema Brasileiro integrada no FESTin (que este ano exibiu 7 longas metragens e 12 curtas, ver Pentacórdio anterior) com a primeira longa-metragem de ficção do multi-artista e director publicitário Tadeu Jungle, intitulada "Amanhã Nunca Mais", que aborda conflitos conhecidos pela maioria dos moradores da classe média de uma grande metrópole : trabalho, cansaço, trânsito, caos e ausência familiar.
O filme narra a história do médico anestesista Walter, interpretado por Lázaro Ramos, que enfrenta esses problemas … e é um homem que não sabe dizer “não”. Quando precisa levar um bolo para o aniversário da filha, depara-se com personagens, conflitos e situações que o obrigam a reavaliar sua própria vida. . Aquela noite de sexta-feira nunca será esquecida e Walter nunca mais será o mesmo.
Interpretam-no, além de Lázaro Ramos, Maria Luisa Mendonça, Luis Miranda, Fernanda Machado, Milhem Cortaz, Anna Guilhermina, Artur Koll, Carlos Meceni, Imara Reis, Victória Guerra, Paula Braun, Vic Militello, e o seu filme-anúncio é elucidativo :
Mais um espectáculo do FATAL, Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, tem lugar nesta Quarta 16 de Maio, ainda no Teatro da Politécnica, às 21h30. A peça é “Domiciano” de José Martins Garcia pelo GTL (Grupo de Teatro de Letras) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cujo encenador é José Ávila Costa, que há vinte anos encena o GTL.
Sinopse : “Domiciano” é uma comédia satírica que se adapta bem aos dias de hoje e que desvenda a olho nu os “bons costumes” da época. Entre abusos de poder, traições, revolução, corrupção e ocultação de direitos, a história de Domiciano é contada por linhas e entrelinhas de subtileza, nesta obra teatral de José Martins Garcia, influenciada pelas ténues pinceladas de Suetónio. “Domiciano” permite-nos mesmo uma inevitável identificação com a actualidade, na medida em que o texto é pautado por temáticas que estão presentes no nosso quotidiano.
Ainda no Teatro do Bairro, começa nesta Quarta 16 de Maio, às 21h (prolongando-se até Domingo 20) a representação de “Antígonas” com base em textos de Sófocles, Jean Anouilh, Bertolt Brecht e Maria Zambrano, numa encenação de Júlio Martín da Fonseca com dramaturgia sua e de Manuel Vieira e múltiplos actores desde Ana Cristina Martins a Valéria Gavagni.
Tema : “ Há mais de dois mil e quinhentos anos que a alma de Antígona nos acompanha. A sua voz adquire múltiplos timbres, as suas palavras fazem-se ouvir em diferentes línguas, os seus olhos mudam de cor, a sua presença reveste-se dos lugares onde é convocada, mas o grito em sangue que nos faz sentir, abre a carne do nosso nome à imanência do real, ao mistério da existência humana e à fonte matricial da justiça. Antígonas de vários autores e situadas em épocas distintas, irão coexistir, dialogar, e conduzir livremente todos aqueles que quiserem mergulhar na nudez do eterno presente”.
A 16 de Maio (Quarta) há no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h, mais uma palestra de entrada livre do Ciclo de Conferências “Matemática, a Ciência da Natureza” onde o conferencista será Eduardo Marques de Sá, da Universidade de Coimbra, falando sobre Como rodopia um pião, e porquê.
O pião será, assim, o divertido ponto de partida para analisar os dois séculos que se seguiram à publicação dos Principia Mathematica de Isaac Newton, em que a Física e a Matemática deram as mãos no entendimento da Natureza, uma experimentando-a e descobrindo-lhe os segredos, outra inventando modos de os representar.
No Hot Club de Portugal, às 22h30 desta Quarta 16 de Maio, repete-se a jam session habitual das Quartas-feiras que aqui é liderada pelo guitarrista Afonso Pais, acompanhando-o de início com Óscar Graça hammond e Luís Candeias bateria, abrindo-se depois a participação aos músicos presentes que o queiram.
Por último, assinala-se que neste 16 de Maio (como a 1 e a 29) o músico Noiserv e a actriz Carmen Santos se associam aos espectáculos que o “novo” Teatro Rápido (com sede na rua Serpa Pinto, nº 14) efectua desde o início do mês num novo conceito de peças curtas e baratas (bilhetes a 3 Euros), de cerca de 10 a 15 minutos (logo há seis sessões diárias), distribuidas por quatro salas com lotação máxima para uma dezena de espectadores.
O tema escolhido para o mês (Maio) foi “a felicidade” e estão disponíveis ao público “O coro dos amantes a caminho do hospital”, com encenação de Joaquim Nicolau a partir de um texto de Tiago Rodrigues, “O amor não é um fogão”, de João Matos e Raquel Palermo, com Cláudia Semedo e Diogo Mesquita, “Comatose”, dos Eric L. Silva e Luciano Gomes, e “Alice é uma chata e o país das maravilhas é um bluff”, com texto e direcção do realizador Vicente Alves do Ó, com Anabela Teixeira e Eurico Gomes.
Na Quinta-feira 17 de Maio, estreia-se no Teatro Nacional de São Carlos, às 20h, La Rondine (A andorinha), de Giacomo Puccini (uma das poucas óperas do compositor de La Bohème nunca apresentada entre nós), numa nova produção assinada pela encenadora alemã Nicola Raab, que apresenta o seu trabalho pela primeira vez ao público português. A equipa criativa completa-se com o britânico Duncan Hayler, na concepção da cenografia e dos figurinos, e Pedro Martins no desenho de luz. O maestro argentino, José Miguel Esandi, dirige pela primeira vez no fosso do teatro a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos.
Esta ópera em três actos, com libreto italiano de Giuseppe Adami (estreada no Grand Théâtre de Monte Carlo a 27 de Março de 1917), cuja acção se desenrola em Paris e Nice em meados do século XIX, chega ao São Carlos com um elenco constituído exclusivamente por jovens vozes portuguesas. Destacam-se nos papéis principais, Dora Rodrigues, como Magda de Civry; Carla Caramujo, como Lisette, criada de Magda; Mário João Alves,como Ruggero Lastouc,
o grande amor de Magda; Marco Alves dos Santos, como Prunier, o Poeta; e Luís Rodrigues, como Rambaldo Fernandez, amante e protector abastado de Magda.
Deixamo-vos o link para poder “comparar” a prestação lusa com a realização do Met (Metropolitan Opera House) em 2009 com Angela Gheorghiu e Roberto Alagna nos principais papeis (enquanto ouvireis a versão integral da ópera !):
Também na Quinta 17 de Maio, a apreciada cantora norte-americana Stacey Kent regressa ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, para apresentar o seu novo disco “Dreamer in Concert”.
Deste álbum fazem parte algumas das canções mais emblemáticas do seu repertório mas com novas interpretações. A cantora revisita também os clássicos franceses e inclui em particular quatro canções ainda não gravadas: duas de António Carlos Jobim e duas novas composições do seu marido Jim Tomlinson, o saxofonista e produtor do álbum. São elas Postcard Lovers, com letra do romancista Kazuo Ishiguro, e O Comboio, escrita pelo poeta português António Ladeira, onde Stacey Kent canta na nossa língua (e não mal, como ouviremos).
Sobre o novo CD, eis aqui o tema Dreamer :
Igualmente na Quinta 17 de Maio, às 18h30, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, há por iniciativa da Embaixada de Espanha um Recital de Guitarra e Castanholas onde actuam Ludovica Mosca, castanholas de concerto e Juan Mario Cuéllar, guitarra interpretando peças dos compositores espanhóis Gaspar Sanz, Joaquim Malats e Isaac Albéniz.
No São Luiz Teatro Municipal estreia a 17 de Maio (até 20/5) na sua Sala Principal, às 21h, a produção do Ao Cabo Teatro encenada por Nuno Cardoso de “Medida por Medida” de William Shakespeare (tradução de Fernando Villas-Boas), com interpretação de Afonso Santos, Catarina Lacerda, Cláudio da Silva, Daniel Pinto, João Melo, Luís Araújo, Paulo Calatré, Pedro Frias, Romeu Costa e Sara Carinhas.
Eis a história de um mau juiz que acede ao trono e logo abusa do poder, pecando por luxúria, no comércio de favores. Um tratado sobre o moralismo e o poder, uma comédia negra feita de jogos de dissimulação dos vícios privados face a uma severa moralidade pública, a fazer lembrar a diferença entre aquilo que é enunciado e a realidade dura que os factos demonstram.
Assim explicou Nuno Cardoso a sua encenação de Medida por Medida ao estrear em Guimarães na Capital Europeia da Cultura em Abril último :
Também a 17 de Maio, a Companhia de Teatro Industrial apresenta no teatro A Comuna, às 21h30, a sua produção “Os Dias voltarão a correr o calendário” de Sara Sim Sim, com encenação de Frederico Salvador e interpretação de Luciana Ribeiro, Marta Gil, Mauro Silva com os actores convidados Joana Saraiva, Juliana Conde, Lourenço Esteves, Pedro Sousa, Rafael Barreto e Sara Pimenta.
Anuncia-se como “um espectáculo multi-disciplinar a partir do teatro, dança e multimédia feito para reflectir e observar o que muitas vezes os olhos não conseguem ver.
Quem somos realmente nós, o que significamos para nós próprios e para os outros? Num carácter intimista podemos visitar as relações humanas, onde emergem questões num fundamento amoral em exploração dos conceitos sociais em constante mutação…”
Igualmente a 17 de Maio, o FATAL continua a trazer ao Teatro da Politécnica, às 21h30, agora a peça Veja ao Verso, uma criação colectiva de improvisação do Caín Teatro da Universidade Politécnica de Madrid com encenação de Ignacio de Antonio, com interpretação de Miguel González Castro, Andrea González Garrán, Marta de las Heras, Marta Muñoz, María Núnez, Luis R. Carnero.
Sinopse : Cinco actores e um músico, sem adereços nem figurinos específicos (sempre bem vestidos), irão compor uma história concreta, captando informações do público: postura, histórias, tiques, emoções e voz. Durante quase uma hora, sem pausas nem anotações à margem, vão compor uma espécie de "cadavre-exquis" no cenário.
Já o FIMFA Lx12, o Festival de Marionetas, apresenta a 17 de Maio no Museu da Marioneta, às 21h30, dois espectáculos M 1 onde uma marioneta actua a solo, uma produção do Teatro do Ferro (Portugal).
Num, M 1.1, de Carla Veloso, uma peça curta onde, diz a criadora “… partindo do ponto em que me encontro (uma condição subjectiva), propus-me indagar sobre a natureza dos elementos disponíveis – eu e o meu corpo, ele ou o outro, a marioneta e a matéria que a enforma”.
O outro, M 1.2, tem direcção de Teja Reba e Loup Abramovici e interpretação de Igor Gandra. Explicam-no : “As possibilidades da marioneta são também as suas limitações. Igor recorre à identificação, à manipulação, e por fim à dança. No final, o manipulador deve converter-se na própria marioneta, ou melhor ainda, tornar-se naquilo que a marioneta metaforicamente foi validando ao longo da peça - a sua mortalidade”.
Na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, às 21h30 desta Quinta 17 de Maio, a actriz/psicóloga clínica Marta Gautier pratica um monólogo cómico intitulado “Vamos lá então perceber as mulheres … mas só um bocadinho …”, um stand-up que se tem revelado de sucesso (p.ex. na Barraca) e que a própria considera “terapêutico”.
Na Culturgest e na Quinta 17 de Maio há na sua Sala 2, às 18h30, incluída no ciclo Vinte e Sete Sentidos, a instalação/performance de Pedro Tudela que ele designou “N’est pas” e que é constituída por “oito ninhos de madeira sonorizados, quatro CDs áudio, microfone e laptop”.
Explica : “Os ninhos de madeira replicavam, não só o material dominante e nativo daquele espaço, mas também o âmago naturalmente presente que era a casa. Dos altifalantes, assumidos como meio de sonorização dos ninhos, era emitido de modo distribuído o som previamente captado em locais diversos, de ações com e sobre a substância, madeira com diferentes escalas e feitios … O leitmotiv é a incógnita relacionada com a memória, a afinidade e o enquadramento dos dados contidos, enaltecendo a relação do interior com o exterior”.
