por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta 18 de Maio, no Auditório do Museu do Oriente, às 21h30, o cantautor e pianista goês/moçambicano Gonzaga Coutinho apresenta o seu último trabalho “Shangri-lá Goa”, conjunto de melodias felizes e serenas, com um toque de tradição cultural portuguesa “que ainda se faz sentir em Goa”, gravadas com uma roupagem musical mais actualizada e cantadas em concanim, um dialecto goês.
São convidados neste espectáculo Rão Kyao, Carlos Guilherme, Susana Brito e o Grupo Ekvat da Casa de Goa. A par de Gonzaga Coutinho (voz e piano), tocam também Ernesto Leite (direcção musical, teclado e viola), Rita Mendes (violino), Marcos Britto (contrabaixo), Francisco Fernandes (percussão oriental) e Susana Brito (voz e coros).
Eis como soa Shangri-lá em concanim :
A 18 de Maio (repetindo a 19) na Sala Estúdio do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h15, a Compañía Pèlmanec (Espanha) mostra “Diagnóstico: Hamlet” numa encenação de María Castillo sobre um texto de Miquel Gallardo (inspirado na obra de Shakespeare) que é também o actor-manipulador.
Tema : Quem quer ser Hamlet? Max Flaubert, um jovem de dezassete anos de idade que vive na cela de um hospital psiquiátrico, onde foi colocado após a traumática morte do pai e o casamento repentino da mãe com o tio, quer ser Hamlet. Quer que Shakespeare decida por ele, fale por ele, o liberte da sua dor e do seu medo, através das palavras de uma das suas personagens mais complexas e analisadas. Por isso, dia após dia, recria a ilusão da vida como um encenador, manipula e controla os seus pesadelos, como um marionetista. Mas o cérebro é perverso e enfrenta-nos mais tarde ou mais cedo com a grande verdade: a vida é incerteza…
Este vídeo promocional desvenda parte da trama :
Também em 18 de Maio, no Ondajazz às 22h30, Cristina Nóbrega, “Prémio Amália Revelação 2009” e autora do CD “Palavras do Meu Fado” apresenta-se neste bar para uma noite especial onde cantará alguns standards de Jazz, boleros e bossas.
Da sua estreia em Espanha como fadista mostramos este “Disse-te adeus e morri” :
No Centro de Arte Moderna (da Fundação Gulbenkian) realiza-se a 18 de Maio (Sexta) a inauguração na sua Galeria 1 da exposição “Josef Albers na América, PIntura sobre papel” que apresenta o seu trabalho a partir do campo da investigação experimental, em cerca de 80 estudos a óleo sobre papel, alguns inéditos ou raramente vistos. Estes estudos, com inúmeras anotações feitas pelo artista, de nomes de cores e de diferentes fabricantes de cores, revelam o seu acto de pintar como fixação da sua filosofia a cor.
Nesse mesmo dia, às 18h, há uma Mesa-Redonda sobre Josef Albers e a exposição, de acesso público, com a presença de Nicholas Fox Weber, director da Josef and Anni Albers Foundation, e dos curadores da exposição, Michael Semff, do Staatliche Graphische Sammlung de Munique, e Heinz Liesbrock, do Josef Albers Museum Quadrat Bottrop.
Joseph Albers (1888-1976), de que esta é a primeira exposição em Portugal, é um dos pilares do século XX na Europa e nos Estados Unidos, tendo ficado sobretudo conhecido pelas suas Homenagens ao Quadrado (Homages to the Square), que pintou entre 1950 e 1976, pelo seu cargo de professor na Bauhaus em 1925 e pela publicação, em 1963, de um estudo inovador sobre a cor, “The Interaction of Color”.
Sendo o 18 de Maio o “Dia Internacional dos Museus”, lembramos que às 18h no Museu Nacional de Arqueologia, o seu (ex?)-director Luís Raposo pronuncia ali uma conferência ( e lança o respectivo livro) intitulada “Museu Nacional de Arqueologia Percursos de uma Casa Centenária nas construções oitocentistas dos Jerónimos”, seguida de debate público.
Ainda a 18 de Maio, realiza-se no Complexo 3 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, promovida pelo Bloco de Esquerda, uma iniciativa intitulada “"Portugal na Encruzilhada da Europa" - Conferência Económica Internacional” que se inicia às 21h com palestras quer de Jan Toporowski (London School of Oriental and African Studies), quer de Mariana Mortágua (BE).
No dia seguinte, a partir das 9h, debater-se-ão os temas “O que falta na arquitectura do Euro?” com Jacques Mazier (Euromemorandum), entre outros, “A Austeridade e o(s) Direito(s) do Trabalho”, “ Há esperança para um Estado Social Europeu?” e “Portugal, Europa e as Alternativas”, com a presença de figuras diversas da esquerda nacional.
Por ocasião da exposição antológica “Nikias Skapinakis : Presente e Passado” apresentada pela Fundação Berardo desde Março de 2012, Jorge Silva Melo realizou um documentário com o título provisório “Nikias Skapinakis (continuando) 2012 “ em que prolonga e actualiza aquilo que fez com o Pintor no filme “Nikias Skapinakis: o teatro dos outros” (2007).
Neste Sábado 19 de Maio onde ainda se celebra o Dia Internacional dos Museus está organizada uma primeira projecção (de entrada livre) no Auditório do Museu Berardo, às 15h30, com a presença de Raquel Henriques da Silva e Jorge Silva Melo.
Também associado à comemoração do Dia Internacional dos Museus, as iniciativas diversas do MNA incluem no Sábado 19 de Maio, às 15h30, nas instalações do museu (Mosteiro dos Jerónimos, Praça do Império), uma conferência no âmbito do "The Lisbon Mummy Project” proferida pelo egiptólogo Luís Araújo e pelo radiologista Carlos Prates sobre “ As múmias do Museu Nacional de Arqueologia – Apresentação do projecto e primeiros resultados”.
A entrada é livre.
No Sábado 19 de Maio, às 21h no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, os Pequenos Violinos da Metropolitana dão o seu habitual concerto de solidariedade para ajudar algumas das mais importantes instituições de intervenção social do país.
Sob a direcção artística de Inês Saraiva é deste tipo o som generoso que ali se ouvirá :
Também a 19 de Maio (Sábado), na Igreja do Loreto (rua da Misericórdia), às 21h30, o Coro da Nova da Universidade Nova de Lisboa sob a direcção do maestro João Valeriano e com a colaboração da soprano Susana Duarte e do baixo José Pedro Bruto da Costa e ainda Nicholas McNair ao piano dá mais um dos Concertos da Primavera interpretando de Gabriel Fauré Requiem, op. 48 e de Johannes Brahms “Warum ist das Licht gegeben dem Mühseligen ?”
Igualmente a 19 de Abril no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, há mais um concerto Nuno Vieira de Almeida & Convidados, às 18h30, sob o título “Benévola provocação. Canções populares de Brahms e Fernando Lopes Graça”, com Vieira de Almeida ao piano e o tenor Fernando Guimarães.
Ainda a 19 de Maio, às 21h30 (e de novo a 20/5 às 16h), o Museu da Marioneta recebe, no quadro do FIMFA Lx 12, o espectáculo “La Música Pintada”, uma criação e interpretação de Joan Baixas (Espanha), com fotografias de Jordi Bover ao som dos “Contos da minha Mãe Ganso”, de Maurice Ravel e da “Pequena Suíte”, de Claude Debussy.
Se aqueles compositores trataram as notas musicais como se fossem as pinceladas de um pintor e fascinados por sons orientais e pelo mundo das crianças, transferiram estes jogos para os instrumentos, criando a música impressionista, Joan Baixas traduz as cores e a luz desta música em sensações visuais que cria num ecrã de sombras chinesas, pintadas em frente do público, com projecções de imagens digitais e fotografias.
Na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h deste Domingo 20 de Maio, num Recital de Canto, ouvir-se-á o barítono José de Eça acompanhado ao piano por Armando Vidal entoar temas de compositores como Robert Schumann, Giovanni Battista Martini, Jules Massenet, Francisco Lacerda, Paolo Tosti, Vincenzo Bellini e Eduardo di Capua.
No Domingo 20 de Maio, às 17h30, na Igreja de S. Tomás de Aquino, às Laranjeiras (Lisboa) a organista Célia de Sousa tocará obras de Buxtehude, J.S.Bach, entre outros, num concerto de entrada livre.
Aos amadores de outra música, como o jazz, lembramos que o Outjazz 2012 reiniciado oferece aos Domingos em particular música negra, sendo em Maio no Jardim da Estrela às 17h; neste dia 20, em particular, o conjunto actuante será Orlando Santos & The Bagatells e o Dj Celeste/Mariposa.
Por fim, sugeriríamos, na esteira dum crítico de arte (J.L.Porfírio) que assinalava a “coincidência” de três exposições “de uma arte produzida fora dos carris da academia ou da escola, da arte dita culta”, a visitas a qualquer delas, sendo que duas encerram neste Domingo 20 de Maio. Apressem-se pois os interessados a ver quer “António Peralta, o Pintor que Esculpia Histórias” no Museu Nacional de Etnologia, quer “Xico Nico Escultor. Arte Outsider” no Palácio Galveias.
Mais tempo, contudo, terão os que se deslocarem até à Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (às Amoreiras) que apresenta até 23 de Setembro de 2012 uma exposição intitulada “Arte Bruta – Terra Incógnita” inédita em Portugal.
Ela reune trabalhos de mais de setenta artistas de quinze países diferentes (China, Brasil, Estados Unidos da América, Rússia, Aústria, Reino Unido, França, Perú, Espanha, entre outros), numa selecção criteriosa de obras provenientes da colecção Treger-Saint Silvestre. O termo Arte Bruta, usado pela primeira vez por Jean Dubuffet en 1945, refere-se a obras de arte ditas “marginais”. Estes artistas, que não reivindicam o estatuto de criadores, trangridem as normas da “arte estabelecida” sem se preocuparem em revelar o seu trabalho, que permanece muitas vezes desconhecido, sendo a sua única preocupação a de criar.
Tais obras de arte surgem como verdadeiros tesouros para coleccionadores com alma de explorador, o caso de Richard Treger e Antonio Saint Silvestre cuja colecção, composta por cerca de 600 obras, tem dois terços de artes ditas marginais, onde nomes como Henry Darger, Adolf Wölflï, Madge Gill, Scottie Willson ou Augustin Lesage têm vindo aos poucos a ser reconhecidos e representados nos principais museus do mundo.
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Na Segunda 14 de Maio, chamamos a atenção para a performance , na Galeria ZBD às 22h, de Eleanor Friedberger, vocalista dos Fiery Furnaces, que aí apresenta o seu ultimo CD "Last Summer" (edit. Merge, 2011) em formato trio com Samantha Shelton e Kelvin Yu.
O produto do seu canto a solo (sem o irmão Matthew), bem aceite internacionalmente como
“músicas feitas de memórias com futuro, ao estilo do amor cinemático de Woody Allen” pode ouvir-se, p.ex., neste “Heaven” do seu álbum recente :
Também a 14 de Maio (Segunda), há na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 21h, a Final do Concurso Domingos Bontempo, uma iniciativa do Conservatório de Lisboa, uma escola particular de ensino artístico existente há cerca de dois anos.
Ainda na Segunda 14 de Maio, no Teatro da Politécnica há, às 21h30, mais um espectáculo do FATAL, Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, desta vez uma criação colectiva do GrETUA da Universidade de Aveiro. Trata-se de E(N)XAME com orientação do encenador Jorge Fraga.
Sinopse : Pretende ser um ataque político mas não partidário, ideológico mas não fundamentalista. Quer-se que “toque na ferida”, que provoque o espectador. Um espectáculo que permita a celebração do acto Teatral! Dezoito espaços diferentes, habitados por dezoito actores que assumem dezoito personagens, numa communitas. Interrogam-se, revoltam-se, querem tornar a si o seu destino, seja ele qual for. Qual é a importância de “existir‟?
Entretanto na Culturgest (Pequeno Auditório), às 18h30 deste 14 de Maio, a segunda do ciclo de três conferências sobre “Os sons que estão a mudar a imagem do mundo - Música, cinema e novos media” será proferida por Anahid Kassabian sob o tema “The changing nature of audio-visual relationships and the joys of editing”.
A oradora é investigadora em música, cinema e novos media, professora na University of Liverpool e autora de Hearing Film (2001), bem como cofundadora da revista Music, Sound and the Moving Image.
Também na Biblioteca Nacional de Portugal, a 14 de Maio (Segunda), às 18h, se iniciam as Conferências de Primavera em História da Cartografia de entrada livre.
Neste primeiro dia, Tony Campbell, antigo “Map Librarian” na British Library, falará sobre “New Thoughts about Portolan Charts (1300 - 1600) : the Aegean Sea Revisited”.
Este reputado autor internacional sobre cartografia náutica e “Chairman” da Imago Mundi. The International Journal for the History of Cartography, irá falar sobre a cartografia medieval do Mediterrâneo, as chamadas cartas-portulano em que é especialista, concentrando-se especialmente em duas questões que têm merecido pouca atenção : a sua utilização a bordo e a sua manutenção, quase sem alterações, ao longo de quatro séculos.
Ainda na Culturgest, às 14h30 desta Segunda 14 de Maio, por organização conjunta da CGD e do jornal Expresso para comemoração do 25º aniversário do Prémio Pessoa, reunem-se no seu Grande Auditório para uma conferência sobre “Que Portugal queremos daqui a 25 anos ?” múltiplas individualidades onde se incluem Maria do Carmo Fonseca, Carrilho da Graça, Manuel Alegre, Gomes Canotilho, Mário Cláudio, D.Manuel Clemente, Luís Miguel Cintra, Sobrinho Simões, Irene Pimentel, Cláudio Torres, João Lobo Antunes, Graça Moura, José Manuel Rodrigues, António Câmara.
O debate é público.
Por último, estreia a 14 de Maio, às 21h30, ”Made in China”, o novo espectáculo do GTN (Grupo de Teatro da Nova) que estará em cena no Piso -4 da Torre Principal da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas -UNL (Av. De Berna) de Segunda à Sexta até 25 de Maio.
Segundo a sua directora, Cátia Pinheiro, esta é uma reflexão performática sobre o amor mas “… não, nem todas as histórias de amor são tão marcantes como a de Rick e Ilsa em Casablanca, nem têm que ser... Aqui as nossas histórias de amor serão como um electrodoméstico barato Made in China, que não respeita o registo de patentes”.
Na Terça 15 de Maio, há novo espectáculo do FATAL, Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, ainda no Teatro da Politécnica, às 21h30. Representa-se a “Antígona” de Sófocles (reescrita por António Pedro) e encenada por Marcantonio Del Carlo que dirige, desde 1994, o grupo de teatro ArTeC, da Faculdade de Letras da UL.
Propósito : Discutir, com os espectadores, a força e o poder da sociedade civil, perante as imposições de um regime injusto e ditador. Assim “Um encenador e o seu coro trágico irão explicar, em cada momento, as contingências de cada personagem apresentando: um Creonte, como um boxeur que combate uma Antígona, militante e rebelde, que canta baladas e escreve a sua revolta nas redes sociais, um Tirésias, que é cego mas vê através de um jogo informático, e ainda uma Isménia e um Polinices, que se apaixonam depois de tomarem ecstasy”.
Trata-se de uma concepção cénica actual, que se destina a um público contemporâneo que se queira rever numa série de códigos performativos, próprios da realidade em que estamos inseridos. Tal como há 15 anos, o ArTeC revisita Antígona de Sófocles para dizer “basta”: basta a demagogia dos tiranos, basta a tirania da política que só se serve a ela própria, basta a todos os que agitam a bandeira da intolerância! Viva a democracia!
A 15 de Maio (Terça), no Instituto Cervantes, projecta-se, às 18h30, no seu ciclo “Los limites de la frontera” o filme Retorno a Hansala, 2008 de Chus Gutierrez cujo tema se resume : “Nos inícios da presente década, nas praias de Rota em Cádiz, dão à costa os cadáveres de onze jovens imigrantes marroquinos que tentavam atravessar o estreito de Gibraltar numa jangada. Concluiu-se através das suas roupas que os rapazes pertenciam à mesma aldeia, Hansala”.
O filme visa recriar aquele desastre do ponto de vista de dois personagens: Martín, um empresário duma funerária que pretende fazer negócio com a ocorrência, e Leila, irmã de um dos falecidos. É este o seu filme-anúncio :
Na Quarta 16 de Maio, encerra no Cinema São Jorge, às 21h30 na Sala Manoel de Oliveira, a Mostra de Cinema Brasileiro integrada no FESTin (que este ano exibiu 7 longas metragens e 12 curtas, ver Pentacórdio anterior) com a primeira longa-metragem de ficção do multi-artista e director publicitário Tadeu Jungle, intitulada "Amanhã Nunca Mais", que aborda conflitos conhecidos pela maioria dos moradores da classe média de uma grande metrópole : trabalho, cansaço, trânsito, caos e ausência familiar.
O filme narra a história do médico anestesista Walter, interpretado por Lázaro Ramos, que enfrenta esses problemas … e é um homem que não sabe dizer “não”. Quando precisa levar um bolo para o aniversário da filha, depara-se com personagens, conflitos e situações que o obrigam a reavaliar sua própria vida. . Aquela noite de sexta-feira nunca será esquecida e Walter nunca mais será o mesmo.
Interpretam-no, além de Lázaro Ramos, Maria Luisa Mendonça, Luis Miranda, Fernanda Machado, Milhem Cortaz, Anna Guilhermina, Artur Koll, Carlos Meceni, Imara Reis, Victória Guerra, Paula Braun, Vic Militello, e o seu filme-anúncio é elucidativo :
Mais um espectáculo do FATAL, Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, tem lugar nesta Quarta 16 de Maio, ainda no Teatro da Politécnica, às 21h30. A peça é “Domiciano” de José Martins Garcia pelo GTL (Grupo de Teatro de Letras) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cujo encenador é José Ávila Costa, que há vinte anos encena o GTL.
Sinopse : “Domiciano” é uma comédia satírica que se adapta bem aos dias de hoje e que desvenda a olho nu os “bons costumes” da época. Entre abusos de poder, traições, revolução, corrupção e ocultação de direitos, a história de Domiciano é contada por linhas e entrelinhas de subtileza, nesta obra teatral de José Martins Garcia, influenciada pelas ténues pinceladas de Suetónio. “Domiciano” permite-nos mesmo uma inevitável identificação com a actualidade, na medida em que o texto é pautado por temáticas que estão presentes no nosso quotidiano.
Ainda no Teatro do Bairro, começa nesta Quarta 16 de Maio, às 21h (prolongando-se até Domingo 20) a representação de “Antígonas” com base em textos de Sófocles, Jean Anouilh, Bertolt Brecht e Maria Zambrano, numa encenação de Júlio Martín da Fonseca com dramaturgia sua e de Manuel Vieira e múltiplos actores desde Ana Cristina Martins a Valéria Gavagni.
Tema : “ Há mais de dois mil e quinhentos anos que a alma de Antígona nos acompanha. A sua voz adquire múltiplos timbres, as suas palavras fazem-se ouvir em diferentes línguas, os seus olhos mudam de cor, a sua presença reveste-se dos lugares onde é convocada, mas o grito em sangue que nos faz sentir, abre a carne do nosso nome à imanência do real, ao mistério da existência humana e à fonte matricial da justiça. Antígonas de vários autores e situadas em épocas distintas, irão coexistir, dialogar, e conduzir livremente todos aqueles que quiserem mergulhar na nudez do eterno presente”.
A 16 de Maio (Quarta) há no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h, mais uma palestra de entrada livre do Ciclo de Conferências “Matemática, a Ciência da Natureza” onde o conferencista será Eduardo Marques de Sá, da Universidade de Coimbra, falando sobre Como rodopia um pião, e porquê.
O pião será, assim, o divertido ponto de partida para analisar os dois séculos que se seguiram à publicação dos Principia Mathematica de Isaac Newton, em que a Física e a Matemática deram as mãos no entendimento da Natureza, uma experimentando-a e descobrindo-lhe os segredos, outra inventando modos de os representar.
No Hot Club de Portugal, às 22h30 desta Quarta 16 de Maio, repete-se a jam session habitual das Quartas-feiras que aqui é liderada pelo guitarrista Afonso Pais, acompanhando-o de início com Óscar Graça hammond e Luís Candeias bateria, abrindo-se depois a participação aos músicos presentes que o queiram.
Por último, assinala-se que neste 16 de Maio (como a 1 e a 29) o músico Noiserv e a actriz Carmen Santos se associam aos espectáculos que o “novo” Teatro Rápido (com sede na rua Serpa Pinto, nº 14) efectua desde o início do mês num novo conceito de peças curtas e baratas (bilhetes a 3 Euros), de cerca de 10 a 15 minutos (logo há seis sessões diárias), distribuidas por quatro salas com lotação máxima para uma dezena de espectadores.
O tema escolhido para o mês (Maio) foi “a felicidade” e estão disponíveis ao público “O coro dos amantes a caminho do hospital”, com encenação de Joaquim Nicolau a partir de um texto de Tiago Rodrigues, “O amor não é um fogão”, de João Matos e Raquel Palermo, com Cláudia Semedo e Diogo Mesquita, “Comatose”, dos Eric L. Silva e Luciano Gomes, e “Alice é uma chata e o país das maravilhas é um bluff”, com texto e direcção do realizador Vicente Alves do Ó, com Anabela Teixeira e Eurico Gomes.
Na Quinta-feira 17 de Maio, estreia-se no Teatro Nacional de São Carlos, às 20h, La Rondine (A andorinha), de Giacomo Puccini (uma das poucas óperas do compositor de La Bohème nunca apresentada entre nós), numa nova produção assinada pela encenadora alemã Nicola Raab, que apresenta o seu trabalho pela primeira vez ao público português. A equipa criativa completa-se com o britânico Duncan Hayler, na concepção da cenografia e dos figurinos, e Pedro Martins no desenho de luz. O maestro argentino, José Miguel Esandi, dirige pela primeira vez no fosso do teatro a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos.
Esta ópera em três actos, com libreto italiano de Giuseppe Adami (estreada no Grand Théâtre de Monte Carlo a 27 de Março de 1917), cuja acção se desenrola em Paris e Nice em meados do século XIX, chega ao São Carlos com um elenco constituído exclusivamente por jovens vozes portuguesas. Destacam-se nos papéis principais, Dora Rodrigues, como Magda de Civry; Carla Caramujo, como Lisette, criada de Magda; Mário João Alves,como Ruggero Lastouc,
o grande amor de Magda; Marco Alves dos Santos, como Prunier, o Poeta; e Luís Rodrigues, como Rambaldo Fernandez, amante e protector abastado de Magda.
Deixamo-vos o link para poder “comparar” a prestação lusa com a realização do Met (Metropolitan Opera House) em 2009 com Angela Gheorghiu e Roberto Alagna nos principais papeis (enquanto ouvireis a versão integral da ópera !):
Também na Quinta 17 de Maio, a apreciada cantora norte-americana Stacey Kent regressa ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, para apresentar o seu novo disco “Dreamer in Concert”.
Deste álbum fazem parte algumas das canções mais emblemáticas do seu repertório mas com novas interpretações. A cantora revisita também os clássicos franceses e inclui em particular quatro canções ainda não gravadas: duas de António Carlos Jobim e duas novas composições do seu marido Jim Tomlinson, o saxofonista e produtor do álbum. São elas Postcard Lovers, com letra do romancista Kazuo Ishiguro, e O Comboio, escrita pelo poeta português António Ladeira, onde Stacey Kent canta na nossa língua (e não mal, como ouviremos).
Sobre o novo CD, eis aqui o tema Dreamer :
Igualmente na Quinta 17 de Maio, às 18h30, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, há por iniciativa da Embaixada de Espanha um Recital de Guitarra e Castanholas onde actuam Ludovica Mosca, castanholas de concerto e Juan Mario Cuéllar, guitarra interpretando peças dos compositores espanhóis Gaspar Sanz, Joaquim Malats e Isaac Albéniz.
No São Luiz Teatro Municipal estreia a 17 de Maio (até 20/5) na sua Sala Principal, às 21h, a produção do Ao Cabo Teatro encenada por Nuno Cardoso de “Medida por Medida” de William Shakespeare (tradução de Fernando Villas-Boas), com interpretação de Afonso Santos, Catarina Lacerda, Cláudio da Silva, Daniel Pinto, João Melo, Luís Araújo, Paulo Calatré, Pedro Frias, Romeu Costa e Sara Carinhas.
Eis a história de um mau juiz que acede ao trono e logo abusa do poder, pecando por luxúria, no comércio de favores. Um tratado sobre o moralismo e o poder, uma comédia negra feita de jogos de dissimulação dos vícios privados face a uma severa moralidade pública, a fazer lembrar a diferença entre aquilo que é enunciado e a realidade dura que os factos demonstram.
Assim explicou Nuno Cardoso a sua encenação de Medida por Medida ao estrear em Guimarães na Capital Europeia da Cultura em Abril último :
Também a 17 de Maio, a Companhia de Teatro Industrial apresenta no teatro A Comuna, às 21h30, a sua produção “Os Dias voltarão a correr o calendário” de Sara Sim Sim, com encenação de Frederico Salvador e interpretação de Luciana Ribeiro, Marta Gil, Mauro Silva com os actores convidados Joana Saraiva, Juliana Conde, Lourenço Esteves, Pedro Sousa, Rafael Barreto e Sara Pimenta.
Anuncia-se como “um espectáculo multi-disciplinar a partir do teatro, dança e multimédia feito para reflectir e observar o que muitas vezes os olhos não conseguem ver.
Quem somos realmente nós, o que significamos para nós próprios e para os outros? Num carácter intimista podemos visitar as relações humanas, onde emergem questões num fundamento amoral em exploração dos conceitos sociais em constante mutação…”
Igualmente a 17 de Maio, o FATAL continua a trazer ao Teatro da Politécnica, às 21h30, agora a peça Veja ao Verso, uma criação colectiva de improvisação do Caín Teatro da Universidade Politécnica de Madrid com encenação de Ignacio de Antonio, com interpretação de Miguel González Castro, Andrea González Garrán, Marta de las Heras, Marta Muñoz, María Núnez, Luis R. Carnero.
Sinopse : Cinco actores e um músico, sem adereços nem figurinos específicos (sempre bem vestidos), irão compor uma história concreta, captando informações do público: postura, histórias, tiques, emoções e voz. Durante quase uma hora, sem pausas nem anotações à margem, vão compor uma espécie de "cadavre-exquis" no cenário.
Já o FIMFA Lx12, o Festival de Marionetas, apresenta a 17 de Maio no Museu da Marioneta, às 21h30, dois espectáculos M 1 onde uma marioneta actua a solo, uma produção do Teatro do Ferro (Portugal).
Num, M 1.1, de Carla Veloso, uma peça curta onde, diz a criadora “… partindo do ponto em que me encontro (uma condição subjectiva), propus-me indagar sobre a natureza dos elementos disponíveis – eu e o meu corpo, ele ou o outro, a marioneta e a matéria que a enforma”.
O outro, M 1.2, tem direcção de Teja Reba e Loup Abramovici e interpretação de Igor Gandra. Explicam-no : “As possibilidades da marioneta são também as suas limitações. Igor recorre à identificação, à manipulação, e por fim à dança. No final, o manipulador deve converter-se na própria marioneta, ou melhor ainda, tornar-se naquilo que a marioneta metaforicamente foi validando ao longo da peça - a sua mortalidade”.
Na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, às 21h30 desta Quinta 17 de Maio, a actriz/psicóloga clínica Marta Gautier pratica um monólogo cómico intitulado “Vamos lá então perceber as mulheres … mas só um bocadinho …”, um stand-up que se tem revelado de sucesso (p.ex. na Barraca) e que a própria considera “terapêutico”.
Na Culturgest e na Quinta 17 de Maio há na sua Sala 2, às 18h30, incluída no ciclo Vinte e Sete Sentidos, a instalação/performance de Pedro Tudela que ele designou “N’est pas” e que é constituída por “oito ninhos de madeira sonorizados, quatro CDs áudio, microfone e laptop”.
Explica : “Os ninhos de madeira replicavam, não só o material dominante e nativo daquele espaço, mas também o âmago naturalmente presente que era a casa. Dos altifalantes, assumidos como meio de sonorização dos ninhos, era emitido de modo distribuído o som previamente captado em locais diversos, de ações com e sobre a substância, madeira com diferentes escalas e feitios … O leitmotiv é a incógnita relacionada com a memória, a afinidade e o enquadramento dos dados contidos, enaltecendo a relação do interior com o exterior”.
Também na Culturgest, nesse dia 17 de Maio, o seu Pequeno Auditório recebe, às 18h30, a segunda de um ciclo de quatro conferências sob o título “Alterações climáticas : a crise que não sabemos pensar” em que orador será o Prof. Viriato Soromenho-Marques.
Quando a anterior teve por tema “A construção científica das alterações climáticas”, a palestra desta semana abordará “As alterações climáticas como problema político”.
Entretanto a 17 de Maio (Quinta), no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 17h30, o Ciclo de Conferências “O futuro da alimentação - ambiente, saúde e economia” tem mais uma conferência/debate (com transmissão online em directo http://www.livestream.com/fcglive ) sob o título “Segurança Alimentar : Garantia para o Desenvolvimento”.
O orador será Benoît Miribel, Presidente da Action Contre la Faim e Director Geral da Fundação Mérieux, em Lyon (França), sendo o debate moderado por Manuel Correia, do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa.
Começam a 17 de Maio (Quinta) as sessões finais do Seminário Pensamento Crítico Contemporâneo que a Unipop e a Associação de Estudantes do ISCTE-IUL organizam desde 26 de Abril na sede do ISCTE-IUL (Av. Forças Armadas, à Cidade Universitária) o qual “pretende promover o debate sobre um conjunto de propostas teóricas que, posicionando-se criticamente face ao estado do mundo, têm procurado pensar as circunstâncias presentes e as alternativas que têm sido desenvolvidas no quadro da actual crise económica, mas também do ciclo de revoltas que, do Cairo a Wall Street, passando por Madrid, têm vindo a marcar o ritmo dos tempos que correm”.
Assim a penúltima sessão será no Auditório B103 das 18h às 20h30, constando das palestras Jacques Rancière e a política da emancipação, por Manuel Deniz Silva e Axel Honneth e Jürgen Habermas: uso público da razão, luta pelo reconhecimento e crítica do capitalismo, por Gonçalo Marcelo. O comentário caberá a João Pedro Cachopo.
Saiba-se já que a sessão final ocorrerá no Auditório B104 das 18h às 20h30 com Alain Badiou e a hipótese comunista, por Bruno Peixe Dias e Giorgio Agamben ou a desactivação, por André Dias comentado por Miguel Cardoso.
Às 18h deste 17 de Maio, no Museu da Electricidade, tem lugar o último encontro-debate que a revista “Visão” promove e que designou “Conversas às Quintas”. Serão interventores António Lobo Antunes e Eduardo Lourenço, ambos cronistas daquela revista. A participação do público requer uma inscrição prévia no respectivo site.
Ainda a 17 de Maio o Instituto Cervantes, a Casa da América Latina e o Centro de História de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa (CHAM-UNL), em colaboração com a Assembleia da República, organizam um “Colóquio internacional comemorativo dos 200 da Constituição de Cádis”, coloquialmente designado “¡Viva la Pepa! História e Actualidade”. [Nota: ¡Viva la Pepa! foi o grito lançado em 19 de março de 1812 (dia de São José) proclamando a adesão à Constituição de Cádis (popularmente conhecida como La Pepa) ]
O colóquio terá lugar no Instituto Cervantes (Rua de Sta Marta, 43 F) (manhã), de onde se destaca a conferência pelo Prof. Fernando García de Cortázar (Univ. Bilbau) “1812: La nación levantó el vuelo”.
Da parte da tarde, na Assembleia da República, haverá intervençõesdo historiador José Pacheco Pereira, do constitucionalista Jorge Miranda, do deputado português Sérgio Sousa Pinto e dos deputados espanhóis Pedro Ramón Gómez de la Serna (PP) e Juan Moscoso (PSOE), bem como dos Secretários de Estado da Cultura de Espanha e Portugal.
No Museu de São Roque encerra a 17 de Maio o ciclo de conferências temáticas “Primavera em São Roque” sobre o restauro da Capela de São João Baptista com a palestra, às 18h30, “ Oro, oro, oro … I paramenti liturgici ricamati a Roma per la Cappella di San Giovanni Battista e dello Spirito Santo nella Chiesa di San Rocco di Lisbona” pela Professora Marialuisa Rizzini.
As conferências proferidas em italiano serão traduzidas em simultâneo.
Reabre nesta data de 17 de Maio o “velho” Ritz Clube (rua da Glória, nº 57) e Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, e Luís Varatojo, d'A Naifa, serão os DJs de serviço juntamente com os Murdering Tripping Blues. A música começa às 23h só terminando às 6h da madrugada.
No Ondajazz, às 22h30, a 17 de Maio, actua de novo o trio Kolme (Ruben Alves piano, Miguel Amado baixo e Carlos Miguel bateria) enquanto ao Hot Club de Portugal vai durante três dias (17,18 e 19), sempre às 23h, o Bruno Santos Ensemble apresentar o seu novo projecto, reunindo músicos “excelentes e criativos” vide Bruno Santos (guitarra, composição e arranjos), Gonçalo Marques (trompete), Jorge Reis (saxofones alto e soprano), César Cardoso (saxofone tenor), Luís Cunha (trombone e flauta), Paulo Gaspar (clarinete e clarinete baixo), Mariana Norton (voz), Rodrigo Gonçalves (piano e fender rhodes), João Hasselberg (contrabaixo) e Luís Candeias (bateria).
por Rui Oliveira
Caro leitor: A cadência (e também a excelência) dos eventos culturais vai progressivamente rareando com a proximidade da pausa estival, donde os destaques serem menos evidentes, como veremos (e é habitual).
