Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
MARX, DURKHEIM E A TEORIA DA INFÂNCIA - por Raúl Iturra

 

Para os meus discentes do Curso de Antropologia do ano académico 2001-2002, que me motivaram para a pesquisa destas ideias, junto com Alice Miller, que já não está connosco….mas,  esse dia ainda era viva

 

 

 

Não é a infância de Marx e Durkheim que eu refiro. Refiro-me ao que eles afirmaram sobre a infância, o meu tema preferido, o da criança.

 

Pouco se sabe do facto de Émile Durkheim ter usado, em conjunto com a sua equipa, o método do materialismo histórico para a sua análise da vida social. E, no entanto, no seu livro escrito em 1888 e publicado como obra póstuma em 1928, Le Socialisme, Durkheim, faz uma apreciação da obra de Marx, tal como a escreve em Dezembro de 1897, na Revue Philosophique, o seu “Essais sur la conception materialiste de l’histoire”.

 

Que Durkheim saiba de infância, é um dado adquirido. Que Durkheim se baseie na obra da Marx, é desconhecido.

 

No seu livro, também póstumo de 1925, L’Education Morale, Durkheim diz que “o filho de um filólogo não herda um único vocábulo. O que a criança recebe dos seus pais, são faculdades muito gerais...há uma considerável distância entre as qualidades naturais da infância e a forma especial que devem adquirir para serem utilizadas durante a vida... . Ao longo de duzentas páginas ou mais, o nosso autor desenvolve a sua teoria sobre a educação moral e a pedagogia, para acrescentar mais à frente que a existência de classes sociais, caracterizadas pela importante desigualdade de quem tem e de quem apenas possui a sua capacidade de produção como força de trabalho, torna impossível que contratos justos sejam negociados, entre um possuidor e um não possuidor de meios de produção. O sistema de estratificação social existente, constrange uma troca igual de bens e serviços, ofendendo assim as expectativas dos povos das sociedades industriais. A exploração impossibilita...uma igualdade necessária para exprimir a vontade... (a minha tradução)

 

As ideias expressas nas páginas 209 e seguintes, delimitam a sua ideia original do desenvolvimento das capacidades da criança. Estas parecem depender da classe social, como refere Durkheim e os seus comentaristas.

 

Como comenta Marx, no seu texto publicado em 1951, mas escrito em 1857 e 58 o Grundisse - um adulto não pode tornar a ser criança excepto se age como um pequeno, o que até lhe parece impossível, por causa da virtudes e formas estéticas de agir dos mais novos. Formas de comportamento esperadas dos mais novos, que, por causa da época, da relação social, denominada capital ou troca de bens entre pessoas, são doentes de lucro.

 

A relação que procura o lucro, retirando mais-valia do trabalho de outrem, e especialmente de crianças, é uma forma doentia de ganhar ou de criar bens. No entanto, na conjuntura analisada, o nascimento das relações entre seres humanos orientadas pela obtenção de lucro e mais-valia, retirada dos não possuidores de bens, as crianças devem passar a ser crianças precoces para defender a sua soberania de infância.

 

Na nossa sociedade, a infância não tem direito a brincar, nem para desenvolver o seu imaginário, devido ao facto de começar a trabalhar desde muito cedo na indústria e assim apoiar a sua família. Ideal de Marx desenvolvida ao longo de mais de cinquenta páginas no texto referido, denominado também de Fundamentos para a Crítica da Economia Política.

 

É a partir destes textos, bem como das ideias do trabalho infantil que não desenvolve intelectualidade na infância, referidas por Marx no seu texto O Capital, que Durkheim elabora a sua teoria da pedagogia quer no texto citado de 1925, quer ainda, no seu Leçons de Sociologie. Physique de Moeurs et du Droit, de 1904 e 1908, publicado em Istambul em 1934 e na França em 1950.

 

A análise materialista da História é usada por Marcel Mauss, no seu texto denominado de forma comum, Ensaio sobre a Dádiva, ao dizer que Durkheim tem razão na sua ideia de que o nosso Estado retira de nós as nossa posses e capacidades por meio das leis e dos impostos: o trabalhador deu a sua vida e o seu trabalho à coletividade por um lado, aos seus patrões por outro...não estão quites com eles através do pagamento do salário.” (página 187 da edição portuguesa de 1988) Ideias de Marcel Mauss, baseadas na obra de Durkheim e Karl Marx.

 

É apenas um conjunto de ideias para expandir o saber sobre a criança. É preciso procurar entre os autores associados às atividades revolucionarias, como Marx, que de facto, apenas foi a base teórica para outros agirem; ou como Durkheim, jamais associado a Marx, menos ainda à obra de Mauss, quem teve o trabalho de juntar o material da imensa obra de Émile Durkheim, para a publicitar com os seus próprios comentários.

 

Penso que a nossa mentalidade ideológico-classificatória, desdenha Durkheim como analista social e pedagogo, vira as costas à obra de Marx por não andar na moda da globalização, e desconhece o socialismo de Marcel Mauss. Os quais começaram a entender a realidade a partir da análise da atividade e epistemologia da criança. Epistemologia que, por causa de eles, posso eu hoje entender e exprimir aos meus discentes, está contextualizada pela classe social. Entender a criança, é entender a obra dos autores citados que lutaram e morreram por causa das crianças. Tal o caso histórico de Durkheim, como o desconhecido da vida de Karl Marx, ou a doença mental de Marcel Mauss que, aterrorizado por causa dos seus descendentes, intelectuais e consanguíneos, poderem desaparecer na Segunda Guerra Mundial do Século XX, tal e qual tinha sido na Primeira Grande Guerra, fugiu do real refugiando-se numa calma paranoia.

 

 

Este texto lido aos discentes, com explicações, passou a ser livro: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade, publicado neste sítio de debate:  http://aviagemdosargonautas.blogs.sapo.pt/

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 45 - por Raúl Iturra

Continuação da Bibliografia

 

1950 : La mémoire collective, Press Universitaire de France – PUF. Harmenszoon van Rijn, Rembrant, 1635: Sacrifício de Isaac, pintura óleo sobre tela, 193 × 133 cm, Museu Ermitage.

Herdt, Gilbert, (org.) 1982: Rituals of Manhood. Male initiation in Papua New Guinea, University of California Press e Berkeley, Los Angeles, Londres.

Herdt, Gilbert, (org) 1984: Ritualized homosexuality in Melanesia, University of Chicago Press e Berkeley, Los Angeles, Londres

Herdt, Gilbert, 1987: The Sambia. Ritual and Gender in New Guinea, Holt, Rinehart and Wiston, Chicago.

Hesíodo, c. finais do Século VII antes da nossa era.: Teogonia. Também conhecida por Genealogia dos Deuses, é um poema mitológico do autor citado. Os Trabalhos e os Dias. (em grego: Ἔργα καὶ Ἡμέραι, transl. Erga kaí Hemérai) também conhecido como As Obras e os Dias. Analisa e relata Mitos Gregos. Fonte, texto central.

Hipona, Agostinho, (398) 1937: The Confessions of St. Augustine, Thomas Nelson and Sons, Ltd, Londres e Edimburgo.

Hipona, Agostinho, (367) 1986: O livre arbítrio, Faculdade de Filosofia, Braga.

Hipona, Agostinho, (412) 1988: La Ciudad de Dios, Editorial Porrúa, México. Versão lusa, 1991: A cidade de Deus, Fundação Calouste Gulbenkian, 3 volumes.

Homero, c. Século VII: A Ilíada, Poema Épico que lhe é atribuído. Fonte, texto central.

Homero, c. Século VII: A Odisseia. Poema Épico que lhe é atribuído. Fonte, texto central.

           Horney, Karen 1946: Are You Considering Psychoanalysis? Norton, USA.

             Horney, Karen, 1939: New Ways in Psychoanalysis, Norton, USA.                                                

Hugo, Victor-Marie, 1862 : Les Misérables. Versão lusa: Os Miseráveis. Quer em francês quer em português existem várias edições e editores.

Iturra, Raúl, 1987 : « Stratégies de reproduction. Le droit canon et le mariage dans un village portugais, (1862- 1983)» em Droit et Société. Revue International de théorie de Droit et de Sociologie Juridique, Nº 5, 1987, CNRS, (Org.) Louis Assieur-Andrieu, Université de Lyon.

Iturra, Raúl, 1988: Antropologia Económica de la Galicia Rural, Xunta de Galiza, Galiza.

Iturra, Raúl, 1990: A construção social do insucesso escolar. Memória e Aprendizagem em Vila Ruiva, Escher, hoje Fim de Século, Lisboa.

Iturra, Raúl, 1998: Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças, Profedições, Porto.

Iturra, Raúl, 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te, porque te amo, Afrontamento, Porto.

Iturra, Raúl, “Mulher a crescer, Machismo a tremer. A Filiação da criança”, em A Página da Educação, Nº 94, Ano 9, Setembro de 2000, Profedições, Porto.

Iturra, Raúl, “Pai, estamos em guerra?” em A Página da Educação, Nº 106, ano 10, Outubro de 2001, Profedições, Porto.

Iturra, Raúl, “Pedófilos, serão apenas os romanos?”, em A Página da Educação, Nº 114, ano 11, Julho de 2002, Profedições, Porto.

Iturra, Raúl, “Marx, Durkheim e a teoria da infância”, em A Página da Educação, nº115, ano 11, Setembro de 2002, Profedições, Porto.

Iturra, Raúl, 2003: A economia deriva da religião. Ensaio de Antropologia do Económico, Afrontamento, Porto.

Iturra, Raúl, “Lembranças de mãe”, em A Página da Educação, Ano 12, Nº 123, Maio de 2003, Profedições, Porto.

Iturra, Raúl, 2004: “A religião é a lógica da cultura”, publicado no livro intitulado Em Nome de Deus. A religião na sociedade contemporânea, coordenado por Donizete Rodrigues, Afrontamento, Porto.

Iturra, Raúl, (1997) 2007: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, Fim de Século, Lisboa.

Iturra, Raúl, 2008: Mis Camélias. Recuerdos de padres interessados, editado em formato  e-book, por Monografias.com.

Iturra, Raúl, 2008: A ilusão de sermos pais, editados em formato e-book, por Monografias.com.

Iturra, Raúl e Iturra, Blanca, 2008: Yo, Maria de Botalcura. Ensaio de Etnopsicologia da Infância, Universidade Autónoma do Chile, antigo Instituto del Valle Central, Talca, Chile.

            Jones, Alfred Ernest, 1925: Mother Right and the Sexual Ignorance of Savage, em International Journal of Psycho­ Analysis, vol. VI, 2ª parte.

 

Klein, Melanie, 1937: Die psychoanalyse dês kindes; versão francesa, La psychanalyse des enfants, PUF, Paris; versão lusa, 1997: A psicanálise das crianças, Imago Editora, Rio de Janeiro.

 Klein, Melanie, 1957: Envy and Gratitude. A Study of Unconscious Sources, Basic Books, Inc. New York; versão luso brasileira, 1985: Inveja e Gratidão. Estudos das fontes do inconsciente, Imago Editora, Rio de Janeiro.

Kury, Mário da Gama, 1990: Dicionário de Mitologia  Grega e Romana, Jorge Zahar Editor Ltda., Rio de Janeiro.

Lampedusa, Tomasi Giusepe di, 1956: Il Gatopardo, versão lusa brasileira, 1958: O Leopardo, Círculo do Livro, São Paulo; versão em castelhano, 1958: El Gatopardo, La esfera de los libros. Madrid.

Lévi-Strauss, Claude, 1952: Race et Histoire, Unesco, Paris, versão lusa, 1980: Raça e História, Editorial Presença, Lisboa.

Lévi-Strauss, Claude, 1955: Tristes Tropiques, Librairie Plon, Paris, versão lusa, 1979: Tristes Trópicos, Edições 70, São Paulo e Lisboa.

Lévi-Strauss, Claude, 1962: La pensée sauvage, Librairie Plon, Paris, versão lusa brasileira, 1976: O pensamento selvagem, Editora Companhia Nacional, São Paulo, Brasil. Há versão castelhana, 1964: El pensamiento salvaje, Fondo de Cultura Económica, México

Luther, Martin, (1529) 1986: Small Catechism with Explanations, Concordia Publishing House.

Luther, Martin, (1520) s/d: A Liberdade de um Cristão. Prefácio à Bíblia Traduzida por Lutero

Luther, Martin, (1517-1539) 1989: Martin Luther’s Basic Thelogical Writings, Editado por Timothy Lull, Fortress Press, Minneapolis.

Malinowki, Bronislaw, 1927: Sex and repression in savage society, Routledge and Kegan Paul, Ltd, Londres, versão luso brasileira, 1973: Sexo e repressão na sociedade selvagem, Editora Vozes, Petrópolis.

Malinowski, Bronislaw, 1929: The sexual life of savages in North Western Melanésia, Routledge and Kegan Paul, Londres, versão luso-brasileira, 1983: A vida sexual dos selvagens do noroeste da Melanésia, Editora Vozes, Petrópolis.

Mauss, Marcel, 1923-24: Essai sur le don: forme et raison de l´échange  dans les sociétés archaïques, em L’Année Sociologique; 1950: L’Essai sur le don, Presses Universitaires de France; versão lusa, (1988) 2001: Ensaio sobre a Dádiva, Edições 70, Lisboa, ambas as edições, com introdução de Claude Lévi-Strauss, pessoalmente recomendo a editada no ano de 2001.

Mauss, Marcel, 1967: Manuel d’ethnographie, Payot, Paris; versão lusa, 1993: Manual de Etnografia, Edições Dom Quixote, Lisboa.

Marx, Karl, 1843: Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie, Klassiker des Marxismus-Leninismus Crítica à Teoria do Direito de Hegel, Clarendon Press, Oxford.

Marx, Karl, 1846: A Ideologia Alemã, Clarendon Press, Oxford.

Marx, Karl, Engels, Friedrich, 1848: Manifesto comunista, Clarendon Press, Oxford.

Marx, Karl, (1857-1858) 1940 (publicação póstuma): Grudrisse, Clarendon Press, Oxford.

Miller, Alice: (1988 Frankfurt und Main) 1990: The Untouched Key. Tracing Childhood Trauma in Creativity and Destructiveness, Virago Press, Londres; versão Castelhana, 1991: La llave perdida, Tusquets, Barcelona.

Miller, Alice, (1979) 1983: The drama of the gifted child, Virago Press, Londres, versão castelhana,  El drama del niño dotado, y la búsqueda del verdadero yo, Tusquets, Barcelona.

Miller, Alice, (1981 Suhrkamp Verlag, Frankfurt und Main) (1985,1ª) 1995: Pictures of a childhood, Virago Press, Londres.

 Miller, Alice, (1981, Frankfurt und Main) 1998: Thou shalt not be aware. Society’s betrayal of the child, Pluto Press, Londres.

Miller, Alice, 1981: Prisoners of Childhood, Basic Books, New York; 1981: The Drama of the Gifted Child, livro corrigido e aumentado, Basic Books, New York; versão castelhana, 1990: El saber proscrito, Tusquets, Barcelona.

Miller, Alice, (1980, Frankfurt und Main) 1990: For Your Own Good: Hidden Cruelty in Child-Rearing and the Roots of Violence, Far-rar/Straus/Giroux, New York; 1983: Virago Press, Londres.

Miller, Alice, (1979, Frankfurt und Main) 1991: The Drama of Being a Child, Virago Press, Londres.

Miller, Alice, (1998, alemão) 2005: Paths of Life, Pantheon Books, New York.

Moisés, 1250 antes da nossa Era: Êxodo, um dos cinco primeiros livros da Bíblia, comum para todas as confissões cristãs, denominado Pentateuco.