Também na Culturgest, nesse dia 17 de Maio, o seu Pequeno Auditório recebe, às 18h30, a segunda de um ciclo de quatro conferências sob o título “Alterações climáticas : a crise que não sabemos pensar” em que orador será o Prof. Viriato Soromenho-Marques.
Quando a anterior teve por tema “A construção científica das alterações climáticas”, a palestra desta semana abordará “As alterações climáticas como problema político”.
Entretanto a 17 de Maio (Quinta), no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 17h30, o Ciclo de Conferências “O futuro da alimentação - ambiente, saúde e economia” tem mais uma conferência/debate (com transmissão online em directo http://www.livestream.com/fcglive ) sob o título “Segurança Alimentar : Garantia para o Desenvolvimento”.
O orador será Benoît Miribel, Presidente da Action Contre la Faim e Director Geral da Fundação Mérieux, em Lyon (França), sendo o debate moderado por Manuel Correia, do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa.
Começam a 17 de Maio (Quinta) as sessões finais do Seminário Pensamento Crítico Contemporâneo que a Unipop e a Associação de Estudantes do ISCTE-IUL organizam desde 26 de Abril na sede do ISCTE-IUL (Av. Forças Armadas, à Cidade Universitária) o qual “pretende promover o debate sobre um conjunto de propostas teóricas que, posicionando-se criticamente face ao estado do mundo, têm procurado pensar as circunstâncias presentes e as alternativas que têm sido desenvolvidas no quadro da actual crise económica, mas também do ciclo de revoltas que, do Cairo a Wall Street, passando por Madrid, têm vindo a marcar o ritmo dos tempos que correm”.
Assim a penúltima sessão será no Auditório B103 das 18h às 20h30, constando das palestras Jacques Rancière e a política da emancipação, por Manuel Deniz Silva e Axel Honneth e Jürgen Habermas: uso público da razão, luta pelo reconhecimento e crítica do capitalismo, por Gonçalo Marcelo. O comentário caberá a João Pedro Cachopo.
Saiba-se já que a sessão final ocorrerá no Auditório B104 das 18h às 20h30 com Alain Badiou e a hipótese comunista, por Bruno Peixe Dias e Giorgio Agamben ou a desactivação, por André Dias comentado por Miguel Cardoso.
Às 18h deste 17 de Maio, no Museu da Electricidade, tem lugar o último encontro-debate que a revista “Visão” promove e que designou “Conversas às Quintas”. Serão interventores António Lobo Antunes e Eduardo Lourenço, ambos cronistas daquela revista. A participação do público requer uma inscrição prévia no respectivo site.
Ainda a 17 de Maio o Instituto Cervantes, a Casa da América Latina e o Centro de História de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa (CHAM-UNL), em colaboração com a Assembleia da República, organizam um “Colóquio internacional comemorativo dos 200 da Constituição de Cádis”, coloquialmente designado “¡Viva la Pepa! História e Actualidade”. [Nota: ¡Viva la Pepa! foi o grito lançado em 19 de março de 1812 (dia de São José) proclamando a adesão à Constituição de Cádis (popularmente conhecida como La Pepa) ]
O colóquio terá lugar no Instituto Cervantes (Rua de Sta Marta, 43 F) (manhã), de onde se destaca a conferência pelo Prof. Fernando García de Cortázar (Univ. Bilbau) “1812: La nación levantó el vuelo”.
Da parte da tarde, na Assembleia da República, haverá intervençõesdo historiador José Pacheco Pereira, do constitucionalista Jorge Miranda, do deputado português Sérgio Sousa Pinto e dos deputados espanhóis Pedro Ramón Gómez de la Serna (PP) e Juan Moscoso (PSOE), bem como dos Secretários de Estado da Cultura de Espanha e Portugal.
No Museu de São Roque encerra a 17 de Maio o ciclo de conferências temáticas “Primavera em São Roque” sobre o restauro da Capela de São João Baptista com a palestra, às 18h30, “ Oro, oro, oro … I paramenti liturgici ricamati a Roma per la Cappella di San Giovanni Battista e dello Spirito Santo nella Chiesa di San Rocco di Lisbona” pela Professora Marialuisa Rizzini.
As conferências proferidas em italiano serão traduzidas em simultâneo.
Reabre nesta data de 17 de Maio o “velho” Ritz Clube (rua da Glória, nº 57) e Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, e Luís Varatojo, d'A Naifa, serão os DJs de serviço juntamente com os Murdering Tripping Blues. A música começa às 23h só terminando às 6h da madrugada.
No Ondajazz, às 22h30, a 17 de Maio, actua de novo o trio Kolme (Ruben Alves piano, Miguel Amado baixo e Carlos Miguel bateria) enquanto ao Hot Club de Portugal vai durante três dias (17,18 e 19), sempre às 23h, o Bruno Santos Ensemble apresentar o seu novo projecto, reunindo músicos “excelentes e criativos” vide Bruno Santos (guitarra, composição e arranjos), Gonçalo Marques (trompete), Jorge Reis (saxofones alto e soprano), César Cardoso (saxofone tenor), Luís Cunha (trombone e flauta), Paulo Gaspar (clarinete e clarinete baixo), Mariana Norton (voz), Rodrigo Gonçalves (piano e fender rhodes), João Hasselberg (contrabaixo) e Luís Candeias (bateria).
por Rui Oliveira
Caro leitor: A cadência (e também a excelência) dos eventos culturais vai progressivamente rareando com a proximidade da pausa estival, donde os destaques serem menos evidentes, como veremos (e é habitual).
Na Segunda-feira 14 de Maio, o destaque mais interessante irá porventura para Eleanor Friedberber na ZBD (ver adiante) mas como escolha mais “segura” advogaríamos filmes já consagrados, em exibição recente entre nós.
Um, que obteve o “Prémio do Público” na recente Festa do Cinema Francês 2011, é A Fonte das Mulheres (“La source des femmes”), 2011 de Radu Mihaileanu, o realizador de O Concerto e interpretado por Hafsia Herzi, Hiam Abbass, Leïla Bekhti, Saleh Bakri, entre outros.
Centrada numa guerra dos sexos, esta comédia dramática é uma fábula moderna de uma pequena vila marroquina, junto ao Atlas, onde mulheres ameaçam fazer greve de sexo se os homens não forem também buscar água a um local longínquo. A rebelião é liderada pela jovem liberal Leila (Leïla Bekhti) … e tem obviamente sucesso.
O seu filme-anúncio descreve o quadro :
Um outro, “Grande Prémio do Júri “ em Cannes 2011, é da autoria do realizador turco Nuri Bilge Ceylan (alvo duma retrospectiva recente no Nimas). Trata-se de Era uma vez na Anatólia com Muhammet Uzuner, Yilmaz Erdogan e Taner Birsel, entre outros, um filme longo onde “um grupo de polícias, com um médico legista e um procurador, conduz dois prisioneiros na busca impiedosa por encontrar um cadáver” mas (como diz um crítico, J.L.R. ) filme que “não tem história, tem um tecido”.
De como a exumação deste corpo enterrado nas estepes da Anatólia vai também desenterrar pensamentos e medos há muito escondidos nas cabeças daqueles obstinados investigadores sugere-se já neste breve trailer :
Na Terça-feira 15 de Maio, por escassez de outros eventos públicos relevantes, voltamos a sugerir filmes, sob pretexto de que, às 19h30 desse dia, o Institut Français de Portugal exibe “Portugal: Os caminhos da incerteza” do realizador François Manceaux, filmado entre dois aniversários da Republica Portuguesa (2010 e 2011). Segundo se anuncia “mostra, à lupa, o maior abalo que Portugal conheceu desde a sua revolução democratica de Abril 1974” e evidenciar-se-á, através deste filme “de uma beleza luminosa embora sombria, que Portugal é também um laboratório de desregulação económica e social para a Europa e o Ocidente. Uma descriptagem única dos nossos tempos!”. A entrada para a projecção é livre.
Não havendo filme-anúncio divulgado, assinale-se a curiosidade de o mesmo incluir o registo fílmico do concerto dado por Mísia na comemoração em 2011 no Palácio de Belém do 101º aniversário do 5 de Outubro onde se ante-estreou o seu novo disco “A Senhora da Noite”. Mostramos-lhe aqui o teaser oficial contendo aquela canção sobre um poema de Hélia Correia com música do célebre guitarrista Armandinho (1891-1946) e ainda “Simplesmente” com letra e música de Amélia Muge :
E para ficarmos ainda no cinema “português”, lembramos que “Rafa”, a curta-metragem premiada em Berlim de João Salaviza, com Rodrigo Perdigão e Joana Verona, já se encontra em exibição, essa notável filmagem da narrativa sobre um rapaz de 13 anos que deixa a sua casa nos subúrbios e ruma a Lisboa, em busca da mãe que não regressou na noite anterior. Retrata-se a qualidade cinematográfica num dos brevíssimos filmes-anúncio :
Com “Rafa” é também exibida “Nana”,”uma daquelas estrelas cadentes que o cinema de autor de vez em quando atira: objectos fulgurantes, de vocação orgulhosamente solitária e resolutamente singular…”, como um crítico (J.M.) classifica positivamente o filme da realizadora francesa Valérie Massadian, com Kelyna Lecomte, Marie Delmas e Alain Sabras, entre outros.
Tido como “uma espécie de Walt Disney politicamente incorrecto” porque restitituiria “a violência surda de uma ingenuidade de olhos abertos para o mundo que a progressiva urbanização da civilização veio urbanizar”, é facto que a cineasta, de forma notável, se afasta lentamente da observação documental do quotidiano rural ao narrar a história de Nana, uma menina de quatro anos deixada à solta na província francesa por uma mãe que desaparece sem dizer nada.
A ver.
Na Quarta-feira 16 de Maio, às 19h, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz será possível escutar o trio do pianista Óscar Marcelino da Graça o qual, contando com a inspiração e a musicalidade do contrabaixista Demian Cabaud e do baterista Marcos Cavaleiro, irá divulgar o seu primeiro trabalho discográfico “Velox Pondera”
registado em 2011.
“Na música do trio, a procura incessante da não repetição formal ou de arquétipos, aliada à indivisibilidade do colectivo, será porventura a característica predominante” (diz um crítico que ouviu o disco, L.R.). ”As estruturas soam flexíveis, por menos que o sejam, sendo a interacção essencial (e talvez o principal motivo de enfoque quando se escute o disco). A música raramente é complexa na sua composição, mas as contínuas comunicação e preocupação com o som colectivo, garantem um carácter orgânico que será tudo menos simples de analisar”.
Este é mais um Concerto Antena 2 de entrada livre.
O vídeo abaixo do tema Pleno num concerto do trio em Aveiro em 2011, antecipa o som actual :
Na Quinta-feira 17 de Maio, não deverá perder-se a vinda a Lisboa de Philippe Herreweghe, o criador do Collegium Vocale e do Ensemble La Chapelle Royale, mais tarde ampliado para a Orchestre des Champs-Élysées. Virá dirigir o Coro e a Orquestra Gulbenkian, dentro do ciclo Wagner +, propondo-se interpretar, com a colaboração dos cantores Sandra Medeiros soprano, Cátia Moreso meio-soprano, Hans-Jörg Mammel tenor e Diogo Oliveira baixo, as peças de :
Johannes Brahms Begräbnisgesang, op. 13
Schicksalslied, para Coro e Orquestra, op. 54
Anton Bruckner Missa nº 3, A Grande
O concerto tem lugar no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, sendo repetido no dia seguinte 18 de Maio (Sexta) no mesmo local às 19h.
Para justificar o seu programa diz Herreweghe : “Pode parecer que pertencem a esferas musicais muito diferentes, mas penso que não há verdadeira oposição entre Bruckner e Brahms. Isso acontecia entre Brahms e Wagner, em que o primeiro representava o passado e o segundo o futuro. Bruckner situa-se no meio destas duas correntes. E o seu mundo não é assim tão distanciado do de Brahms, pois ambos se inspiram na música antiga e barroca”.
É possível ouvir Herreweghe a dirigir a Orquestra dos Campos-Elíseos no Kyrie da Missa nº 3 de Anton Bruckner aqui :
e escutá-la integralmente (53 min) sob a mesma direcção com o Coro e Orquestra do Royal Concertgebouw com Hanneke de Wit soprano, Tania Kross meio-soprano, Werner Güra tenor e David Wilson-Johnson baixo aqui .
