Os dados ontem disponibilizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), vêm confirmar que as medidas de austeridade assumidas pelos governos da UE não estão a contribuir para inverter a tendência de recessão económica. Em quase toda a Europa a situação piora de relatório para relatório.
Estes dados referentes a Fevereiro, revelam que em Portugal a taxa de desemprego voltou a subir atingindo os 15% e colocando-nos em segundo lugar nesse indesejável ranking dos países com maior percentagem de desempregados. Mais desemprego do que Portugal, só em Espanha, onde atinge os 23,6%. Espanha, no entanto, possui uma forte economia paralela com tradições de prosperidade – grande parte dos desempregados vive mais desafogadamente do que alguns trabalhadores com emprego. Isso também sucede entre nós, mas numa escala relativamente reduzida.
Num artigo de James Petras, que ontem publicámos (2012, o ano do Juízo Final), o conhecido sociólogo norte-americano faz previsões de uma catástrofe social mais profunda do que aquela que resultou da recessão de 1929; previsões que hesitamos em classificar de catastrofistas, pois tememos que, com um ou outro toque tremendista, se venha, no essencial, a concretizar. Diz em certo passo que a política de austeridade imposta do Reino Unido à Letónia e à Europa do Sul se consolidará em 2012. Despedimentos em massa no sector público e no sector privado conduzirão a um ano de lutas sociais e de contínuos desafios aos governos.
As "políticas de austeridade" no Sul, terão repercussões no Norte - falências de bancos em França e na Alemanha. A oposição sindical emitirá protestos e promoverá manifestações sem obter resultados. Prevê que a austeridade venha a redundar em repressão e em confrontações sangrentas com os trabalhadores e jovens desempregados sem futuro.
E, para piorar tudo, segundo ele, os Estados Unidos desencadearão uma nova guerra no Próximo Oriente, invadindo o Irão, como Israel pretende. Um conflito alargado, deixará o mundo numa situação caótica. E nós sabemos como as situações caóticas criam um caldo favorável à germinação de marginalidade, da corrupção e da consequente repressão. Dos marginais? Não dos que protestarem contra a marginalidade, a miséria, contra o desemprego…
Mas embora os governos possam reforçar a autoridade e transformar-se em estados policiais, continuaremos a viver em »democracia».
Novas guerras no meio da crise: os sionistas apertam o gatilho
Os "52 presidentes das principais organizações judaicas norte-americanas" e os seus seguidores "Israel é o primeiro" o Congresso, o Departamento de Estado, o Departamento do Tesouro e o Pentágono fomentarão a guerra com Irão. Se tiverem sucesso, a consequência será uma conflagração regional e a depressão mundial. Dado o sucesso do regime extremista israelita para conseguir a obediência cega do Congresso norte-americano e da Casa Branca a respeito de suas políticas bélicas, há que descartar qualquer dúvida.
China: mecanismos compensatórios em 2012
A China vai enfrentar a recessão global de 2012 com várias possibilidades de minorar suas consequências. Pequim poderia produzir bens e serviços para os 700 milhões de consumidores internos que actualmente estão fora do circuito económico. Ao aumentar os salários, os serviços sociais e a segurança do meio ambiente, a China poderia compensar a perda de mercados exteriores. O crescimento económico da China, que depende fortemente da especulação imobiliária, vai ser afectado negativamente quando essa bolha rebentar. Vai produzir-se uma forte depressão, falências nas prefeituras e mais conflito social e de classes. Isto poderia trazer mais repressão ou uma gradual democratização, o que afectará profundamente os relacionamentos entre o mercado e o Estado. O mais provável é que a crise económica fortaleça o controlo estatal sobre o mercado.
A Rússia enfrenta a crise
Na Rússia a eleição do Presidente Putin conduzirá a menos apoio dos levantamentos e sanções promovidas pelos Estados Unidos contra os aliados e sócios comerciais russos. Putin reforçará seus vínculos com a China e beneficiará da desintegração da UE e do enfraquecimento da OTAN.
A oposição apoiada pelos meios ocidentais utilizará a sua influência financeira para desgastar a imagem de Putin e alentar os boicotes ao investimento, embora vá perder as eleições presidenciais por uma margem grande. A recessão mundial debilitará a economia russa e a forçará a escolher entre uma maior propriedade pública ou uma maior dependência de fundos estatais para resgatar destacados oligarcas.
A transição entre 2011 e 2012: do estancamento e a recessão regionais à crise mundial
O ano 2011 preparou a infraestrutura para a desintegração da União Europeia. A crise começou com a morte do euro, a desaceleração nos Estados Unidos e o rebentamento de protestos em massa contra as desigualdades obscenas a nível mundial. Os acontecimentos de 2011 constituíram um ensaio geral do novo ano de guerras comerciais em larga escala entre as grandes potências, o que agudizará as lutas imperialistas e a probabilidade de que as rebeliões populares se convertam em revoluções. Além disso, o aumento da febre bélica orquestrada pelos sionistas contra o Irão em 2011 promete converter-se na maior guerra regional desde o conflito entre os Estados Unidos, Índia e China.
Em 2011, o regime de Obama anunciou uma política de confrontação militar com a Rússia e com a China e outras políticas destinadas a desgastar e degradar o auge da China como poder económico mundial. Frente à crescente recessão econômica e ao declínio dos mercados externos, sobretudo na Europa, desenvolver-se-á uma importante guerra comercial. Washington seguirá com agressividade políticas que limitem as exportações e investimentos chineses. A Casa Branca incrementará os s esforços para desestabilizar o comércio e investimentos da China na Ásia, África e outros locais. Podemos esperar maiores esforços por parte dos Estados Unidos para explorar os conflitos internos étnicos e populares e para incrementar a sa presença militar frente à costa chinesa. Também não deve ser descartado uma grande provocação ou incidente fabricado dentro deste contexto. Em 2012 isto poderia originar raivosos apelos chauvinistas a uma nova e cara "Guerra Fria". Obama proporcionou o enquadramento e a justificativa para uma confrontação em larga escala e longo prazo com a China, o que se interpretará como um esforço desesperado de sustentar a influência norte-americana e as posições estratégicas na Ásia. O "quadrilátero de poder" militar norte-americano -Estados Unidos, Japão, Austrália e Coreia do Sul- com o apoio satélite das Filipinas, enfrentará os vínculos de mercado da China com a propaganda militar de Washington.
Europa: mais austeridade e luta de classes
Os programas de austeridade impostos na Europa, desde o Reino Unido a Letónia e à Europa do sul vão consolidar-se em 2012. Demissões em massa no sector público e menos salários e empregos no sector privado conduzirão a um ano de luta de classes e contínuos desafios aos governos. As suspensões de pagamento acompanharão as "políticas de austeridade" no sul, o que dará como resultado falências de bancos em França e na Alemanha. A classe financeira dirigente do Reino Unido, isolada da Europa mas predominante ali, encorajará os conservadores a "reprimirem" os distúrbios populares e trabalhistas. Emergirá um novo estilo de governo autocrático "neoThatcher"; a oposição sindical emitirá protestos vazias e esticará a trela ao povão rebelde. Em resumo, as regressivas políticas socioeconómicas introduzidas em 2011 estabeleceram o palco para novos regimes de estados policiais e possíveis confrontações sangrentas mais intensas com os trabalhadores e jovens desempregados sem futuro.
As guerras futuras que porão fim aos Estados Unidos como os conhecemos
Dentro dos Estados Unidos, Obama pôs os alicerces para uma nova e grande guerra no Próximo Oriente, concentrando os soldados que operavam no Iraque e no Afeganistão contra o Irão. Com o fim de prejudicar o Irão, Washington está desenvolvendo operações militares e civis clandestinas contra os aliados iranianos na Síria, Paquistão, Venezuela e China. A chave da estratégia bélica dos Estados Unidos e Israel contra o Irão é uma série de guerras em estados próximos, sanções económicas à escala mundial, ataques cibernéticos destinados a neutralizar indústrias vitais e assassinatos terroristas clandestinos de cientistas e militares.
O impulso, o planeamento e a execução das políticas norte-americanas que conduzirão à guerra com Irão podem ser atribuídos empiricamente e sem nenhuma dúvida à configuração sionista de poder (CSP) que ocupa posições estratégicas no governo de Washington, aos meios de comunicação de massas e à "sociedade civil". Uma análise sistemática dos desenhadores das políticas norte-americanas que implementam as sanções económicas no Congresso descobrirá os papéis fundamentais que exercem os "megasionistas" ("Israel é o primeiro") Ileana Ros-Lehtinen e Howard Berman; Dennis Ross na Casa Branca , Jeffrey Feltman no Departamento de Estado e Stuart Levy e seu substituto David Cohen no Departamento do Tesouro. A Casa Branca está totalmente em dívida com os angariadores de fundos sionistas e recebe ordens dos "52 presidentes das principais organizações judaicas norte-americanos". A estratégia israelita-sionista é abafar o Irão, debilitá-lo economicamente e atacá-lo militarmente. A invasão do Iraque foi a primeira guerra dos Estados Unidos realizada para Israel; a guerra de Líbia a segunda; a actual guerra por poderes contra Síria é a terceira. Estas guerras destruíram ou estão destruindo os adversários de Israel.