Na Segunda-feira 14 de Maio, o destaque mais interessante irá porventura para Eleanor Friedberber na ZBD (ver adiante) mas como escolha mais “segura” advogaríamos filmes já consagrados, em exibição recente entre nós.
Um, que obteve o “Prémio do Público” na recente Festa do Cinema Francês 2011, é A Fonte das Mulheres (“La source des femmes”), 2011 de Radu Mihaileanu, o realizador de O Concerto e interpretado por Hafsia Herzi, Hiam Abbass, Leïla Bekhti, Saleh Bakri, entre outros.
Centrada numa guerra dos sexos, esta comédia dramática é uma fábula moderna de uma pequena vila marroquina, junto ao Atlas, onde mulheres ameaçam fazer greve de sexo se os homens não forem também buscar água a um local longínquo. A rebelião é liderada pela jovem liberal Leila (Leïla Bekhti) … e tem obviamente sucesso.
O seu filme-anúncio descreve o quadro :
Um outro, “Grande Prémio do Júri “ em Cannes 2011, é da autoria do realizador turco Nuri Bilge Ceylan (alvo duma retrospectiva recente no Nimas). Trata-se de Era uma vez na Anatólia com Muhammet Uzuner, Yilmaz Erdogan e Taner Birsel, entre outros, um filme longo onde “um grupo de polícias, com um médico legista e um procurador, conduz dois prisioneiros na busca impiedosa por encontrar um cadáver” mas (como diz um crítico, J.L.R. ) filme que “não tem história, tem um tecido”.
De como a exumação deste corpo enterrado nas estepes da Anatólia vai também desenterrar pensamentos e medos há muito escondidos nas cabeças daqueles obstinados investigadores sugere-se já neste breve trailer :
Na Terça-feira 15 de Maio, por escassez de outros eventos públicos relevantes, voltamos a sugerir filmes, sob pretexto de que, às 19h30 desse dia, o Institut Français de Portugal exibe “Portugal: Os caminhos da incerteza” do realizador François Manceaux, filmado entre dois aniversários da Republica Portuguesa (2010 e 2011). Segundo se anuncia “mostra, à lupa, o maior abalo que Portugal conheceu desde a sua revolução democratica de Abril 1974” e evidenciar-se-á, através deste filme “de uma beleza luminosa embora sombria, que Portugal é também um laboratório de desregulação económica e social para a Europa e o Ocidente. Uma descriptagem única dos nossos tempos!”. A entrada para a projecção é livre.
Não havendo filme-anúncio divulgado, assinale-se a curiosidade de o mesmo incluir o registo fílmico do concerto dado por Mísia na comemoração em 2011 no Palácio de Belém do 101º aniversário do 5 de Outubro onde se ante-estreou o seu novo disco “A Senhora da Noite”. Mostramos-lhe aqui o teaser oficial contendo aquela canção sobre um poema de Hélia Correia com música do célebre guitarrista Armandinho (1891-1946) e ainda “Simplesmente” com letra e música de Amélia Muge :
E para ficarmos ainda no cinema “português”, lembramos que “Rafa”, a curta-metragem premiada em Berlim de João Salaviza, com Rodrigo Perdigão e Joana Verona, já se encontra em exibição, essa notável filmagem da narrativa sobre um rapaz de 13 anos que deixa a sua casa nos subúrbios e ruma a Lisboa, em busca da mãe que não regressou na noite anterior. Retrata-se a qualidade cinematográfica num dos brevíssimos filmes-anúncio :
Com “Rafa” é também exibida “Nana”,”uma daquelas estrelas cadentes que o cinema de autor de vez em quando atira: objectos fulgurantes, de vocação orgulhosamente solitária e resolutamente singular…”, como um crítico (J.M.) classifica positivamente o filme da realizadora francesa Valérie Massadian, com Kelyna Lecomte, Marie Delmas e Alain Sabras, entre outros.
Tido como “uma espécie de Walt Disney politicamente incorrecto” porque restitituiria “a violência surda de uma ingenuidade de olhos abertos para o mundo que a progressiva urbanização da civilização veio urbanizar”, é facto que a cineasta, de forma notável, se afasta lentamente da observação documental do quotidiano rural ao narrar a história de Nana, uma menina de quatro anos deixada à solta na província francesa por uma mãe que desaparece sem dizer nada.
A ver.
Na Quarta-feira 16 de Maio, às 19h, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz será possível escutar o trio do pianista Óscar Marcelino da Graça o qual, contando com a inspiração e a musicalidade do contrabaixista Demian Cabaud e do baterista Marcos Cavaleiro, irá divulgar o seu primeiro trabalho discográfico “Velox Pondera”
registado em 2011.
“Na música do trio, a procura incessante da não repetição formal ou de arquétipos, aliada à indivisibilidade do colectivo, será porventura a característica predominante” (diz um crítico que ouviu o disco, L.R.). ”As estruturas soam flexíveis, por menos que o sejam, sendo a interacção essencial (e talvez o principal motivo de enfoque quando se escute o disco). A música raramente é complexa na sua composição, mas as contínuas comunicação e preocupação com o som colectivo, garantem um carácter orgânico que será tudo menos simples de analisar”.
Este é mais um Concerto Antena 2 de entrada livre.
O vídeo abaixo do tema Pleno num concerto do trio em Aveiro em 2011, antecipa o som actual :
Na Quinta-feira 17 de Maio, não deverá perder-se a vinda a Lisboa de Philippe Herreweghe, o criador do Collegium Vocale e do Ensemble La Chapelle Royale, mais tarde ampliado para a Orchestre des Champs-Élysées. Virá dirigir o Coro e a Orquestra Gulbenkian, dentro do ciclo Wagner +, propondo-se interpretar, com a colaboração dos cantores Sandra Medeiros soprano, Cátia Moreso meio-soprano, Hans-Jörg Mammel tenor e Diogo Oliveira baixo, as peças de :
Johannes Brahms Begräbnisgesang, op. 13
Schicksalslied, para Coro e Orquestra, op. 54
Anton Bruckner Missa nº 3, A Grande
O concerto tem lugar no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, sendo repetido no dia seguinte 18 de Maio (Sexta) no mesmo local às 19h.
Para justificar o seu programa diz Herreweghe : “Pode parecer que pertencem a esferas musicais muito diferentes, mas penso que não há verdadeira oposição entre Bruckner e Brahms. Isso acontecia entre Brahms e Wagner, em que o primeiro representava o passado e o segundo o futuro. Bruckner situa-se no meio destas duas correntes. E o seu mundo não é assim tão distanciado do de Brahms, pois ambos se inspiram na música antiga e barroca”.
É possível ouvir Herreweghe a dirigir a Orquestra dos Campos-Elíseos no Kyrie da Missa nº 3 de Anton Bruckner aqui :
e escutá-la integralmente (53 min) sob a mesma direcção com o Coro e Orquestra do Royal Concertgebouw com Hanneke de Wit soprano, Tania Kross meio-soprano, Werner Güra tenor e David Wilson-Johnson baixo aqui .
Na Sexta-feira 18 de Maio, às 21h30, estreia na Sala Principal do Teatro Maria Matos a produção convidada pela Gulbenkian Música “Thanks to my Eyes”, uma ópera de câmara de Oscar Bianchi, em um acto, com libreto de Joël Pommerat, baseado na peça Grâce à mes yeux, tocada pela OrchestrUtopica dirigida por Franck Ollu com os cantores Hagen Matzeit contratenor, Brian Bannatyne-Scott barítono, Keren Motseri soprano e Fflur Wyn soprano e ainda a actriz Anne Rotger e Antoine Rigot (em papel mudo).
O concerto repete à mesma hora no Domingo, 20 de Maio.
A música de Oscar Bianchi, considerado um dos compositores mais virtuosos da sua geração, encontra-se pela primeira vez em ópera com o universo poético de Joël Pommerat para contar uma fábula sobre identidade e conflitualidade geracional. Em Thanks to my Eyes, tudo se centra na relação tempestuosa entre pai e filho — o primeiro é o maior comediante da sua geração, o segundo não quer ceder às exigências do pai para lhe continuar o legado. Forçado a adaptar-se ao modelo paternal, o jovem Aymar procura consolo na companhia de uma mulher estranha e tímida, em noites perigosas e liberatórias passadas longe do ambiente sufocante da casa familiar…
Neste vídeo da cena 17 desta ópera representada no Festival d’Aix 2011 é possível adivinhar-se o clima musical :
No Sábado 19 de Maio poderá ser “diferente”, face à oferta usual e parca, aderir ao programa O restauro da Capela de São João Baptista - redescobrir o seu esplendor que tem lugar na Igreja e Museu de São Roque apenas até 26 Maio (Sábado). (para conhecer o pormenor consultar http://www.museu-saoroque.com/pdf/restau
A Capela de São João Baptista resulta de uma encomenda do monarca português D. João V, sendo construida em Roma, entre 1742 e 1747, obedecendo a um rigoroso programa arquitectónico e estético que incluía, além da capela, projectada por Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi, peças de culto e ornamentais que se encontram expostas no Museu de São Roque. Este monumento destaca-se pela riqueza dos seus materiais de revestimento e pela qualidade das composições em mosaico, sendo transportada para Portugal em três naus e assente na Igreja de São Roque, para ser inaugurada em 1752, já no reinado de D. José I.
Os trabalhos de conservação e restauro decorreram entre Novembro de 2010 e Março de 2012 e há actualmente visitas guiadas temáticas como a deste Sábado 19 de Maio, às 10h. A origem italiana da obra levou mesmo à adaptação de menus gastronómicos para atracção dos visitantes, como o que é oferecido neste mesmo Sábado na Cafeteria às 12h30/14h30.
No Domingo 20 de Maio a semana pode agradavelmente encerrar-se com um de dois acontecimentos musicais.
Às 17h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção musical de Garry Walker terá a colaboração do pianista Jorge Moyano para um programa que compreende de Joly Braga Santos Concerto para orquestra de cordas, de Robert Schumann Concerto para piano, op. 54 e de Johannes Brahms Sinfonia n.º 4, op. 48.
Diz o respectivo folheto com ironia : “… antes de ouvir a Quarta Sinfonia de Brahms é bom que se respire fundo… propõe-se, por isso, ouvir primeiro o concerto para cordas que o jovem Joly Braga Santos escreveu em 1951, pleno de energia e inventividade melódica… depois, o único concerto para piano de Schumann, com Jorge Moyano, e um estilo pianístico eminentemente romântico… finalmente será então ocasião para o maestro escocês Garry Walker dirigir a última sinfonia de Brahms, uma obra complexa que fala directamente ao coração e onde se juntam razão e emoção”.
Mais tarde, às 19h, é a vez da Fundação Calouste Gulbenkian trazer ao seu Grande Auditório a Orquestra Sinfónica Juvenil de Caracas sob a direcção de Dietrich Paredes para tocar de Camille Saint-Saëns Sinfonia nº 3, em Dó menor, op. 78 e de Dmitri Chostakovitch Sinfonia nº 10, em Mi menor, op. 93.
Gustavo Dudamel considera os respectivos músicos “de um nível impressionante” pois já os dirigiu, como evidencia este vídeo duma sua interpretação do Concerto en la llanura de Juan Vicente Torrealba na homenagem a este músico :
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta 11 de Maio continuam as iniciativas do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas - FIMFA Lx 2012 e delas destacamos às 21h no São Luiz Teatro Municipal o espectáculo “Dans l’Oeil du Judas” do Théatre du Rougissant (França), uma encenação e cenografia de Arnaud Vidal cujos actores-manipuladores são Stéphane Boireau, Laurent Cabrol, Elsa De Witte, Tamara Incekara, Cathy Chioetto e a música de Natacha Muet e Arnaud Vidal.
Trata-se duma criação colectiva que consiste numa parábola sobre o racismo, o rumor e os amores perdidos, onde veremos como pessoas comuns se podem transformar em autênticos carrascos ou assassinos sem escrúpulos, se estiverem sob o efeito de grupos ou multidões.
História : “O velho Giacomo vai morrer. De noite, as figuras do passado vêm povoar a sua solidão e surgem as recordações. O drama que viveu em criança nunca deixou de atormentar a sua memória … A chegada de um novo inquilino estrangeiro, Olgerson, com a sua filha, Natalia, que encanta o coração de Giacomo, vem modificar e baralhar tudo …”
É o que este vídeo de apresentação nos mostra :
Também no São Luiz, às 23h30, a marionetista e cantora israelita Yael Rasooly oferece aos frequentadores do FIMFA um concerto intimista The Gramophone Show com a sua voz e presença inconfundíveis e um gramofone que nos transportará para o tempo do jazz, uma celebração de músicas inesquecíveis, dos anos vinte aos anos quarenta do século passado, como The man I love ou Busy line…
Nessa Sexta 11 de Maio, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz às 18h30 (com entrada livre), por iniciativa da Embaixada do Paraguai, há um Recital de Guitarra pela concertista de guitarra clássica Daiana Ferreira da Costa Villalba tocando compositores vários.
Também a 11 de Maio, a Orquestra de Sopros da Metropolitana (sob a direcção musical de Reinaldo Guerreiro) tocará no Mercado de Santa Clara, às 21h30, de Wolfgang Amadeus Mozart Abertura da ópera A Flauta Mágica, KV 620 (arr. de Reinaldo Guerreiro), de Charles Gounod Pequena sinfonia e de Henri Tomasi Fanfarras litúrgicas.
Igualmente na Sexta 11 de Maio, estreia na Cinemateca Portuguesa (Sala Dr. Félix Ribeiro, às 21h30) “Les Neiges du Kilimandjaro” (As Neves do Kilimanjaro), França 2011, de Robert Guédiguian com Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard Meylan e Marilyne Canto que foi o vencedor dos Prémios Lux 2011, atribuídos anualmente por um júri designado pelo Parlamento Europeu com o objetivo de apoiar a difusão da produção cinematográfica europeia.
Sinopse : Não obstante ter perdido o emprego no contexto de uma complicada situação laboral em que se vê envolvido enquanto líder sindical, Michel leva uma vida feliz com a mulher, a família e os amigos. Todavia a felicidade do casal é abalada quando dois homens armados os atacam violentamente roubando o dinheiro que tinham guardado para fazer uma viagem ao monte Kilimanjaro.
É um filme que aborda a questão da solidariedade num contexto de crise social, fazendo simultaneamente uma reflexão sobre o activismo político, como o trailer antecipa :
Ainda na Sexta 11 de Maio, o Teatro do Bairro estreia às 21h a peça “O Contrabaixo”, um texto de Patrick Süskind (tradução de Anabela Mendes) com dramaturgia e direcção de Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira, direcção musical João Martins e interpretação de Pedro Carreira.
Tema : Numa sala à prova de som, provavelmente o quarto onde vive, um contrabaixista de uma Orquestra Nacional decide contar como é vivida a sua solidão e confidenciar, com ironia amargurada, o seu amor não revelado por uma das sopranos da Orquestra. Esta relação platónica encontra no próprio contrabaixo o seu maior obstáculo...
Nessa Sexta 11 de Maio, no Chapitô (Costa do Castelo, n.º 1 / 7) tem início, com o apoio da Casa da América Latina, o Ciclo de Mulheres Palhaço 2012, evento que vai na quinta edição e que, pela primeira vez, contará com a participação de palhaças da América Latina, uma oportunidade para se conhecer a dinâmica e o importante papel de intervenção social que elas desempenham nos seus países de origem. O programa, além das performances individuais, terá actividades associadas, como workshops e conversas, de forma a permitir um maior intercâmbio de experiências. O ciclo acontece de Sexta a Domingo, durante três fins-de-semana seguidos (11 a 13, 18 a 20 e 25 a 27).
Neste dia (e até 13/5) Romina Monaco (Buenos Aires, Argentina) apresenta Tan Simple como Soñarlo Despacio com direcção de Julia Muzio, de que veremos um enxerto em :
Ainda na Sexta 11 de Maio, o bar Ondajazz recebe às 22h30 a cantora de jazz Rita Maria, bolseira do Berklee College Of Music em Boston, que, na véspera do lançamento dum primeiro CD, traz para a acompanhar Paula Sousa piano, Afonso Pais guitarra, João Hasselberg contrabaixo e Joel Silva bateria.
O som que se ouvirá é este :
Entretanto na FNAC Colombo, às 22h deste dia 11 de Maio, a cantora caboverdeana Ritinha Lobo, herdeira e homenageante das vozes de Cesária Évora, Ildo Lobo, Titina, Bana, Paulino Vieira e Tito Paris, apresenta o seu primeiro CD “Jóia Creola”. Ouçamo-la no tema Nha Magia, acompanhada por Yami (contrabaixo, guitarra e coros), Carlos Garcia (piano e sintetizadores), João Balão (cavaquinho), João Frade (acordeão) e Marito Marques (bateria) :
Por fim, saiba-se que o Outjazz 2012 está de novo aí desde o dia 1, projecto que marcará os fins de tarde da capital, de Maio a Setembro e de Sexta e Domingo, com a sua “receita única de magia cool, alegria e inspiração para celebrar a boa música”, segundo anunciam.
Nesta Sexta 11 de Maio o local escolhido é o Jardim do Príncipe Real indo lá actuar o Mo Francesco Quintetto.
No Sábado 12 de Maio é a vez de, no FIMFA Lx 2012, os espectáculos se repartirem por 3 espaços.
No Jardim da Estrela, às 17h30, o tradicional Teatro Dom Roberto traz ao Festival, em vez do tradicional bonecreiro, uma bonecreira, a actriz-manipuladora Sara Henriques, do Teatro de Marionetas do Porto, que manobra “fantoches” de Rui Pedro Rodrigues.
Irá aqui estrear a 2ª versão do Teatro Dom Roberto com dois espectáculos, dos mais antigos da companhia, uma forma de recordar João Paulo Seara Cardoso (1956-2010), que participou no primeiro Festival com o "Teatro Dom Roberto", e que manteve viva esta tradição depois de ter recebido o seu testemunho das mãos do Mestre António Dias. São eles O Barbeiro, em que Dom Roberto luta e vence a própria Morte e A Tourada, que descreve as diferentes fases de uma Corrida de Touros à Portuguesa, com os seus personagens típicos.
No Sub-palco do Teatro São Luiz, às 17 e às 19h, o Mischa Twitchin (Reino Unido) apresenta dois projectos experimentais sobre o universo de Beckett por dois estudiosos e investigadores teatrais, os britânicos Mischa Twitchin e Penny Francis.
No primeiro The Field of Memory o texto parte de “O Quê Onde” de Samuel Beckett, a música é “Winterreise”, de Franz Schubert, interpretado ao piano por Gerald Moore, as vozes são de José Luís Ferreira, Friedhelm Becker e Samuel Beckett. No palco (“primeiro sem palavras” e em seguida “com palavras”) estão apenas presentes a parte de trás de uma cadeira e um par de mãos com uma lâmpada, cujo aumento e diminuição gradual de intensidade luminosa, aliado à manipulação das mãos, cria o “drama”.
No segundo The Zone of Stones o texto vem de “Mal Visto Mal Dito” de Samuel Beckett, a música é “Chaconne” (BWV 1004), de J.S. Bach - Johannes Brahms, transcrição para piano, para a mão esquerda, interpretada por Paul Wittgenstein e “Winterreise”, de Franz Schubert, interpretado ao piano por Gerald Moore. Este espectáculo reflecte sobre a quase invisibilidade da velhice no teatro actual. O foco está nas mãos de uma intérprete com 80 anos.
O terceiro é no Teatro Maria Matos, às 21h30, onde Les Ateliers du Spectacle (França) apresentam Tête de Mort, uma concepção (e encenação) de Jean-Pierre Larroche e Frédéric Révérend cujos actores-manipuladores são Juliette Belliard, Mickaël Chouquet, Jean-Pierre Larroche, Justine Macadoux, enfim um espectáculo para marionetas de luva, humanos e outras formas animadas, sob o tema da dança da morte.
Morrer no teatro é uma coisa difícil! Há poucas mortes de repertório que se deixam ver ao vivo, em cena. No caso das marionetas, pelo contrário, no seu castelet, elas e toda a família de objectos inanimados matam-se uns aos outros com incrível facilidade e renascem instantaneamente. O vídeo é elucidativo :
Tête de mort - Extraits de la première partie du... por Ateliersadus
Neste 12 de Maio, há no Teatro do Bairro, às 22h, a 1ª edição do The Rhyme Book Sessions, numa iniciativa de A Seiva Bruta, para divulgar e promover projectos musicais de Rap portugueses e estrangeiros, juntando artistas e público como é típico no movimento Hiphop, estando presentes Kilu, Dj X-Acto, Beware Jack, Dj Yoke, Praso, Alcool Club, Dj Kali, Poetry Salm e Dj Yoke. Host Sindroma.
No bar Ondajazz, às 22h30 do 12 de Maio, o grupo Mingus Project (Nelson Cascais contrabaixo, Diogo Duque trompete, Ricardo Toscano saxofone alto, Victor Zamora piano e Vasco Furtado bateria) volta à sua homenagem a Charles Mingus dando ao concerto o título da sua autobiografia “Beneath the Underdog”.
Eis um trecho duma sua homenagem anterior com "Boogie Stop Shuffle" :
Às 21h deste Sábado, 12 de Maio, a banda Moonspell virá ao Campo Pequeno apresentar o seu novo álbum “Alpha Noir” recém-editado com a chancela da independente austríaca Napalm Records, que inclui um segundo CD, intitulado Omega White, composto por oito temas originais de "pura atmosfera rock gótico” (segundo o comunicado oficial), prevendo-se que no concerto divulguem ambos os discos.
No Domingo 13 de Maio, o FIMFA Lx 2012 (Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas) tem, como espectáculo novo (pois repetem-se outros Ver no site http://fimfalx.blogspot.pt/ ), o de Costanza Givone (Itália) chamado “Salomé perdeu a luz”, um trabalho sobre a dificuldade de reconhecer a própria identidade, sobre o conflito entre ser e parecer, inspirado na obra “Salomé”, de Oscar Wilde.
Tema : “Cada um podia desenhar nela o objecto do seu desejo, cada um amava, não Salomé mas o sonho que nela esculpia, e assim, Salomé transformava-se para os outros e já não sabia quem era. Convencia-se de ser uma grande mulher, cheia de poder, sem se aperceber de que era só uma boneca de barro que as pessoas a seu redor usavam e manipulavam. Até que um dia viu a sua verdadeira imagem nos olhos do único homem que não a desejava, Giovanni Battista, o profeta. Aí viu o pedaço de barro que ela era e perdeu a cabeça….”
Saboreai neste vídeo a magia de Salomè há perso il lume :
A 13 de Maio (Domingo), no MusicBox, às 22h, actuam os norte-americanos Russian Circles, a banda pós-metal que esteve em Portugal no ano passado, voltando para apresentar o seu novo CD “Empros”. Serão precedidos no palco pelos Deafheaven, agrupamento recente dos EUA de black metal, como mostra o seu “Roads to Judah”.
Também nesse Domingo, 13 de Maio, a Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) organiza o seu 1º Festival de Percussão, 12 horas contínuas de percussão desde as 10h às 22h em que participam o Grupo de Percussão da ESML, Nancy Zeltsman, Jeffery Davis, Elizabeth Davis, António Pinho Vargas, Pedro Carneiro, Abel Cardoso, Richard Buckley, Bruno Pedro e vários outros percussionistas.
O Festival decorre na ESML (rua do Ataíde, nº 7, ao Chiado) com um programa vasto (ver aqui), cujo ponto alto poderá ser a Masterclass com Nancy Zeltsman (16h às 18h30), uma das mais importantes marimbistas e pedagogas actuais.
De outro participante, Pedro Carneiro pode ouvir-se um ensaio em :
Como anunciámos atrás, o Outjazz 2012 reiniciado oferecerá aos Domingos em particular música negra, num local diferente cada mês. Em Maio será no Jardim da Estrela às 17h e neste dia 13, em particular, o conjunto actuante serão os Kolme e o Dj Vítor Silveira.
Ainda a 13 de Maio, na Basílica dos Mártires em Lisboa, às 16h, o Coro Regina Coeli de Lisboa sob a direcção de Henrique Piloto acompanhado pelo órgão tocado por Daniel Godinho entoará o Te Dem in D de Felix Mendelssohn Bartholdi (para coro, solistas e organista) e Gloria in D, RV589 de Antonio Vivaldi (para coro, solistas e organista).
Como obras de possível inclusão no concerto estão também o Pater Noster de Anton de Beer, O Nata Lux de Morten Lauridsen e Salve Regina de Francis Poulenc.
A entrada é livre.
Por último, como prometêramos, deixamo-vos com mais alguns dos premiados do World Press Photo 2012 cuja exposição, noticiada no penúltimo Pentacórdio, só permanece aberta em Lisboa na Fundação EDP até ao próximo dia 20 de Maio.
Estão neste caso os vencedores da secção Natureza quer em Singles, quer em Stories :
Jenny E. Ross (EUA) Urso polar trepa rochedo tentando Brent Stirton (África do Sul) Guerra aos rinocerontes
comer ovos das aves marinhas pelo valor do seu chifre superior ao ouro
e os vencedores da secção Desporto e da secção Arte e Entretenimento :
Donald Miralle, Jr. (EUA) Competidores de natação David Goldman (EUA) Cabo canadiano toca tambor
ultrapassam na partida um cardume grande de peixe na província de Kandahar no Afeganistão
Mesmo no final, como disséramos, revelamos os dois Grandes Prémios ex-aequo do World Press Cartoon em exposição no Museu de Arte Moderna de Sintra (que encerra a 30 de Julho). Os “bonecos” galardoados são da autoria do artista norueguês Egil Nyhus que caricaturou Dominique Strauss-Kahn e do artista cubano Aristides Hernandez que venceu a categoria de Cartoon Editorial com um desenho sem título alusivo às intervenções militares dos EUA.
E é tudo por esta semana, caros leitores !
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Na Segunda 7 de Maio prossegue o FIMFA Lx 2012 (Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas) com sessões em duas salas.
No Centro de Artes da Marioneta (CAMa), das 20h às 21h30 e das 22h30 às 24h, o alemão Bruno Pilz apresenta “Lacrimosa” com encenação e manipulação sua, marionetas de Lillian Matzke e cenografia de Marjetka Kürner.
Tema: Dois espectadores observam um homem que vê televisão. “Lacrimosa” é um teatro de marionetas denso, inspirado na ideia de podermos rever a nossa vida depois da morte, como se fosse um filme. Tocante e perturbante… e mais não podemos dizer mais, para não estragar a experiência inédita que cada espectador vive…
Fica o vídeo :
Na Galeria Boavista, às 21h e 22h30, a Tarumba – Teatro de Marionetas volta a exibir Mironescópio A Máquina do Amor, com direcção artística e construção de Luís Vieira e Rute Ribeiro, sendo actores-manipuladores Carlos Alberto Oliveira, Catarina Côdea, Luís Hipólito, Luís Vieira, Miriam Faria, Raquel Monteiro e Rute Ribeiro.
É um espectáculo de pequenas formas inspirado nos antigos Peep Shows e nas primeiras experiências cinematográficas realizadas no século XIX, com a utilização de aparelhos como o Cinetoscópio e o Mutoscópio. Ali, anuncia-se “ Os grandes especialistas da arte erótica, Dr. Erotikone, Madame Gigi e Madame Mimi, entre outros convidados, trazem consigo os seus valiosos Mironescópios. Aqui não existem barreiras, o amor é livre! Venha descobrir o que aconteceu realmente no Paraíso… entre muitas outras surpresas nunca antes vistas. Vários Mironescópios estarão à sua espera, no interior de cada um decorrem efeitos visuais, imagens em movimento, sombras… que irão criar emoções nunca antes sentidas”.
Nesse 7 de Maio (Segunda), às 21h30, a Companhia de Teatro A Barraca encena no velho Cinearte mais um dos Encontros Imaginários.
Esta semana vamos ter Garcia de Orta, médico português judeu, cientista estrela do nosso glorioso século XVI, cuja obra sobre Botânica, Medicina e Antropologia ainda hoje é citada, e que encontra Henry Ford, o inventor do automóvel popular, democrata, anti-racista, pacifista que lutou contra os belicistas da I Guerra Mundial, o símbolo do capitalismo produtivo e de inserção social (distinto do capitalismo especulativo assente no roubo, na falência e na criação da miséria a nível mundial). Para debater estas e outras questões convidámos Marat, o médico, publicista e teórico da Revolução Francesa que teve a “sorte” de ter sido assassinado pela reaccionária Charlotte Corday, em vez de ter sido executado por antigos camaradas …
Representam-nos José Boavida (Garcia de Orta), Sérgio Moras (Marat) e Adérito Lopes (Henry Ford).
Na Terça-feira 8 de Maio, no Institut Français de Portugal há, às 19h, novo Debate (em francês) sobre “Être citoyen aujourd’hui? Contextes nationaux et dimension européenne” com Patrice Canivez, professor de filosofia moral e política na Université Charles de Gaulle (Lille 3).
Temas decisivos como “Como se forma o julgamento de um cidadão?”, “Como fazê-lo participar mais activamente nos debates públicos?”, “Que cidadania? Como conceber a cidadania europeia na sua relação com as pertenças nacionais?” e “Que educação do cidadão, hoje, nas nossas democracias ?” serão aí debatidos com o público (a entrada é livre).
Na mesma Terça 8 de Maio, das 18 às 20h, no Museu do Oriente, em auditório do piso 4, no Ciclo Diálogos e Expectativas, os conferencistas Alexandre Castro Caldas e Alexandre Quintanilha debaterão o tema Neuropotenciação. (entrada livre, sujeita a inscrição)
Discutir hoje neuropotenciação é discutir educação das crianças e desenvolvimento do cérebro mas é também discutir a influência de factores externos como os fármacos no desejo de melhorar os desempenhos (não esquecendo as limitações por doença).
Neuropotenciação é ainda a utilização de interfaces máquina/humano tendo em conta a evolução desde que pela primeira vez os primatas pegaram num instrumento para atingir um objectivo aumentando, assim, as competências humanas. Hoje propõe-se a integração do instrumento no mecanismo básico que suporta a função, numa simbiose mais permanente.
Neuropotenciação é, além disto, a manipulação genética que vai crescendo nos laboratórios, um pouco por todo o mundo ... Finalmente, neuropotenciação é um problema bioético que justifica ampla reflexão.
Também a 8 de Maio (Terça), o Instituto Cervantes exibe, às 18h30, no seu ciclo “Los limites de la frontera” o filme de Irene Cardona Bacas intitulado Un novio para Yasmina, 2008 com Sanaa Alaoui, Oscar Alonso e María Luisa Borruel.
Comédia sobre a inserção dos imigrantes, versa sobre : “Yasmina é uma jovem marroquina culta e atraente que veio a Espanha com a intenção de continuar os seus estudos universitários. Vive numa vila da Estremadura com o seu irmão Abdel e outros marroquinos que trabalham na agricultura. Yasmina não se integra, e o único local a que se adapta é uma associação de acolhimento para imigrantes. Yasmina vive um apaixonado e atípico noivado com Javi, um jovem polícia municipal … e há ainda o casamento comprado em troca da nacionalidade“.
Retrata-o o filme-anúncio :
Por fim, abre a 8 de Maio na Livraria do Teatro Nacional Dª Maria II uma exposição das marionetas de espectáculos da companhia A Tarumba, que completou este ano dezanove anos de actividade. Permanece até 20 de Maio.
Na Quarta 9 de Maio, tem lugar no auditório do Institut Français de Portugal, às 19h, novo Concerto Antena 2, com um recital de viola e piano em que intervêm Emmanuel Raynaud viola (Prémio Gampel de música contemporânea) e Michele Innocenti piano (premiado em diversos concursos internacionais de piano em Paris, Stresa e Bardolino e gravando para a Tactus), ambos professores respectivamente no Conservatório do 16º arrondissement de Paris e nos Conservatórios de Florença, Lucca, Modena e Bari.
O programa do concerto inclui : de Johannes Brahms Sonate Op. 120 n° 1, de Georges Onslow Sonate em dó menor Op.16 n°2, de Joseph Jongen Allegro appassionato e de Paul Hindemith Sonate Op.11 n°4.
Ambos os instrumentistas integraram diversos agrupamentos como este com Jean Mouillere e Guillaume Effler, de onde retirámos o registo do Allegro non troppo do Quatuor para Piano nº 2 em Lá maior, op. 26 de Johannes Brahms :
Também a 9 de Maio (Quarta), na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30, por iniciativa do Instituto Cultural Romeno, toca o Trio Brancusi composto pela violinista de origem arménia Satenik Khourdoian (vencedora de concursos internacionais como o Révélation Classique de l’Adami 2009 e o Concours Long Thibaud), pela violoncelista romena Laura Buruiana (1º prémio do Concurso Young Concert Artists 2003 de New York) e pela pianista romena Mara Dobresco que irá interpretar obras de Johannes Brahms, Claude Debussy e George Enescu.
Podemos ouvi-las aqui numa das possíveis obras do concerto, um Trio em Sol menor de G. Enescu, tocado na Salle Collone em Paris em Fevereiro de 2012 :
Igualmente na Quarta 9 de Maio, na galeria Zé dos Bois (ZDB), às 22h, actua Lil B ou “The Based God”, como gosta de se auto-apelidar, um rapper que “ quebra paradigmas e inverte regras numa realidade (o rap) que tem Jay-Z e Kanye West como patrões máximos. Longe da consensualidade, até no seio do hip hop, … aborda todo o manancial de referências do gangsta rap … com a mesma naturalidade com que se envolve numa consciência pessoal de contornos new age. É pois uma figura de complexa definição, quase de existência paradoxal. .. Uma peça essencial no rap contemporâneo? Sem dúvida. Aliás, tão essencial quanto desconhecido”.