Na Sexta-feira 18 de Maio, às 21h30, estreia na Sala Principal do Teatro Maria Matos a produção convidada pela Gulbenkian Música “Thanks to my Eyes”, uma ópera de câmara de Oscar Bianchi, em um acto, com libreto de Joël Pommerat, baseado na peça Grâce à mes yeux, tocada pela OrchestrUtopica dirigida por Franck Ollu com os cantores Hagen Matzeit contratenor, Brian Bannatyne-Scott barítono, Keren Motseri soprano e Fflur Wyn soprano e ainda a actriz Anne Rotger e Antoine Rigot (em papel mudo).
O concerto repete à mesma hora no Domingo, 20 de Maio.
A música de Oscar Bianchi, considerado um dos compositores mais virtuosos da sua geração, encontra-se pela primeira vez em ópera com o universo poético de Joël Pommerat para contar uma fábula sobre identidade e conflitualidade geracional. Em Thanks to my Eyes, tudo se centra na relação tempestuosa entre pai e filho — o primeiro é o maior comediante da sua geração, o segundo não quer ceder às exigências do pai para lhe continuar o legado. Forçado a adaptar-se ao modelo paternal, o jovem Aymar procura consolo na companhia de uma mulher estranha e tímida, em noites perigosas e liberatórias passadas longe do ambiente sufocante da casa familiar…
Neste vídeo da cena 17 desta ópera representada no Festival d’Aix 2011 é possível adivinhar-se o clima musical :
No Sábado 19 de Maio poderá ser “diferente”, face à oferta usual e parca, aderir ao programa O restauro da Capela de São João Baptista - redescobrir o seu esplendor que tem lugar na Igreja e Museu de São Roque apenas até 26 Maio (Sábado). (para conhecer o pormenor consultar http://www.museu-saoroque.com/pdf/restau
A Capela de São João Baptista resulta de uma encomenda do monarca português D. João V, sendo construida em Roma, entre 1742 e 1747, obedecendo a um rigoroso programa arquitectónico e estético que incluía, além da capela, projectada por Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi, peças de culto e ornamentais que se encontram expostas no Museu de São Roque. Este monumento destaca-se pela riqueza dos seus materiais de revestimento e pela qualidade das composições em mosaico, sendo transportada para Portugal em três naus e assente na Igreja de São Roque, para ser inaugurada em 1752, já no reinado de D. José I.
Os trabalhos de conservação e restauro decorreram entre Novembro de 2010 e Março de 2012 e há actualmente visitas guiadas temáticas como a deste Sábado 19 de Maio, às 10h. A origem italiana da obra levou mesmo à adaptação de menus gastronómicos para atracção dos visitantes, como o que é oferecido neste mesmo Sábado na Cafeteria às 12h30/14h30.
No Domingo 20 de Maio a semana pode agradavelmente encerrar-se com um de dois acontecimentos musicais.
Às 17h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção musical de Garry Walker terá a colaboração do pianista Jorge Moyano para um programa que compreende de Joly Braga Santos Concerto para orquestra de cordas, de Robert Schumann Concerto para piano, op. 54 e de Johannes Brahms Sinfonia n.º 4, op. 48.
Diz o respectivo folheto com ironia : “… antes de ouvir a Quarta Sinfonia de Brahms é bom que se respire fundo… propõe-se, por isso, ouvir primeiro o concerto para cordas que o jovem Joly Braga Santos escreveu em 1951, pleno de energia e inventividade melódica… depois, o único concerto para piano de Schumann, com Jorge Moyano, e um estilo pianístico eminentemente romântico… finalmente será então ocasião para o maestro escocês Garry Walker dirigir a última sinfonia de Brahms, uma obra complexa que fala directamente ao coração e onde se juntam razão e emoção”.
Mais tarde, às 19h, é a vez da Fundação Calouste Gulbenkian trazer ao seu Grande Auditório a Orquestra Sinfónica Juvenil de Caracas sob a direcção de Dietrich Paredes para tocar de Camille Saint-Saëns Sinfonia nº 3, em Dó menor, op. 78 e de Dmitri Chostakovitch Sinfonia nº 10, em Mi menor, op. 93.
Gustavo Dudamel considera os respectivos músicos “de um nível impressionante” pois já os dirigiu, como evidencia este vídeo duma sua interpretação do Concerto en la llanura de Juan Vicente Torrealba na homenagem a este músico :
No Domingo, 13 de Maio, hesitamos sobre o alvitre a dar e deixaremos pois a escolha aos leitores que terão na Gulbenkian um concerto clássico, mas no CCB uma homenagem singular ao barroco português.
No Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, a Deutsche Kammerphilharmonie de Bremen dirigida pelo maestro Trevor Pinnock tocará um programa que foi entretanto alterado dada a ausência da pianista Maria João Pires. Em sua substituição comparecerá a jovem pianista georgiana Khatia Buniatishvili que traz como repertório o Concerto para Piano e Orquestra nº 1 de Ludwig van Beethoven.
A Orquestra executará de Franz Schubert a Sinfonia nº 5, em Si bemol Maior, D. 485 mas desconhece-se se duas outras peças do programa original (Carl Philipp Emanuel Bach Sinfonia nº 4, em Sol maior, Wq 183/4 e Joseph Haydn Abertura da ópera Armida, em Si maior, Hob.XXVIII:12) se mantêm.
Para tomar conhecimento com a nóvel intérprete, eis como Khatia Buniatishvili executa um tema de Chopin:
Entretanto no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 17h, o espectáculo A Pedra Irregular e o nascimento do Barroco em Portugal permite ao ensemble associado do CCB Sete Lágrimas com voz e direcção artística de Filipe Faria e Sérgio Peixoto concluir o seu projecto Tríptico da Terra com este terceiro concerto.
Diz o programa que, se como conceito o termo “barroco” pretende opor certas qualidades – o primado da cor, da profundidade, da claridade relativa – às qualidades do Renascimento, o facto é que a palavra “barroco” na sua origem portuguesa serviu primeiro somente para referir pedras toscas e irregulares. Neste concerto, uma das principais vozes especializadas no repertório barroco, a soprano argentina de origem dinamarquesa Maria Cristina Kiehr, interpreta um programa composto exclusivamente por compositores portugueses:
Francisco António de Almeida (1702-1755?)
O quam suavis
Carlos Seixas (1704-1742)
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 75/A. 20.2
Francisco António de Almeida
Si quæris miracula (Responsorio a 4 concertato per la Festa de St.º Antonio)
Carlos Seixas
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 76/A. 20.3
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 76/A. 20.3 (adapt. Sete Lágrimas)
Francisco António de Almeida
Justus ut palma florebit (Motetto a 4 concertato in commune unius martyres)
António Teixeira (1707-1774)
Sacram beati Vicentii (Responsorium I in festo S. Vicentii)
Francisco António de Almeida
Lamentatio prima in Sabbato Sancto a 4 concertata
Carlos Seixas
Sonata para órgão, em Sol maior, K. 48/A. 15.1
Sicut cedrus exaltata sum (Responsorium II in festo assumptionis B.M.V.)
Sonata para órgão, em Lá menor, K. XXI/A. 20.6
António Teixeira
Tanta grassabatur crudelitas (Responsorium II in festo S. Vicentii)
Carlos Seixas
Hodie nobis cælorum Rex (Responsório a 5 para o Natal)
Eis o som do Ensemble Sete Lágrimas:
No Sábado, 12 de Maio, algum repouso nostálgico deverá levar muitos a deslocarem-se ao Coliseu dos Recreios, às 21h30, onde “Maria Bethânia interpreta Chico Buarque”.
Desconhecem-se os pormenores do concerto mas, como diz Vanessa da Matta “é o encontro do dono da canção com a dona da voz” e, tendo em conta a forma muito própria como Bethânia se apropriou de canções de Vinicius de Moraes, Roberto Carlos, Caetano Veloso e do próprio Buarque, são esperadas abordagens porventura surpreendentes.
Assim cantava em Lisboa Maria Bethânia Olhos nos Olhos, canção que Chico Buarque compôs para ela em 1976:
Como essa dádiva foi feita, contam-no Bethânia e Chico aqui.
Na Sexta-feira, 11 de Maio, far-se-á alguma história musical no jazz em Portugal quando no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, for gravado ao vivo este concerto “Aurora” que reunirá Sara Serpa e Ran Blake.
Ran Blake, uma personalidade singular e sonoridade única, combinando elementos dos grandes compositores da história do jazz, da tradição dos blues e do gospel e de temas dos clássicos Film Noir, tem um legado musical que inclui mais de 30 discos gravados, dos quais se destacam colaborações com artistas como Jeanne Lee, Anthony Braxton, Jaki Byard, Steve Lacy, Houston Person, Enrico Rava, Clifford Jordan, Ricky Ford.
A vocalista e compositora Sara Serpa é “a voz mágica” de acordo com o pianista Ran Blake, que tem uma longa experiência a trabalhar com vocalistas. A sua voz sem vibrato e artifícios tem sido descrita como “límpida como cristal” e a sua capacidade para cantar melodias vocais complexas, em pé de igualdade com instrumentalistas, destaca-a como uma das cantoras mais criativas dos últimos anos, elogiada mesmo pela “All About Jazz” como “a cantora mais inovadora do momento”, com actuações no prestigiado Village Vanguard.
Do álbum “Camera Obscura” que ambos gravaram e em que reinterpretam standards do cancioneiro americano retira-se este vídeo que fará antever a qualidade do concerto:
Na Quinta-feira, 10 de Maio, o destino mais interessante julgamos ser o CCB pela variedade da sua oferta. Não só se prolongam (até Domingo) as proezas das marionetas do TamTam (ver acima), como nos dois auditórios há “manjar” para gostos muito diversos.
No Pequeno Auditório (Sala Eduardo Prado Coelho), às 21h, a jovem pianista de origem russa Anna Vinnitskaya apresenta-se pela primeira vez em Portugal. Vencedora do Concurso Internacional Reine Elisabeth em 2007, entre outros, e colaboradora de diversos maestros com destaque para Vladimir Fedoseyev, Emmanuel Krivine, Kyrill Petrenko, Gilbert Varga, Dimitri Jurowski, Paul Goodwin e Pietari Inkinen, vem descrita como “ impressionante pelo vigor e facilidade técnica com que aborda obras imponentes do repertório”.
Apresenta-se com um programa de que constam :
Maurice Ravel Sonatine para piano, em Fá sustenido menor, Sergei Prokofiev Sonata para piano n.º 2, em Ré menor, op. 14, Alexander Scriabin Prelúdios, op. 16 e Sonata para piano n.º 2, em Sol sustenido menor, op. 19, “Fantaisie” e Maurice Ravel Gaspard de la nuit (Ondine, Le gibet, Scarbo).
É numa destas últimas peças Ondine de Maurice Ravel que a podemos ouvir em:
Os menos amadores da música dita “clássica”, optando mais pelaworld music tem ao lado, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, uma sua insigne representante, a cantora peruana Susana Baca que vem apresentar “Afrodiaspora”, o seu mais recente álbum.
Nele a ex-ministra da Cultura do Peru e actual presidente da Comissão de Cultura dos Estados Americanos olha para a influência de outras músicas e outros mundos na música peruana, desde as cumbias colombianas, os tangos argentinos, ao bolero e à valsa mexicana; presta também homenagem a ícones já desaparecidos da world music (como a mexicana Amparo Ochoa ou a cubana Celia Cruz) e demonstra, mais uma vez, a sua atenção à poesia lírica, rodeando-se de compositores notáveis e incontornáveis como Javier Ruibal de Cádiz, Iván Benavides, Javier Lazo e Victor Merino.
Actuará acompanhada de Ernesto Hermoza guitarras, charango, Oscar Huaranga contrabaixo, Hugo Bravo percussão e Maria Elena Pacheco violino, entoando canções como esta Maria Landó:
Na Quarta-feira, 9 de Maio, aproveitemos para salientar alguns dos espectáculos notáveis da 12ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas - FIMFA Lx 2012 que está a decorrer desde 4 a 20 de Maio não só em Lisboa, como dissémos no Pentacórdio anterior.