Nathan, Tobie, 1961 : Devereux, en hébreu anarchiste, prólogo ao livro de Georges  Devereux de 1961: Ethno-psychriatrie dês Indiens Mohaves, a Collection Les Empêcheurs de Penser En Rond, Universidade de Quebec.

Platão, C. 361: Fedro; versão lusa, (2006) 2009, Fundação Calouste Gulbenkian.

Platão, C. 386: A República, fonte no texto central; versão lusa, (1989) 1990, 6ª Edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

Platão, C.390: O Simpósio é um texto de diálogo de Platão.

Platão, C. 399: O Banquete, fonte e comentários, no texto central; versão lusa, 2005-2006, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Ribeiro de Santi, Pedro Luís, 2005: A construção do Eu na modernidade, Editora Holos, São Paulo

Ritvo, Lucille, 2008: A Influência de Darwin sobre Freud, Imago Editora, Rio de Janeiro.

Rush, Florence, 1980: The best kept secret: sexual abuse of children, Prentice Hall.

Sira, Bem Jesus, foi o autor do livro mãe dos deveres canónicos denominado Sorach. Texto apócrifo dos primeiros anos da nossa era, assinado, no entanto, pelo autor, Jesus Bem Sira, derradeiro livro da Bíblia Judaica, usada pelos cristãos, hebreus e muçulmanos. O texto é denominado Sabedoria de Jesus, filho de Sira.

Smith, Adam, (1776) 1874:  An inquiry into the nature and causes of the wealth of Nations, Routledge and Kegan, Edimburgo e Londres; versão lusa, 1983: A riqueza das nações, 3 volumes, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

Talmude, c. 5000, antes da nossa era, é um registo das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo. Mishná ou Mixná, c. 200 da nossa era, primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica, e o Guemará, c. 500 da nossa era. A discussão do Mixná e dos escritos tanaíticos que frequentemente abordam outros tópicos é amplamente exposta no Tanak.

Van Gennep, Arnold, (1909 Editora de Émile Nourry) 1981: Les rites de pasage, Editora Picard, Paris.

Verne, Júlio,1866, Veinte mil leguas de viaje submarino, vária edições.

Weber, Max, (1892) 1986 : «Enquête sur la situation des Ouvriers Agricoles a L’Est de L’Elbe. Conclusions Prospectives», em Actes de la Recherche en Sciences Sociales, nº 65, Novembro de 1986, manuscrito de Weber publicado pelo director, fundador e director de la Revista citada, Pierre Bourdieu. O original foi publicado em 1892 pela primeira vez em : Schreiftent des Vereins für Socialpolitiken, tomo 55, Leipzig, Duncker und Humblot e reeditado em 1964 no texto de compilação de escritos de Max Weber por Eduard Baumgarten: Max Weber,  Werk und Person  em: BAUMGARTEN, EDUARD. Max Weber Werk und Person.
Tubingen: Mohr, 1964. 720 p. Mit Zeittafel und 20 Bildtafeln

Weber, Max, (1904-1905 no Archiv für Sozialwissenschaft un Sozialpolitik, vols XX e XXI) traduzido por Taurus Edições, Madrid, em 1998. Este texto é um de vários ensaios de Weber, do projecto de pesquisa Gessamelte Aufsäschze zur Religionziologie, do qual resultou o mais famoso ensaio de Weber: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, publicado pela primeira vez nos Arquivos citados mais tarde em inglês como Die Protestantische Ethik und Der Gèist Der Kapitalismus, obra original ou The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism, 1930, por George Allen & Unwin e 1976, com introdução de Anthony Giddens; 1983: A ética protestante e o espírito do capitalismo, Editorial Presença, Lisboa, tradução de António Firminio da Costa; em 1998: A ética protestante e o espíritu del capitalismo, Taurus, Madrid, foi editada em castelhano.

 

(Continua)



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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 44 - por Raúl Iturra

 

Bibliografia:

 

Abraham, Karl, (1924 em alemão) 1929: A Short Study of the Development of the Libido Viewed in the Light of Mental Disorders, Selected Papers, Yale University Press.

Alegría, Ciro, 1963: El mundo es ancho y ajeno, Aliança Editorial, Madrid.

Allende, Isabel, 1982: La Casa de los Espíritus, Plaza e Janés, Barcelona.

Allende, Isabel, 2003: Mi País Inventado, Editora Sudamericana, Buenos Aires, México y Madrid.

Almeida, Ana Nunes de, 1993: A fábrica e a família: famílias operárias no Barreiro, Câmara Municipal do Barreiro.

Almedi, Salomão Jacob, 1515: Pitron Chalomot, fonte, texto central.

Ávila, Lazlo António, 1823: Doenças do corpo e doenças da alma, fonte, texto central.

Bakan, David, 1991: Sigmund Freud and the Jewish Mystical Tradition, Free Association Books, University of Chicago.

Barrios, Eduardo, 1967: Gran Señor y Rajadiablos, Editorial Nascimiento, Santiago do Chile.

Barnett Tylor,Sir Edward, 1871, Primitive Culture, Macmillan and Co, Londres.

Barnett Tylor, Sir Edward, (1881), 1889, Anthropology. An Introduction to the study of man and civilization editado por Macmillan &CO, Londres. Em língua lusa, 1982: Antropologia. Uma introdução ao estudo do homem e a sua civilização, Vozes, Petrópolis, Brasil.

Barnett Tylor, Sir Edward, (1865) 1864: Early History of Mankind and the Development of Civilization, John Murray, Londres, traduzido para a língua lusa como: Pesquisas sobre a história antiga da espécie humana e o desenvolvimento da civilização, 1982. Petrópolis.

Barroso, Cármen e Bruschinni, Cristina: “Sexualidade infantil e práticas repressivas”, em: Revista Pesquisa – Fundação Carlos Chagas, nº 31, Dezembro de 1979, São Paulo.

Bíblia (A) (500 antes da nossa Era-150 Nossa Era), Verbo, Lisboa.

Bion, Wilfred, (1961e após várias reedições, a que tenho comigo) 2000: Experience with groups, Routledge, Londres. Não há versão portuguesa nem castelhana.

Bloch, Marc, (1939-1940, Annales d’histoire économique et sociale, Paris), 1982 : La société féodale, Les Éditions Albin Michel, Paris. Traduzido para inglês, (1940) 1961: Feudal Society, Tr. L.A. Manyon, Two volumes, University of Chicago Press, Chicago.

Breuer, Joseph; Freud, Sigmund, 1895: Studien über Hysterie ("Estudos sobre a histeria"). Leipzig & Vienna, Franz Deuticke. Comentado em:  http://www.polybiblio.com/basane/5067.html

        Cervelatti, Cármen Sílvia: “A função do pai. Uma articulação possível”, em Carta de S. Paulo nº 22 – Abril – Maio /97, São Paulo.

Calvin, Jean, (1539, 1ª edição, 1559, edição corrigida) 1960: Institutes of the Christian Religion, dois volumes, The Westmninster Press, Philadelphia, USA e SCM Press, Ltd, London.

Catecismo da Igreja Católica, 1991, Editora Gráfica de Coimbra, Lda e Libraria Editrice Vaticanna, Cidade do Vaticano.

Código Civil Português, 2008, aprovado em 25 de Novembro de 1966, entrou em vigor a 1 de Junho de 1967, revogando o anterior Código Civil elaborado pelo Visconde de Seabra que entrara em vigor um século antes, em 1867. Actualizado em 2006 e em 2008, teve a sua mais recente reformulação, ao modificar o artigo 1901 sobre poder paternal, Ediforum Edições Jurídicas, Lda., Lisboa.

Cyrulnik, Boris, 1993 : Les Nourritures Affectives, Éditions Ódile Jacobs, Paris.

Cyrulnik, Boris, 2001: Les villaines petits canards, Éditions Ódile Jacobs, Paris, versão portuguesa, 2003: Resiliência, Piaget, Lisboa.

Cyrulnik, Boris, 2003 : Le murmure de fantômes, Éditions Ódile Jacobs, Paris. Versão lusa, 2003: O murmúrio dos fantasmas, Temas e debates.

Cyrulnik, Boris, 2004: Parler d'amour au bord du gouffre, Éditions Ódile Jacobs, Paris. Versão lusa, 2006: Falar de amor à beira do abismo, Martins Fontes, São Paulo.

Czerny, Josette, 2007: “Reseñas de libros”, em Rev. bras. psicanál. dic., Vol.41, nº 4.

Dafoe, Daniel, 1719: Robinson Crusoe, 1950, colecção para crianças, Editora Paidós.

deMauss, Lloyd, 1988: “The truth laid bare in... The History of Childhood”, em The Journal of Psychohistory, 16 (2) Fall, USA.

Devereux, Georges, 1961: Mohave Ethnopsychiatrie: The Psychic Disturbences onf an Indian Tribe, Smithionan Institution, Chicago.

Devereux, Georges, (1961, versão inglesa) 1996: Ethno-psychriatrie dês Indiens Mohaves, a Collection Les Empêcheurs de Penser En Rond, Universidade de Quebec.

Devereux, Georges, (1970) 1977 : Essais d’ethnographie générale, Gallimard, Paris. Original em inglês, 1979 : Basic Problems in Ethnopsychiatry,  colecção de ensaios de 1939 a 1965, University Press, Chicago.

Durkheim, Émile, 1897 : Le suicide. Étude de sociologie, Felix Alkan, Paris.

Durkheim, Émile, 1912 : Les Structures Élémentaires de la vie religieuse, Le système totémique en Australie, Félix Alkan, Paris.

Fernández Jiménez, Emiliano, 1996: Las alas de la Torá, Editorial Desclée de Brouwer, Bilioteca Catecumenal, Bilbao.

Freud, Sigmund, (1889): Livro dos Sonhos ou A interpretação dos Sonhos, Pensamento, Lisboa. Editado em 3 Volumes: Vol. I, 163 páginas, 1988, Vol. II, 170 páginas, 1988 e, Vol.III, 216 páginas, 1989.

Freud, Sigmund, (1896) 2007: Traumas infantis, tradução de Mário Quilici, apresentado por Alice Miller, na Internet. Original em Inglês: Further Remarks On The Neuropsychoses of Defense. Versão lusa, Obras completas de Sigmund Freud, Imago Editora, Rio de Janeiro.

 Freud, Sigmund, 1901: Monatsschrift fur Psychiatrie und Neurologie. Versão francesa, (1916) 1975: Psychopathologie de la vie quotidienne. Application de la psychanalyse à l'interprétation des actes de la vie quotidienne, Edições Payot, Paris. Versão luso brasileira, Psicopatologia da Vida Quotidiana, de FREUD, Editora Estúdios Cor, Brasil.

Freud, Sigmund, (1905) 1979: On Sexuality, Pelican Books, Londres.

Freud, Sigmund, 1909: Carta a Jung. Informação no texto central.

Freud, Sigmund, (1917) 1976: Os Caminhos da Formação dos Sintomas, vol. XVI, Conferência XXIII.

Freud, Sigmund, (1911, em alemão) 1919: Totem and Taboo. Resemblances between the psychic lives of savages and neurotics, George Routledge and Son, Londres.

Freud, Sigmund, (1912, em alemão) 1919: Totem and Taboo. Resemblances between the psychic lives of savages and neurotics, George Routledge & Sons, Limited, Londres.

Freud, Sigmund, (originais entre 1919 e 1922)1953: The Sexual Enlighment of the Children; Character and Anal Erection e Family Romances, Hoggart Press e Instituto de Psycho-Analysis, Londres

Originais, entre 1920 a 1936,

Volumes I-II & III e Volume XI, 1957: The Lies Told by Children;

Volume XII, 1958: On Transformation of Instincts as Exemplified in Anal Erection; Volume XIII, 1955: The Infantile Genital Organization; The Dissolution of Oedipus Complex; Some Phyaical Consequences of the Anatomical Distinction Amongst  the Sexes,

Volume IX, 1959: Contributions to the Psychology of Love;

Originais de 1919

 Volume XIX, 1961: Fetishism; Female Sexuality;

Volume XX, 1961: An sketch of his life and Ideas

Original de 1922

1962: The Short Account of Psychoanalysis, Pelican Books, Londres.

Freud, Sigmund, 1920: Jenseits des Lustprinzips; versão inglesa: Beyond the pleasure principle, standard, Hoggart Press, Londres. Versão francesa editada em 1968, Éditions Payot, Paris.

Freud, Sigmund, (1921) 1987: “Psicologia de grupo e análise do ego”, em Obras Completas, Vol. XVIII, Imago Editora, Rio de Janeiro.

Freud, Sigmund, (1891) 1922: Ensaios de Psicologia Colectiva, versão francesa (1896): Essais de psychanalyse appliquée, incluindo os seguintes textos: Le Moïse de Michel-Ange (1914); La psychanalyse et l'établissement des faits en matière judiciaire par une méthode diagnostique (1906) ; Des sens opposés dans les mots primitifs (1910) ; La création littéraire et le rêve éveillé (1908) ; Parallèles mythologiques à une représentation obsessionnelle plastique (1916) ; Le thème des trois coffrets (1913); Quelques types de caractère dégagés par la psychanalyse (1915-1916) ; Une difficulté de la psychanalyse (1917) ; Un souvenir d'enfance dans Fiction et Vérité de Goethe (1917); L'inquiétante étrangeté (Das Unheimliche) ; (1919)  e Une névrose démonique au XVIIe siècle (1923).

Freud, Sigmund, (1914) 1925: On narcissism: An Introduction, Vol. IV, Hogarth Press, Londres.

Freud, Sigmund, (1915) 1925: Instincts and their vicissitudes, The Hogarth Press, Londres.

Freud, Sigmund, (1905) 1953: Three essays on the theory of sexuality, Penguin, New Zealand.

Freud, Sigmund, (1923) 1955: The Infantile Genital Organization, Hoggart Press, Londres, versão luso brasileira, 1999: Organização Genital Infantil, Vol. XIX, Imago Editora, Rio de Janeiro.

Freud, Sigmund,Das Unbewusste”, em Internationale Zeitschr fur. Psychoanalyse .Versão luso brasileira, 1999: Psicologia médica e psicossomática, Vol. XIX, Imago Editora, Rio de Janeiro.

Freud, Sigmund, 1923: The Ego and the Id PublisherW. W. Norton & Company, Londres.

Freud, Sigmund, (1938) 1990: Moisés e a Religião Monoteísta, Guimarães Editores, Lisboa.

Freud, Sigmund, 1962: Além da alma, título original: Freud, secret passions, de John Huston.

Freud, Sigmund, 2003: A KABALÁ E A MORTE DE DEUS, conferência, publicada na Carta Mensal do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio – Edição Maio 2003 – Número578 – Volume 49.

Freud, Sigmund, Obras Completas, Hoggart Press, Londres.

Freud, Sigmund, 1999: Obras Completas, Imago Editora, Rio de Janeiro.

Garcia Estébanez, Emilio, 1992: ¿Es cristiano ser mujer? La condición servil de la mujer según la Biblia y la Iglesia, Siglo XXI Editores, Madrid.

García Márquez, Gabriel, 1967: Cien Años de Soledad, Editorial Sudamericana, Buenos Aires.

García Márquez, Gabriel, 1985: El Amor en los tiempos del cólera, Bruguera, Barcelona.

García Márquez, Gabriel, 1989: El General en su Laberinto, Mondadori, Madrid.

Giddens, Anthony, 1994: Beyond Left and Rifht, Polity Press, Cambridge.. Versão lusa Para além da esquerda e da direita, Celta Editores, Lisboa.

Giddens, Anthony, 1998: The Third Way. The renewal of Democracy, Polity Press, Cambridge.

Giddens, Anthony, 2000: The third way and its critics, Polity Press, Cambridge.