Em 2011 as sanções económicas concebidas para criar descontentamento no Irão foram as principais armas escolhidas. A campanha de sanções globais ocupou todas as energias dos principais grupos de pressão hebraico-sionistas. Não encontraram nenhuma oposição nos meios de comunicação de massas, no Congresso ou na Casa Branca. A CSP não recebeu praticamente nenhuma crítica por parte das revistas, movimentos ou grupos socialistas, de esquerdas ou progressistas, salvo poucas insignes excepções. A transferência de tropas do Iraque para as fronteiras do Irão realizada no ano passado, as sanções e o impulso da Quinta Coluna de Israel dentro dos Estados Unidos estenderam a guerra em Próximo Oriente . Isto seguramente significará uma agressão "surpresa" aérea e marítima por parte das forças americanas, baseada no pretexto de "iminente ataque nuclear" tecido pelo Mossad israelite e fielmente transmitido pela CSP a seus lacaios do Congresso e da Casa Branca para o consumo mundial. Será uma guerra longa, sangrenta e destrutiva para Israel; os Estados Unidos assumirão as despesas militares directas e o resto do mundo pagará o caríssimo preço económico. A guerra dos Estados Unidos promovida pelos sionistas converterá a recessão de princípios de 2012 numa importante depressão para finais do ano e provavelmente provocará levantamentos em massa.
Conclusão
Tudo indica que 2012 será um ano decisivo de crise económica implacável que se estenderá desde a Europa e os Estados Unidos à Ásia e às suas dependências em África e na América Latina. A crise será verdadeiramente global. As confrontações imperiais e as guerras coloniais minarão qualquer esforço de abrandar esta crise. Como resposta, surgirão movimentos de massas cujos protestos e rebeliões, esperemos, se transformarão em revoluções sociais e na tomada do poder político.
James Petras (Boston, 1937) é um sociólogo norte-americano conhecido pelos seus
estudos sobre o imperialismo e a luta de classes. Analisou também nos seus ensaios os conflitos na América Latina. Fez parte do corpo docente da Binghamton University, de Nova Iorque, da Universidade da Pensilvãnia e da Saint Mary's University, de Halifax (Canadá). Este texto é, com a devida vénia, transcrito do Diário Liberdade, blogue galego de Santiago de Compostela, mas voltado para o mundo lusófono. Dividimo-lo em duas partes, sendo a segunda e última publicada já a seguir, às 21:00.
Introdução
A perspectiva social, política e económica para 2012 é extremamente negativa.
O consenso quase universal, inclusive entre os economistas ortodoxos convencionais, é pessimista relativamente à economia mundial. Embora inclusive aqui suas predições subestimem o alcance e a profundidade da crise, há poderosas razões para pensar que 2012 será o princípio de um declínio maior que o experimentado durante a Grande Recessão de 2008 a 2009. Com menos recursos, maior dívida e uma crescente resistência popular a salvar o sistema capitalista, os governos não podem resgatar o sistema.
Muitas das grandes instituições e meios económicos responsáveis pela expansão capitalista regional e mundial durante as últimas três décadas estão em processo de desintegração e desordem. Os anteriores motores económicos da expansão global, Estados Unidos e a União Europeia , esgotaram as suas potencialidades e estão em claro declínio. Os novos centros de crescimento -China, Índia, Brasil e Rússia- que durante uma "curta década" proporcionaram um novo impulso ao crescimento mundial, percorreram todo o trajecto possível e agora encontram-se em rápida desaceleração, o que continuará durante o ano novo.
O colapso da União Europeia
Concretamente, a destruição causada pela crise na União Europeia virá a quebrar e sua estrutura de facto de complexos níveis converter-se-á numa série de acordos bilaterais/multilaterais de comércio e investimento. Alemanha, França, os Países Baixos e Escandinavos tentarão aguentar a depressão. Inglaterra, em concreto a City, esplendidamente isolada, afundar-se-á num crescimento negativo e os seus financeiros lutarão por encontrar novas oportunidades de especulação entre os Estados petroleiros do Golfo e outros "nichos". A Europa central e do Leste, designadamente a Polónia e a República Checa, fortalecerão os seus vínculos com a Alemanha, mas padecerão as consequências do declínio geral dos mercados mundiais. A Europa do sul (Grécia, Estado espanhol, Portugal e Itália) entrará em depressão à medida que os pagamentos em massa da dívida com que se denfrontam mediante as agressões selvagens aos salários e as prestações sociais reduzem a procura dos consumidores.
O desemprego, que se encontra em níveis de depressão, e o subemprego que afecta um terço da força de trabalho detonarão conflitos sociais que durarão boa parte do ano e se transformarão em levantamentos populares. Com o tempo, a desintegração da União Europeia é inevitável. Vão ser repostas as moedas nacionais em lugar do euro, o que permitiria a desvalorização e o proteccionismo. O nacionalismo estará na ordem do dia. Os empréstimos concedidos aos países do sul pelos bancos da Alemanha, França e Suíça serão objecto de grandes perdas. Serão necessa´rios importantes resgates, o que polarizará as maiorias que pagam impostos e os banqueiros na Alemanha e França. A militancia sindical e o pseudo "populismo" direitista (neofascismo) intensificarão as lutas nacionais e de classes.
É menos provável que uma Europa polarizada, fragmentada e deprimida se una a uma aventura militar estadunidense inspirada pelos sionistas contra o Irão (ou inclusive a Síria). Uma Europa assediada pela crise se oporá à atitude de confrontação de Washington contra a Rússia e a China.
Estados Unidos: a recessão volta com vingança
A economia norte-americana sofrerá as consequências de seu grande défice fiscal e não poderá sair da recessão mundial de 2012 mediante a despesa. Também não poderá ultrapassar o crescimento negativo mediante a exportação para a Ásia anteriormente dinâmica, porque a China, a Índia e o resto da Ásia estão perdendo impulso económico. A China crescerá muito menos que sua média de 9%. A Índia decrescerá de 8% a 5% ou mais. Por outra parte, a política militar de afastamento do regime de Obama, a sua política de exclusão e proteccionismo excluirá qualquer estímulo novo vindo da China.
O militarismo agrava a depressão económica
Os Estados Unidos e o Reino Unido serão os maiores perdedores na reconstrução económica do pós-guerra iraquiano. Dos projectos de infraestrutura por valor de 186 biliões de dólares, os Estados Unidos e o Reino Unido ganharão menos de 5% (Financial Times 16 de dezembro de 2011). O resultado será parecido na Líbia e noutros lugares. O militarismo imperial dos Estados Unidos destrói a seu adversário, enche-se de dívidas para o fazer e as entidades civis colhem os lucrativos contratos económicos de reconstrução do pós-guerra.
A economia norte-americana contrair-se-á em 2012 e um pronunciado incremento do desomprego substituirá a "recuperação sem criação de emprego de 2011" . Além disso, toda a força de trabalho se encolherá à medida que as pessoas deixem de receber subsídios de desemprego deixando de se inscrever [como desempregados].
A exploração da mão de obra ("produtividade") se intensificará à medida que os capitalistas obrigam os trabalhadores a produzirem mais por menos dinheiro e desta maneira aumenta a distância salarial entre rendimentos e lucros.
Cortes selvagens nos programas sociais acompanharão a depressão económica e o aumento do desemprego, com o objectivo de subvencionar os bancos e as indústrias com problemas financeiros. Os debates entre os partidos terão como tema a dimensão dos cortes para os trabalhadores e pensionistas com o fim de tentar a "confiança" dos titulares de búnus. Confrontado com opções igualmente limitadas, as eleitoras e eleitores reagirão mediante a rejeição dos cargos atuais, a abstenção ou a mobilização em massa organizada e espontânea, como o protesto Occupy Wall Street. O descontentamento, a hostilidade e a frustração impregnarão a sociedade. Os demagogos do Partido Democrata vitimizarão a China; os demagogos do Partido Republicano culparão aos imigrantes. Os dois fulminarão os "fascistas islâmicos", especialmente o Irão.
Novas guerras no meio da crise: os sionistas apertam o gatilho
Os "52 presidentes das principais organizações judaicas norteamericans" e seus seguidores "Israel é o primeiro" no Congresso, o Departamento de Estado, o Departamento do Tesouro e o Pentágono fomentarão a guerra com Irã. Se tiverem sucesso, a consequência será uma conflagração regional e a depressão mundial. Dado o sucesso do regime extremista israelita para conseguir a obediência cega do Congresso e a Casa Branca a respeito de suas políticas bélicas, há que descartar qualquer dúvida.
China: mecanismos compensatórios em 2012
A China vai enfrentar a recessão global de 2012 com várias possibilidades de minorar as suas consequências.
Pequim poderia produzir bens e serviços para os 700 milhões de consumidores internos que atualmente estão fora do circuito económico. Ao aumentar os salários, os serviços sociais e a segurança do meio ambiente, a China poderia compensar a perda de mercados exteriores. O crescimento económico da China, que depende fortemente da especulação imobiliária, vai se ver afectado adversamente quando essa bolha rebentar. Vai se produzir uma forte depressão, falências nas prefeituras e mais conflito social e de classes. Isto poderia trazer mais repressão ou uma gradual democratização, o que afectará profundamente os relacionamentos entre o mercado e o Estado. O mais provável é que a crise económica fortaleça o controlo estatal do mercado.
Cortes selvagens nos programas sociais acompanharão a depressão económica e o aumento do desemprego, com o objectivo de subvencionar os bancos e as indústrias com problemas financeiros. Os debates entre os partidos terão como tema a dimensão dos cortes para os trabalhadores e pensionistas com o fim de tentar a "confiança" dos titulares de búnus. Confrontado com opções igualmente limitadas, as eleitoras e eleitores reagirão mediante a rejeição dos cargos actuais, a abstenção ou a mobilização em massa organizada e espontânea, como o protesto Occupy Wall Street. O descontentamento, a hostilidade e a frustração impregnarão a sociedade. Os demagogos do Partido Democrata vitimizarão a China; os demagogos do Partido Republicano culparão aos imigrantes. Os dois fulminarão os "fascistas islâmicos", especialmente o Irão.