Nessa Quarta 9 de Maio, tem início no cinema São Jorge, o FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa que se prolongará até 16 de Maio e cujo objectivo central é “fomentar a interculturalidade, a inclusão social e o intercâmbio cultural nos países de língua portuguesa, através da realização de Festival de Cinema comprometido com a premiação de práticas de respeito às diferenças e de cultura da paz entre os povos”.
Haverá, nomeadamente como actividade central, uma retrospectiva do realizador argentino Hector Babenco e uma homenagem ao cinema brasileiro cujo pormenor (as exibições são várias por dia) pode ser consultado neste local :
Entretanto, também a 9 de Maio no Teatro Tivoli, às 21h30, para assinalar o Dia da Europa o agrupamento Capella Tagus toca a 9º Sinfonia de Ludwig van Beethoven.
Por último no Pequeno Auditório da Culturgest, às 18h30 da Quarta, 9 de Maio, tem início um ciclo de três conferências sobre “Os sons que estão a mudar a imagem do mundo - Música, cinema e novos media” centradas nas questões : O que se está a passar de novo nos sons e nas imagens do mundo? Qual o papel do cinema e dos novos media nessas mudanças? Que importância estão a ter essas transformações nos nossos sentidos?
Vibrations d’une tige élastique de bois, Étienne-Jules Marey (1894)
Este ciclo de conferências pretende abrir caminhos para a compreensão das mudanças a que temos assistido neste início do século XXI, e que passam por uma nova relação com a música, os sons e as imagens em movimento. Saberemos ouvir as “bandas sonoras” das culturas subalternas ou marginais? E como pensar os novos ambientes sonoros e modos de vida que uma produção acelerada de novos dispositivos interactivos e virtuais está a criar?
A primeira palestra “The Three Architectures of Film Music” será proferida por Mark Slobin, Professor of Music da Wesleyan University (EUA), autor de vários livros sobre o Afeganistão e a Ásia Central, a música judaica do leste europeu, na Europa e nos EUA, a teoria da etnomusicologia e a música de cinema.
Na Quinta 10 de Maio, às 21h no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, o maestro Kirill Petrenko volta a dirigir a Orquestra Gulbenkian no ciclo Wagner + com um segundo espectáculo Siegfried II em que se pretende evocar o melhor desta obra de Wagner, ele a quem caberá reger o ciclo O Anel do Nibelungo em Bayreuth em 2013. Coadjuvam-no desta vez a soprano austríaca Anna Katharina Behnke como Brünnhilde e de novo o tenor Scott MacAllister como Siegfried. O concerto é repetido na Sexta 11 às 19h.
O programa contém de Richard Wagner Idílio de Siegfried, de Piotr Ilitch Tchaikovsky Romeu e Julieta: Abertura-fantasia e de Richard Wagner Cena final do 3º acto da ópera “Siegfried”.
O Idílio de Siegfried (essa peça “privada”que Wagner dedicou a Cosima mas que a necessidade “obrigou” a divulgar…) pode ser aqui ouvido não por Petrenko mas por Sir Georg Solti com a Filarmónica de Viena :
Nesta Quinta 10 de Maio a Orquestra Metropolitana distribui generosamente os seus solistas para múltiplos concertos públicos de acesso livre. Lembraremos alguns :
Nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, num Concerto à hora de almoço, às 13h, David Santos trompete, Dinarte Abreu trompete, Edgar Barbosa trompa, Pedro Santos trombone e Henrique Costa tuba tocarão de Leonard Bernstein Suite West Side Story (arr. de Marco Pierobon), de Joseph Horovitz Music Hall Suite, para quinteto de metais e de Richard Roblee American Images.
Outros Jovens Solistas da Metropolitana interpretarão na Sociedade Portuguesa de Autores às 18h30 obras de Franz Schubert (Quinteto com Piano em Lá maior, Op. 114,Truta) e de Sergei Rachmaninov (Trio com Piano n.º 1 em Ré menor, Op. 32), que repetirão no Palácio Nacional da Ajuda às 16h do Sábado 12 de Maio.
Ainda outros Jovens Solistas da Metropolitana interpretarão no Centro Comercial El Corte Inglês, às 19h obras de Joly Braga Santos (Quarteto de Cordas n.º 2, Op. 27) e de Ludwig van Beethoven (Quarteto de Cordas em Si bemol maior, Op. 18/6), que tocarão de novo no Museu Nacional de Arte Antiga às 16h do Sábado 12 de Maio.
E ainda outros Jovens Solistas da Metropolitana tocarão na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, às 19h, obras de Beethoven, Hindemith e Moton Gould.
Por fim, num Concerto Antena 2, na Sede da Metropolitana, às 19h, Francisco Barbosa flauta, Sérgio Coelho clarinete e Tatiana Martins fagote interpretarão de Ludwig van Beethoven Trio em Dó maior, Op. 87 (original para dois oboés e corne inglês), de Antoni Szałowski Trio (original para oboé, clarinete e fagote) e de César Guerra-Peixe Trio n.º 1 para Flauta, Clarinete e Fagote.
Na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II, estreia (vinda do Teatro Experimental de Cascais), às 21h desta Quinta 10 de Maio, a peça “O Comboio da Madrugada” de Tennessee Williams (em tradução de António Barahona) com encenação de Carlos Avilez e dramaturgia de Miguel Graça, interpretada por Eunice Muñoz, Lia Gama, Carlos Reiriz, Henrique Carvalho, Lídia Muñoz, Pedro Caeiro, Renato Pino, Ricardo Alas, Rita Cabaço e Sérgio Silva.
Sinopse : Duas personagens centrais, Flora Goforth, uma antiga artista de variedades, milionária e decadente, e o jovem poeta Chris Flanders, apelidado “Anjo da Morte”, que tem por hábito visitar velhas senhoras nos últimos momentos das suas vidas. Numa fase caracterizada pela enorme solidão de Flora, nada mais lhe importa que a derradeira vontade de ser desejada. Afogada em tristeza e doente, faz pouco mais do que escrever as suas memórias. Até um dia, quando conhece Chris Flanders, e volta a acreditar …
Foi esta a realização em Cascais com Eunice Muñoz contracenando com Pedro Caeiro :
Também nesse dia 10 de Maio estreia às 22h no Teatro da Trindade o “clássico” de Anton Tchekov “Vânia” com dramaturgia e encenação de Isabel Medina e interpretação de Elisa Lisboa, João Lagarto, José Wallenstein, Lucinda Loureiro, Pedro Lima, São José Correia, Teresa Tavares e Wagner Borges, numa produção da “Escola de Mulheres”.
Segundo a encenadora : “Pretende-se, ao revisitar a história de um homem perdido num tempo e num espaço que já não reconhece e que não consegue mudar, reflectir sobre a sociedade e o Homem no séc. XXI, em que a desertificação deixou de ser o problema de alguns para passar a ser a ameaça ao nosso futuro, em que já não é possível dizer “daqui a cem anos”, porque as perspectivas de futuro são aterrorizadoras. Também o papel da mulher será um dos pontos fundamentais do espectáculo. Em pleno século XXI, o mundo continua dividido entre “Helenas” e “Sónias”, entre as que se roçam lânguidas pelas paredes em festas sociais, sem objectivos nem ambições para além de serem objectos de desejo do homem ou da própria sociedade consumista, e as que deitam mão ao trabalho, tentando impor-se por aquilo que valem”.
Estreia também a 10 de Maio no Teatro Taborda, às 21h30, mais uma criação da peça de William Shakespeare “Hamlet” em encenação de Carlos J. Pessoa, com interpretação de Ana Palma, André Almas, Emanuel Arada, Joana Liberal, José Neto, Maria João Vicente, Miguel Mendes, Nuno Nolasco e Nuno Pinheiro.
Nessa Quinta 10 de Maio, às 18h30 no seu Pequeno Auditório, a Culturgest dá início a um ciclo de quatro conferências sob o título “Alterações climáticas : a crise que não sabemos pensar” em que orador será o Prof. Viriato Soromenho-Marques, antigo presidente da Quercus ANCN, membro do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e do High Level on Energy and Climate Change do Presidente da Comissão Europeia e ainda coordenador científico do Programa Gulbenkian Ambiente.
Antecipa o conferencista : “As ameaças que as alterações climáticas acarretam para o futuro da existência de uma civilização humana, complexa e pujante, neste planeta são de tal modo graves que será absolutamente adequado considerar que elas se tornaram numa preocupação transversal ao espectro dos saberes, entrando também nos canais do imaginário cultural e na iconografia dos medos e pânicos escatológicos das sociedades contemporâneas.
Em cada uma das conferências deste ciclo tentaremos abordar, sem perder de vista a unidade do conjunto, mais desenvolvidamente as quatro facetas que nos parecem mais relevantes em torno dos temas da mudança climática: 1. a sua dimensão científica, génese de consensos, mas também de disputas; 2. a sua projeção política e económica; 3. o seu impacto nas nossas categorias éticas e modos de agir moral; 4. os seus reflexos na porosa meditação de uma finitude histórica, que se alarga do indivíduo singular e frágil ao próprio género humano no seu conjunto”.
Por seu turno o Institut Français de Portugal, no seu Bar das Ciências de 10 de Maio, às 19h, aborda o tema “ O Estuário do Tejo : a Natureza às portas da Cidade ?” com diversos intervenientes presentes, a saber :
De Estocolmo a Lisboa, Bastien Dessolas e David Malardel têm explorado, a bordo de um Kayak, as particularidades das cidades fluviais; tais expedições H2omme têm por objectivo redescobrir a terra pela água sob uma perspectiva artística, ecológica e patrimonial. Como é que a cidade liga as costas às margens ? Como é que a natureza co-habita com as planificações do Homem ?
Este Bar das Ciências propõe-nos descobrir o estuário do Tejo e conta com a presença do cientista português Henrique Queiroga, professor na Universidade de Aveiro. Corresponderá também à abertura da exposição "Tage ? Expédition 1.0".
Às 18h deste 10 de Maio, no Museu da Electricidade, tem lugar o 3º encontro-debate que a revista “Visão” promove e que designou “Conversas às Quintas”. Serão interventores José Gil e Gonçalo M. Tavares, ambos cronistas daquela revista. A participação do público requer uma inscrição prévia no respectivo site.
Entretanto às 23h desta Quinta 10 de Maio, o Hot Club “dá” (com entrada gratuita para sócios) a ouvir o agrupamento constituído por Erika Angell (voz, órgão), Josef Kallerdalh (contrabaixo, baixo e voz), Emil Strandberg (trompete), Ida Freij (trompa) e Per-Åke Holmlander (tuba).
O duo inicial Angell/Kallerdalh existe há mais de dez anos e já editou diversos CDs, o último dos quais Floods em Março de 2011. Fazem-se aqui acompanhar por um trio de sopros.
É este o seu som em Roller Coaster :
Por último no Ondajazz em 10 de Maio, às 22h30, o músico João Vitorino divulga o seu projecto instrumental Viagem para cuja apresentação conta com a colaboração dos músicos José Canha no contrabaixo, Valter Rolo no piano e Vicky Marques na bateria.
Como remate do dia abre a 10 de Maio (encerrando a 13) o Festival Internacional Máscara Ibérica que inclui uma mostra de artesanato e produtos regionais, promoção turístico-cultural, concertos, música e danças tradicionais, actividades para os mais novos e diversa animação de rua.
O VII Grande Desfile Máscara Ibérica será o momento alto do Festival, marcado para sábado, dia 12, pelas 16.30 horas, com início na Praça do Município e fim no Rossio. A tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem, reúne este ano 24 grupos oriundos do Norte e Centro de Portugal, Galiza, León, Zamora, Cáceres, Astúrias, País Basco e Salamanca.
A componente musical continua a ser um elemento dominante. A abrir os MU (Porto) na Sexta-feira, dia 11, às 19h, seguidos pelos Skama la Rede (Astúrias), às 22h. No Sábado, os Nação Vira Lata (Lisboa), às 22h, e no Domingo os Rakia (Porto), às 16h. A fechar o cartaz, Asturiana Mining Company (vencedores do prémio “melhor cantar em língua asturiana 2012”), às 18h.
A animação de rua é assegurada por Tradballs, Escola de Ritmos Dumdumba, Vaidecaja, La Bandina e los Sidros de Valdesoto (Astúrias), Altsasuko Inauteria (País Basco) e Folión de Viana do Bolo (Galiza).
por Rui Oliveira
Na Segunda-feira, 7 de Maio, deixaremos à escolha, conforme os gostos, entre iniciativas musicais e uma rememoração fílmica.
Os amadores da 7ª Arte (o Cinema, assim classificado no Manifesto de Ricciotto Canudo, 1912) poderão rever, no Ciclo Claude Chabrol, na sala do Institut Français de Portugal, às 19h com entrada livre, “La fille coupée en deux “(A rapariga cortada em dois) (França, Alemanha, 2006) com Ludivine Sagnier (Gabrielle), Benoît Magimel (Paul) e François Berléand (Charles), nos papéis principais, além de Caroline Sihol, Mathilda May, Marie Bunel, Valéria Cavalli, Etienne Chicot, Thomas Chabrol, Jean-Marie Winling, Didier Bénureau e Édouard Baer.
Sinopse: Gabrielle Deneige é a jovem apresentadora do boletim meteorológico de um canal de televisão. Gabrielle vive com a mãe, que trabalha na livraria onde a jovem acaba por conhecer o famoso escritor Charles Saint-Denis. Iniciam uma relação, apesar de Charles ser casado. Quando este desaparece, Gabrielle acaba por casar com o rico playboy Paul Gaudens, a quem conta o seu passado...
Deste filme, presente em Cannes e Toronto, dito “ (d)enso, grave, comovente: um dos mais belos filmes de Chabrol ...(c)ineasta por vezes cortado em dois, entre seriedade e farsa, tragédia e grotesco, aqui ele consegue perfeitamente equilibrar as suas duas tendências (Serge Kaganski)” , mostramo-vos la bande-annonce :
Quanto aos entusiastas da 4ª Arte (a Música, como tal considerada na Estética de Hegel) têm por seu lado a oferta do Palácio Foz que, na sua Sala dos Espelhos, apresenta ao longo deste 7 de Maio dois recitais.
Um, às 18h, por iniciativa da Missão do Brasil junto da CPLP, será um Recital de flauta transversal e viola caipira onde intervirão João Silveira, flauta transversal e Ivan Vilela Pinto, viola caipira interpretando trechos de compositores tradicionais brasileiros.
Antecipando o som que se ouvirá, eis executantes consagrados da viola caipira Daniel Viola e José Henrique :
Outro, às 19h30, para contraste, será um Recital de Canto, Violoncelo e Piano designado “O Som Português” para que foram convidadas a actuar Margarida Marecos, soprano, Clélia Vital, violoncelo e Isa Antunes, piano com um programa a anunciar em breve.
Na Terça-feira, 8 de Maio, voltemo-nos para a 2ª arte, a Pintura, do Manifesto referido atrás (e terceira para Hegel, embora curiosamente sem musa atribuida na Antiguidade Clássica …) e visitemos exposições cujo encerramento se avizinha (!).
No Espaço Múltiplo Carpe Diem Arte e Pesquisa encontram-se até 12 de Maio expostos trabalhos de arte contemporânea de Pedro Calapez, Jeanine Cohen, Joana Bastos, José Carlos Teixeira, Márcio Vilela e Ricardo Jacinto.
Destacaríamos à cabeça o projecto “Gymnasium (diário íntimo)” de Pedro Calapez. O artista descreve-o deste modo : “Imaginei uma larga sala. Nela, os desenhos, que não me saíam da cabeça e se encontraram depois nas minhas mãos, descobrem o seu lugar: uns contra os outros, uns ao lado dos outros. Aí ocupam o espaço, revelando o refazer diário de pequenas histórias. Estes desenhos fazem assim surgir o local do exercício, o lugar dos movimentos e gestos, o estruturar do pensamento. O gymnasium, na antiga Grécia, existia para a prática dos jogos públicos mas também um lugar de produtiva convivência social…”
Ainda no campo essencialmente pictórico (já que os outros tem componentes de audio e video como elementos centrais da criação), chamaríamos a atenção para a instalação “Owners left!” de Jeanine Cohen (Bélgica), trabalho que consiste, sobretudo, em pinturas site-specific sobre paredes, estruturadas pela geometria, onde a artista joga com a abstracção e a superfície (neste caso o diálogo é com as salas do Palácio Pombal) que definem as soluções estéticas do seu trabalho, aqui utilizando materiais simples como madeira, fitas adesivas e cores que operam com a geometria dos espaços.
Bom apreço da crítica têm também tido a exposição na Galeria Cristina Guerra do artista angolano Yonamine chamada “Só China”, aberta até 9 de Maio. Diz C.M. (Actual 21/4/12) “o que torna este trabalho interessante é o modo como as diferentes escalas da realidade se articulam nele – o público e o privado, o individual e o global, o íntimo e o colectivo – e como deixa claro que as próprias diferenças e distâncias culturais e geográficas são noções em estado de solvência na corrente de informação desierarquizada que nos liga ao mundo .. .”
E por último relevaríamos a exposição de Tiago Baptista na Galeria 3 + 1 que denominou “O que fazer com isto” e que encerrará a 19 de Maio. Diz outro crítico J.L.P. (Actual 21/4/12) que “Tiago Baptista pinta as imagens e a sua destruição, numa cena que tem tanto de iniciática como de inquietante. E a mesma inquietação lá está em todas as outras pinturas, onde a clareza do desenho das figuras se alia à opressão do chão, de barro ou de lama, … e é o sentido possível desse caminho, entre o barro e o barro, que (T.B.) procura a partir da caverna que a sua pintura alegoricamente é.”
Na Quarta-feira, 9 de Maio, aproveitemos para salientar alguns dos espectáculos notáveis da 12ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas - FIMFA Lx 2012 que está a decorrer desde 4 a 20 de Maio não só em Lisboa, como dissémos no Pentacórdio anterior.
Aqui destacaríamos na Sala de Ensaio do Centro Cultural de Belém, às 11h, a peça “Smart as a Donkey - Esperto como um burro” da companhia de teatro holandesa TAMTAM Objektentheater, onde a ideia, história e actores-manipuladores são de Gérard Schiphorst (também autor da cenografia, vídeo e música) e Marije van der Sande.
Sendo a terceira colaboração da companhia com o escritor, poeta e pintor Wim Hofman, é um espectáculo sem palavras em que o teatro de objectos revela a história comovente de uma personagem muito especial, um burro que procura instruções para a vida. Quando fazemos alguma coisa mal feita ou nos enganamos, há sempre alguém que nos diz: “és estúpido como um burro!” Mas os burros não são estúpidos, apenas têm de descobrir como as coisas funcionam… porque crescer não é fácil…
O vídeo narra bem o curso da sua descoberta :
Outro espectáculo dessa Quarta 9 de Maio decorre no Museu da Marioneta (Convento das Bernardas - Rua da Esperança, n° 146), ás 21h30, onde a artista, também cantora e performer israelita Yael Rasooly exibe “Paper Cut” com interpretação sua, de textos seus com Lior Leman, a quem coube a cenografia com Yaara Nirel.
Inspirado no cinema americano e nas estrelas de Hollywood dos anos 40, este espectáculo a solo de Yael revela a obsessão e os perigos das fantasias românticas. A linguagem do cinema a preto e branco é transformada no universo “low-tech” do papel recortado e do teatro de objectos, criando uma tensão surreal, cheia de humor e suspense.
História: Uma secretária solitária fica só no escritório e tenta escapar ao seu aborrecido dia-a-dia, trazendo à vida fotografias a preto e branco de velhas revistas de cinema. Perde-se no mundo dos sonhos, onde é uma glamorosa estrela de cinema que ficará com o seu amor verdadeiro no final do filme … mas o seu conto de fadas romântico transforma-se num pesadelo hitchcockiano ! Como explicita o vídeo :
Na Quinta-feira, 10 de Maio, o destino mais interessante julgamos ser o CCB pela variedade da sua oferta. Não só se prolongam (até Domingo) as proezas das marionetas do TamTam (ver acima), como nos dois auditórios há “manjar” para gostos muito diversos.
No Pequeno Auditório (Sala Eduardo Prado Coelho), às 21h, a jovem pianista de origem russa Anna Vinnitskaya apresenta-se pela primeira vez em Portugal. Vencedora do Concurso Internacional Reine Elisabeth em 2007, entre outros, e colaboradora de diversos maestros com destaque para Vladimir Fedoseyev, Emmanuel Krivine, Kyrill Petrenko, Gilbert Varga, Dimitri Jurowski, Paul Goodwin e Pietari Inkinen, vem descrita como “ impressionante pelo vigor e facilidade técnica com que aborda obras imponentes do repertório”.
Apresenta-se com um programa de que constam :
Maurice Ravel Sonatine para piano, em Fá sustenido menor, Sergei Prokofiev Sonata para piano n.º 2, em Ré menor, op. 14, Alexander Scriabin Prelúdios, op. 16 e Sonata para piano n.º 2, em Sol sustenido menor, op. 19, “Fantaisie” e Maurice Ravel Gaspard de la nuit (Ondine, Le gibet, Scarbo).
É numa destas últimas peças Ondine de Maurice Ravel que a podemos ouvir em :
Os menos amadores da música dita “clássica”, optando mais pela world music tem ao lado, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, uma sua insigne representante, a cantora peruana Susana Baca que vem apresentar “Afrodiaspora”, o seu mais recente álbum.
Nele a ex-ministra da Cultura do Peru e actual presidente da Comissão de Cultura dos Estados Americanos olha para a influência de outras músicas e outros mundos na música peruana, desde as cumbias colombianas, os tangos argentinos, ao bolero e à valsa mexicana ; presta também homenagem a ícones já desaparecidos da world music (como a mexicana Amparo Ochoa ou a cubana Celia Cruz) e demonstra, mais uma vez, a sua atenção à poesia lírica, rodeando-se de compositores notáveis e incontornáveis como Javier Ruibal de Cádiz, Iván Benavides, Javier Lazo e Victor Merino.
Actuará acompanhada de Ernesto Hermoza guitarras, charango, Oscar Huaranga contrabaixo, Hugo Bravo percussão e Maria Elena Pacheco violino, entoando canções como esta Maria Landó :
Na Sexta-feira, 11 de Maio, far-se-á alguma história musical no jazz em Portugal quando no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, for gravado ao vivo este concerto “Aurora” que reunirá Sara Serpa e Ran Blake.
Ran Blake, uma personalidade singular e sonoridade única, combinando elementos dos grandes compositores da história do jazz, da tradição dos blues e do gospel e de temas dos clássicos Film Noir, tem um legado musical que inclui mais de 30 discos gravados, dos quais se destacam colaborações com artistas como Jeanne Lee, Anthony Braxton, Jaki Byard, Steve Lacy, Houston Person, Enrico Rava, Clifford Jordan, Ricky Ford.
A vocalista e compositora Sara Serpa é “a voz mágica” de acordo com o pianista Ran Blake, que tem uma longa experiência a trabalhar com vocalistas. A sua voz sem vibrato e artifícios tem sido descrita como “límpida como cristal” e a sua capacidade para cantar melodias vocais complexas, em pé de igualdade com instrumentalistas, destaca-a como uma das cantoras mais criativas dos últimos anos, elogiada mesmo pela “All About Jazz” como “a cantora mais inovadora do momento”, com actuações no prestigiado Village Vanguard.
Do álbum “Camera Obscura” que ambos gravaram e em que reinterpretam standards do cancioneiro americano retira-se este vídeo que fará antever a qualidade do concerto :
No Sábado, 12 de Maio, algum repouso nostálgico deverá levar muitos a deslocarem-se ao Coliseu dos Recreios, às 21h30, onde “Maria Bethânia interpreta Chico Buarque”.
Desconhecem-se os pormenores do concerto mas, como diz Vanessa da Matta “é o encontro do dono da canção com a dona da voz” e, tendo em conta a forma muito própria como Bethânia se apropriou de canções de Vinicius de Moraes, Roberto Carlos, Caetano Veloso e do próprio Buarque, são esperadas abordagens porventura surpreendentes.
Assim cantava em Lisboa Maria Bethânia Olhos nos Olhos, canção que Chico Buarque compôs para ela em 1976 :
Como essa dádiva foi feita, contam-no Bethânia e Chico aqui.
No Domingo, 13 de Maio, hesitamos sobre o alvitre a dar e deixaremos pois a escolha aos leitores que terão na Gulbenkian um concerto clássico, mas no CCB uma homenagem singular ao barroco português.
No Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, a Deutsche Kammerphilharmonie de Bremen dirigida pelo maestro Trevor Pinnock tocará um programa que foi entretanto alterado dada a ausência da pianista Maria João Pires. Em sua substituição comparecerá a jovem pianista georgiana Khatia Buniatishvili que traz como repertório o Concerto para Piano e Orquestra nº 1 de Ludwig van Beethoven.
A Orquestra executará de Franz Schubert a Sinfonia nº 5, em Si bemol Maior, D. 485 mas desconhece-se se duas outras peças do programa original (Carl Philipp Emanuel Bach Sinfonia nº 4, em Sol maior, Wq 183/4 e Joseph Haydn Abertura da ópera Armida, em Si maior, Hob.XXVIII:12) se mantêm.
Para tomar conhecimento com a nóvel intérprete, eis como Khatia Buniatishvili executa um tema de Chopin :
Entretanto no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 17h, o espectáculo A Pedra Irregular e o nascimento do Barroco em Portugal permite ao ensemble associado do CCB Sete Lágrimas com voz e direcção artística de Filipe Faria e Sérgio Peixoto concluir o seu projecto Tríptico da Terra com este terceiro concerto.
Diz o programa que, se como conceito o termo “barroco” pretende opor certas qualidades – o primado da cor, da profundidade, da claridade relativa – às qualidades do Renascimento, o facto é que a palavra “barroco” na sua origem portuguesa serviu primeiro somente para referir pedras toscas e irregulares. Neste concerto, uma das principais vozes especializadas no repertório barroco, a soprano argentina de oridem dinamarquesa Maria Cristina Kiehr, interpreta um programa composto exclusivamente por compositores portugueses :
Francisco António de Almeida (1702-1755?)
O quam suavis
Carlos Seixas (1704-1742)
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 75/A. 20.2
Francisco António de Almeida
Si quæris miracula (Responsorio a 4 concertato per la Festa de St.º Antonio)
Carlos Seixas
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 76/A. 20.3
Sonata para órgão, em Lá menor, K. 76/A. 20.3 (adapt. Sete Lágrimas)
Francisco António de Almeida
Justus ut palma florebit (Motetto a 4 concertato in commune unius martyres)
António Teixeira
Sacram beati Vicentii (Responsorium I in festo S. Vicentii)
Francisco António de Almeida
Lamentatio prima in Sabbato Sancto a 4 concertata
Carlos Seixas
Sonata para órgão, em Sol maior, K. 48/A. 15.1
Sicut cedrus exaltata sum (Responsorium II in festo assumptionis B.M.V.)
Sonata para órgão, em Lá menor, K. XXI/A. 20.6
António Teixeira (1707-1774)
Tanta grassabatur crudelitas (Responsorium II in festo S. Vicentii)
Carlos Seixas
Hodie nobis cælorum Rex (Responsório a 5 para o Natal)
Eis o som do Ensemble Sete Lágrimas :
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta 4 de Maio, o Ciclo Wagner + promove no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h30, um concerto de entrada livre onde os solistas da Orquestra Gulbenkian Tera Shimizu violino, Jorge Teixeira violino, Samuel Barsegian viola, Raquel Reis violoncelo, Kenneth Best trompa e Eric Murphy trompa irão tocar de Wolfgang Amadeus Mozart Divertimento nº 10, em Fá maior, K. 247 e Divertimento nº 17, em Ré maior, K. 334.
Pode antecipar-se o prazer destes trechos ouvindo o 1º andamento Allegro do Divertimento K. 247 :
Na mesma Sexta 4 de Maio, integrado no FATAL (13º Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa) a decorrer de 4 a 25 de Maio, realiza-se na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, às 21h30, um Concerto Cénico sobre a Crise Académica de 1962 com a participação do Coro (geral) e do Coro de Câmara da Universidade de Lisboa (dir. Luís Almeida) e o apoio ao piano de Maria Pedro Silveira onde serão interpretadas canções heróicas de Fernando Lopes-Graça, obras de Eurico Carrapatoso, Filipe Pires e Ronaldo Miranda.
Continuando a seguir o INDIE Lisboa’12 chamaríamos hoje, Sexta 4 de Maio, a atenção para a secção Indie Music da qual relevaríamos dois filmes a exibir no Cinema São Jorge. Às 19h15m, na Sala Manoel de Oliveira, é projectado Wild Things de Jérôme de Missolz (França, 2011), um filme que “nos leva até aos momentos mais marcantes da música dos anos 60 até à actualidade, de Chuck Bery à no wave, com um extenso depoimento de Iggy Pop”. O outro, na Sala 3 às 0h00, é Andrew Bird: Fever Year de Xan Aranda para quem o não viu (por ir aos Dias da Música…) no passado Domingo (como aconselhámos no anterior Pentacórdio).
Às 18h45 no mesmo São Jorge (Sala 3) há um filme polémico na Competição Internacional “que aborda um segredo chocante e que mostra o quão pouco podemos saber uns sobre os outros” mas que a crítica elogia: trata-se de Stilleleben/Still Life de Sebastian Meise (Áustria, 2011).
E na mesma Competição Internacional concorre L’estate di Giacomo de Alessandro Comodin (Itália/França/Bélgica, 2011), também elogiado, “uma história de amor e iniciação à idade adulta entre Giacomo um adolescente surdo e a sua melhor amiga Stefania, onde o presente é misturado com a memória do passado…”, que é exibido agora no Cinema Londres às 16h45 (mas também a 3/5 e a 5/5 às 19h) .
Mostra-se o respectivo filme-anúncio :
Nessa Sexta 4 de Maio, conclui-se o curso livre «Três Revoluções em Geometria» na mesma Sala 8.2.23 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com a terceira conferência, das 16h-19h, “A Terceira Revolução: a geometria e o engendramento de formas naturais e perceptivas (D'Arcy Thompson, Thom e os neo-gestaltistas)” por Luciano Boi.
Por último, inicia-se a 4 de Maio (Quinta) a 12ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas - FIMFA Lx 2012 que a Tarumba-Teatro de Marionetas organiza até 20 de Maio, com direcção artística de Luís Vieira e Rute Ribeiro. Durante dezassete dias o grande palco das marionetas e das formas animadas regressa a Lisboa, que se transforma no centro desta expressão artística. Desenhado numa perspectiva de transversalidade artística, o FIMFA desenvolve uma programação que integra uma enorme diversidade de técnicas e propostas estéticas, estabelecendo ligações entre a marioneta, dança, vídeo, circo, teatro, instalações plásticas...
Está prevista a participação de cerca de vinte companhias e criadores, provenientes de vários países, como a Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Israel, Itália, Reino Unido e Portugal, com mais de cinquenta representações que envolvem espectáculos de sala, de pequenas formas e de rua. Os espaços de apresentação são o Teatro Maria Matos, o Teatro São Luiz, o Museu da Marioneta, o Teatro Nacional D. Maria II, o Centro Cultural de Belém, o CAMa - Centro de Artes da Marioneta e, é claro, as ruas de Lisboa.
O vídeo seguinte explicita bem o âmbito desta iniciativa :
No Sábado 5 de Maio, a sessão mensal do Concerto Moderno (uma orquestra de cordas formada por jovens instrumentistas da área de Lisboa) no São Luiz Teatro Municipal, às 18h30 no Jardim de Inverno, é sobre “Tempos Modernos” onde, com a participação da solista convidada Natalia Tchitch viola, serão tocadas obras de César Viana, Toru Takemitsu e Dobrinka Tabakova.
Também a 5 de Maio (Sábado), na Sala Principal do Maria Matos Teatro Municipal, às 21h30, dois performers, Mireille & Mathieu com o seu espectáculo ARM “oferecem (ao público) um momento de pura fantasia trash … cheio de gags e poético como o inferno” (diz um crítico) “uma experiência radical e puramente visual com um humor excessivo revelador duma humanidade presente”. ARM integra-se já na programação do FIMFA Lx 2012 (o Festival de Marionetas).
A criação, encenação einterpretação são de Kathleen Wijnen e Erik Bassier com música de Helder Deploige. A representação repete-se no Domingo 6 às 18h.
O vídeo junto introduz bem o puppet show :
No Sábado 5 de Maio, no bar Ondajazz, toca o Quinteto M. Hulot, às 22h30, uma formação encontro de duas gerações diferentes de músicos que neste concerto vão tocar temas associados ao grande trompetista Clifford Brown (1930-1956). Compoem-na Gonçalo Marques (trompete), Bruno Santos (guitarra), Filipe Melo (piano), Romeu Tristão (contrabaixo) e João Pereira (bateria).
Por último, às 15h deste Sábado 5 de Maio, o INDIE Lisboa’12 mostra na sua secção Observatório na Culturgest uma nova adptação que a cineasta Andrea Arnold fez do único romance de Emily Brontë com o filme Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais) (Reino Unido, 2011) em que se despe dos clichés da adaptação literária para recriar o drama histórico, abordando temas contemporâneos como o racismo e a submissão.
No filme-anúncio transparece um pouco essa nova abordagem de Andrea Arnold :
No Domingo 6 de Maio, a Fundação Calouste Gulbenkian retoma os seus Concertos de Domingo no Átrio da Biblioteca de Arte, às 12h com entrada livre.