Girón Blanc, Luis Fernando, 1998: Textos escogidos del Talmud, Riopiedras, Barcelona.

Godelier, Maurice, 1981 : La productions de grandes hommes, Fayard, Paris.

 



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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 43 - por Raúl Iturra

 Há, ainda, uma outra intenção no surgimento deste livro. Entregar aos docentes uma teoria: é necessário saber de história da nossa cultura, ou das nossas orientações de religiosidade que guiam a mente humana, como também é preciso entender a estrutura de personalidade que a nossa cultura, no sentido antropológico do conceito, modela na nossa psicologia. O melhor sujeito para uma pretensão como esta é o nosso ego profundamente estudado com as nossas teorias e as dos sábios que as criaram. Ensinar é saber não apenas a ciência doutoral, mas também a ciência do povo.

 

Por fim diria, que nunca mais aprendemos tudo o que é necessário para viver e acabar a vida em paz. Seja o que for, está mal feito. Eis porque pus o meu ego sob o prisma da psicanálise, ao estudar a hipótese mais importante do fundador: a libido infantil. Que foi preciso ler o Talmude? Pois foi. Rever o Alcorão, o Mishnã, o Torah? Devia haver uma divindade para me compensar estes anos de aprendizagem, no mais absoluto silêncio, quebrado, por vezes, pela simpática companhia de Maria da Graça Pimentel Lemos, que não apenas fixou o meu português, bem como trabalhou à noite, em sua casa, para corrigir os meus erros, o que agradeço profunda e profusamente.

 

Raúl Iturra, Parede, Portugal, 20 de Janeiro de 2009

 

 

NOTA DA COORDENAÇÃO:

 

Nos próximos dias publicaramos bibliografia e anexos deste ensaio.

 



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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 42 - por Raúl Iturra

 

No decurso desses trabalhos de verão, conheci uma rapariga, doce como o mel; perdido de amores pela recém retornada ao Chile, vinda da Europa, solicitei ao meu Senhor Pai que a pedisse em casamento (para mim, claro). Foi longa a espera, mas a minha persistência foi tanta, que ela acabou por dizer sim. E porque sim, casámos. Partimos para a Europa, onde prossegui os meus estudos em Antropologia, e, como antropólogo, deslocámo-nos de novo para o Chile quando aconteceu o assassinato do nosso Presidente e da sua via chilena para o socialismo.

 

Tivemos duas filhas preciosas e extremamente bem cuidadas, especialmente pela mãe, a minha mulher, que, um dia, ficou farta de mim e pediu-me o divórcio. As suas perspectivas eram, afinal, bem diferentes das do radical revolucionário, com quem casara, que vivia para a prática do Direito e Lei e das Ciências Sociais. O resto, não é a minha história.

Paradoxalmente, a minha história de vida não me parece minha. Assim, para me entender, entre o Id, o ego, o superego, as fantasias e as relações sociais e porque um dia disseram-me que podia falecer por causas neurológicas, apressei-me a escrever as minhas memórias e as lembranças das minhas ultra amadas filhas e as dos seus filhos.

O resultado dessa escrita intensa, apareceu como Mis Camélias – Recuerdos de Padres interesados, texto pensado para ser escrito pela minha pequena família. Não aconteceu. Pelo contrário, criticam-no duramente, apesar de ter ganho um prémio. Esse livro fez-me perder a família. Louvores na escrita, profunda tristeza na vida familiar, solidão das solidões. Gostaria, no entanto, de realçar que pedi licença aos interessados, ao enviar-lhes um exemplar para lerem, sugerirem, darem a sua opinião e, naturalmente, autorizarem a edição. Mas os meses foram passando e uma vaga de silêncio instalou-se por um livro não lido.

Como Etnpsicólogo, como sujeito de uma psicanálise de dez anos para ser etnopsicólogo, decidi auto analisar-me. Por não saber qual o erro, recorri a Freud e aos seus discípulos.

Dir-me-ão porquê Freud? Porque ele, tal como Copérnico e Charles Darwin, revolucionaram a forma do ser humano se ver dentro do infinito Universo. Para Sigmund Freud, as acções e os desejos não são fruto da vontade e da vaidade humana, mas sim do Inconsciente, esta nova maneira de pensar a psique humana, abalou o mundo científico. Ansioso na obtenção de respostas plausíveis para aplacar o sofrimento dos seus pacientes, enveredou pela doutrina de Charcot e utilizou a hipnose nos seus estudos sobre histeria. Muito embora os seus estudos encontrassem resistência na ala conservadora da Medicina, que via nas teorias freudianas uma ameaça à primazia do ser humano, Freud prosseguiu a sua linha de pensamento e descobriu que o ser humano é dividido entre o Consciente e o Inconsciente, lançando as bases da Psicanálise.

É interessante observar como ao comparar etapas da vida de si próprio com a da sua descendência é possível articular as suas descobertas com as experiências pessoais do psicanalista. Como a teoria que desenvolveu sobre o Complexo de Édipo, fundamentando-se na relação com o seu pai morto, recorrendo a uma linguagem metafórica e onírica. O conflito interior que Freud viveu, enquanto tentava penetrar no obscuro Inconsciente dos seus pacientes, temendo encontrar o inefável, o impensável, era, na verdade, receio de encontrar a sua própria essência. Esta questão, também é parte do conflito da minha auto-análise para entender o que foi desastroso na minha escrita de Mis Camélias.

Hoje em dia faço o possível e o impossível para defender que o complexo de Édipo devia ser virado do avesso: são os pais que precisam dos descendentes, especialmente quando a vida começa a ficar à beira do fim, na mais espantosa das solidões. Ou estamos no cume sem borrascas, como diria Emily Brontë, ou com borrascas por ficarmos sós e pensarmos ter feito tudo correcto na vida. Mas, Margaret Mitchell afirma, desde 1936, que o que não fica por escrito o vento leva. Eu não queria que o vento da vida levasse as minhas memórias, especialmente as mais queridas para mim, as da minha descendência.

Este livro, contrariamente ao Para sempre ticinco. Allende e Eu (no prelo), tem sido pesado. Passar pelo crivo da estrutura de personalidade, submetendo lembranças e emoções a teorias e autores que eu próprio analiso, tem sido duro. Não estou arrependido. É assim.



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Domingo, 20 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 41 - por Raúl Iturra

Enquanto um era advogado para defender causas perdidas e apoiar os sindicatos (eu), outra formou-se como Assistente Social (Blanquita), mais tarde, já como analista, concebeu o Programa de Atención Integral en Salud, PRAISE, que hoje, após o terramoto da ditadura, coordena em quatro províncias do Centro do Chile, trabalhando desde as 8 da manhã até noite dentro, na constante procura de melhorar as depressões causadas pelo nefando assassínio que faleceu réu de crimes imensos, e em tribunal. O nosso irmão Jaime, Engenheiro Agrícola e Florestal, é hoje em dia membro do PC Chileno, enquanto Flor Maria foi educada, na mesma Universidade dos Senhores Pais, como de todos nós e dos nossos descendentes, para Ser Senhora. Assim, Senhora é, dedicando-se actualmente à pintura. Maria de los Ángeles estudou e criou família, filhos, netos e bisnetos – com esse programa, relatado por mim noutro livro.

 

Já não havia tempo para correr e cantar, como outrora. O teatro foi à vida, as danças andaluzas também, os Centros de Madres e de Escuteiras, orientados pela Senhora Mãe, e o Sindicato, pela lei que organizámos na segunda metade dos anos cinquenta do século XX. Agora, nos verões, dedicávamo-nos à alfabetização, recorrendo ao método de Paulo Freire, construíamos estradas, levantávamos escolas, ensinávamos higiene, lutávamos pelo nosso candidato, Dr. Salvador Allende e os seus ideais.

 

Nessa época, ganhei a mania de pregar nas homilias celebradas pelo nosso amigo Mário Erazo às 10 da manhã de todos os Domingos. Nessas manhãs dominicais, levado de carro até à Igreja, eu batia e batia o sino da solidariedade, até conseguir que paroquianos detentores de muitas terras oferecessem algumas das que não usavam, para construção de um bairro que, até hoje, tem por nome Don Raulito Iturra, tal como o que organizara em Viña del Mar, para os pescadores ou o de Caleta Abarca, que visitei em 2004, designado Raúl Iturra. Os santos padroeiros com muito dinheiro e terras comoviam-se com os meus sermões, especialmente quando, como um Lutero, um Calvino ou um Knox qualquer, afirmava que iam ganhar o Reino dos Céus. Foi com essa segurança que, o secretamente ateu Rir – eu – soube levantar a população, nomeadamente em alguns bairros de lata de Valparaíso. Foi assim que me formei em advocacia.



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Sábado, 19 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 40 - por Raúl Iturra

 

 

No Paraíso encantado, havia uma fada madrinha, a minha Nana Griselda, que me criara e tinha a paciência de esperar o meu regresso a casa, às vezes pela noite dentro. Época em que eu organizava Sindicatos, defendia os plebeus definidos por Gracchus Babeuf em 1785 e teorizados por Marx em 1848. Por tratar de casos criminosos em bairros de lata, costumava chegar por volta das onze da noite. Lá estava ela, a tricotar e à minha espera para me servir a comida. Sem duvidar jamais, comíamos ambos na cozinha. Contava-me histórias, especialmente da nossa família que a nossa Senhora Mãe lhe havia contado e eu, depois, transmitia-as aos meus irmãos. Como na Casa dos Espíritus de Isabel Allende. Enquanto eu comia, ela tricotava, narrava e ria. Com um riso alegre e calmo, alimento de serenidade para o meu espírito rebelde e radical de combatente dos plebeus.

 

A minha Fada Madrinha em breve passou a ser a Chela, alcunha inventada por mim ao longo da cronologia dos nossos cálidos jantares a dois, enquanto toda a casa dormia. De manhã, às seis, hora em que ela ainda dormia, eu acordava os meus irmãos e primos para o pequeno-almoço antes de partir para a cidade. A minha Fada Madrinha ou qualquer outra pessoa da cozinha, preparava a mesa da copa para os Iturra mais novos se alimentarem com queijos, o eterno porridge ou aveia com leite, ovos escalfados, torradas e manteiga, por vezes rins ou carne assada, era uma avalanche de alimentos para suportar essas enormes manhãs, sustentar o corpo e a nossa inteligência!

 

A minha Fada Madrinha, que nos abandonou para entrar na eternidade, ainda muito nova, conheceu os seus “netos” – os nossos filhos – e orgulhava-se dos seus descendentes adoptivos. Foi ela, quando por motivos académicos saímos de Laguna Verde para Santiago, quem nos apoiou, enquanto os nossos Senhores Pais tratavam dos trabalhos da indústria nessa encantadora Laguna Verde. Baía que visito sempre que me desloco ao Chile e rememoro as nossas vidas especiais... A minha memória está incutida em Laguna Verde, na casa, hoje abandonada, que já não recebe a descendência dos Senhores meus Pais, espalhada pelo mundo, todavia acolhe a minha Chela, através das recordações. A sua passagem para a eternidade marcou o começo de um fim: das visitas dos primos, dos tios, dos amigos, dos artistas amigos dos Senhores pais; a criançada cresceu e o tango de Gardel, Adiós Pampa Mia, começou a ser cantado na materialidade da vida.

 

Chegava ao fim o Paraíso encantado, sem barulho, longe da cidade, com carros para nos deslocar, ou com as nossas bicicletas ou, simplesmente, a pé ou a cavalo.

 

Com a minha amada irmã Blanquita, mal havia temporal, ou os bem conhecidos terramotos, normalmente um por ano, ou tremores de terra, quase diários, lá íamos à procura de asilo para os que sem casa ficavam solicitando aos ricos o empréstimo dos seus armazéns, das suas adegas ou terrenos abandonados para construir casas designadas meias águas, feitas em madeira com um tecto para a água da chuva, sempre muita, escorregar – daí, meias água (porque tinha apenas uma placa de madeira, para resguardo da água). O nosso crescimento fez-nos pessoas implicadas persistentemente na defesa dos direitos humanos. A minha doce irmã, nos Centros de Madres com a nossa Senhora Mãe, de uma simpatia e solidariedade impossível de descrever, doce e muito religiosa, de terço às tardes, de joelhos, a família toda, até que, a pouco e pouco, foi ficando apenas com os empregados de casa. O nosso irmão, a converter operários para o marxismo, eu a fundar sindicatos de pescadores e de operários da fábrica, outra a dançar andaluz o tempo todo enquanto criava uma escola para as raparigas operárias.

 

O primeiro sindicato a reclamar leveza no trabalho, organizei-o com quinze anos de idade e dois anos mais tarde, aos dezassete, criei o teatro; o Centro de Madre, foi fundado pela minha amada irmã apenas com catorze anos; o nosso irmão aos treze anos de idade formou centros marxistas de rebelião ao passo que a mais nova, completava os seus estudos.



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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 39 - por Raúl Iturra

 


(Continuação)

 

Em jeito de conclusão. Parece-me, na minha fantasia, não a definida por Freud, mas a definida e invocada ao longo deste texto, essa que às vezes me faz pensar, outras temer, outras ainda ter pesadelos, essa minha fantasia usada na infância quando pensava que os filhos do último Czar da Rússia não tinham perdido uma filha (assassinada) mas sim um filho (que a família Romanoff não queria reconhecer) oculto, bem-criado, tratado com doçura, amor e todo o carinho do mundo, esse filho, mais não era do que o meu pai.

 

Fantasia própria, que sempre povoou a minha mente e permitiu-me sonhar acordado, outorgando galardões aos meus seres mais queridos. Seres queridos, como o meu Senhor Pai, esse Engenheiro e Terratenente, o “el papá”, como era referido por nós, os seus descendentes, ou a nossa Senhora Mãe, Licenciada em Matemática e Línguas. Os dois, da mesma Universidade, essa Pontifícia Católica de Valparaíso, onde se conheceram, namoraram, mais tarde casaram e tiveram muitos filhos e, para acabar este parágrafo, é natural dizer que viveram felizes até ao fim das suas vidas. Final romântico, agradável e convencional.

 

É evidente que a paixão dessa juventude os levara a ser pais de imensos filhos, que foram estragando a felicidade da frase ritual do casamento: para sempre até ao fim dos seus dias. Colégios caros, a serem pagos todos os meses para que os filhos os pudessem frequentar, fim de mês sempre temido, quando as contas começavam a aparecer. As roupas que deviam ser de marca. Os descendentes eram filhos à Romanoff, dentro de um pequeno imenso estado, no qual, pela fantasia do “gallallla”, cabiam todas as Rússias. Mandava-se a torto e a direito, colaborava-se a direito e torto e montava-se a cavalo ao som do prazer numa praia imensa e privada. Uma fantasia de vida. Fantasia que devo ter vivido ao longo de toda a minha vida. Fantasia que, nesses tempos, me mantinha fechado na Quinta da Baía de Laguna Verde, a nossa pequena monarquia de luz, de sol, de um Pacífico verde-esmeralda, a brincar com irmãos e primos. Irmãos bem mais novos do que eu, primos de marca (não somente a roupa), filhos dos familiares consanguíneos dos nossos Senhores pais.