Para um desmantelamento concertado do euro - Colectivo de autores.
A verdadeira causa da crise do euro, é o aumento inexorável da dívida externa em metade dos países da região. A necessidade de recorrer ao capital estrangeiro indica que a questão crítica é que os seus próprios recursos não foram utilizadosde modo suficiente para desenvolver as capacidades produtivas dos países em causa e torná-los competitivos. Se se separam os créditos que tem cada um dos países, a dívida externa líquida afecta dois terços dos membros da zona do euro.
Os mais afectados são os países menos competitivos, tais como a Grécia, Portugal e a Espanha assim como a Irlanda. Um segundo grupo de países inclui a Itália, onde a dívida externa líquida é de 27%, e a França, dos quais 30% são devidos essencialmente à acumulação de saídas de capital em investimento directo no estrangeiro; para a Finlândia e a Áustria, a dívida líquida permanece mínima e esta representa menos de 8% do seu PIB. Não só os outros países da zona euro não são afectados, mas em vez disso são os créditos líquidos externos que aparecem para os Países Baixos, para a Bélgica, para o Luxemburgo e sobretudo para a Alemanha.
Nestas condições, a obstinação dos governantes em se precipitarem, a marcha forçada, no impasse do euro só pode conduzir a um agravamento geral da situação económica na Europa. Se bem que osnossos concorrentes americanos e chineses têm interesse na sobrevivência da moeda única europeia, esta moeda está condenada, mais cedo ou mais tarde, a uma explosão incontrolável. Portanto, para evitar esta catástrofe, os signatários deste texto propõem que uma concertação europeia seja desencadeada de modo responsável parase alcançar o necessário desmantelamento do euro. Isto poderá ser feito segundo as seis modalidadesseguintes:
.
1.As moedas nacionais serão recriadas em cada um dos países da zona. Isto será alcançado através da troca dos eurosexistentes contra uma unidade deste dinheiro novo, agora criado. Para as notas, será suficiente um curto período de transição, durante o qual antigas notas emitidas por cada banco nacional e que têm hoje um sinal distintivo por país ("U" para França ) –serão marcadas com um carimbo, até que uma quantidade suficiente das novas notas sejam impressas para uma troca. Quanto às moedas, a troca pode ser feita muito rapidamente uma vez que estas já têm uma face nacional.
2. Na data do desmantelamento do euro, as paridades monetárias das novas moedas nacionais, entre si, serão definidas de comum acordo, para restabelecer as condições normais das trocas comercias e financeiras. Esta é a única maneira de resolver adequadamente o problema principal, que é oa das dívidas externas líquidas. Ter-se-á em conta o aumento dos preços para cada país desde a criação do euro e a situação do seu comércio externo. As desvalorizações ou reavaliações necessárias serão definidas face a uma unidade de contaeuropeia em que o valor internacional será calculado pela média ponderada da taxa de câmbio das moedas nacionais, como foi o caso do antigo ecu..
(3) No interior de cada país permanecerão inalteradas, na data do desmantelamento do euro, na data da saída do euro, os preços de bens e serviços, os valores dos activos e o valor das contas bancárias. O desaparecimento do euro fará com que a dívida pública de cada Estado seja convertida em moeda nacional correspondente, quaisquer que sejam os credores, com exclusão daqueles que detêm créditos comerciais. Por outro lado, as dívidas externas dos agentes privados, bem como os seus créditos comerciais externos , serão convertidos na unidade de conta europeia. Embora esta solução favoreça os países fortes e desfavoreça os países fracos, ela é a única realista para assegurar a sustentabilidade dos contratos anteriormente.
(4) Sem que seja necessário estabelecer um controle cambial, todos os governos irão declarar umas férias da banca por um período limitado. Os governos irãofechar temporariamente os bancos para determinar aqueles que são viáveis e aqueles que terão de recorrer ao Banco Central. As cotações serão bloqueadas durante este período. A solução será a de um princípio universala decidir que a garantia será suportada pelos bancos centrais, que este abandonará a sua independência e retomará o estatuto de antes da década de 1970. O Estado protegerá os aforradores, se necessário, assumindo o controlo de uma parte do sistema bancário, se tal for necessário.
(5) As taxas de câmbio nominais dasmoedas nacionais permanecerão definidas, durante o mesmo período, de acordo com as paridades fixadas por acordo comum. Em seguida, elas terão uma flutuação concertada no mercado, com uma margem de flutuação de ± 10%. Em seguida, um novo sistema monetário europeu, poderia ser estudado para estabilizar as taxas de câmbio reais.
(6) Esta operação seria facilitada se, previamente ao desmantelamento do euro, a sua taxa de câmbio tiver sido fortemente depreciada face às outras moedas. O fim do euro como moeda cara, sobre-avaliada, provavelmente não será aceite pelos nossos parceiros ou pelo Banco Central Europeu, mas a França poderá contribuir previamente fazendo revogar a lei Giscard.de 1973. Esta, queproíbe o financiamento da dívida pública pelo Banco Central, tinha sido consolidada uma vez no Tratado de Maastricht e, em seguida, uma segunda vez no Tratado de Lisboa.
No futuro, nós acreditamos que não podemos manter o impasse sobre os problemas que foram escondidos pela crise do euro, sobretudo o disparar da criação monetária privada e também a deriva mundial dos sistemas bancários, a consequência da abolição da lei Glass-Steagallcriada em 1933 e abolida em 1999.
Nota. Na sequência da crise de 1929 a lei Glass-Steagall, a legislação bancária, determinou, em especial, a separação entre bancos comerciais e bancos de investimento dos EUA.
Pour un démontage concerté de l’euro, colectivo de autores : : Gabriel Colletis, Alain Cotta, Jean-Pierre Gérard, Jean-Luc Gréau, Roland Hureaux, Gérard Lafay, Philippe Murer, Laurent Pinsolle, Claude Rochet, Jacques Sapir, Philippe Villin, Jean-Claude Werrebrouck, économistes.Gabriel Colletis, Alain Cotta, Jean-Pierre Gérard, Jean-Luc Gréau, Roland Hureaux, Gérard Lafay, Philippe Murer, Laurent Pinsolle, Claude Rochet…Le Monde, 24.12.2011.
A publicação na revista Stern de uma carta aberta de um alemão que se sente ofendido com o "estilo de vida" grego suscitou a devida resposta de um grego, também publicada na Stern. Pelos "equívocos" alemães no que respeita ao tomar o todo (que é o povo grego) pela parte (que são os políticos gregos), tanto quanto as múltiplas culpas que à Alemanha são imputáveis nas condições a que chegou o povo grego, vale a pena a leitura destas duas cartas.
“Carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”
Caros gregos,
Desde 1981 pertencemos à mesma família. Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo. Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos. O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.
Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.
Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional. Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!
Na semana seguinte a Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Walter Wuelleenweber:
Caro Walter
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que é por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.
Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO. Estimado Walter, Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia. Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA. 3. Os empréstimos em obrigações que contraiu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.
4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega. Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada do que escrevo. Lamento-o. Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo Walter:
na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros.
Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker etc.
Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?
Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde. Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia: EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM! Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.
Vejam como o Euro foi um excelente negócio para a Alemanha e péssimo para os GIPS (Grécia, Itália, Portugal e Espanha). Reparem bem na simetria das curvas:
Um gráfico idêntico aparece num texto de Paul Krugman que cita Gavyn Davies :* “É normal debater o problema do endividamento soberano concentrando-se na sustentabilidade da dívida pública nas economias periféricas. Mas pode ser mais informativo enxergá-lo como um problema no balanço de pagamentos.
Tomados em conjunto, os quatro países mais problemáticos (Itália, Espanha, Portugal e Grécia) têm um déficit conjunto de US$ 183 mil milhões na conta corrente. A maior parte deste déficit corresponde ao déficit no sector público destes países, já que o seu sector privado se encontra actualmente num estado aproximado de equilíbrio financeiro.
Compensando estes déficits, a Alemanha tem um superávit de US$ 182 mil milhões em conta corrente, o equivalente a cerca de 5% do seu PIB.” Isto significa que ao contrário do que acontece num estado federal, o estado que produz mais riqueza não a reparte significativamente pelos outros estados (fomentando a sua economia, por exemplo). Percebe-se assim a atitude de boicote sistemático da Srª Merkel a qualquer plano que ponha cobro aos ataques especulativos e sequenciais dos mercados financeiros, pois isso exigiria que a Alemanha utilizasse uma parte do seu superavit para realizar empréstimos que apenas renderiam uma taxa de juro modesta. Pelo contrário, se conseguir fazer aguentar a situação de impasse por mais algum tempo, o bloqueio do crédito fará com que um grande número de empresas tenham de ser vendidas para não falirem, sendo então compradas pelos alemães.
Temos assim um ataque em tenaz tão ao gosto germânico: mantêm-se os países desprovidos dos normais mecanismos de defesa cambial - resultante da moeda única e das regras impostas ao Banco Central Europeu - acentuando rapidamente as suas debilidades estruturais, e simultaneamente dificulta-se o acesso ao crédito levando cidadãos empresas e estados a um beco sem saída. Depois de espalhar o medo, substituem-se os governos desses países (Grécia, Portugal, Espanha, Itália), reduzem-se salários e regalias sociais e finalmente compra-se a capacidade produtiva de um país ao preço de saldo.
Sem disparar um tiro a Alemanha está a conseguir alimentar os seus desígnios imperiais melhor do que conseguiu na primeira e segunda guerra. Em menos de 100 anos a Europa tem de enfrentar uma calamidade social provocada pela Alemanha. De facto estamos a enfrentar uma situação de guerra, em que as armas até podem ser corteses e silenciosas, mas não deixam de ser devastadoras.