Aqui destacaríamos na Sala de Ensaio do Centro Cultural de Belém, às 11h, a peça “Smart as a Donkey -Esperto como um burro” da companhia de teatro holandesa TAMTAM Objektentheater, onde a ideia, história e actores-manipuladores são de Gérard Schiphorst (também autor da cenografia, vídeo e música) e Marije van der Sande.
Sendo a terceira colaboração da companhia com o escritor, poeta e pintor Wim Hofman, é um espectáculo sem palavras em que o teatro de objectos revela a história comovente de uma personagem muito especial, um burro que procura instruções para a vida. Quando fazemos alguma coisa mal feita ou nos enganamos, há sempre alguém que nos diz: “és estúpido como um burro!” Mas os burros não são estúpidos, apenas têm de descobrir como as coisas funcionam… porque crescer não é fácil…
O vídeo narra bem o curso da sua descoberta:
Outro espectáculo dessa Quarta 9 de Maio decorre no Museu da Marioneta (Convento das Bernardas - Rua da Esperança, n° 146), ás 21h30, onde a artista, também cantora e performer israelita Yael Rasoolyexibe “Paper Cut” com interpretação sua, de textos seus com Lior Leman, a quem coube a cenografia com Yaara Nirel.
Inspirado no cinema americano e nas estrelas de Hollywood dos anos 40, este espectáculo a solo de Yael revela a obsessão e os perigos das fantasias românticas. A linguagem do cinema a preto e branco é transformada no universo “low-tech” do papel recortado e do teatro de objectos, criando uma tensão surreal, cheia de humor e suspense.
História: Uma secretária solitária fica só no escritório e tenta escapar ao seu aborrecido dia-a-dia, trazendo à vida fotografias a preto e branco de velhas revistas de cinema. Perde-se no mundo dos sonhos, onde é uma glamorosa estrela de cinema que ficará com o seu amor verdadeiro no final do filme … mas o seu conto de fadas romântico transforma-se num pesadelo hitchcockiano! Como explicita o vídeo:
Na Terça-feira, 8 de Maio, voltemo-nos para a 2ª arte, a Pintura, do Manifesto referido atrás (e terceira para Hegel, embora curiosamente sem musa atribuida na Antiguidade Clássica …) e visitemos exposições cujo encerramento se avizinha (!).
No Espaço Múltiplo Carpe Diem Arte e Pesquisa encontram-se até 12 de Maio expostos trabalhos de arte contemporânea de Pedro Calapez, Jeanine Cohen, Joana Bastos, José Carlos Teixeira, Márcio Vilela e Ricardo Jacinto.
Destacaríamos à cabeça o projecto “Gymnasium (diário íntimo)” de Pedro Calapez. O artista descreve-o deste modo : “Imaginei uma larga sala. Nela, os desenhos, que não me saíam da cabeça e se encontraram depois nas minhas mãos, descobrem o seu lugar: uns contra os outros, uns ao lado dos outros. Aí ocupam o espaço, revelando o refazer diário de pequenas histórias. Estes desenhos fazem assim surgir o local do exercício, o lugar dos movimentos e gestos, o estruturar do pensamento. O gymnasium, na antiga Grécia, existia para a prática dos jogos públicos mas também um lugar de produtiva convivência social…”
Ainda no campo essencialmente pictórico (já que os outros tem componentes de audio e video como elementos centrais da criação), chamaríamos a atenção para a instalação “Owners left!” de Jeanine Cohen (Bélgica), trabalho que consiste, sobretudo, em pinturas site-specific sobre paredes, estruturadas pela geometria, onde a artista joga com a abstracção e a superfície (neste caso o diálogo é com as salas do Palácio Pombal) que definem as soluções estéticas do seu trabalho, aqui utilizando materiais simples como madeira, fitas adesivas e cores que operam com a geometria dos espaços.

Pedro Calapez Jeanine Cohen
Bom apreço da crítica têm também tido a exposição na Galeria Cristina Guerra do artista angolano Yonamine chamada “Só China”, aberta até 9 de Maio. Diz C.M. (Actual 21/4/12) “o que torna este trabalho interessante é o modo como as diferentes escalas da realidade se articulam nele – o público e o privado, o individual e o global, o íntimo e o colectivo – e como deixa claro que as próprias diferenças e distâncias culturais e geográficas são noções em estado de solvência na corrente de informação desierarquizada que nos liga ao mundo .. .”
E por último relevaríamos a exposição de Tiago Baptista na Galeria 3 + 1 que denominou “O que fazer com isto” e que encerrará a 19 de Maio. Diz outro crítico J.L.P. (Actual 21/4/12) que “Tiago Baptista pinta as imagens e a sua destruição, numa cena que tem tanto de iniciática como de inquietante. E a mesma inquietação lá está em todas as outras pinturas, onde a clareza do desenho das figuras se alia à opressão do chão, de barro ou de lama, … e é o sentido possível desse caminho, entre o barro e o barro, que (T.B.) procura a partir da caverna que a sua pintura alegoricamente é.”
Yonamine Tiago Baptista
Na Segunda-feira, 7 de Maio, deixaremos à escolha, conforme os gostos, entre iniciativas musicais e uma rememoração fílmica.
Os amadores da 7ª Arte (o Cinema, assim classificado no Manifesto de Ricciotto Canudo, 1912) poderão rever, no Ciclo Claude Chabrol, na sala do Institut Français de Portugal, às 19h com entrada livre, “La fille coupée en deux “(A rapariga cortada em dois) (França, Alemanha, 2006) com Ludivine Sagnier (Gabrielle), Benoît Magimel (Paul) e François Berléand (Charles), nos papéis principais, além de Caroline Sihol, Mathilda May, Marie Bunel, Valéria Cavalli, Etienne Chicot, Thomas Chabrol, Jean-Marie Winling, Didier Bénureau e Édouard Baer.
Sinopse: Gabrielle Deneige é a jovem apresentadora do boletim meteorológico de um canal de televisão. Gabrielle vive com a mãe, que trabalha na livraria onde a jovem acaba por conhecer o famoso escritor Charles Saint-Denis. Iniciam uma relação, apesar de Charles ser casado. Quando este desaparece, Gabrielle acaba por casar com o rico playboy Paul Gaudens, a quem conta o seu passado...
Deste filme, presente em Cannes e Toronto, dito “ (d)enso, grave, comovente: um dos mais belos filmes de Chabrol ...(c)ineasta por vezes cortado em dois, entre seriedade e farsa, tragédia e grotesco, aqui ele consegue perfeitamente equilibrar as suas duas tendências (Serge Kaganski)”, mostramo-vos la bande-annonce:
Quanto aos entusiastas da 4ª Arte (a Música, como tal considerada na Estética de Hegel) têm por seu lado a oferta do Palácio Foz que, na sua Sala dos Espelhos, apresenta ao longo deste 7 de Maio dois recitais.
Um, às 18h, por iniciativa da Missão do Brasil junto da CPLP, será um Recital de flauta transversal e viola caipira onde intervirão João Silveira, flauta transversal e Ivan Vilela Pinto, viola caipira interpretando trechos de compositores tradicionais brasileiros.
Antecipando o som que se ouvirá, eis executantes consagrados da viola caipira Daniel Viola e José Henrique :
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta 11 de Maio continuam as iniciativas do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas - FIMFA Lx 2012 e delas destacamos às 21h no São Luiz Teatro Municipal o espectáculo “Dans l’Oeil du Judas” do Théatre du Rougissant (França), uma encenação e cenografia de Arnaud Vidal cujos actores-manipuladores são Stéphane Boireau, Laurent Cabrol, Elsa De Witte, Tamara Incekara, Cathy Chioetto e a música de Natacha Muet e Arnaud Vidal.
Trata-se duma criação colectiva que consiste numa parábola sobre o racismo, o rumor e os amores perdidos, onde veremos como pessoas comuns se podem transformar em autênticos carrascos ou assassinos sem escrúpulos, se estiverem sob o efeito de grupos ou multidões.
História : “O velho Giacomo vai morrer. De noite, as figuras do passado vêm povoar a sua solidão e surgem as recordações. O drama que viveu em criança nunca deixou de atormentar a sua memória … A chegada de um novo inquilino estrangeiro, Olgerson, com a sua filha, Natalia, que encanta o coração de Giacomo, vem modificar e baralhar tudo …”
É o que este vídeo de apresentação nos mostra :
Também no São Luiz, às 23h30, a marionetista e cantora israelita Yael Rasooly oferece aos frequentadores do FIMFA um concerto intimista The Gramophone Show com a sua voz e presença inconfundíveis e um gramofone que nos transportará para o tempo do jazz, uma celebração de músicas inesquecíveis, dos anos vinte aos anos quarenta do século passado, como The man I love ou Busy line…
Nessa Sexta 11 de Maio, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz às 18h30 (com entrada livre), por iniciativa da Embaixada do Paraguai, há um Recital de Guitarra pela concertista de guitarra clássica Daiana Ferreira da Costa Villalba tocando compositores vários.
Também a 11 de Maio, a Orquestra de Sopros da Metropolitana (sob a direcção musical de Reinaldo Guerreiro) tocará no Mercado de Santa Clara, às 21h30, de Wolfgang Amadeus Mozart Abertura da ópera A Flauta Mágica, KV 620 (arr. de Reinaldo Guerreiro), de Charles Gounod Pequena sinfonia e de Henri Tomasi Fanfarras litúrgicas.
Igualmente na Sexta 11 de Maio, estreia na Cinemateca Portuguesa (Sala Dr. Félix Ribeiro, às 21h30) “Les Neiges du Kilimandjaro” (As Neves do Kilimanjaro), França 2011, de Robert Guédiguian com Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard Meylan e Marilyne Canto que foi o vencedor dos Prémios Lux 2011, atribuídos anualmente por um júri designado pelo Parlamento Europeu com o objetivo de apoiar a difusão da produção cinematográfica europeia.
Sinopse : Não obstante ter perdido o emprego no contexto de uma complicada situação laboral em que se vê envolvido enquanto líder sindical, Michel leva uma vida feliz com a mulher, a família e os amigos. Todavia a felicidade do casal é abalada quando dois homens armados os atacam violentamente roubando o dinheiro que tinham guardado para fazer uma viagem ao monte Kilimanjaro.
É um filme que aborda a questão da solidariedade num contexto de crise social, fazendo simultaneamente uma reflexão sobre o activismo político, como o trailer antecipa :
Ainda na Sexta 11 de Maio, o Teatro do Bairro estreia às 21h a peça “O Contrabaixo”, um texto de Patrick Süskind (tradução de Anabela Mendes) com dramaturgia e direcção de Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira, direcção musical João Martins e interpretação de Pedro Carreira.
Tema : Numa sala à prova de som, provavelmente o quarto onde vive, um contrabaixista de uma Orquestra Nacional decide contar como é vivida a sua solidão e confidenciar, com ironia amargurada, o seu amor não revelado por uma das sopranos da Orquestra. Esta relação platónica encontra no próprio contrabaixo o seu maior obstáculo...
Nessa Sexta 11 de Maio, no Chapitô (Costa do Castelo, n.º 1 / 7) tem início, com o apoio da Casa da América Latina, o Ciclo de Mulheres Palhaço 2012, evento que vai na quinta edição e que, pela primeira vez, contará com a participação de palhaças da América Latina, uma oportunidade para se conhecer a dinâmica e o importante papel de intervenção social que elas desempenham nos seus países de origem. O programa, além das performances individuais, terá actividades associadas, como workshops e conversas, de forma a permitir um maior intercâmbio de experiências. O ciclo acontece de Sexta a Domingo, durante três fins-de-semana seguidos (11 a 13, 18 a 20 e 25 a 27).
Neste dia (e até 13/5) Romina Monaco (Buenos Aires, Argentina) apresenta Tan Simple como Soñarlo Despacio com direcção de Julia Muzio, de que veremos um enxerto em :
Ainda na Sexta 11 de Maio, o bar Ondajazz recebe às 22h30 a cantora de jazz Rita Maria, bolseira do Berklee College Of Music em Boston, que, na véspera do lançamento dum primeiro CD, traz para a acompanhar Paula Sousa piano, Afonso Pais guitarra, João Hasselberg contrabaixo e Joel Silva bateria.