 

Nem era preciso trazer amigos para casa: éramos tantos! Casa grande, sim, mas nem sempre capaz de receber tanta gente por longos períodos de tempo. Cada um de nós tinha os seus amigos, que adoravam visitar aquele jardim do Éden, comer repostarias bem preparadas pela multidão de servos da gleba que havia dentro da casa dos Senhores Pais. Às vezes, na casa de jantar, eu comia só, enquanto na copa e na cozinha havia mais pessoas do que no resto da casa. A fantasia ia crescendo: leituras de mitos, de Dickens, Jules Verne, Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Stephan Zweig, Pearl Buck, John Cronin entre outros e canto com Mozart, Vivaldi, Beethoven e especialmente Bach e os seus concertos de Branderburg, outros na imensidão das dívidas do Senhor Pai e da sua música, mas, também a fantasia da concertista de guitarra clássica, a nossa Senhora Mãe, com o seu Albeniz e Granados. Nós, os mais novos da casa, nem respeitávamos essa música que, por vezes, era acompanhada de música da casa Real de Espanha ou das impostas, anos mais tarde, pelo ditador (esse que matou a Segunda República de um dos Estados Ibéricos e foi rei até ao dia da sua morte, após cinquenta anos de tirania, essas matanças, também, a torto e a direito).

 

Eram senhores os meus pais? Mais do que isso, sabiam mandar com simpatia e doçura acolhendo em casa os mais desamparados, sabiam ensinar o que era trabalhar e, ainda, sabiam ensinar como fazer comidas que alimentassem. Ao mesmo tempo, divertíamo-nos com as peças de teatro que nós próprios encenávamos às quais toda a povoação assistia. Não pelo Senhor Pai ser quem mandava, empregava ou despedia pessoal da sua fábrica, mas porque não havia alternativas a este entretenimento, excepto as Missões de Padres organizadas pela Senhora Mãe, ou as sessões cinematográficas que o Senhor Pai promovia. Esse manda chuva que, na minha fantasia, ao longo do meu crescimento, de Romanoff, passou a ser, não na fantasia mas sim, na materialidade da vida, um senhor com quem foi preciso lutar para defender postos de trabalho, manter e respeitar os horários de técnicos e operários, que precisavam de descansar.

 

(Continua)

 



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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 38 - por Raúl Iturra

 

 

É-me impossível fechar o texto sem tornar a esse começo afectivo de Boris Cyrulnik. Não duvido que a teoria de Freud, Klein, Bion, e Miller, sejam teorias de importância capital, especialmente as de Alice Miller, para quem procura penetrar o saber da mente cultural da criança. Bem como me é impossível, após estudar tanta criança, analisar as suas aventuras e desventuras, deixar de referir que, se Freud fosse vivo, deveria rever e modificar a sua definição do Complexo de Édipo e a ideia da figura paterna ser um castrador ao mandar e impor ordem dentro da casa ou lar. Hoje em dia, são os pais – eles e elas –, esta péssima língua portuguesa machista tem palavras iguais para acções diferentes, que sofrem o denominado complexo de Édipo com a saída dos seus descendentes de casa, muito novos. Não casam, vivem juntos em amancebamento ou concubinato , ou seja, não assinam contratos nem se juntam publicamente em cerimónia ritual, e se estão satisfeitos um com o outro, casam depois e trabalham em conjunto desde o primeiro dia em que começam a viver em concubinato, este é o seu experimento pré nupcial que, hoje em dia, a maior parte das pessoas faz, especialmente no Alentejo (Portugal), na Andaluzia (Espanha) ou nos meios burgueses, situação que se verifica pela inexistência contratual ou pela existência, como está definido no Código Civil Português, de impedimentos dirimentes . Antigamente, na minha infância, o Natal era como nas aldeias portuguesas, galegas, polacas, húngaras e em várias da América Latina que o comemoram. Nem todos o fazem, porque na América Latina têm sobrevivido cultos ancestrais que os invasores portugueses, britânicos, franceses e espanhóis não conseguiram tirar. O melhor modelo para entender a vida e o saber das crianças, é o escritor Quechua- obrigatoriamente peruano por lei - , Ciro Alegría e o seu encantador livro El Mundo Es Ancho y Ajeno . O Gabriel Garcia Marquez e os seus Cien Años de Soledad , ou ainda, de entre a sua vasta obra, Isabel Allende, especialmente com o seu livro Mi País Inventado .

 

É evidente que um saber para curar de maus-tratos infantis, definidos por Cyrulnik, acaba por nos dizer: senhores, sim, a mente humana é um labirinto de paixões, como diz Garcia Marquez no seu melhor livro: El General en su Laberinto ou na obra El Amor en los tiempos del cólera . Se assim não for, deveríamos lembrar Gabo ou Isabel Allende em La Casa de los Espíritus . Também explica essa mente, o livro mais esquecido de todos, que herdei do meu pai, esse maravilhoso romance Gran Señor y Rajadiablos . Texto que nos facilita entrar numa mente cultural muito desconhecida. Mente cultural, que luta por saber, liberdade e desamamenta os pais mais cedo ensinando-lhes a serem adultos.

 

O saber das crianças, nas suas três vias, acarinha a sua sexualidade e emotividade como Simón Bolívar no seu Laberinto, como a procura do indigenismo primevo de Ciro Alegría, como a nostalgia do que foi e já não é, no País Inventado. O saber das crianças precisa de psicanálise para entender esse precoce desejo, mas dos seus adultos, porque este texto é para os adultos entenderem as crianças e saberem que a liberdade delas conta desde o primeiro dia, como referi na minha obra Yo, Maria de Botalcura . Texto que advoga pelo saber livre dos mais novos, sem serem impedidos ou travados pelos seus adultos. A psicanálise do saber e da sexualidade das crianças, é para os adultos saberem por onde andam como adultos maiores com descendência liberta pelo neo-liberalismo, que Blair e Giddens não souberam encontrar como terceira via para a liberdade desses adultos. Talvez Obama hoje...

 

NOTAS:

 

Estado de quem vive amancebado ou em concubinato, de acordo com o Código Civil Português no artigo 1871, página1545 do Código reformado em 2001 e 2006 que define a presunção de pai, se não houver matrimónio, e o direito da mãe a pedir pensão de alimentos do pai das suas crianças ou concubino, e 2020, que define o amancebamento ou concubinato, como união de facto, página 1602. Diz-se da situação em que duas pessoas vivem maritalmente sem serem casadas. ARTIGO 2020º (União de facto) 1. Aquele que, no momento da morte de pessoa não casada ou separada judicialmente de pessoas e bens, viva com ela há mais de dois anos em condições análogas às dos cônjuges, tem direito a exigir alimentos da herança do falecido, se os não puder obter nos termos das alíneas a) a d) do artigo 2009º. 2. O direito a que se refere o número precedente caduca se não for exercido nos dois anos subsequentes à data da morte do autor da sucessão. 3. É aplicável ao caso previsto neste artigo, com as necessárias adaptações, o disposto no artigo anterior. Texto completo em: http://www.portolegal.com/CodigoCivil.html. Artigo 1600: Têm capacidade para contrair casamento, todos aqueles em quem se não verifique algum dos impedimentos matrimoniais previstos na lei... Em suporte de papel, página 1358. Livro IV, Direito de família, Título II: Do Casamento: Artigo 1601 ARTIGO 1601º (Impedimentos dirimentes absolutos) São impedimentos dirimentes absolutos, obstando ao casamento da pessoa a quem respeitam com qualquer outra: a) A idade inferior a dezasseis anos; b) A demência notória, mesmo durante os intervalos lúcidos, e a interdição ou inabilitação por anomalia psíquica; c) O casamento anterior não dissolvido, católico ou civil, ainda que o respectivo assento não tenha sido lavrado no registo do estado civil (pg. 1358, em suporte de papel). Artigo 1602: Impedimentos dirimentes relativos: (Impedimentos dirimentes relativos) São também dirimentes, obstando ao casamento entre si das pessoas a quem respeitam, os impedimentos seguintes: a) O parentesco em linha recta; b) O parentesco em segundo grau da linha colateral; c) A afinidade em linha recta; d) A condenação anterior de um dos nubentes, como autor ou cúmplice, por homicídio doloso, ainda que não consumado, contra o cônjuge do outro (formato de papel, pp 1354 e seguintes). Alegría, Ciro, 1963, El mundo es ancho y ajeno, Aliança Editorial, Madrid, é uma Novela do escritor peruano Ciro Alegría, considerada como uma das obras mais destacadas da novela indigenista e a principal do autor.1 Mario Vargas Llosa afirma que El mundo es ancho y ajeno constitui "el punto de partida de la literatura narrativa moderna peruana y su autor nuestro primer novelista clásico"2. Esta novela conta com inúmeras edições em español e é a novela de Ciro Alegría mais traduzida. Garcia Marquez, Gabriel, 1967: Cien Años de Soledad, Editorial Sudamericana, Buenos Aires. Allende, Isabel, 2003: Mi País Inventado, Editora Sudamericana, Buenos Aires, México y Madrid. García Márquez, Gabriel, 1989: El General en su Laberinto, Mondadori, Madrid. García Márquez, Gabriel, 1985: El Amor en los tiempos del cólera, Bruguera, Barcelona. Allende, Isabel, 1982: La Casa de los Espíritus, Plaza e Janés, Barcelona. Barrios, Eduardo, 1967: Gran Señor y Rajadiablos, Editorial Nascimiento, Santiago de Chile. Iturra, Raúl-2008-Iturra, Blanca, 2009: Yo, Maria de Botalcura. Ensaio de Etnopsicologia da Infância, Universidade Autónoma de Chile, antigo Instituto del Valle Central, Talca, Chile.



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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 37 - por Raúl Iturra

 


Pelo seu terceiro ano de idade, o pequeno, já na idade de empatia, torna-se capaz de reabituar as representações que havia aprendido das representações do mundo mental da sua mãe, as suas motivações, as suas intenções e as suas crenças: "Ele ainda vai pensar que sou eu quem tem comido o seu chocolate, apesar de ser o seu irmão. Um bebé a crescer dentro de um mundo frio de afectividade, que se desenvolve num mundo frio, está prestes a pôr atenção a toda a afectividade fria que tudo dos outros lhe pode entregar”. Praticamente pensa: “Toda relação afectiva arrefece ao ser humano. No caso inverso, uma criança que se sente amada, pensa-se amável, por causa dele próprio ser amado”. Este impingir na sua memória de afectividades de sobrevivência, pode criar no pequeno uma representação do seu ego confiante e amável, que usa com simpatia ao entrar na interacção social.

 

Esta aprendizagem cria um estilo de vida afectivo durável, que se estende, além do mais, para as relações externas, especialmente nos seus encontros amorosos:" Ao saber o que sou, nem por isso oiço aos que me desprezam, não vale a pena". O jovem amado na sua infância pode também pensar :" Ao pensar no que eu sou, estou certo que ela vai-me aceitar”. Esta representação do eu com um outro, é “uma construção a dois” da vida social que depende dos encontros e reencontros, mas que pode-se desenvolver, como todo o fenómeno da memória em relação ao apagar ou esquecer, o reforço da mesma ou a metamorfoses das relações .

 

O texto original, em francês, tenho-o guardado tal e qual, para os leitores saberem que traduzir não é apenas uma mudança de palavras, é, antes sim, todo um estilo gramatical a ser alterado.

 

A resiliência passa a ser de uma importância capital para saber e entender o comportamento dos outros. Para, especialmente, entender o Id ou o Isto. Para além de tudo, esse saber das crianças. É a terceira via, para a qual tornamos agora.

 

Essa terceira via é o saber que o contexto social dá à criança, como Giddens tem desenvolvido nos seus textos, especialmente nos por nós citados nas páginas 54 e seguintes.

 

O governo e as várias associações cívicas deviam apostar na educação sexual da nossa população, pois, infelizmente, continuamos a ser recordistas, a nível da União Europeia, de gravidezes adolescentes e da prática de sexo desprotegido. Contudo, o mais confrangedor é saber que, relativamente ao primeiro caso, há gente que pensa que não se engravida na primeira relação sexual, e quanto ao segundo, está a aumentar exponencialmente em todas as faixas etárias o número de seropositivos.

 

Pelo que ficou dito, em nossa opinião, é urgente investir em campanhas de educação sexual a todos os níveis, nomeadamente entre os adolescentes, mais sensíveis aos impulsos da libido e ansiosos por experimentar determinadas fantasias sexuais, mas desconhecendo as suas implicações…Ideias impostas no meu argumento pelo blogue de Maldonado, escrito a 28 de Dezembro de 2008. Durante o dia denominado dos inocentes . Dos Inocentes, pelas mortes causadas por Herodes Antipas, Rei dos Hebreus no Século I da nossa era, ao saber que ia nascer um rei que iria disputar o seu trono. Mandou matar. Quantos? Nem sabemos, mas eram crianças de Belém da Judeia, desde os dois anos de idade para cima. É o que as crianças, as nossas crianças, aprendem enquanto os nossos legisladores tencionam ultrapassar a crise económica que nos habita e não sabem resolver .



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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 36 - por Raúl Iturra

 

 

 

 

Entre as crianças por mim observadas ao longo dos meus quarenta anos de trabalho, sou capaz de apreciar os desvios que elas fazem somente para não passarem pelo trilho do murmúrio dos seus fantasmas. Ideia retirada de uma das obras de Cyrulnick onde, ele próprio, acaba por confrontar esses meios que fazem dele um ser humano criativo, que guarda a força que dá o sofrimento, para construir obra. Como muitos de nós, ao longo da vida, tentamos esquecer as nossas tristezas e limitações emotivas, no meu caso, recorrendo à escrita. No dia em que não escrevo, sinto um dedilhar desse passado que no presente me atormenta na criação dos meus descendentes. Sempre pensamos estar a fazer o melhor, criamos rituais que, se não contribuem em nada, parece-nos ficarmos sem alternativas. Todavia, há sempre uma criação à nossa espera. Mas o que mata? A pouco e pouco essa resiliência acaba por ser parte da nossa condenação em vida. Especialmente se estamos ao pé de pessoas que têm sofrido traumas e não sabem usar essa capacidade oxymoron ou resiliência, como já definido dentro deste texto que hoje escrevo . Cyrulnik, que foi capaz de sobreviver e criar novas ideias para apoiar as pessoas traumatizadas na infância, foi capaz de escrever não apenas textos sobre resiliência, bem como comentar como ela deve ser tratada. No livro citado em nota de rodapé, no Capítulo que corresponde, diz: Governados pela imagem que se faz de nós próprios. A criança no decorrer das suas interacções quotidianas, aprende a contestar perante si, a ideia estruturada por ela própria, na relação de “ela com os outros”. Todo o ser vivente inevitavelmente reage às percepções que advêm do mundo externo, mas um ser humano pequeno, a partir do sexto mês de idade, contesta também as representações formuladas por ele ou representações “de ele com os outros”, construídas pelo próprio que impregnam a sua memória. Um ser humano recém-nascido apenas sobrevive se tem junto de si as imagens de referência de carinho, de vínculo protector, de afeição ou de apego emotivo. Sozinho, não tem nenhuma alternativa para se desenvolver, para crescer. No desenvolvimento espontâneo dos factos biológicos, a imagem afectiva, é, na maioria das vezes, a imagem da mãe, que tem levado a criança dentro de si. No entanto, toda a pessoa que tenha alimentado com amor e boa vontade, outra mulher que não seja a mãe, ou um homem ou, ainda, uma instituição, passa a assumir a função de figura terna de apego, composta de imagens afectivas, de sentimentos afectivos e de factos carinhosos endereçados ao recém-nascido. Entre gesto e gesto de ternura e simpatia, esta realidade sentimental, sensorial, emotiva, impregna-se na memória do mais novo e ensina-lhe a pôr atenção a comportamentos certos que advêm das figuras de afeição. Toda a mãe infelizmente vencida pela sua história, pelo seu marido ou pelo contexto social, apenas pode emitir sentimentos de mulher deprimida: face pouco expressiva, falta de sedução corporal, olhares desviados dos outros, uma verbalização decaída. Por causa desse patamar de sentimentos da mãe, que invade e influência os sentires dos outros, o bebé aprende a reagir com comportamentos de decaimento emotivo. A partir do primeiro ano de idade, é-lhe suficiente perceber essa figura de afecção, como uma imagem de apego emotivo infeliz, causando dor. O bebé não reage apenas a essa percepção de mãe triste, a sua reacção é do amor à beira do precipício, da falta de carinho emotivo aprendendo tristeza com antecedência, porque é infelicidade o que lhe é ensinado pela figura afectiva.