(Texto reproduzido em vários blogues sendo a origem e o autor desconhecidos)
Segundo relatório da OCDE hoje divulgado, a Europa é a região que está a ser mais castigada pelo desemprego. Em média, nos países da OCDE, a taxa de desemprego permaneceu em 8,2%. Na Zona Euro subiu em Janeiro para 10,7%, o que corresponde ao nível mais elevado de sempre. Os países da EU são os únicos que apresentam taxas de desemprego de dois dígitos. Portugal, que estava em quarto lugar e em Janeiro aparecia a par da Irlanda, está agora em terceiro lugar. Estes dados tinham já sido divulgados pelo Eurostat em 1 de Março e são confirmados pelo relatório de hoje. Acima de Portugal surge a Espanha (23,3%) e a Grécia, (19,9%). Que solução?
O ensaísta francês Albert Jacquard , numa conferência pronunciada há anos em Barcelona, defendeu de forma filosoficamente consistente o advento de uma sociedade futura de costas para o consumo e voltada para a evolução cultural dos seus membros. Pelo advento de uma consciência colectiva que ultrapasse os interesses pessoais e corporativos. Uma sociedade, materialmente pobre, mas humanisticamente rica. É a teoria que Jacquard tem defendido na sua obra, a tese de um «decrescimento sustentado» que conduza a uma sociedade em que o ter tenha menos importância do que o ser. A sua teoria radica na tomada de consciência de que o crescimento descontrolado das economias conduzirá, com o aumento exponencial da população, ao caos social e ao extremar das desigualdades, dado que os recursos do planeta são finitos. É um raciocínio de uma lógica irrepreensível, mas contraria tudo o que «é verdade» na sociedade em que vivemos, baseada precisamente no aumento do consumo. Contraria, inclusivamente, o que se ensina sobre Economia.
Por isso, as economias que mais ganham com o chamado «crescimento sustentado», são radicalmente contra este tipo de soluções. É aos países economicamente mais pobres que uma radical mudança de paradigma seria necessária. Acontece, porém, que na Grécia, em Espanha, em Portugal, na Irlanda, os interesses de quem detém o poder estão ligados aos dos grandes grupos económicos (é um chavão, mas não há outra maneira de o dizer) e os macro-economistas de serviço rapidamente arranjariam argumentos ridicularizando a teoria de Jacquard – pois é lá possível reconverter todo um aparelho produtivo concebido para se integrar numa ordem económica mundial?
O que acontece é que essa ordem se vai transformando em caos.
ENGANA-SE O POVO PARA ALEGRAR OS MERCADOS - por José Goulão
Em Bruxelas, 25 dos 27 Estados membros da União Europeia assinaram um novo tratado que tem um nome pomposo - “Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governação”. Uma designação longa para uma palavra que a maioria dos europeus conhecem de cor e salteado, não do dicionário mas da vida que os atormenta dias após dia: austeridade.
Como mandam as normas que regem a Europa, palavra que abusivamente é usada em vez de União Europeia, este tratado é uma invenção alemã, para defender os interesses alemães, para salvar o Euro, moeda talhada e gerida à imagem e semelhança do velho marco alemão.
Perguntarão: os outros países não têm brio, personalidade, dignidade, vontade própria?
Resposta: os países, se os olharmos através dos seus povos, têm tudo isso; olhados por via dos governos, não. Os governos dos países da União Europeia perderam a essência nacional como perderam o sentido político quando se submeteram aos ditames da economia transnacional e aos caprichos das roletas dos mercados. Os governos, formados em cem por cento dos casos por duas faces do mesmo partido único de obediência neoliberal – o lado socialista/social democrata e o lado conservador/direita, unidos naquilo a que se chama simplesmente “centrão”, servem interesses da economia identificada com os mercados” e limitam-se a gerir a forma como estes mandam nos povos.
Vejamos o caso do novo tratado. “Estabilidade” é uma palavra usada em vez de tranquilidade dos mercados. Significa que estes devem usufruir da estabilidade para poderem tirar proveito e especular com as riquezas e dívidas dos países da União sem que o processo degenere em riscos de secar a árvore das patacas, como acontece na Grécia, em Portugal, na Irlanda e em vários outros países.
“Coordenação” quer dizer que, sob as ordens do Directório, a dupla governante formada pela Alemanha e a França, com evidente predomínio de Berlim, todos os governos devem coordenar as suas políticas económicas e orçamentais segundo o mesmo sistema, o mesmo método, para que – e de novo – não surjam problemas como o da Grécia, que foi preciso transformar em colónia da União Europeia por tempo indeterminado. “Governação” é isso mesmo: a “Estabilidade” e a “Coordenação” são garantidas através de um governo económico europeu com sede em Bruxelas e comando operacional em Berlim ao qual todos os outros submetem as economias dos seus países. O objectivo fundamental do novo tratado com esta pomposa designação é transformar em política oficial da União Europeia a austeridade económica e social que tem vindo a ser imposta aos povos à medida que os seus governos são obrigados a recorrer a empréstimos em condições agiotas para pagar dívidas que ao longo dos tempos foram contraindo em condições agiotas. Austeridade tem significado cortes de salários e pensões sociais, abolição de direitos sociais como o fundo de desemprego e aumentos exponenciais do desemprego. Quando começou o combate à dívida através da austeridade a Grécia tinha 12 por cento de desemprego, agora tem 22 por cento; Portugal tinha um pouco menos de 10 por cento agora tem 15 por cento; Espanha tinha 20 por cento, no fim do ano vai ter 25 por cento.
Se tivermos em conta os jovens com menos de 25 anos, a Grécia tem 50 por cento de desemprego, a Espanha 45 por cento, Portugal 35 por cento. Como o tratado institucionaliza a austeridade, isto é, obriga os Estados a integrá-la nas leis nacionais, “de preferência” ao nível constitucional, é fácil antevermos todos o futuro da Europa a curto e médio prazo. O tratado impõe um défice orçamental anual máximo de 0,5 por cento, que os economistas consideram impossível de cumprir sem paralisação absoluta do investimento público e agravamento do desemprego e da recessão; prevê multas imensas para quem não cumpra esse limite; e impede os Estados de contraírem novas dívidas se forem declarados “incumpridores” por quem manda – a Alemanha, claro.
Na cimeira em que assinaram o tratado, os dirigentes dos governos europeus concluíram, porém, que agora há condições para dinamizar o crescimento económico e criar emprego. Quer isto dizer, em linguagem muito simples, que os governos querem convencer as pessoas de que é possível combater a recessão e criar emprego depois de terem introduzido nas Constituições dos seus Estados a política que conduziu à recessão e ao desemprego.
As mentiras que se contam aos povos para satisfazer os mercados!
GIRO DO HORIZONTE - Eu sou grego - por Pedro de Pezarat Correia
Desde a sua adesão à União Europeia (EU), que então era ainda a Comunidade Económica Europeia, que os responsáveis do Estado Português têm norteado o seu comportamento e o seu discurso pela obsessão do “bom aluno”. É, lamentavelmente, a implícita aceitação de um estatuto de subalternidade perante os “mestres”, de quem tem de se mostrar merecedor da tolerância com que foi aceite no clube dos poderosos, do primo pobre que tem de se comportar bem para ser admitido na sala de visitas da família chique. Os fluxos de dinheiro da ajuda dos nossos anfitriões a isso obrigavam, ainda que o preço fosse a nossa agricultura, a nossa pesca, a nossa frota mercante, alguma da nossa indústria transformadora, o nosso modelo económico inscrito na Constituição da República. Até que, em tempo de crise que atingiu toda a UE, o bom aluno foi atirado para o lixo.
A versão actual do bom aluno é a sujeição à austeridade da “troika” e a alienação do que resta do nosso património público. Mesmo que se reconheça que a receita está a arrastar Portugal para o abismo e a lançar a maioria dos portugueses na miséria, há que ser bem comportado, ir mesmo além das imposições da “troika”, para merecermos a condescendência de não sermos demitidos do clube ou expulsos da sala.
Aqui se inscreve a insólita insistência com que se repete; à saciedade, que Portugal não é a Grécia. Estúpida miopia que impede de ver que nessa lógica, amanhã serão outros, a Irlanda, a Espanha, a Itália, a clamarem que não são Portugal. Ignoram-se os ensinamentos de Brecht, ou de outrem que o terá inspirado, e só se acorda quando chega a nossa vez. Mas então, sem remédio, constata-se que já é tarde.
Perante o drama dos gregos, mergulhados na mesma tempestade que nos envolve, a nossa atitude só pode ser exactamente a inversa. Parafraseando a mensagem que Kennedy celebrizou em Berlim, eu sou um ateniense. A hora é de solidariedade e não de distanciamento. É por isso com sincera simpatia e esperançada expectativa que registo a multiplicação, em Portugal e por essa UE fora, de manifestos e apelos à solidariedade com a Grécia e com os gregos. Se a preocupação do Estado Português é distanciar-se da Grécia, estes apelos distanciam-se do Estado Português e aproximam-se dos gregos.
Na minha entrada na “Viagem dos Argonautas”, com o GDH de 25 de Janeiro com que participei no “Debate – que rumo queremos para a democracia em Portugal”, escrevi a concluir que a defesa da democracia passa por uma luta solidária com todos os povos da UE e, aí, cabe o apelo à solidariedade com os gregos. Porque, de facto, já é da defesa da democracia que se trata.