O som que se ouvirá é este :
Entretanto na FNAC Colombo, às 22h deste dia 11 de Maio, a cantora caboverdeana Ritinha Lobo, herdeira e homenageante das vozes de Cesária Évora, Ildo Lobo, Titina, Bana, Paulino Vieira e Tito Paris, apresenta o seu primeiro CD “Jóia Creola”. Ouçamo-la no tema Nha Magia, acompanhada por Yami (contrabaixo, guitarra e coros), Carlos Garcia (piano e sintetizadores), João Balão (cavaquinho), João Frade (acordeão) e Marito Marques (bateria) :
Por fim, saiba-se que o Outjazz 2012 está de novo aí desde o dia 1, projecto que marcará os fins de tarde da capital, de Maio a Setembro e de Sexta e Domingo, com a sua “receita única de magia cool, alegria e inspiração para celebrar a boa música”, segundo anunciam.
Nesta Sexta 11 de Maio o local escolhido é o Jardim do Príncipe Real indo lá actuar o Mo Francesco Quintetto.
No Sábado 12 de Maio é a vez de, no FIMFA Lx 2012, os espectáculos se repartirem por 3 espaços.
No Jardim da Estrela, às 17h30, o tradicional Teatro Dom Roberto traz ao Festival, em vez do tradicional bonecreiro, uma bonecreira, a actriz-manipuladora Sara Henriques, do Teatro de Marionetas do Porto, que manobra “fantoches” de Rui Pedro Rodrigues.
Irá aqui estrear a 2ª versão do Teatro Dom Roberto com dois espectáculos, dos mais antigos da companhia, uma forma de recordar João Paulo Seara Cardoso (1956-2010), que participou no primeiro Festival com o "Teatro Dom Roberto", e que manteve viva esta tradição depois de ter recebido o seu testemunho das mãos do Mestre António Dias. São eles O Barbeiro, em que Dom Roberto luta e vence a própria Morte e A Tourada, que descreve as diferentes fases de uma Corrida de Touros à Portuguesa, com os seus personagens típicos.
No Sub-palco do Teatro São Luiz, às 17 e às 19h, o Mischa Twitchin (Reino Unido) apresenta dois projectos experimentais sobre o universo de Beckett por dois estudiosos e investigadores teatrais, os britânicos Mischa Twitchin e Penny Francis.
No primeiro The Field of Memory o texto parte de “O Quê Onde” de Samuel Beckett, a música é “Winterreise”, de Franz Schubert, interpretado ao piano por Gerald Moore, as vozes são de José Luís Ferreira, Friedhelm Becker e Samuel Beckett. No palco (“primeiro sem palavras” e em seguida “com palavras”) estão apenas presentes a parte de trás de uma cadeira e um par de mãos com uma lâmpada, cujo aumento e diminuição gradual de intensidade luminosa, aliado à manipulação das mãos, cria o “drama”.
No segundo The Zone of Stones o texto vem de “Mal Visto Mal Dito” de Samuel Beckett, a música é “Chaconne” (BWV 1004), de J.S. Bach - Johannes Brahms, transcrição para piano, para a mão esquerda, interpretada por Paul Wittgenstein e “Winterreise”, de Franz Schubert, interpretado ao piano por Gerald Moore. Este espectáculo reflecte sobre a quase invisibilidade da velhice no teatro actual. O foco está nas mãos de uma intérprete com 80 anos.
O terceiro é no Teatro Maria Matos, às 21h30, onde Les Ateliers du Spectacle (França) apresentam Tête de Mort, uma concepção (e encenação) de Jean-Pierre Larroche e Frédéric Révérend cujos actores-manipuladores são Juliette Belliard, Mickaël Chouquet, Jean-Pierre Larroche, Justine Macadoux, enfim um espectáculo para marionetas de luva, humanos e outras formas animadas, sob o tema da dança da morte.
Morrer no teatro é uma coisa difícil! Há poucas mortes de repertório que se deixam ver ao vivo, em cena. No caso das marionetas, pelo contrário, no seu castelet, elas e toda a família de objectos inanimados matam-se uns aos outros com incrível facilidade e renascem instantaneamente. O vídeo é elucidativo :
Tête de mort - Extraits de la première partie du... por Ateliersadus
Neste 12 de Maio, há no Teatro do Bairro, às 22h, a 1ª edição do The Rhyme Book Sessions, numa iniciativa de A Seiva Bruta, para divulgar e promover projectos musicais de Rap portugueses e estrangeiros, juntando artistas e público como é típico no movimento Hiphop, estando presentes Kilu, Dj X-Acto, Beware Jack, Dj Yoke, Praso, Alcool Club, Dj Kali, Poetry Salm e Dj Yoke. Host Sindroma.
No bar Ondajazz, às 22h30 do 12 de Maio, o grupo Mingus Project (Nelson Cascais contrabaixo, Diogo Duque trompete, Ricardo Toscano saxofone alto, Victor Zamora piano e Vasco Furtado bateria) volta à sua homenagem a Charles Mingus dando ao concerto o título da sua autobiografia “Beneath the Underdog”.
Eis um trecho duma sua homenagem anterior com "Boogie Stop Shuffle" :
Às 21h deste Sábado, 12 de Maio, a banda Moonspell virá ao Campo Pequeno apresentar o seu novo álbum “Alpha Noir” recém-editado com a chancela da independente austríaca Napalm Records, que inclui um segundo CD, intitulado Omega White, composto por oito temas originais de "pura atmosfera rock gótico” (segundo o comunicado oficial), prevendo-se que no concerto divulguem ambos os discos.
No Domingo 13 de Maio, o FIMFA Lx 2012 (Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas) tem, como espectáculo novo (pois repetem-se outros Ver no site http://fimfalx.blogspot.pt/ ), o de Costanza Givone (Itália) chamado “Salomé perdeu a luz”, um trabalho sobre a dificuldade de reconhecer a própria identidade, sobre o conflito entre ser e parecer, inspirado na obra “Salomé”, de Oscar Wilde.
Tema : “Cada um podia desenhar nela o objecto do seu desejo, cada um amava, não Salomé mas o sonho que nela esculpia, e assim, Salomé transformava-se para os outros e já não sabia quem era. Convencia-se de ser uma grande mulher, cheia de poder, sem se aperceber de que era só uma boneca de barro que as pessoas a seu redor usavam e manipulavam. Até que um dia viu a sua verdadeira imagem nos olhos do único homem que não a desejava, Giovanni Battista, o profeta. Aí viu o pedaço de barro que ela era e perdeu a cabeça….”
Saboreai neste vídeo a magia de Salomè há perso il lume :
A 13 de Maio (Domingo), no MusicBox, às 22h, actuam os norte-americanos Russian Circles, a banda pós-metal que esteve em Portugal no ano passado, voltando para apresentar o seu novo CD “Empros”. Serão precedidos no palco pelos Deafheaven, agrupamento recente dos EUA de black metal, como mostra o seu “Roads to Judah”.
Também nesse Domingo, 13 de Maio, a Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) organiza o seu 1º Festival de Percussão, 12 horas contínuas de percussão desde as 10h às 22h em que participam o Grupo de Percussão da ESML, Nancy Zeltsman, Jeffery Davis, Elizabeth Davis, António Pinho Vargas, Pedro Carneiro, Abel Cardoso, Richard Buckley, Bruno Pedro e vários outros percussionistas.
O Festival decorre na ESML (rua do Ataíde, nº 7, ao Chiado) com um programa vasto (ver aqui), cujo ponto alto poderá ser a Masterclass com Nancy Zeltsman (16h às 18h30), uma das mais importantes marimbistas e pedagogas actuais.
De outro participante, Pedro Carneiro pode ouvir-se um ensaio em :
Como anunciámos atrás, o Outjazz 2012 reiniciado oferecerá aos Domingos em particular música negra, num local diferente cada mês. Em Maio será no Jardim da Estrela às 17h e neste dia 13, em particular, o conjunto actuante serão os Kolme e o Dj Vítor Silveira.
Ainda a 13 de Maio, na Basílica dos Mártires em Lisboa, às 16h, o Coro Regina Coeli de Lisboa sob a direcção de Henrique Piloto acompanhado pelo órgão tocado por Daniel Godinho entoará o Te Dem in D de Felix Mendelssohn Bartholdi (para coro, solistas e organista) e Gloria in D, RV589 de Antonio Vivaldi (para coro, solistas e organista).
Como obras de possível inclusão no concerto estão também o Pater Noster de Anton de Beer, O Nata Lux de Morten Lauridsen e Salve Regina de Francis Poulenc.
A entrada é livre.
Por último, como prometêramos, deixamo-vos com mais alguns dos premiados do World Press Photo 2012 cuja exposição, noticiada no penúltimo Pentacórdio, só permanece aberta em Lisboa na Fundação EDP até ao próximo dia 20 de Maio.
Estão neste caso os vencedores da secção Natureza quer em Singles, quer em Stories :
Jenny E. Ross (EUA) Urso polar trepa rochedo tentando Brent Stirton (África do Sul) Guerra aos rinocerontes
comer ovos das aves marinhas pelo valor do seu chifre superior ao ouro
e os vencedores da secção Desporto e da secção Arte e Entretenimento :
Donald Miralle, Jr. (EUA) Competidores de natação David Goldman (EUA) Cabo canadiano toca tambor
ultrapassam na partida um cardume grande de peixe na província de Kandahar no Afeganistão
Mesmo no final, como disséramos, revelamos os dois Grandes Prémios ex-aequo do World Press Cartoon em exposição no Museu de Arte Moderna de Sintra (que encerra a 30 de Julho). Os “bonecos” galardoados são da autoria do artista norueguês Egil Nyhus que caricaturou Dominique Strauss-Kahn e do artista cubano Aristides Hernandez que venceu a categoria de Cartoon Editorial com um desenho sem título alusivo às intervenções militares dos EUA.
E é tudo por esta semana, caros leitores !
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Na Segunda 7 de Maio prossegue o FIMFA Lx 2012 (Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas) com sessões em duas salas.
No Centro de Artes da Marioneta (CAMa), das 20h às 21h30 e das 22h30 às 24h, o alemão Bruno Pilz apresenta “Lacrimosa” com encenação e manipulação sua, marionetas de Lillian Matzke e cenografia de Marjetka Kürner.
Tema: Dois espectadores observam um homem que vê televisão. “Lacrimosa” é um teatro de marionetas denso, inspirado na ideia de podermos rever a nossa vida depois da morte, como se fosse um filme. Tocante e perturbante… e mais não podemos dizer mais, para não estragar a experiência inédita que cada espectador vive…
Fica o vídeo :
Na Galeria Boavista, às 21h e 22h30, a Tarumba – Teatro de Marionetas volta a exibir Mironescópio A Máquina do Amor, com direcção artística e construção de Luís Vieira e Rute Ribeiro, sendo actores-manipuladores Carlos Alberto Oliveira, Catarina Côdea, Luís Hipólito, Luís Vieira, Miriam Faria, Raquel Monteiro e Rute Ribeiro.
É um espectáculo de pequenas formas inspirado nos antigos Peep Shows e nas primeiras experiências cinematográficas realizadas no século XIX, com a utilização de aparelhos como o Cinetoscópio e o Mutoscópio. Ali, anuncia-se “ Os grandes especialistas da arte erótica, Dr. Erotikone, Madame Gigi e Madame Mimi, entre outros convidados, trazem consigo os seus valiosos Mironescópios. Aqui não existem barreiras, o amor é livre! Venha descobrir o que aconteceu realmente no Paraíso… entre muitas outras surpresas nunca antes vistas. Vários Mironescópios estarão à sua espera, no interior de cada um decorrem efeitos visuais, imagens em movimento, sombras… que irão criar emoções nunca antes sentidas”.
Nesse 7 de Maio (Segunda), às 21h30, a Companhia de Teatro A Barraca encena no velho Cinearte mais um dos Encontros Imaginários.
Esta semana vamos ter Garcia de Orta, médico português judeu, cientista estrela do nosso glorioso século XVI, cuja obra sobre Botânica, Medicina e Antropologia ainda hoje é citada, e que encontra Henry Ford, o inventor do automóvel popular, democrata, anti-racista, pacifista que lutou contra os belicistas da I Guerra Mundial, o símbolo do capitalismo produtivo e de inserção social (distinto do capitalismo especulativo assente no roubo, na falência e na criação da miséria a nível mundial). Para debater estas e outras questões convidámos Marat, o médico, publicista e teórico da Revolução Francesa que teve a “sorte” de ter sido assassinado pela reaccionária Charlotte Corday, em vez de ter sido executado por antigos camaradas …
Representam-nos José Boavida (Garcia de Orta), Sérgio Moras (Marat) e Adérito Lopes (Henry Ford).