Com interpretações da soprano Lúcia Lemos e do pianista João Paulo Santos, será prestada uma homenagem aos 150 anos passados sobre o nascimento de Claude Debussy através dos poemas de Charles Baudelaire postos em música por Debussy, Duparc, Séverac, Freitas Branco e Sauguet.
Também no Domingo 6 de Maio, o Palácio Foz oferece (com entrada livre) na sua Sala dos Espelhos dois concertos diferentes.
Às 16h30, numa iniciativa da Embaixada da Bélgica (integrado na Semana da Bélgica em Portugal) e em homenagem ao Fado património imaterial da humanidade haverá um Recital de Canto, Clarinete e Viola pelo Trio Lágrima composto por Barbara Tollenaere, canto, Isolde Van der Goten, clarinete e Alexander Van Gysel, viola. Propôem-se interpretar uma mistura de fados tradicionais (com arranjos do Trio) e de canções próprias de inspiração flamenga (belga), cujo elo de ligação (dizem) “é o sentimento comum : a saudade”.
Às 18h30, haverá um Recital de Violino, Violoncelo, Viola e Cravo pelo agrupamento La Spagna (dirigido por António Ferreira) criado em 2009 por Alejandro Marías que deve o seu nome à melodia popular que, com esse título, soou por toda a Europa entre os séculos XV e XVIII.
Com instrumentos originais ou cópias adaptadas a cada época e estilo, irão interpretar obras de Henry Purcell "Abdelazer ou a Vingança do Mouro - Suite orquestral", Carlos Seixas "Sinfonia em Si b M", Arcangelo Corelli "Concerto grosso” op. 6 nº 10, G. P. Telemann Suite "Don Quixote" e Vivaldi "Concerto para cordas RV 157".
No INDIE Lisboa’12 deste Domingo 6 de Maio, aconselharíamos na secção Cinema Emergente o filme de Jeff Nichols que é exibido na Culturgest às 21h30 : Take Shelter (EUA, 2011). Trata-se dum thriller psicológico e poderoso, onde Curtis (Michael Shannon) tem sonhos assustadores, fruto duma tensão que se acumula no seu casamento e dentro da comunidade a que pertence, canalizando a sua ansiedade para a construção obcessiva de um abrigo no seu quintal mas…
Veja-se através deste trailer o ambiente criado :
Aos amadores do Indie Music, há neste Domingo 6 de Maio um filme elogiado de Keith Jones e Deon Maas que é projectado no Cinema São Jorge (Sala 3) às 21h30. Trata-se de Punk in Africa (República Checa/África do Sul, 2011), a história do movimento punk multi-racial inserido nas recentes agitações políticas e sociais vividas em três países da África Austral : África do Sul, Moçambique e Zimbabwe.
E, porque o prometido é devido, terminamos com mais alguns dos 1ºs Prémios do World Press Photo 2012 cuja exposição noticiámos no último Pentacórdio estar aberta em Lisboa na Fundação EDP até ao próximo dia 20 de Maio (a visitar).
Aproveitamos para lembrar que abriu já a exposição do World Press Cartoon Sintra 2012 no Museu de Arte Moderna local, a qual encerrará a 30 de Julho. Oportunamente divulgaremos os seus premiados (promessa !).
1º Prémio “General News – singles” para Alex Majoli (Itália, Magnum Photos para Newsweek)
Mubarak é deposto. Manifestantes na Praça Tahir reagem ao discurso televisivo onde Mubarak diz que não abandona o poder
1º Prémio “General News – stories” para Rémi Ochlik (França, IP3 Press)
Batalha na Líbia Depois de forças de segurança terem disparado sobre manifestantes em Benghazi,
a revolta contra Muammar Gaddafi estendeu-se à escala nacional
1º Prémio “People in the News – stories” para Yasuyoshi (Japão, Agência France Press)
Tsunami A 11 de Março, um sismo de magnitude 9.0 ocorreu a 70 Km da costa de Tōhoku no nordeste do Japão
Caros leitores : Foi tudo o que pudémos recolher de uma semana não abundante.
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Na Segunda 30 de Abril, a galeria ZBD apresenta às 22h Rafael Toral que inicia aqui uma residência artística que se materializará numa série de 3 concertos erigidos sobre os fundamentos do Space Program – que propõe um estudo aprofundado sobre a performance em instrumentos electrónicos segundo os princípios orientadores do jazz. A formação que a iniciará esta residência é o DOUBLE DUO – confronto nuclear de duas electrónicas e duas baterias que se complementam num campo vasto, em planos de profundidade – e compõem-na Afonso Simões bateriaI, Marco Franco bateria, Rafael Toral instrumentos electrónicos e Ricardo Webbens instrumentos electrónicos.
Também a 30 de Abril, às 18h, o Ensemble de sopros da Escola de Música do Conservatório Nacional vai actuar na estação de Metro Baixa-Chiado PT Bluestation com acesso livre.
Ainda na Segunda 30 de Abril, tem início o Curso "Três Revoluções em Geometria", organizado por Sílvio Varela para o Centro de Filosofia das Ciências da UL, um curso livre ministrado pelo Prof. Luciano Boi (EHESS, Paris) nos dias 30 de abril, 02 e 04 de maio de 2012.
A primeira lição decorrerá a 30/4 na Sala 8.2.23 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, das 16h-19h, sobre “A Primeira Revolução em Geometria: a passagem de um espaço único e plano a uma pluralidade de espaços curvos e multidimensionais (Riemann, Klein, Poincaré)”.
Nesta Terça 1 de Maio o único espaço-refúgio é o Ondajazz onde, às 22h30, Massimo Cavalli como músico residente convida Diogo Vida piano e Jorge Moniz contrabaixo para uma actuação conjunta como a que abaixo mostramos :
Na Quarta 2 de Maio, celebrar-se-á um Concerto de Flauta e Cravo integrado na série dos Concertos da Antena 2 na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 19h, com entrada livre, onde a flautista Marina Camponês e a cravista Joana Babulho tocarão obras de J. G. Muthel, G. F. Haendel , F. Couperin, C.P. Bach e J.S. Bach.
Ouçamos a flautista no 1º andamento do Concerto Pastoral de Joaquin Rodrigo com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (dir.Scott Sandemeier) no CCB a 13 Março 2011 :
Na mesma Quarta 2 de Maio, na sede da Orquestra Metropolitana de Lisboa (Travessa da Galé, nº 36, à Junqueira) às 18h haverá, no final de um dia de workshop dedicado ao cor-de-basset, um recital deste instrumento com piano, tendo José Eduardo Gomes como solista. A entrada é livre.
Ainda na Quarta 2 Maio, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h, há uma sessão de lançamento (com a presença da autora) de «Mr Finney e o mundo de pernas para o ar», o primeiro livro infantil de Laurentien van Oranje, com ilustrações de Sieb Posthuma, uma obra destinada a vulgarizar os problemas existentes nas áreas do ambiente e da sustentabilidade. Será apresentada por Isabel Alçada.
Por fim também a 2 de Maio (Quarta), decorrerá na Sala 8.2.23 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, das 16h-19h, a conferência “A Segunda Revolução em Geometria: nova interacção entre geometria e física, a saber, a passagem de um espaço pré-determinado a um espaço-tempo dinâmico (Clifford, Minkowski, Einstein, Weyl)”, por Luciano Boi, 2ª sessão do curso livre «Três Revoluções em Geometria» (organização de Sílvio Varela).
Na Quinta 3 de Maio, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 20h30m, há um Recital de Piano para início do Ciclo “Os Jovens Virtuosos do Piano” onde a jóvem pianista Xiaoxi Wu, natural de Pequim mas formada na Escola de Música Chopin de Moscovo, premiada em vários concursos (Salzburg, Kiev, Andorra), vai tocar obras de W. A Mozart, L. v. Beethoven, F.Schubert, F.Liszt, F.Chopin, António Fragoso e Enrique Granados.
O concerto encerra as comemorações do Dia da liberdade de Imprensa e de expressão.
Também na Quinta 3 de Maio, prossegue no Institut Français de Portugal, às 19h, o Ciclo Claude Chabrol com o filme “Au coeur du mensonge “ (No coração da mentira), França 1998, com Sandrine Bonnaire, Jacques Gamblin, Valéria Bruni-Tedeschi, Antoine de Caunes, Bulle Ogier, entre outros.
Sinopse: Duas crianças encontram, na Bretanha, o corpo de uma menina de 10 anos que foi estrangulada. Frédérique Lesage, jovem comissário da polícia recentemente promovido, começa por interrogar René, o professor de desenho da menina. Os rumores sobre o professor e a mulher deste, Viviane, começam a correr. Até porque eles não são da região. E é a enfermeira Viviane que vai lutar conta esses rumores …
É este o clima do filme onde “se qu’on pense n’est pas toujours la vérité…” :
A 3 de Maio, no Instituto Cervantes, às 18h30, há um recital literário sobre "Transfronteras: El percursionista de Gorsy Edú", um espectáculo teatral interactivo onde “um músico idoso educa o seu neto através da música. A vida na aldeia, os costumes e a cultura africanas viajam de geração em geração através dos ritmos do percussionista. Cumprindo o proverbio ...”
Este vídeo resume a temática :
Ainda a 3 de Maio, às 18h30, na Casa da América Latina inaugura-se Analogias, uma exposição de fotografias da artista boliviano/portuguesa Cristina Zabalaga que, a partir da métrica do azulejo, cria grandes puzzles de imagens desconstruídas. Diz quem viu que “ as fotografias justapõem-se em planos sucessivos, em metamorfoses ininterruptas e subtis de luz e cor, que de certa maneira acabam por reflectir as afinidades e proximidades culturais do continente americano”. Permanece até 25 de Julho.
Igualmente a 3 de Maio (Quinta), no recém inaugurado espaço Duetos da Sé (Travessa do Almargem, 1B - Lisboa), às 22h30, há espectáculo dado pela cantora Selma Uamusse com Dan Hewson ao piano.
Também nessa Quinta 3 de Maio, no bar Ondajazz, às 22h30, intervem o duo Schwenke e Nilo, provavelmente a expressão mais importante do movimento do Canto Novo, desenvolvido no Chile durante a década dos anos 80, e até hoje considerado o grupo que continua, embora intermitentemente, a compor, a gravar e a actuar em vivo promovendo as canções que se converteram em autênticos clássicos activos de oposição ao regime de Pinochet.
Duma gravação em 2009 de El Viaje ouça-se Nelson Shwenke e Marcelo Nilo :
Por fim, a 3 de Maio (Quinta), no Hot Club de Portugal, às 22h30, pode ouvir-se Kolme, uma formação com Ruben Alves piano, Miguel Amado contrabaixo e Carlos Miguel bateria.
Sendo este tipo de formação provavelmente a mais marcante na história do jazz pos-bebop (vide o legado deixado por Bill Evans, Keith Jarret e mais recentemente Brad Mehldau), esta propõe-se “uma nova perspectiva do trio de piano no jazz com um repertório composto quase exclusivamente de temas originais que surpreende pela diferença que marca em relação as suas próprias referencias”.
O tema “Cansaço” de Ruben Alves pode ser exemplo disso :
por Rui Oliveira
Caro leitor : Esta semana volta a ser particularmente exígua, “esgotada” talvez pelos Dias da Música e pelo Indie que ainda persiste, contudo …
Na Segunda-feira, 30 de Abril, o interesse possível dirige-se para o Palácio Foz onde, na sua Sala dos Espelhos, às 18h e com apoio da Juventude Musical Portuguesa, se exibe o Quarteto de Cordas Musikart, composto por Lilia Donkova, violino, Otto Michael Pereira, violino, Jean Aroutiounian, viola de arco e Nélson Ferreira, violoncelo.
O conjunto dos violinistas búlgaros e do violista arménio, todos premiados bem como o violoncelista português, residentes e leccionando em Portugal, é de constituição recente e propõe-se um programa de que constam :
W. A. Mozart - Quarteto nº 19 em dó maior, K.465 "Dissonâncias"
Alexander Borodin - Quarteto de cordas nº2 em ré maior
Não havendo registos do conjunto, ouça-se Lilia Donkova com a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras (a que pertence como solista) no Concerto para violino nº 1 em Sol menor, op. 26 no 3º andamento Finale. Allegro energico :
Na Terça-feira, 1 de Maio, Dia do Trabalhador, estão grande parte dos agentes culturais de folga pelo que a nossa sugestão mais segura irá para o INDIE Lisboa’12, nomeadamente para as longas metragens da Competição Internacional ou para o Foco Cinema Emergente que praticamente começa neste dia.
Segundo o parecer de críticos (não vimos nenhum destes filmes), exibe-se nesta Terça no Cinema São Jorge, na Sala Manoel de Oliveira às 18h, a longa metragem romena Toata lumea din familia nostra (Everybody in Our Family), 2012 de Radu Jude, a sua segunda, “uma sátira dos absurdos do quotidiano … um colapso nervoso registado em tempo real, onde uma quezília familiar entre um casal divorciado descamba numa batalha campal no interior de um apartamento de Bucareste” (J.M. in Ípsilon), com Şerban Pavlu, Mihaela Sîrbu, Sofia Nicolaescu.
Eis o seu trailer descrito como “apresentando uma visão humorística duma história triste : um pai e uma filha planeiam umas férias paradisíacas mas ambos estão prisioneiros das suas infernais relações familiares” :
Por seu lado o cinema em foco é o helvético, chamando-se a secção Cinema Suiço – Um Bando à Parte, uma referência ao franco-suiço Jean-Luc Godard e à sociedade de produção de Lionel Baier, o autor dum primeiro filme notado entre nós (Un Autre Homme de 2009) e de quem esta secção do Indie Lisboa apresenta no Cinema São Jorge, na Sala 3 às 16h, Comme des voleurs (À l’est), 2006, com Natacha Koutchoumov (Lucie), Lionel Baier (Lionel), Alicja Bachleda (Ewa) (entre outros), o primeiro elemento duma tetralogia consagrada aos quatro pontos cardeais e à Europa.
Sinopse: Quando Lionel (filho dum pastor com uma carreira de sucesso e uma homossexualidade assumida e aceite com um amante charmoso) descobre que tem um avô polaco, ele e a sua irmã Lucie, perturbados, abandonam os respectivos parceiros, partem a caminho da Europa Oriental mas dão por si sem documentos na Polónia e … essa trepidante busca de identidade altera a sua opção sexual anunciando o casamento com a polaca Ewa perante o desagrado fraterno.
Veja-se um excerto elucidativo :
Na Quarta-feira, 2 de Maio, o nosso realce iria para o espectáculo “Love at the Bottom of the Sea” que o grupo The Magnetic Fields , vindo da Casa da Música (Porto), apresenta às 22h na Sala Principal do Maria Matos Teatro Municipal.
Composto por Stephin Merritt uquelele, teclas, voz (seu compositor e director), Claudia Gonson percussão, piano, voz, John Woo violoncelo, flauta e Shirley Simms banjo, guitarrista, os Magnetic Fields abandonam o quase folk do seu último CD Realism para “prometer (que) os habituais arranjos e instrumentação invulgar se unirão à anunciada tecnologia de ponta” e que “o regresso às máquinas (os sintetizadres) dará canções brilhantes aguçadas pela ironia, o humor e o amor”.
Temos um registo da sua tournée de divulgação com o tema Andrew Drag tocado em Março 2012 em Vancouver (para ouvir o CD integral clique aqui ) :
Na Quinta-feira, 3 de Maio, é de novo a Fundação Calouste Gulbenkian a concentrar o interesse musical pois no seu Grande Auditório, às 21h, o ainda novo maestro russo Kirill Petrenko vem dirigir a Orquestra Gulbenkian num concerto do ciclo Wagner +. O concerto é repetido, como usualmente, no dia seguinte (4 de Maio) às 19h.
O dirigente, vindo da Komische Oper (Berlim) e da Metropolitan Opera (Nova Iorque) com percurso por todos os teatros importantes do Covent Garden às Óperas de Viena, Dresden, Frankfuhrt, Munique, Paris, Lyon, conduzirá a execução do 1º Acto da ópera Siegfried de Richard Wagner, para o que terá a colaboração de Scott MacAllister, tenor como Siegfried, de Wolfgang Koch, baixo-barítono como Viandante e de Peter Galliard, tenor como Mime.
Será algo melodicamente parecido com este trecho operaticamente representado no Met com Siegfried Jerusalem como Siegfried e Heinz Zednik como Mime em 1990 :
Na Sexta, 4 de Maio, o desafio (calculado) será de ir ao Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, ouvir Frankie Chavez, considerado um talento promissor da nova música portuguesa e mesmo a mais recente revelação blues do Sul da Europa.
A sua música conjuga diferentes tipos de sonoridades resultando num Blues/Folk onde se identificam diferentes influências musicais (Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kelly Joe Phelps, Ry Cooder), mas uma das características unicas da sua sonoridade resulta de ter, de certo modo, reinventado a abordagem da guitarra portuguesa … isto apesar de também abordar instrumentos tão tipicos do blues como o lap slide guitar.
Editou em Janeiro de 2011 o seu 1º CD “Family Tree” de que reproduzimos a canção Another Day (quem queira vê-lo actuar, antes de ir ao CCB, pode ouvir I Don’t Belong do seu EP de 2010 clicando aqui ) :
No Sábado, 5 de Maio, sugerimos a deslocação ao Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, para assistir à Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de Pedro Neves com a colaboração de Pedro Saglimbeni Muñoz na viola, cumprir um programa de que constam :
Gioachino Rossini Tancredi (Abertura)
Franz Anton Hoffmeister Concerto em Ré Maior para viola e orquestra
Ludwig van Beethoven Sinfonia n.º 4, em Si bemol Maior, op. 60
Sendo a segunda peça menos conhecida (e não registada por nenhum dos intervenientes), mostramos-lhe o 1º andamento Allegro do Concerto de Hoffmeister tocado pela Eastman Graduate Chamber Orchestra (dir. Jonathan Girard) tendo como solista Samuel Pang viola :
No Domingo, 6 de Maio, voltamos ao “templo”, ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, para escutar o jóvem pianista francês David Kadouch (prémio “Revelação 2010” segundo a associação francesa Victoires de la Musique Classique) na sua 1ª apresentação na FCG como solista. Dizem deste aluno de Dmitri Bashkirov que “aprecia as obras pouco tocadas, que é genuíno nas suas escolhas musicais e que possui o dom da delicadeza, raro nos jovens virtuosos deste tempo”. Eis o que escolheu tocar :
Joseph Haydn Variações em Fá menor, Hob.XVII:6
Franz Liszt Coro das tecelãs da ópera O Navio Fantasma de Wagner
Nikolaï Medtner Sonata em Lá menor, op. 38 nº 1, Réminiscence
Fryderyk Chopin Prelúdios, op. 28
Foi esta execução do Rondo Capriccio, op.129 de Ludwig van Beethoven que lhe conferiu o tal prémio “Revelação” :
Caros leitores: Encontramo-nos dentro de uma hora para os outros eventos da semana ... fraca.
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta 27 de Abril, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h, com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, o jovem pianista português André Piolanti (actual bolseiro junto de Caio Pagano na Arizona State University) tocará as seguintes obras : de Ludwig van Beethoven Sonata «Pathétique» op.13 nº 8, de Franz Liszt Harmonies du Soir, de Dmitri Shostakovich Preludio e fuga nº 24 em Ré menor, de Johanes Brahms Ballade op.118 nº3, de Luiz Costa Murmúrios das fontes e de Cesar Franck Prelúdio, Coral e Fuga.
Também na Sexta 27 de Abril, no Teatro Maria Matos, às 21h30, Miguel Pereira volta a efectuar uma performance (que se repete no Sábado, 28) que intitulou “O meu nome é Georgeanne”, onde se “aproxima” do mundo do teatro amador e daqueles que dedicam os seus tempos livres à prática artística e que por não terem a obrigação de construir um estatuto que os legitime na esfera do trabalho se deixam apenas levar pelo prazer que sentem naquilo que fazem.
O seu encontro aqui é com Regina Branco de 46 anos em Minde, onde é professora de inglês no Secundário mas também dirige aulas de expressão dramática, fazendo parte do grupo de teatro amador “Boca de Cena” onde trabalhou, entre outras, na peça Um Vestido Para Cinco Mulheres de Alan Ball que a marcou profundamente.
A direcção e concepção são de Miguel Pereira sobre excertos de textos de Alan Ball e de Adília Lopes com a colaboração artística de Dinis Machado e Regina Branco, cabendo a interpretação a Dinis Machado e Miguel Pereira.
Pode assistir-se a esta performance através deste vídeo :
Ainda a 27 de Abril (Sexta), às 23h, o guitarrista André Fernandes toca com o seu novo grupo Super Trouper (composto por Mário Delgado guitarra, Nelson Cascais contrabaixo, Iago Fernandez bateria e Dj Ride gira-discos) no Hot Clube, concerto que se repete no Sábado 28 de Abril, ambos de entrada gratuita para sócios.
No Salão Nobre do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h desta Sexta 27 de Abril, há, no âmbito do SCENALISBOA 2012 e a propósito da criação da Associação Portuguesa de Cenografia, uma conversa com Raymond Sarti, cenográfo, professor na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs de Paris e Presidente da Union des Scénographes de França, de entrada livre para todos os que, de alguma forma, trabalham no universo da cenografia, incluindo estudantes.
No dia seguinte (28 de Abril) às 21h é possível ouvir do mesmo cenógrafo Raymond Sarti a explanação do seu projecto “Ulisses do outro lado dos Mares” , elaborado para Marselha Capital Europeia da Cultura 2013 e exposto no Café Scena (ao Chiado).
Neste dia 27 de Abril (Sexta), no Auditório da Feira do Livro de Lisboa 2012, das 16 às 18h, há, no âmbito do EDITA, um encontro sobre O papel do tradutor na qualidade de mediador entre culturas. No palco, Catherine Weinzorn, Jörn Cambreleng, Miguel Serras Pereira e João Costa conversarão acerca destas questões numa conversa moderada por Fernando Ferreira Alves (CNT) e tentarão articular também as estratégias para melhorar a posição dos tradutores no âmbito do comércio da literatura e da edição.
Partirão das seguintes reflexões, entre outras : “Na análise de obras de autores estrangeiros quase nunca é mencionada a boa tradução, mas no caso da recensão do livro ser má, o tradutor também já é visado na crítica. O dilema fundamental da tradução consiste, pois, no facto do trabalho apenas ser bom quando não se nota, ou, por outras palavras, quando o leitor não se apercebe que o livro originalmente não foi escrito na sua língua materna.
Este contexto obriga a uma outra questão: em que medida é que um tradutor pode fazer uma boa tradução a partir de um original mau? Ou, colocado de uma maneira mais geral e positiva, em que medida é que um tradutor literário pode ser artisticamente criativo durante a sua actividade?”
Por último, abriu a 27 de Abril (Sexta-feira) no Museu da Electricidade/Fundação EDP a exposição das fotografias premiadas no World Press Photo Contest 2012 cujo Júri Internacional escolheu, de entre 100.000 candidatas, como World Press Photo 2011 a fotografia colhida por Samuel Aranda (Espanha) que representa uma mulher Fatima al-Qaws amparando nos braços o seu filho Zayed (18 anos) que sofre os efeitos de gás lacrimogénio após participar numa manifestação, no interior duma mesquita utilizada como hospital pelos manifestantes contra o regime do Presidente Ali Abdullah Saleh em Sanaa (Yemen) a 15 de Outubro de 2011 – estando o fotógrafo ao serviço do jornal New York Times.
A exposição permanece até 20 de Maio e em próximos Pentacórdios mostraremos os premiados nas nove categorias (Spot News, General News, People in the News, Contemporary Issues, Daily Life, Portraits, Arts and Entertainment, Nature e Sports).
No Sábado 28 de Abril, aconselharíamos no “INDIE Lisboa’12” a ida à Culturgest, às 21h30, assitir à única exibição do último filme de Abel Ferrara, a longa metragem “4:44 Last Day on Earth”,”uma homenagem sombria de Ferrara à sua amada New York, dez anos após os ataques de Setembro e o seu primeiro filme inteiramente citadino numa visão assustadora”.
Sinopse : O casal Skye (Shanyn Leigh) e Cisco (Willem Dafoe) vive num grande apartamento na alta de Mannhattan. Ela é pintora, ele um actor de sucesso. Esta é uma tarde normal, que no fundo de normal não tem nada, nem para eles ou para qualquer outra pessoa porque amanhã, às 04h44, o mundo vai acabar …
Neste Sábado 28 de Abril, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, às 23h30, é possível ouvir “Demonshaker”, uma improvisação para seis baterias dirigida por Nathan Fuhr.
Diz o programa que “ Demonshaker cria um espaço energético para provocar uma experiência de movimento e vibração para todos os presentes … som como banho, como massagem, como arma e catarse. Concebido pelo maestro Nathan Fuhr, é influenciado a partir da sua pesquisa, experiência e gradual desmistificação da música trance e de práticas rituais de dança … e no seu trabalho é possível perceber a influência sonora de compositores electrónicos, como Francisco Lopez e Phill Niblock”.
Nas baterias estarão Eduard Pou, Benjamin Brodbeck, Bruno Pedroso, Rui Faustino, Marcelo Araujo e Tim Chernov.
Este é o registo duma experiência idêntica em Oaxaca, México em Julho de 2009 :
Ainda a 28 de Abril, às 23h, na galeria ZBD, actua, precedida pelo som de Filipe Felizardo, a saxofonista de Chicago Matana Roberts, considerada “uma das mais urgentes vozes da música exploratória afro-americana da actualidade”, que descreve o seu recente projecto discográfico “Coin Coin” como “composições para uma linguagem sonora”.
Ouçam-na ainda há pouco tempo no Vortex em Londres (Novembro 2010) :
Se, entretanto, se fôr às 22h30 desse Sábado 28 de Abril ao bar Ondajazz, poder-se-á ouvir o José Salgueiro Quarteto, recentemente formado por João Paulo Esteves da Silva (piano), Guto Lucena (saxofone), Antonio Quintino (contrabaixo) e José Salgueiro (bateria).
Por último, quem se desloque às 23h45 do mesmo Sábado 28 de Abril à Noite Suiça do Indie by Night ao MusicBox poderá ouvir, em estreia absoluta em Portugal, dois dos mais proeminentes músicos suíços da actualidade.
Kate Wax acabou de lançar o seu 2º álbum, Dust Collision, feito de ambientes electrónicos e vozes cristalinas. Ladislav Agabekov é um dos mais importantes e respeitados DJs suíços no campo da música electrónica. Ambos participaram na banda sonora do filme “He Was a Giant with Brown Eyes” de Eileen Hofer, que está na Competição Internacional de Longas Metragens do INDIE Lisboa’12.
Echoes and the Light é uma faixa de Dust Collision, 2011 de Kate Wax :
No Domingo 29 de Abril prosseguem os inúmeros concertos dos Dias da Música em Belém para que chamámos claramente a atenção nos destaques do Pentacórdio publicados às 21h. Para aqui não privilegiar nenhum dos espectáculos vocais de índole tão diversa, lembramos apenas que, numa pausa, se podem deslocar à Tenda no CCB onde, das 17h30 às 19h30, Mariana Norton voz e Jay Corre saxofone mais os Lisbon Swingers (dir. Claus Nymark) darão um show diferente, para contraste.
Algo como :
O Dia Mundial da Dança, celebrado hoje 29 de Abril, tem alguns actos comemorativos na cidade de que o mais expressivo é certamente a Danza Preparata de Rui Horta na FCG (mencionada nos destaques anteriores).
Também o Maria Matos dedica “Viagem ao Interior da Dança” por Marina Nabais na sua Sala de Ensaios, às 11h e às 16h30, a um primeiro contacto das crianças e jovens (a que se destina) com a História da Dança Ocidental, através de exercícios práticos, de imagens e de pequenos excertos coreográficos de alguns nomes marcantes que contribuíram para o desenvolvimento desta arte.
Igualmente o Museu do Oriente propõe como celebração do Dia Mundial da Dança para dois dias (a iniciar a 28) workshops de dança criativa e oriental, com danças da Tailândia, da Indonésia, da poesia japonesa Haiku e de dança indiana Bollywood.
Neste Domingo 29 de Abril prossegue no Auditório da Feira do Livro de Lisboa, das 19h às 20h30, o debate A Tradução é a Língua da Europa onde, sob esta referência meio velada a Umberto Eco, a tradução será abordada, de um ponto de vista filosófico, como um dos desafios da sociedada europeia actual.
A conversa pública decorrerá entre Barbara Cassin, filóloga e filósofa, directora do “Vocabulaire Européen des Philosophies, Dictionnaire des Intraduisibles” (Seuil/Le Robert, 2004), hoje a ser traduzido/adaptado em ucraniano, inglês, espanhol, português, romeno, árabe, russo e persa, José Bragança de Miranda, ensaísta e professor universitário e José Gil, filósofo e pensador.
Por fim neste 29 de Abril (Domingo) há que aproveitar o início da secção Foco Cinema Emergente do “INDIE Lisboa’12” dedicada ao Cinema Suiço chamada Um Bando à Parte (homenagem ao franco-suiço Jean-Luc Godard) para ver no cinema São Jorge, às 18h45 na Sala 3, o filme de Lionel Baier (membro do júri do Indie) de 2008 “Un autre homme” .
Tema : François (Robin Harsch) nada sabe de cinema mas tem que escrever críticas de filmes para um pequeno jornal da Vallée de Joux. Rosa (Natacha Koutchoumov) é uma crítica reconhecida que trabalha para o maior diário do país. Entre eles estabelece-se uma relação perversa que leva François a descobrir os mecanismos do desejo. Desejo de uma mulher, desejo da crítica, e finalmente os seus …
E aconselharíamos ainda permanecer no São Jorge, onde às 21h45 (na mesma Sala 3) na secção Indie Music, é projectado o filme da cineasta de Chicago Xan Aranda intitulado “Andrew Bird: Fever Year”, uma viagem pelo processo criativo do músico Andrew Bird, desde a fase de composição às suas performances ao vivo. Um retrato íntimo de um artista dedicado ao seu ofício (somos confrontados com a sua fadiga física e criativa após longa digressão), gracioso com a sua audiência e incessantemente satisfeito com a vida.
Eis um excerto :
Caros leitores : Gozem a semana, sobretudo do meio ao fim.
por Rui de Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Na Segunda 23 de Abril, dito Dia Mundial do Livro, são poucas as manifestações com ele relacionadas; nem os pretextos que o motivaram – lembramos aos mais esquecidos que é o aniversário da morte de Cervantes, do nascimento e morte de Shakespeare (e ainda do nascimento de Nabokov e morte de Garcilaso de la Vega) − estimularam iniciativas visíveis.
Apenas no plano nacional a DGLB, cruzando o Dia Mundial do Livro com o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações, apresenta duas propostas de campanhas/passatempos para assinalar esta data, “realçando a importância do livro e da leitura na integração dos idosos na sociedade”.
No plano internacional, a Unesco optou por agregar às comemorações do Dia do Livro e dos Direitos de Autor o 80.º aniversário do “Index Translationum” que constitui um instrumento excepcional, contendo mais de 2.000.000 de resumos bibliográficos em todas as disciplinas, para observar e avaliar os fluxos de tradução em todos os países membros, além de ser uma base indispensável para a elaboração de políticas culturais no âmbito do livro.
Ainda na Segunda 23 de Abril, conclui-se no Teatro Maria Matos, às 18h30, o ciclo de “Palestras para o Dia de Amanhã” (uma coorganização da UniPop com o Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL) com uma palestra do sociólogo e professor na Universidade de Bolonha Sandro Mezzadra intitulada “Direito de fuga” (o título dum seu livro de 2004) onde abordará, na essência, a seguinte tese : “… a mobilidade dos migrantes tem, (embora) reprimida, conseguido, ainda assim, traçar movimentos subjectivos de fuga à rigidez da divisão internacional do trabalho, movimentos que constituem mesmo um dos motores fundamentais das transformações profundas que se vêm operando nas sociedades actuais, reconfigurando a democracia e as noções de cidadania e de trabalho”.
Também na Segunda 23 de Abril, o Ciclo de Cinema Claude Chabrol apresenta no Institut Français de Portugal, às 19h, La Cérémonie (A Cerimónia), 1955, França/Alemanha, com Sandrine Bonnaire, Isabelle Huppert, Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Cassel, Virginie Ledoyen, Valentin Merlet, entre outros.
Tema: O casal Lelièvre mora numa casa burguesa perto de uma aldeia da bretã. Sophie, a nova empregada doméstica, é expedita mas um pouco estranha. Ela torna-se amiga de Jeanne, a carteira da aldeia, e um dia as duas raparigas entram sem permissão na casa dos Lelièvre. A sua união torna-se numa revolta selvagem, algo que vai para lá do bem e do mal…
Vejamos o filme-anúncio :
Por último, lembramos neste início de semana (porque, por lapso, não o fizémos antes) que termina a 28 de Abril (Sábado) o espectáculo da Comuna –Teatro de Pesquisa que celebra o seu 40º aniversário, intitulado «Chico em Pessoa “afasta de mim esse cálice…”» e feito de textos de Chico Buarque e Fernando Pessoa. Encenado por Carlos Paulo, o monólogo ousado e irreverente é interpretado pela actriz brasileira Valéria Carvalho e exibido às 21h45.
Sinopse : “ Valéria Carvalho corajosamente dá vida às muitas mulheres de Chico Buarque, num universo real e suburbano. A adúltera, a dona de casa, a viúva, até às mulheres "da vida", todas desvendadas por Fernando Pessoa que pontua e dá consciência a estes personagens ricos e controversos”. É o que espelha este vídeo promocional :
Na Terça 24 de Abril, há um Concerto Antena 2 no ISEG (ao Quelhas), às 19h (com entrada livre) do “T(H)ree Project” em que o contrabaixista e compositor italiano Massimo Cavalli cria um Trio com os seus parceiros Guto Lucena (saxofone) e João Cunha (bateria) com uma cumplicidade musical que se consolidou no curso de colaborações em vários projectos.