Eurointelligence Daily Briefing - 17 de Fevereiro de 2012 - enviado por Domenico Mario Nuti
A deal that would turn Greece in a eurozone colony
• An outline plan for a Greek package has now been drawn up, but political agreement will not be reached until Monday;
• the new loan package will be dependent on 24 prior actions Greece has to fulfill before the end of the month;
• agreement is likely to include an escrow account to protect bondholders;
• a permanent representation of the troika is also likely;
• no agreement yet on additional measures needed to hit the 120% target, but various options remain under consideration;
• Wolfgang Schäuble and Angela Merkel disagree on whether to force Greece into default, with the finance minister taking a harder line;
• the Netherlands, Finland and Austria support Schäuble’s position; • through a procedural trick, the ECB and the NCBs have protected their holding against the effects of collective action clauses;
• the Bundesbank has opposed this move; • ECB is ready to offer the foregoing of profits as a contribution to the Greek programme;
• Germany’s Bild wants the Greeks to be thrown out of the euro;
• Lorenzo Bini-Smaghi argues that only the IMF can help now, and might consider using its poverty reduction programme to help Greece; • one out of ten young people have lost their jobs in Q4, as recession gets much worse in Portugal;
• Angela Merkel is to meet an increasingly assertive Mario Monti today;
• Francois Hollande, meanwhile, has signalled that he will cooperate with Angela Merkel gif elected.
Eurointeligence Comment and Analysis
How to deal with Europe’s debt challenge by Guntram B. Wolff It was the Troika's biggest mistake to delay the necessary wage adjustment in Greece. Ultimately, growth can only come from exports, and that requires a steep fall in Greek wages.
An outline plan for a Greek package has now been agreed at technical level Greece would have to complete a list of 24 „prior actions“, the Financial Times reports, before it can get access to the funds. There will be an escrow fund that holds debt payments for nine-to-twelves months, and the troika will have a permanent representation. The problem is that with the latest austerity measures, the debt sustainability calculations suggest that Greece is headed for a debt of 128% of GDP by 2020, missing the 120% target. In order to get to the 120%, the bailout total would have to go up to €136bn. Reuters says ideas also include the euro zone cutting the interest rate on its existing bilateral loans to Greece, and asking private investors to agree to bigger losses. A further option is for the ECB to forego profits on Greek bonds it holds in its portfolio and to re-sell them to the EFSF. The FT’s article also said that there is pressure on Athens to form a grand coalition after the elections.
Schäuble and Merkel disagree
According to the leading front page story of Süddeutsche Zeitung there are deep divergences between Wolfgang Schäuble and Angela Merkel on what strategy to adopt for Greece. According to the paper, the finance minister has come to the conclusion that the current strategy leads nowhere and only Greece’s formal default whitin the currency union a debt reduction radically lower than what is foreseen so far will yield results. The chancellor agrees with Schäuble’s diagnosis that Greece is hopeless but she fears a default will lead to contagion for Italy and Spain with the potential to blow up EMU.
So Merkel insists on sticking to the current strategy. The paper explains that the dispute makes coherent discussions with Germany difficult because the finance ministry and the chancellor’s office are negotiating with contradictory messages in Brussels. According to Süddeutsche, Finland and Austria are supporting Schäuble’s default strategy while the Netherlands internally even plead for a more radical solution that would result in Greece’s euro exit.
Also Luxemburg’s Luc Frieden toys with an exit of the country from EMU. In its coverage of the political fall, Reuters quotes a senior Italian official as saying: "Are the Germans going to break down Europe for the third time in a century?" Another observer is quoted as saying that Germany is hedging its bets: give Greece a slim chance to stay in the eurozone while preparing for an exit.
Eurosystem central banks escape haircut by exchanging Greek bonds
The Eurosystem central banks escape a haircut on the Greek bonds they have acquired through the SMP by exchanging them into new bonds with different serial numbers, Frankfurter Allgemeine Zeitung, Handelsblatt and Financial Times Deutschland report. The new serial numbers will allow the Greek government to legislate and introduce collective action clauses (CAC’s) that will concern bonds with the old serial numbers but not the ones the central banks will have exchanged. By doing so the central banks will have protected their holdings that according to estimate are worth roughly €50bn to €55bn of nominal value that the central banks bought at €40bn. According to Handelsblatt the Bundesbank opposed this move in the ECB Governing Council because it fears negative effects for Portugal and Ireland, the two other program countries. Initial reports by Die Welt, which claimed the operation would lead to sizeable profits fort he central bank, were not confirmed. According to FTD the eurosystem central banks have calculated the interest rate profits they will make over the next three years – the time the second Greek rescue package will run – and they have told the governments they can expect that money to be transferred to them in the central bank’s regular annual profit handover to governments. The governments can then use that money to finance the second Greek rescue package.
Bild asks for Greece to be „thrown out of the euro“
As a result of the insults against Germany and the comparisons of today’s debt negotiations with the Nazi occupation of Greece, Bild has a big story with the headline: „High time to throw those Greek out of the Euro!“. The story is illustrated with two pictures taken out of the Greek press where you can see Wolfgang Schäuble wearing a SS uniform and Angela Merkel whearing a military uniform with a swastika on her arm. The mass circulation daily quotes Greek politicians who say that Schäuble today plays the some role as the German tanks in World War II. The article concludes with quotes from parliamentarians from all three coalition parties who raise doubts about the strategy in Greece and say an exit should be considered. „Greece, time has come to say farewell to the euro …“, the story ends.
Bini-Smaghi advocates uses of IMF’s poverty reduction facility for Greece
Lorenzo Bini-Smaghi, the man who warned loudest against the strategy of a private sector participation, said a Greek euro exit would have catastrophic consequences for exit and the eurozone itself. He writes in the Financial Times:
„Greece does not suffer from a typical balance of payment problem that can be dealt with short to medium-term adjustment and financing. It has a major structural problem that can be resolved only through a combination of macroeconomic, structural and social measures. It also needs prolonged technical assistance to be consistently implemented over the next decade....What is required is much more similar to the kind of programme that the International Monetary Fund applies to low-income countries, under the Poverty Reduction and Growth Facility... with official financing provided for several years, at concessional terms to ensure debt sustainability.“
Portugal: One out of ten young people became unemployed in Q4 last year
In Portugal the latest figures suggest a unexpectedly large jump in unemployment from 12.4% to 14% in the last quarter of 2011. The biggest jump in unemployment was among the 25- to 34-year-old group, followed by those aged between 15 and 24. One out of ten young people lost their job, Jornal de Negocios reports. Fears are also growing that the economy could contract in 2012 by more than the 3% estimated by the government. Over the weekend, more than 100,000 people rallied in one of Lisbon's largest squares, calling for a halt to the austerity measures. Wall Street Journal also quotes a poll conducted showing that the majority of Portuguese don't believe fiscal tightening will lead the country out of the crisis (48.4% say it won’t, 40.3% say it will).
Merkel will meet a selfconfident and confrontational
Monti today According to Handelsblatt Angela Merkel will meet a self confident Mario Monti in Rome today. The paper points out that the prime minister of Italy’s technocrat government enjoys widespread support at home despite the painful reforms he has launched, he is backed by US president Barack Obama and he was applauded in the European Parliament yesterday. His decision that Rome will not apply for the Olympic games in 2020 is an illustration how serious Monti is to get Italy’s public finances on a sound track, the paper points out. According to Handelsblatt, the relation between Merkel and Monti is friendly but the Italian is critical of the German stance that consolidation must trump growth enhancement. Also Monti thinks that Germany’s ultrastrict stance on Greece has become self defeating and will tell Merkel so.
Hollande’s top economic advisor prepares entente with Merkel
In a display of pragmatism Francois Hollande ignores Angela Merkel’s support for Nicolas Sarkozy and asks his top economic policy advisor to underline the common ground between the French Socialists and Germany’s current government. In an interview with Frankfurter Allgemeine Zeitung, Michel Sapin, a former Socialist finance minister, stressed that Germany was right to insist on budgetary consolidation and that Hollande would be serious about solid public finances. But Sapin stressed growth was needed to achieve that pointing out that you cannot get a country’s finances back on track with a growth rate of 0.5% for five years. Sapin also stressed that Hollande would not seek a change of mandate for the ECB because under Mario Draghi the central bank was doing excellent work. This point is noteworthy because the Socialist’s programm foresees that the inflation fighting mandate is extendet to growth enhancement.
10-Y Spreads, Forex, ZC Swaps and Euribor-Ois
10-year spreads
Previous day
Yesterday
This Morning
France
1.250
1.200
#VALUE!