Na Terça-feira 8 de Maio, no Institut Français de Portugal há, às 19h, novo Debate (em francês) sobre “Être citoyen aujourd’hui? Contextes nationaux et dimension européenne” com Patrice Canivez, professor de filosofia moral e política na Université Charles de Gaulle (Lille 3).
Temas decisivos como “Como se forma o julgamento de um cidadão?”, “Como fazê-lo participar mais activamente nos debates públicos?”, “Que cidadania? Como conceber a cidadania europeia na sua relação com as pertenças nacionais?” e “Que educação do cidadão, hoje, nas nossas democracias ?” serão aí debatidos com o público (a entrada é livre).
Na mesma Terça 8 de Maio, das 18 às 20h, no Museu do Oriente, em auditório do piso 4, no Ciclo Diálogos e Expectativas, os conferencistas Alexandre Castro Caldas e Alexandre Quintanilha debaterão o tema Neuropotenciação. (entrada livre, sujeita a inscrição)
Discutir hoje neuropotenciação é discutir educação das crianças e desenvolvimento do cérebro mas é também discutir a influência de factores externos como os fármacos no desejo de melhorar os desempenhos (não esquecendo as limitações por doença).
Neuropotenciação é ainda a utilização de interfaces máquina/humano tendo em conta a evolução desde que pela primeira vez os primatas pegaram num instrumento para atingir um objectivo aumentando, assim, as competências humanas. Hoje propõe-se a integração do instrumento no mecanismo básico que suporta a função, numa simbiose mais permanente.
Neuropotenciação é, além disto, a manipulação genética que vai crescendo nos laboratórios, um pouco por todo o mundo ... Finalmente, neuropotenciação é um problema bioético que justifica ampla reflexão.
Também a 8 de Maio (Terça), o Instituto Cervantes exibe, às 18h30, no seu ciclo “Los limites de la frontera” o filme de Irene Cardona Bacas intitulado Un novio para Yasmina, 2008 com Sanaa Alaoui, Oscar Alonso e María Luisa Borruel.
Comédia sobre a inserção dos imigrantes, versa sobre : “Yasmina é uma jovem marroquina culta e atraente que veio a Espanha com a intenção de continuar os seus estudos universitários. Vive numa vila da Estremadura com o seu irmão Abdel e outros marroquinos que trabalham na agricultura. Yasmina não se integra, e o único local a que se adapta é uma associação de acolhimento para imigrantes. Yasmina vive um apaixonado e atípico noivado com Javi, um jovem polícia municipal … e há ainda o casamento comprado em troca da nacionalidade“.
Retrata-o o filme-anúncio :
Por fim, abre a 8 de Maio na Livraria do Teatro Nacional Dª Maria II uma exposição das marionetas de espectáculos da companhia A Tarumba, que completou este ano dezanove anos de actividade. Permanece até 20 de Maio.
Na Quarta 9 de Maio, tem lugar no auditório do Institut Français de Portugal, às 19h, novo Concerto Antena 2, com um recital de viola e piano em que intervêm Emmanuel Raynaud viola (Prémio Gampel de música contemporânea) e Michele Innocenti piano (premiado em diversos concursos internacionais de piano em Paris, Stresa e Bardolino e gravando para a Tactus), ambos professores respectivamente no Conservatório do 16º arrondissement de Paris e nos Conservatórios de Florença, Lucca, Modena e Bari.
O programa do concerto inclui : de Johannes Brahms Sonate Op. 120 n° 1, de Georges Onslow Sonate em dó menor Op.16 n°2, de Joseph Jongen Allegro appassionato e de Paul Hindemith Sonate Op.11 n°4.
Ambos os instrumentistas integraram diversos agrupamentos como este com Jean Mouillere e Guillaume Effler, de onde retirámos o registo do Allegro non troppo do Quatuor para Piano nº 2 em Lá maior, op. 26 de Johannes Brahms :
Também a 9 de Maio (Quarta), na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30, por iniciativa do Instituto Cultural Romeno, toca o Trio Brancusi composto pela violinista de origem arménia Satenik Khourdoian (vencedora de concursos internacionais como o Révélation Classique de l’Adami 2009 e o Concours Long Thibaud), pela violoncelista romena Laura Buruiana (1º prémio do Concurso Young Concert Artists 2003 de New York) e pela pianista romena Mara Dobresco que irá interpretar obras de Johannes Brahms, Claude Debussy e George Enescu.
Podemos ouvi-las aqui numa das possíveis obras do concerto, um Trio em Sol menor de G. Enescu, tocado na Salle Collone em Paris em Fevereiro de 2012 :
Igualmente na Quarta 9 de Maio, na galeria Zé dos Bois (ZDB), às 22h, actua Lil B ou “The Based God”, como gosta de se auto-apelidar, um rapper que “ quebra paradigmas e inverte regras numa realidade (o rap) que tem Jay-Z e Kanye West como patrões máximos. Longe da consensualidade, até no seio do hip hop, … aborda todo o manancial de referências do gangsta rap … com a mesma naturalidade com que se envolve numa consciência pessoal de contornos new age. É pois uma figura de complexa definição, quase de existência paradoxal. .. Uma peça essencial no rap contemporâneo? Sem dúvida. Aliás, tão essencial quanto desconhecido”.
Nessa Quarta 9 de Maio, tem início no cinema São Jorge, o FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa que se prolongará até 16 de Maio e cujo objectivo central é “fomentar a interculturalidade, a inclusão social e o intercâmbio cultural nos países de língua portuguesa, através da realização de Festival de Cinema comprometido com a premiação de práticas de respeito às diferenças e de cultura da paz entre os povos”.
Haverá, nomeadamente como actividade central, uma retrospectiva do realizador argentino Hector Babenco e uma homenagem ao cinema brasileiro cujo pormenor (as exibições são várias por dia) pode ser consultado neste local :
Entretanto, também a 9 de Maio no Teatro Tivoli, às 21h30, para assinalar o Dia da Europa o agrupamento Capella Tagus toca a 9º Sinfonia de Ludwig van Beethoven.
Por último no Pequeno Auditório da Culturgest, às 18h30 da Quarta, 9 de Maio, tem início um ciclo de três conferências sobre “Os sons que estão a mudar a imagem do mundo - Música, cinema e novos media” centradas nas questões : O que se está a passar de novo nos sons e nas imagens do mundo? Qual o papel do cinema e dos novos media nessas mudanças? Que importância estão a ter essas transformações nos nossos sentidos?
Vibrations d’une tige élastique de bois, Étienne-Jules Marey (1894)
Este ciclo de conferências pretende abrir caminhos para a compreensão das mudanças a que temos assistido neste início do século XXI, e que passam por uma nova relação com a música, os sons e as imagens em movimento. Saberemos ouvir as “bandas sonoras” das culturas subalternas ou marginais? E como pensar os novos ambientes sonoros e modos de vida que uma produção acelerada de novos dispositivos interactivos e virtuais está a criar?
A primeira palestra “The Three Architectures of Film Music” será proferida por Mark Slobin, Professor of Music da Wesleyan University (EUA), autor de vários livros sobre o Afeganistão e a Ásia Central, a música judaica do leste europeu, na Europa e nos EUA, a teoria da etnomusicologia e a música de cinema.
Na Quinta 10 de Maio, às 21h no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, o maestro Kirill Petrenko volta a dirigir a Orquestra Gulbenkian no ciclo Wagner + com um segundo espectáculo Siegfried II em que se pretende evocar o melhor desta obra de Wagner, ele a quem caberá reger o ciclo O Anel do Nibelungo em Bayreuth em 2013. Coadjuvam-no desta vez a soprano austríaca Anna Katharina Behnke como Brünnhilde e de novo o tenor Scott MacAllister como Siegfried. O concerto é repetido na Sexta 11 às 19h.
O programa contém de Richard Wagner Idílio de Siegfried, de Piotr Ilitch Tchaikovsky Romeu e Julieta: Abertura-fantasia e de Richard Wagner Cena final do 3º acto da ópera “Siegfried”.
O Idílio de Siegfried (essa peça “privada”que Wagner dedicou a Cosima mas que a necessidade “obrigou” a divulgar…) pode ser aqui ouvido não por Petrenko mas por Sir Georg Solti com a Filarmónica de Viena :
Nesta Quinta 10 de Maio a Orquestra Metropolitana distribui generosamente os seus solistas para múltiplos concertos públicos de acesso livre. Lembraremos alguns :
Nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, num Concerto à hora de almoço, às 13h, David Santos trompete, Dinarte Abreu trompete, Edgar Barbosa trompa, Pedro Santos trombone e Henrique Costa tuba tocarão de Leonard Bernstein Suite West Side Story (arr. de Marco Pierobon), de Joseph Horovitz Music Hall Suite, para quinteto de metais e de Richard Roblee American Images.
Outros Jovens Solistas da Metropolitana interpretarão na Sociedade Portuguesa de Autores às 18h30 obras de Franz Schubert (Quinteto com Piano em Lá maior, Op. 114,Truta) e de Sergei Rachmaninov (Trio com Piano n.º 1 em Ré menor, Op. 32), que repetirão no Palácio Nacional da Ajuda às 16h do Sábado 12 de Maio.
Ainda outros Jovens Solistas da Metropolitana interpretarão no Centro Comercial El Corte Inglês, às 19h obras de Joly Braga Santos (Quarteto de Cordas n.º 2, Op. 27) e de Ludwig van Beethoven (Quarteto de Cordas em Si bemol maior, Op. 18/6), que tocarão de novo no Museu Nacional de Arte Antiga às 16h do Sábado 12 de Maio.
E ainda outros Jovens Solistas da Metropolitana tocarão na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, às 19h, obras de Beethoven, Hindemith e Moton Gould.
Por fim, num Concerto Antena 2, na Sede da Metropolitana, às 19h, Francisco Barbosa flauta, Sérgio Coelho clarinete e Tatiana Martins fagote interpretarão de Ludwig van Beethoven Trio em Dó maior, Op. 87 (original para dois oboés e corne inglês), de Antoni Szałowski Trio (original para oboé, clarinete e fagote) e de César Guerra-Peixe Trio n.º 1 para Flauta, Clarinete e Fagote.
Na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II, estreia (vinda do Teatro Experimental de Cascais), às 21h desta Quinta 10 de Maio, a peça “O Comboio da Madrugada” de Tennessee Williams (em tradução de António Barahona) com encenação de Carlos Avilez e dramaturgia de Miguel Graça, interpretada por Eunice Muñoz, Lia Gama, Carlos Reiriz, Henrique Carvalho, Lídia Muñoz, Pedro Caeiro, Renato Pino, Ricardo Alas, Rita Cabaço e Sérgio Silva.
Sinopse : Duas personagens centrais, Flora Goforth, uma antiga artista de variedades, milionária e decadente, e o jovem poeta Chris Flanders, apelidado “Anjo da Morte”, que tem por hábito visitar velhas senhoras nos últimos momentos das suas vidas. Numa fase caracterizada pela enorme solidão de Flora, nada mais lhe importa que a derradeira vontade de ser desejada. Afogada em tristeza e doente, faz pouco mais do que escrever as suas memórias. Até um dia, quando conhece Chris Flanders, e volta a acreditar …
Foi esta a realização em Cascais com Eunice Muñoz contracenando com Pedro Caeiro :
Também nesse dia 10 de Maio estreia às 22h no Teatro da Trindade o “clássico” de Anton Tchekov “Vânia” com dramaturgia e encenação de Isabel Medina e interpretação de Elisa Lisboa, João Lagarto, José Wallenstein, Lucinda Loureiro, Pedro Lima, São José Correia, Teresa Tavares e Wagner Borges, numa produção da “Escola de Mulheres”.