De entre os muitos temas de Massimo Cavalli ouvir-se-ão Varandas do Chiado, Harbopyshysm, Sogno Nº37, Sabrina, Blues For Davide, Il Lungo Viaggio, Free Four Three, Os Três Fariseus, Marce Blues, La Danza del Biondino.
Há dias, no Ondajazz, era este o seu som em All or nothing at all, o tema de Arthur Altman celebrizado por Frank Sinatra :
Também na Terça 24 de Abril, virá ao espaço do Santiago Alquimista (rua de Santiago, 19B, à Sé) a mítica banda britânica de rythm & blues (melhor dizendo pub rock) Dr. Feelgood na sua actual constituição (Robert Kane voz, Steve Walwyn guitarra, Kevin Morris bateria, Phil Mitchell contrabaixo) que recentemente lançou o CD “Repeat Prescription”, tema necessário do concerto.
Neste 24 de Abril abre ao público a 82ª Feira do Livro, organização da APEL, onde, entre várias outras iniciativas, como forma de atrair mais público, segundo o seu director, se “apostou na melhoria da restauração (?) mais variada e saudável” e, em homenagem à lusofonia, se “poderá dançar forró, ver uma demontração de kuduro ou experimentar capoeira”. Sem comentários.
Por último, lembramos ainda (porque, por lapso, não o fizémos antes) que termina a 29 de Abril (Domingo) na Sala Estúdio do Teatro da Trindade (ao Chiado) a exibição de “Diário Metafísico”, uma concepção e criação de Pedro Ramos que a interpreta, e é responsável também por som, câmara e cenários, com a assistência de Catarina Morato. Os espectáculos decorrem apenas de Quarta a Domingo (às 21h45, sendo às 17h no Domingo).
Da natureza desta performance dá bem ideia este fragmento de ensaio :
Na Quarta-feira 25 de Abril, o Teatro do Bairro homenageia a data libertadora com duas sessões. Às 24h de Terça, os Bandex , “qual na madrugada das gentes sem sono”, abordam a actualidade política com música de intervenção, com Nuno Gelpi (guitarra e sampler), Miguel Gelpi (contrabaixo), Mário Moral (guitarra e sampler) e Manuel Meliço (bateria).
Às 23h30 de Quarta, José Duarte organiza uma sessão de jazz onde se recorda a Dixieland, tendo para tal convidado o Dixie Gang, o mais antigo agrupamento de jazz tradicional português com mais de 20 anos de actividade, constituido hoje por João Viana cornetim/voz, Claus Nymark trombone, Paulo Gaspar clarinete, Jacinto Santos tuba, David Rodrigues piano/voz, Silas Oliveira banjo e Rui Alves bateria.
Do passado deste agrupamento é testemunho este vídeo :
Também a Orquestra do Hot Clube, às 22h30 desta Quarta 25 de Abril (como aliás em todas as últimas Quartas do mês), efectua o seu concerto, dirigida por Luis Cunha, com entrada livre.
Estreia na Quarta-feira 25 de Abril pelas 21:30 na Sala Vermelha do Teatro Aberto o espectáculo "Pelo Prazer de a Voltar a Ver" de Michel Tremblay numa versão, dramaturgia e encenação de Marta Dias, com interpretação de Luís Barros e Sílvia Filipe.
Sinopse: Um dramaturgo sobe ao palco para nos falar da mulher que desinquietou o seu espírito de jovem sonhador, para nos contar como se tornou quem é. A história que conta não é muito diferente das nossas histórias mas nós queremos ouvi-la outra vez - tal como ele deseja voltar a ver essa mulher, mais uma vez ...
Registamos ainda a 25 de Abril e em sua homenagem, o espectáculo de Música Portuguesa do grupo Boémia no Auditório Carlos Paredes (em Benfica), às 21h30. Compõem o agrupamento, que recentemente editou o CD “Os Peregrinos do Mar” (com colaboração de Fausto Bordalo Dias e Amélia Muge), Rogério Oliveira voz , Marco Ferreira piano, Vasco Ribeiro contrabaixo, Patrick Simeão bateria, Hélia Silva acordeão e Isa Peixinho flauta.
Conheça-se então este novo grupo muito “faustiano” :
Assinalamos, por último, que a Assembleia da República promove a iniciativa Parlamento de Porta Aberta que inclui, para lá da Sessão Solene Comemorativa, um espectáculo “Celebrar Abril” onde actuará às 18h na Sala do Senado o Grupo de Violinos “Os Paganinus” do Conservatório Regional de Setúbal (entrada livre limitada à capacidade da sala).
No dia seguinte, 26 de Abril, nos Passos Perdidos da Assembleia da República, às 21h45, haverá uma sessão evocativa de José Afonso com CantAR Zeca Afonso (entrada livre).
Na Quinta 26 de Abril, no subpalco do São Luiz Teatro Municipal, a horas diferentes (das 15h às 0h30) e até 29 de Abril, pode ver-se o trabalho colectivo “Sub-Reptício (corpo clandestino)”, uma concepção, co-criação e interpretação de Ana Borralho & João Galante, Joclécio Azevedo, Rita Natálio e Vera Mantero, numa co-produção O Rumo do Fumo/SLTM que no São Luiz assinala conjuntamente o Dia Mundial da Dança e o Dia da Liberdade.
Há ainda a co-criação e interpretação de António Júlio, António Pedro Lopes, Catarina Gonçalves, Cátia Leitão, Elizabete Francisca, Francisco Camacho, Gustavo Ciríaco e Tiago Gandra.
Explica o programa: "O trabalho colectivo Sub-Reptício (corpo clandestino) leva os seus criadores-intérpretes … a expor uma ideia de dança: uma dança do corpo todo e de tudo o que o rodeia, que tudo absorve para existir, que tudo cruza e entrecruza, que não separa o corpo do espírito ... Estas premissas levararam à conclusão de que este deve ser um trabalho onde todos possam viver de igual forma a liberdade do seu próprio corpo. Assim, Sub-Reptício (corpo clandestino) é um convite ao corpo nu, onde usar roupa é opcional para o espectador. Os criadores propõem-se, e propõem aos espectadores, praticar a nudez e experimentar algo que raramente temos oportunidade de experimentar na nossa sociedade: a nudez sem corar, a nudez sem vergonha, a nudez sem constrangimento. ‘Vergonhas’ não são o nosso sexo ou qualquer outra parte do nosso corpo. As verdadeiras vergonhas são: a especulação financeira; a destruição do planeta pela ganância global desenfreada; as empresas e a finança globalizadas governando o mundo".
Também na Quinta 26 de Abril, na Sala dos Espelho do Palácio Foz e com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, há às 18h30 um Recital de Violino e Piano que reunirá, para executar um programa ainda não divulgado, o violinista português Luís Pacheco Cunha (fundador do Quarteto Lopes Graça) e a pianista norueguesa Anne Kaasa, radicada em Portugal e recém autora dum CD com obras de Debussy (ed. Saphir) largamente premiado.
Ouça-mo-la em Grieg e Chopin na Casa da Ínsua há 2 anos (Maio 2010) :
Ainda na Quinta 26 de Abril, representa-se no Auditório do Institut Français de Portugal, às 21h, e ainda a 27 e 28 de Abril, a peça “Faz escuro nos olhos”, uma montagem e selecção colectiva com encenação de Rogério de Carvalho e interpretação de Ana Rosa Mendes, Daniel Martinho, Giovanni Lourenço, Margarida Bento, Matamba Joaquim e Zia Soares, numa produção do Grupo de Teatro Griot, valência duma associação cultural nascida a partir do encontro profissional e afectivo de actores de origem africana cujo objectivo principal se centra na realização artística e cultural nas suas mais variadas manifestações.
Aqui, diz a sinopse, “a voz parece a coisa mais comum do mundo… Toda a nossa vida social é mediada pela voz. Habitamos de forma constante um universo de vozes. Somos bombardeados por contínuas vozes. Temos que abrir passagens, a cada dia, através de uma floresta de vozes. … Mas as palavras falam quando as enfrentamos, nas tonalidades infinitas da voz, ao veicularmos significados. Todas essas vozes se elevam para além da multidão de sons, de ruídos.
Uma outra selva ainda mais selvagem e mais vasta: os sons da natureza, os sons das máquinas e da tecnologia. A civilização anuncia o seu progresso – muito ruído – e quanto mais progride mais ruidosa se torna. A linha divisória entre a voz e o ruído; a Natureza e a Cultura, é incerta.
Outra linha divisória separa a voz do silêncio. Custa suportar a ausência de vozes e de sons. O silêncio absoluto é sinistro, é como a morte, enquanto que a voz é o primeiro sinal de vida… Pode ser que no silêncio apareça outro tipo de voz mais premente, a voz interna, uma voz que não se pode fazer calar.”
Também na Quinta 26 de Abril, às 23h, o saxofonista Rodrigo Amado apresenta o espectáculo “Motion Trio + Jeb Bishop” no Hot Clube de Portugal, onde com ele tocam Miguel Mira violoncelo, Gabriel Ferrandini bateria e Jeb Bishop trombone, num concerto de entrada gratuita para sócios.
A 26 de Abril (Quinta-feira) prossegue a representação no Teatro Ibérico (rua de Xabregas, 54), às 21h e às 23h30, de Quinta a Sábado, do «auto poético fadista» intitulado «O Julgamento do Chico do Cachené» escrito em 1945 por Linhares Barbosa.
Esquecido durante largo tempo, será agora recriado com as vozes de Maria Emília, Nuno de Aguiar e Daniel Gouveia, e Sidónio Pereira na guitarra e José Clemente na viola.
Na Quinta 26 de Abril tem início, das 18 às 20h30 no Auditório B103 do ISCTE-IUL (na Av. das Forças Armadas, à Cidade Universitária) um seminário “Pensamento Crítico Contemporâneo”, organizado pela Unipop e pela Associação de Estudantes do ISCTE que pretende promover o debate sobre um conjunto de propostas teóricas que, posicionando-se criticamente face ao estado do mundo, têm procurado pensar as circunstâncias presentes e as alternativas que têm sido desenvolvidas no quadro da actual crise económica, mas também do ciclo de revoltas que, do Cairo a Wall Street, passando por Madrid, têm vindo a marcar o ritmo dos tempos que correm.
O seminário destina-se a todas as pessoas interessadas em participar, independentemente da sua especialização profissional ou da sua situação académica. (cada sessão avulsa 5 €)
Na primeira sessão ouvir-se-á “Gayatri Spivak: a subalternidade sexuada” por Adriana Bebiano e “Lila Abu-Lughod e o movimento feminista” por Shahd Wadi , com comentário de Manuela Ribeiro Sanches. Para mais pormenor : http://unipop.webnode.pt/news/seminario%2
A 26 de Abril, às 18h no Museu da Electricidade, tem lugar a 1ª encontro-debate que a revista “Visão” promove e que designou “Conversas às Quintas”. Serão interventores Viriato Soromenho Marques e Mário Soares, ambos cronistas daquela revista. A participação do público requer uma inscrição prévia no respectivo site.
Nas Quintas seguintes estarão Pedro Camacho/José Carlos de Vasconcelos, Gonçalo M. Tavares/José Gil e António Lobo Antunes/Eduardo Lourenço.
Por último, no “INDIE Lisboa’12”, nesta Quinta 26 de Abril, os cinéfilos não deverão perder na Culturgest, às 21h30, o filme de Werner Herzog de 2011 “Into the Abyss” onde o realizador alemão embarca num diálogo pelos corredores da morte com um condenado à execução capital e um seu cúmplice, fazendo-lhes perguntas sobre aquilo que viveram (tudo filmado em unidades prisionais do Texas, o estado americano com maior taxa de execuções). O filme não coloca o foco na culpa ou inocência, lançando apenas um olhar sobre os acontecimentos, numa viagem “ao abismo” da alma humana.
O filme-anúncio retrata bem a forma de abordagem desta temática sensível :
Caros leitores: Concluiremos o restante até Domingo na hora seguinte. Tende paciência.
por Rui Oliveira
Caro leitor : Podendo esta semana ser chamada de forma exacta “Do Dia do Livro aos Dias da Música”, o facto é que este último evento (e ainda o Festival Indie) desequilibra claramente os sete dias, esvaziando o primeiro em favor dos últimos. Senão vejamos :
Na Segunda-feira 23 de Abril, vésperas do aniversário do “dia da libertação”, sugerimos como adequado participar nos Encontros Imaginários que o encenador e dramaturgo Hélder Costa quinzenalmente prepara no espaço de A Barraca no Cinearte (a Santos) e que o próprio apresenta da seguinte forma :
“No ambiente festivo e preocupado do 25 de Abril de 2012 decidimos fazer um ENCONTRO com os mais célebres irmãos inimigos da Nossa História: O constitucionalista e liberal D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal (a propósito, Américo Tomás informou a sua mulher D. Gertrudes que essa diferença entre 1º e 4º tinha a ver com os fusos horários), D. Miguel , o absolutista e aluno fiel do Império Austro-Húngaro, e Bocage o vate Sadino, provocador, iconoclasta e iluminista pré - Revolução Francesa.
Porque a nossa História (e o Mundo) sempre viveu, vive e viverá neste conflito entre os que sonham, lutam e avançam, e os nababos enriquecendo com a ignorância e a miséria.
É a nossa homenagem ao 25 de Abril”.
Interpretam as figuras históricas : Bocage - Ruben Garcia , D.Pedro IV - Adérito Lopes e
D. Miguel - Sérgio Moras.
Na Terça-feira 24 de Abril, as Músicas do Mundo da Fundação Calouste Gulbenkian trazem ao seu Grande Auditório, às 21h, o fado de tradição lisboeta mas também o cante alentejano de António Zambujo que fará acompanhar a sua guitarra clássica da guitarra portuguesa de Ângelo Freire, dos cavaquinhos de Jon Luz, dos clarinetes de José Miguel Conde e do contrabaixo de Ricardo Cruz (que assegura também a direcção musical).
O cantor de Beja, a quem Caetano Veloso com os seus elogios “abriu” o público do Brasil, e que tem (como confessou) em Chet Baker e João Gilberto inspiradores para o cariz jazz/bossa nova do seu fado, irá certamente divulgar, entre outros, os temas do seu último CD “Quinto” de que reproduzimos um já célebre Flagrante :
As perspectivas de afluência são tais que a Fundação Gulbenkian desdobrou o concerto criando nova sessão na Quarta 25, também às 21h e também já esgotada.
Na Quarta-feira 25 de Abril, a par das celebrações do dia, é possível assistir à estreia na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, da peça de Jean-Claude Carrière (em tradução de Carlos Paulo) A Controvérsia de Valladolid, na versão cénica e encenação de João Mota, com cenografia de António Casimiro, numa co-produção do SLTM com a Comuna que assim assinala o seu 40º aniversário.
Interpretam-na Alexandre Lopes, Álvaro Correia, Carlos Paniágua, Carlos Paulo, Carlos Vieira D’Almeida, Mia Farr, Miguel Sermão, Pessoa Júnior, Virgílio Castelo e as crianças João Marcos e Ruben Carvalho.
O tema é um debate, um diálogo histórico entre Frei Bartolomeu de las Casas e o filósofo Sepúlveda. Em discussão, o direito de decidir, não apenas da vida dos povos conquistados, mas da sua pertença à humanidade. Uma imagem a recordar-nos a tragédia recente da tão opaca guerra colonial portuguesa, mas também a permitir-nos uma analogia com as formas contemporâneas de exclusão que, por detrás da sua aparência económica, colocam em questão a dignidade da existência. Em suma, um texto fundamental sobre os abismos que se abrem entre nós e o outro.
Não havendo ainda (como é lógico) registo desta encenação, oferecemo-vos a abertura assaz esclarecedora do filme La Controverse de Valladolid 1992 de Jean-Daniel Verhaeghe com Jean-Pierre Marielle (Frei Bartolomeu de las Casas), Jean-Louis Trintignan (Mestre Juan Gines Sepúlveda), Jean Carmet (Cardeal Salvatore Roncieri, legado papal), Jean-Michel Dupuis (Cristovão Colombo) :
Na Quinta-feira 26 de Abril, abre o “INDIE Lisboa’12” – 9º Festival Internacional de Cinema Independente (que se prolongará até 6 de Maio na Culturgest e nos cinemas São Jorge e Londres) com uma cerimónia de abertura (por convite) no Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira) às 21h30 com o filme Dark Horse EUA, 2011 de Todd Solondz, uma das expectativas do Festival. (ver programação em http://indielisboa.com/uploads/files/sup
Ao mesmo tempo é exibido na Culturgest às 21h30 outra das expectativas, Into the Abyss Alemanha/Reino Unido, 2011 de Werner Herzog na secção Observatório, enquanto têm início as secções Competição Internacional Curtas, Director’s Cut Curtas e Pulsar do Mundo Curtas.
De Dark Horse, uma comédia dramática com Christopher Walken, Donna Murphy, Jordan Gelber, Justin Bartha, Mia Farrow, Selma Blair onde “o romance brota entre um ávido coleccionador de brinquedos antigos e uma mulher que é o «dark horse» (a revelação inesperada) da sua família” mostramos o único e curto clip disponível :
Na Sexta-feira 27 de Abril, começam no Centro Cultural de Belém os Dias da Música em Belém que, neste ano de 2012, decorrerão sobre o tema “A Voz Humana O Canto através dos Tempos” como diz o programa “ da Idade Média à música contemporânea, do madrigal renascentista e barroco às grandes massas corais sinfónicas do Romantismo, do intimismo do Lied à elegância da mélodie francesa, passando por géneros de origem popular, como o blues e o fado”.
Neste primeiro dia apenas haverá no Grande Auditório, às 21h, o Concerto de Abertura onde será apresentada a ópera de Henry Purcell Dido e Eneias em versão concerto, tocada pelos King’s Consort dirigidos por Robert King.
Porque o tema é a voz, no entanto, mostramo-vos o início da própria ópera Dido e Eneias (com Sarah Connolly como Dido e Lucas Meachum como Eneias) na nova produção da Royal Opera House (Londres) para celebrar o 350º aniversário do nascimento de Purcell com a “Orchestra of the Age of Enlightenment” dirigida por Christopher Hogwood :
E para antever a execução instrumental dos “King’s Consort”, eis um excerto da suite de Purcell “The Old Bachelor” dirigida por Robert em Fevereiro de 2012 no Wilton's Music Hall (Londres) :
No Sábado 28 de Abril, os Dias da Música em Belém continuam a dominar a oferta cultural (a par do INDIE Lisboa’12) e neles poderemos ouvir desde o primeiro concerto da tarde às 14h (B1) o Coro Sinfónico Lisboa Cantat e a Orquestra Sinfónica Metropolitana com temas de Raquel Camarinha, Valérie Bonnard, João Rodrigues e Job Tomé até ao último da noite às 24h (B6) onde The Swingle Singers entoarão canções de Lennon/McCartney, Chick Corea, Elbow, Beyoncé, Piazolla e outros.
Para alguém se aperceber da variedade das propostas oferecidas, é possível consultar uma playlist elaborada pelo CCB com quase todos os agrupamentos (e reproduzi-la de forma automática ou com escolha aleatória) em
http://www.youtube.com/watch?v=bqJ8Nn5Lt
Salientaríamos, p.ex., duas prováveis boas homenagens ao poder da voz humana que devem ser as sessões B3 (e C10) dos Le Mystère des Voix Bulgares a cantar música étnica ainda actual como o tema Pritouritze Planinata :
ou, cronologicamente distante, as sessões B17 (e C21) da Capilla Flamenca cantando autores dos séculos XIV a XVI (Josquin Desprez, Alexander Agricola, Heinrich Isaac, Pierre de La Rue, Guillaume de Machaut, Bernard de Cluny e outros) :
Finalmente no Domingo 29 de Abril abandonemos por momentos os Dias da Música (em curso) para ir ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, assistir à estreia em Lisboa do espectáculo coreográfico de Rui Horta criado a pedido da Casa da Música para assinalar o 100º aniversário do nascimento de John Cage e que aquele denominou Danza Preparata.
Diz ainda o coreógrafo : “Cage é incontornável para a história da dança, não apenas pela sua longa colaboração com Merce Cunningham, mas sobretudo pela importância das suas reflexões teóricas e consequentes repercussões na história da criação coreográfica contemporânea. Danza Preparata é, assim, um solo para um ‘corpo preparado’ em diálogo com um piano preparado. As Sonatas e Interlúdios são interpretadas por Rolf Hind, um intérprete magistral das obras para piano preparado de Cage. Faltava um ‘corpo preparado’, que me será emprestado pela experiente e maravilhosa bailarina italiana Silvia Bertoncelli, uma intérprete tecnicamente irrepreensível e artisticamente polifacetada."
Poderá ver-se tudo isto no vídeo seguinte :
Para quem queira saber como Rui Horta integra a filosofia indiana que inspirou Cage nas fórmulas de dança que correspondem à sua música e também na forma de tocar a mesma, veja aqui.
Caro leitor : Mais tarde seguem as Cordas sobresselentes.
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Nesta Sexta-feira 20 de Abril, os eventos são diminutos. No Teatro Maria Matos, às 21h30, Miguel Pereira efectua uma performance (que se prolonga até Segunda, 23) onde se “aproxima” do mundo do teatro amador e daqueles que dedicam os seus tempos livres à prática artística e que por não terem a obrigação de construir um estatuto que os legitime na esfera do trabalho se deixam apenas levar pelo prazer que sentem naquilo que fazem. Diz : “E é nesse tempo “livre” que me coloco, que o espectáculo, o acontecimento que eu faça, possa acontecer nesse limbo “entre” o acabado e o inacabado, o possível e o impossível, o controlado e o libertador”.
Neste espectáculo do díptico (o outro é a 27/4) o seu encontro é com Nicola Carter em Nottingham, uma anotadora de 47 anos que transcreve o conteúdo de diferentes disciplinas para alunos universitários com incapacidades físicas e motoras mas que tem uma forte relação com a dança (fruto da sua paixão pelo clubbing nos anos 80 em Manchester) criando, nos seus tempos livres, as suas próprias performances.
No Museu do Oriente, às 18h30, antecipa-se nesta Sexta 20 de Abril a celebração do Dia Mundial do Livro (oficialmente o 23 de Abril) com uma conferência de Eduardo Pires Coelho, vencedor do Prémio Literário “Esfera das Letras, 2010” (destinado a galardoar uma obra original de carácter romanesco, novelístico, ou poético, redigida em língua portuguesa, no universo da lusofonia) pelo seu livro “O Segredo da Flor do Mar”.
“A Flor do Mar” naufragou em Dezembro de 1511 no estreito de Malaca e tem fascinado historiadores e caçadores de tesouros de todo o mundo pois o navio nunca foi encontrado… até hoje. O livro leva-nos, no presente, a Singapura, à Malásia, ao Peru, ao Brasil e aos Estados Unidos, mas também nos transporta para a Malaca Portuguesa, no final do século XVI e início do século XVII. Nessa altura, um misterioso nobre português combateu os piratas dos mares do Sul, viveu os encontros e desencontros com os sultanatos islâmicos de Johor e do Achém, para depois assistir à chegada avassaladora das armadas holandesas ao Oriente.
No Pequeno Auditório da Culturgest, às 21h30 deste 20 de Abril, terminam os (seus) espectáculos do Festival RESCALDO com a actuação de João Alegria Pécurto que desenvolve habitualmente na guitarra acústica “peças de uma beleza transparente, de rendilhados ternos e hipnóticos que se vão sobrepondo em sucessivas camadas” (como é descrito o conteúdo do seu disco, gravado em casa com aquela calma que só o lar pode proporcionar, “Um lugar de silêncio, para que tudo cante na tua ausência”).
Segue-se-lhe o encontro de Norberto Lobo guitarra acústica com Carlos Bica contrabaixo que, com background distinto mas com ligação significativa às suas raizes nacionais, antecipam (como diz o programa) “um daqueles acontecimentos a deixar marcas profundas em todos os que estiverem presentes”.
Por último, às 22h30 de 20 de Abril, no Ondajazz e em Couleur Café , em homenagem a Serge Gainsborough, “à sua música, à sua provocação e à sua sensibilidade, às suas palavras duras, às suas palavras ternas, às suas diferenças e indiferenças”, Luanda Cozetti (voz) e Norton Daiello (contrabaixo) de Couple coffe entram na dansa com Thierry Riou no piano, Guto Lucena nos saxofones e Alexandre Alves na bateria para uma noite nascida sob o signo da côr...
No Sábado 21 de Abril e no Teatro Nacional de São Carlos, o Concerto Sinfónico do Ciclo Rakhmaninov e a Música Russa tem lugar às 21h com a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de Julia Jones e o pianista checo Lukas Vondracek.
Do programa constam :
Mikhail Glinka Uma noite de Verão em Madrid (Abertura Espanhola n.º 2)
Serguei Rakhmaninov Concerto n.º 4 para piano e orquestra, em Sol menor, op. 40
Dmitri Kabalevski Dança Lírica (de Romeu e Julieta), op. 56
Dmitri Chostakovitch Sinfonia n.º 9, em Mi bemol Maior, op. 7
Vejamos como Vondracek interpreta outro compositor russo ao tocar a Sonata para Piano nº 7 em Si bemol Maior, op. 83 de Sergei Prokofiev :
A 21 de Abril, às 22h, o Teatro Aberto acolhe na sua Sala Azul o espectáculo do ensemble de tangos OrAnGoTaNgo, composto por Daniel Schvetz piano, composição, arranjos e direcção musical, Luís Cunha 1º violino, Anne Victorino D´Almeida 2º violino, Isabel Pimentel viola, Catherine Strynckx violoncelo, Pedro Santos acordeão e Miguel Menezes contrabaixo.
Recém regressados da Rússia onde ganharam um Prémio Especial no Festival Internacional Terem Crossover em São Petersburgo, irão certamente interpretar temas originais do pianista Daniel Schvetz e de compositores tais como Astor Piazzolla, Gardel, Anibal Troilo, Sebastián Piana e Mariano Moraes, entre outros. Serão ainda apresentadas três obras preparadas especialmente para o Festival Terem Crossover: «Trilogia, 5», que se apresenta como um misto de foclore do nordeste Argentino, milonga, tango e recolhas de Michel Giacometti; «Tchaikovskiana», composição baseada no “Quebra-Nozes” de Tchaikovsky e «Pian Dabliu», inspirada em “Pedro e o Lobo”, de Prokifiev.
Eis como se apresenta musicalmente o conteúdo “argentino” de OrAnGoTaNgO :
Ainda a 21 de Abril encerra às 22h no Trem Azul Jazz Store (rua do Alecrim, nº 21 A) o Festival RESCALDO com a intervenção de dois grupos musicais, antes do DJ Set gerido por Bobby Brown & Quincy, pseudónimos de Sérgio Hydalgo e Filipe Felizardo.
Abre Cangarra, formado pela gitarra eléctrica de Cláudio Fernandes e pela bateria de Ricardo Martins, onde “o limite do solo de guitarra é projectado para uma dimensão psicadélica que se vai enredando continuamente na ferocidade do mais hiperactivo baterista do país”.
Segue-se Canhão / Sousa / Nogueira / Ferrandini onde (como prevê o programa) “a bateria de recursos infinitos de Ferrandini e o sopro viral de Sousa encontram as cascatas de riffs e solos das cordas de Guilherme Canhão (guitarra elétrica) e Rui Nogueira (baixo)”.
Também a 21 de Abril no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, há mais um concerto Nuno Vieira de Almeida & Convidados, às 18h30, sobre o tema “A Mulher e o Homem no Romantismo através da voz de Schumann”, com Vieira de Almeida ao piano e a soprano Inês Calazans.
Ainda a 21 de Abril, às 22h30 no bar Ondajazz, ressurge o projecto Ficções, fundado em 1988 pelo guitarrista Rui Luís Pereira (Dudas), que agora agrega Guto Lucena saxofone, Ruben Alves piano, Miguel Amado contrabaixo e Carlos Miguel bateria. Nos seus três discos editados até 2001 mantêm uma “música com um sabor mediterrânico feito de mestiçagens − ecos ibéricos, africanos, árabo-andaluzes e um olhar atlântico, povoando um “folclore imaginário”.
Era este o seu som original em Tágide do disco Acqua de 1992 :
No Hot Club de Portugal, às 23h deste Sábado 21 de Abril, actua para sócios (grátis) e não sócios o Paulo Bandeira Trio, formação que junta Paulo Bandeira (bateria), João Paulo Esteves da Silva (piano) e Bernardo Moreira (contrabaixo).
Por fim, a 21 de Abril, tem lugar no Pequeno Auditório da Culturgest, às 18h30, a última conferência do cíclo que o professor da Faculdade de Belas Artes e crítico de design Mário Moura organizou para, a partir dum objecto, dum livro, apontar para filosofias, políticas, exposições, etc de modo a analisar como p.ex. num livro a maneira de hierarquizar conteúdos, de ocupar as páginas ou como as imagens se relacionam com o texto, implica não apenas uma autoria, mas também uma forma de se relacionar com a realidade, com a sociedade, com a política ou com a história.
O tema desta derradeira que intitulou Dot Dot Dot, Dexter Sinister ou “God is in the Foot-Notes” é a análise de como uma imagem discreta de uma firma de design num artigo científico da revista Dot Dot pode “abalar a sua gravidade académica, fazendo-o oscilar…entre a ciência e a fraude, a seriedade e o humor…”.
No Domingo 22 de Abril, há no Museu do Oriente, às 17h, um espectáculo da Escola de Música do Conservatório Nacional onde, numa primeira parte, o Coro do Ensino Integrado, dirigido por Teresa Cordeiro com Cândido Fernandes ao piano, entoará O Alentejo e, numa segunda, se apresentarão os Novos Solistas da Orquestra do Ensino Integrado, com Iris Santos, no violino, Thomas Childs, no trompete, e Adriana Rolão, na guitarra, sob a direcção de Ricardo Mateus.
Quanto ao panorama cinematográfico, neste final de semana pobre, a quem já viu todo o lote de filmes portugueses que aqui também elogiámos nas semanas anteriores sugerimos o filme de Cameron Crowe (autor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire, Quase Famosos) com o nome “desastrado” de ”Comprámos um Zoo!”, com actores como Matt Damon, Scarlett Johansson e Thomas Haden Church.
Baseado numa história verídica e assente (como é central em Crowe) na necessidade de reinvenção crucial à sociedade americana, concordaria com um crítico (J.M. ,Ípsilon) que o realizador “ao imbuir o seu cinema com uma essência emocional feita de experiências universais transporta o…filme para uma dimensão de vulnerabilidade e humanidade que equilibra os lugares-comuns do drama familiar e da comédia romântica com uma delicadeza quase diáfana”. Ou, mais cruamente, “filme de um classicismo quase artesanal como hoje começa a ser difícil encontrar no meio das patacoadas que Hollywood nos quer vender”.
Avaliem vendo-o (o que pode ser brevemente antecipado neste trailer) :
Concluem-se neste Domingo 22 de Abril, no Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, das 14h30 às 18h, as “Leituras Encenadas” associadas à exposição Fernando Pessoa – plural como o Universo.
Nesta 4ª sessão, cujo tema é «Pessoa "em pessoa": família, relações amorosas, sexualidade, morte. Ironia, desespero. A experiência de “Orpheu” – amizades e cumplicidades » os intervenientes serão : como Professor Gonçalo M. Tavares, como Encenador Marco Martins, sendo Actor Vítor Roriz (e designer de Som - PZ Pimenta).
E, se não viu ainda a exposição que encerra dentro de quinze dias (a 30 de Abril), aguce a sua curiosidade vendo o seu vídeo promocional :
Caros leitores : Esperemos que as chuvas recentes façam florir mais e melhores acontecimentos nos diversos campos da cultura …
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Nesta Segunda 16 de Abril, quanto a cinema, lembramos que a Cinemateca Portuguesa inicia a sua colaboração com o Panorama 2012 – Mostra do Documentário Português fazendo quatro sessões temáticas (e mais duas sobre os operadores e realizadores Artur Costa Macedo e Manuel Luis Vieira), todas elas acompanhadas ao piano por Filipe Raposo (“como nos bons velhos tempos”!).
Assim às 19h na Sala Dr. Félix Ribeiro, os “Pioneiros e caçadores de imagens” (como Aurélio da Paz dos Reis ou João Freire Correia) terão filmes exibidos, bem como às 22h na Sala Luís de Pina em “O país revelado pelo cinema” teremos filmes de J.R. dos Santos Júnior e outros, como p.ex. A dança dos Pretos (Moncorvo), muito provavelmente o primeiro filme etnográfico português.
Seguem-se na Terça às 19h (Sala Dr. Félix Ribeiro) “As missões cinematográficas às colónias” e na Quarta às 19h na mesma Sala “Depois de Lisboa, Crónica Anedótica e Douro, Faina Fluvial” que, de algum modo, espelham o “fértil cruzamento de tendências que alimentou a autonomização do documentário em Portugal, no início dos anos trinta”.
Ainda no campo da 7ª Arte, a mesma Cinemateca Portuguesa participa na 8 ½ Festa do Cinema Italiano (além da Retrospectiva Ermanno Olmi) com a exibição às 21h30 na Sala Dr. Félix Ribeiro de Il Silenzio di Pelechian (2011) de Pietro Marcello, que estará presente. Possuimos dele algumas imagens esclarecedoras :
Este é um documentário sobre um dos mais “silenciosos” autores do cinema contemporâneo , o arménio Artvazd Pelechian (entrevistado no filme) feito de certo modo“em resposta” a “L'inizio - Начало (Natchalo, Nachalo o Skisb o Skizbe)”, 1967 daquele realizador, de que se pode ver um extracto aqui.