Italy
3.883
3.974
3.953
Spain
3.599
3.480
3.546
Portugal
10.124
10.376
10.877
Greece
32.817
33.655
41.45
Ireland
5.227
5.222
5.354
Belgium
1.680
1.668
1.726
Bund Yield
1.864
1.889
1.91
Euro Bilateral Exchange Rate
Previous
This morning
Dollar
1.301
1.3129
Yen
102.060
103.81
Pound
0.830
0.8305
Swiss Franc
1.206
1.2069
ZC Inflation Swaps
previous
last close
1 yr
1.86
1.93
2 yr
1.77
1.82
5 yr
1.97
1.95
10 yr
2.28
2.25
Euribor-OIS Spread
previous
last close
1 Week
-7.157
-6.157
1 Month
3 Months
1 Year
Sidesways, mostly. 10-year spreads Previous day Yesterday This Morning France 1.250 1.200 #VALUE! Italy 3.883 3.974 3.953 Spain 3.599 3.480 3.546 Portugal 10.124 10.376 10.877 Greece 32.817 33.655 41.45 Ireland 5.227 5.222 5.354 Belgium 1.680 1.668 1.726 Bund Yield 1.864 1.889 1.91 Euro Bilateral Exchange Rate Previous This morning Dollar 1.301 1.3129 Yen 102.060 103.81 Pound 0.830 0.8305 Swiss Franc 1.206 1.2069 ZC Inflation Swaps previous last close 1 yr 1.86 1.93 2 yr 1.77 1.82 5 yr 1.97 1.95 10 yr 2.28 2.25 Euribor-OIS Spread previous last close 1 Week -7.157 -6.157 1 Month 3 Months 1 Year Source: Reuters -- Website: http://sites.google.com/site/dmarionuti/ Blog "Transition": http://dmarionuti.blogspot.com/
Sobre a des-financeirização da economia. . 4. Na zona euro são os mercados que governam - por André .Orléan
" A Política não se faz pelo em leilão da Bolsa ", afirmou o General de Gaulle em 28 de Outubro de 1966, quando o mercado de acções se afundava depois de ter subido exageradamente em 1962. O economista, André Orléan, Director de investigação do CNRS, recordou esta fórmula para mostrar, numa entrevista ao Le Monde, que o poder político está agora sujeito às decisões dos mercados financeiros. Da mesma forma, ele considera "desproporcional" o pânico que se seguiu à degradação da nota pela França pela agência de rating Standard andPoor’s. André Orléan, acaba de receber o prestigioso Paul Ricoeur Award pelo seu livro L'Empire de la valeur. Refonderl'économie (Seuil, 2011). Neste livro, ele desenvolve uma crítica de fundo sobre os economistas "neoclássicos", que querem que acreditemos na "objectividade" dos valores financeiros, quando descreve um sistema subjectivo.
Para evitar falsas avaliações, as crises e as quedas cíclicas mas também as políticas de rigor impostas às populações, André Orléan afirma que é necessário repensar a noção de valor, compreender os seus limites, voltar a dar força ao poder político. É para enfrentar esta reflexão que André Orléan preside à Associação francesa de economia política (AFEP), que defende o pluralismo no ensino e na investigação em economia. É também um dos quatro signatários do manifesto dos economistas aterrados que põem em causa a política da União Europeia no tratamento da dívida soberana. O quarteto acaba também de publicar Changer d’économie! Nos propositionspour 2012 (éd.
Quem governa a Europa ?
Na zona euro, é o mercado. O poder político conforma-se com as prioridades que estes lhes estabelecem e temem também as suas avaliações. Viu-se ainda agora com a degradação da França por Standard andPoor’s. Ao mesmo tempo, o mercado financeiro é um soberano profundamente errático e incoerente. Ele nunca está satisfeito como pode ser visto com estas políticas rigorosas que são acompanhadas de baixo crescimento e esta baixa taxa de crescimento acarreta ela própria novas dificuldades nto, da própria fonte novas dificuldades. No final, temos a impressão de que, na zona euro, a confiança nunca mais voltará.
Historicamente, o primado do político, ou seja, da sua capacidade em enquadrar os interesses financeiros, teve como instrumento essencial o Banco Central. Não devemos perder de vista esta realidade: é através do poder monetário que foi possível prosseguir o interesse colectivo. Mas isso pressupõe que o Banco Central esteja colocado sob a autoridade do poder político. Isso é o que se verifica nas principais democracias. No entanto esta arquitectura, que já deu bem as suas provas, não foi adoptada pela zona euro. Um Banco Central Europeu (BCE) separado do político é uma coisa muito má. É, por si só, a expressão de uma crise muito profunda de democracia europeia, da sua impotência congénita. Com efeito, seria mais exacto dizer que a autonomia radical do Banco Central, mais do que ser o resultado de uma doutrina, é que a consequência do facto de que não existe nenhuma soberania europeia de facto. Porque a história mostra que um verdadeiro soberano sabe captar para seu benefício o Instituto emissor, independentemente do seu estatuto jurídico. Por outras palavras, o primeiro passo de um poder político real europeu seria colocar o Banco Central sob a sua autoridade.
Quando ouve falar de que os " mercados impõem os seus ponto de vista ", de que mercados é que se está falar?
Quando dizemos "mercados", não se está a falar da economia de mercado ou dos mercados de bens. Está-se a falar dos mercados financeiros. Fala-se deles como se eles resumissem toda a economia, e que eles eram racionais e estáveis. Se eles fossem aptos a produzir estimativas correctas dos valores e dos preços, o seu papel seria útil. O problema vem do facto de que não é nada assim. Eles são, deste ponto de vista, muito diferentes dos mercados de bens. Estes últimos tratam com bens reais, tendo uma utilidade que os consumidores podem julgar, enquanto os mercados financeiros assentam em apostas subjectivas, especulativas. Estes são então mercados de promessas. Eles vendem e compram antecipações. A sua lógica é de natureza mimética: cada investidor se posiciona neste mercado com base no que os outros fazem. Eles assemelham-se fortemente a este tipo de medias que procuram descobrir não as informações importantes, mas aquelas que são susceptíveis de serem apreciadas pelo público.
Por esta razão, um mercado financeiro é por definição móvel, instável, cheio de derrapagens descontroladas. Inevitavelmente aí ocorreram bolhas, que explodem quando o fosso face à realidade se torna demasiado grande para ser negado. Mas a teoria neoliberal quer-nos fazer crer que os mercados financeiros dão valores relevantes, preços objectivos e que no final é a auto-regulação que vai prevalecer. É assim que a financeira acção é vendida às populações.
Esta construção foi desmentida pelas crises que se sucedem desde 1987 ao tsunami financeiro de 2007 e à crise actual. Não nos podemos fiar nos preços financeiros, quer se trate das taxas de juros, quer seja da taxa de câmbio quer ainda do preço de uma acção.
Porque é que é sempre a sua estratégia que acaba por vencer?
Nem sempre foi assim. Nós estamos a viver hoje uma situação completamente original. Nos capitalismos que procederam a situação actual quer se fale do fordismo do modelo renano, do management ou outro, o controle das empresas estava ou nas mãos dos sues proprietários ou então, quando o capital estava muito diluído estava nas mãos das direcções da empresa. Daí se segue que havia uma grande diversidade de opiniões e de avaliações. Nestes capitalismos, apenas o "flutuante" era i deixado para o mercado, o resto era gerido por instituições específicas, quer sejam famílias, bancos, à maneira do capitalismo tipo renano, ou o Estado, como no caso francês.
Desde a década de 80, liquidaram-se gradualmente os blocos de controlo, julgados demasiado caros, e porque os jogos no mercado mostravam fortes oportunidades de lucro. Com esta evolução surgiu uma nova forma de capitalismo, financeirizado, onde a diversidade de pontos de vista é muito menos marcada porque o mercado aí constitui ele mesmo o centro das avaliações económicas...
O capital financeiro acabará por globalizar e dominar todas as actividades?
Que seja o mercado das acções, que define a norma de rentabilidade exigida, o mercado de câmbio, que determina o valor do euro, ou o mercado da dívida, que impõe um rigor orçamental, a esfera financeira domina todas as escolhas. No entanto, ao contrário dos mercados de bens, a finança tem uma dimensão directamente colectiva. Ela compreende a economia na sua totalidade a partir de uma análise da sua macroeconomia, das suas instituições e da sua política. Por conseguinte, o primado do político no domínio da avaliação global é ultrapassado pela finança. Esta é uma situação sem precedentes, que põe em perigo a vida democrática.
Assim, a Standard &Poors justifica a sua degradação da notação atribuída à França estimando que o acordo europeu de 9 de Dezembro de 2011, sobre a "regra de ouro" orçamental não constitui um "progresso suficiente" para fazer sair a zona euro da crise. Não há que ficar ofuscado com um tal juízo, com uma tal opinião: a democracia pressupõe a liberdade de opinião, e Standard andPoor’s pode estimar que a política seguida põe em perigo a dívida pública.
O que levanta problema é o peso desproporcionado que é dado a esta opinião. Toda a gente já se esqueceu de que estas agências se enganaram várias vezes – aquando da crise no Sudeste Asiático em 1997, no caso Enron ou na avaliação de produtos titularizados na actual crise? Este peso desproporcionado é um reflexo da impotência das autoridades políticas para afirmar uma outra visão do mundo que não seja a dos interesses financeiros.
Se lhe pedissem para dar um exemplo do poder dos mercados, que exemplo daria?
No final de Dezembro de 2011, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu emprestar 489 mil milhões de euros para os bancos a preço muito baixo, 1%. Ao mesmo tempo, um país como a Itália devia ter contrair empréstimos junto dos bancos nesse momento à taxa de 5% ou 6%. Muitas pessoas ficam surpreendidas com esta diferença de tratamento a favor dos bancos. O BCE é na verdade o poder financeiro na Europa. Perto de 500 mil milhões de euros, é considerável, e concedidos como empréstimos à taxa de 1%, com maturidade de três anos, é coisa nunca vista! No entanto, os bancos já não se emprestam mais entre eles, uma vez que as suas notas têm sido degradadas, os seus balanços continuam ainda a serem opacos, a desconfiança reina. E, não viram chegar a crise de sub-primes, e nisso demonstraram uma incompetência altamente significativa e tiveram que ser salvos pelo dinheiro público... Estamos bem longe do dogma da auto-regulação dos mercados financeiros! Além disso, por uma parte significativa do financiamento atribuído aos bancos europeus não vai para a economia real, mas permanece nas contas dos mesmos bancos junto do BCE!...
Porque é que estes 489 mil milhões de euros do BCE vão para os bancos e não directamente para os Estados? O BCE tem os meios para intervir e para comprar dívida. Mas desde que se trata de apoiar os Estados ficam logo a protestar: "isto fará com que a inflação dispare, nós vamos fazer descer o valor dos activos do BCE ".