 

NOTAS:

 

 

[Parte do texto está retirado da minha experiência, outra, especialmente a vida de Cyrulnick, do texto antes citado, que pode ser lido em: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0486-641X2007000400016&lng=es&nrm=iso, denominado: Falar de amor à beira do abismo, Boris Cyrulnik. São Paulo: Martins Fontes, 2006, 181 pp, em: Rev. bras. Psicanál v.41 n.4 São Paulo dic. 2007, da autoria de Josette Czerny. O livro em língua lusa é uma tradução do livro em francês: Parler d'amour au bord du gouffre, Ódile Jacobs, 2004, Paris, 256 páginas, pode-se aceder a extractos, em: http://www.odilejacob.fr/catalogue/index.php?op=par_titre&cat=0207&count=0&id_livre=1993&option=&desc=quatrieme. Um desses extractos, retirados do capítulo que cito a seguir, diz: Gouvernés par l'image qu'on se fait de nous-même, título que em português seria: “Governados pela imagem que fazemos de nós próprios". Esse capítulo tem ideias que traduzi para o texto central, guardei o original em francês, para esta nota de rodapé, que, entre outras ideias, desenvolve a seguinte: L'enfant a appris, au cours des interactions quotidiennes, à répondre à l'idée qu'il se fait de " lui avec les autres ". Tout être vivant réagit inévitablement à des perceptions, mais un petit humain, dès le sixième mois, répond aussi à la représentation de " lui avec les autres " qui s'est construite en s'imprégnant dans sa mémoire. Un nouveau-né ne peut survivre que s'il dispose autour de lui de figures d'attachement. Seul, il n'a aucune chance de se développer. Dans le déroulement spontané des faits biologiques, la figure d'attachement est presque toujours la mère qui l'a porté. Mais toute personne qui veut bien s'occuper du nourrisson, une autre femme, un homme ou une institution, assume cette fonction de figure d'attachement composée d'images, de sensorialités et d'actes adressés au nouveau-né. De gestes en gestes, ce réel sensoriel s'imprègne dans la mémoire du petit et lui apprend à attendre certains comportements qui viendront de ces figures d'attachement. Une mère rendue malheureuse par son histoire, son mari ou son contexte social, émettra une sensorialité de femme déprimée : visage peu expressif, absence de jeux corporels, regards détournés, verbalisé morne. Dans un tel bain sensoriel qui traduit le monde mental de la mère, le bébé apprend à réagir par des comportements de retrait. Dès la fin de la première année, il lui suffit de percevoir cette figure d'attachement malheureuse pour qu'il attende des interactions de mère triste. Le bébé ne réagit pas seulement à ce qu'il perçoit, il répond à ce qu'il guette, il anticipe ce qu'il a appris. Dès la troisième année, le petit, arrivant à l'âge de l'empathie, devient capable de répondre aux représentations qu'il se fait des représentations du monde mental de sa mère, de ses motivations, de ses intentions et même de ses croyances : " Elle va encore croire que c'est moi qui ai mangé le chocolat, alors que c'est mon frère. " Un bébé qui se développe dans un monde glacé s'attend à ce que les autres lui apportent la glace. Il pense presque : " Toute relation affective provoque le froid. " À l'inverse, un enfant qui se sent aimé se croit aimable puisqu'il a été aimé. Cette empreinte dans sa mémoire, à l'occasion de la banalité des gestes de la survie, a donné à l'enfant une représentation de soi confiante et aimable, à laquelle il répond quand il entre en relation. Cet apprentissage donne un style affectif durable qui s'exprime encore lors des premières rencontres amoureuses : " Quand je pense à qui je suis, je m'attends à ce qu'elle me méprise. " Le jeune peut aussi penser : " Quand je pense à qui je suis, je crois qu'elle va m'accepter. " Cette représentation de " moi avec un autre " est une co-construction qui dépend des rencontres mais peut évoluer, comme tout phénomène de mémoire, vers l'effacement, le renforcement ou la métamorphose. Texto em :

 

 http://www.psychotherapeutes.net/amour-gouffre.htm.

 



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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 36 - por Raúl Iturra

 

Entre as crianças por mim observadas ao longo dos meus quarenta anos de trabalho, sou capaz de apreciar os desvios que elas fazem somente para não passarem pelo trilho do murmúrio dos seus fantasmas. Ideia retirada de uma das obras de Cyrulnick onde, ele próprio, acaba por confrontar esses meios que fazem dele um ser humano criativo, que guarda a força que dá o sofrimento, para construir obra. Como muitos de nós, ao longo da vida, tentamos esquecer as nossas tristezas e limitações emotivas, no meu caso, recorrendo à escrita. No dia em que não escrevo, sinto um dedilhar desse passado que no presente me atormenta na criação dos meus descendentes. Sempre pensamos estar a fazer o melhor, criamos rituais que, se não contribuem em nada, parece-nos ficarmos sem alternativas. Todavia, há sempre uma criação à nossa espera.

 

Mas o que mata? A pouco e pouco essa resiliência acaba por ser parte da nossa condenação em vida. Especialmente se estamos ao pé de pessoas que têm sofrido traumas e não sabem usar essa capacidade oxymoron ou resiliência, como já definido dentro deste texto que hoje escrevo . Cyrulnik, que foi capaz de sobreviver e criar novas ideias para apoiar as pessoas traumatizadas na infância, foi capaz de escrever não apenas textos sobre resiliência, bem como comentar como ela deve ser tratada. No livro citado em nota de rodapé, no Capítulo que corresponde, diz: Governados pela imagem que se faz de nós próprios.

 

A criança no decorrer das suas interacções quotidianas, aprende a contestar perante si, a ideia estruturada por ela própria, na relação de “ela com os outros”. Todo o ser vivente inevitavelmente reage às percepções que advêm do mundo externo, mas um ser humano pequeno, a partir do sexto mês de idade, contesta também as representações formuladas por ele ou representações “de ele com os outros”, construídas pelo próprio que impregnam a sua memória. Um ser humano recém-nascido apenas sobrevive se tem junto de si as imagens de referência de carinho, de vínculo protector, de afeição ou de apego emotivo. Sozinho, não tem nenhuma alternativa para se desenvolver, para crescer. No desenvolvimento espontâneo dos factos biológicos, a imagem afectiva, é, na maioria das vezes, a imagem da mãe, que tem levado a criança dentro de si.

 

No entanto, toda a pessoa que tenha alimentado com amor e boa vontade, outra mulher que não seja a mãe, ou um homem ou, ainda, uma instituição, passa a assumir a função de figura terna de apego, composta de imagens afectivas, de sentimentos afectivos e de factos carinhosos endereçados ao recém-nascido. Entre gesto e gesto de ternura e simpatia, esta realidade sentimental, sensorial, emotiva, impregna-se na memória do mais novo e ensina-lhe a pôr atenção a comportamentos certos que advêm das figuras de afeição. Toda a mãe infelizmente vencida pela sua história, pelo seu marido ou pelo contexto social, apenas pode emitir sentimentos de mulher deprimida: face pouco expressiva, falta de sedução corporal, olhares desviados dos outros, uma verbalização decaída. Por causa desse patamar de sentimentos da mãe, que invade e influência os sentires dos outros, o bebé aprende a reagir com comportamentos de decaimento emotivo.

 

A partir do primeiro ano de idade, é-lhe suficiente perceber essa figura de afecção, como uma imagem de apego emotivo infeliz, causando dor. O bebé não reage apenas a essa percepção de mãe triste, a sua reacção é do amor à beira do precipício, da falta de carinho emotivo aprendendo tristeza com antecedência, porque é infelicidade o que lhe é ensinado pela figura afectiva.

 

NOTAS:

 

Parte do texto está retirado da minha experiência, outra, especialmente a vida de Cyrulnick, do texto antes citado, que pode ser lido em: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0486-641X2007000400016&lng=es&nrm=iso,

 

denominado: Falar de amor à beira do abismo, Boris Cyrulnik. São Paulo: Martins Fontes, 2006, 181 pp, em: Rev. bras. Psicanál v.41 n.4 São Paulo dic. 2007, da autoria de Josette Czerny. O livro em língua lusa é uma tradução do livro em francês: Parler d'amour au bord du gouffre, Ódile Jacobs, 2004, Paris, 256 páginas, pode-se aceder a extractos, em:

 

 http://www.odilejacob.fr/catalogue/index.php?op=par_titre&cat=0207&count=0&id_livre=1993&option=&desc=quatrieme.

 

Um desses extractos, retirados do capítulo que cito a seguir, diz: Gouvernés par l'image qu'on se fait de nous-même, título que em português seria: “Governados pela imagem que fazemos de nós próprios". Esse capítulo tem ideias que traduzi para o texto central, guardei o original em francês, para esta nota de rodapé, que, entre outras ideias, desenvolve a seguinte: L'enfant a appris, au cours des interactions quotidiennes, à répondre à l'idée qu'il se fait de " lui avec les autres ". Tout être vivant réagit inévitablement à des perceptions, mais un petit humain, dès le sixième mois, répond aussi à la représentation de " lui avec les autres " qui s'est construite en s'imprégnant dans sa mémoire. Un nouveau-né ne peut survivre que s'il dispose autour de lui de figures d'attachement. Seul, il n'a aucune chance de se développer. Dans le déroulement spontané des faits biologiques, la figure d'attachement est presque toujours la mère qui l'a porté. Mais toute personne qui veut bien s'occuper du nourrisson, une autre femme, un homme ou une institution, assume cette fonction de figure d'attachement composée d'images, de sensorialités et d'actes adressés au nouveau-né. De gestes en gestes, ce réel sensoriel s'imprègne dans la mémoire du petit et lui apprend à attendre certains comportements qui viendront de ces figures d'attachement. Une mère rendue malheureuse par son histoire, son mari ou son contexte social, émettra une sensorialité de femme déprimée : visage peu expressif, absence de jeux corporels, regards détournés, verbalisé morne. Dans un tel bain sensoriel qui traduit le monde mental de la mère, le bébé apprend à réagir par des comportements de retrait. Dès la fin de la première année, il lui suffit de percevoir cette figure d'attachement malheureuse pour qu'il attende des interactions de mère triste. Le bébé ne réagit pas seulement à ce qu'il perçoit, il répond à ce qu'il guette, il anticipe ce qu'il a appris. Dès la troisième année, le petit, arrivant à l'âge de l'empathie, devient capable de répondre aux représentations qu'il se fait des représentations du monde mental de sa mère, de ses motivations, de ses intentions et même de ses croyances : " Elle va encore croire que c'est moi qui ai mangé le chocolat, alors que c'est mon frère. " Un bébé qui se développe dans un monde glacé s'attend à ce que les autres lui apportent la glace. Il pense presque : " Toute relation affective provoque le froid. " À l'inverse, un enfant qui se sent aimé se croit aimable puisqu'il a été aimé. Cette empreinte dans sa mémoire, à l'occasion de la banalité des gestes de la survie, a donné à l'enfant une représentation de soi confiante et aimable, à laquelle il répond quand il entre en relation. Cet apprentissage donne un style affectif durable qui s'exprime encore lors des premières rencontres amoureuses : " Quand je pense à qui je suis, je m'attends à ce qu'elle me méprise. " Le jeune peut aussi penser : " Quand je pense à qui je suis, je crois qu'elle va m'accepter. " Cette représentation de " moi avec un autre " est une co-construction qui dépend des rencontres mais peut évoluer, comme tout phénomène de mémoire, vers l'effacement, le renforcement ou la métamorphose. Texto em :

 

http://www.psychotherapeutes.net/amour-gouffre.htm.

 



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Domingo, 13 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 35 - por Raúl Iturra

 

 

O menino Boris – por vezes mencionado como Bernard nos seus livros – foi salvo por uma mulher que o conhecia. Ela empurrou-o para dentro de uma ambulância, no exacto momento em que os seus pais e familiares eram deportados pela Gestapo para os campos de extermínio. Depois disso nunca mais os encontrou. Passou por vários abrigos e orfanatos e tornou-se ele próprio um grande resiliente. Vencedor na vida, especializou-se em conhecer melhor o comportamento humano, principalmente o dos denominados traumatizados. Como revelou numa entrevista transmitida na televisão francesa, carrega sempre no bolso, coberto por um lenço, o trauma que abalou toda a sua infância. Quando necessário, puxa do bolso um pedacinho daquele conteúdo e “tricota” algo criativo em forma de estudos, palestras e livros. Portanto, cada livro de Cyrulnik trata também da sua própria resiliência em permanente evolução. O seu depoimento serve de ajuda, como “tutor de resiliência”, para os grandes feridos da vida. Para a mulher que o salvou, Marguerite Farge, ele pleiteou a Medalha dos Justos entre os Justos, que ela recebeu em 1997.

 

Falar de amor à beira do abismo refere-se àqueles que superam um traumatismo e experimentam muitas vezes uma impressão de sursis , que multiplica o gosto da felicidade e o prazer de viver o que ainda é possível. Neste ensaio vibrante sobre a vida, o autor mostra que mesmo os que têm graves feridas afectivas podem transformá-las em grande felicidade. O título traz uma figura de retórica que o autor transforma em conceito para caracterizar os resilientes. Trata-se do oximoro, que consiste em associar dois termos antinómicos: falar de amor/beira do abismo. Aqueles que vencem um traumatismo conseguem fazer coabitar doravante o horror e a poesia, o desespero e a esperança, a tortura gelada e o calor humano. Esse título paradoxal surpreende-nos; é uma nova e rica contribuição que o autor desenvolve ao longo da obra.

 

Cyrulnik considera, no seu amor à beira do abismo, que, depois de um trauma psíquico, como o trauma físico, instala-se uma perda de tecido afectivo, com necrose e escarras. É carregar a morte dentro de si. Acrescenta: Todo traumatizado é obrigado a mudar, senão fica morto.

 

A obra de Cyrulnick passou a ser o panteão glorificante da salvação de muitos que têm sofrido desgarros na sua vida infantil, mas são capazes de os superar, tal como o autor que leva no bolso o trauma guardado dentro de um lenço .

 

NOTAS:

 

[1] Sursis é uma metáfora usada por Cyrulnick: Sursis é um instituto de Direito Penal com a finalidade de permitir que o condenado não se sujeite à execução de pena privativa de liberdade de pequena duração, ou seja, permite que, mesmo condenada, uma pessoa não fique na cadeia. Sursis quer dizer suspensão, derivado de surseoir, que significa suspender. Se o juiz define o prazo de dois anos para o sursis, o condenado ficará durante esse período em observação. Se não praticar nova infração penal e cumprir as determinações impostas pelo juiz, este, no final do período de prova, eterminará o fim da pena. Se durante o período de prova houver revogação do sursis, o condenado cumprirá a pena que se achava com a execução suspensa.

 

[2] Cyrulnik, Boris, 2003 : Le murmure des fantômes, Éditions Odile Jacob, Paris, retirado de : http://www.comprar-livro.com.br/livros/1853362127/ (citado anteriormente).

 



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Sábado, 12 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 34 - por Raúl Iturra

 

A espiral positiva que permite um aquecimento psíquico quando a criança aprendeu a fazer-se amar, pode também, transformar-se em espiral negativa. A vinculação à mãe processa-se em condições seguras em 65 por cento dos casos, no entanto, em 5 por cento é uma relação desorganizada provocando um desregramento que desestrutura a criança. Também um acontecimento ofensivo pode surgir, colocando em jogo as instâncias biológicas, emocionais ou históricas do psiquismo. As circunstâncias de um trauma não são, pois, excepcionais. Mas, quando uma rede é assim danificada, as possibilidades de remendar as malhas são numerosas.