Na mesma Segunda, 16 de Abril, às 18h30, há na Sala dos Espelhos do Palácio Foz um recital pelos alunos (cerca de treze, mais um quinteto e um sexteto) da Classe de Flauta do Conservatório de Lisboa (Prof.ª Marina Camponês) que tocarão obras de S. Lancen, W. A. Mozart, J. Haydn, C. Norton, D. Shostakovich, J. C. Pepusch, S. Mercadante, P. Gaubert, L. Berkeley, A. Reicha, A. Vivaldi e G. P. Tellemann.
Às 20h30, na mesma sala do Palácio Foz, ocorre o Recital de Laureados dos Concursos de Piano, Violino e Violoncelo do Instituto Gregoriano de Lisboa (cerca de vinte músicos) com obras de Dmitri Kabalevsky, Ludwig van Beethoven, Piotr Ilitch Tchaikovsky, Georg Friedrich Haendel, Johann Sebastian Bach, Eric Satie, Modest Mussorgsky, Fernando Lopes-Graça, Oscar Rieding, Gabriel Fauré, Joly Braga-Santos e Sérgio de Azevedo.
A entrada é livre.
A 16 de Abril, na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa, às 18h, há a leitura encenada da peça “Checoslováquia” do jovem escritor madeirense Tiago Patrício com os actores Raquel Cipriano (Pavla), Pedro Almeida (Augusto), Pedro Alves (Teófilo) e Mário Trigo (Hans), sendo a coordenação de leitura de Pedro Alves. (entrada livre)
Também a 16 de Abril, no Instituto Cervantes, às 10h, iniciam-se as I Jornadas de Linguística Hispânica com uma Conferência de Abertura a cargo de Humberto López Morales (Havana, Cuba), Professor Emérito da Universidade de Porto Rico, sobre “El español en el mundo actualmente”.
Ainda a 16 de Abril, às 20h e às 22h, na Casa Conveniente, estreia [Sem Título] Carvão sobre Tela , um espectáculo de Mónica Garnel (encenação e interpretação) sobre um texto de Miguel Castro Caldas em que os actores convidados (7 noivos para 7 dias) são : Ricardo Neves-Neves (2a-feira), Pedro Gil (3a-feira), Tiago Barbosa (4a-feira), Mário Fernandes (5a-feira), Bernardo Almeida (6a-feira), José Miguel Vitorino (Sábado), Diogo Bento (Domingo) com participação especial de Rute Cardoso.
Permanece até 22 de Abril.
Na Terça 17 de Abril, às 18h30, no Maria Matos Teatro Municipal em coorganização com a Unipop, prosseguem as “Palestras para o dia de amanhã” com a intervenção de Martin Breaugh (professor de Teoria Política na Universidade de York, em Toronto) sobre o tema “A Experiência Plebeia”.
Indaga este pensador : “ … Num sentido que vai para lá das figuras do trabalhador, do operário ou do proletário e da tentativa de recondução dos sujeitos políticos a actores constituídos objectivamente, a experiência plebeia é o próprio processo que os constitui. No centro desta experiência está a recusa da dominação, assim como o desejo de uma igualdade radical e de liberdade política, entendida como a participação na vida da cidade … Hoje, quando coexistem a afirmação da inevitabilidade das opções políticas e a irrupção de motins, ocupações e manifestações de toda a ordem, será tempo de voltarmos a falar da experiência plebeia?”
A 17 de Abril, no ISCTE-IUL (Sala C 103), das 10h às 18h, decorre o workshop internacional “The Art of Not Being Governed / James C. Scott in Iberia”.
Tendo durante as últimas décadas as obras de James C. Scott ajudado a desenvolver conceitos, metodologias e teorias que influenciaram profundamente aqueles que estudam os movimentos sociais, as sociedades agrárias ou as lutas de resistência, esta iniciativa oferece a oportunidade de reunir Scott com um conjunto de investigadores “ibéricos” e discutir com ele a pesquisa nesta área à luz do seu legado de director do Programa de Estudos Agrários de Yale, nomeadamente vertido no seu recém publicado livro “The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia”.
Também a 17 de Abril decorre no Auditório III da FLUL, das 9h30 às 19h, o Seminário «Faces de Mudança - Historiografia e Historiadores do Século XX em Portugal », organizado pelo Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através do seu grupo de investigação Memória & Historiografia, e o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta. A entrada é livre.
Nele se abordarão temas como “Perspectiva sobre a história cultural em Portugal”, “Percursos marxistas na historiografia portuguesa”, “Perspectivas de género no estudo das rainhas medievais” ou “Historiografia do Direito e das instituições” e se focarão figuras de historiadores e ensaistas como Raul Proença, Joaquim de Carvalho, Borges de Macedo, Orlando Ribeiro, António José Saraiva, Luis Albuquerque, Silva Dias.
Ainda a 17 de Abril, a galeria ZBD recebe às 22h o duo THEESatisfaction, composto por Stasia Irons (de Seattle) e Catherine Harris-White (do Hawai) cuja música, segundo o seu próprio blogue “respira um ambiente digital, aponta referências ao hip hop, alberga de forma natural e descomprometida uma multiplicidade de linguagens que englobam o r n’ b, a disco, o jazz e o funk, reflectindo os ecos de Erykah Badu, ESG e Ursula Rucker”.
Eis o tema Queens dum seu álbum recente “awE naturalE” :
Por último a 17 de Abril,salienta a crítica internacional o mérito da vinda ao Auditório dos Oceanos no Casino de Lisboa, às 21h30, do espectáculo circense, misto de teatro e dança, “Slava’s Snowshow”, criação do russo Slava e habitualmente sediado no Moulin Jaune, nos arredores de Paris, onde instalou a sua Academia de Loucos. Porque, diz, “ o louco e o palhaço estão muito próximos, mas um é um modo de vida e o outro uma profissão. Um palhaço é um profissional da loucura….Mas o palhaço é também um anarquista, alegre, que nunca adoptará uma regra sem a testar primeiro…o que pode ser doloroso. Mas é importante testá-las, porque senão são regras mortas, com que se não pode viver…”.
Como se percebe, é um espectáculo para jovens, mas não só… Permanece até Domingo 22 de Abril (com matinés às 17h).
Apercebamo-nos do ambiente criado neste pequeno vídeo :
Na Quarta 18 de Abril, tem lugar no ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão novo Concerto Antena 2, às 19h (de entrada livre), onde um Sexteto de cordas composto por Bin Chau violino, Jorge Lé violino, Leonor Braga Santos viola, Cristopher Hooley viola, Varoujan Bartikian violoncelo e Martin Henneken violoncelo vai executar um programa que porá em confronto o Quinteto para cordas em Sol menor K. 516 de Wolfgang Amadeus Mozart e o Sexteto para cordas op. 59 de Joly Braga Santos, considerada uma das melhores obras deste compositor na sua fase final.
Por não haver registo desta última, deixamo-vos uma versão integral do Quinteto mozartiano tocado por membros do Sexteto de Viena :
Também na Quarta 18 de Abril tem início no Pequeno Auditório da Culturgest, em regra às 21h30, o Festival RESCALDO que pretende ser um encontro de nomes e projetos musicais que se destacaram na cena nacional em 2011, focando a sua programação na fértil diversidade das movimentações emergentes da electrónica, improvisação, electroacústica, do rock e do jazz.
Esta sua 5ª edição conta com nove concertos, um lançamento de um livro, duas exposições, um DJ Set e um lançamento de uma nova editora que visa abrir mais uma porta de forma a impulsionar e dar visibilidade a este panorama. (ver programa pormenorizado aqui )
Resumidamente poderemos dizer que neste 1º dia se ouvirá Feltro de André Gonçalves e Calhau! da dupla Alves Von Calhau e Marta Von Calhau.
É duma sua performance no Museu do Chiado que temos som e imagens :
Nos restantes, ainda se escutará no Pequeno Auditório na Quinta 19 Tó Trips em guitarra acústica e Olive Troops SOS de Carlos Nascimento e na Sexta 20 João Alegria Pécurto e Norberto Lobo/Carlos Bica, enquanto no Sábado 21 será na Trem Azul Jazz Store que tocarão Cangarra de Cláudio Fernandes e Ricardo Martins, Canhão/Sousa/Nogueira/Ferrandini e o Dj Set Bobby Brown & Quincy.
Ainda na Quarta 18 de Abril, realiza-se no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h, mais uma conferência do Ciclo “Matemática : Ciência da Natureza” intitulada “Geometria com dobras de papel: como o origami bate Euclides” e proferida pela Profª. Doutora Ana Rita Pires (da Cornell University).
O acesso é livre e pode ainda assistir-se em directo através do site www.livestream.com/fcglive.
Também a 18 de Abril, agora às 11h, Daniel G. Marques fará uma palestra sobre "A Recepção das Teorias Transformistas e Evolucionistas na Comunidade Científica Portuguesa: o Caso da Escola Politécnica de Lisboa (1872-1911)" na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sala 8.6.02a.
Por último, a 18 de Abril (Quarta), tem início (e termina a 20) um colóquio organizado pelo Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL (Av. De Berna) em colaboração com a Universidade Complutense de Madrid e o Birkbeck College of the University of London, intitulado “THE MANY – History, theory and politics” que decorrerá no Edifício ID (4º piso).
O seu objectivo parte da reflexão “ Os anos recentes tem sido marcados pela procura de novos conceitos (ou a renovação dos antigos) de como designar o sujeito colectivo da política. Essa procura, nos seus diversos aspectos, implica uma noção estratégica da política onde a pluralidade dos sujeitos individuais excede sempre a soma das partes. Tais debates em torno das designações do sujeito político colectivo ocorrem em domínios tão diversos como a filosofia, a história, a economia, a ciência política e a antropologia”.
Nele participarão muitas dezenas de investigadores (como consta do cartaz) de que mencionaremos, a título de exemplo, os primeiros cinco referidos : James C. Scott, Charisma as a transaction , Boaventura de Sousa Santos Citizenship from the perspective of the non-citizen, Sandro Mezzadra At the multiple borders of politics: in search for the subject of the common, Peter Hallward The will of the people: neo-Jacobin principles, Photini Danou The “many headed monster” in pre-modern England and the politics of public opinion, etc..
E a encerrar a Quarta 18 de Abril desafiamo-lo a ir ao palco no telhado do Kolovrat 79 (rua D. Pedro V), às 22h, ouvir Michael Hurley, decano da música folclórica norte-americana (em 1965 estreou-se na Folkways, em 1976 editou “Have Moicy!” − talvez o melhor álbum folk da era rock) que virá certamente glosar o seu mais recente “Blue Hills”.
Ouçamo-lo como era na origem com “Folks” (1964) :
Na Quinta-feira 19 de Abril, às 21h (com repetição às 19h de 20 de Abril), no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian ouvir-se-á a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo jovem maestro francês Lionel Bringuier, de regresso a Portugal enquanto cumpre a segunda temporada como Director Musical da Orquestra Sinfónica de Castela e Leão, em Valladolid, e o quarto e último ano como Maestro Associado da Orquestra Filarmónica de Los Angeles.
Do programa do concerto constam :
Claude Debussy Prélude à l’après-midi d’un faune
Pedro Amaral Transmutations pour Orchestre (Nr. 5.3) *
Johannes Brahms Sinfonia nº 1, op. 68
Sendo ainda escassos os registos do jovem maestro, pode perceber-se a capacidade técnica de Bringier neste 4º e último andamento da Sinfonia Nº.3 em Sol menor op.42 do compositor francês Albert Roussel (1869-1937) :
Nessa Quinta 19 de Abril, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h, há um concerto pela Orquestra Geração, integrado nas comemorações do 202º aniversário da "Semana del Bravo Pueblo" numa iniciativa da Embaixada da República Bolivariana da Venezuela em Portugal com a colaboração da Juventude Musical Portuguesa e de entrada livre.
A Orquestra Geração, um projecto musical que reproduz em Portugal a experiência venezuelana no campo de Orquestras Juvenis e Infantis, irá, sob a direcção musical de José Jesús Olivetti Giménez, tocar um vasto programa que inclui de António Cuéllar Festa no Jardim e Marcha com Variações, de Edward Elgar Pompa e Circunstância, de Pedro Elías Gutiérrez Alma Llanera e ainda uma Polca do Folclore Alemão, a canção folclórica El Barquito e a Little Baroque Suite (arr.: Tylman Susato).
Também a 19 de Abril, como referimos anteriormente, prossegue no Pequeno Auditório da Culturgest, às 21h30, o segundo dia do Festival RESCALDO.
Primeiro actua Tó Trips com a sua guitarra acústica, considerado “uma figura essencial para o rock – nas suas diversas frentes – feito em Portugal nos últimos 25 anos”.
Depois Vítor Lopes, Carlos Nascimento e Bruno Silva, que se reuniram pela primeira vez enquanto trio com o nome de Olive Troops SOS, vão explorar as potencialidades da electrónica numa vertente improvisada, pelo que a música deste trio conjuga influências tão diversas como o dub, o krautrock ambiental ou alguma música de dança britânica mais cerebral do início dos anos 90.
É a 19 de Abril que o Teatro da Politécnica acolhe em estreia, às 19h, “AGAMÉMNON vim do supermercado e dei porrada ao meu filho” de Rodrigo Garcia, numa encenação de John Romão, com interpretação de Gonçalo Waddington e das crianças Alexandre Pires, Henrique Pires e Martim Barbeiro, numa produção Colectivo 84 /Penetrarte /Murmuriu.
A peça é assim resumida por Rodrigo Garcia : “O dia de um pai de família, hoje mesmo, ou anteontem. O mundo do consumo que não tem fim, uma vida atafulhada de coisas inúteis. Uma intensa reflexão sobre a ordem mundial, as assimetrias económicas, o terror e as questões de género. Um autor convulsivo que reformula o teatro”.
Donde um excerto : “Tiro tudo o que há em cima da mesa / as Coca - Colas, os restos dos molhos, tudo / Deixo o espaço limpo só para as asinhas de frango / Uma duas sete asinhas de frango / Coloco-as na mesa, cada qual no seu sítio / Perfeitas / Agarro no ketshup e escrevo bem grande na mesa a palavra: TRAGÉDIA / E o meu filho caga-se a rir / E explico-lhe que a TRAGÉDIA começa com o mundo industrializado”.
O espectáculo permanece até 28 de Abril, em horas diversas.
No Teatro Tivoli, a 19 de Abril às 21h30, estreia a comédia “As Mulheres não percebem …”, um texto de Frederico Pombares, Henrique Dias e Roberto Pereira, com encenação de José Pedro Gomes, interpretado por Aldo Lima, André Nunes e Rui Unas.
Tema : O que ficamos a saber sobre os homens quando três trintões, amigos de longa data, se vêem forçados a passar cerca de uma hora, juntos, sozinhos, sem distracções e a falar uns com os outros …
“Miedo Escénico” é o título do projecto site e context specific concebido pelo artista plástico Javier Núñez Gasco para ser incluído no espectáculo coreográfico Perda Preciosa que se estreia no Teatro Camões neste 19 de Abril, conforme referimos acima.
Nessa obra, que conta com o apoio da “Fundación Marcello Botín”, Núñez Gasco propõe-se alugar, a quem estiver interessado e pela quantia de 250 €, 4 m2 do palco do Teatro Camões durante os 90 minutos de cada uma das oito apresentações que Perda Preciosa terá nesse mesmo palco. Poderá ser, como esclarece, para pôr um anúncio, expor um trabalho ou exibir alguma outra coisa seja ela uma obra de arte ou não. Sinais da crise?
Ainda a 19 de Abril (Quinta-feira), no Institut Français de Portugal há, às 19h, mais um “Bar das Ciências” de entrada livre onde o tema “O Homem face às alterações climáticas : o que nos ensina a paleoclimatologia ?” será abordado por Philippe Martinez, Professor da Universidade de Bordéus 1. A entrada é livre e haverá debate.
Introduzindo o tema : “O Homem ao longo dos tempos foi sendo confrontado com as alterações climáticas e a estas foi sabendo adaptar-se. Mas que sabemos nós do clima da Terra e das suas alterações no passado ? Desde há alguns séculos, que os naturalistas, geólogos e paleoclimatólogos se revezam para melhor estudarem os arquivos climáticos que contêm os continentes, os oceanos, os lagos, os glaciares. O desenvolvimento de técnicas modernas ao longo destas últimas décadas permitiu realizar avanços consideráveis acerca do conhecimento da variabilidade dos climas no passado, e melhor compreender as suas causas e consequências. A acumulação deste conhecimento é necessária para avaliar o que nos reservará o clima no futuro...”
Igualmente na Quinta 19 de Abril há na sede do Institut Français de Portugal, às 15h, a abertura oficial da SCENALISBOA 2012, Encontros internacionais de Cenografia que, nesta sua 2ª edição em 2012, “abraçam novos desafios, que visam essencialmente três objectivos gerais:
- A divulgação e promoção das boas prácticas profissionais e artísticas no âmbito da criação cenográfica.
- A abertura para um público alargado e transversal.
- A internacionalização do SCENALISBOA e a ramificação da sua acção enquanto entidade agregadora e estruturante da reflexão e da práctica cenográfica”.
A conferência inaugural será proferida por Marcel Freydefont, cenógrafo e director do Departamento Científico de Cenografia da Escola Nacional Superior de Arquitectura de Nantes (França) com o título “A Cenografia hoje na Europa”.
Também a 19 de Abril, às 18h30, na Casa da América Latina vai decorrer um debate “Porque fotografamos e pintamos a cidade?” onde o fotógrafo Rodrigo Hernández e o writer Parks, autores da exposição “Geografias” (em exibição na Casa da América Latina) participam numa conversa aberta que cruza diferentes olhares artísticos sobre a cidade, as diferentes formas de experienciá-la, a fotografia e a arte urbana e onde, para lá do público (de entrada livre) estarão presentes o antropólogo Ricardo Campos e a artista visual Cristina Zabalaga.
Pode ter-se aqui um breve relance sobre “Geografias” :
Por fim, nesta Quinta 19 de Abril, às 22h30¸no bar Ondajazz o projecto Swing Audi junta Xico Santos contrabaixo, André Oliveira guitarra, Federico Pascucci saxofone, Fernando Lyra percussão/saxofone, Olivier Genevest guitarra/trompete e Thibaut Dumas violino, para tocar uma música de jazz arraçado, revisitando clássicos de Django Reinhardt, outros não tão clássicos e ainda outros “simplesmente fiéis ao espírito cigano, de alegria eufórica, de aventura e de sorrisos sem compromisso” .
Caro leitor, mais uma hora e concluiremos as Cordas sobresselentes da semana.
por Rui Oliveira
Caros leitores : O panorama não se alterou muito face à míngua pascal, quiçá piorou … pelo que alguns destaques são eventos que noutras circunstâncias não chamariam uma atenção semelhante, contudo têm mesmo assim um mérito previsível (penso eu de que … como diria o humorista !). Sendo assim :
Na Segunda-feira, 16 de Abril, o jejum, mesmo não canónico, ainda persiste pelo que a nossa sugestão, conquanto algo diabólica, é o filme “L’Enfer” (“O Inferno”, 1993) de Claude Chabrol no ciclo sobre este realizador que o Institut Français de Portugal actualmente organiza, o qual será ali exibido às 19h com entrada livre.
Aquele que é considerado “um dos mais singulares e perturbantes filmes de Claude Chabrol” (Manuel Cintra Ferreira, in Folhas da Cinemateca Portuguesa) teve como argumento um texto original de Henri-Georges Clouzot, música original de Matthieu Chabrol e a interpretação de Emmanuelle Béart, François Cluzet, Marc Lavoine e Thomas Chabrol, entre outros.
Como tema : “Paul acaba de comprar e de remodelar o hotel de charme onde ele próprio trabalhou. Casa-se com Nelly, uma das raparigas mais bonitas da região, e rapidamente têm um filho. Tudo seria perfeito, se não fossem as prestações do empréstimo, a concorrência e essa estranha propensão de Nelly para ser agradável, sobretudo com os homens.” É, diz o crítico M.C.F., “O retrato da loucura de um homem que já não sabe o que faz. Como ele, também o espectador se interroga sobre o que de facto está a acontecer. O processo de que Paul é vítima não tem fim. Logo, o filme também não…
Pode ter-se a percepção do clima do filme neste extracto :
Para os cinéfilos não pode omitir-se que o autor do 1º argumento, o também notável realizador Henri-Georges Clouzot, chegara a fazer em 1964 as primeiras duas semanas das dezoito previstas do seu projecto de L’Enfer com Romy Schneider e Serge Réggiani nos principais papéis. A doença do realizador e do actor impediram a sua conclusão mas um trailer foi mais tarde preparado sobre esse projecto abortado. Ei-lo :
Foi mesmo tentada a “reconstrução” do filme como bem explica o co-realizador Serge Bromberg numa entrevista que os mais curiosos poderão ver aqui.
Na Terça-feira 17 de Abril a nossa escolha possível vai para o Recital de Piano que generosamente o Palácio Foz propicia na sua Sala dos Espelhos, às 18h30, numa iniciativa da Embaixada de Espanha em Lisboa com a colaboração da Juventude Musical Portuguesa (a entrada é livre).
O intérprete será o conhecido pianista espanhol de origem libanesa Daniel del Pino (autor de CDs com Estudos completos de Chopin e Goyescas de Granados, entre outros) , o qual apresentará um programa com peças de E. Granados (Melancólica e Zapateado), de A. Fragoso Prelúdio, de M. de Falla Fantasia Bética, de J. Turina La Andaluza Sentimental, de E. Granados El Pelele, de F. Chopin Preludios Op. 28 (selecção) e de F. Liszt Rapsódia Espanhola.
Podemos ouvi-lo na transcrição que Franz Liszt fez da Rigoletto-Paraphrase de Guiseppe Verdi tocada em Outubro de 2011 (no El Jardin de Belagua, Madrid) :
Na Quarta-feira 18 de Abril sugerimos esperançadamente a audição no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, do Coro do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção musical de Giovanni Andreoli com o apoio do pianista Kodo Yamagishi e a participação da soprano Maria do Anjo Albuquerque e do barítono Carlos Pedro Santos na interpretação da obra de Johannes Brahms Ein deutsches Requiem, op. 45.
O concerto será comentado por Jorge Rodrigues que salientará, certamente, que a obra, composta entre 1865 e 68 e presumivelmente motivada pelo desgosto devido à morte recente da mãe do compositor (sucedendo-se à de Robert Schumann), teve uma versão mais curta com seis andamentos que o próprio Brahms dirigiu na Catedral de Bremen em Abril de 1868. Mais tarde o compositor escreveu mais um andamento (que veio a ser o 5º) destinado a uma soprano (e coro), cuja primeira ária “Ihr habt nun Traurigkeit” aqui ouviremos pela célebre soprano Kathleen Battle com o Coro e Orquestra da Filarmónica de Viena dirigidos pelo maestro Herbert von Karajan :
Para ouvir o Requiem integral (76 min) pelo Coro e Orquestra Sinfónica da Universidade da Califórnia Davis (dir. Jeffrey Thomas) com Tamara Matthews, soprano e David Arnold, barítono clique aqui.
Na Quinta-feira 19 de Abril chamamos a atenção para a estreia absoluta pela Companhia Portuguesa de Bailado no Teatro Camões (Passeio do Neptuno, ao Parque das Nações) às 21h, do espectáculo coreográfico “PERDA PRECIOSA · D. Sebastião morreu” que ali permanecerá até 29 de Abril.
O bailado tem encenação, dramaturgia e cenografia de André e. Teodósio e coreografia de Rui Lopes Graça, sendo a concepção e a interpretação musical de Massimo Mazzeo dirigindo o Divino Sospiro. Do guião dos coreógrafos extraímos como textos explicativos das suas duas partes :
« I - D. Sebastião era um rei e simultaneamente um miúdo com a mania das grandezas. Historicamente a sua perda foi devastadora para a cultura portuguesa pois, para além da identidade, perderam-se também séculos à espera que uma qualquer figura surgisse para nos organizar a desordem. E se, ao contrário do nosso destino, tivéssemos conseguido capitalizar a sua morte? Se o nosso comportamento tivesse estado mais próximo da felicidade dos curiosos albinos da Ilha dos Lençóis, que afirmam ser seus descendentes, do que do atavismo nostálgico que foi marcante na cultura portuguesa? PERDA PRECIOSA é o início de uma nova História…
« II - No início há um morto: um super-herói púrpuro que afirma ser Capitão Cristo. Ao batalhar contra tudo e todos, touros e mouros, fina-se o menino de cabelos de ouro. A ordem escondia o desejo de liberdade … Do delírio orquestrado surge a nossa contemporaneidade democrática; mas este mundo tal como o conhecemos, e que é tão rico em diferenças, por vezes homogeniza-se para perpetuar um hábito herdado de D. Joana: celebrar as saudades do seu Sweet 16 … é a festa heterogénea em que, ao contrário do mundo clássico da primeira parte, todos os descendentes de um morto anseiam pelo seu regresso. E cumprindo à regra a segunda parte de um ballet, o morto regressa. A sua amante impossível lança-se violentamente nos seus braços … É como nas terceiras partes dos clássicos! Porque nunca mentimos: PERDA PRECIOSA é um ballet.»
Do clima dos ensaios deste ballet dá uma boa imagem este vídeo (que não dispensa a ida!) :
Na Sexta-feira 20 de Abril, o nosso alvo preferencial dirige-se para o Centro Cultural de Belém onde, às 21h na Sala Eduardo Prado Coelho (Pequeno Auditório) actua o Hadouk Trio que reune desde há mais de dez anos os músicos Didier Malherbe doudouk, flautas, ocarina, saxofone soprano, khen, Loy Ehrlich hajouj, cora, sanza, gumbass, teclados e Steve Shehan percussão, djembê, hang [o nome do trio deriva de ha(jouj)+(dou)douk] e mantém o seu estilo inconfundível de etno-jazz inspirado nas suas raízes africanas e com variações instrumentais em que introduz novas misturas sonoras que os próprios designam de “aero-zen” (aliás o título dum dos seus últimos temas).
Ao sucesso dos discos anteriores – Utopies (Disco de Ouro) e Baldamore –, e aos vários prémios recebidos, como a nomeação para o Victoires de la Musique Jazz 2007 (Melhor Formação Instrumental), o Hadouk Trio juntou em 2010 Air Hadouk de que em seguida reproduzimos o tema Babbalanja registado ao vivo no New Morning (Paris) em Março de 2011 :
No Sábado 21 de Abril é de novo à Fundação Calouste Gulbenkian (ao seu Grande Auditório, às 18h) que é aconselhável afluir para mais uma transmissão (em diferido) da Metropolitan Opera de Nova Iorque em HD, desta vez da ópera de Giuseppe Verdi “La Traviata”.
Dirigida por Fabio Luisi como maestro convidado principal numa produção de Willy Decker, vai caber a Natalie Dessay encarnar pela primeira vez no Met o papel de Violetta no seu característico traje vermelho, como a Matthew Polenzani interpretar Alfredo ou a Dmitri Hvorostovsky ser Germont.
Eis como surgirão nesta despojada encenação :
Compare-se-a com a também recente (Julho de 2011) interpretação de Natalie Dessay com Charles Castronovo como Alfredo e Ludovic Tezier como Germont em Aix-en-Provence nas cenas finais da ópera :
No Domingo 22 de Abril recomendaríamos para o repouso dominical assistir na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h, ao Recital a Dois Cravos (de entrada livre) que as reputadas cravistas Flávia Almeida Castro e Maria José Barriga darão numa iniciativa da Academia de Música de Santa Cecília, com apoio da Juventude Musical Portuguesa.
Formado com o intuito de divulgação de um dos instrumentos musicais mais relevantes da prática musical dos séculos XVI, XVII e XVIII e do seu repertório solístico, em especial o composto para dois cravos a solo, este duo intitulou este concerto de Frente a Frente, a Música Barroca em Duo de Tecla e propõe-se executar as seguintes peças :
J. S. Bach Concerto em Dó maior BWV 1061ª,
A. Soler 3º Concierto em Sol maior,
W. A. Mozart Sonata em Dó maior a 4 mãos KV 19d e
J. S. Bach Concerto em Dó menor.
Escutemo-las nesta última peça (o Concerto III em Dó menor BWV 1062) no seu 2º andamento Adagio a quando do “5º Festival Terras Sem Sombra” em 2009 na Igreja matriz de Santiago do Cacém :
Caros leitores: Na próxima hora conhecerão as Cordas sobresselentes desta semana.
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta-feira 13 de Abril, tem efectivamente lugar a Sessão de Abertura de 8 ½ Festa do Cinema Italiano, onde Paolo Sorrentino, um dos nomes sonantes do panorama cinematográfico italiano e europeu, vai estar presente às 21h30, no Cinema Monumental, para apresentar This Must Be The Place (Este É o Lugar, 2011), o filme protagonizado por Sean Penn e Frances Dormand que fez parte da selecção oficial do Festival de Cinema de Cannes em 2011. Nesta sua primeira incursão em Hollywood, o realizador leva o “camaleónico” Sean Penn a interpretar uma rock-star reformada, híbrido de Robert Smith e Eduardo Mãos-de-Tesoura, numa viagem surreal à descoberta das suas próprias raizes através das ruínas do “sonho americano”.
Veja-se, como incitamento à visão da película, a excelente caracterização operada sobre Sean Penn neste pequeno filme-anúncio :
Na mesma noite de Sexta, já na Secção Competitiva, projecta-se no Cinema Nimas, às 22h, o filme Ruggine (Dust, 2011) de Daniele Gaglianone, baseado no best-seller homónimo de Stefano Massaron, onde um bando de crianças usa, como local de aventuras, um grande armazém de destroços ferrugentos, uma espécie de terra de ninguém entre a cidade e o campo. Destaca-se aí Filippo Timi numa interpretação notável de um espantoso vilão.
Também nessa Sexta 13 de Abril tem início PANORAMA 2012, a 6ª edição da Mostra do Documentário Português que decorrerá até 21 de Abril entre o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa sob o lema “Como se vê o documentário português ?”.
Desde o primeiro momento, em 2006, a Mostra pretende ser um canal privilegiado para aceder aos documentários feitos em Portugal ou por portugueses, contribuindo para “um encontro entre quem faz e quem vê”. Ao mesmo tempo, PANORAMA pretende levar ao encontro com os cinemas e as obras daqueles que fundaram o cinema português. A rubrica «Percursos no documentário português» é exactamente uma visita a esta história e, este ano, em “A Imagem Muda – Pioneiros, Caçadores e Vanguardistas” abordar-se-á o documentário feito nos primeiros anos do cinema em Portugal até à chegada do cinema sonoro,
Finalmente, PANORAMA pretende trazer à superfície as problemáticas que condicionam a criação documental portuguesa, através de um tema central que, todos os anos, guia a organização do programa e provoca um debate alargado. Ao longo das suas edições, tem perguntado: “para onde olha o documentário português?”, “com que instrumentos cinematográficos se constrói?”, “como se produz?”, «como se ensina?” e, com atrevimento, volta a fazer as perguntas que já não são perguntas que se façam. “Só desarrumando ideias fixas, se poderá avançar” (afirmam convictos).
O pormenor de toda a programação pode ser encontrado em :
http://www.panorama.org.pt/2012/contents/g
Assim, nessa Sexta-feira de abertura de PANORAMA 2012 serão exibidos na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, às 21h, na secção “Percursos no Documentário Português - A Imagem Muda” os filmes Nazaré, Praia de Pescadores de Leitão de Barros (1929, 15'), Alfama, A Velha Lisboa de João de Almeida e Sá (1930, 25') e Douro, Faina Fluvial de Manoel de Oliveira (1931, 19').
No São Luiz Teatro Municipal, às 23h30 de Sexta 13 de Abril, é apresentado no Jardim de Inverno o espectáculo “Estilhaços e Cesariny” , um projecto de spoken word em que Adolfo Luxúria Capital voz, com António Rafael (piano e programações), Henrique Fernandes (contrabaixo) e Jorge Coelho (guitarra) pretende homenagear a poesia e os poetas e em particular Mário Cesariny (1923-2006), a partir de Estilhaços (livro e cd homónimos de Adolfo Luxúria Canibal).
Ainda a 13 de Abril, estreia na Sociedade Guilherme Cossul (Av. D.Carlos I, nº 61), às 21h30, o espectáculo “Marias ao Poder”que, a partir da “Lisístrata” e das “Mulheres na Assembleia”, de Aristófanes, retrata a Mulher na sociedade a qual, transcendendo o seu comum papel de mãe/esposa/dona de casa, se eleva nos estatutos político, ético e social, reclamando a igualdade como cidadã e, numa adaptação bem humorada e actual … lidera um grupo de mulheres de diferentes sectores, propondo uma greve de sexo até que os homens optem pela paz.
Com encenação e adaptação de Rui Luís Brás, esta produção da Pequeno Palco de Lisboa tem como actores Andreia Esteves, Ana Luísa Luz, Lia Colorado, Teresa Franco, Cristina Lopes, Flávia Filipe, Joaquim Frazão, Diogo Machado, João Ferreira, Nuno Miranda, Verónio Gomes, Emanuel Almeirante, Miguel Martins e João Paulo Castanheira.
Permanece até 29 de Abril.
Neste 13 de Abril, às 23h, a galeria ZDB é palco para Nate Young (dos Wolf Eyes), esse (diz o programa) “filho do Michigan que, não sendo o mais barulhento dos Wolf Eyes, é, sem dúvidas, o mais “ameaçador” e traz “o maravilhoso fulgor do underground americano: desabrido, juvenil, violento. Sempre pronto a fazer chinfrim e a pontapear…”.