Quando se trata de bancos, não se fala mais de riscos inflacionistas ou de solvabilidade. Colocam-se os países em dificuldade com a sua dívida nas mãos dos mercados financeiros, que irão definir à sua vontade o preço de sua assistência a seu gosto: actualmente, a dez anos, 6,5% para a Itália e 5% para a Espanha. Os países da Europa do Sul estão condenados a consagrar uma parte considerável das suas receitas orçamentais para o reembolso de sua dívida, obrigando-os assim a uma redução drástica nas despesas públicas o que é dramático para a sua população.
O BCE não tem o direito de emprestar aos Estados. Devemos lamentá-lo?
Sim. É uma escolha discutível. Há um dogma da independência do BCE para com os Estados, o que, na verdade, é imposto pela Alemanha. No entanto, seria racional apoiar os países solventes com dificuldades por causa da instabilidade nos mercados. Na verdade, é assim que agem todos os principais países, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Japão, mas não a Europa. Resgatar a dívida não resolveria todos os problemas. Mas isso mudar profundamente o clima actual. A Alemanha impõe a independência do BCE porque ela receia a insolvabilidade dos países do Sul. Será que ela se engana? Confunde-se crise de solvabilidade e crise de liquidez. A Itália tem dívidas significativas, mas continua solvável. É estúpido e perigoso permitir que este país pague juros tão elevados Se o BCE comprasse a dívida pública, as taxas de juros imediatamente desceriam. Poder-se-ia então abordar as questões fundamentais, sociais, ecológicas, sem esquecer o crescimento. Mas nós estamos paralisados pela intransigência alemã. Estamos numa situação próxima da de entre as duas guerras, quando os países europeus aplicavam políticas deflacionistas o que levou ao desemprego em massa. É assim porque a Europa continua a estar muito marcada pela sua adesão ao capitalismo financeirizado.
Como é que se pode voltar a dar toda a sua força à governança politica?
Os historiadores dizem-nos que a democracia não se identifica a regras formais. Se o sufrágio universal é um elemento importante da vida democrática, não é suficiente convocar todos os anos o Parlamento Europeu para se ter uma verdadeira democracia. Esta ainda será puramente formal se não conseguir produzir uma verdadeira comunidade. No entanto, nada disto existe na Europa - é a justaposição de 27 órgãos políticos que nunca se misturam. A política europeia é reduzida a reuniões de peritos dominados por questões técnicas – veja-se a "regra de ouro" - sem que ninguém levante a questão do consentimento europeu. O único modelo verdadeiramente europeu é o que é proposto no debate é o modelo que propõem os mercados financeiros! Deve ser dito que a Europa está intoxicada pela financeirização, o que reflecte a omnipresença dos homens das finanças nos locais do poder. Hoje, a Goldman Sachs ultrapassou a ENA no que diz respeito à colocação de altos quadros na Administração Europeia.
O isolamento nacionalista será uma solução?
Eu penso que a crise europeia pode levar alguns a ter uma certa nostalgia do que existia "antes" e que até mesmo deseje aí regressar : "Deixemos o euro, seremos capazes de fazer mexer as taxas de câmbio, gerir a dívida, decidir uma política industrial nacional, etc.". Mas a indústria é agora global. As alavancas que teríamos ao voltar às comunidades nacionais também não estariam mais à altura dos problemas. Tenho medo de que não tenhamos outra alternativa que não seja a de fazer aparecer uma política europeia. Ao mesmo tempo, tudo mostra que se trata de um projecto problemático. Supondo mesmo que os governos nacionais abandonam o seu comportamento actual a favor de uma Europa financeirizada, será muito difícil garantir que a justaposição dos povos em destinos distintos seja capaz de produzir um projecto novo. É uma questão de história comum, não de gestão.
Esta ausência de solidariedade não será o resultado de uma profunda crise social que os povos estão a atravessar?
Há seguramente um grave mal-estar na Europa, a ideia de que o ascensor social deixou de funcionar, que as políticas já não protegem mais as populações e de que se deixam os serviços públicos a degradarem-se. A precariedade aumenta fortemente, a pauperização igualmente, e tem-se estado também a assistir a uma desintegração sindical e muitas pessoas têm já a impressão de que nada pode ser mudado. Um sentimento do irremediável estende-se assustadoramente pelas populações. E tudo isto actua na crise da representação política europeia, que aparece cada vez mais como estando desligada da realidade das populações.
Porquê, ter fundado, com outros, os Economistas aterrados e publicado o livro " Mudar de Economia- Changerd'économie !" ?
Apesar do impacto global da crise de subprimes, o diagnóstico dominante nunca questionou a validade do papel central atribuído aos mercados. Nos diferentes G-20, é verdade que se criticou a opacidade das operações financeiras, os bónus dos traders, os erros de agências de notação, os paraísos fiscais, mas a financeirização nunca foi colocada em questão. A palavra de ordem é a de uma finança tornada transparente porque só assim é eficaz. Nos Economistas Aterrados, não estamos nada de acordo. Pelo lado da transparência, as reformas avançam muito lentamente. Não se tem visto grande coisa, a não ser a obrigação dos bancos aumentarem o valor dos seus fundos próprios. O que se tem-se visto, isso sim, é principalmente os lombies bancários que resistem tanto quanto lhes é possível. O nosso diagnóstico é que a finança ganhou demasiado peso na macroeconomia. Para mudar a economia, eu quero aqui sublinhar a promulgação de uma nova lei Glass-Steagall. Esta reforma, que foi aprovada nos Estados Unidos em 1933 e, depois, abandonada em 1999, estabelece uma incompatibilidade radical entre a profissão de banco do depósito e de banco de investimento. Trata-se de dar a conhecer publicamente a perigosidade da especulação e de querer proteger o circuito dos créditos e dos depósitos. Em suma, trata-se também de querer proteger o sistema de crédito.
Uma das propostas dos economistas aterrados é a que os países da zona euro devem poder praticar políticas orçamentais autónomas - isto implicaria que o BCE garantiria as dívidas. Propomo-nos também reduzir os nichos fiscais e de tributar mais fortemente os rendimentos mais elevados. Gostaria de acrescentar que os bancos devem ser incentivados a fazerem o que é da sua profissão, a saberem investir na economia real, criadora de bens e de empregos. É também necessário reorganizar a actividade bancária, e afastá-los das actividades especulativas. E, cada vez que seja proposta ima a uma inovação financeira, questionar se esta é boa ou não para a economia real. Isto seria uma completa mudança de direcção.
André Orléan, “Dans la zone euro, c'est le marché qui gouverne" LE MONDE, CULTURE ET IDEES | 22.01.12
Um político falando verdade! Godfrey Bloom parte a louça no Parlamento Europeu.
EURODEPUTADO GODFREY BLOOM DO UKIP (PARTIDO INDEPENDENTISTA BRITÂNICO) DIZ VERDADES SOBRE A RAIZ DA CRISE - PARA ONDE VAI O DINHEIRO. O PARTIDO É DE DIREITA, MAS A VERDADE É A VERDADE...
Um CAFÉ NA INTERNET - União Europeia - U.E.: "Isto está a transformar-se num romance de Agatha Christie, onde tentamos descobrir qual será a próxima pessoa a ser liquidada. A diferença é aqui sabermos quem são os vilões"
Um café na Internet
Discurso de Nigel Farage, líder do Partido para a Independência do Reino Unido, no Parlamento Europeu:
U
"Estamos à beira de um desastre financeiro e social, e hoje na sala temos os quatro homens responsáveis... ...Com toda a objectividade, o euro é um fracasso. Quem é o responsável? Qual de vós manda nisto? A resposta é: nenhum. Porque nenhum de vós foi eleito. Não têm qualquer legitimidade democrática para desempenhar os papéis que actualmente desempenham nesta crise... ...Não quero viver numa Europa dominada pela Alemanha, nem o querem os cidadãos europeus. Mas vocês tiveram um papel nisso, pois quando Papandreou utilizou a palavra "referendo", juntaram-se como uma matilha de hienas, cercaram o Papandreou, despediram-no e substituíram-no por um governo fantoche... ...Também decidiram que Berlusconi deveria ir-se embora, portanto foi destituído e substituído pelo sr. Monti... ...Isto está a transformar-se num romance de Agatha Christie, onde tentamos descubrir qual será a próxima pessoa a ser liquidada. A diferença, é que aqui sabemos quem são os vilões. Vocês deveriam ser responsabilizados pelo que fizeram. Deveriam ser todos despedidos... ...Sr Rompuy, o senhor, um homem que não foi eleito, foi a Itália e disse: "não é tempo para eleições, é tempo para acções". Que raio! Quem lhe deu o direito de dizer isso ao povo italiano?"
Impedir que os nossos líderes despejem a nossa democracia e os nossos empregos no lixo
Estimados amigos,
Em poucas horas os nossos líderes podem dar o consentimento para um plano aterrorizante de Merkel e Sarkozy que revogaria nosso direito de escolher políticas económicas sensatas. Mas juntos podemos impedir que os nossos líderes despejem a nossa democracia e os nossos empregos no lixo.