 

A resiliência é constantemente possível, desde que a criança encontre um objecto que para si tenha significado. Entre os factores favorecedores, encontram-se as múltiplas vinculações, mas também os circuitos afectivos ou institucionalizados que envolvem o sujeito ou ainda a idade (que determina o nível de construção do aparelho psí¬quico). Estas dimensões assumem uma particular importância: a aquisição ou não de recursos internos, a forma como o trauma é assimilado e a oferta ou não de tutores onde se apoiar. A resiliência é um processo: não só para crianças que acumulam as situações que as anulam, mas a sua evolução tal como a vingança contra a sociedade ou a identificação com a sua própria tragédia, que se torna então um modelo de desenvolvimento e de reprodução. Contrariamente, a intelectualização, o humor, o empenho social e a criatividade são as vias reais que transformam o trauma em ressurreição e em emancipação relativamente ao sofrimento infligido transformado assim num novo sentimento de si positivo. A resiliência não é um catálogo de qualidades que um indivíduo possuiria. É um processo que, do nascimento até à morte, nos liga sem cessar com o meio que nos rodeia...

 

BORIS CYRULNIK .

 

Se Cyrulnick não tivesse tido a vida que levou, como relatado na Revista Brasileira de Psicanálise , nunca teria trabalhado sobre resiliência como conceito. No entanto, a sua vida foi uma tragédia que soube ultrapassar. Boris Cyrulnik, o meu colega de ensino na Maison de Sciences de l’Homme, em Paris, teve uma vida azarada. Sem resiliência, criada no segundo que salvou a sua vida aos cinco anos, não seria o homem aberto e simpático que eu conheci. Da mesma maneira que eu fui salvo do pelotão de fuzilamento quando visitava, por razões académicas, o Chile de Allende. Não sei o que ele, como criança, pensou. Sei o que eu pensei quando se levantaram quarenta fuzis para me assassinar. Havia uma mulher que amava, que fez o possível e impossível para me salvar, uma filha adorada e outra no ventre da mãe das minhas filhas. Contudo, pensei: “Por boa causa morro”.

 

Tinha sido enviado para observar a via chilena para o socialismo pelo meu Catedrático Sir Jack Goody (outrora prisioneiro dos nazis em Auschwitchz); a ele e a outros, devo a minha vida. Como ao meu recentemente falecido amigo, o Bispo Emérito de Talca, Chile, Dom Carlos González Cruchaga, imagem e lembrança vivas no centro do meu ser. Ao no ser fuzilado, a miha alma ficou baloma kiriwina, sem rumo nem destino. A minha fortaleza, definida por esse salvo Boris Cyrulnick, que eu considero um herói universal, como resiliência, salvou-me. Como havia acontecido anos antes com ele. É por isso que comparo as histórias, a minha simples, a dele mais complexa, um luto familiar do qual, como teria dito Alice Miller, nasceu um desenho, uma criação. Essa psicologia de etologia clínica que ela pratica com a qual tem salvo a vida e a dignidade a tantos. A capacidade de resistência de Boris nasceu de um trauma infantil, o que o leva a dizer com simplicidade que não é evidente que de uma infância infeliz venha a nascer uma vida miserável. Dá para comparar essa inaudita capacidade de construção humana, como diz no seu livro, com o romance Os miseráveis de Victor Hugo . Esses miseráveis não são pessoas pobres ou sem capacidade para emergir de uma vida sem destino, são, antes, pessoas capazes de usar o seu poder em prol de uma justiça mal entendida. Mal entendida, ao perseguir um ser humano que soube mudar a sua vida de pobre e ladro para a de um senhor não apenas de posse, bem como de ideias de justiça social clarividentes, capaz de lutar contra o poder absoluto sem rancor e com muita bonomia.

 

A resiliência é retirada do conceito grego oxymoron , essa forma de falar que envolve dentro da mesma palavra, conceitos contraditórios, como definido na nota de rodapé desta página. É deste conceito que Cyrulnick começa a criar as suas ideias de sobrevivência. Cyrulnik fala e escreve particularmente sobre o que viveu como experiência pessoal.



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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 33 - por Raúl Iturra

 

 

 

O comportamento libidinoso das crianças, além de ser parte da sua estrutura de personalidade, definido por Freud, faz, também, parte da libido de muitos adultos que, aí sim, podemos considerar abusadores de menores, ao obrigá-los a prostituírem-se por meio tostão. Na Cidade de Talca, ao Sul de Santiago do Chile, há casas de prostituição fechadas para homens adultos pedófilos , que levam para a cama rapazes púberes ou pré púberes para seu belo prazer. Adultos de posses e poder que a lei não incrimina, menos ainda a autoridade, que até fomenta e participa neste tipo de actividades. Não há lei a punir a pedofilia.

 

No caso português, o Código Penal de 1940, reformulado em 2008 e o Projeto de Lei 3773/08 (passado, entretanto, a Lei) condena a pedofilia como crime de prisão até quatro anos. Duas leis de tipos diferentes foram promulgadas. Uma, no caso português, para punir crimes de adultos contra crianças, menino ou menina, que reformula o Código Penal e o actualiza no ano de 2008, passando a pedofilia a ser considerada delito de abuso sexual de menores. A outra, no Brasil, foi mais longe ao criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia. Este programa vem corrigir alguns problemas com a legislação vigente, visto que até então a posse de material exibindo menores de idade em situações de sexo explícito ou safardanagem em geral não era considerada crime . Vários países de dentro ou fora da União Europeia, têm reagido de forma dura contra a actividade sexual que fere os sentimentos emotivos da criança, ferimentos que, mais tarde, causam traumas na vida adulta, excepto se a pessoa tiver um grande poder de resiliência, conceito definido por Boris Cyrulnik .

 

Antes de passar propriamente ao conceito definido por Boris Cyrulnick, permitam-me referir a especialista brasileira em educação, Sandra Maria Farias de Vasconcelos , que o soube explicar tão bem. Boris Cyrulnick ao definir o conceito resiliência, como essa inaudita capacidade de construção humana , fâ-lo da seguinte forma: Fazer nascer um filho não é suficiente, acrescentando na obra citada: é mais importante e necessário dá-lo ao mundo educado, colocando à sua volta tutores de desenvolvimento. Isto começa muito antes do nascimento, através das representações da mãe que banham o embrião numa determinada atmosfera psí¬quica. Apenas cerca de um terço das gravidezes se realizam em condições sãs. As outras são marcadas por problemas emocionais, uma patologia associada ou por angústias que criam um meio sensorial mais ou menos perturbado. Uma vez nascido o bebé, provoque prazer ou não ao adulto, vai desencadear reacções diferentes que, por sua vez, vão realizar ou não o seu desenvolvimento.

 

NOTAS:

 

 

[1]A
pedofilia é um desvio que consiste na atracção sexual do adulto por crianças. Definição retirada dos meus textos, especialmente: “Pedófilos, serão apenas os romanos?”, publicado no jornal A Página da Educação, Profedições, Porto, Nº 114, ano 11, Julho 2002, em:  ttp://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1963.

 

[1] Texto completo em: http://meiobit.pop.com.br/meio-bit/internet/nova-lei-contra-pedofilia-pune-ate-lolicon.

 

[1] No seu texto de 2001, denominado Les villaines petits canards, Éditions Odile Jacobs, Paris. O título do livro foi propositadamente retirado de um outro título de um conto para crianças: O patinho feio, essa pequena ave aquática que ninguém queria por não ser bela, mas que foi capaz de aguentar esse ser diferente dos outros, até crescer e transformar-se num belo cisne. Não é por acaso que é uma história universal do tipo de contos usados por Alice Miller, como a análise que fez do conto tradicional: “O rei vai nu”, citado e analisado por mim no livro: A ilusão de sermos pais, 2008, em: http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia.shtml.
Tornando ao livro de Cyrulnik, traduzido para português com esse péssimo título que nem permite vender: ninguém sabe o que é resiliência, excepto os
“eruditos”. No entanto, a importância da teoria de Boris Cyrulnik (psiquiatra, neurólogo, etólogo, psicanalista e professor universitário), é inquestionável
ao renovar conceptualmente a teoria psicanalítica e ao «refrescar» as análises com uma escrita comum, utilizando conceitos simples retirados da vida real. As suas obras parecem romances. Tem-se imposto quer pelos seus inúmeros livros, quer pelo objectivo de tornar a ciência da análise mais acessível. E fá-lo brilhantemente, na minha opinião, ao definir e fazer circular esse conceito tão amado e usado por todos nós, a noção de resiliência, comentado em :
http://lionel.mesnard.free.fr/le%20site/boris-cyrulnik.html

 

 

[1] A ciência interroga-se, há mais de quarenta anos, sobre o facto de certas pessoas terem a capacidade de superar as piores situações, enquanto outras ficam presas nas malhas da infelicidade e da angústia que se abateu sobre elas, como numa rede engodada. A questão é saber porque certos indivíduos são capazes de se levantar após um grande trauma e outros permanecem no chamado fundo do poço, incapazes de, mesmo sabendo não ter mais forças para cavar, subir tomando como apoio as paredes desse poço e continuar seu caminho?, Ana Maria Farias de Vasconcelos, graduada em Letras pela Universidade Federal do Ceará (1996), com especialização em Psicopedagogia e doutorada em Sciences de L'Education pela Universidade de Nantes (2003). Actualmente, professora adjunta da Universidade Federal do Ceará, chefia o Departamento de Letras Vernáculas, também professora colaboradora da Universidade Estadual do Ceará e membro do Conselho de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O texto completo pode ser lido em: http://www.sbpcnet.org.br/livro/57ra/programas/CONF_SIMP/textos/sandravasconcelos-resiliencia.htm. Todavia, este comentário, não me parece suficiente para definir um conceito recentemente criado, que, de imediato, passou a ser tão usado e tão válido, conceito usado por muitos de nós e largamente por mim, o de resiliência. Noção retirada de conceitos da física, usada também, e de forma mais importante, para definir a energia da capacidade humana para ultrapassar golpes duros. Se os materiais resistem, porque é que uma emoção e uma biologia não mudariam? É possível
comparar, a psicologia tomou essa imagem emprestada da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo saber lidar com
problemas emotivos, com abusos biológico ou psicológicos, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, stress, etc. – sem entrar em surto psicológico. No entanto, Francisco Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta: a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. O texto é da sua tese de doutoramento, JOB, F. P.P, 2003: Os sentidos do trabalho e a importância da resiliência nas organizações, referido incompletamente, apenas com comentário, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia_(psicologia), texto e comentário, podem ser consultados em:  pt.wikipedia.org/wiki/Resiliência_ (psicologia). Apesar de ser um trabalho sobre Administração de Empresas uso-o para apoiar a minha hipótese. Por outras palavras, a resiliência passou a ser um conceito mais universal ao entrar no mundo da psicanálise, a partir da teoria da física, motivo porque chamo aqui estes autores.

Tais conquistas, face a essas decisões, propiciam forças nas pessoas para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a  resiliência é uma  combinação de factores que propiciam ao ser humano superar problemas e adversidades. Para saber mais, o texto completo está na enciclopédia que me apoia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia_(psicologia)

 

[1] Definição retirada do texto Resiliência, 2003, Edições do Instituto Piaget, tradução para a língua lusa de Les Vilaines Petit Canards, título retirado de uma história de Hans Christian Andersen, citado antes, página 28, texto que tenho comigo em suporte de papel. Há um comentário sobre o livro que define autor, conceito e valor da palavra de Miguel Santos Guerra: Vou deter-me neste ponto, pois há quem pense estar condenado a ser desgraçado por toda a vida por lhe ter sucedido uma desgraça qualquer (maus tratos, violência, humilhação) na infância. Não é necessário ser muito sagaz para verificar que há muitos meninos no mundo (e muitas meninas,sobretudo muitas meninas) que suportam uma infância atroz. Vítimas da guerra,
vítimas de maus-tratos, vítimas de vexames, vítimas de abandono, vítimas da falta de amor... Crianças que vivem de forma visivelmente aterradora. Outras, de forma camuflada, porém não menos cruel. Terão elas a sua vida destruída?
Estarão marcadas para sempre? Não. Há que pôr fim ao fatalismo, ao determinismo, às crenças que engendram destinos sem regresso
.

Boris Cyrulnik (2002) utiliza, como subtítulo da sua obra “Os Patinhos Feios”, uma frase que resume a sua tese base: “A resiliência: uma infância infeliz não determina toda uma vida”. A resiliência é “uma propriedade que define a resistência de um material ao choque”. O autor utiliza o conceito como
sinónimo de resistência ao sofrimento. Chama a atenção, tanto para a capacidade de resistir aos embates de natureza psicológica, como para o impulso
de reparação psíquica que nasce desta resistência.

O autor desta obra tinha apenas seis anos quando conseguiu escapar de um campo de concentração, no qual a sua família foi internada e nunca mais
regressaram. A sua família estava constituída por judeus russos emigrantes
.”
Texto completo no blogue Azul Índigo, de 10 de Novembro de 2008, que tem por título: valor de resiliência, em: http://anapsiroqueantunes.blogspot.com/2008/11/valor-da-resilincia.html Não resisto a acrescentar, o motivo de Cyrulnik ao dar este título ao livro. O analista comenta como as desgraças da criança podem não ser um dano quando for adulto. A metáfora é O Patinho Feio (em dinamarquês Den grimme
ælling), conto de fadas do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. (Odense, 2 de Abril de 1805Copenhague, 4 de Agosto de 1875), conta
uma história que apoia a tese de Cyrulnik: Um filhote de cisne é chocado no ninho de uma pata. Por ser diferente dos seus irmãos, o pobre é perseguido, ofendido e maltratado por todos os patos e galinhas do terreiro. Um dia, cansado de tanta humilhação, ele foge do ninho. Durante a sua jornada, ele pára em vários lugares, mas é mal recebido em todos. O pobrezinho ainda tem de aguentar o frio do inverno. Mas, quando finalmente chega a primavera, ele abre suas asas e une-se a um majestoso bando de cisnes, sendo então reconhecido como o mais belo de todos.
História toda em: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Patinho_Feio Sobre o escritor, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Christian_Andersen.

Comentar é simples: as crianças que sofrem em pequenas, acabam por ser criadoras se não se deixarem abater pelas ofensas aos seus sentimentos ou às suas pessoas. O Patinho Feio na vida real, é esse chamado Robert – Boris Cyrulnik – salvo da morte por Margerite Farge. Cyrulnik foi capaz de adquirir essa inaudita capacidade de construção humana, frase do seu livro Les vilaines petis canards, que admiro e uso, pelo qual rendo- lhe homenagem, como por esse outro de 2003: Les murmure de fantômes, Ódile Jacob, 2003, Paris. O
texto não está em linha, mas há imensas referências nas entradas Internet da
página web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Les+murmure+de+fant%C3%B4mes&btnG=Pesquisar&meta=, especialmente o comentário de http://www.passeportsante.net/fr/P/Bibliotheque/Fiche.aspx?doc=biblio_a_21250: traduzido para português como O murmúrio dos fantasmas, editado por Actividades Editoriais Lda. Temas e Debates, Lisboa. Os problemas da infância são esse murmúrio dos fantasmas no pré adolescente e no púbere, que andam sempre na sua memória, mas são apagados com a resiliência e com a criação de novas relações sociais e afectivas. O texto tem este comentário: Este livro é uma verdadeira mensagem de esperança
Marilyn Monroe não conheceu a ternura quando criança. Tornou-se um fantasma. Já Hans Christian Andersen conseguiu ser reaquecido. A afeição é uma necessidade tão vital que, quando somos privados
dela,nos apegamos intensamente a qualquer acontecimento que faça uma migalha de vida voltar a nós, a qualquer preço. Os que recusam permanecer prisioneiros de uma ruptura traumática devem livrar-se dela para tornar à vida. Até a transformam em uma ferramenta para conquistar felicidade. Neste livro, Boris Cyrulnik conta
como o tumulto do passado ainda murmura na criança mais velha que estabelece novos vínculos afectivos e sociais. Como o apetite sexual na adolescência constitui um momento sensível na evolução da reparação de si. Uma nova atitude diante do sofrimento psíquico, a resiliência propõe construir esse processo de libertação.
Texto



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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 32 - por Raúl Iturra

 

 

 

A terceira via parece ser apenas o debate de Freud, Klein e Miller e outros, não mencionados no texto. Nem Giddens, nem Wojtila antes, Ratzinger hoje, Lutero no passado pretérito, ou Calvino no passado perfeito, ainda Jaime Tudor desses tempos, sabem organizar os desenhos das crianças. Antes, desenham a sociedade dentro da que as crianças e jovens são abusadas, sexual e emotivamente. Estas ideias são as bases dos desenhos de que trata a sessão seguinte. Pretende-se com esta saber como é que as crianças aprendem.