Deixamo-vos com parte do ábum editado em Outubro do ano passado pela NNA Tapes (com a colaboração dos restantes Wolf Eyes, John Olson e Aaron Dilloway) “Stay Asleep – Regression Vol. 2” :
Entretanto no bar Ondajazz, às 22h30 desse 13 de Abril, actua mais uma vez Vania Fernandes voz, com Júlio Resende piano, João Custodio contrabaixo e Alexandre Frazão bateria.
Por último, como sugestão para esta Sexta 13 de Abril há uma visita guiada (gratuita), às 13h, à exposição de Rosângela Rennó (que encerra a 6 de Abril) intitulada Frutos Estranhos, patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian.
No Sábado 14 de Abril vai ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, a jovem cantora e compositora Luisa Sobral que tem sido apreciada pela crítica e aclamada pelo público pelo êxito do seu disco The Cherry on My Cake.
Também nesse dia 14 de Abril, às 21h30, regressa ao palco do Coliseu dos Recreios a conhecida fadista Mariza, recente “patrocinadora” da candidatura do fado a “património imaterial da humanidade”, que ali vai celebrar os 10 anos da sua actividade como intérprete da chamada “canção nacional”.
Entretanto no mesmo Sábado 14 de Abril, a sessão mensal do Concerto Moderno (uma orquestra de cordas formada por jovens instrumentistas da área de Lisboa) no São Luiz Teatro Municipal, às 18h30 no Jardim de Inverno, é sobre “Clássicos Vienenses” onde, com a participação do solista convidado Paulo Gaio Lima violoncelo, serão tocadas obras de Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn.
No Teatro Maria Matos, a noite de 14 de Abril a partir das 19h será a Noite do Manifesto onde diversos artistas (de Ana Borralho a Vítor Rua, passando por Dinis Machado, Lula Pena, Monica Calle e muitos outros) são convidados a escolher um “manifesto histórico” (político, artístico, educacional, religioso, etc.) e a apresentá-lo ao público à volta de uma grande mesa … onde artistas e espectadores acompanhados pelas degustações criadas pelo Chef Luís Baena do Restaurante Manifesto cumprem as palavras de Mia Couto "A culinária, como a língua, deve ser dinâmica".
O Teatro Armando Cortez (em Carnide), às 21h30 de 14 de Abril, recebe a produção da companhia de teatro de Comédia de Improviso (direcção artística: João de Pinto Dias) "O Cão Comeu o Guião" onde, numa abordagem diferente do teatro usual, as cenas são criadas, com base em diferentes jogos, a partir de sugestões do público. Interpretam este desafio Ana Freitas, Carlos Paiva, João Paulo Sousa, João Pinto Dias, Nelson Morganho e Sara Nunes.
Permanece em palco até 5 de Maio.
No bar Ondajazz, às 22h30 desse 14 de Abril, actuam Victor Zamora piano, Leo Espinoza contrabaixo e Sebastien Sheriff percussões que têm como convidados especiais Gonçalo Sousa harmonica e Mariana Norton voz .
Integrado no âmbito das comemorações do Dia do Estudante e com o apoio da Reitoria da UL, tem lugar no Sábado 14 de Abril, às 22h, na Aula Magna, o espectáculo "Os Corvos visitam as Tunas de Farmácia" onde haverá a actuação conjunta da
banda portuguesa "Os Corvos" com a das tunas da Faculdade de Farmácia - A Feminina e a TAFUL e (diz-se) se dará destaque à cultura e à musica tradicional portuguesa.
Por último uma sugestão para encerrar este Sábado 14 de Abril. Que tal passar de Lisboa a Odivelas e aí no Centro Cultural da Malaposta assistir, às 21h30, à oportunidade coreográfica de ver “ 5 Coreógrafos e 1 Corpo “ dirigido por Gisèle Tápias ? (repete no dia 15 às 16h)
Serão ali apresentados : Light Piece/Copy That a última coreografia leve de Pol Coussement (intérprete: Flavia Tápias), Solo de Rami Levi , inspirado nos movimentos de animais (intérprete: Flavia Tápias) , Living Room de Stéphanie Thiersch, inspirado em imagens de moradores de condomínios de baixa renda, vivendo em residências pobres (intérprete: Flavia Tápias) , On ne se Connait pas encore Mal de Thomas Lebrun, inspirado na figura de Carmen Miranda (intérprete: Flavia Tápias) e Je m’apelle Flávia Tápias de Nicole Seiller.
É desta última peça o vídeo aqui apresentado :
No Domingo 15 de Abril, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, há às 16h, com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, um recital do cravista brasileiro Mário Marques Trilha que irá interpretar de Jean-Philippe Rameau Premier livre de pièces de clavecin e de François Couperin, apelidado «le Grand» Huit préludes et une allemande en annexe de son traité “L'Art de toucher le clavecin” e Sixième ordre du Second livre de pièces de clavecin.
Pode antever-se o seu som neste registo de Mário Trilha na peça de Couperin :
No mesmo espaço e também de entrada livre, exibir-se-á às 18h desse Domingo, com o apoio da embaixada da Estónia, o conjunto coral estoniano Vocal Group 7, intérprete reconhecido de arranjos de canções folclóricas da Estónia e composto pelos sopranos Lembi Tasane e Helen Põldmäe, pelos contraltos Anne Muldme e Liivi Tamm, pelos tenores Ain Alabert, Erki Meister e Kalle Klein, e pelos baixos Tambet Tamm e Risto Muldme.
Também no Domingo 15 de Abril, há às 16h na Igreja Nossa Senhora da Conceição (Olivais) com entrada livre, um Concerto de Páscoa pelo Coro Regina Coeli de Lisboa onde serão interpretadas obras de Anton de Beer (Pater Noster), Morten Lauridsen (O Nata Lux), Francis Poulenc (Salve Regina), Mendelssohn Bartholdi (Te Deum in D), Antonio Vivaldi (Gloria in D - RV 589).
Por último uma sugestão arriscada (de quem não a experimentou) para qualquer dia de Março a Outubro, a de tentar “uma experiência sensorial única” – assim é divulgada aos turistas − , um show multimedia em que, todas as noites, são projectadas sobre as muralhas do Castelo de São Jorge imagens relativas à história de Lisboa e aos costumes das suas gentes, como se pressente no vídeo abaixo :
Também nesse recinto de São Jorge ocorrem diariamente diversas actividades sob o lema “Acontece no Castelo” (ver em: http://castelodesaojorge.pt/index.php?t=e
A título de exemplo, na manhã deste Domingo, às 11h, a “Associação Danças com História” apresenta Danças para Três Princesas em torno dos casamentos das Infantas D. Isabel, filha de D. João I, D. Beatriz, filha de D. Manuel I e D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV, que foram eventos marcantes na história da dança, nomeadamente, entre o século XV e o século XVII. Através do esplendor do traje e da arte da dança, o grupo Danças com História ilustra esses tempos de elegância ordenada nos quais a harmonia da dança se aliava à representação do poder.
E com estes passos de dança vos deixo, caros leitores, até à próxima semana !
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (1ª parte)
Na Segunda 9 de Abril, o filme que o Institut Français de Portugal escolheu para integrar o Ciclo Claude Chabrol é “Inspecteur Lavardin” (1986), interpretado por Jean Poiret, Jean-Claude Brialy, Bernadette Lafont e Jean-Luc Bideau, entre outros, com música original de Matthieu Chabrol. A entrada é livre.
Naquele que, sendo um dos pontos altos da vastíssima obra de Chabrol, terá nascido um pouco por acaso, como uma espécie de filme criminal ou mais precisamente um falso whodunnit (“quem matou?”), num tom equidistante entre o sério e o pastiche – a temática parte do habitual : “ Raoul Mons, conhecido escritor católico que se considerava o guardião mural da comunidade, é assassinado. O seu corpo é encontrado na praia. O inspector Lavardin descobre que a viúva, Hélène, é uma mulher que em tempos ele amou muito. As investigações de Lavardin vão rapidamente revelar-lhe que a conduta do escritor não era tão católica quanto a sua obra …”
Pode aqui ver-se o trailer irónico tipicamente Chabroliano seguido dum excerto do filme :
Também na Segunda 9 de Abril, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h, há um Recital de Violino e Piano com a colaboração da Juventude Musical Portuguesa e de entrada livre.
Nele a jovem violinista Matilde Loureiro, aluna de Ilya Grubert e Elliot Lawson em Amsterdão (e Kolibri Prize em 2010) e o pianista Eurico Rosado, aluno de Aldo Ciccolini e Jorge Moyano (tendo já gravado para a EMI Classics, Strauss e BMG) apresentam um programa de que constam de H. W. Ernst Concerto «Pathétique» em Fá Menor, op.23 e de J. Brahms Sonata nº3 em Ré Menor, op.108.
Ainda a 9 de Abril, na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio (rua da Achada, 11, na colina do Castelo) inicia-se o Ciclo de Cinema Política uma vez por Semana (a ocorrer todas as Segundas, às 21h30 até final de Junho) com o filme de Roberto Rossellini de 1966 A Tomada de Poder por Luis XIV, onde o realizador italiano dirige uma reconstituição histórica notável que mostra episódios como a construção do Palácio de Versalhes e o quotidiano da corte com os seus faustosos banquetes.
Eis um breve excerto ilustrativo de como Rossellini exemplifica a consolidação da monarquia absolutista de Luis XIV :
Na Terça 10 de Abril, entre as diversas ante-estreias da Cinemateca Portuguesa, ressaltamos a de Linha Vermelha, o filme de José Filipe Costa, apoiado pelo Goethe Institut que ganhou o prémio de “Melhor Longa Metragem Nacional” no IndieLisboa 2011, a exibir na Sala Dr. Félix Ribeiro, às 21h30.
Trata-se dum documentário (resultado dum doutoramento sobre o cinema português e o PREC) que recua a 1975, altura em que o alemão Thomas Harlan realizou o documentário de nome Torre Bela, sobre a ocupação de uma grande herdade no Ribatejo, propriedade dos duques de Lafões. Esse filme transformou-se num ícone do período revolucionário português: a discussão acalorada sobre a quem pertence uma enxada da cooperativa, a ocupação do palácio, o encontro dos ocupantes com os militares em Lisboa e o processo de formação de uma nova comunidade…
37 anos depois, José Filipe Costa revisita esse filme emblemático, reencontrando os seus protagonistas e a sua equipa. Qual foi a influência da presença da câmara sobre os acontecimentos? Quem são hoje os protagonistas da altura? O que pensam sobre a ocupação e sobre o filme Torre Bela? Que memória têm da herdade?
Na sessão anterior, às 19h, a Cinemateca projecta “Torre Bela” de Thomas Harlan numa cópia em processo de restauro resultante de uma das várias versões feitas pelo realizador, não exactamente correspondente à da estreia em Cannes em 1977.
Vejamos o filme-anúncio da pesquisa em Linha Vermelha :
Também a 10 de Abril, no Institut Français de Portugal, às 19h30, o Café Philo, um local de discussão, tem como tema “Y a-t-il du Mauvais Goût ?” o que proporcionará certamente um debate colectivo (em francês) sobre as questões filosóficas e problemáticas da sociedade contemporânea atinentes ao assunto. É de entrada livre e será animado por Omar Belhassaïn, professor de Filosofia no Liceu francês Charles Lepierre.
Ainda nessa Terça 10 de Abril, no Maria Matos Teatro Municipal em coorganização com a Unipop, às 18h30, começam As “Palestras para o dia de amanhã” com a intervenção de Evan Calder Williams, um teórico norte-americano editor do blogue Socialism and/or Barbarism, sobre o tema A Recusa da Cidade.
“A presente conjuntura tem gerado novas bolsas de pobreza e subdesenvolvimento, traçando novos mapas de desigualdade e violência estruturais. À medida que aumentam os indesejados e as zonas de exclusão, o Estado recua, cedendo lugar aos cordões policiais. Muitos são empurrados não só para o lado de lá da subsistência, mas igualmente para o lado de fora do político, uma vez que as linhas de comunicação e compromisso foram cortadas. É destas margens que irrompem pilhagens e motins, confrontos e ocupações. Estamos para lá do protesto: é necessário bloquear a cidade como centro do desenvolvimento capitalista e reinventar os espaços e os modos de viver colectivamente. A partir de um presente delapidado, diz-nos Evan Calder Williams, “urge traçar uma linha que nos leve da recusa ao antagonismo, do antagonismo a novas formas de solidariedade e destas a novos modos de construção colectivos”.
Na Terça 10 de Abril, na MusicBox, às 22h30, os Red Lizzard, banda portuguesa de Almada predominantemente de rock, apresentam o seu primeiro EP “In Your Face”.
Também a 10 de Abril, no bar Vinyl Lado B, agora às 22h, irá estar presente a cantora Madalena Alberto, uma das portuguesas com sucesso em musicais no Reino Unido, acompanhada ao piano pelo maestro Nuno Feist.
Na Quarta 11 de Abril apenas se regista no Ciclo “Alimentação e Saúde” a decorrer no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian uma sessão (de entrada livre e com transmissão on line em directo) presidida pelo Prof. Henrique de Barros (Faculdade de Medicina, UP) em que falarão Tim Lang, (City University, Londres) sobre “É possível uma alimentação saudável e simultaneamente sustentável ?” e Pedro Graça (Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, UP), sendo moderadora Bárbara Reis (Público).
Na ausência de outros eventos agendados, lembramos a visita à exposição (que encerra a 14 de Abril) intitulada Antes que me Lembre que apresenta na Fundação Carmona e Costa uma selecção de trabalhos produzidos, ao longo de um período de cerca de dois anos, pelos artistas João Miguéis, Jorge Nesbitt, Manuel Caldeira e Marcelo Costa. Nas palavras do organizador, Manuel Castro Caldas, a exposição foca-se na prática de desenho de pintores que “a pintura (...) abandonou e eles abandonam” e que são “chamados a transformar esse abandono em produtiva separação”. Chama-se pois Desenho à prática através da qual se persegue o ser-em-fuga da Pintura, devolvendo-lhe a sua realidade “teórica”, tocando-a com uma “mão ideal”, revelando as condições da sua inexistência. Revolvendo “o chão do mesmo”, o desenho liga, nestes “compósitos heterogéneos”, os tempos que nele se ocultam, que nele se exaltam”.
Passando agora para a preenchida Quinta-feira 12 de Abril, inicia-se nesse dia o intercâmbio musical entre os conjuntos das duas instituições com a visita da Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro Pedro Neves ao Teatro Nacional de São Carlos onde, às 21h e com a participação do pianista Artur Pizarro (em substituição, por doença, de Sequeira Costa), executará um programa que inclui de Sergei Rachmaninov Concerto para Piano e Orquestra nº 3, op. 30 e de Joly Braga Santos Sinfonia nº 4, op. 16.
Só como aliciante (ou para contrastar com a interpretação de há mais de 20 anos) ouça-se o registo que há de Artur Pizarro num Concurso Internacional de Leeds em 1990 tocando com a Birmingham Symponhy Orchestra (dir. Simon Rattle) o 1º andamento do mesmo Concerto nº 3 :
(http://www.youtube.com/watch?v=p934jEbDg
Entretanto, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h da Quinta 12 de Abril (e repetindo-se a 13 de Abril) a Pichet Klunchun Dance Company daTailândia apresenta o espectáculo de dança Nijinsky Siam que o CCB designa de Um diálogo reimaginado pois ele nos faz lembrar as imagens da primeira dança clássica tailandesa que viajou pela Europa em 1900 e que impressionou muitos artistas da época, incluindo Diaghlev, que fundara os Ballets Russes, onde o seu lendário bailarino Vaslav Nijinsky interpretou justamente Danse Siamoise na Ópera de Paris.
O seu coreógrafo (e bailarino) Pichet Klunchun, através de uma pesquisa cuidadosa, dá vida a poses e movimentos de documentos arquivados de Nijinsky, convocando-o para o palco através de pinturas, fotografias, bonecos tradicionais “nang yai” e sombras.
Integram a Companhia, além de Pichet, Porramet Maneerat, Padung Jumpan e Kornkarn Rungsawang. A música acompanhante é Alte Weise, Op. 89_2 composta por Christian Sinding.
Uma boa amostra da natureza deste espectáculo é dada neste registo vídeo :
Nessa Quinta 12 de Abril, estreia na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, às 21h15, “Onde estavas quando criei o mundo ?”, uma peça de Artur Ribeiro na versão cénica e com encenação de João Mota, com figurinos de Carlos Paulo, desenho de luz de José Carlos Nascimento, sonoplastia de Hugo Franco e uma interpretação isolada de Manuela Couto.
Tema : “ Uma mulher defende-se em tribunal, após ter despedido o seu advogado oficial, iniciando as suas alegações finais com o propósito de explicar o seu crime pois acto mais hediondo não parece haver: a ré é acusada de filicídio. O que leva uma mãe a este acto extremo? E como explicá-lo? Com a progressão da peça percebemos que a morte do filho poderá ter sido um acto de piedade devido ao sofrimento deste numa circunstância em que a eutanásia não é legal ou aceitável.
O público será então colocado no papel tanto de juiz como de confessor, ao seguir o texto que pretende abordar as racionalizações por detrás de actos extremos e as suas apologias.”
Também no dia 12 de Abril, às 21h30, estreia no Teatro Turim (na Estrada de Benfica, 723 A) a peça O Gato de Henrique Santana, numa adaptação de Jorge Picoto, pela Companhia Mole&erre. Permanece até 29 deste mês.
Ainda a 12 de Abril, às 21h30, no Auditório Carlos Paredes (em Benfica), o colectivo A.N.A - AbsolutO Ninho de Artistas estreia “O Cómico em Tchekhov” com direção artística de José Ramalho e interpretação de Gonçalo Lello, Hugo Nevez, Jenny del Romero, Matilde Breyner, Paulo Martins e Rita Matos.
É a adaptação de duas peças cómicas de Tchekhov num só acto, com muitas jogos e situações trágico-cómicas. Primeiro, "O Urso", aborda o tema do amor entre proprietários agrícolas coléricos ou como uma viúva devota ao seu falecido safado marido reage ao deparar-se com uma antiga dívida. Em seguida, "O Pedido de Casamento", reflecte sobre a impossibilidade do casamento ou como um jovem e inseguro proprietário agrícola embarca num complexo processo de sedução para conseguir casar com a filha do vizinho.
Permanece até 22 de Abril.
E também na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro (em Telheiras), às 21h30 de 12 de Abril, se representa pela 1ª vez “Coração Pulsátil” de António M. Rodrigues (que dirige) com interpretação de Dora Vicente, Elisabete Agostinho, Patrícia Domingues e António M. Rodrigues.
Por fim, ainda a 12 de Abril, no Teatro Villaret, estreia às 21h30 “Toda a Gente Sabe que Toda a Gente Sabe”, a comédia de Miguel Fallabela e de Maria Carmem Barbosa, que fez sucesso no Brasil e que aborda a decadência de uma família, outrora endinheirada mas enfrentando agora a falência.
Com encenação de Pedro Costa e interpretação de Teresa Guilherme, Heitor Lourenço, Lurdes Norberto, Rodrigo Saraiva e Paula Luiz, permanece em cena até 22 de Abril.
No campo musical, ao Coliseu dos Recreios vem nesta Quinta 12 de Abril, às 21h30, a conhecida cantora brasileira Simone apresentar o seu mais recente show “Especial Pra Você” onde a voz levemente rouca da romântica baiana convida a viajar por quatro décadas da sua música, onde cabem canções imorredouras como “Apaixonada” , “Cigarra”, “Começar de Novo” , “Raios de Luz”, “Tô Que Tô”, O Que Será” e tantas outras.
Também a 12 de Abril, às 22h, no Kolovrat 79 – Roof ((Rua D. Pedro V, nº 79), haverá a oportunidade muito particular de assistir à actuação conjunta dos Blues Control com a dupla (Gordon) Laraaji & Arji (Cakouros) numa colaboração semelhante à que produziu em 2011 o álbum “FRKWYS vol. 8”. Será, no parecer de críticos, “um dos mais claros exemplos de como a música pós-noise americana reabilitou a new age”. De Lisboa seguem para o Centro Cultural Vila Flor no âmbito de “Guimarães, Capital Europeia da Cultura”.
Desta jam session, que mostra a inspiração de Brian Eno, damo-vos um excerto com o tema “City of Love” do referido álbum FRKWYS :
Ainda na Quinta 12 de Abril, às 23h, no Hot Club de Portugal reune-se o Karlheinz "Charlie" Miklin 5tet feat. Ronan Guilfoyle que aí actuará até 14 de Abril. Juntam-se assim Charlie Miklin (saxofone), Ronan Guilfoyle (baixo acústico), Gonçalo Marques (trompete), Bruno Santos (guitarra) e Bruno Pedroso (bateria).
O coordenador,o austríaco Karlheinz Miklin (saxofone, clarinete baixo, flauta e compositor) já lançou nove albuns com o seu trio como instrumentista e exerce neste momento a função de presidente da IASJ - Associação Internacional das Escolas de Jazz. Outro membro preponderante é o irlandês Ronan Guilfoyle, aluno de John Abercrombie, Dave Holland e Steve Coleman, executante de baixo acústico desde os anos 80, foi fundador e dirige o Departamento de Jazz do Newpark Music Centre de Dublin.
No TMN ao Vivo, nesta Quinta 12 de Abril, às 22h, a guitarrista e compositora da Georgia (USA) Kaki King, celebra o seu regresso a Portugal, depois do êxito do seu mais recente trabalho, o álbum Junior (2010) que, desde a sua primeira nomeação feminina para o prémio Guitar God, a terá feito, segundo os críticos, atingir um novo patamar de qualidade.
Eis um dos seus temas em preparação :
Às 18h de 12 de Abril, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, dá-se o encerramento do projecto de sensibilização artística e formação em cinema Kê Li Kê Lá desenvolvido num bairro social da Amadora, sendo exibido o seu making-of realizado por Leonor Noivo, assim como a curta-metragem de ficção Nada Fazi, de Filipa Reis e João Miller Guerra, criada também no âmbito deste projecto.
No Instituto Cervantes, inaugura-se a 12 de Abril, a exposição fotográfica “Transfronteras: Desde la frontera”, de Corina Arranz que reune as imagens que a fotógrafa colheu durante uma viagem na companhia do escritor e jornalista Alfonso Armada pela fronteira dos Estados Unidos e México de Este a Oeste, entre San Antonio, junto ao Golfo de México, e San Diego, no oceano Pacífico, sempre pelo lado estado-unidense com periódicas entradas no lado mexicano.
Na Livraria Bulhosa do Campo Grande (Campo Grande 10B, loja 8), às 18h30 de Quinta 12 de Abril, conclui-se o Ciclo Grandes Escritores com a previsto programa de homenagem a Jorge Amado, cujo centenário do nascimento é celebrado em 2012 e que foi Prémio Camões 1994. A apresentação será feita por Sara Rodrigues de Sousa (FCSH, UNL).
Encerra assim uma iniciativa da Casa da América Latina em colaboração com o Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa) e do Centro de Estudos Comparatistas (Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa).
No Institut Français de Portugal tem lugar, às 19h de Quinta 12 de Abril, com entrada livre, uma conferência intitulada “Do Museu do Chiado ao Musée D’Orsay: Projectos museográficos de Jean-Michel Wilmotte” pelo arquitecto francês Jean-Michel Wilmotte que assinalará a inauguração duma série de encontros em torno da arquitectura contemporânea francesa que o Instituto decidiu promover até à Trienal de Arquitectura de Lisboa.
Como em 2012, o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, completa o ciclo de comemorações dos seus 100 anos de existência associou-se, convidando o referido arquitecto para a conferência inaugural que se centrará num conjunto de intervenções em espaços museológicos emblemáticos, partindo do projecto de remodelação e ampliação do Museu do Chiado (1988-94), o qual será analisado criticamente e considerado em confronto com outras obras, incluindo a recente renovação do Museu de Orsay, concluída em 2011.
No final do dia 12 de Abril haverá a partir das 21h, no bar Portas do Sol (Largo das Portas do Sol) a já tradicional Festa de abertura de 8 ½ Festa do Cinema Italiano que recebe o público da 5ª edição no miradouro que se estende sobre Alfama e onde será re-divulgada a sua programação (ver www.festadocinemaitaliano.com).
Saber-se-á que a Festa do Cinema Italiano homenageia em 2012 os realizadores Paolo Sorrentino, já consagrado (de quem serão vistos This Must Be The Place e mais tarde Il Divo e Le conseguenze dell'amore) e Pietro Marcello, jovem realizador napolitano e um dos cineastas que tem trabalhado de forma notável a fronteira entre o cinema documental e o cinema de ficção (de quem será exibido Il Silenzio di Pelesjan, no dia 16 de Abril, às 21h30, na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e numa sessão dupla os documentários La Bocca del Lupo e Il Passaggio della Linea, no Espaço Nimas, no 17 de Abril, às 21h15).
Dopo Le 8 ½, a programação de eventos culturais inesperados paralelos, apresenta nos fins de tarde desta edição o Cine-Aperitivo. Assim a partir de Domingo, 15, às 20h30, no Espaço Nimas, o público da Festa pode experienciar pratos confeccionados pelos melhores representantes da gastronomia italiana em Portugal ao preço de um bilhete.
Nesse dia 15 de Abril, às 19h30, no antigo Mercado de Santa Clara, 8 ½ e a Associação Idade dos Sabores – Centro das Artes Culinárias apresentam um Cine-Jantar com a exibição do filme, La Grande Abbuffata (La Grande Bouffe) de Marco Ferrerri, seguida de um jantar inspirado no menu desta obra incontornável do cinema italiano.
Caro leitor : a conclusão destas Cordas sobresselentes tê-la-á dentro de mais uma hora. Paciente, s.f.f..
por Rui Oliveira
Caro leitor : Também esta não é uma semana muito fecunda, como verá.
Na Segunda-feira 9 de Abril, o ciclo Músicas do Mundo traz ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, as vozes do iraniano Alireza Ghorbani e da tunisina Dorsaf Hamdani num espectáculo que intitularam Ivresses (em torno da poesia de Omar Khayyam) com seis temas A sagração de Khayyam, Embriaguez, A Existência, Apaixonados, Inebriamento e O Escanção.
Diz o programa : “ Omar Khayyam é um poeta persa do séc. XI que conquistou o mundo declinando magistralmente a metáfora poética de Ivresse (embriaguez/ intoxicação). Os seus poemas inflamam o nosso imaginário numa espantosa fusão do canto Árabe e Persa. Acompanhadas de músicos de grande sensibilidade e virtuosismo, as vozes de Dorsaf Hamdani e Alireza Ghorbani propõem uma leitura singular e refinada, com composições originais e de grande actualidade, inspirada em músicas e poesias tradicionais do Oriente persa e árabe.”
Apoiam-nos os seguintes instrumentistas : Ali Ghamsary tar, divan, Saman Samimi kamanche, tanbur, Hussein Zahawy daf, darbouka, dayera, Keyvan Chemirani zarb, udu, bendir e Sofiane Negra oud.
Eis o primeiro tema Le sacre de Khayyam numa realização de Samuel Thiebaut em Fevereiro de 2011 (no Alhambra de Paris). Apreciem-no que é extenso e belo :
Na Terça-feira 10 de Abril, o Concerto Antena 2 realiza-se na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (ao Saldanha),às 19h, com um recital de cravo por Cristiano Holtz no qual será feita a apresentação do seu novo CD, ”J.S.Bach - Rare Works for Harpsichord” que contém, além de diversas fantasias, tocatas, prelúdios, fugas e sonata (ver capa junto), duas estreias mundiais − a Fantasia e Fuga BWV 905 em Ré bemol e a Fantasia BWV 920 em Sol bemol. A entrada é livre.
para pressentir este CD clique em http://www.youtube.com/watch?v=QC5lR1pmP
A gravação do disco fora efectuada nos dias 21, 22 e 23 de Setembro de 2011, na Igreja do Cemitério dos Ingleses, em Lisboa, usando Cristiano Holtz um cravo M. Kramer, Rosengarten (a partir de um original G. Silbermann, Saxónia de c. 1740).
Relembremos que o cravista, nascido no Brasil, iniciou os seus estudos de cravo aos 12 anos com Pedro Persone, aos 15 anos, a convite de Jacques Ogg, foi viver para a Holanda onde permaneceu durante dez anos, estudando sobretudo com Gustav Leonhardt, a sua maior influência, tendo ainda trabalhado em privado com Pierre Hantaï e Marco Mencoboni .
Em 1998 veio para Portugal, a convite do Instituto Gregoriano de Lisboa onde é, desde essa altura, professor de cravo.
Pode ter-se um vislumbre (que não dispensa a ida ao concerto) da sua qualidade, elogiada por Leonhardt, ouvindo este Prelúdio de Johann Sebastian Bach :
Na Quarta-feira 11 de Abril, os polos musicais são relativamente opostos.
Por um lado, o Institut Français de Portugal traz ao seu Auditório (em co-produção com a Antena 2), às 19h, a pianista francesa Claude Bessmann, “uma intérprete apaixonada de Ravel e Liszt”, actualmente professora da École Nationale de Musique de Paris, e que obtivera o 1º prémio na classe de Vlado Perlemuter do Conservatório de Paris, a Medalha de Ouro no concurso internacional de Vercelli (Itália), sendo também laureada no Concurso Internacional Georges Enesco, em Bucareste (Roménia). O acesso ao concerto é pago, embora a 5 €.
No programa do concerto estão :
Maurice Ravel Pavane pour une infante defunte (1899)
Maurice Ravel Sonatine (1905)
Maurice Ravel Tombeau de Couperin (extraits) (1918)
Paul Dukas Scherzo de la Sonate (1901)
Franz Liszt Sonate en si mineur (1854)
Por outro,e talvez (por contraste e curiosidade justificada) aconselhasse esta opção, ao bar Vinyl Lado B, vem o guitarrista, cantor e compositor David Philips.
Trata-se dum músico natural do Reino Unido mas a residir em Barcelona, onde grava (tiveram particular sucesso os registos captados no alto do seu estúdio The Rooftop Recordings, 2011). O seu estilo muito versátil, misto de blues, jazz, soul, rock e pop, foi formado numa longa colaboração com nomes como Brian Jackson , George Braith, Charlie Wood, Alvin Youngblood Hart, Hook Herrera e Geoff Young.
Como amostra promotora da sua audição ao vivo, escute-se este “What Am I ?” :
Na Quinta-feira 12 de Abril, há a apresentação no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, do novo CD Motor do guitarrista de jazz André Fernandes, gravado em finais de 2011 com a presença de André Fernandes guitarra, Bernardo Sassetti piano/rhodes, Demian Cabaud contrabaixo, Marcos Cavaleiro bateria, Zé Pedro Coelho saxofones e Susana Santos Silva trompete, um conjunto a que o guitarrista chama uma “banda”, coisa rara no universo do Jazz, e que lhe permite ter uma plataforma ideal para concretizar a sua nova música. Este sexto álbum resulta de uma já longa actividade como líder e de colaborações com músicos como Perico Sambeat, Lee Konitz, Mário Laginha, Jorge Rossy, OJM, Jeff Ballard, Chris Potter e inúmeros outros.
Neste espectáculo estarão quase todos os participantes no CD, sendo apenas Sassetti substituído por Óscar Marcelino da Graça.
Um relance do novo trabalho de André Fernandes pode ter-se ouvindo o tema Flying Girl (nele incluido) da forma como foi tocado no passado 6 de Abril no Jimmy Glass de Valência (Espanha) com um quinteto onde, além de Óscar Graça, Demian Cabaud e Marcos Cavaleiro, estava presente Jesús Santandreu com o seu saxofone tenor no lugar de Zé Pedro Coelho :
Na Sexta-feira 13 de Abril, conclui-se a troca de visitas Gulbenkian/São Carlos (como referiremos nas Cordas sobresselentes de ontem) com a ida ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, da Orquestra Sinfónica Portuguesa do Teatro de São Carlos, tendo como maestro Martin André, que convidou o pianista Artur Pizarro para participar num programa inteiramente composto por obras de compositores russos :
Dmitri Chostakovitch The Gadfly: Suite, op. 97a (nos 1, 2, 3, 8, 10, 11)
Sergei Rachmaninov Concerto para Piano e Orquestra nº 1, op. 1
Piotr Ilitch Tchaikovsky Sinfonia nº 1, op. 13, Sonhos de Inverno
As Notas divulgadas com o programa lembram aspectos particulares da composição de algumas das obras, nomeadamente as dos compositores russos que mais tarde se estabeleceram nos EUA, como o relativo insucesso do Concerto de Rachmaninov na sua estreia em Nova Iorque (e como isso afectou o seu pianista) ou ainda o peso que a “sala de cinema mudo” da sua juventude influenciou Chostakovitch nas múltiplas bandas sonoras que escreveu até The Gadfly em 1955.
Por esta obra ser eventualmente menos conhecida (e não haver qualquer registo de orquestras portuguesas), eis como a interpreta a Orquestra Sinfónica Nacional da Ucrânia (Nota: os vídeos sucedem-se automaticamente reproduzindo a obra integral nos seus doze temas num total de cerca de 41 minutos) :
No Sábado 14 de Abril, vem mais uma vez ao Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 19h, o “génio enigmático” – como o seu Serviço de Música designa o notável (com aura de recluso) pianista romeno Radu Lupu para um concerto a solo.