Segundo a encenadora : “Pretende-se, ao revisitar a história de um homem perdido num tempo e num espaço que já não reconhece e que não consegue mudar, reflectir sobre a sociedade e o Homem no séc. XXI, em que a desertificação deixou de ser o problema de alguns para passar a ser a ameaça ao nosso futuro, em que já não é possível dizer “daqui a cem anos”, porque as perspectivas de futuro são aterrorizadoras. Também o papel da mulher será um dos pontos fundamentais do espectáculo. Em pleno século XXI, o mundo continua dividido entre “Helenas” e “Sónias”, entre as que se roçam lânguidas pelas paredes em festas sociais, sem objectivos nem ambições para além de serem objectos de desejo do homem ou da própria sociedade consumista, e as que deitam mão ao trabalho, tentando impor-se por aquilo que valem”.
Estreia também a 10 de Maio no Teatro Taborda, às 21h30, mais uma criação da peça de William Shakespeare “Hamlet” em encenação de Carlos J. Pessoa, com interpretação de Ana Palma, André Almas, Emanuel Arada, Joana Liberal, José Neto, Maria João Vicente, Miguel Mendes, Nuno Nolasco e Nuno Pinheiro.
Nessa Quinta 10 de Maio, às 18h30 no seu Pequeno Auditório, a Culturgest dá início a um ciclo de quatro conferências sob o título “Alterações climáticas : a crise que não sabemos pensar” em que orador será o Prof. Viriato Soromenho-Marques, antigo presidente da Quercus ANCN, membro do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e do High Level on Energy and Climate Change do Presidente da Comissão Europeia e ainda coordenador científico do Programa Gulbenkian Ambiente.
Antecipa o conferencista : “As ameaças que as alterações climáticas acarretam para o futuro da existência de uma civilização humana, complexa e pujante, neste planeta são de tal modo graves que será absolutamente adequado considerar que elas se tornaram numa preocupação transversal ao espectro dos saberes, entrando também nos canais do imaginário cultural e na iconografia dos medos e pânicos escatológicos das sociedades contemporâneas.
Em cada uma das conferências deste ciclo tentaremos abordar, sem perder de vista a unidade do conjunto, mais desenvolvidamente as quatro facetas que nos parecem mais relevantes em torno dos temas da mudança climática: 1. a sua dimensão científica, génese de consensos, mas também de disputas; 2. a sua projeção política e económica; 3. o seu impacto nas nossas categorias éticas e modos de agir moral; 4. os seus reflexos na porosa meditação de uma finitude histórica, que se alarga do indivíduo singular e frágil ao próprio género humano no seu conjunto”.
Por seu turno o Institut Français de Portugal, no seu Bar das Ciências de 10 de Maio, às 19h, aborda o tema “ O Estuário do Tejo : a Natureza às portas da Cidade ?” com diversos intervenientes presentes, a saber :
De Estocolmo a Lisboa, Bastien Dessolas e David Malardel têm explorado, a bordo de um Kayak, as particularidades das cidades fluviais; tais expedições H2omme têm por objectivo redescobrir a terra pela água sob uma perspectiva artística, ecológica e patrimonial. Como é que a cidade liga as costas às margens ? Como é que a natureza co-habita com as planificações do Homem ?
Este Bar das Ciências propõe-nos descobrir o estuário do Tejo e conta com a presença do cientista português Henrique Queiroga, professor na Universidade de Aveiro. Corresponderá também à abertura da exposição "Tage ? Expédition 1.0".
Às 18h deste 10 de Maio, no Museu da Electricidade, tem lugar o 3º encontro-debate que a revista “Visão” promove e que designou “Conversas às Quintas”. Serão interventores José Gil e Gonçalo M. Tavares, ambos cronistas daquela revista. A participação do público requer uma inscrição prévia no respectivo site.
Entretanto às 23h desta Quinta 10 de Maio, o Hot Club “dá” (com entrada gratuita para sócios) a ouvir o agrupamento constituído por Erika Angell (voz, órgão), Josef Kallerdalh (contrabaixo, baixo e voz), Emil Strandberg (trompete), Ida Freij (trompa) e Per-Åke Holmlander (tuba).
O duo inicial Angell/Kallerdalh existe há mais de dez anos e já editou diversos CDs, o último dos quais Floods em Março de 2011. Fazem-se aqui acompanhar por um trio de sopros.
É este o seu som em Roller Coaster :
Por último no Ondajazz em 10 de Maio, às 22h30, o músico João Vitorino divulga o seu projecto instrumental Viagem para cuja apresentação conta com a colaboração dos músicos José Canha no contrabaixo, Valter Rolo no piano e Vicky Marques na bateria.
Como remate do dia abre a 10 de Maio (encerrando a 13) o Festival Internacional Máscara Ibérica que inclui uma mostra de artesanato e produtos regionais, promoção turístico-cultural, concertos, música e danças tradicionais, actividades para os mais novos e diversa animação de rua.
O VII Grande Desfile Máscara Ibérica será o momento alto do Festival, marcado para sábado, dia 12, pelas 16.30 horas, com início na Praça do Município e fim no Rossio. A tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem, reúne este ano 24 grupos oriundos do Norte e Centro de Portugal, Galiza, León, Zamora, Cáceres, Astúrias, País Basco e Salamanca.
A componente musical continua a ser um elemento dominante. A abrir os MU (Porto) na Sexta-feira, dia 11, às 19h, seguidos pelos Skama la Rede (Astúrias), às 22h. No Sábado, os Nação Vira Lata (Lisboa), às 22h, e no Domingo os Rakia (Porto), às 16h. A fechar o cartaz, Asturiana Mining Company (vencedores do prémio “melhor cantar em língua asturiana 2012”), às 18h.
A animação de rua é assegurada por Tradballs, Escola de Ritmos Dumdumba, Vaidecaja, La Bandina e los Sidros de Valdesoto (Astúrias), Altsasuko Inauteria (País Basco) e Folión de Viana do Bolo (Galiza).
por Rui Oliveira
Na Segunda-feira, 7 de Maio, deixaremos à escolha, conforme os gostos, entre iniciativas musicais e uma rememoração fílmica.
Os amadores da 7ª Arte (o Cinema, assim classificado no Manifesto de Ricciotto Canudo, 1912) poderão rever, no Ciclo Claude Chabrol, na sala do Institut Français de Portugal, às 19h com entrada livre, “La fille coupée en deux “(A rapariga cortada em dois) (França, Alemanha, 2006) com Ludivine Sagnier (Gabrielle), Benoît Magimel (Paul) e François Berléand (Charles), nos papéis principais, além de Caroline Sihol, Mathilda May, Marie Bunel, Valéria Cavalli, Etienne Chicot, Thomas Chabrol, Jean-Marie Winling, Didier Bénureau e Édouard Baer.
Sinopse: Gabrielle Deneige é a jovem apresentadora do boletim meteorológico de um canal de televisão. Gabrielle vive com a mãe, que trabalha na livraria onde a jovem acaba por conhecer o famoso escritor Charles Saint-Denis. Iniciam uma relação, apesar de Charles ser casado. Quando este desaparece, Gabrielle acaba por casar com o rico playboy Paul Gaudens, a quem conta o seu passado...
Deste filme, presente em Cannes e Toronto, dito “ (d)enso, grave, comovente: um dos mais belos filmes de Chabrol ...(c)ineasta por vezes cortado em dois, entre seriedade e farsa, tragédia e grotesco, aqui ele consegue perfeitamente equilibrar as suas duas tendências (Serge Kaganski)” , mostramo-vos la bande-annonce :
Quanto aos entusiastas da 4ª Arte (a Música, como tal considerada na Estética de Hegel) têm por seu lado a oferta do Palácio Foz que, na sua Sala dos Espelhos, apresenta ao longo deste 7 de Maio dois recitais.
Um, às 18h, por iniciativa da Missão do Brasil junto da CPLP, será um Recital de flauta transversal e viola caipira onde intervirão João Silveira, flauta transversal e Ivan Vilela Pinto, viola caipira interpretando trechos de compositores tradicionais brasileiros.
Antecipando o som que se ouvirá, eis executantes consagrados da viola caipira Daniel Viola e José Henrique :
Outro, às 19h30, para contraste, será um Recital de Canto, Violoncelo e Piano designado “O Som Português” para que foram convidadas a actuar Margarida Marecos, soprano, Clélia Vital, violoncelo e Isa Antunes, piano com um programa a anunciar em breve.
Na Terça-feira, 8 de Maio, voltemo-nos para a 2ª arte, a Pintura, do Manifesto referido atrás (e terceira para Hegel, embora curiosamente sem musa atribuida na Antiguidade Clássica …) e visitemos exposições cujo encerramento se avizinha (!).
No Espaço Múltiplo Carpe Diem Arte e Pesquisa encontram-se até 12 de Maio expostos trabalhos de arte contemporânea de Pedro Calapez, Jeanine Cohen, Joana Bastos, José Carlos Teixeira, Márcio Vilela e Ricardo Jacinto.
Destacaríamos à cabeça o projecto “Gymnasium (diário íntimo)” de Pedro Calapez. O artista descreve-o deste modo : “Imaginei uma larga sala. Nela, os desenhos, que não me saíam da cabeça e se encontraram depois nas minhas mãos, descobrem o seu lugar: uns contra os outros, uns ao lado dos outros. Aí ocupam o espaço, revelando o refazer diário de pequenas histórias. Estes desenhos fazem assim surgir o local do exercício, o lugar dos movimentos e gestos, o estruturar do pensamento. O gymnasium, na antiga Grécia, existia para a prática dos jogos públicos mas também um lugar de produtiva convivência social…”
Ainda no campo essencialmente pictórico (já que os outros tem componentes de audio e video como elementos centrais da criação), chamaríamos a atenção para a instalação “Owners left!” de Jeanine Cohen (Bélgica), trabalho que consiste, sobretudo, em pinturas site-specific sobre paredes, estruturadas pela geometria, onde a artista joga com a abstracção e a superfície (neste caso o diálogo é com as salas do Palácio Pombal) que definem as soluções estéticas do seu trabalho, aqui utilizando materiais simples como madeira, fitas adesivas e cores que operam com a geometria dos espaços.
Bom apreço da crítica têm também tido a exposição na Galeria Cristina Guerra do artista angolano Yonamine chamada “Só China”, aberta até 9 de Maio. Diz C.M. (Actual 21/4/12) “o que torna este trabalho interessante é o modo como as diferentes escalas da realidade se articulam nele – o público e o privado, o individual e o global, o íntimo e o colectivo – e como deixa claro que as próprias diferenças e distâncias culturais e geográficas são noções em estado de solvência na corrente de informação desierarquizada que nos liga ao mundo .. .”
E por último relevaríamos a exposição de Tiago Baptista na Galeria 3 + 1 que denominou “O que fazer com isto” e que encerrará a 19 de Maio. Diz outro crítico J.L.P. (Actual 21/4/12) que “Tiago Baptista pinta as imagens e a sua destruição, numa cena que tem tanto de iniciática como de inquietante. E a mesma inquietação lá está em todas as outras pinturas, onde a clareza do desenho das figuras se alia à opressão do chão, de barro ou de lama, … e é o sentido possível desse caminho, entre o barro e o barro, que (T.B.) procura a partir da caverna que a sua pintura alegoricamente é.”
Na Quarta-feira, 9 de Maio, aproveitemos para salientar alguns dos espectáculos notáveis da 12ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas - FIMFA Lx 2012 que está a decorrer desde 4 a 20 de Maio não só em Lisboa, como dissémos no Pentacórdio anterior.
Aqui destacaríamos na Sala de Ensaio do Centro Cultural de Belém, às 11h, a peça “Smart as a Donkey - Esperto como um burro” da companhia de teatro holandesa TAMTAM Objektentheater, onde a ideia, história e actores-manipuladores são de Gérard Schiphorst (também autor da cenografia, vídeo e música) e Marije van der Sande.
Sendo a terceira colaboração da companhia com o escritor, poeta e pintor Wim Hofman, é um espectáculo sem palavras em que o teatro de objectos revela a história comovente de uma personagem muito especial, um burro que procura instruções para a vida. Quando fazemos alguma coisa mal feita ou nos enganamos, há sempre alguém que nos diz: “és estúpido como um burro!” Mas os burros não são estúpidos, apenas têm de descobrir como as coisas funcionam… porque crescer não é fácil…
O vídeo narra bem o curso da sua descoberta :
Outro espectáculo dessa Quarta 9 de Maio decorre no Museu da Marioneta (Convento das Bernardas - Rua da Esperança, n° 146), ás 21h30, onde a artista, também cantora e performer israelita Yael Rasooly exibe “Paper Cut” com interpretação sua, de textos seus com Lior Leman, a quem coube a cenografia com Yaara Nirel.