 

Mas, é-me impossível acabar esta parte sem comentar sobre o abuso sexual e saber das crianças. Os mais novos pouco ou nada sabem sobre sexualidade, mas sentem desejo e procuram a sua satisfação. As crianças não são esses “anjinhos” que a mente cultural julga conhecer, nem de uma ética a concordar com o aprendido na catequese ou advertida pelos pais. Sabem por ter ouvido falar de sexualidade aos seus adultos, como tenho observado no meu trabalho de campo , ou por sentirem a libido trabalhar nos seus corpos. Libido que leva os mais novos a esfregarem-se entre eles ou ao destemido jogo de tentar agarrar os órgãos genitais dos amigos, com imenso prazer e em presença dos adultos, ou masturbarem-se às escondidas num grupo de amigos, com ou sem ejaculação, conforme a idade púbere ou pré púbere. Um outro jogo que gostam de fazer é tentar tocar as mamas das raparigas ou jogar com o rabo delas, ou, o mais atrevido de tudo, beijá-las ou atirá-las ao chão montando-se sobre elas imitando movimentos de coito por largos minutos.

 

Se isto acontece, é porque, como já foi explicado antes, ao falar dos analistas que teorizam sobre a libido, teorias usadas por nós ao longo do texto, essas crianças sentem prazer sexual e têm a urgência de o satisfazer de alguma maneira. Há os mais atrevidos, pelos seus nove ou onze anos, que seduzem meninas para ir com elas para a cama ou para palheiros ocultos. Factos narrados aos seus amigos pares e a mim próprio, por terem confiança comigo, por saberem que eu não ia admoestar nem repreender ou dizer aos seus adultos. Todos fomos crianças um dia e lembramos esse sentido do desejo, satisfeito de várias formas. A minha observação, tem-me conduzido a entender que na idade pré púbere, os meninos são mais activos e a sua libido não tem género preferido. O preferido é a confiança no amigo, para ninguém saber o que entre eles acontece; as meninas são mais passivas e permitem facilmente a aproximação dos rapazes. Não consigo esquecer essa criança rechonchuda que estudei na Comuna de Pencahue, Província de Talca, Chile, apetecida de forma erótica pelos seus amigos; o que ele gostava, esse Yarin de 8 anos em 1999, rapaz prostituído pelos adultos na casa dos homens como é denominada entre o clã Picunche dos Mapuche, que habitam Pencahue. Ele e o seu amigo da alma, Marcelo, eram sempre convidados para a casa dos homens, na que eram sodomizados. Não me parece correcto dizer abusados, apesar de a lei proibir trato sexual com menores, definido como delito de pedofilia, tema que já abordei noutros textos, especialmente no livro Maria de Botalcura, escrito conjuntamente com a minha irmã, a Dra. Blanca Iturra. Não é favorecer a pedofilia. Os actos pedófilos são uma felonia, punida por lei, pelo menos na União Europeia, aliás, noutros textos, emito o que raramente faço por escrito: juízos de valor.

 

Dou um veredicto, um julgamento o que um escritor de ciência não deve fazer. Ainda assim, essa parte da mente cultural dos Picunche e de vários Huinca, esse nome Mapuche dado aos chilenos que significa estrangeiro e os ditados da mente cultural, no presente caso, não podem ser punidos. Podem, sim, ser prevenidos com ensino ou outro tipo de actividade para distrair a mente, como Bion aconselha num dos seus textos citado antes.

 

 



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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 31 - por Raúl Iturra

 

 

 

Bem sabemos que o meu grande amigo Tony Giddens tem falado do caminho do meio ou da Terceira Via: comunista, conservadores e social-democratas ou terceira via na interacção político-social. Terceira via que triunfa na vida social. Uma terceira via que, ao que parece, tem também sucesso na observação do jovem e da criança. Uma terceira via um tanto confusa como resultado da social-democracia. A social-democracia desenvolveu o caminho para a mulher ser chefe do lar e tomar o rol masculino da sedução. Essa que a sua descendência observa. A mãe manda, a mãe trabalha, a mãe define, a mãe fixa as horas e o homem cala. É mandado calar. É atingido pela sua dificuldade de poder acarinhar.

 

Essa terceira via recém aparecida para a mulher, envia o homem para a segunda via: ver, ouvir e calar. A emotividade doce e belicosa é assunto das mães, essa emotividade que faz cócegas e toma nas suas mãos os afazeres do lar e o cuidado da criança. Especialmente em países marianos, como tenho definido Portugal noutros textos. Países onde não há Redentor, apenas a sua mãe, dentro do mito da Igreja Romana Pontificada por um Polaco primeiro, um Alemão a seguir, esses denominados Papas que definem em palavras proferidas e em palavras escritas, os deveres das mulheres, dos homens e das crianças e a sua interacção, num texto denominado catecismo. Texto ditado pelo Pontífices , o mais recente de 1992, que nos artigos 4 a 5, páginas 471 a 478, diz: o papel dos pais na educação é de tal importância, que é impossível substitui-los, ou antes o Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribui para a morte ainda, também outra mulher contribuísse para a vida . Podemos, pois, concluir que a terceira via da família parece ser a via que a cultura social do grupo anda a espalhar pelos costumes. As mães ficam em primeira fila e os pais, mais atrás.

 

Porque se o Chefe dos chefes de Governo dos fieis romanos, espalhados pelo mundo Ocidental, manda a mulher ser a salvadora dos homens, estes seres masculinos não têm mais palavra a dizer que não seja o da educação dentro de ideias predefinidas ao longo de séculos e analisados os seus resultados por tantos cientistas, que acaba por existir uma maneira de ser que coloca o masculino na segunda via e o feminino dentro da via moderna ou terceira via. Por outras palavras, e Freud diz, o agir masculino no homem ou na mulher é relegado, enquanto o feminino, também no homem ou na mulher, é salientado ao ponto de fazer desse agir o comportamento de uma rainha que acaba por mandar em todos nós, desde que saiba ser feminina, isto é, amar, acarinhar, mandar, dizer. Saber ouvir e saber dizer. Ideologia cultural difícil para um homem aceitar, contra a qual não protesto apesar de ter passado a ser uma segunda via. Bem pelo contrário, penso que já era tempo de homem e mulher serem iguais, como tenho definido num artigo publicado no jornal em que escrevo. Essa primeira via que, como falei no começo, nunca foi completada, nunca foi acabada . 

 

De homem, tenho o comportamento mas nenhum poder sobre a minha descendência. Posso punir...se a mãe o solicitar; posso dar um sermão, se a mãe o pedir. Sorte a minha de entender, pelo meu trabalho de campo e a observação da juventude do Século XXI, que as palavras da doutrina, embora aceite e até assinada em Concordata por cima da lei positiva do Estado Nação de países aderentes, servem para ouvidos moucos pelo amor existente entre os cônjuges que fizeram a sua descendência no calor da paixão que, docemente, passa a amor e a seguir, a carinho. Que diga Freud, que diga Klein, que diga Ratzinger, porque Wojtila já falou! Eu digo que todos somos homens e mulheres no amor dos nossos descendentes e no deles por nós. Ficam sempre as férias para pensar no assunto. Felizes ideias para pais e filhos de ouvidos moucos, e para os outros também! ---

 

NOTAS

 

Giddens, Anthony, 2000: The third way and its critics, Polity Press, Cambridge. Sítio de debate:

 

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Anthony+Giddens+The+third+way+and+its+critics&btnG=Pesquisar&meta.

 

 Comentário relacionado a sociedade das crianças. Esta ideia alternativa da terceira via – nem direita nem esquerda na vida política, passou a centro de debate em todo o mundo. A liderança política na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos da América, na Europa, na Ásia e na América Latina afirmam estar a seguir esses princípios. Porém, a noção não só é criticada, como é, por diversas pessoas, considerada oca e sem conteúdo real. Outros, como os críticos da esquerda mais tradicional, afirmam ser uma traição aos ideais anteriores.

 

Lat. Pontífice s. m., dignitário eclesiástico, ministro do culto de uma religião; por extenso patriarca, bispo, prelado; o papa; fig, chefe de um sistema ou de uma escola; o indivíduo mais respeitável de certas classes.

 

Catecismo da Igreja Católica. Sítio do livro e debate sobre a sociedade em que vivem os mais novos, com um pensamento estruturado pelos textos e, apesar dos tabus neles definidos, sofrem o mencionado abuso, em:

 

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Catecismo+da+Igreja+Cat%C3%B3lica&btnG

=Pesquisar&meta= Iturra, Raúl, 2000: “Mulher a crescer, Machismo a Tremer.

 

 A filiação da criança”, em A Página da Educação, Nº 94, Ano 9, Setembro de 2000, página 25, Profedições, Porto. Texto completo em:

 

http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1198

 



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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 30 - por Raúl Iturra

 

 

Freud costumava dizer que os conteúdos do inconsciente pretendem aceder à consciência por meio das denominadas transformações de compromisso, ou seja, aparecem de formas disfarçadas em sonhos, lapsos, actos falidos, etc. Os sonhos são um dos principais objectos do estudo psicanalítico. Eles são mensajes subliminales do inconsciente, os lapsos e os actos falidos. São acciones impensadas que acontecem na vida quotidiana (erros de escrita ou de fala), factos de irrupções ilógicas dentro da racionalidade do dia-a-dia. São da ordem do inconsciente que, acrescentaria eu, o consciente consegue transformar. Quando acontece um engano ao dizer uma palavra por outra (lapso), a psicología afirma que é o que realmente se queria dizer, os lapsos estariam a falar de um conflito (conflicto) interno. É assim que os sonhos e a associação livre (o primeiro que aparece na mente, em sucessão aparentemente casual) são o elo da análise (análisis) terapêutica.

 

Certos factos da vida quotidiana, demonstram claramente a presença desse outro eu, como quando nos encontramos em casa e um dos nossos filhos aparece a gritar de um canto da mesma para nos assustar. Reagimos de imediato com um salto para pôr distância entre ele e nós. Somente, após alguns segundos, reparamos que não é nenhuma ameaça para a nossa integridade. Essa primeira reacção é um reflexo quase automático, como se o nosso inconsciente se tivesse adiantado à nossa consciência, tomando a iniciativa dos nossos actos[1]. Até parece ser uma resposta, em palavras comuns, do sistema nervoso central[2] ao perigo existente, real ou não.         

 

3. Haverá uma terceira via?

 

Questão que coloco após pensar e estruturar toda a pesquisa em torno da primeira via, o denominado seio bom, definido por Melanie Klein, citada no início deste texto[3]. O seio bom dá esse agir directo do indivíduo com a sua ascendência. Normalmente, a vida social acontece dentro de uma relação directa entre ascendentes e descendentes, entre pais e filhos, em geral uma relação afectiva positiva e directa. O que infelizmente, nem sempre acontece, por ter de passar pelo entendimento de toda a organização da estrutura da personalidade, como tem sido analisado por mim, ao estudar Klein, Freud[4], e Miller[5]

 

Mas, não basta, para entender o saber da criança, entrar na sua estrutura de personalidade, como vimos até agora. Diria mesmo que há um contexto social que conforma a mente da criança. Esse contexto passa pela análise da vida pública.

 

A primeira via, foi definida como sendo os pais dos mais novos; a segunda, os seus substitutos, analistas, docentes, parentes, vizinhos e amigos. Porém, além dos mais próximos, existe uma terceira via: o contacto paroquial ou comunal, a cidade, a vila, a Nação, o Estado. Sítios em que moram seres humanos que impingem saberes orientam a vida social e acabam por ser legisladores. Contexto denominado Soberania Nacional que acaba por configurar também a mente cultural infantil, todavia, em minha opinião, é um elo necessário à análise para o estudo do, por mim denominado, processo de ensino – aprendizagem. Por outras palavras, a análise da vida sócio – política que nos governa deve também ser materializada.



NOTAS:

[1] O texto, da minha autoria, Mis Camélias, 2008, editado por Monografias.com, pode ser lido em: http://www.monografias.com/trabajos5/incon/incon.shtml?relacionados ou http://www.monografias.com ou www.monografias.com. As palavras castelhanas têm sido conservadas por corresponderem a nota de rodapé ou a ligação para outro texto.

 

[2] Em anatomia, chama-se sistema nervoso central (S.N.C.), ou neuroeixo, ao conjunto do encéfalo e da medula espinhal dos vertebrados. Forma, junto com o sistema nervoso periférico, o sistema nervoso, e tem um papel fundamental no controle dos sistemas do corpo. Mais informação em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_nervoso_central

 

[3] Para lembrar o leitor, excertos do texto podem ser lidos em: http://www.estantevirtual.com.br/livro/15600043/Melanie_Klein_Inveja_e_Gratidao___Estudo_das_Fontes____.html

 

[4] Lembram-se as ligações previamente citadas neste texto, como por exemplo: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Ego_and_the_Id ou http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/freud.html, obras completas de Freud.

 

[5] Entre outros, O drama da criança bem dotada, como os pais podem formar ou deformar, texto que pode ser lido em: http://books.google.com.br/books?id=fpGqnZq4FHoC&pg=PA109&lpg=PA109&dq=Textos+de+Alice+Miller&source=bl&ots=gZbYNiyw33&sig=PrNFzFKbl26bEY5TExRhPgxr9bc&hl=pt-PT&sa=X&oi=book_result&resnum=5&ct=result. Para mim, a lembrança mais importante é The Natural Child Project, em: http://www.google.de/search?hl=pt-PT&q=Alice+Miller+The+Natural+Child+Project&btnG=Pesquisa+do+Google The Natural Child Project, Alice Miller Library. A visão deste programa, do qual faço parte, representa um mundo onde todas as crianças são tratadas com dignidade, respeito e simpatia. Apesar de gostar da frase, não é minha. Foi retirada da ligação ao programa:  http://www.gurteen.com/gurteen/gurteen.nsf/id/alice-miller-library . A sua obra está em: http://www.naturalchild.com/alice_miller/index.



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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 29 - por Raúl Iturra

 

Na teoria da personalidade freudiana[1] o inconsciente é o oculto – um outro da consciência – bem como a "verdadeira realidade" do psíquico, realidade relacionada funcionalmente com as noções de repressão e resistência. O maior problema é definir o conteúdo destes conceitos, bem como da consciência. Vivemos num mundo onde a resistência faz parte da vida. Na época do nosso analisado Freud, denominada vitoriana, porque sim, já que de empatia simpática pouco tinha e de ética ainda menos, havia um comportamento privado pouco amável e um outro público de muita simplicidade, eticamente aprovado. O meu amigo Hawking, foi capaz de viver apesar da sua doença (esclerose múltipla), criar os seus filhos, criar instrumentos para poder comunicar com os outros, aceitar o abandono da sua mulher. Steven marcou um ponto aprofundado na sua resistência. Ainda hoje, já Professor Emérito continua a pesquisar, o seu consciente não é reprimido pelo seu inconsciente, bem pelo contrário: o inconsciente fornece-lhe dados para ir sempre em frente.