Numa das suas raras entrevistas, Lupu resumiu assim a sua forma de fazer música: “Cada um conta uma história diferente, e essa história deve ser contada de modo convincente e espontâneo. Caso contrário, não tem valor”. É neste clima que iremos ouvi-lo tocar de :
Franz Schubert Improvisos op. 142
César Franck Prelúdio, Coral e Fuga
Franz Schubert Sonata nº 18, em Lá menor, D.845
Não havendo quase nenhum registo fílmico da actuação de Radu Lupu, ouça-se uma gravação integral duma das peças do concerto, a Sonata nº 18 de Schubert :
Quem pretenda “ver” o pianista romeno tocando o piano (embora num Concerto, o nº 23 de W.A.Mozart com a Filarmónica de Viena) pode clicar, para a audição integral, em http://www.youtube.com/watch?v=w9y5Zko7X
No Domingo 15 de Abril quase só mais um evento gulbenkiano pode suscitar o interesse cultural dos leitores, se exceptuarmos aqueles sem data única. Trata-se da conclusão do ciclo Wagner + com que a Fundação antecipa o bicentenário do nascimento do músico alemão com dois concertos neste Domingo e Segunda com a Gustav Mahler Jugendorchester dirigida por David Afkham a que se junta, para as peças líricas, a soprano sueca Iréne Theorin que vem a Lisboa, como a própria diz, “emprestar a voz ao compositor que a acompanha ininterruptamente desde os primórdios da carreira… Nunca estive sem ele, não sei o que isso é. Estudo a sua música desde o início da minha vida profissional, fiz todos os seus papéis mais importantes…”
Neste concerto ouviremos :
Richard Wagner Tristão e Isolda: Prelúdio
Anton Webern Seis peças para Orquestra, op. 6 (rev. de 1928)
Richard Wagner Tristão e Isolda: Morte de Isolda
Bernd Alois Zimmermann Photoptosis
Alexander Scriabin Le Poème de l’extase, op. 54
Poderemos antecipar a interpretação da soprano Iréne Theorin na ária da ópera de Wagner Tristão e Isolda através deste excerto do final do 1º acto, contracenando com Robert Dean Smith :
Caro leitor : As escassas Cordas sobresselentes destes dias seguem dentro de uma hora.
por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes
Na Segunda 2 de Abril, o Institut Français de Portugal convida os cinéfilos portugueses para um Ciclo Claude Chabrol (de hoje a 7 de Maio) de entrada livre, às 19h, (quase) todas as Segundas, com o argumento de o realizador francês (1930-2010) ter sido um “grande retratista da sociedade cujo avesso filmou com olhar acutilante, irónico, sarcástico, cru, feroz e inconformista !”. Na realidade, esta figura central da “Nouvelle Vague” francesa, a par de François Truffaut e de Jean-Luc Godard, apreciador de policiais e dotado de um humor sarcástico, adorava salientar os defeitos da burguesia provinciana.
Claude Chabrol impõe-se rapidamente como argumentista, realizador e produtor de filmes. Le Beau Serge [Um Vinho Difícil] (1957), com um estreante Jean-Claude Brialy no papel principal, é galardoado com o “Prémio Jean Vigo” e o “Grande Prémio do Festival de Locarno” de 1958 e o filme Les Cousins recebe em 1959 o “Urso de Ouro do Festival de Berlim”. É nessa altura que se casa em segundas núpcias com a actriz Stéphane Audran que se tornará numa das suas intérpretes fetiche (La Femme infidèle [A Mulher infiel], Le Boucher [O Carniceiro], Juste avant la nuit [Remorso]).
Com Violette Nozière (1978), a história de uma célebre envenenadora parricida dos anos 30, Chabrol contribui para revelar o talento da actriz Isabelle Huppert. O realizador confia-lhe o papel principal em cinco dos seus filmes, entre os quais Une Affaire de femmes [Uma Questão de Mulheres] (1988), La Cérémonie [A Cerimónia] (1995) e Merci pour le chocolat (2000, Prémio Louis-Delluc), com os quais Huppert alarga a sua galeria de “monstros”, mas também no filme Madame Bovary (1991).
Para este ciclo foram seleccionados alguns dos títulos mais importantes dos últimos 25 anos de intensa produção cinematográfica: Inspecteur Lavardin (1986), Betty (1991), L'Enfer [Inferno] (1993), La Cérémonie [A Cerimónia] (1995), Au Coeur du Mensonge [No Coração da Mentira] (1998), La Fleur du Mal (2001), La Fille Coupée en Deux [A Rapariga Cortada em Dois](2006).
Nesta Segunda, dia 2 de Abril exibe-se “La Fleur du Mal”, um filme com Nathalie Baye, Benoît Magimel, Bernard Le Coq nos principais papéis. Tema :
“Se o tempo existe, pode a culpa ser transmitida de geração em geração? Que efeitos poderá ter uma falta não-expiada para o culpado, descendentes e família? No final da Segunda Guerra Mundial uma mulher vai pagar pelo crime que cometeu. Nos dias de hoje, durante as eleições municipais, outro crime é cometido. Quem é o culpado? E culpado de quê? E se o tempo não existisse ?...”
Eis um excerto do filme que ilustra bem o clima duma França onde o contraste entre os descendentes de “collabo(s)” e “maquisards” ainda se não apagou :
Nessa noite de 2 de Abril, às 22h, no Lado B do bar Vinyl (Travessa da Galé nº 36, em Alcântara) actuam os Cornettada, participantes, na noite anterior, na Festa do Jazz no Teatro São Luiz. Trata-se de um trio (Giovanni Di Domenico piano, Hugo Antunes contrabaixo e João Lobo bateria) que se inspira no princípio de Harmolodics tanto nas suas composições originais como no uso do repertório de Ornette Coleman (daí o nome), pioneiro desse mesmo princípio que definiu como "o uso do físico e mental da lógica de cada músico transformado numa expressão sonora para causar a sensação musical de uníssono executado por um indivíduo ou grupo". A ouvir.
Na Terça, 3 de Abril, prossegue o Festival internacional de Trompete Almost 6 noticiado na abertura deste Pentacórdio, mas agora no Palácio Nacional da Ajuda, às 21h, onde se realiza um Concerto de trompete barroco em que actua Fruzsina Hara, reconhecida trompetista húngara aluna de Edward Tarr, Friedmann Immer e Neil Brough no trompete barroco, e desde 2009 de Reinhold Friedrich na Staatliche Hochschule für Musik de Karlsruhe (Alemanha).
Neste concerto estará acompanhada por José Pereira violino, Ana Pereira violino, Joana Cipriano viola, Marco Pereira violoncelo e João Paulo Carneiro cravo na execução dum programa que inclui de G. Fantini Sonata detta del Nero, de P. Veivanovski Sonata em Sol bemol, de G. Viviani Primeira Church Sonata, de A. Scarlatti Sonata a Quattro (quarteto de cordas e baixo contínuo), de Giuseppe Torelli Sonata em Ré maior e de Georg Philipp Telemann Concerto para trompete em Ré maior.
Ouçamo-la em solo de trompete barroca na penúltima peça do concerto, a Sonata em Ré maior de Torelli, acompanhada por István Ruppert (órgão) em 2010 :
Também na Terça, 3 de Abril, às 21h30, no espaço TMN ao Vivo, o músico David Fonseca vem apresentar a primeira parte "Rising", do seu projecto para 2012 cujo título global é "Seasons", um trabalho que assim se divide em dois discos ("Falling", o segundo, sairá no início do Outono). Dizem os críticos que o primeiro single daquele disco, "What Life Is For", “integra no seu eclectismo musical a electrónica e o rock, aprofundando sonoridades que havia abordado nos seus últimos discos ainda que nunca de uma forma tão marcante”.
Ajuize o leitor/ouvinte :
Na Quarta 4 de Abril, novo concerto do ciclo Viagens na minha Terra no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, desta vez comentado por Jorge Rodrigues, reúne o Coro do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção musical de Giovanni Andreoli, com os acompanhantes Irene Lima violoncelo e Kodo Yamagishi piano e ainda os cantores sopranos Luísa Brandão e Ana Luísa Assunção, o contralto Natália Brito, o barítono Costa Campos e o baixo Daniel Paixão para o cumprimento de um programa com :
Franz Liszt Via crucis
Piotr Ilitch Tchaikovski Lenda, canção n.º 5, op. 54 (das 16 canções para crianças, op. 54)
Serguei Rakhmaninov Vésperas, n.º 6, 10, 13, 15
Anton Arenski Três quartetos para violoncelo e coro
Também na Quarta 4 de Abril, a continuação do Festival internacional de Trompete Almost 6 no Palácio Nacional da Ajuda, às 21h, chama agora Per Ivarsson trompete e Nenad Markovic trompete para um programa extenso (com um pianista ainda não conhecido) onde constam, entre outras peças, a Fantaisie-Caprice de Gabriel Parés, a Windflüchter I de Sebastian Stier, a Allemanda from Partita 2 in D minor de J.S.Bach, a Ein Hauch von Unzeit para trompete solo de Klaus Huber, a Hikari para trompete e piano de Somei Satoh, a Exchanges para trompete solo de Vinko Globokar, a Parable XIV para trompete solo de Vincent Persichetti e A Chloris para trompete e piano de Reynaldo Hahn.
Ainda na Quarta 4 de Abril, o Concerto Antena 2 acontece às 19h (com entrada livre) na Academia das Ciências de Lisboa pois integra um dos concertos da Temporada DARCOS 2012, uma iniciativa do concelho de Torres Vedras, sob a direcção artística do compositor e maestro Nuno Côrte-Real.
Os intérpretes são o Ensemble Darcos, dirigido por aquele maestro e composto por Rui Maia flauta, David Costa oboé, Fausto Corneo clarinete, Laura Salcedo violino, Filipe Quaresma violoncelo e Helder Marques piano. Para este espectáculo escolheram o seguinte programa :
Manuel de Falla Concerto p/ cravo (ou piano) e 5 instrumentos - violino, violoncelo, flauta, oboé e clarinete ; Nuno Côrte-Real Largo intimíssimo, Op. 28, p/ clarinete, violoncelo e piano e Igor Stravinski Suite “História do Soldado” redução de p/ violino, clarinete e piano
Por último nessa noite de 4 de Abril, às 22h, ao Lado B do bar Vinyl regressa o LX Vocal Ensemble (Cristina Pedrosa, Cláudia Duarte, João Farinha e João Neto) cuja actuação anterior, repetida no espaço Fábrica Braço de Prata já em 2012 pode aqui ser visionada, entoando Sound of Silence de Paul Simon :
Na Quinta 5 de Abril, na Recepção do Centro de Reuniões do Centro Cultural de Belém, às 22h, a sessão Dose Dupla – Jazz a Dois reune o pianista português Rui César e a cantora brasileira Pat Escobar que já se encontraram uma vez casualmente no Cascais Jazz Club no âmbito do espetáculo “3 na Bossa”. Espera-se um dueto vivo entre jazz e bossa.
A 5 de Abril, também, há no Cinema São Jorge, às 21h30, o Concerto de Encerramento do Festival Internacional de Trompete Almost 6 em que intervêm a Banda Sinfónica da GNR e o trompetista Jeroen Berwaerts (ver Concerto de Abertura).
Cabe à Banda da GNR a execução da Sinfonietta, fanfare de Leoš Janáček, das Variações Sinfónicas sobre uma Canção Popular Alentejana de Joly Braga Santos, de Le vent des Hélices de Jérôme Naulais (aqui em conjunto com Almost6), de “O Tenente Kije” Suite sinfónica op. 60 de Serge Prokofiev.
Ao terminar Jeroen Berwaerts associa-se à Banda da GNR para tocar o Concerto para trompete de Alexander Arutiunian. O que se ouvirá neste concerto, embora com outros intérpretes (o trompetista Tiago Linck) será semelhante a :
Findo o concerto, às 23h, haverá uma Jam Session com o Quarteto Hulot no Bar do Cinema São Jorge.
Ainda a 5 de Abril, há novo Concerto Antena 2 (com entrada livre) na Academia das Ciências de Lisboa, às 19h, com o Ensemble Palhetas Duplas (com direcção musical de Jean-Sébastien Béreau e direcção artística de Francisco Luís Vieira) que terá a colaboração valiosa da pianista Ana Telles (solista nas Orquestras Gulbenkian e Metropolitana) e ainda a participação especial de Daniel Louro, Hugo Santos e Jorge Barroso em trompete , de Helder Rodrigues sacabuxa,
João Pacheco percussão e Franz Dörsam contrafagote.
O programa do concerto integra de Jean-Baptiste Lully Carousel , Prelude du Carousel de la Grande Écurie, Menuet, Gigue e Gavotte, de W.A. Mozart Serenata em dó menor (Adapt. J. Pereira), de Jan Sweelink Meine junges Leben hat ein End (Arr. F. J. Dörsam) e de Jean-Sébastien Béreau Au Bois de Cise.I
Não havendo registo destas peças, ouça-se o Ensemble Palhetas Duplas tendo como solista João Pedro Silva saxofone alto a tocar de Astor Piazzolla o Libertango (arr.de J.Pereira) no Palácio Nacional de Queluz em Março de 2010 :
O Ensemble Palhetas Duplas criado em finais de 2004, engloba no Oboé / corne inglês António Campos, Bethany Akers, Bruno Ferreira, Bryony Middleton, Christopher Koppitz, David Costa, Filipe Freitas, Frederico Fernandes, Joana Bolito e João Pereira, no Fagote / Contrafagote Daniel Mota, Gonçalo Pereira, Pedro Pereira, Ricardo Lopes Santos, Ricardo Santos e Tiago Paraíso.
Ainda a 5 de Abril, mas também na Sexta 6 e no Sábado 7, actua no Hot Club de Portugal, às 23h, o “João Lencastre Group” onde o sempre criativo compositor e percussionista divulgará o seu mais recente CD "Sound it Out", de que revelamos um excerto :
Na Sexta 6 de Abril, como boa “Sexta-feira Santa” não há a tentação de qualquer acontecimento cultural (mesmo uma pobre homenagem ao “Rei do Rock” Elvis Presley no Coliseu foi cancelada) e, fora as sugestões cinéfilas que fizémos no início, é preciso deixar passar a meia-noite para, às 2h00 no MusicBox, se poder ter uma experiência curiosa, a de apreciar o valor da consanguinidade musical (?).
De facto, sobe ali ao palco Taylor McFerrin, filho do muito popular Bobby McFerrin (vencedor de dez Grammys, colaborador de Chick Corea e Herbie Hancock, autor de Don’t worry be happy) e neto de Robert McFerrin (o primeiro afro-americano da Metropolitan Opera de Nova Iorque). Vem apresentar “Early Riser”, o seu álbum de estreia, que dizem “um produto da future soul, de texturas electrónicas processadas até ao osso, com o alcance do dub e a postura do hip hop”. Veremos (quem lá fôr).
No Sábado 7 de Abril, os amantes de ópera – mesmo só (ou)vista – devem deslocar-se ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 17h, porque aí o Met Opera Live in HD possibilita assistir em directo à ópera de Jules Massenet inspirada num conto do abade Prévost “Histoire du Chevalier Des Grieux e e Manon Lescaut”, mais abreviadamente designada “Manon”.
Esta nova produção de Laurent Pelly, estreada no Covent Garden londrino, que acentua o carácter perverso da noviça Manon e de seu irmão, será dirigida pelo maestro Fabio Luisi e interpretada, nos principais papéis, por Anna Netrebko (Manon), Piotr Beczala (Des Grieux), Paulo Szot e David Pittsinger.
Antecipemos duas cenas, a ária “Manon ! Sphinx étonnant !” e a cena final do 3º Acto :
Ainda a 7 de Abril, no espaço do teatro A Barraca, às 21h30, com entrada livre, actua João Alegria Pécurto, “desenvolvendo na guitarra acústica peças de uma beleza transparente, de rendilhados ternos e hipnóticos”. Antecipa assim o espectáculo que dará na Culturgest a 20 de Abril revelando o seu primeiro disco “Um lugar de silêncio, para que tudo cante na tua ausência”.
No Domingo 8 de Abril também o panorama é escasso e apenas surge como espectáculo interessante a exibição no Teatro Ibérico (Rua de Xabregas, nº 54) do Mr SC and the Wild Bones Gang, um projecto original que reúne a nata dos trombonistas da nova geração portuguesa de metais graves, como Mário Costa, um dos mais promissores bateristas nacionais e Sérgio Carolino (tubista), o mentor deste ensemble de baixa frequência.
Tocam música encomendada a compositores como Elisabeth Raum (Canadá), Roland Szentpáli e Jánus Mazura (Hungria), Paul Hanmer (África do Sul), Stéphane Krègar, Eric Bourdet (França) e muitos outros, além do português Filipe Melo. No seu primeiro disco incluem um vasto leque de estilos musicais, desde o príodo barroco à música moderna, passando pelo jazz, funky e mesmo rock.
Compõem o conjunto os trombones tenores HugoAssunção, Gabriel Antão, Ruben da Luz, Ricardo Pereira, JoãoMartinho, Daniel Dias, RubenTomé, André Melo, André Conde, António Santos, Emanuel Rocha, Daniel Seabra, os trombones baixos Gonçalo Dias, Nuno Martins, Tiago Noites, Alexandre Vilela, Júlio Sousa, NunoHenriques e RuiBandeira, os contrabaixistas Sérgio Carolino e Gil Gonçalves e o baterista Mário Costa.
Eis como o “Mr SC and the Wild Bones Gang” se apresenta :
Caro leitor: E assim termina uma semana pobre, talvez mais da época do que da crise…
por Rui Oliveira
Caro leitor : Esta é uma semana em que o conceito de “jejum pascal” tem todo o cabimento, mesmo para os não crentes. Pouco há, assim, a destacar.
Na Segunda-feira, 2 de Abril, assinale-se na Sede da Metropolitana (Travessa da Galé, nº 36 – Lisboa), às 19h, a abertura do Festival internacional de Trompete Almost 6 que inclui concertos com alguns dos mais prestigiados trompetistas a nível internacional (como veremos em seguida), além de um conjunto de masterclasses e conferências.
O concerto de abertura do Festival reúne no palco os Almost 6 e Jeroen Berwaerts não sendo ainda conhecido o seu programa.
Introduzindo-os, o quinteto Almost 6 é composto por Sérgio Charrinho (trompetista na Orquestra Metropolitana de Lisboa e professor na Academia Nacional Superior de Orquestra), Ricardo Carvalho (trompetista na Banda Sinfónica da G.N.R.), Filipe Coelho (professor na Escola Profissional da Metropolitana e no Conservatório Nacional), Carlos Silva (trompetista na Banda Sinfónica da G.N.R. e professor na Escola profissional de Artes da Beira Interior e Conservatório Metropolitano de Lisboa), Óscar Carmo (trompetista na Orquestra de Câmara Portuguesa) e João Duarte (percussão). Surge em 2007 com intenção de oferecer ao público música interpretada por trompete através da utilização das mais variadas surdinas bem como de toda a família dos trompetes, desde o fliscorne ao trompete piccolo.
Quanto ao trompetista belga Jeroen Berwaerts, aluno premiado do Prof. Reinhold Friedrich, tem uma abertura musical que lhe permite tocar qualquer época, em particular a contemporânea e o jazz. Editou o seu primeiro CD “In the limelight” com a pianista finlandesa Maria Olikainen, havendo ainda um outro ao vivo (da RCA) tocando a Serenata para Orquestra Nº 9 in Ré maior K. 320 “Posthorn” de W.A. Mozart.
Ei-lo a tocar o Concerto para trompete e orquestra em Mi bemol maior Hob.: VIIe.1 de Joseph Haydn com a Orquestra Filarmónica da Flandres :
Na Terça-feira, 3 de Abril, dediquemo-nos, por ausência de outro móbil, às artes visuais aproveitando a inauguração no Palácio Galveias da exposição de fotografia “Espaço Real - Espaço Conceptual” organizada pelo Instituto para Relações Externas da Alemanha (de entrada livre, das 11h-19h, permanecerá até 31 de Maio).
Com curadoria de Ute Eskildsen, ela apresenta nos trabalhos dos fotógrafos Susanne Brügger, Thomas Demand e Heidi Specker diversas abordagens cujas ligações ao nível do conteúdo consistem precisamente na sua afinidade com o espaço público. Esta relação torna-se evidente, tanto nas dissecações de vistas de cidades de Susanne Brügger como nas imagens espaciais de Thomas Demand ou nas imagens arquitectónicas de carácter abstracto e “redesenhado” de Heidi Specker. O realce do elemento “espaço” no título da exposição, em ligação com os conceitos antagónicos “realidade” e “imagem”, remete para abordagens específicas de um meio de reprodução que, devido ao próprio potencial reprodutivo da fotografia, se relaciona no fundo, desde a sua invenção, com a transformação das coordenadas espaço/tempo.
Nos últimos dez anos, e num contexto de concorrência com a tecnologia digital em constante evolução, o processo de reprodução fotográfica tradicional tem vindo a merecer um reconhecimento cada vez maior no mercado da arte, o que, por sua vez, tem também contribuído para dar novos impulsos à práxis artística com meios fotográficos e, simultaneamente, para alterar a orientação da geração de fotógrafos mais jovem como aqueles aqui expostos.
Heidi Specker Susanne Brugger Thomas Demand
Noutro registo, o da pintura, está aberta desde a passada Quarta-feira 28 de Março no Museu Colecção Berardo (ao Centro Cultural de Belém) a exposição “Nikias Skapinakis. Presente e Passado, 2012 — 1950” que constitui a mais ampla e significativa antologia
dedicada à obra de Nikias Skapinakis, reconhecido como um dos nomes mais relevantes da arte portuguesa na segunda metade do século XX (permanecerá até 24 de Junho com entrada livre).
A exposição, comissariada por Raquel Henriques da Silva, organiza-se em sete núcleos reveladores da extraordinária amplitude e diversidade, bem como das inúmeras possibilidades formais e expressivas do trabalho de Nikias Skapinakis, desenvolvido durante mais de sessenta anos. A singular capacidade de síntese na abordagem da imagem e o permanente diálogo com a cultura portuguesa ou ocidental, que as suas pinturas definem, torna claro o sentido e o valor do seu contributo para um entendimento das mesmas.
Do seu trabalho, diz em 2012 o próprio Nikias na introdução do catálogo : “… O sentido metafísico, que, juntamente com o pendor expressionista e lírico, atravessa prolongadamente o meu trabalho, tem, do meu ponto de vista, uma tripla origem:
- Os frescos “clássicos” e “modernos” da Vila dos Mistérios, em Pompeia, e Carpaccio, a quem dedico em 1961 uma homenagem, porque, justamente, venho a encontrar nele o sentido de ausência das figuras que habitavam o meu paisagismo de então;
- A poesia, designadamente de Cesário e dos “presencistas”;
- A pressão claustrofóbica e entediante do ambiente português das décadas de 1950 e 60.
… De qualquer modo, porém, acredito que a minha “linha metafísica” se liga essencialmente a uma concepção individualizada da pintura como um processo de conhecimento, literalmente, para além das aparências físicas, que os sentidos transmitem. Esse processo define a história da pintura desde o seu remoto passado até ao presente. Porque é específico, não pode ser repartido por outros campos estéticos sem que essa qualidade essencial de indagação tenda a alterar-se ou a perder-se em favor de outras (embora igualmente válidas) expressões. Trata-se de procurar a essência das coisas; mas, talvez, as coisas não tenham realmente essência nenhuma e a sua busca seja inútil.
É uma dúvida de natureza metafísica que procuro resolver continuando a pintar.”
Paisagem do Forte da Trafaria, 1955 Disneyland River, 1985 A las cinco en punto de la tarde, 2002
Na Quarta-feira, 4 de Abril, num salto ao futuro (como é anunciado) desloquemo-nos ao Maria Matos Teatro Municipal para assistir às 22h ao espectáculo “In Dust” dos suecos Roll the Dice.
Diz o programa que : “ no mesmíssimo futuro que um dia antecipámos, repleto de tecnologia decorada com volumosas máquinas, repletas de luzes a piscar e cabos multicoloridos, Peder Mannerfelt e Malcolm Pardon, os dois cientistas do duo electrónico analógico Roll The Dice, construíram a sua música, anacrónica para o nosso tempo mas emocionalmente infalível, feita com o charme vintage dos sintetizadores e o calor eterno do som analógico. Em palco, o aparato maquinal transporta-nos para o cenário de uma rampa de lançamento em constante contagem decrescente, enquanto a música nos projecta para além das estrelas. Durante a viagem, esperem zonas escuras de gravidade pesada, alguma turbulência industrial, superconforto krautrock e, nos momentos de imponderabilidade cósmica, poesia sonora sensual entre electrónica e electricidade”.
Do mérito acústico da sua música aprecie-se nesta canção “Calling All Workers” do CD “In Dust” de 2011 :
Quanto ao “clima” duma experiência ao vivo dum tal espectáculo, é de (ou)ver “Iron Bridge” do mesmo CD :
Na Quinta-feira, 5 de Abril, há à mesma hora (21h) audições musicais que podem atrair mais um público devoto das obras barrocas ou preferencialmente os apreciadores do romantismo pianístico.
Os primeiros deverão dirigir-se ao Centro Cultural de Belém onde no seu Grande Auditório o espectáculo “O divino e o magistral” reune a orquestra residente Divino Sospiro (direcção musical de Massimo Mazzeo) com duas cantoras, a soprano inglesa Deborah York e a meio-soprano italiana Romina Basso para uma actuação que inclui a estreia moderna mundial de uma sinfonia do compositor português Francisco António de Almeida (cerca 1702-1755?).
Do programa completo constam :
Francisco António de Almeida Sinfonia, em Fá maior
Giovanni Battista Pergolesi La Maddalena al Sepolcro, cantata para soprano, cordas e
Antonio Vivaldi Longe mala, umbrae, terrores, motete para contralto e orquestra, RV 629
Giovanni Battista Pergolesi Stabat mater, para soprano, contralto e cordas
Desta última peça de Pergolesi ouça-se (na versão original) os 3 primeiros andamentos executados pelo Concerto Italiano (dir. Rinaldo Alessandrini) com Gemma Bertagnolli, soprano e Sara Mingardo, contralto :
Os amantes dum período posterior, o final do século XIX, são convidados a ir ao Teatro Nacional de São Carlos, às referidas 21h, ouvir a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de Dmitri Liss, acompanhada pelo pianista Filipe Pinto-Ribeiro abordar, no ciclo “Piano Romântico” , as obras seguintes :
Anton Arenski Variações sobre um tema de Tchaikovski, para cordas, op. 35a
Piotr Ilitch Tchaikovski Concerto n.º 1, em Si bemol menor, para piano e orquestra e
Sendo as duas últimas sobejamente conhecidas, conheça-se a melodia das Variações de Arenski para cordas mas pelo Quarteto Petrus, formado por Pablo Saraví (violino), Hernán Briatico (violino), Silvina Álvarez (viola) e Gloria Pankaeva (violoncelo) em 2010 :
Na Sexta-feira, 6 de Abril sugerimos, por exiguidade de outra oferta, uma (re)conciliação com o novo cinema português, actualmente até internacionalmente premiado, optando por ver um dos três em exibição (e que pessoalmente ainda não vimos) deixando de lado “Swans” de Hugo Vieira da Silva/Heidi Wilm, um filme algo hermético sobre um universo caracteristicamente berlinense :
− ou “É na Terra, não é na Lua”, um documentário de Gonçalo Tocha (com Dídio Pestana nos sons) que é o resultado final do esforço de um cineasta fascinado com a ideia de conhecer e registar visualmente a vida de um dos mais remotos pontos de Portugal, a ilha do Corvo – longínqua e distante até mesmo para os habitantes de São Miguel, ilha também açoriana que o cineasta lisboeta visitava com alguma frequência. Afirma : “A ideia também era recuperar um pouco de uma história que está mais ou menos perdida, que está cheia de buracos para ser preenchidos, cercada de mitos, o que também nos permite fantasiar”, observando “O desafio de tudo isto foi ser aceite, conquistar as pessoas” e acrescenta que após mostrar o filme aos habitantes do Corvo “admite mudá-lo conforme as críticas que receber”.
Teve uma menção especial no Festival de Locarno e veio vencer o Grande Prémio do Doc Lisboa 2011. Eis o trailer :
− ou “Tabu” de Miguel Gomes (a que aqui já fizémos referência em Fevereiro passado) que obteve em Berlim o prémio Alfred Bauer para o filme “mais inovador”, destacado pela revista “Sight and Sound”. Esta terceira longa metragem de Miguel Gomes (após “Aquele querido mês de Agosto”) centra-se numa história de amor passada em África, tendo como intérpretes principais Teresa Madruga, Laura Soveral, Ana Moreira e Carloto Cotta.
Eis um excerto :
− ou “A Vingança de uma Mulher” de Rita Azevedo Gomes, uma adaptação de um dos contos de Les Diaboliques de Barbey d’Aurevilly que narra como a duquesa de Sierra-Leonne, para se vingar do marido que lhe havia morto o amante com requintes de crueldade, se tornou prostituta a fim de encharcar em lama a honra do duque. Tudo preservando a narrativa pela própria duquesa num monólogo “demencial” sem que se mostre louca, antes friamente racional, e numa interpretação magnífica (dizem) de Rita Durão. Diz um crítico (V.C.) : “… não é apenas uma história que é narrada, mas uma aprendizagem visual, sentimental, existencial através de patamares de naturalismo e artifício; educação e logro, até ao encarnado (referência ao tom vermelho dominante). Nada de arqueológico; pelo contrário, é experiência, é sensual…”.
É este o filme-anúncio (onde participam também Isabel Ruth, além de Fernando Rodrigues, Francisco Nascimento, João Pedro Bénard, Hugo Tourita, Marie Carré e Manuel Mozos) :
No Sábado, 7 de Abril, volta ao Centro Cultural de Belém um seu habitué das sessões dos “Dias da Música”, o pianista turco Fazil Say que, dono de uma técnica excelente e de uma grande versatilidade, “regularmente junta, num mesmo recital, (como bem lembra o programa) obras do repertório erudito, composições próprias, e outras obras influenciadas pela música tradicional”. No presente concerto alternam peças de compositores do século XX com outras dum repertório mais antigo, a saber :
Leoš Janáček Sonata 1.X.1905I.
Sergei Prokofiev Sonata para piano n.º 7, em Si bemol maior, op. 83
Franz Joseph Haydn Andante con variazioni, em Fá menor, Hob.XVII:6
Bernd Alois Zimmermann Enchiridion, Enchiridion, pequenas peças para piano a duas mãos (Parte II, Exerzitien)
Igor Stravinsky Três andamentos de Petrouchka
O registo mais demonstrativo que encontrámos da técnica de Fazil Say em peças de Haydn (Sonata para piano Hob XVI 35), de Ravel (Sonatine) e de Beethoven (Sonata para piano nº 23, op. 53 “Appassionata”) é este dum recital em Tóquio (2004) :
No Domingo, 8 de Abril, também a oferta é pouca sendo a Orquestra Metropolitana de Lisboa a única benemérita a oferecer ao público lisboeta no Cinema São Jorge, às 17h, um concerto que, por ocasião do seu 20º aniversário, pretende ser “uma estreia outra vez” de quatro obras escritas em anos recentes por compositores nacionais que revelam a diversidade e a qualidade do nosso panorama musical actual.
Assim Alberto Roque que dirige a Orquestra (e também comentará o concerto) irá tocar de Pedro Osório - Música sequencial para orquestra, de Sérgio Azevedo - Sinfonietta Semplice, de João Madureira - Greeting e de Nuno Malo - Suite de Música para Cinema.
Ouça-se a mesma Orquestra num Portuguese Lullaby de Sérgio Azevedo em 2010 :
Aos menos melómanos, sugere-se p.ex. a visita ao Museu do Oriente (na Avenida Brasília, Doca de Alcântara Norte) onde, entre outras, encerra no final de Abril, a exposição sobre “Design têxtil de Kutch” em que se exemplificam duas das técnicas de estampagem e decoração têxtil mais praticadas na Índia na região de Kutch, no estado de Gujarate, junto da comunidade khatri − a estampagem com carimbos de madeira, Block Printing Ajrakh e a decoração têxtil através de pigmentos e resistência à cor, Bandhani Tie & Dye.
Ou então a deslocação ao próximo e pouco conhecido Centro Científico e Cultural de Macau (na Rua da Junqueira, nº 30) onde está igualmente prestes a encerrar (fim de Abril) a exposição “Bronzes e Jades da China Antiga” − Coleccão José de Guimarães que reúne mais de cem objectos de grande valor histórico e artístico, datados do Neolítico (c. 8500 a 2000 a.C.) à dinastia Han (202 a.C. – 220), ilustrando a evolução técnica e estilística na utilização do bronze e do jade, considerados os mais preciosos materiais a partir dos quais eram executados objectos rituais, objectos de uso quotidiano e ornamentos, que reflectiam o poder, o estatuto social ou espiritual na antiguidade chinesa.
No Museu do Oriente
Caro leitor : As escassas Cordas sobresselentes destes dias seguem dentro de uma hora.
Adão Cruz
Afonso da Rocha Aguiar
Aleksandra Serbim
Álvaro José Ferreira
Amadeu Ferreira
Ana Afonso Guerreiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Mão de Ferro
António Marques
António Sales
Augusta Clara
Carla Romualdo
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Dorindo Carvalho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Pereira Marques
Francisca da Rocha Aguiar
François Morin
Hélder Costa
João Brito Sousa
João Machado
João Vasco de Castro
Joaquim Magalhães dos Santos
José Brandão
José de Brito Guerreiro
José Goulão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Peres Lopes
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Margarida Antunes
Margarida Ruivaco
Maria Inês Aguiar
Mário Nuti
Mário Pais de Oliveira (padre de Macieira da Lixa)
Moisés Cayetano Rosado
Octopus
Paulo Ferreira da Cunha
Paulo Rato
Paulo Serra
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Pedro de Pezarat Correia
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