Inspirado no cinema americano e nas estrelas de Hollywood dos anos 40, este espectáculo a solo de Yael revela a obsessão e os perigos das fantasias românticas. A linguagem do cinema a preto e branco é transformada no universo “low-tech” do papel recortado e do teatro de objectos, criando uma tensão surreal, cheia de humor e suspense.
História: Uma secretária solitária fica só no escritório e tenta escapar ao seu aborrecido dia-a-dia, trazendo à vida fotografias a preto e branco de velhas revistas de cinema. Perde-se no mundo dos sonhos, onde é uma glamorosa estrela de cinema que ficará com o seu amor verdadeiro no final do filme … mas o seu conto de fadas romântico transforma-se num pesadelo hitchcockiano ! Como explicita o vídeo :
Na Quinta-feira, 10 de Maio, o destino mais interessante julgamos ser o CCB pela variedade da sua oferta. Não só se prolongam (até Domingo) as proezas das marionetas do TamTam (ver acima), como nos dois auditórios há “manjar” para gostos muito diversos.
No Pequeno Auditório (Sala Eduardo Prado Coelho), às 21h, a jovem pianista de origem russa Anna Vinnitskaya apresenta-se pela primeira vez em Portugal. Vencedora do Concurso Internacional Reine Elisabeth em 2007, entre outros, e colaboradora de diversos maestros com destaque para Vladimir Fedoseyev, Emmanuel Krivine, Kyrill Petrenko, Gilbert Varga, Dimitri Jurowski, Paul Goodwin e Pietari Inkinen, vem descrita como “ impressionante pelo vigor e facilidade técnica com que aborda obras imponentes do repertório”.
Apresenta-se com um programa de que constam :
Maurice Ravel Sonatine para piano, em Fá sustenido menor, Sergei Prokofiev Sonata para piano n.º 2, em Ré menor, op. 14, Alexander Scriabin Prelúdios, op. 16 e Sonata para piano n.º 2, em Sol sustenido menor, op. 19, “Fantaisie” e Maurice Ravel Gaspard de la nuit (Ondine, Le gibet, Scarbo).
É numa destas últimas peças Ondine de Maurice Ravel que a podemos ouvir em :
Os menos amadores da música dita “clássica”, optando mais pela world music tem ao lado, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, uma sua insigne representante, a cantora peruana Susana Baca que vem apresentar “Afrodiaspora”, o seu mais recente álbum.
Nele a ex-ministra da Cultura do Peru e actual presidente da Comissão de Cultura dos Estados Americanos olha para a influência de outras músicas e outros mundos na música peruana, desde as cumbias colombianas, os tangos argentinos, ao bolero e à valsa mexicana ; presta também homenagem a ícones já desaparecidos da world music (como a mexicana Amparo Ochoa ou a cubana Celia Cruz) e demonstra, mais uma vez, a sua atenção à poesia lírica, rodeando-se de compositores notáveis e incontornáveis como Javier Ruibal de Cádiz, Iván Benavides, Javier Lazo e Victor Merino.
Actuará acompanhada de Ernesto Hermoza guitarras, charango, Oscar Huaranga contrabaixo, Hugo Bravo percussão e Maria Elena Pacheco violino, entoando canções como esta Maria Landó :
Na Sexta-feira, 11 de Maio, far-se-á alguma história musical no jazz em Portugal quando no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, for gravado ao vivo este concerto “Aurora” que reunirá Sara Serpa e Ran Blake.
Ran Blake, uma personalidade singular e sonoridade única, combinando elementos dos grandes compositores da história do jazz, da tradição dos blues e do gospel e de temas dos clássicos Film Noir, tem um legado musical que inclui mais de 30 discos gravados, dos quais se destacam colaborações com artistas como Jeanne Lee, Anthony Braxton, Jaki Byard, Steve Lacy, Houston Person, Enrico Rava, Clifford Jordan, Ricky Ford.
A vocalista e compositora Sara Serpa é “a voz mágica” de acordo com o pianista Ran Blake, que tem uma longa experiência a trabalhar com vocalistas. A sua voz sem vibrato e artifícios tem sido descrita como “límpida como cristal” e a sua capacidade para cantar melodias vocais complexas, em pé de igualdade com instrumentalistas, destaca-a como uma das cantoras mais criativas dos últimos anos, elogiada mesmo pela “All About Jazz” como “a cantora mais inovadora do momento”, com actuações no prestigiado Village Vanguard.
Do álbum “Camera Obscura” que ambos gravaram e em que reinterpretam standards do cancioneiro americano retira-se este vídeo que fará antever a qualidade do concerto :
No Sábado, 12 de Maio, algum repouso nostálgico deverá levar muitos a deslocarem-se ao Coliseu dos Recreios, às 21h30, onde “Maria Bethânia interpreta Chico Buarque”.
Desconhecem-se os pormenores do concerto mas, como diz Vanessa da Matta “é o encontro do dono da canção com a dona da voz” e, tendo em conta a forma muito própria como Bethânia se apropriou de canções de Vinicius de Moraes, Roberto Carlos, Caetano Veloso e do próprio Buarque, são esperadas abordagens porventura surpreendentes.
Assim cantava em Lisboa Maria Bethânia Olhos nos Olhos, canção que Chico Buarque compôs para ela em 1976 :
Como essa dádiva foi feita, contam-no Bethânia e Chico aqui.
No Domingo, 13 de Maio, hesitamos sobre o alvitre a dar e deixaremos pois a escolha aos leitores que terão na Gulbenkian um concerto clássico, mas no CCB uma homenagem singular ao barroco português.
No Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, a Deutsche Kammerphilharmonie de Bremen dirigida pelo maestro Trevor Pinnock tocará um programa que foi entretanto alterado dada a ausência da pianista Maria João Pires. Em sua substituição comparecerá a jovem pianista georgiana Khatia Buniatishvili que traz como repertório o Concerto para Piano e Orquestra nº 1 de Ludwig van Beethoven.
A Orquestra executará de Franz Schubert a Sinfonia nº 5, em Si bemol Maior, D. 485 mas desconhece-se se duas outras peças do programa original (Carl Philipp Emanuel Bach Sinfonia nº 4, em Sol maior, Wq 183/4 e Joseph Haydn Abertura da ópera Armida, em Si maior, Hob.XXVIII:12) se mantêm.
Para tomar conhecimento com a nóvel intérprete, eis como Khatia Buniatishvili executa um tema de Chopin :
Entretanto no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 17h, o espectáculo A Pedra Irregular e o nascimento do Barroco em Portugal permite ao ensemble associado do CCB Sete Lágrimas com voz e direcção artística de Filipe Faria e Sérgio Peixoto concluir o seu projecto Tríptico da Terra com este terceiro concerto.
Diz o programa que, se como conceito o termo “barroco” pretende opor certas qualidades – o primado da cor, da profundidade, da claridade relativa – às qualidades do Renascimento, o facto é que a palavra “barroco” na sua origem portuguesa serviu primeiro somente para referir pedras toscas e irregulares. Neste concerto, uma das principais vozes especializadas no repertório barroco, a soprano argentina de oridem dinamarquesa Maria Cristina Kiehr, interpreta um programa composto exclusivamente por compositores portugueses :
Francisco António de Almeida (1702-1755?)
O quam suavis
Carlos Seixas (1704-1742)
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 75/A. 20.2
Francisco António de Almeida
Si quæris miracula (Responsorio a 4 concertato per la Festa de St.º Antonio)
Carlos Seixas
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 76/A. 20.3
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 76/A. 20.3 (adapt. Sete Lágrimas)
Francisco António de Almeida
Justus ut palma florebit (Motetto a 4 concertato in commune unius martyres)
António Teixeira
Sacram beati Vicentii (Responsorium I in festo S. Vicentii)
Francisco António de Almeida
Lamentatio prima in Sabbato Sancto a 4 concertata
Carlos Seixas
Sonata para órgão, em Sol maior, K. 48/A. 15.1
Sicut cedrus exaltata sum (Responsorium II in festo assumptionis B.M.V.)
Sonata para órgão, em Lá menor, K. XXI/A. 20.6
António Teixeira (1707-1774)
Tanta grassabatur crudelitas (Responsorium II in festo S. Vicentii)
Carlos Seixas
Hodie nobis cælorum Rex (Responsório a 5 para o Natal)
Eis o som do Ensemble Sete Lágrimas :
No Domingo, 6 de Maio, voltamos ao “templo”, ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, para escutar o jóvem pianista francês David Kadouch (prémio “Revelação 2010” segundo a associação francesa Victoires de la Musique Classique) na sua 1ª apresentação na FCG como solista. Dizem deste aluno de Dmitri Bashkirov que “aprecia as obras pouco tocadas, que é genuíno nas suas escolhas musicais e que possui o dom da delicadeza, raro nos jovens virtuosos deste tempo”. Eis o que escolheu tocar :
Joseph Haydn Variações em Fá menor, Hob.XVII:6
Franz Liszt Coro das tecelãs da ópera O Navio Fantasma de Wagner
Nikolaï Medtner Sonata em Lá menor, op. 38 nº 1, Réminiscence
Fryderyk Chopin Prelúdios, op. 28
Foi esta execução do Rondo Capriccio, op.129 de Ludwig van Beethoven que lhe conferiu o tal prémio “Revelação”:
No Sábado, 5 de Maio, sugerimos a deslocação ao Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, para assistir à Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de Pedro Neves com a colaboração de Pedro Saglimbeni Muñoz na viola, cumprir um programa de que constam:
Gioachino Rossini Tancredi (Abertura)
Franz Anton Hoffmeister Concerto em Ré Maior para viola e orquestra
Ludwig van Beethoven Sinfonia n.º 4, em Si bemol Maior, op. 60
Sendo a segunda peça menos conhecida (e não registada por nenhum dos intervenientes), mostramos-lhe o 1º andamento Allegro do Concerto de Hoffmeister tocado pela Eastman Graduate Chamber Orchestra (dir. Jonathan Girard) tendo como solista Samuel Pang viola:
Na Sexta, 4 de Maio, o desafio (calculado) será de ir ao Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, ouvir Frankie Chavez, considerado um talento promissor da nova música portuguesa e mesmo a mais recente revelação blues do Sul da Europa.
A sua música conjuga diferentes tipos de sonoridades resultando num Blues/Folk onde se identificam diferentes influências musicais (Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kelly Joe Phelps, Ry Cooder), mas uma das características unicas da sua sonoridade resulta de ter, de certo modo, reinventado a abordagem da guitarra portuguesa … isto apesar de também abordar instrumentos tão tipicos do blues como o lap slide guitar.
Editou em Janeiro de 2011 o seu 1º CD “Family Tree” de que reproduzimos a canção Another Day (quem queira vê-lo actuar, antes de ir ao CCB, pode ouvir I Don’t Belong do seu EP de 2010 clicando aqui ):
Na Quinta-feira, 3 de Maio, é de novo a Fundação Calouste Gulbenkian a concentrar o interesse musical pois no seu Grande Auditório, às 21h, o ainda novo maestro russo Kirill Petrenko vem dirigir a Orquestra Gulbenkian num concerto do ciclo Wagner +. O concerto é repetido, como usualmente, no dia seguinte (4 de Maio) às 19h.
O dirigente, vindo da Komische Oper (Berlim) e da Metropolitan Opera (Nova Iorque) com percurso por todos os teatros importantes do Covent Garden às Óperas de Viena, Dresden, Frankfuhrt, Munique, Paris, Lyon, conduzirá a execução do 1º Actoda ópera Siegfried de Richard Wagner, para o que terá a colaboração de Scott MacAllister, tenor como Siegfried, de Wolfgang Koch, baixo-barítono como Viandante e de Peter Galliard, tenor como Mime.
Será algo melodicamente parecido com este trecho operaticamente representado no Met com Siegfried Jerusalem como Siegfried e Heinz Zednik como Mime em 1990:
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
Pedro Godinho
Pedro de Pezarat Correia
Raúl Iturra
Roberto Vecchi
Rui de Oliveira
Rui Rosado Vieira
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