 

Como eu com as minhas “gallalias”, que não encontrava, mas sabia existirem e bruxuleava para as encontrar, da mesma forma que Hawking descobre conteúdos dentro dos buracos negros que Einstein apenas soube identificar, sem neles entrar. O próprio Freud forneceu algumas respostas, num primeiro momento, definiu o inconsciente como o reprimido, em 1915, no seu texto O Inconsciente[2]. Mais tarde, altera a sua hipótese ao defender que o conteúdo do inconsciente representava as pulsões de vida e morte. O conceito de pulsão substituiu a clássica ideia de instinto, sendo o conceito inconsciente uma noção limite entre o somático e o psíquico. Conteúdos exprimidos em forma de “fantasia”, "textos imaginários"; fantasias e textos imaginários ligados ao conceito de pulsão, conceitos que se podem identificar como uma verdadeira encenação do "desejo"[3]. No entanto, os factos da cronologia histórica têm desmentido que o inconsciente seja um repressor.

 

O inconsciente é o amigo da razão que não descansa até não saber o porquê dos factos, acordados ou em sonhos. Os sonhos são a fantasia do Talmude, mas ao mesmo tempo e como o Talmude diz, aos que o entendem, a fantasia sem razão faz parte da realidade, quer dizer, desse dia-a-dia que nos leva a encontrar soluções para os problemas materiais. A título de exemplo, diria que Einstein, Hawking e pessoas como eu, pensamos com a razão, criamos ideias, que o consciente não apenas permite, bem como se apoia no inconsciente para ver a luz no fim do túnel. A pulsão não é uma falta de instinto, eu diria que é dinamizadora de actividades criativas, como tão bem provam Cyrulnik, Bion, Klein e Miller.



NOTAS:

 

[1]A teoria da personalidade de Freud está definida em vários textos, especialmente nos dois referidos antes : Le moi le ça, de 1923 e no Au-delà du principe du plaisir, de1920. Mas, para os mais leigos, o curso de Freud, de 1916, passado a livro, pode ajudar à sua elucidação: Introduction à la psychanalyse (Leçons professées en 1916).

Traduzido do alemão, com a autorização e revisão do autor, pelo analista Dr. S. Jankélévitch, em 1921, pode ser lido em: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/intro_a_la_psychanalyse/intro_psychanalyse_1.doc. São dois cadernos com anexos, iniciando Freud com a seguinte frase: “Penso ser o meu dever supôr que não é sabido por vós que a psicanálise é uma metodologia médica para curar pessoas que sofrem de doenças nervosas”, a versão francesa diz: «Je dois toutefoi supposer que vous savez que la psychanalyse est un procédé de traitement médical de personnes atteintes de maladies nerveuses». Também no seu texto de 1901: Psychopathologie de la vie quotidienne. Application de la psychanalyse à l'interprétation des actes de la vie quotidienne, passado a livro, em Paris, revisto pelo autor, reeditado pelas Edições Payot, 1975, 298, pp., na colecção Petite bibliothèque Payot, nº 97. A versão francesa (1901) pode ser lida em: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/psychopathologie_vie_quotid/Psychopahtologie.doc

 

 Define-se personalidade a tudo aquilo que distingue um indivíduo de outros indivíduos, ou seja, o conjunto de características psicológicas que determinam a sua individualidade pessoal e social. A formação da personalidade é um processo gradual, complexo e único a cada indivíduo. O termo deriva do grego persona, com significado de máscara, designava a personagem representada pelos atores teatrais no palco. O termo é também sinônimo de celebridade. Pode-se definir também personalidade por um conceito dinâmico que descreve o crescimento e o desenvolvimento de todo o sistema psicológico de um indivíduo. Uma outra definição de personalidade passa por considerá-la como: a organização dinâmica interna daqueles sistemas psicológicos do indivíduo que determinam o seu ajuste individual ao ambiente. Mais claramente, pode-se dizer que é a soma total de como o indivíduo interage e reage em relação aos demais. Sobre esta temática, consulte-se http://pt.wikipedia.org/wiki/Personalidade.

[2] Texto citado antes e que, mais uma vez reitero, pode ser lido em: http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/laplanche.htm

 

[3] Para entender a relação psicanálise e felicidade precisamos resgatar alguns dos seus conceitos e categorias. O primeiro deles é o desejo. O desejo é humano, demasiadamente humano. O desejo (Der Wunsch), tal como é entendido pela psicanálise, não é a mesma coisa que necessidade. Enquanto a necessidade é um conceito biológico, natural, implicando uma tensão interna que impele o organismo para uma determinada direcção, no sentido da procura da redução dessa tensão ou satisfação, logo, a auto conservação (ex.: necessidade de fome, então procuramos comida), o desejo, sendo de ordem puramente psíquica, é desnaturado e como tal pertence à ordem simbólica. Enquanto a necessidade é biológica, instintiva e busca objectos específicos (comida, água, etc.) para reduzir a tensão interna do organismo, o desejo não implica uma relação com esses objectos concretos, mas sim, com o fantasma ou fantasia. Ou seja, “o fantasma é, ao mesmo tempo, efeito do desejo arcaico inconsciente e matriz dos desejos actuais, conscientes e inconscientes.

Texto completo em: http://www.espacoacademico.com.br/059/59esp_limafregonezzi.htm



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Domingo, 6 de Novembro de 2011
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 28 - por Raúl Iturra

 

A diferença real entre essa representação inconsciente e uma representação pré-consciente ou ideia consiste na representação inconsciente de matérias desconhecidas pela mente cultural. No pré-consciente, as representações estão associadas a uma representação verbal, entendida bem ou mal. É uma primeira tentativa de Freud para caracterizar o inconsciente e o pré-consciente, por meio metafórico ou figurado da associação com a consciência ou a vida consciente. A pergunta que, certamente se faria, se fosse vivo o nosso analista analisado nestas linhas, seria: Como é que qualquer coisa se converte em consciente? essa pergunta pode ser substituída de forma mais clara por outra: como é que algum assunto passa a ser pré-consciente? A resposta é : devido à associação de ideias com as suas respectivas representações verbais, correctas ou não.

 

Estas representações verbais são traços mnémicos[1] retiradas de percepções com a capacidade, como acontece em todos os traços nmémicos, de se tornarem conscientes. Antes de abordarmos a análise da sua natureza, uma hipótese irrequieta impõe-se na nossa inspiração: não parece possível passar a ser consciente o que antes já existia como estado de percepção consciente ; porém, além dos sentimentos, tudo o que existia antes pode tornar a ser consciente ao transformar-se numa percepção externa, transformação apenas possível se acontecer que os traços mnémicos[2] sejam resíduos que favoreçam a lembrança. Essas representações verbais ou resíduos de lembranças eram antes percepções e, como todos os resíduos mnésicos, podem-se tornar conscientes de novo se são bem trabalhados pelo analista permitindo penetrar no saber das crianças, que eu domino por processo de ensino – aprendizagem. Se assim não for, podem constituir pontos de fixação e perturbar o processo de recuperação das memórias[3].

 

Se o saber das crianças é uma análise do processo ensino – aprendizagem definido por mim, ao querer-mos entrar nesse processo, parece-me necessário não apenas ultrapassar essa barreira do nada saber, no primeiro dia de vida, nesse minuto em que se começa a aprender. Apesar da opinião de Bion, comentada antes, é preciso ultrapassar também todas as barreiras do inconsciente. Gostava de reafirmar as minhas hipóteses: além da religião como lógica de cultura, todo o progenitor, especialmente docente, precisa possuir ideias da teoria do inconsciente.

 

Como digo noutros textos meus[4], normalmente, compara-se o inconsciente com os buracos negros descobertos originalmente por Einstein[5] em 1916, teoria aprofundada pelo meu antigo colega e companheiro de mesa em Cambridge, Steven Hawking[6]. Texto onde falo dos cientistas e dos analistas citados mais em baixo. Diz Hawking que se compara, demasiadas vezes, o inconsciente com a teoria dos buracos negros, por não se saber o que é possível encontrar dentro deles. Esta noção do inconsciente, a partir do dia em que a psicanálise (psicoanálisis) passou a adquirir um significado preciso de terapia que cura perturbações emotivas ao diferenciar o subconsciente do consciente. A diferença básica entre estes dois conceitos elaborados por Freud (subconsciente e consciente), é que o conteúdo deles pode ser, pelo método associativo, tornado consciente ou pode ser reposto de novo na (consciência) consciência pela vontade do sujeito analisado ou por outros meios, como pela terapia em grupo à Bion ou confrontar-se com os factos à Klein e à Miller. Todas estas terapias colaboram na recuperação de conteúdos do inconsciente passando-os à consciência.


 NOTAS:

 

[1] O conceito Mnémico ou mnésico usado por Freud advém da mitologia grega. Os helenos davam especial atenção aos processos do saber. Criavam deuses para todo o tipo de actividade social. A memória era importante por isso Mnemosyne foi criada. O texto postado na net por Tânia Maria Netto a 10 de Março de 2003 comenta: Memória e Mitologia Grega, http://fotolog.terra.com.br/memory:2.
Os antigos gregos consideravam a memória algo divina. De facto, a mitologia grega reservou um lugar especial para essa capacidade cognitiva na figura de Mnemosyne, a deusa da memória e controladora do tempo. Mnemosyne era filha de Urano, deus do céu e das estrelas e de Gaia, deusa da Terra. Casada com Zeus, o rei dos deuses, Mnemosyne foi mãe de 9 musas que protegiam todas as artes e ciências.
A deusa memória dava aos poetas e adivinhos o poder de voltar ao passado e de relembrá-lo para a colectividade. As nove filhas ou musas de Mnemosyne (a Memória) e Zeus, além de inspirarem os poetas e os literatos em geral, os músicos e os dançarinos e mais tarde os astrónomos e os filósofos, também cantavam e dançavam nas festas dos Deuses olímpicos, conduzidas pelo próprio Apolo. As Nove Musas são:  CalíopeClioEratoEuterpeMelpômenePolímniaTerpsícoreTália, e Urania. Mnemosyne – aquela que preserva do esquecimento seria a divindade da enumeração vivificadora frente aos perigos da infinidade, que na cosmogonia grega aparece como um rio, o Lethe, um rio a cruzar a morada dos mortos (o de “letal” esquecimento), o Tártaro, e de onde “as almas bebiam água quando estavam prestes a reencarnar, e por isso esqueciam sua existência anterior”. Na época romana elas ganharam atribuições específicas: Calíope era a musa da poesia épica, Clio da História, Euterpe da música das flautas, Erato da poesia lírica, Terpsícore da dança, Melpomene da tragédia, Talia da comédia, Polímnia dos hinos sagrados e Urânia da astronomia. Para saber mais, pode aceder a: http://neurociencia.tripod.com/mnemosine.htm#Musas, texto de Kury, Mário da Gama. (1990). Dicionário de Mitologia  Grega e Romana. Jorge Zahar Editor Ltda. Rio de Janeiro, RJ, pp. 405.

 

[2] Conceito usado por Freud nas versões alemãs e na tradução francesa revista e aprovada por ele, palavra grega, que definirei um pouco mais à frente. A citação em português, foi traduzida por mim do francês que diz: «Première tentative de caractériser l'inconscient et le pré­conscient autrement que par leurs rapports avec la conscience. A la ques­tion : « Comment quelque chose devient-il conscient ? On peut substituer avec avan­tage celle-ci : « comment quelque chose devient-il préconscient ? » Réponse : grâce à l'association avec les représentations verbales correspon­dantes.

Ces représentations verbales sont des traces mnémiques: elles furent jadis des perceptions et peuvent, comme toutes les traces mnémiques, redevenir conscientes. Avant que nous abordions l'analyse de leur nature, une hypothèse s'impose à notre esprit : ne peut devenir conscient que ce qui a déjà existé à l'état de perception consciente; et, en dehors des sentiments, tout ce qui, prove­nant du dedans, veut devenir conscient, doit chercher à se transformer en une perception extérieure, transformation qui n'est possible qu'à la faveur des traces mnémiques».

[3] Texto debatido com o docente em Educação Especial, Doutor José Manuel Filipe, cujo original diz: Traço mnésico é uma marca deixada por uma informação no sistema nervoso central que pode ser permanente ou temporária, retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tra%C3%A7o_mn%C3%A9sico ou Mnésico adj. (fr. mnésique; ing. mnemic). Relativo à memória. Ex: ausência mnésica. V. Amnésico. Fonte: CLIMEPSI, em:

http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/10/glo_id/10661/menu/2/. O debate estendeu-se ao psicanalista, proprietário da Climepsi, meu querido amigo, João Cabral Fernandes. Definição e objectivos da Cooperativa de Livros de Medicina e Psicanálise, em: http://www.climepsi.pt/quem-somos

 [4]Iturra, Raúl, 2008: Ensaios de Etnopsicologia da Infância. Proferidos como aulas em 2006-2007, 165 páginas, ainda sem editor.

 

[5] A teoria na net pode ser lida em: http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/ep2/penrose/buraco.html

[6] Steven Hawking, Catedrático em Matemática, professor do Caius College, em Cambridge, com apenas 40 anos de idade foi-lhe detectada esclerose múltipla progressiva ou esclerose lateral amiotrófica (ELA) que, entre nós, em Portugal, matara, aos 53 anos, o Patriota José Carlos Afonso, conhecido por Zeca Afonso, um dos libertadores da ditadura portuguesa. Steven, ainda vivo e produtivo, revê a sua teoria dos buracos negros ou Black Holes, definido em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u12208.shtml, tem ultrapassado todas as ameaças e prognósticos de morte. Brevemente, este Emeritus Professos, um exemplo para todos nós, deverá deixar de trabalhar. A sua biografia pode ser lida em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Stephen_Hawking. Os principais campos de pesquisa de Hawking são cosmologia teórica e gravidade quântica. No ano de 1971, em colaboração com Roger Penrose, provou o primeiro de muitos teoremas de singularidade; tais teoremas fornecem um conjunto de condições suficientes para a existência de uma singularidade no espaço-tempo. Este trabalho demonstra que, longe de serem curiosidades matemáticas que aparecem apenas em casos especiais, são uma característica genérica da relatividade geral. Hawking pensa que, após o Big Bang, os primordiais ou miniburacos negros foram formados com Bardeen e Carter, propondo assim as quatro leis da mecânica de buraco negro, fazendo uma analogia com a termodinâmica. Em 1974, calculou que os buracos negros deveriam, termicamente, criar ou emitir partículas subatômicas, conhecidas como radiação Hawking, além disso, também demonstrou a possível existência de mini buracos negros. Hawking, concomitantemente, participou nos primeiros desenvolvimentos da teoria da inflação cósmica, no início da década de 80, com outros físicos como Alan Guth, Andrei Linde e Paul J. Steinhardt, teoria que tinha como proposta a solução dos principais problemas do modelo padrão do Big Bang. O asteróide 7672 Hawking foi assim chamado, em sua homenagem. Tudo em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Stephen_Hawking.

Após estas leituras, já não estou tão certo se a metáfora do texto central é válida. Mas, quer no inconsciente e a sua teoria, quer na teoria dos Black Holes, ainda há muito por saber, pelo que a metáfora persiste.



publicado por Carlos Loures às 14:00
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