Temendo os grandes bancos, os governos da Europa querem mudar as nossas constituições e o tratado da União Europeia para erradicar permanentemente gastos públicos vitais. Isto é loucura: nos anos 1930, estes gastos foram precisamente o que permitiu à Europa e aos Estados Unidos a escaparem da grande depressão. A Europa precisa endurecer e regular os bancos, e não amarrar as mãos dos nossos governos para fazer felizes os bancos. Vivemos em uma democracia -- e isto significa que os líderes Europeus não podem acordar a um plano por conta própria – Precisam de procurar soluções que tenham a aprovação dos povos e dos nossos Parlamentos Temos poucas horas para salvar as nossas democracias deste ataque – o nosso apelo massivo hoje pode forçar os líderes a respeitar a democracia, regular os bancos, rejeitar a austeridade, e investir no nosso futuro. As nossas reivindicações serão entregues aos líderes e aos representantes dos meios de comunicação presentes na entrada do encontro que ocorrerá amanhã. Clique abaixo para assinar e encaminhe para todos antes do encontro:
Enquanto a Europa se afunda, a Comissão Europeia "proíbe" a ingestão de àgua! - por Octopus
Posted: 22 Nov 2011 07:25 AM PST
.
O Dr. Andreas Hahn e o Dr. Moritz Hagenmeyer são conselheiros das empresas agro-alimentares sobre as afirmações ligadas à saúde que estas podem fazem em relação aos seus produtos. Foi pedido à Comissão Europeia se os produtores europeus de água engarrafada podiam afirmar que "o consume de regular de quantidades significativas de água permite reduzir o risco de vir a desenvolver uma desidratação".
Ao fim de 3 anos de inquérito, os burocratas de Bruxelas chegaram à conclusão que não existem provas suficientes para afirmar que beber água previne a desidratação.
Quem tem dificuldade em acreditar numa tal estupidez, pode ler o Regulamento nº 1170/2011 da Comissão do dia 16 de Novembro deste ano, assinada por Durão Barroso:
Isto significa que a partir de agora, os produtores europeus de água engarrafada estão proibidos de fazer essa afirmação em relação aos seus produtos, com uma pena que pode ir até aos dois anos de prisão.
Perante tal estupidez, as reacções são numerosas. O deputado europeu inglês Roger Helmer declarou: "Isto é de uma estupidez abissal. O Euro está em fogo, a Europa desmorona-se e existem tecnocratas chorudamente pagos para se interrogar sobre as qualidades evidentes da água e tentar proibir-nos o direito de afirmar o que é evidente. Se fosse necessário um exemplo para demonstrar a loucura que representa o projecto europeu, era este".
Esta decisão surreal lembra uma regulamentação europeia que muitos já esqueceram e que data de 1995. A Comissão Europeia, sempre preocupada com o nosso bem estar, chegou ao cumulo de determinar o ângulo que as bananas e os pepinos deveriam ter ou definir o calibre das cenouras. Foram assim 26 as frutas e legumes cuja forma, tamanho e consistência a serem objecto da (in)tolerância da Comissão, o resto ia para o lixo. O importante é a normalização.
Uma resposta magistral, dada por um grego a um alemão
Um cidadão alemão escreveu uma carta aberta aos gregos, publicada na revista Stern. Um grego, Georgios P. Psomas respondeu-lhe pondo os pontos em todos os iis.
O título e o sub-título do artigo da Stern eram os seguintes:
Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia
OS GREGOS, QUE PRIMEIRO FIZERAM ALQUIMIAS COM O EURO, AGORA, EM VEZ DE FAZEREM ECONOMIAS, FAZEM GREVES
Caros gregos,
Desde 1981 pertencemos à mesma família.
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.
O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo
Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.
Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.
Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!!
Walter Wuelleenweber
A resposta não se fez esperar
Caro Walter,
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não "empregado público" como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes "comissões" aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.
Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO.
Estimado Walter,
Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.
Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.
4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoações inteiras, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.
Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.
Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as quais têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda.
Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.
Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por aí vos vai obrigar a baixar o seu nível de vida, perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?
Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes "compatriotas" da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.
Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que só jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos "acertar" um outro ponto importante, já que vocês também são devedores da Grécia:
EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!
Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.
União Europeia Que futuro? - por Mário de Oliveira
(Transcrito do Editorial do jornal Fraternizar de 11 de Novembro de 2011)
E, no fim, provavelmente, nem a Alemanha se manterá de pé. Tudo será devastado. O que nasceu torto, tarde ou cedo, nunca se endireita. E a União Europeia nasceu torta. Não tem Futuro. E o seu Presente, neste final de 2011, está a ser mais do que um Pesadelo. O que vem aí, será indescritível. Particularmente, para as novas gerações. Será um dilúvio, para recorrer à simbologia bíblica, até essa, cada vez menos conhecida pelas novas gerações nascidas nesta União Europeia, em vias de extinção. Não é pessimismo. É uma dolorosa constatação dos factos. Sem falácias, sempre demolidoras, nas consequências que arrastam com elas. Ainda que possam começar por, mentirosamente, consolar a maioria das pessoas que – está aí bem à vista de quem queira ver – gostam de viver com a cabeça enterrada na areia.
A União Europeia está esgotada. Já nasce ferida de morte. Arrasta-se penosamente no tempo. E, nesta altura, está à beira de concluir o seu prazo de validade. É bem filha do Planeta Ideologia /Idolatria, criado pelos Animais Racionais que não ousam PASSAR a Seres Humanos. Anda ferida de morte, desde o seu nascer. Porque tudo nela é Mentira, Latrocínio e Assassínio.
São duras, estas palavras. Muito mais dura, a realidade chamada União Europeia. Nunca quis ser, nem poderia ser, mesmo que quisesse, a Europa dos Povos-em-Relação-Maiêutica entre si e com todos os outros Povos do Mundo. Ora, tudo o que é concebido e realizado no Planeta Ideologia /Idolatria, traz no seu bojo a Mentira e a Humilhação dos Povos, que é a Ideologia /Idolatria. Por isso, a União Europeia nunca chega a ser a Europa dos Povos. Nem pode chegar a ser. Porque a Ideologia /Idolatria só concebe projectos de Dominação, de Exclusão, de Assassínio, de Latrocínio. Se, depois, ainda os concretiza, desgraçados dos Povos. Podem ser levados a passar por um período de abundância de benefícios que mais não são do que pérfidos truques de Corrupção das pessoas e dos Povos. De modo que as pessoas e os Povos amoleçam. Deixem de ter espinha dorsal. Deixem de Ser. Tornem-se, demencial e infantilmente, Ter. Expulsem das suas mentes /consciências os Valores Humanos e Acolham os Valores da Bolsa, os Títulos do Tesouro, os Planos da Poupança só para si, como se os outros fossem um Estorvo, a começar pelas próprias filhas, pelos próprios filhos, que já nem chegam a ser chamados à Vida, e a acabar nos Velhos que, como qualquer outra sucata, são atirados para massificados Lares, cujo objectivo primeiro é o Lucro, onde apodrecem, sem Afectos, num prolongado Viver feito de Inconsoláveis Dores e de Demolidoras Solidões.
A Europa do Euro está em vias de extinção. O próprio Euro pode cair com a queda da Europa dos Poderes. Mas, se cair, cai apenas enquanto Euro. Não enquanto Capital Acumulado e Concentrado. Com essa designação ou com outra, o Capital, no Planeta Ideologia /Idolatria, acaba sempre Vencedor. E cada vez mais Acumulado /Concentrado. No Planeta Ideologia /Idolatria, o Capital é o único valor. É o único Senhor. É o único Deus. É o único Poder. Com a União Europeia Ideologia /Idolatria, o Capital é hoje Global. Todo o Mundo é dele. Seja na Europa. Seja na China. Seja na Índia. Seja no Japão. Porque a Ideologia /Idolatria é a mesma. Em todo o Planeta Terra. Contra o Planeta Terra. E contra as pessoas e os Povos que o habitam. Pessoas mantidas, Povos mantidos no Infantil e no Demencial, desde o Nascer ao Morrer. Que, para isso, servem os Sacerdotes /Pastores das Religiões-Igrejas cristãs. E os chefes do Poder Político, à frente dos Estados. E os Grandes Financeiros do Mundo. E todos os demais que, em feminino e em masculino, trabalham para eles, dia e noite, a troco de míseros ou de chorudos salários. De acordo com a posição que ocupem na Pirâmide do Poder! Nasça, pois, a Europa e o Mundo dos Seres Humanos e dos Povos. Enterre-se, definitivamente, a Europa e o Mundo da Ideologia /Idolatria dos Poderes! ----
A Europa dos ricos corre com a Europa dos pobres - por Augusta Clara
Observem como as cínicas declarações deste eurodeputado britânico deixam a descoberto o que, nas nossas costas, se anda a preparar para fazer sair da União Europeia e do euro os países pobres do Sul mantendo unidos apenas os ricos do Norte. Será que Durão Barroso, o nosso ex-primeiro ministro, fugido para presidente da Comissão Europeia por não ter conseguido governar o seu próprio país, ainda não se apercebeu do que neste momento representa (repare-se no sorriso do entrevistado quando ele é nomeado) e do que anda a defender?
Atente-se, igualmente, entre a variada argumentação deste asséptico britânico - a pressa que eles têm de desembaraçar-se dos sujos mediterrânicos! -, na habilidosa desonestidade com que instila o medo da adesão da Sérvia à UE. Este pedido foi recente e, claro que não vem nada a propósito quando se querem livrar dos que já cá estão. E, então, este "senhor" resolveu trazer à cena o perigo de recrudescimento da recente guerra nos balcãs. Desonestidade tem muita, inteligência tem pouca. Até é irónico que seja ele a afirmar que os resgates seriam derrotados se fossem aprovados pelos povos e não pelos "16 Parlamentos cheios de políticos de carreira".
Ah, e também faz alusão à hipótese de acontecer uma revolução em Portugal. Quem nos dera a nós outro 25 de Abril, agora menos ingénuo porque, entretanto, já tivemos tempo de aprender umas coisinhas.
Julgarão estes fulanos que os povos da Europa são todos estúpidos? Talvez se enganem.